Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)

quarta-feira, 18 de novembro de 2020

Moçambique - Violência quadruplicou número de deslocados internos desde janeiro em Cabo Delgado

 


Mais de 33 mil moçambicanos fugiram das suas casas somente na semana passada. Trabalhadores humanitários estão preocupados com o piorar da situação, que afecta principalmente crianças e mulheres



Dezenas de milhares de pessoas continuam a fugir da violência, em Cabo Delgado, no norte de Moçambique. A situação tem desafiado a capacidade do governo e das agências humanitárias de atender os deslocados. 

A Organização Internacional para Migrações, OIM, divulgou esta terça-feira, que apenas na semana passada, mais de 33 mil pessoas tiveram de fugir das suas casas para escapar da insegurança.

Necessidades

Segundo a agência da ONU, o número aumentou quatro vezes, passando de 88 mil, em janeiro, para mais de 355 mil. O agravamento deve-se aos ataques de grupos armados de extremistas islâmicos contra as forças de segurança de Moçambique.

A chefe da OIM no país, Laura Tomm-Bonde, disse que “os relatos sobre a violência contra civis são profundamente perturbadores.”

Contou que “a equipa da OIM está a ajudar milhares de famílias, incluindo muitas com crianças pequenas, a sobreviver ao deslocamento.”

Acesso

Nas últimas semanas, por causa da insegurança, a OIM não pôde chegar a vários distritos do norte da província e ao longo da costa.

A agência contou que tem mais de 100 funcionários no terreno e que eles “continuam empenhados em prestar assistência aos deslocados nos oito distritos onde a OIM pode trabalhar.”

De 16 de outubro a 11 de novembro, mais de 14,4 mil moçambicanos chegaram de barco à praia de Paquitequete, na capital da província, Pemba. Em apenas um dia, atracaram 29 embarcações com deslocados na área.

Segundo a agência, pelo menos 38 pessoas, incluindo crianças, morreram durante um naufrágio em 29 de outubro.

Crise

Uma das pessoas assistidas pela OIM contou que, quando a sua comunidade foi atacada com um incêndio criminoso, a família dela teve de fugir somente com a roupa do corpo. Elas estavam a trabalhar no campo e perderam tudo. 

Centenas de famílias continuam sendo abrigadas por outras em Pemba, onde já vivem 100 mil deslocados. Os recursos das comunidades anfitriãs são limitados e falta espaço para acolher todos.

Outras necessidades urgentes incluem saúde de emergência, proteção e apoio psicológico, acesso a saneamento, água e alimentos. ONU News – Nações Unidas  

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