O novo embaixador de Portugal no Canadá, Bernardo Lucena, considerou na quinta-feira, que o ensino da língua portuguesa é uma das principais preocupações da comunidade luso-canadiana no Ontário, durante a sua primeira visita oficial a Toronto
“Um dos problemas, como sabem, que
temos aqui em Toronto, e que me foi já várias vezes referido nestes primeiros
contactos com a comunidade, é o ensino da língua portuguesa”, afirmou o
diplomata aos jornalistas no consulado de Portugal em Toronto, num encontro
aberto à comunidade portuguesa, clubes, associações e órgãos de comunicação
social da diáspora.
Bernardo Lucena, que apresentou credenciais à
Governadora-geral do Canadá há cerca de um mês, descreveu esta deslocação como
a sua “primeira visita à Comunidade Portuguesa de Toronto”, sublinhando que a
principal razão da deslocação é precisamente o contacto direto com os
portugueses residentes no Ontário e o conhecimento mais aprofundado das suas
preocupações.
“A mensagem é muito simples: quer o consulado-geral, quer
a embaixada, tenham as portas abertas para a comunidade portuguesa, como sempre
tiveram e continuarão a ter, e tentarei fazer o meu melhor para servir a
comunidade portuguesa no Canadá”, declarou.
Segundo Bernardo Lucena, a questão do ensino do português
foi abordada em reuniões mantidas esta quinta-feira com responsáveis do governo
da província do Ontário, incluindo encontros com membros do executivo
provincial ligados às áreas da economia e do ensino superior.
“As relações entre Portugal e o Canadá atravessam neste
momento uma fase muito positiva, quer no plano económico, quer no plano
político, e isso cria oportunidades importantes para Portugal e também para as
comunidades portuguesas aqui estabelecidas”, afirmou o diplomata, acrescentando
que Portugal poderá beneficiar do atual contexto de aproximação entre o Canadá
e a União Europeia, incluindo nas áreas comercial e da defesa.
Nascido em Lisboa em 1960, Bernardo Lucena ingressou na
carreira diplomática em 1987 e exerceu anteriormente funções como embaixador de
Portugal em Cabo Verde e na Irlanda, representante permanente junto da OCDE e
conselheiro diplomático do primeiro-ministro português.
A cônsul-geral de Portugal em Toronto, Ana Luísa Riquito,
afirmou que o ensino da língua portuguesa continua a ser uma das principais
preocupações da rede consular e associativa no Ontário, sobretudo devido às
dificuldades enfrentadas pelo Programa de Línguas Internacionais do Distrito
Escolar Católico de Toronto (TCDSB, sigla em inglês).
“Essa é uma mensagem que nós temos vindo a passar, o
desvalor e a desvantagem que é eliminar um Programa de Línguas Internacionais
num mundo onde a mobilidade é um valor nuclear, tanto para o percurso académico
como para as oportunidades profissionais dos jovens”, afirmou a diplomata.
Ana Luísa Riquito recordou que o ensino do português no
Ontário abrange escolas comunitárias, ensino básico e secundário e ainda o
ensino universitário, nomeadamente através de programas existentes nas
universidades de York e de Toronto.
A responsável explicou que a cooperação entre Portugal e
as instituições de ensino canadianas é desenvolvida através do instituto
Camões, com apoio financeiro, formação e treino de professores e iniciativas de
promoção da língua e cultura portuguesas.
“O português não é apenas uma língua de identidade e de
herança, é uma língua de oportunidade, uma língua internacional falada em
vários continentes e cada vez mais valorizada no contexto global”, afirmou a
cônsul-geral, referindo que essa posição foi transmitida pelo embaixador aos
representantes do governo do Ontário.
Também o presidente do Conselho Regional da América do
Norte do Conselho das Comunidades Portuguesas, Paulo Pereira, classificou como
“gravíssimo” o risco de redução do ensino integrado de português nas escolas
católicas de Toronto.
“O corte iminente do ensino integrado nas escolas
católicas significa a perda do ensino português para cerca de 2200 alunos, o
que seria um golpe muito duro para a nossa comunidade e para o futuro da língua
portuguesa no Canadá”, alertou.
Segundo Paulo Pereira, a eventual eliminação das aulas
integradas durante a semana poderá provocar uma quebra significativa no número
de estudantes, uma vez que muitos alunos não terão disponibilidade para
frequentar aulas apenas ao fim de semana.
“Vamos perder muitos alunos com isso, e o ensino
integrado ajudava que os alunos matriculados na escola fizessem parte
automaticamente do programa, sem terem de abdicar do tempo familiar ou das
atividades de fim de semana”, explicou.
O conselheiro das comunidades portuguesas acrescentou
ainda que o envelhecimento da população luso-canadiana está igualmente a afetar
as associações comunitárias, tradicionalmente responsáveis pela promoção do
ensino e da cultura portuguesas no Canadá.
Bernardo Lucena descreveu a comunidade portuguesa no
Canadá como “dinâmica”, “bem integrada” e reveladora de “um portuguesismo
assinalável”, considerando tratar-se de “uma comunidade de sucesso que continua
muito ligada às suas raízes e à cultura portuguesa”.
O diplomata reconheceu, contudo, que muitos dos problemas
apresentados pelos representantes comunitários são semelhantes aos encontrados
noutras geografias da diáspora portuguesa, incluindo questões ligadas à
participação eleitoral, serviços consulares e renovação geracional das
organizações comunitárias.
A visita oficial do embaixador português a Toronto
decorre entre 14 e 17 de maio e inclui encontros com autoridades provinciais,
instituições sociais e associações portuguesas.
O programa prevê visitas à Luso Canadian Charitable
Society, ao sindicato da construção LIUNA Local 183, à Casa dos Açores do
Ontário, à Casa do Alentejo, ao Magellan Community Foundation e a Little
Portugal, além da participação num encontro de professores de português no
estrangeiro e na gala da Federação dos Empresários e Profissionais
Luso-Canadianos. In “Bom dia Europa” - Luxemburgo
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