Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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quarta-feira, 8 de outubro de 2025

Moçambique - Cerca de 22 mil pessoas fogem de nova escalada da violência numa semana

A Acnur afirma que desde o início do conflito, em 2017, mais de 1,3 milhão de moçambicanos tornaram-se deslocados internos. O plano humanitário de 2025 precisa de US$ 352 milhões, mas recebeu menos de 20% do valor


O representante da Agência das Nações Unidas para Refugiados, Acnur, em Moçambique, Xavier Créach manifestou profunda preocupação com o rápido aumento de deslocados no norte de Moçambique.

Em apenas uma semana, cerca de 22 mil pessoas foram forçadas a abandonar as suas casas por causa de uma nova escalada da violência.

Exaustão e perda de esperança

Depois de anos de incerteza, muitas famílias estão a chegar ao limite, algumas permanecem apesar do perigo, enquanto outras fogem novamente, sem esperança de regresso.

Isadora Zoni, Oficial de Comunicação do Acnur em Moçambique, narra o drama que se vive em alguns distritos de Cabo Delgado.

“Nas últimas semanas, estive no terreno com as equipas em distritos como Chiúre, Mueda....em Chiúre eu conheci uma mulher deslocada pela terceira vez. Ela contou que quando regressou à sua aldeia no ano passado, acreditava que a paz estava a voltar, agora depois de perder tudo outra vez, ela disse que já não sabe se há para onde voltar. Esta sessão de exaustão e perda de esperança é hoje uma realidade em todo o norte.”

Aumento da violência no norte de Moçambique

Ao longo de 2025, a violência aumentou. Dados do Acnur indicam que até ao final de agosto, ocorreram mais de 500 incidentes de segurança afetando civis, incluindo saques a aldeias, raptos, assassinatos, pilhagens e destruição de casas e infraestruturas.

Em comparação, em 2022 considerado um dos períodos mais intensos do conflito, foram relatados 435 incidentes.

A agência afirma que a nova onda de deslocamento é uma das maiores registadas, nos últimos oito anos.

“Hoje, os 17 distritos da província de Cabo Delgado, o epicentro da crise, já foram afetados. E só nas últimas semanas quase 22 mil pessoas foram forcadas a fugir das suas casas, somando-se as mais de 100 mil pessoas deslocadas apenas em 2025, mas o número de deslocados não conta a história completa. O que estamos a ver é uma mudança de paradigma. Os civis deixam de ser danos colaterais e passaram a ser alvo direto da violência em ataques, raptos e assassinatos inclusive em vilas e cidades que antes eram consideradas seguras.”

De famílias acolhedoras a deslocados

Desde o início do conflito, em 2017, mais de 1,3 milhão de pessoas foram deslocadas, apanhadas entre a insegurança, a perda e a repetição de deslocamentos.

Muitos dos recentemente deslocados eram anteriormente famílias acolhedoras, que abriram as portas das suas casas a outros, e que agora se encontram também sem abrigo e em necessidade.

As preocupações com a segurança aumentam, os civis continuam a ser alvo de ataques, com relatos de assassinatos, raptos e violência sexual.

As crianças estão entre as mais afetadas, com casos de recrutamento forçado e ataques deliberados por grupos armados não estatais.

Agências da ONU e plano de resposta conjunto

“Em Chiúre no âmbito do plano de resposta conjunto, 5 mil famílias já receberam apoio em proteção e saúde mental. As nossas equipas estão no terreno em Mecúfi juntamente com OIM, PMA e Unicef para responder ao novo fluxo de deslocados. Nos próximos dias esperamos apoiar cerca de 1000 famílias com assistência emergencial e serviços de proteção. Prestamos ainda apoio a pessoas com deficiência, distribuímos dispositivos de mobilidade e kits de dignidade para mulheres e raparigas. O nosso foco é garantir que ninguém fique para trás.”

A crise no norte de Moçambique transformou-se numa das situações humanitárias mais complexas da região. Para além da violência, as famílias enfrentam os efeitos combinados de ciclones repetidos, inundações e secas prolongadas.

Os meios de subsistência foram destruídos, os preços dos alimentos estão a subir, e os serviços básicos são escassos. O impacto cumulativo do conflito e dos choques climáticos criou um ciclo de vulnerabilidade cada vez mais difícil de quebrar.

Restrições financeiras e Prioridades da Acnur

Proteger as pessoas, estabelecer a documentação civil, assegurar abrigo de emergência e reforçar a coesão social são algumas das prioridades da agência segundo explica a especialista do Acnur, Isadora Zoni.

“O plano humanitário de 2025 precisa de US$ 352 milhões e apenas US$ 66 milhões foram recebidos. O número de parceiros humanitários também caiu de 78 para 56 organizações, incluindo 26 internacionais, 21 nacionais, 6 entidades governamentais e 3 agências da ONU. Isto significa menos capacidade no terreno, com menos parceiros e menos fundos estamos a “esticar” cada recurso ao limite, mas investir em proteção hoje é evitar novas deslocações amanhã.”

Apesar das restrições financeiras globais, o Acnur e os seus parceiros continuam a apoiar as populações deslocadas e as comunidades de acolhimento em todo o norte de Moçambique.

Balcões de atendimento foram estabelecidos para identificar pessoas com necessidades específicas, oferecer apoio psicossocial e ajudar famílias a recuperar documentos civis perdidos, em coordenação com as autoridades locais.

O Acnur apela à comunidade internacional para renovar o seu apoio a Moçambique. A proteção dos civis, a restauração do acesso a serviços essenciais e o investimento em soluções duradouras são urgentemente necessários para evitar mais sofrimento. Ouri Pota – Moçambique ONU News


quarta-feira, 18 de junho de 2025

África – Mensagem do Presidente da União Africana transmitida ao Presidente de Transição do Burkina Faso

Uma mensagem verbal do Chefe de Estado de Angola na qualidade de Presidente da União Africana, João Lourenço, para o Presidente de Transição do Burkina Faso, Ibrahim Traoré, foi transmitida, terça-feira, em Ouagadougou, pelo ministro das Relações Exteriores, Téte António

Foto: MIREX

A missiva do Chefe de Estado angolano foi entregue na qualidade de Presidente da União Africana e exprime a solidariedade para com o povo burkinabe, assim como evoca os esforços para a pacificação, reconciliação nacional e estabilidade política no continente africano, de acordo com um comunicado de imprensa do MIREX.

Durante a audiência, Téte António disse ao Presidente de Transição do Burkina Faso que a sua missão a este país da África Ocidental transcreve-se no âmbito da Presidência da União Africana focada na partilha de experiência de Angola no reforço da construção da paz e do desenvolvimento económico de África.

O momento serviu ainda para as duas personalidades debruçarem-se sobre questões inerentes a instabilidade provocada pelos grupos jihadistas e terroristas e do impacto de insegurança nos países do Sahel.

Ibrahim Traoré agradeceu, também, a iniciativa do estadista João Lourenço, que é também o Presidente da União Africana pelo contacto de auscultação dos problemas que afligem a região de Sahel e em particular do Burkina Faso. In “Jornal de Angola” - Angola



sexta-feira, 15 de dezembro de 2023

Guiné-Bissau - Presidente da Assembleia Nacional Popular responsabiliza o Presidente da República por tudo que eventualmente lhe possa acontecer e à sua família

Bissau – O Presidente da Assembleia Nacional Popular (ANP), Domingos Simões Pereira responsabilizou em conferencia de imprensa o Chefe de Estado guineense Umaro Sissoco Embalo por tudo que eventualmente lhe possa acontecer e à sua família, com retirada dos seus elementos de segurança pessoal.


Simões Pereira disse que, na sequência dos acontecimentos do dia 30 de novembro e 01 de dezembro, após o Presidente da República regressar ao país, ordenou a retirada imediata dos elementos da Força de Estabilização da CEDEAO (ECOMIB) que reforçava a sua segurança pessoal na sua residência e agora o corpo nacional que lhe acompanha desde 2014, foram pressionados para abandonarem a sua residência.

Para o efeito, a referida força recebeu um documento intitulado “Guia de Regresso”, no qual foram intimados a apresentar-se nas suas respectivas unidades.

Por isso, Domingos Simões Pereira disse que identificou o acto, como uma clara e deliberada ordem do Presidente da República de atentar à sua segurança e integridade física, sendo o único responsável por tudo que eventualmente lhe possa acontecer e à sua família.

Domingos Simões Pereira lembrou que o artigo sétimo da lei orgânica da ANP,  estabelece que o Presidente do hemiciclo dispõe de dois elementos de segurança pessoal e  duas escoltas motorizadas, frisando que  no artigo 6 da mesma lei afirma que exerce a autoridade sobre todos os funcionários e forças de seguranças ao serviço do parlamento.

Acrescentou que, a lei nº 01/ 2010, nº 2 do Regimento da ANP, diz que é da responsabilidade do governo colocar à disposição da ANP os meios necessários para garantir a tranquilidade e segurança e, no nº 04 do mesmo, declara que estes dispositivos de segurança são dirigidos pelo Presidente do parlamento.

Criticou o facto de continuar a não ter acesso as instalações da sede da ANP e aos funcionários também, o que levou a questionar se a intenção era dissolver o parlamento ou de acabar com o órgão, caso contrário o mínimo que se pode exigir é respeitar as condições previstas na lei, permitindo que o órgão continua a desempenhar as suas funções.

Em relação a recondução do Geraldo Martins nas funções do primeiro-ministro, Simões Pereira disse que a Plataforma de Aliança Inclusiva, PAI Terra Ranka, interpretou não só a Constituição da Republica, assim como as resoluções da Conferencia dos Chefes de Estado e do governo da CEDEAO, como um sinal de abertura, a indigitação de Geraldo para manter a ponte de contacto para  um diálogo que permite encontrar solução para a situação vigente no país.

“Portanto não se trata de legitimar, porque Geraldo Martins é vice-presidente do PAIGC e tem mantido essa Coligação informada de todos os passos, solicitando orientações sobre posições a tomar e foi incumbido para ponte de contacto com o Presidente da República”, sublinhou Domingos Simões Pereira

O político deixou claro que a posição da Coligação é a reposição do governo, conforme os resultados das eleições legislativas de 04 de junho do ano em curso. In “Agência de Notícias da Guiné” – Guiné-Bissau 


terça-feira, 16 de maio de 2023

Angola – Insegurança na base do roubo de peças no Museu do Dundo

Assalto ao Museu do Dundo coloca em xeque vulnerabilidade da segurança. Direcção já vinha gritando socorro. Especialista ajuda a avaliar o valor de uma peça museológica


Uma equipa expedida pelo Ministério da Cultura e Turismo foi ao Dundo (Lunda-Norte) investigar as causas que estiveram na base do assalto ao Museu Regional local, há duas semanas. A comissão ainda não emitiu os resultados da investigação, mas diz-se, por portas travessas, que a segurança desse importante acervo museológico ainda é deficitária, enfatizou, em anonimato, uma fonte ligada à instituição.

Ainda em Agosto do ano passado, a direcção do Museu Regional do Dundo, liderada pelo ora detido Ilunga André, lançou um grito de socorro para as autoridades velarem pela segurança da instituição, nomeadamente clamava pelo recrutamento de, no mínimo, seis vigilantes para garantirem a protecção quer das infra-estruturas, quer do acervo, que engloba mais de 10 mil peças etnográficas e 30 mil de história natural.

A direcção reclamava, igualmente, da insuficiência de técnicos, como especialistas nas áreas de Biologia, Arqueologia, Antropologia, técnicos em restauração e conservação de peças, guias e trabalhadores administrativos.

Uma das peças que estavam para ser roubadas, a máscara Mwana Pwo, foi adquirida em leilão em 2019 pela Fundação Sindika Dokolo, a partir do Reino da Bélgica. Fazia parte de oito recuperadas pela fundação do falecido coleccionador de artes. Trata-se de peças que já tinham sido roubadas no século XIX por investigadores e exploradores de companhias de diamantes. Pihia Rodrigues – Angola in “Novo Jornal”

quarta-feira, 17 de agosto de 2022

Brasil - Violência pesa cada vez mais na decisão dos brasileiros de mudar para Portugal

A insegurança e violência no Brasil estão entre as principais razões que levaram os brasileiros chegados nos últimos anos a Portugal a deixar o país, somando-se assim aos motivos políticos, econômicos e sociais, segundo associações de imigrantes.

“Sem dúvida nenhuma que a violência no Brasil é um dos principais motivos que levam os brasileiros a querer mudar de país, tendo Portugal (…) como destino preferido”, afirmou a presidente da Associação Sociocultural Luso-brasileira de Apoio à Integração em Portugal (UAI), com sede em Braga, Alexandra Gomide.

Para ela, o impacto direto desse fator na decisão de emigrar percebe-se desde logo pelo tipo de comunidade que tem chegado a Portugal, composta por “muitas famílias”.

“São os pais tentando trazer os filhos para um ambiente mais seguro”, disse.

“A gente vê hoje mais famílias inteiras a mudarem-se do que pessoas individuais em busca de uma vida melhor, o fator inicial da imigração”, reforçou.

Mas também porque “a grande maioria” dos imigrantes brasileiros que chegam à UAI nos últimos anos “referem isso” mesmo, ou seja, dizem que “querem trazer os filhos para um ambiente mais seguro”, frisou.

Por isso, Alexandra Gomide coloca a violência “em primeiro lugar” na lista dos fatores com mais peso na decisão de emigrar dos brasileiros que nos últimos anos chegaram a Portugal.

Apesar de considerar que aquela decisão acaba sempre por ser o resultado de “um somatório de fatores”, onde a instabilidade política “desgastante” no Brasil e a procura de um emprego melhor e melhores condições de vida também são fatores de peso.

Portugal, “além de oferecer segurança, pode oferecer uma boa educação e um bom sistema de saúde”, afirma.

O país também oferece outras facilidades, por ser um país que fala português e um destino onde o processo de obtenção de documentos e da cidadania pode ser mais rápido.

A UAI está a atender “em média 80 novas famílias por mês”, adiantou.

Outro indicador que no entender de Alexandra Gomide é revelador de que a insegurança e a violência que hoje se vive no Brasil tem um peso significativo nas decisões de emigrar é que “as grandes cidades [do Brasil] são as que mais perdem brasileiros”.

“A grande maioria vem das grandes cidades, Rio de Janeiro, muitos, pelo menos aqui em Braga (…)”, adiantou.

Ressalvando, porém, que isso não quer dizer que não cheguem a Portugal muitos brasileiros também vindos de pequenas cidades: “Porque, na verdade, a gente vive um contexto no Brasil em que a violência está bem disseminada”, salientou.

“Às vezes a pessoa vive no interior, nem lida tanto com essas situações, mas no noticiário passa tanta coisa negativa, tanta coisa ruim que o medo ali já foi instalado. Por isso, às vezes, a pessoa nem viveu [a violência] num contexto real, mas sai de medo de vir a acontecer”, acrescentou.

Quando emigrou para Portugal, há seis anos, a insegurança e a violência já era “uma coisa que incomodava” e com a qual os brasileiros aprenderam a lidar, recordou.

“Tem determinadas situações que para a gente já faz sentido, o andar abraçado com a bolsa, o não usar o telemóvel na rua. (…) A gente vive numa tensão extremamente grande lá. Mas passa a ser normal”, confessou. “Aqui a gente aprende a viver livre”, concluiu.

Já para a presidente da Casa do Brasil de Lisboa, Cyntia de Paula, a insegurança e a violência no país da América Latina é apenas um dos vários fatores que hoje pesam na decisão dos brasileiros de emigrarem, mas até não é dos mais relevantes para alguns grupos.

“A questão da emigração recente [de brasileiros] é multifacetada”, porque “são muitos os motivos pelos quais as pessoas escolhem emigrar”, afirmou.

Na sua opinião, “está muito ligada à questão econômica e política”, a primeira muito por causa da subida da inflação, que começou a sentir-se no Brasil muito antes do que em Portugal, e a segunda pelo discurso do atual Governo, liderado por Jair Bolsonaro, com o qual as pessoas não se identificam, ou que gera receios de segurança para minorias étnicas ou raciais ou mesmo para certas comunidades como a LGBT, ou até ativistas.

O executivo de Jair Bolsonaro “não tem um discurso claro contra qualquer forma de violência” e “não há um discurso de igualdade, de defesa dos direitos humanos de respeito pelas minorias”, neste momento no Brasil, justificou. Pelo contrário, o discurso do executivo brasileiro é até, por vezes, “xenófobo e homofóbico”, podendo “fomentar a discriminação e a violência”, considerou.

Isso faz com que haja “uma maior procura desses grupos, pelo descontentamento político e por luta política de proteção” por Portugal.

Por outro lado, salientou, “o Brasil é imenso e a relação com a violência é diferente, dependendo da cidade de onde vem [o imigrante brasileiro] (…)”, referiu, acrescentando que “nas cidades pequenas, essa questão é percepcionada de uma forma diferente de quem vem das grandes cidades”, frisou.

Assim, considerou que é “importante”, quando se fala das motivações dos brasileiros para emigrar, “pensar no Brasil em termos continentais e não como um bloco único de pessoas, com realidades econômicas e sociais todas iguais”, porque o país “é muito diferente de um sítio para o outro” e hoje “chega [a Portugal] gente de qualquer lugar do Brasil”.

Assim, concluiu: “Claro que algumas pessoas e alguns grupos” vêm pela questão da insegurança e da violência, “sobretudo das grandes cidades” onde ela se sente mais. “Mas as pessoas não vêm só dessas cidades”.

Por isso, esse motivo “pode influenciar, sim, alguns processos migratórios, mas as motivações são muito variadas” para os imigrantes brasileiros, desde o querer vir estudar, ou trabalhar, à procura de melhores condições de vida, ou mesmo querer empreender, frisou. In “Mundo Lusíada” – Brasil com “Lusa”

 

sábado, 5 de junho de 2021

Moçambique - Acnur relata drama de famílias separadas na província de Cabo Delgado e fugas para a Tanzânia


A Agência da ONU para Refugiados, Acnur, informou que está a acompanhar novos relatos sobre o regresso forçado de famílias moçambicanas pelas autoridades da Tanzânia, na fronteira norte de Moçambique.

Os moçambicanos estão a fugir da violência do conflito na província de Cabo Delgado, entre tropas do governo e extremistas islâmicos.

Grupos armados 

Pelo menos 62 mil moçambicanos foram forçados a abandonar a vila costeira de Palma após os ataques de grupos armados, em 24 de março.

O Acnur pediu aos países vizinhos que respeitem o acesso ao asilo das pessoas que tentam salvar as suas vidas.

Segundo a agência da ONU, várias famílias estão escapando da insegurança somente com a roupa do corpo. Muitas pessoas estão a perder-se das próprias famílias. Os maiores movimentos ocorrem nos distritos de Mueda, Nangade, Montepuez e Pemba por vias terrestre, aérea e marítima.

Antes do ataque dos terroristas a Palma, já havia cerca de 700 mil deslocados incluindo as áreas de Nampula, Niassa, Sofala e Zambézia. A situação humanitária foi agravada.

Somente em maio, quase 3,8 mil moçambicanos que seguiam para a Tanzânia tiveram que retornar na fronteira em Negomano.


Assistência 

A agência da ONU ouviu 68 pessoas em Negomano entre elas sobreviventes de violência de género, idosos e grávidas. Uma mulher deu à luz durante a devolução forçada para Moçambique, sem qualquer apoio médico. 

Na sede de Mueda, dezenas de moçambicanos confirmaram a expulsão sistemática e recorrente. 

Eles mencionaram ter preocupações com a proteção, a separação de famílias e a falta de assistência humanitária já antes observadas.

A maioria fugiu para a Tanzânia temendo a violência nos distritos do norte de Cabo Delgado, particularmente Palma e Muidumbe. 

O grupo confirmou que é comum ocorrer sequestros de membros da comunidade nas suas áreas de origem. ONU News – Nações Unidas      




 

quarta-feira, 18 de novembro de 2020

Moçambique - Violência quadruplicou número de deslocados internos desde janeiro em Cabo Delgado

 


Mais de 33 mil moçambicanos fugiram das suas casas somente na semana passada. Trabalhadores humanitários estão preocupados com o piorar da situação, que afecta principalmente crianças e mulheres



Dezenas de milhares de pessoas continuam a fugir da violência, em Cabo Delgado, no norte de Moçambique. A situação tem desafiado a capacidade do governo e das agências humanitárias de atender os deslocados. 

A Organização Internacional para Migrações, OIM, divulgou esta terça-feira, que apenas na semana passada, mais de 33 mil pessoas tiveram de fugir das suas casas para escapar da insegurança.

Necessidades

Segundo a agência da ONU, o número aumentou quatro vezes, passando de 88 mil, em janeiro, para mais de 355 mil. O agravamento deve-se aos ataques de grupos armados de extremistas islâmicos contra as forças de segurança de Moçambique.

A chefe da OIM no país, Laura Tomm-Bonde, disse que “os relatos sobre a violência contra civis são profundamente perturbadores.”

Contou que “a equipa da OIM está a ajudar milhares de famílias, incluindo muitas com crianças pequenas, a sobreviver ao deslocamento.”

Acesso

Nas últimas semanas, por causa da insegurança, a OIM não pôde chegar a vários distritos do norte da província e ao longo da costa.

A agência contou que tem mais de 100 funcionários no terreno e que eles “continuam empenhados em prestar assistência aos deslocados nos oito distritos onde a OIM pode trabalhar.”

De 16 de outubro a 11 de novembro, mais de 14,4 mil moçambicanos chegaram de barco à praia de Paquitequete, na capital da província, Pemba. Em apenas um dia, atracaram 29 embarcações com deslocados na área.

Segundo a agência, pelo menos 38 pessoas, incluindo crianças, morreram durante um naufrágio em 29 de outubro.

Crise

Uma das pessoas assistidas pela OIM contou que, quando a sua comunidade foi atacada com um incêndio criminoso, a família dela teve de fugir somente com a roupa do corpo. Elas estavam a trabalhar no campo e perderam tudo. 

Centenas de famílias continuam sendo abrigadas por outras em Pemba, onde já vivem 100 mil deslocados. Os recursos das comunidades anfitriãs são limitados e falta espaço para acolher todos.

Outras necessidades urgentes incluem saúde de emergência, proteção e apoio psicológico, acesso a saneamento, água e alimentos. ONU News – Nações Unidas  

terça-feira, 2 de fevereiro de 2016

Brasil - Insegurança: até quando?

SÃO PAULO – O incêndio que atingiu, no dia 14 de janeiro, 20 contêineres refrigerados que armazenavam produtos químicos no pátio alfandegado da Localfrio, na margem esquerda do porto de Santos, em Guarujá, não alcançou as proporções daquele que ocorreu na margem direita, no Distrito Industrial da Alemoa, em abril de 2015, mas serviu para deixar mais uma vez à mostra a flagrante falta de infraestrutura do País em quase todos os segmentos. Se um incêndio de pequenas proporções provocou tantos transtornos, é de se imaginar o que ocorreria num acidente de grandes proporções.   

Seja como for, os dois incêndios mostram a situação de calamidade pública que a Baixada Santista pode chegar, se vier a ocorrer um acidente de grandes proporções no porto, seja incêndio ou vazamento. Se o principal porto do País opera em condições tão precárias, sem plano de emergência que mereça a confiança da população, não se pode esperar que os demais portos brasileiros possam oferecer melhores condições.

Por enquanto, o Corpo de Bombeiros faz o monitoramento do local, enquanto especialistas da Companhia Docas do Estado de São Paulo (Codesp), da Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb) e do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) preparam o trabalho de auditoria sobre as causas do acidente. Um laudo parcial da Localfrio está prometido para 30 dias, a contar de 17 de janeiro.

Até o momento, as causas do acidente não foram divulgadas. De qualquer modo, levando em conta a orientação dada pela Cetesb para que a Localfrio venha a segregar resíduos de dicloro que não queimaram e a sua cobertura para evitar o contato com águas da chuva, o que poderia desencadear nova reação química, provocando emissão de fumaça e, obviamente, transtornos à população, isso pode indicar que, em tese, os procedimentos não teriam sido os mais adequados.

Diante disso, o sentimento que fica é de impotência diante da inevitabilidade dos fatos. Mesmo que a auditoria aponte as causas e possíveis culpados, não se acredita que as autoridades venham a criar condições para um enfrentamento mais rápido diante de situações críticas. Também não se sabe até agora que as punições e multas aplicadas em casos anteriores tenham resultado em efetivas medidas de segurança e para melhorar a qualidade de vida da população. Assim, o mais provável é que, em semanas, o recente desastre caia no esquecimento e as prometidas medidas reparadoras também. Até quando a população terá de conviver com tamanha insegurança? Milton Lourenço – Brasil

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Milton Lourenço é presidente da Fiorde Logística Internacional e diretor do Sindicato dos Comissários de Despachos, Agentes de Cargas e Logística do Estado de São Paulo (Sindicomis) e da Associação Nacional dos Comissários de Despachos, Agentes de Cargas e Logística (ACTC). E-mail: fiorde@fiorde.com.br. Site: www.fiorde.com.br.