Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)

domingo, 24 de maio de 2026

Diz-me











Vamos aprender português, cantando

 

Diz-me

 

Vês-me como uma folha

ignoras a raiz

não me arrancas com força

se eu fui, foi porque eu quis

 

Posso ser sensível

e cuspir-te na cara

posso ser temível

e de uma bondade rara

 

Não me importa o que dizes

eu tenho as minhas bases

agradeço o elogio

mas só tu é que sabes

 

Não sejas tridimensional

estás em todo o lado

se alguém diz muito mal

é de si que está a falar

 

Então diz-me, o que achas?

Sou fogo, mas posso ser fria

depende somente do dia

posso ser o pó das cinzas

 

Esperando uma nova vida

posso não partilhar

o que me vai na cabeça

às vezes mais vale deixar que o Tempo se esqueça

 

E esquece sempre

como eu esqueço

perdoo o que aconteceu

então diz-me, o que achas?

 

Se eu ficar em minha casa à procura da resposta

saio com menos do que nada

e um pouco mal disposta

há gente que se conforta, ou melhor pensa que sim

 

A difamar quem os rodeia longe ou perto de si

perdes tempo com tanta gente

agradecemos a atenção

só encontrei o meu valor longe da comparação

 

Eu sei, és inseguro, pensa quem te magoou

para seres tão duro com os outros

matutava no meu quarto em como queria ajudar-te

e este é o último presente que te dou

 

Esbanjo-me perante uma plateia imaginária

esperando o nosso reencontro algures na rota planetária

que eu te dê um passou-bem e não ceda

à tendência hereditária de não perdoar

 

Pesquisa as tuas falhas, honra os teus ancestrais

aceita que assim escolhemos - são coisas naturais

vais ver que um dia tu cicatrizas

ser genuína é mais real que qualquer chão que pisas

 

Então diz-me

 

Então diz-me, o que achas?

então diz-me, o que achas?

 

Merai - Portugal

 

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