Um congresso de dois dias em Coimbra dedicado a Camilo Pessanha vai assinalar os 100 anos desde a morte do professor, poeta e escritor que nasceu naquela cidade portuguesa e faleceu em Macau. Vários oradores participam no evento, entre os quais Sara Augusto e Carlos Morais José, ambos online, Celina Veiga de Oliveira e António Carlos Cortez
Durante dois dias, 11 e 12
de Maio, Coimbra receberá um congresso sobre a vida e obra de Camilo
Pessanha, contando com uma plêiade de oradores, alguns dos quais de Macau. As
sessões realizar-se-ão na Faculdade de Letras e na Faculdade de Direito da
Universidade de Coimbra (UC), que o poeta frequentou durante a formação
académica.
Na apresentação do evento, a organização destaca o “nome
maior da poesia portuguesa”, nascido em Coimbra em 7 de Setembro de 1867. O
escritor viria a falecer em Macau a 1 de Março de 1926, onde exerceu relevantes
funções públicas. Foi autor de um único e extraordinário livro de versos,
Clepsidra, publicado pelas Edições Lusitânia, de que era proprietária a sua
amiga Ana de Castro Osório, e posteriormente enriquecido por novos poemas que
foram sendo descobertos.
“Apesar da distância e da data tardia da publicação da
Clepsidra (1920), posterior quer ao surgimento de vários livros de Mário de
Sá-Carneiro, quer à publicação da revista Orpheu, o nome do poeta simbolista
era bem conhecido nos meios literários de Lisboa, onde os seus poemas
circulavam manuscritos desde o início do século XX”, pode ler-se na nota da UC.
Por isso, acrescenta, “Fernando Pessoa, que o conheceu
pessoalmente numa das passagens de Pessanha pelo país natal, lhe chamou Mestre,
comparando-o apenas a Antero de Quental e a Cesário Verde como guias e
precursores da geração modernista”.
Mário de Sá-Carneiro chegou mesmo a considerar, em 1914,
respondendo a um inquérito promovido pelo jornal República, que o melhor
livro de poesia dos últimos trinta anos, era um livro até então não publicado,
aquele que reunisse a poesia de Camilo Pessanha, o “grande ritmista”. “É esta
grande figura da literatura nacional que o Centro de Literatura Portuguesa se
propõe celebrar”, sublinha a UC.
A sessão de abertura do evento acontecerá na
segunda-feira, pelas 9h30, com palestras de Daniel Pires e Celina Veiga de
Oliveira, versando os temas “O percurso cívico de Camilo Pessanha” e “Camilo
Pessanha e as teias jurídicas a Oriente”, respectivamente. Ainda durante a
manhã, em sessões que terão lugar no Colégio da Trindade, extensão da UC,
Duarte Drumond Braga falará sobre “Macau, essa China e esse Portugal”, enquanto
Catarina Nunes de Almeida abordará “Camilo Pessanha, mestre de poetas”, e Maria
do Carmo Cardoso Mendes orientará uma conversa sob o título “Água, poeira e
silêncio: visões do Oriente na poética de Clepsidra”.
Da parte da tarde, num anfiteatro da Faculdade de Letras
da UC, estarão os conferencistas Orlando Nunes de Amorim, Ana Margarida Chora,
Raquel Brandão do Sêrro, Osvaldo Manuel Silvestre, Gabriella Campos Mendes e
Ana Marques. Pelas 18h00, será inaugurada uma exposição bibliográfica sobre
Pessanha, na Biblioteca Geral da UC.
Na terça-feira, o congresso contará com o palestrante
António Carlos Cortez, que em Março veio a Macau para participar no Festival
Literário Rota das Letras. O professor de Literatura Portuguesa falará sobre
“Camilo Pessanha e Gastão Cruz: o sentido violento da forma”. Seguir-se-á
Charles Cheung, com “Reenquadrar a China de Camilo Pessanha: recepção póstuma
do Prefácio ao Esboço crítico da civilização chinesa em Portugal e na China”
Sara Augusto e Carlos Morais José, ambos online,
orientarão conversas na manhã do segundo dia. A primeira com a dissertação
“Confluências na poesia de Camilo Pessanha em Macau”, e o segundo com “a dor
que deveras sente”. Durante o dia haverá também palestras de Diego Emanuel
Giménez, Felipe Fusco, Paulo Franchetti, Danglei de Castro Pereira, Carla
Datia, Maria do Céu Estibeira, Gustavo Rubim, Luís Quintais e António
Apolinário Lourenço.
Os seminários integram-se nas actividades comemorativas
promovidas pelo Centro de Literatura Portuguesa e pelo Grupo de Arqueologia e
Arte do Centro, com a colaboração da Pró-Associação 8 de Maio, a que se
associam a Câmara Municipal de Coimbra, a UM e o Museu Machado de Castro.
Participam também na iniciativa bibliotecas de localidades relacionadas com a
vida e a obra de Pessanha (entre as quais as bibliotecas municipais de Coimbra,
Tábua e Óbidos) e algumas escolas da região. Vítor Rebelo – Macau in “Jornal
Tribuna de Macau”
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