O escritor angolano José Luís Mendonça lançou, recentemente, em Luanda, a obra literária “30 Odes – Pouco ou Nada Ortodoxas”, um livro que reúne poemas escritos de um jeito fora do comum, em que os detalhes da vida aparentemente desinteressantes tornam-se o epicentro mais importante da linguagem poética
Com cerca de 63 páginas, a obra é uma exaltação à poesia
contemporânea na medida em que o autor procura expressar com eloquência a
grandeza das coisas mais insignificantes da vida e lhes atribui uma importância
indispensável na linguagem poética.
Ao falar a este jornal, durante a venda e sessão de
autógrafo, no Centro Cultural Camões, em Luanda, José Luís Mendonça disse que o
seu livro se diferencia na poesia comum ou tradicional pelo facto de apresentar
uma linguagem mais meticulosa e destacar coisas que a mente humana considera
insignificantes.
“Geralmente toda a poesia começa com a canção, mesmo a
poesia tradicional começou como uma canção, e evoluiu depois para a escrita, e,
nesta minha obra, recorro a este estilo peculiar da poesia, exalto coisas que
para outra pessoa podem parecer insignificantes, mas que, para mim, têm muito
sentido e uma relevante importância”, explicou o autor.
A “ode”, salienta o autor, é uma composição que nasceu na
Grécia antiga, há quase 3 mil anos, antes da nossa era. “Ela tem a
característica de exaltar uma coisa simples ou insignificante da vida, mas
dando-lhe uma abordagem esbelta, uma exaltação geralmente dada aos deuses”.
Quanto à escolha do título da obra, José Luís Mendonça
justifica que 30 se refere ao número de poemas que compõem o livro, já o “odes”
tem a ver com o estilo de escrita poética que decidiu adoptar na obra e que
remete a uma exaltação à poesia contemporânea no seu estado mais genuíno.
Questionado sobre o que o inspirou a escrever uma obra
com estas características fora do habitual, o autor referiu que a intenção é de
recuperar as técnicas antigas e genuínas de fazer poesia.
José Mendonça considera estar a viver um estado de
“xinguilamento poético” (êxtase) que o leva a sair do comum e repensar a poesia
no seu sentido lacto.
“Esta é uma obra que exalta as coisas mais simples da
vida e exalta o meu sentimento em relação a estas coisas. É uma série de
exercícios de escrita poética, o que faço neste livro, mas tem um pendor muito
presente de filosofia”, observou. In “O País” - Angola
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