Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)

quinta-feira, 7 de maio de 2026

Timor-Leste - Culinária da Indonésia ganha espaço no país reforçando laços de amizade

A chef aprendeu a cozinhar com a mãe indonésia e ao chegar a Timor-Leste passou a vender pratos típicos com especiarias que foram caindo no gosto dos timorenses. De encomendas esporádicas, Egha passou a fornecer serviços de buffet a eventos


Uma chef mudou-se para o país vizinho, Timor-Leste, com o marido por causa do trabalho dele. Ao dividir o tempo aprendendo o novo idioma e um ritmo de vida diferente, ela decidiu dedicar-se ao que sabia fazer melhor, cozinhar os pratos aprendidos com a mãe na Indonésia.

Esta é a história de Egha, que conta ter aprendido a cozinhar antes mesmo de saber nomear os temperos que usava.  Ela lembra que foi muito incentivada pelo marido para abrir o próprio restaurante, mas após chegar a Timor-Leste, ele veio a falecer, de repente. E Egha voltou para a Indonésia.

Pratos esgotados para o almoço

Depois de um tempo de luto, a chef percebeu que o seu lugar era em Díli, onde ao lado do marido, descobrira a sua vocação. Arrumou as malas e retornou à capital timorense para realizar o sonho de recomeçar a vida fazendo o que fazia melhor: cozinhar. No início, vendia a comida para vizinhos e amigos, mas logo depois a produção teve de aumentar pela procura popular.

Egha cresceu tanto que abriu o próprio negócio de buffet integral. Ali, ela fornece pratos indonésios como o ayam krispi, ou frango frito crocante, além de pratos rotativos que na maioria dos dias, acabam esgotados na hora do almoço.

A história de Egha parece-se com a de muitos migrantes que tiveram os seus negócios afetados na época da pandemia da Covid-19. Muitos que haviam construído vidas tranquilas e estáveis ​​de repente viram-se sem trabalho e sem opções.

Egha decidiu abrir as portas da sua cozinha e começou a acolher outros migrantes que haviam perdido os seus empregos e não tinham para onde ir. Ela ofereceu trabalho, compartilhou os seus conhecimentos e deu a eles uma oportunidade para recomeçar.

Gado-gado, sucesso do público

Ao ser perguntada pela Organização Internacional para Migrações, OIM, ela diz que se há algum prato que melhor captura a alma deste warung, é o gado-gado.

À primeira vista, parece uma salada simples: legumes, ovos cozidos, tofu frito e tempeh. Mas o prato completa-se com o seu molho de amendoim – rico, cremoso, quente e perfumado – que transforma cada elemento em algo maior do que a soma das suas partes.

O nome gado-gado significa “mistura-mistura” em indonésio. Não existe uma única versão definitiva. O prato muda dependendo dos ingredientes disponíveis. Diferentes ingredientes, texturas e origens são reunidos sob o mesmo molho. Cada etapa importa e cada ingrediente desempenha o seu papel.

Hoje, Egha emprega cerca de 10 pessoas no seu warung, muitas delas migrantes. O trabalho sustenta a sua família, bem como as famílias daqueles que trabalham com ela. Para muitos funcionários, é mais do que um local de trabalho. É um lugar de pertença, onde podem reconstruir as suas vidas e apoiarem-se uns aos outros. Andrea Empamano - Organização Internacional para Migrações ONU News 


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