Domingos Simões Pereira, líder do histórico PAIGC, e Fernando da Costa Dias, chefe do PRS, que concorreu às eleições gerais de Novembro e afirma ter sido o vencedor, travado pelos militares à última da hora, antes da votação terminar, recusam "sujar o nome" com este convite dos militares golpistas.
Um e outro estavam sob detenção, por algum tempo domiciliário,
havendo dúvidas sobre os seus paradeiros por longos períodos, mas com Domingos Simões
Pereira em prisão militar e Fernando Dias a sair da embaixada da Nigéria em
Bissau.
Embora a sua libertação reponha alguma normalidade no
país, o facto de ser uma junta militar a governar, através de um Executivo
nomeado pelos generais golpistas, atira a Guiné-Bissau para mais uma longa e
imprevisível experiência ditatorial.
Que se espera que termine em dezembro deste ano, depois
de o Presidente de transição, o general Horta Inta ter marcado eleições para 06
de dezembro, sem que até agora, depois do golpe de novembro se tenha percebido
as razões para a usurpação do poder.
A não ser que uma vitória de Fernando Dias, apoiado pelo
PAIGC depois de a justiça ter impedido Domingos Simões Pereira (ambos na foto a
assinar o acordo entre PAIGC e PRS) de se candidatar, sem uma explicação
plausível, não fosse tragável pelos militares, claramente ao lado do anterior presidente
Umaro Sissoco Embaló, entretanto exilado no Senegal, apesar de ser voz corrente
em Bissau que é ele que da capital senegalesa comanda os destinos da Guiné.
Tanto a CEDEAO, a organização sub-regional da África
Ocidental, como o vizinho Senegal, o país com maior ascendente sobre Bissau
desde sempre, mantém uma forte pressão sobre a junta militar para forçar a
normalidade constitucional.
O episódio da libertação
Entretanto, a confirmar a relevância da posição de Dacar
em Bissau, segundo uma notícia da Lusa, que viu a sua delegação em Bissau
fechada em agosto do ano passado, Domingos Simões Pereira foi conduzido da
Segunda Esquadra de Bissau para a sua residência no bairro de Luanda, nos
arredores da capital guineense, pelo ministro da Defesa do Senegal, general
Birame Diop.
O Presidente do Senegal faz parte de um grupo de chefes
de Estado encarregados pela Comunidade Económica de Estados da África Ocidental
(CEDEAO) para acompanhar e encontrar soluções para a crise política
pós-eleitoral na Guiné-Bissau.
O ministro da Defesa do Senegal que se encontrava em
Bissau na passada sexta-feira, acompanhou pessoalmente a saída de Domingos
Simões Pereira da prisão da Segunda Esquadra para a sua residência onde,
segundo uma fonte do governo de transição, vai permanecer vigiado por
militares.
As mesmas fontes informaram à Lusa que a polícia e os
militares não estão a permitir o acesso de pessoas à rua que vai dar à
residência privada de Domingos Simões Pereira.
"Apenas estão na residência as pessoas que já lá se
encontravam antes", precisou um familiar que disse ter tentado "por
várias formas" visitar o tio.
Numa transmissão em direto numa rede social, um familiar
que se encontrava na residência, mostrou o momento em que Domingos Simões
Pereira dava entrada no imóvel, acompanhado do ministro senegalês.
Uma pequena multidão de pessoas, vizinhas da sua
residência, saudaram com "viva DSP" (Domingos Simões Pereira) o
momento em que desceu da viatura para entrar em casa.
Em declarações para os presentes na sala de Domingos
Simões Pereira, o ministro da Defesa do Senegal saudou a "boa vontade do
Presidente de transição, general Horta Inta-a" e apelou aos guineenses
para "abrir uma nova página" do diálogo.
O governante senegalês disse que os guineenses devem
preparar-se para as eleições legislativas e presidenciais, marcadas pelos
militares, para 06 de dezembro próximo.
O general Birame Diop afirmou que estava a sair da
residência de Simões Pereira para tratar da saída de Fernando Dias da Costa das
instalações da embaixada da Nigéria para a sua casa.
Fernando da Costa, entretanto também libertado, que
reclama ter sido o vencedor das eleições presidenciais de 23 de novembro,
encontrava-se exilado na embaixada da Nigéria na sequência do golpe de Estado.
A 26 de novembro de 2025, os militares tomaram o poder,
depuseram o Presidente cessante, Umaro Sissoco Embaló, e o processo eleitoral
foi interrompido sem a divulgação dos resultados oficiais.
Vários opositores políticos do regime de Sissoco Embaló
foram detidos, entre eles o principal líder da oposição, Domingos Simões
Pereira.
Domingos Simões Pereira e o histórico partido PAIGC foram
afastados das eleições gerais, presidenciais e legislativas, de 23 de novembro
por decisão judicial e apoiaram Fernando Dias, que reclamou vitória na primeira
volta.
Nos dois meses no poder, os militares alteraram a
Constituição da Guiné-Bissau, atribuindo mais poderes ao Presidente da
República, e marcaram novas eleições gerais para 06 de dezembro.
Nesta sexta-feira, um grupo de dirigentes e militantes do
PAIGC defendeu que o líder, Domingos Simões Pereira, não pode dirigir o partido
em prisão domiciliária, e pediu uma direcção de transição até ao congresso que
deverá ocorrer em novembro para escolher novo líder. In “Novo
Jornal” - Angola
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