Um estudo internacional liderado por investigadores do Centre for Functional Ecology (CFE) do Departamento de Ciências da Vida da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC) detetou microplásticos e compostos químicos associados à produção de plásticos (aditivos) em aves marinhas que se reproduzem em regiões subantárticas, nomeadamente na Geórgia do Sul. Alguns destes compostos são reconhecidos como disruptores endócrinos.
Neste estudo, publicado na revista
Journal of Hazardous Materials, foram analisados indivíduos de sete espécies de
aves marinhas subantárticas, algumas das quais classificadas como vulneráveis
ou em perigo de extinção. No total, foram identificadas 1275 partículas de
origem antropogénica nos tratos gastrointestinais dos indivíduos analisados,
correspondendo a uma média de cerca de 17 partículas por indivíduo.
“As análises revelaram que a maioria das partículas
identificadas era de origem sintética (59%), em particular plástico. Foram
também identificadas partículas de origem natural, como celulose e algodão, mas
de origem industrial, podendo conter compostos adicionais, como corantes, que
podem persistir no ambiente”, explica Joana Fragão, aluna de doutoramento em
Biociências da FCTUC e do British Antarctic Survey, no Reino Unido.
O estudo analisou ainda a presença de compostos com
potencial ação como disruptores endócrinos no fígado e no músculo das aves.
Estes compostos, que podem interferir com o sistema hormonal, foram detetados,
incluindo retardadores de chama, com concentrações mais elevadas no fígado.
“Os resultados evidenciam a presença simultânea de
microplásticos e destes compostos em aves marinhas de regiões remotas, não
tendo sido ainda estabelecida uma relação direta entre ambos nem avaliados os
seus efeitos biológicos”, sublinha Filipa Bessa, coautora do estudo.
Ainda assim, os investigadores destacam que estes dados
contribuem para uma melhor compreensão da exposição da fauna marinha a
diferentes tipos de poluentes, sublinhando a importância de reforçar medidas
internacionais que visem a redução da poluição marinha e a proteção da
biodiversidade, incluindo a implementação de programas de monitorização de
plásticos e contaminantes químicos, mesmo em ecossistemas considerados
isolados. Universidade de Coimbra - Portugal
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