A chef aprendeu a cozinhar com a mãe indonésia e ao chegar a Timor-Leste passou a vender pratos típicos com especiarias que foram caindo no gosto dos timorenses. De encomendas esporádicas, Egha passou a fornecer serviços de buffet a eventos
Uma chef mudou-se para o país vizinho,
Timor-Leste, com o marido por causa do trabalho dele. Ao dividir o tempo
aprendendo o novo idioma e um ritmo de vida diferente, ela decidiu dedicar-se
ao que sabia fazer melhor, cozinhar os pratos aprendidos com a mãe na
Indonésia.
Esta é a história de Egha, que conta ter aprendido a
cozinhar antes mesmo de saber nomear os temperos que usava. Ela lembra que foi muito incentivada pelo
marido para abrir o próprio restaurante, mas após chegar a Timor-Leste, ele
veio a falecer, de repente. E Egha voltou para a Indonésia.
Pratos esgotados para o almoço
Depois de um tempo de luto, a chef percebeu que o seu
lugar era em Díli, onde ao lado do marido, descobrira a sua vocação. Arrumou as
malas e retornou à capital timorense para realizar o sonho de recomeçar a vida
fazendo o que fazia melhor: cozinhar. No início, vendia a comida para vizinhos
e amigos, mas logo depois a produção teve de aumentar pela procura popular.
Egha cresceu tanto que abriu o próprio negócio de buffet
integral. Ali, ela fornece pratos indonésios como o ayam krispi, ou
frango frito crocante, além de pratos rotativos que na maioria dos dias, acabam
esgotados na hora do almoço.
A história de Egha parece-se com a de muitos migrantes
que tiveram os seus negócios afetados na época da pandemia da Covid-19. Muitos
que haviam construído vidas tranquilas e estáveis de repente viram-se sem
trabalho e sem opções.
Egha decidiu abrir as portas da sua cozinha e começou a
acolher outros migrantes que haviam perdido os seus empregos e não tinham para
onde ir. Ela ofereceu trabalho, compartilhou os seus conhecimentos e deu a eles
uma oportunidade para recomeçar.
Gado-gado, sucesso do público
Ao ser perguntada pela Organização Internacional para
Migrações, OIM, ela diz que se há algum prato que melhor captura a alma deste warung,
é o gado-gado.
À primeira vista, parece uma salada simples: legumes,
ovos cozidos, tofu frito e tempeh. Mas o prato completa-se com o seu molho de
amendoim – rico, cremoso, quente e perfumado – que transforma cada elemento em
algo maior do que a soma das suas partes.
O nome gado-gado significa “mistura-mistura” em
indonésio. Não existe uma única versão definitiva. O prato muda dependendo dos
ingredientes disponíveis. Diferentes ingredientes, texturas e origens são
reunidos sob o mesmo molho. Cada etapa importa e cada ingrediente desempenha o seu
papel.
Hoje, Egha emprega cerca de 10 pessoas no seu warung,
muitas delas migrantes. O trabalho sustenta a sua família, bem como as famílias
daqueles que trabalham com ela. Para muitos funcionários, é mais do que um
local de trabalho. É um lugar de pertença, onde podem reconstruir as suas vidas
e apoiarem-se uns aos outros. Andrea Empamano - Organização Internacional
para Migrações ONU News
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