Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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domingo, 12 de novembro de 2023

Guiné-Bissau - Manuel Rosado, o alentejano de Bissau

Manuel Justino Rosado, empresário português da vila alentejana de Mora, defende que há 30 anos é que se vivia bem na Guiné-Bissau, país que celebra 50 anos da independência, mas do qual não vê um bom futuro

Conhecido na Guiné-Bissau como “senhor Rosado”, o português, de 78 anos, hoje casado com uma guineense, lembra os primeiros negócios montados e através dos quais disse ter ganhado “muito dinheiro”.

“Havia muito trabalho e havia dinheiro. As pessoas tinham dinheiro, as pessoas trabalhavam e havia negócios”, afirmou Rosado, numa conversa com a Lusa para assinalar a sua visão do país, que celebra 50 anos da independência.

O português contou que começou por montar, com um sócio português, uma fábrica de produção de folhas de zinco para o telhado das casas que eram, quase todas, cobertas de palha, depois tentaram exportar para Portugal o mel da Guiné-Bissau, mas por ressentimentos com o parceiro optou por seguir sozinho nos negócios.

“Comecei a tocar a música sozinho, mas também a comer sozinho”, enfatizou Manuel Rosado, que lembra a “vida multimilionária” que levou na Guiné-Bissau, fruto de muito trabalho o que, disse, motiva a estima que os mais velhos têm por ele no país.

O português destacou que a sua presença na Guiné-Bissau se conta também por ter sido o criador de uma das melhores oficinas de reparação de motores de automóveis, a criação daquilo que diz ter sido “a maior empresa de transportes alguma vez criada” na Guiné-Bissau e a montagem de 18 bombas de venda de gasóleo, as bombas Rosado.

“Quando percebi que havia mais bombas do que carros na Guiné-Bissau (…) e a concorrência desleal parei com o negócio das bombas”, notou Rosado, que também se lamenta pelo negócio dos transportes.

Assumindo-se como o primeiro operador dos transportes a colocar no mercado de táxis carros novos importados da Europa, o português disse que após 13 anos a faturar decidiu fechar a empresa.

“Ganhei muito dinheiro, mas perdi esse dinheiro todo, porque os condutores roubavam tudo”, observou o português, referindo que mais tarde entrou para a restauração, abrindo, ao lado da Embaixada de Portugal, em Bissau, “um barzito e um restaurante”.

A pandemia da covid-19 obrigou, novamente, Manuel Rosado a trabalhar a meio gás e até já pensa em vender o espaço porque nem dá para pagar a conta da eletricidade, sem contar com “as vigarices dos empregados”.

“Uma secretária entregou o dinheiro da oficina mecânica a um bruxo que lhe prometeu multiplicar esse dinheiro que nunca mais apareceu”, afirmou, ao falar das peripécias que teve de enfrentar em 30 anos da Guiné-Bissau.

Sobre o futuro do país, Manuel Rosado vê tudo mal e dá o exemplo da ida massiva de guineenses para Portugal.

A Guiné-Bissau autoproclamou a sua independência de Portugal em 24 de setembro de 1973, mas as comemorações oficiais estão marcadas para 16 de novembro, dia das Forças Armadas.

Entre os líderes convidados para as cerimónias oficiais estão o Presidente e primeiro-ministro portugueses, Marcelo Rebelo de Sousa e António Costa, mas o programa oficial ainda não foi divulgado. In “Bom dia Europa” – Luxemburgo com “Lusa”


quarta-feira, 17 de março de 2021

Brasil - Livro é lançado em memória de empresário

São Paulo – Falecido em agosto de 2020 quando o seu segundo livro estava quase pronto para ir à gráfica, o empresário Milton Lourenço, ex-presidente da Fiorde Logística Internacional, recebe agora homenagem póstuma com o lançamento da obra. Com o título Logística: os novos desafios, o livro reúne artigos sobre as áreas de logística, portos e comércio exterior que foram publicados entre 2018 e 2020 em jornais, revistas e sites do Brasil e do mundo lusófono.

“O livro estava, praticamente, pronto quando veio o inesperado desaparecimento de meu pai. Por isso, dar sequência às tratativas para a publicação da obra foi uma forma de homenagearmos e agradecermos por tudo o que aprendemos e vivemos com ele”, disse Luiza Lourenço, gerente de Recursos Humanos e Qualidade da Fiorde, em nome da família. Segundo a empresária, não haverá o ato de lançamento formal do livro e a edição será distribuída entre clientes, parceiros, funcionários e amigos do Grupo Fiorde, que reúne também as empresas FTA Transportes e Armazéns Gerais e a Barter Comércio Exterior (trading company). O exemplar também pode ser adquirido por meio do e-mail:  livro@fiorde.com.br

Trajetória

Nascido em 1953, Milton Lourenço dedicou sua vida profissional ao comércio exterior, desde 1967 quando começou a trabalhar como auxiliar de escritório na antiga Sociedade Brasileira de Despachos, no centro de Santos. Nessa empresa, que depois passou a se chamar Companhia Brasileira de Comércio Exterior, trabalhou por 15 anos, chegando ao cargo de gerente-geral. A essa época, teve a oportunidade de fazer muitas viagens pela América Latina, Estados Unidos e África, acompanhando a entrega de equipamentos, às vezes enfrentando situações difíceis e perigosas.

Em seguida, teve uma passagem pela empresa Engesa, até que, em 1985, decidiu criar a Fiorde Assessoria e Despachos Ltda., hoje mais conhecida como Fiorde Logística Internacional, instalando-a num pequeno escritório na Praça da República, no centro de São Paulo. “Em pouco tempo, criou uma divisão de transitário de cargas e, em seguida, a divisão de transporte rodoviário e, em 1989, inaugurou o armazém geral”, lembrou o engenheiro eletrônico Mauro Lourenço Dias, vice-presidente da Fiorde Logística Internacional, que desde o início, ao lado das irmãs Maria Alice e Marisa, procurou apoiar o espírito empreendedor do irmão.

Da praça da República, a empresa transferiu-se para um andar num edifício ainda no centro de São Paulo, mudando em seguida para um casarão na rua Avanhandava, no bairro da Bela Vista, até que, em 2005, instalou-se num prédio de cinco andares localizado à rua Frei Caneca, 739, nas proximidades da avenida Paulista, centro propulsor da economia nacional. Contando com mais de 400 funcionários, a empresa mantém filiais em Santos, Campinas, Jacareí, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Recife, Manaus e Itajaí e nos aeroportos de Guarulhos, Viracopos e Brasília, além de agentes subcontratados nos principais portos e aeroportos do País e parcerias nos cinco continentes.

Oferece amplo programa de serviços que inclui carga projeto, door to door, Delivery Duty Paid (DDP), Delivery Duty Unpaid (DDU), assessoria e consultoria aduaneiras, projetos de drawback, laudos técnicos, embarques aéreos e marítimos FCL/LCL, entre outros. “Com foco na tecnologia de ponta, o Grupo Fiorde mantém equipe própria e qualificada no desenvolvimento de sistemas totalmente em dia com as mudanças e automações na área de comércio exterior”, acrescentou Mauro Lourenço Dias, autor do prefácio do livro.

Articulista

A par de sua atividade empresarial, Milton Lourenço sempre procurou ter participação ativa em seu ramo de comércio exterior e em entidades de classe. A partir de 2001, passou a escrever artigos de opinião sobre a sua área de atuação, que eram publicados em jornais, revistas e sites do Brasil e dos países de expressão portuguesa. Em seus textos, sempre procurou defender a ideia de que o Brasil, para aumentar a sua participação no comércio exterior, teria de assinar mais acordos com grandes países e blocos, sugerindo ainda novos projetos para o setor, além de condenar procedimentos anacrônicos e burocráticos que impedem o País de crescer.

Seus primeiros artigos foram reunidos no livro Logística: os desafios do século XXI, publicado em 2005. Continuou a exercer a atividade de articulista, chegando a publicar textos em jornais da grande imprensa paulista, como O Estado de S. Paulo e a antiga Gazeta Mercantil. A partir de dezembro de 2018, a convite, passou a assinar uma coluna semanal exclusiva na seção Porto & Mar do jornal A Tribuna, de Santos.

Entre seus funcionários e parceiros comerciais, sempre foi tido como exemplo de liderança. “Meu pai tinha um espírito generoso e agregador e sempre procurava passar, de maneira simples, o que vivenciara em sua longa carreira. Estava sempre disposto a passar entusiasmo a quem se acercava dele. Foi um exemplo de vida”, lembra Luiza Lourenço. Adelto Gonçalves - Brasil

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Logística: os novos desafios, de Milton Lourenço. São Paulo: Fiorde Logística Internacional, 316 páginas, 2020.  O exemplar pode ser adquirido pelo e-mail:  livro@fiorde.com.br

 


sexta-feira, 19 de fevereiro de 2021

Moçambique - Impacto da covid-19 não abala confiança dos empresários portugueses

A embaixadora de Portugal em Moçambique, Maria Amélia Paiva, disse esta sexta-feira que as empresas portuguesas querem continuar no país africano, apesar do impacto da covid-19, para serem parte do processo de desenvolvimento social e económico

“Os [empresários] que estão e os que têm estado ​[em Moçambique] ​​​​​​têm mostrado disponibilidade para continuar”, sublinhou Maria Amélia Paiva.

A diplomata falava aos jornalistas após um encontro com a presidente da Assembleia da República, Esperança Bias, por ocasião do fim da sua missão em Moçambique.

Os empresários portugueses com atividade em Moçambique têm sido capazes de se reinventar e ser resilientes, num contexto de enormes desafios impostos pela pandemia, considerou.

“Há claramente uma aposta para trabalhar em Moçambique e para continuar depois de se resolverem estas questões da covid-19”, enfatizou.

Maria Amélia Paiva avançou que os homens de negócios portugueses estão otimistas em relação ao relançamento de áreas como a construção civil, tecnologias de informação e comunicação, serviços e energias renováveis, no pós-pandemia.

A diplomata portuguesa disse ainda ter garantido à presidente do parlamento moçambicano o compromisso de Portugal no aprofundamento das relações de cooperação bilateral nos mais diversos domínios.

A cooperação entre os dois países, continuou, também se traduz em laços de solidariedade nos momentos mais difíceis, como está a acontecer com a ajuda de Portugal a Moçambique no âmbito do combate ao novo coronavírus.

Nesse sentido, as autoridades portuguesas fizeram chegar a Moçambique apoio material para a luta contra a covid-19 e acionaram uma linha de seis milhões de euros para o apoio a micro, pequenas e médias empresas visando enfrentar a atual conjuntura provocada pelo novo coronavírus.

Moçambique registou só em janeiro mais casos, internamentos e mortes por covid-19 do que em todo o ano de 2020.

O país tem um total acumulado de 54204 casos, 583 mortes e 273 internados. In “Bom dia Europa” - Luxemburgo

 

sábado, 31 de outubro de 2020

Moçambique - Salimo Abdula nomeado para o prémio Euroknowledge

 


O empresário moçambicano Salimo Abdula foi um dos nomeados para o prémio Euroknowledge 2020, que este ano foi realizado virtualmente, a partir de Londres, devido às restrições impostas pelas medidas de prevenção da pandemia do novo coronavírus.

Euroknowledge Leadership Award é um dos maiores reconhecimentos anuais a individualidades que se destacam nas suas realizações. Este prémio celebra líderes exemplares que deram uma contribuição significativa e impactante nos sectores empresariais e de desenvolvimento humano, tais como saúde, educação, ambiente, liderança e responsabilidade social corporativa.

Já atribuído a figuras como Bill Gates e Aliko Dangote, este ano, o empresário Salimo Abdula foi honrosamente nomeado para receber o prémio, numa cerimónia que ocorrereu no dia 30 de Outubro, na House of Lords, em Londres.

“É um privilégio ter o nosso nome ligado a um prémio que já teve personalidades como Bill Gates e Aliko Dangote, grandes figuras na arena empresarial mundial, e esta nomeação eleva, sem dúvidas, o nome de Moçambique, a marca da CPLP e das diversas entidades a que estamos ligados, por isso, gostaria de agradecer a todos pela confiança e, especialmente, à comissão da Euroknowledge e à Women Leadership of Africa, que muito apoiaram para esta nomeação” , afirmou o empresário Salimo Abdula.

Salimo Abdula é um dos empresários moçambicanos preocupados com o crescimento dos níveis de desenvolvimento humano, económico e de liderança. Tem vindo a desenvolver várias acções de responsabilidade social, como empresário, indivíduo e no comando das empresas que dirige, para além do apadrinhamento de iniciativas juvenis e não só.

Além de representar a Intelec Holdings, é actualmente Presidente do Conselho Empresarial da Comunidade de Países de Língua Portuguesa, entidade que nos últimos tempos tem tomado a dianteira para assegurar a melhoria do ambiente de negócios na comunidade.

Entre várias outras, estas foram as razões que levaram a Women Leadership of Africa a indicá-lo para o prémio, sendo o único a nível da região Austral de África e, também, único entre os Países de Língua Oficial Portuguesa.

A cerimónia de entrega dos prémios decorreu online, seguida de uma mesa-redonda para debater liderança e filantropia, com diferentes homens de negócios de todo o mundo. In “Olá Moçambique” - Moçambique

sábado, 22 de agosto de 2020

Brasil - Comércio exterior perde o empresário Milton Lourenço

O empresário Milton Lourenço Dias Filho, 67 anos, faleceu ontem (21), em São Paulo, vítima de complicações em tratamento de câncer. Colunista da seção de Porto & Mar do jornal A Tribuna, de Santos, desde dezembro de 2018, o empresário era presidente do Grupo Fiorde, constituído pelas empresas Fiorde Logística Internacional, FTA Transportes e Armazéns Gerais e Barter Comércio Exterior (trading company), todas com matriz em São Paulo e filiais em vários Estados. O funeral será hoje (22), às 12 horas, na Memorial Necrópole Ecumênica, em Santos.

Milton Lourenço, como assinava seus artigos, era também diretor do Sindicato dos Comissários de Despachos, Agentes de Cargas e Logística do Estado de São Paulo (Sindicomis) e da Associação Nacional das Empresas Transitárias, Agentes de Cargas, Comissárias de Despachos e Operadores Intermodais (ACTC).



Desde 2001, mantinha intensa colaboração na mídia com artigos de economia sobre logística, portos e comércio exterior para jornais, revistas e sites do Brasil e de Portugal e dos demais países de Língua Portuguesa. Em 2005, lançou o livro Logística: os desafios do século XXI, reunindo artigos publicados até aquela data. Para este ano, tinha programado o lançamento de seu segundo livro, Logística: os novos desafios, com artigos publicados em A Tribuna e em outros jornais, revistas e sites, dentro do programa de comemoração dos 35 anos de criação do Grupo Fiorde. Segundo sua filha, Luiza Lourenço, gerente de RH e Qualidade da Fiorde Logística Internacional, o lançamento do livro será mantido.

Milton Lourenço atuava no ramo de comércio exterior desde 1967, época em que começou a trabalhar em Santos como auxiliar de escritório na antiga Sociedade Brasileira de Despachos Ltda., depois Companhia Brasileira de Comércio Exterior, onde chegou ao cargo de gerente da matriz em São Paulo. Fundou em 1985 a Fiorde Assessoria e Despachos Ltda., hoje mais conhecida como Fiorde Logística Internacional, num pequeno escritório situado à Praça da República, em São Paulo, mas, em poucos anos, ampliou sua atividade de assessoria aduaneira, criando a divisão de transitário de cargas e, em seguida, a divisão de transporte rodoviário e o seu armazém geral.

Provedor logístico com capacidade para atender às necessidades dos clientes nas áreas de importação e exportação, assessoria aduaneira e agenciamento de cargas (freight forwarder) aéreas e marítimas, além de operar como Non Vessel Operator Common Carrier (NVOCC) e armazenamento, a Fiorde conta com mais de 350 funcionários e mantém filiais em Santos, Campinas, Jacareí, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Recife, Manaus e Itajaí e nos aeroportos de Guarulhos e Viracopos, além de agentes subcontratados nos principais portos e aeroportos do País e parcerias nos cinco continentes.

Oferece amplo programa de serviços para o setor logístico que inclui carga projeto, door to door, Delivery Duty Paid (DDP), Delivery Duty Unpaid (DDU), assessoria e consultoria aduaneiras, projetos de draw back, laudos técnicos, embarques aéreos e marítimos FCL/LCL, entre outros.

Recordamos aqui o último artigo publicado no blogue Baía da Lusofonia da autoria do empresário Milton Lourenço, datado do passado dia 04 de Agosto.

domingo, 2 de fevereiro de 2020

França - Deverá avançar um curso de língua portuguesa para empresários e quadros de empresas

A secretária de Estado das Comunidades Portuguesas disse que a procura pelo Português em França está a aumentar e que ainda este ano deverá arrancar um curso de língua portuguesa naquele país para empresários e quadros de empresas

«Há uma procura grande do Português em França. Foi o que concluí da reunião que tivemos. E estando a aumentar essa procura, Portugal também está a fazer um esforço maior de investimento, a aumentar o número de professores", afirmou em entrevista à Lusa por telefone Berta Nunes, que iniciou na sexta-feira uma visita de dois dias a França.

Berta Nunes considerou que várias iniciativas interessantes estão a nascer e apontou como uma delas a do curso de Português mais virado para os negócios.

Com a Câmara de Comércio Franco-Portuguesa, entidade com a qual se reuniu na sexta-feira à tarde (31 de janeiro), a secretária de Estado das Comunidades Portuguesas (SECP) apontou «há já algum trabalho em desenvolvimento» para a criação de «cursos direcionados para empresários ou quadros de empresas que queiram aprender o Português mais direcionado para os negócios».

«Isso é importante, uma vez que estamos a trabalhar para a atração de investimento para Portugal. E o facto de a língua portuguesa ser cada vez mais falada no hemisfério sul e em vários continentes faz com que haja também uma procura na área dos negócios», salientou.

A preparação daquele curso está a ser feita entre o Camões -- Instituto da Cooperação e da Língua, a Câmara de Comércio Franco-Portuguesa e a Coordenação do Ensino do Português em França.

Berta Nunes disse esperar «em breve» ter alguma coisa mais concreto em termos do curriculum do curso e sobre a forma como esse vai ser dado, «porque uma parte poderá ser presencial e uma parte pode ser à distância, uma vez que isso pode ser mais adequado para o tipo de público».

«Esta é uma novidade e uma forma interessante de juntar a língua aos negócios e, por essa via, poder atrair investimento e internacionalizar também os nossos produtos», destacou.

A Câmara de Comércio fez esta proposta à Coordenação do Português e ao instituto Camões, por verificar que há procura por parte de empresários e de quadros de empresas, referiu.

Segundo a secretária de Estado, talvez ainda durante este ano o Governo «possa anunciar que esse curso para a área de negócios, de Português vai avançar aqui em França», concluiu.

Berta Nunes, que na passada sexta-feira teve reuniões em Paris com a Coordenação do Ensino do Português em França, com a Câmara de Comércio e Indústria Franco-Portuguesa e com o presidente do Portugal Business Club de Lyon, terminou o primeiro dia de visita àquele país num jantar solidário da Coordenação das Coletividades Portuguesas de França, cujas verbas revertem a favor de uma instituição cabo-verdiana de apoio a crianças.

Ontem (1 de fevereiro), a secretária de Estado reuniu-se de manhã com a direção da Associação Portuguesa Cultural e Social de Pontault-Combault e com autarcas deste município, que tem um gabinete de apoio à comunidade portuguesa.

O objetivo da deslocação a França centrou-se no diálogo sobre o Plano Nacional de Apoio ao Investimento da Diáspora, referiu Berta Nunes.

«O objetivo é que as câmaras de comércio, os clubes de empresários e as associações empresariais possam trabalhar connosco os conteúdos desse programa, nos façam sugestões e nos ajudem na sua divulgação e implementação», disse a secretária de Estado. In “Revista Port. Com” – Portugal com “Lusa”

quarta-feira, 5 de setembro de 2018

Moçambique - Empresários moçambicanos e chineses assinam memorandos

Pelo menos seis memorandos de entendimento, de um universo de 20, foram rubricados, em Beijing, capital da China, por empresas públicas e privadas moçambicanas e chinesas, num fórum de negócios envolvendo empresários dos dois países.

O banco Millennium-bim entendeu-se com a Fosun International, empresa que opera na área de finanças, seguro, turismo e saúde, a empresa pública de telefonia móvel Mcel (Moçambique-celular) entendeu-se com a Huawei, enquanto a governamental moçambicana APIEX (Agência para a Promoção de Investimento e Exportações) conseguiu um entendimento para a promoção de parques industriais em Moçambique.

O recorde em assinar memorandos de entendimento coube a Administração Nacional de Estradas (ANE), tutelada pelo Ministério das Obras Públicas, Habitação e Recursos Hídricos de Moçambique. Esta leva na bagagem três documentos rubricados.

Lourenço Sambo, director-geral da APIEX, afirma que tinham sido apresentados 20 propostas de memorandos de entendimento, mas por “razões técnicas” apenas seis foram acolhidas.

“Já foi bom”, disse Sambo, que considera o número de participantes ter excedido expectativas.

Os organizadores deste fórum de negócios contavam inicialmente com a participação de 90 empresários chineses e 39 moçambicanos, mas acabaram sendo cerca de 350 pessoas, o que, segundo Sambo, “obrigou-nos a procurar patrocínio de última hora”.

Os moçambicanos integravam a delegação do seu Presidente da República, Filipe Nyusi, que está em Beijing para participar segunda e terça-feira na III Cimeira China-África para a Cooperação.

Coube ao Chefe do Estado a abertura do fórum. Na ocasião, ele assegurou ao empresariado chinês que investir hoje em Moçambique já não é um risco e que a cooperação entre os dois países é uma realidade. “A árvore plantada com amor, ninguém derruba. Ela cria raízes. A árvore plantada com amor é a verdadeira amizade entre Moçambique e China porque ninguém vai derrubar”, precisou Nyusi.

Elucidou que no período de 2013 ao primeiro semestre deste ano, foram aprovados 149 projectos correspondentes a 751 milhões de dólares norte-americanos de investimento directo estrangeiro, susceptíveis de criar cerca de 20 mil postos de trabalho.

Segundo o enviado da AIM, Felisberto Firmino, a anteceder a abertura deste fórum, o Presidente recebeu em audiência representantes de 11 empresas chinesas, entre as quais algumas já presentes em Moçambique e outras que pretendem se estabelecer no país.

Dentre algumas empresas recebidas, destaca-se a China Road and Bridge Corporation (CRBC), que tem estado desde 2014 a construir a ponte Maputo-Ka Tembe, sobre a baia da capital moçambicana, e a estrada Maputo-Ponta de Ouro.

A sua empreitada inclui também as pontes Ka Tembe-Ponta do Ouro, e Bela Vista-Boane, perfazendo mais de 200 quilómetros. In “Jornal de Notícias” - Moçambique

sábado, 20 de janeiro de 2018

Estados Unidos da América – História de sucesso em língua portuguesa

José Soares chegou com 14 anos à América sem falar inglês e aproveitou para voltar à escola. Fundou uma empresa de construção e é um benemérito da comunidade

Foi Leslie Ribeiro Vicente, diretora da Discovery Language Academy, quem me falou primeiro de José Soares, empresário da construção civil e grande benemérito da comunidade luso-americana de New Bedford. Ainda se lembra de um dia não haver dinheiro para os livros dos alunos de Português numa antiga escola onde deu aulas e de José Soares a mandar comprar o que fosse preciso que ele pagava. E foi também ela, oriunda do Pico como o empresário, que marcou almoço para os três no Inner Bay (restaurante português, pois claro!), para me apresentar a pessoa que tanto admira, e que encarna mais uma história de português de sucesso na América.

É fácil simpatizar com José Soares, até porque diz logo que se chama assim mas que lá na terra, ou seja em Ribeiras do Pico, ainda o tratam por Zezinho. Recebidos por Tony Soares, que há 20 anos é dono deste Inner Bay quase clube português, sentamo-nos numa mesa à janela e depois de escolhermos um peixinho na grelha, José e Leslie, e polvo à lagareiro, para mim, avançamos com a conversa, que há de ser sobre o percurso de vida deste açoriano de 62 anos, pai e avô de americanos.

"Emigrei com 14 anos com o meu pai e a minha mãe. Como na altura para todos os emigrantes, a intenção era a gente tentar melhorar a vida. A vida nos Açores era um bocadinho dura na época. E havia também a ideia de fugir ao serviço militar. Isto hoje pode não cair bem, mas na altura muitos pais tentavam desviar os filhos dos sacrifícios que estavam a fazer-se no Ultramar", conta José. Para evitar ser chamado a combater em África, o irmão mais velho tinha já em 1966 emigrado para o Canadá.

Confesso que me surpreende a idade com que os pais partiram para a América, à beira dos 50 anos no caso do pai, de nome José como o filho. "Muitas vezes penso no assunto, na idade com que o meu pai emigrou. Ele emigrou com 49 anos. E penso na aventura que teve já com essa idade, principiar uma segunda vida num país estrangeiro sem conhecer a língua. Para eles deve ter sido uma decisão difícil, de sacrifício", diz, contando que o pai já morreu, mas que a mãe está viva. Chama-se Josefina.

"O meu pai, como muitos emigrantes, nos primeiros anos pensava ganhar algum, juntar algum, o máximo possível, para depois regressar à terra. Mas à medida que os filhos vão crescendo, vão casando, começam a mudar de ideias. Por um lado, vão-se habituando à América, por outro, quando vão à terra de visita, veem que as condições não são aquelas a que se tinham habituado. O meu pai sempre teve essa ideia de fazer vida de novo por lá. Quando veio para os Estados Unidos não se desfez da casa nem dos terrenos que tinha. Ele gostava muito de animais, de criar gado, no Pico costuma ser mais animais para carne. Ele tinha essa ideia de uma lavoura", relembra o empresário.

Josefina vive nos Estados Unidos até hoje. É a matriarca de uma família que vai ganhando novas gerações, cada vez mais americanizadas, como é natural. José Soares tem dois filhos, um rapaz e uma rapariga. E três netos. Diz que ambos os filhos se casaram com americanos e em casa falam em inglês, pelo que os netos saberem português vai ser difícil.

"Em casa sempre falámos em português. Os meus filhos podem ter uma conversa em português, mesmo que possam introduzir uma ou outra palavra inglesa se não souberem a nossa. Agora com os netos vamos também tentando fazer a conversa em português, para eles se irem habituando e sei que eles percebem alguma coisa. Não nos respondem em português, mas nós quando lhes pedimos algumas coisas eles correspondem. Sabem o que estamos a pedir", conta.

O empresário picoense casou-se com uma portuguesa, também dos Açores mas de outra ilha. E não a conheceu nem em Portugal nem nos Estados Unidos. "A minha esposa é da Graciosa, tinha emigrado para o Canadá com 9 anos. Como eu tinha o meu irmão Manuel a viver lá em cima visitava-o muitas vezes e ao fim de uns tempos conheci a Maria João, começámos a namorar e casámo-nos, explica, mostrando como é dinâmico este mundo da emigração portuguesa, gente que se habitua a viver entre vários países, esquecendo fronteiras.

José pede uma garrafa de tinto português para os três. O Inner Bay faz questão de estar bem fornecido e por isso a oferta é vasta. Peço que me explique como foi a integração na sociedade americana de um miúdo de 14 anos chegado de uma ilha no meio do Atlântico. "Não falava nada de inglês quando cheguei. Escola era difícil. Fomos ter aulas com outros emigrantes. Intenção era aprender inglês como segunda língua. Mas como éramos todos portugueses, só se falava português, nas aulas, nos jogos. No ano seguinte mudei de escola e lá tive ordem para seguir para o nono ano. Aí é que fiquei preocupado. Era um liceu americano, o Roosevelt. Eu só tinha a quarta classe de Portugal. Na altura nos Açores queria estudar mas também nunca com grande empenho e como não era obrigatório... E com 10 anos comecei a trabalhar. Depois fiquei arrependido e por isso agarrei essa segunda oportunidade de estudar nos Estados Unidos. Completei o liceu e tirei um curso técnico de eletricidade", sintetiza.

A oportunidade de criar uma empresa surgiu da necessidade, como conta o próprio José Soares: "Trabalhei muito, para poder amealhar algum. Nos anos 1970 houve aqui uma crise de emprego. E eu precisava de ganhar dinheiro para as crianças e decidi apostar na construção. A minha empresa é a Bay State Drywall. Temos 84 trabalhadores. Com empreitadas, mais ainda. Dois terços dos nossos funcionários são portugueses. Não se trata de um preconceito. O principal é a pessoa saber trabalhar e ter vontade. Nos últimos cinco anos até temos metido mais latinos do que portugueses. São do México, do Equador, da Guatemala. Desde que saibam trabalhar." Lerei mais tarde, no site da empresa, que Jason, o filho formado em Engenharia, também acabou por integrar a Bay State Drywall, que atua no Massachusetts mas também noutros estados da Nova Inglaterra.

José recorda que o pai, ao chegar à América, "foi trabalhar para uma fábrica de tecidos e com vontade de ganhar mais algum, depois das horas normais, começou a pintar e a fazer manutenção das casas de madeira que há aqui. Fez negócio disso. E eu para ganhar mais trabalhava com ele nas horas vagas".

Sobre se no seu caso sente que aconteceu a concretização do famoso sonho americano, hesita um pouco antes de responder: "Penso muitas vezes se teria conseguido em Portugal o que consegui aqui. Quem gosta de trabalhar, quem tem ambição, também faz a sua vida em Portugal. Mas não ia ter o sucesso que tive cá. Esta é uma terra de oportunidades. Quem faz pela vida consegue. Dou graças a ter tido esta oportunidade de vir para a América. Podia ter tido uma boa vida nos Açores, acredito, mas não o sucesso que tive aqui." E acrescenta que chegou a ter uma empresa em Portugal, nos Açores, mas que a vendeu há dois anos.

Com casa no Pico e na Graciosa, José Soares visita muito os Açores, mas vai também algumas vezes ao continente. E até diz que agora que está "a chegar a uma idade mais madura" vai tentar tirar mais tempo para ir a Portugal, conhecer mais o resto do país. "Já visitei o Norte e gostei. Também o Algarve."

Fico curioso por sabê-lo fã do FC Porto. "Tornei-me adepto do Porto aqui na América. Houve um tempo em que eu ligava pouco ao futebol e em que a rivalidade era entre o Benfica e o Sporting e havia sempre aquelas intrigas, aquele barulho. E eu não gostava desse barulho. Depois, nos anos 1980, o Porto veio cá fazer uns jogos amigáveis, era o tempo do Futre, e ganhei afeição. Depois o Porto começou a ganhar quase tudo", explica o açoriano.

No final do almoço, quando explico de novo esta série de artigos sobre portugueses na América, mostra-se emocionado. "Gosto muito de Portugal. Tenho grande afeto. Vou todos os anos e já me aconteceu ir três vezes num ano. Julho e Agosto passo em Portugal. Tenho casa e barco, tenho uma canoa baleeira, que é muito tradicional no Pico, e passo o verão lá. Fazer vida efetiva em Portugal não. A família está cá. Mas quero levar os netos para conhecerem e tomarem gosto àquilo", diz.

À saída cruzo-me com Tony Cabral, membro da Câmara de Representantes do Massachusetts e uma das figuras mais destacadas da comunidade luso-americana na Nova Inglaterra. Também ele fará parte desta série de reportagens no DN. E ficou comprovado que o Inner Bay é mesmo um ponto de abrigo para os portugueses. Leonídio Ferreira – Portugal in "Diário de Notícias" Reportagem apoiada pela FLAD