Para o director musical do 2.º Festival Luso-Chinês de Música e Artes, importa salvaguardar “as raízes” da cultura local e promovê-las junto das gerações mais novas. Já este sábado, o destaque do dia inaugural do festival vai para a batalha musical, que contará com a participação de músicos portugueses, segundo avançou Casimiro de Jesus Pinto a este jornal
Num mundo globalizado com uma cultura
universal, é cada vez mais importante valorizar “as raízes”, defendeu ontem
Casimiro de Jesus Pinto, director musical da 2.ª edição do Festival Luso-Chinês
de Música e Artes, à margem de uma conferência de imprensa sobre o evento
patrocinado pela Galaxy Entertainment. A este jornal, o director musical vincou
a importância de divulgar “esta convivência que já existe há séculos”, entre os
povos lusófonos e chineses, e de promover a herança cultural junto dos mais
novos.
“É importante não só a parte de demonstração musical, mas
também haver uma parte de intercâmbio, de conhecer as músicas, as culturas”,
frisou Casimiro de Jesus Pinto. “Já houve cantores de fado em Macau, a
interpretar os seus temas com uma orquestra chinesa”, observou o director.
“Macau já fez várias experiências dessa natureza. Mas é bom que haja uma
continuação. E o mais importante é esforçarmo-nos para que a nova geração
conheça essas identidades culturais”, reiterou.
Foi precisamente este mote que levou a organização a
acrescentar o programa “Artistas nas Escolas” à edição deste ano, que terá
lugar em Hengqin e contará com tradução para participantes que não falem
chinês, segundo avançou Casimiro de Jesus Pinto.
“O workshop em Zhuhai vai envolver estudantes,
docentes, professores e profissionais de música”, explicou o director. “Desde a
primeira conversa com Zhuhai que eles manifestaram interesse em querer
participar e promover essa cultura”, anotou. “Às vezes a proximidade geográfica
não significa proximidade cultural. E Macau tem o seu papel. É importante
preservar essa identidade porque é o nosso diferencial dentro da Grande Baía”,
rematou.
Já no próximo sábado, as actividades arrancarão pelas
15h00, com uma mostra e um workshop interactivo centrado na cultura
tradicional do “guqin”, ambos de entrada gratuita, no centro de experiências de
realidade virtual do Galaxy Macau. A exposição e o workshop acontecerão
novamente no domingo, sendo que serão também realizadas a “Experiência Hanfu” e
a actividade “Criativo de Pintura à Portuguesa”, uma sessão dedicada à pintura
portuguesa do azulejo conduzida por Erica Leong, uma artesã local. O workshop
de azulejo custa 50 patacas por pessoa. A última actividade será uma sessão de
partilha de Canções dos Macaenses.
A “G-Box” do Galaxy Macau vai acolher a cerimónia
inaugural do festival que começará às 17h45 do dia 30 deste mês. Pelas 19h00,
terá lugar o concerto “Aliança Sónica: Batalha Musical”, inspirado na clássica
“Competição de Esgrima no Monte Hua”, no qual músicos da Grande Baía serão
convidados a formar equipas e a enfrentar-se numa batalha ao vivo. Nesta
competição participarão músicos portugueses, incluindo o baterista Luís Bento
que estará acompanhado por duas guitarristas portuguesas, de acordo com o director
musical do festival. Os bilhetes custam entre 288 e 488 patacas.
No dia 31 e no mesmo local, terão lugar o 2.º Concurso
Internacional de Orquestra e Música de Câmara, o Campeonato de Canto da Tuna
Macaense, para o qual já se tinham inscrito 15 participantes segundo Casimiro
de Jesus Pinto, e o Torneio de Música “Chine-Chic” da Grande Baía, sob a
filosofia “música sem fronteiras, culturas em harmonia”, todos de entrada
gratuita.
No dia 2 de Junho, para além do workshop educativo, o
Colégio de Arte de Zhuhai receberá duas sessões de partilha, uma conduzida pela
pianista de Hong Kong Zoie Tse e a segunda dedicada novamente às Canções dos
Macaenses.
A 5 de Junho, o Centro de Arte Ponte 1915 e o restaurante
Riquexó organizarão a Noite da Tuna Macaense, com um jantar musical, sob o tema
da música e gastronomia local. A participação custa 430 patacas por pessoa.
Durante a manhã do dia 6 de Junho, a Casa Lou Kau será
palco da Maratona Musical, onde músicos locais e do exterior demonstrarão os
seus talentos. De entrada livre, a participação requer uma inscrição prévia. Na
parte da tarde, o mesmo espaço acolherá a artista Bossa Eva, para um concerto
de música brasileira com obras originais. No final do dia, o Colégio de Arte de
Zhuhai receberá uma nova ronda do Torneio de Música “Chine-Chic”.
A cerimónia de entrega dos prémios acontecerá a 7 de
Junho, no Colégio de Arte de Zhuhai. Por fim, no dia 8, a Tuna Macaense
conduzirá uma visita guiada ao campus da Escola de Hengqin afiliada à Escola
Secundária Hou Kong, cuja participação necessita de convite.
O Festival Luso-Chinês de Música e Artes conta o apoio do
Consulado Geral de Portugal em Macau e Hong Kong, do Instituto Cultural e dos
Serviços de Turismo, sendo co-organizado pela Associação Sino-Lusófona de
Amizade e Intercâmbio Cultural de Macau, “Macau Music Art Space, MMAS” e
“Zhuhai Art College”. Pedro Milheirão – Macau in Jornal
Tribuna de Macau”