O ministro dos Negócios Estrangeiros do Governo de transição da Guiné-Bissau, João Bernardo Vieira, informou hoje a Comunidade Económica de Estados da África Ocidental (CEDEAO) que Domingos Simões Pereira continua detido por questões judiciais em curso
A informação consta de uma carta
dirigida ao presidente da comissão da CEDEAO, Omar Alieu Toray, consultada pela
Lusa nas redes sociais.
No documento, João Bernardo Vieira informa Touray que as
autoridades competentes procederam à libertação de três cidadãos guineenses
detidos, mas que estes se terão recusado a sair da prisão sem o presidente do
Partido Africano para a Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC), Domingos Simões Pereira.
A carta não identifica os detidos em causa, mas outros
relatos de guineenses nas redes sociais indicaram que se trata dos deputados
Marciano Indi e Octávio Lopes, ambos do PAIGC, e do advogado Roberto Mbesba,
dirigente do Partido da Renovação Social (PRS).
De acordo com a carta do chefe da diplomacia do governo
de transição guineense, os três teriam afirmado que só sairão da prisão “caso o
cidadão Domingos Simões Pereira seja igualmente libertado”.
“Cumpre-nos esclarecer que, segundo os órgãos judiciais,
o cidadão Domingos Simões Pereira encontra-se sujeito a questões de foro
judicial em curso, razão pela qual se encontra ainda detido”, refere.
João Bernardo Vieira indica, por outro lado, que o
governo de transição reafirma total disponibilidade para “continuar a cooperar
com a CEDEAO, garantindo transparência, legalidade e pleno respeito pelo Estado
de Direito” na Guiné-Bissau.
Entre outras recomendações, uma cimeira de líderes da
CEDEAO, ocorrida na Nigéria, no dia 14 de dezembro último, instou as
autoridades de transição instituídas com o golpe militar de 26 de novembro na
Guiné-Bissau à libertação de todos os dirigentes políticos.
A família de Domingos Simões Pereira, líder do PAIGC e
presidente eleito do parlamento guineense dissolvido no final de 2023, tem
repetido aos órgãos de comunicação social que ainda não conseguiu visitar o
político, nem o seu advogado ou organizações dos Direitos Humanos.
No passado dia 23 de dezembro, o Alto Comando Militar
ordenou a libertação de seis dos detidos, nomeadamente elementos do corpo de
segurança e motoristas dos políticos.
Um autodenominado “alto comando militar” tomou o poder a
26 de novembro último, três dias depois das eleições gerais (presidenciais e
legislativas) e um dia antes da data anunciada para a divulgação dos resultados
na Guiné-Bissau.
O Presidente Umaro Sissoco Embaló foi
destituído e encontra-se fora do país, enquanto o candidato da oposição
Fernando Dias, que reclama vitória nas eleições, se encontra refugiado na
Embaixada da Nigéria em Bissau. In “Balai Cabo Verde” – Cabo Verde com “Inforpress” e “Lusa”
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