A recriação histórica da Dinastia de Avis foi o grande destaque da Feira Medieval Ibérica de Avis, distrito de Portalegre, que decorreu no centro histórico daquela vila, durante todo o fim-de-semana.
Em comunicado, a Câmara de Avis, que promove este evento
anual, explicou que a feira, que se realizou até domingo, sob o tema “Avis, a
Dinastia”, fez este ano uma “abordagem aprofundada” à afirmação da Dinastia de
Avis, “explorando diferentes momentos, figuras e estratégias” que marcaram este
período da História de Portugal.
Anteriormente, em declarações à agência Lusa, a vereadora
da Cultura na Câmara de Avis, Telma Bento, indicou que eram esperados nos três
dias do evento “entre 15 e 20 mil visitantes”.
Com entrada livre, a autarca destacou que a feira contou
“com cinco tasquinhas de restauração, de âmbito local, nove produtores e oito
artesãos, também da região, e cerca de 50 inscrições de mercadores e artesãos
de fora do concelho”.
“Para nós, um evento como este ou de natureza semelhante
tem um impacto significativo na nossa economia, porque dinamiza o comércio, a
restauração, o alojamento e, por outro lado, promover nacionalmente e mesmo
internacionalmente os nossos produtores, os nossos artesãos e agentes
económicos”, salientou.
Na sexta-feira, o certame foi inaugurado ao fim da tarde,
estando em destaque no âmbito do programa temático “A Ordem: Comendas,
Comendadores e Reuniões Capitulares”, dedicado à génese e organização da Ordem
de Avis enquanto instituição militar e religiosa na estruturação do território.
“Depois, a Feira Medieval Ibérica arrancou com um cortejo inaugural, que
introduz o ambiente medieval e apresentou as diferentes figuras históricas
presentes no evento”, disse o município.
Ao longo da noite, continuou, o público pôde “assistir a
recriações evocativas da vida conventual e militar, complementadas por animação
itinerante, teatro de rua e espectáculos de fogo”.
No sábado, esteve em destaque o tema “Leonor e Fernando
III da Alemanha: uma imperatriz no reforço das políticas matrimoniais da Casa
de Avis”, focado nas alianças matrimoniais enquanto estratégia de afirmação
internacional. “A figura de D. Leonor de Portugal, imperatriz do Sacro Império
Romano-Germânico, surge como elemento central desta narrativa, evidenciando o
papel das mulheres da dinastia na consolidação de relações entre casas reais
europeias” explicou a autarquia.
Ao longo do dia, tiveram lugar recriações históricas e
encenações que ilustravam estas alianças, num ambiente marcado por uma “forte
componente cénica e simbólica”.
Já no domingo, o tema principal girou em torno de “D.
Afonso V, o Africano, e a Beltraneja”, abordando um dos períodos mais
conturbados da história daquela dinastia, centrado no reinado de D. Afonso V e
nas disputas sucessórias que marcaram o final do século XV.
“A evocação da figura da chamada ‘Beltraneja’ introduz o
contexto de conflito político e dinástico, proporcionando recriações que cruzam
intriga, poder e legitimidade”, disse a organização.
Ao longo dos três dias, a Feira Medieval Ibérica de Avis
contou ainda com torneios de armas a cavalo, espectáculos de fogo, teatro de
rua e animação itinerante, danças e folias medievais, mercado medieval e
tabernas, habitualmente alvo de interesse dos turistas.
Por outro lado, e à margem da popular Feira, a
organização destacou, na sexta-feira, uma “Ensinança da arte de bem cozinhar o
gado das Comendas da Ordem”, com o cozinheiro Fábio Bernardino, no Terreiro do
Convento.
Na tarde de sábado, o município destacou a realização da
conferência “D. Leonor de Portugal e Frederico III da Alemanha – Um Matrimónio
Imperial”, no Centro Interpretativo da Ordem de Avis, com a Drª Maria Helena
Cruz Coelho, da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra e investigadora
do Centro de História da Sociedade e da Cultura. In “Jornal
Tribuna de Macau” – Macau com “Lusa”
Sem comentários:
Enviar um comentário