Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)

sexta-feira, 8 de maio de 2026

Portugal - Congresso na cidade de Coimbra evoca Camilo Pessanha

Um congresso de dois dias em Coimbra dedicado a Camilo Pessanha vai assinalar os 100 anos desde a morte do professor, poeta e escritor que nasceu naquela cidade portuguesa e faleceu em Macau. Vários oradores participam no evento, entre os quais Sara Augusto e Carlos Morais José, ambos online, Celina Veiga de Oliveira e António Carlos Cortez


Durante dois dias, 11 e 12 de Maio, Coimbra receberá um congresso sobre a vida e obra de Camilo Pessanha, contando com uma plêiade de oradores, alguns dos quais de Macau. As sessões realizar-se-ão na Faculdade de Letras e na Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra (UC), que o poeta frequentou durante a formação académica.

Na apresentação do evento, a organização destaca o “nome maior da poesia portuguesa”, nascido em Coimbra em 7 de Setembro de 1867. O escritor viria a falecer em Macau a 1 de Março de 1926, onde exerceu relevantes funções públicas. Foi autor de um único e extraordinário livro de versos, Clepsidra, publicado pelas Edições Lusitânia, de que era proprietária a sua amiga Ana de Castro Osório, e posteriormente enriquecido por novos poemas que foram sendo descobertos.

“Apesar da distância e da data tardia da publicação da Clepsidra (1920), posterior quer ao surgimento de vários livros de Mário de Sá-Carneiro, quer à publicação da revista Orpheu, o nome do poeta simbolista era bem conhecido nos meios literários de Lisboa, onde os seus poemas circulavam manuscritos desde o início do século XX”, pode ler-se na nota da UC.

Por isso, acrescenta, “Fernando Pessoa, que o conheceu pessoalmente numa das passagens de Pessanha pelo país natal, lhe chamou Mestre, comparando-o apenas a Antero de Quental e a Cesário Verde como guias e precursores da geração modernista”.

Mário de Sá-Carneiro chegou mesmo a considerar, em 1914, respondendo a um inquérito promovido pelo jornal República, que o melhor livro de poesia dos últimos trinta anos, era um livro até então não publicado, aquele que reunisse a poesia de Camilo Pessanha, o “grande ritmista”. “É esta grande figura da literatura nacional que o Centro de Literatura Portuguesa se propõe celebrar”, sublinha a UC.

A sessão de abertura do evento acontecerá na segunda-feira, pelas 9h30, com palestras de Daniel Pires e Celina Veiga de Oliveira, versando os temas “O percurso cívico de Camilo Pessanha” e “Camilo Pessanha e as teias jurídicas a Oriente”, respectivamente. Ainda durante a manhã, em sessões que terão lugar no Colégio da Trindade, extensão da UC, Duarte Drumond Braga falará sobre “Macau, essa China e esse Portugal”, enquanto Catarina Nunes de Almeida abordará “Camilo Pessanha, mestre de poetas”, e Maria do Carmo Cardoso Mendes orientará uma conversa sob o título “Água, poeira e silêncio: visões do Oriente na poética de Clepsidra”.

Da parte da tarde, num anfiteatro da Faculdade de Letras da UC, estarão os conferencistas Orlando Nunes de Amorim, Ana Margarida Chora, Raquel Brandão do Sêrro, Osvaldo Manuel Silvestre, Gabriella Campos Mendes e Ana Marques. Pelas 18h00, será inaugurada uma exposição bibliográfica sobre Pessanha, na Biblioteca Geral da UC.

Na terça-feira, o congresso contará com o palestrante António Carlos Cortez, que em Março veio a Macau para participar no Festival Literário Rota das Letras. O professor de Literatura Portuguesa falará sobre “Camilo Pessanha e Gastão Cruz: o sentido violento da forma”. Seguir-se-á Charles Cheung, com “Reenquadrar a China de Camilo Pessanha: recepção póstuma do Prefácio ao Esboço crítico da civilização chinesa em Portugal e na China”

Sara Augusto e Carlos Morais José, ambos online, orientarão conversas na manhã do segundo dia. A primeira com a dissertação “Confluências na poesia de Camilo Pessanha em Macau”, e o segundo com “a dor que deveras sente”. Durante o dia haverá também palestras de Diego Emanuel Giménez, Felipe Fusco, Paulo Franchetti, Danglei de Castro Pereira, Carla Datia, Maria do Céu Estibeira, Gustavo Rubim, Luís Quintais e António Apolinário Lourenço.

Os seminários integram-se nas actividades comemorativas promovidas pelo Centro de Literatura Portuguesa e pelo Grupo de Arqueologia e Arte do Centro, com a colaboração da Pró-Associação 8 de Maio, a que se associam a Câmara Municipal de Coimbra, a UM e o Museu Machado de Castro. Participam também na iniciativa bibliotecas de localidades relacionadas com a vida e a obra de Pessanha (entre as quais as bibliotecas municipais de Coimbra, Tábua e Óbidos) e algumas escolas da região. Vítor Rebelo – Macau in “Jornal Tribuna de Macau”


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