Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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quarta-feira, 12 de agosto de 2026

Bélgica - Há uma vaga para ensinar Português Língua Estrangeira na cidade de Bruxelas

O Centro de Língua Portuguesa Camões IP Bruxelas está a aceitar candidaturas para uma vaga de colaborador/a com formação e experiência na docência de Português Língua Estrangeira (PLE), com preferência por candidatos com experiência em Português Europeu


A função prevê docência presencial nas instalações do Centro, na ULB – Faculté de Lettres, Traduction et Communication, em Bruxelas.

Os interessados em candidatar-se devem enviar o currículo e uma carta de apresentação para o endereço de email clp.bruxelas@camoes.mne.pt. In “Bom dia Europa” - Luxemburgo


quarta-feira, 8 de julho de 2026

Bélgica - Tem o pior histórico em relação a produtos químicos permanentes na Europa

A ONG ambiental ClientEarth argumenta que as autoridades belgas não tomaram nenhuma providência, apesar de terem conhecimento dos altos níveis de poluentes há anos


Advogados apresentaram uma queixa contra a Bélgica pela sua falha em proteger os seus cidadãos dos significativos riscos à saúde causados ​​por substâncias químicas persistentes.

A ClientEarth apresentou uma queixa de violação dos direitos humanos ao Comité Europeu dos Direitos Sociais (CEDS). A Bélgica tem os níveis mais elevados de substâncias químicas PFAS persistentes (PFAS) de qualquer país europeu.

“Não só a contaminação existe há muito tempo, como também notamos que as autoridades têm informações sobre esta contaminação há anos, senão décadas, e que muito pouco foi feito”, afirma Hélène Duguy, advogada ambiental da ClientEarth.

A ONG ClientEarth tem um histórico sólido de ações judiciais contra governos e empresas em questões ambientais. Esta é a primeira vez que a organização se dirige ao ECSR, órgão de monitorização do Conselho da Europa que avalia se os Estados-membros estão respeitando a Carta Social Europeia. "Escolhemos este comité porque sabemos que ele tem um grande poder de fiscalização", disse Duguy à Euronews Earth.

Bélgica: o principal foco europeu de PFAS

PFAS, também conhecidos como "químicos eternos", são um grupo de mais de 10.000 substâncias químicas sintéticas amplamente utilizadas pela indústria pelas suas propriedades de resistência à água, manchas e gordura. Elas também são encontradas em caixas de pizza, panelas antiaderentes, absorventes higiénicos e roupas para atividades ao ar livre.

Eles têm sido associados a múltiplos riscos à saúde, como certos tipos de cancros, doenças metabólicas e problemas de fertilidade.

De acordo com o projeto The Forever Pollution Project , que coletou dados e mapeou a poluição por PFAS em todo o continente, a Bélgica apresenta os níveis mais elevados de poluição por PFAS na Europa.

Entre os principais locais belgas afetados pela poluição por PFAS, destacam-se Zwijndrecht, uma cidade próxima a Antuérpia fortemente impactada devido à sua proximidade com a fábrica da multinacional 3M, e Chièvres, perto da fronteira francesa, onde a contaminação foi associada a uma base aérea próxima. O mapa também mostra que Bruxelas é significativamente afetada pela poluição por PFAS, particularmente nas áreas ao redor de Anderlecht e Uccle.

A reclamação da ClientEarth baseia-se em exemplos como o de Zwijndrecht, onde as agências públicas tinham conhecimento do problema das PFAS anos antes do escândalo vir à tona em 2021.

Membros do governo flamengo, incluindo Bart De Wever, então prefeito de Antuérpia e atual primeiro-ministro da Bélgica, foram informados da contaminação já em 2017, mas não tomaram nenhuma providência.

Já no início dos anos 2000, a 3M e as agências flamengas discutiam a poluição por PFAS na área próxima à fábrica, mas subestimaram a dimensão do problema.

Quais são os riscos para a saúde associados aos produtos químicos eternos?

Os PFAS estão associados a diversas condições de saúde. Em 2023, a Organização Mundial da Saúde classificou o ácido perfluorooctanoico (PFOA) como carcinogénico para humanos e o ácido perfluorooctanossulfônico (PFOS) como possivelmente carcinogénico para humanos.

Estas duas substâncias PFAS são proibidas na UE, mas, como podem levar centenas de anos para se decompor, ainda estão presentes no solo, na água e no sangue de pessoas em muitas áreas contaminadas da Europa.

O cancro não é o único risco à saúde associado aos PFAS. "Estes compostos estão associados a várias doenças metabólicas, como diabetes, diminuição da fertilidade e obesidade", disse Philippe Grandjean, professor de medicina ambiental do Instituto Nacional de Saúde Pública de Copenhague, à Euronews Earth.

Grandjean destacou que os PFAS representam um risco não apenas para os adultos atualmente expostos a eles, mas também para as gerações futuras.

“Os PFAS afetam a saúde do sêmen do pai, ou seja, a qualidade do sêmen, e aumentam o risco de infertilidade ou aborto espontâneo”, explicou. “Os PFAS atravessam a placenta e, portanto, a mãe transmite essa carga de PFAS para o feto. Além disso, os PFAS são excretados no leite materno”, acrescentou.

De acordo com Grandjean, todos esses riscos à saúde devem, portanto, servir como importantes incentivos para que os governos invistam em prevenção.

Como os produtos químicos eternos se tornaram uma questão de direitos humanos

Não é a primeira vez que a poluição por PFAS é associada a violações de direitos humanos. Em 2024, especialistas das Nações Unidas classificaram a poluição por PFAS gerada pela DuPont e pela Chemours na Carolina do Norte como uma questão de direitos humanos.

Ações judiciais sobre a poluição por PFAS estão em andamento em toda a Europa, com ONG ambientais e moradores a processar a França pela sua falha em lidar com a poluição por PFAS em maio de 2026. Uma decisão é esperada em 2027.

“Queremos mesmo apresentar uma queixa que apoie e seja complementar a essas ações [europeias]”, explica Duguy.

“PFAS não é apenas uma questão ambiental, é também uma questão humana, e os governos e as autoridades públicas têm o dever de proteger esses direitos”, continuou ela.

Num comunicado à imprensa, a ClientEarth observou que a ECSR deverá decidir sobre a admissibilidade da reclamação em 2027 e que uma decisão final é estimada em dois a três anos.

Com esta denúncia, a ClientEarth espera provocar mudanças concretas na regulamentação de PFAS na Bélgica.

Especificamente, eles querem que a Bélgica proíba todos os produtos químicos persistentes e forneça soluções para as comunidades afetadas. “Essas medidas incluem, por exemplo, garantir o monitoramento biológico sistêmico das pessoas, especialmente das populações vulneráveis, como crianças e gestantes. Mas também começar a remediar e descontaminar, algo que ainda é muito lento na Bélgica”, disse Duguy à Euronews Earth.

No entanto, a limpeza da poluição por PFAS é incrivelmente complexa. De acordo com um estudo publicado na segunda-feira (6 de julho) no periódico Environmental Science: Processes and Impacts, mesmo que a Europa investisse 100 mil milhões de euros por ano em remediação, isso removeria uma fração ínfima desses produtos químicos persistentes do meio ambiente. Euronews



domingo, 10 de maio de 2026

Europa - Português à BeNeLux: Coordenação do Ensino inova nas redes sociais

A Coordenação do Ensino Português no Luxemburgo, Bélgica e Países Baixos (CEPE BeNeLux) assinalou o Dia Mundial da Língua Portuguesa, celebrado a 05 de maio, com o lançamento da rubrica “Português à BeNeLux”, uma nova iniciativa pedagógica dedicada à forma como o português é falado, usado e transformado pelas comunidades lusófonas nestes três países


Nascida do trabalho desenvolvido nos cursos de Língua e Cultura Portuguesas, a rubrica envolve alunos e docentes do 3.º ciclo e do ensino secundário e pretende dar visibilidade à diversidade intralinguística do português, ao contacto entre línguas e às múltiplas realidades linguísticas existentes no espaço BeNeLux.

Com periodicidade semanal e divulgação nas redes sociais da CEPE BeNeLux, “Português à BeNeLux” propõe conteúdos curtos, acessíveis e dinâmicos, focados em expressões do quotidiano, sotaques, fenómenos de mistura linguística, mini-aulas explicativas, testemunhos e referências culturais. O objetivo é espelhar práticas reais de comunicação em português e mostrar a presença efetiva da língua nas comunidades de Luxemburgo, Bélgica e Países Baixos, disse ao Bom Dia, Mónica Bastos, coordenadora do ensino de português nos três países.

Para além da dimensão cultural e identitária, o projeto assume um forte propósito pedagógico, promovendo competências de oralidade – fluência, clareza discursiva e adequação da linguagem a diferentes contextos – através da participação ativa dos alunos enquanto produtores de conteúdos.

A rubrica conta com o apadrinhamento do linguista e escritor Marco Neves, cuja colaboração contribui para o enquadramento conceptual e para o aprofundamento da reflexão sobre variação linguística e usos contemporâneos do português.

Com esta iniciativa, a CEPE BeNeLux reforça o compromisso com a valorização da língua portuguesa, a promoção da diversidade linguística e o reconhecimento do papel das comunidades lusófonas na construção de um português plural, vivo e em constante movimento.

O vídeo de lançamento de “Português à BeNeLux”, produzido no âmbito das comemorações do Dia Mundial da Língua Portuguesa, já está disponível nas páginas oficiais da Coordenação do Ensino Português no BeNeLux no Facebook e no Instagram, onde serão igualmente publicados, nas próximas semanas, os conteúdos da nova rubrica. Acompanhar estas plataformas é, sublinha a CEPE, uma forma de conhecer de perto o trabalho de alunos e docentes e de descobrir como o português se vive e se transforma no BeNeLux. In “Bom dia Europa” - Luxemburgo


quinta-feira, 9 de abril de 2026

Bélgica - Concerto “Cantvs de Abril” celebra Revolução dos Cravos na cidade de Bruxelas

No âmbito das comemorações da Revolução dos Cravos, a Associação José Afonso (AJA) – Bruxelas convida a comunidade a assistir ao concerto “Cantvs de Abril”, no dia 24 de abril. O concerto realiza-se às 19h00, no Hôtel de Ville de Saint-Gilles


O grupo Cantvs, fundado em 2017 e composto maioritariamente por estudantes e ex-alunos da Hochschule für Musik und Tanz Köln, apresenta um repertório de arranjos originais de música tradicional portuguesa.

O evento é organizado pela AJA, com o apoio da embaixada de Portugal em Bruxelas e da Commune de Saint-Gilles. In “Bom dia Europa” - Luxemburgo



terça-feira, 7 de abril de 2026

Portugal - Emigração aumenta para Alemanha, França e Bélgica e cai no Reino Unido

A emigração portuguesa continua a variar geografia. De acordo com o relatório “Emigração Portuguesa 2025: Relatório Estatístico”, divulgado em março de 2026 pelo Observatório da Emigração e pela Rede Migra, 2024 foi marcado por um reforço das saídas para vários países da Europa continental e por quebras assinaláveis em destinos tradicionais como o Reino Unido e o Canadá.


Os dados sobre as entradas de portugueses entre 2023 e 2024, mostram que a Alemanha é o país onde a variação é mais positiva, seguida de França e Bélgica.

Estes três destinos destacamse claramente no topo do gráfico, sinalizando um crescimento mais expressivo da imigração portuguesa. Logo a seguir surgem os Estados Unidos (com variação calculada entre 2022 e 2023), a Austrália e a Áustria, todos com aumentos visíveis no número de entradas de portugueses.

Também Itália, Noruega, Macau (China), Brasil, Holanda, Suécia e Dinamarca registam saldos anuais positivos, ainda que de menor dimensão. Em conjunto, estes dados confirmam que a Europa continental, alguns mercados anglófonos extraeuropeus e territórios com ligação histórica a Portugal continuam a atrair emigrantes portugueses, ainda que com intensidades diferentes.

No lado oposto, o gráfico evidencia que o Reino Unido é o país com a maior quebra nas entradas de portugueses entre os dois anos mais recentes. A barra correspondente surge destacada no campo negativo, abaixo de todos os outros destinos analisados. Canadá e Angola surgem também com descidas significativas, seguidos por Suíça, Espanha e Luxemburgo, onde o número de novas entradas de cidadãos portugueses diminuiu face ao período anterior.

Estes recuos sugerem o impacto combinado de fatores como o endurecimento de políticas migratórias (no caso britânico e canadiano), a evolução dos mercados de trabalho ou, em alguns casos, a estabilização e eventual regresso de parte dos emigrantes.

O relatório, com 312 páginas, caracteriza a emigração e a população portuguesa emigrada entre 2000 e 2024, combinando dados nacionais e estatísticas oficiais de países de destino como Alemanha, França, Espanha, Suíça, Luxemburgo, Brasil, Estados Unidos, Canadá, Austrália, Noruega ou Macau. A obra analisa não só os fluxos anuais, como também os stocks de população portuguesa no estrangeiro e as remessas enviadas para Portugal.

Produzido pelo Observatório da Emigração e pela Rede Migra, no âmbito do CIESIUL do ISCTEIUL, o relatório contou com o apoio do Ministério dos Negócios Estrangeiros, do Gabinete do Secretário de Estado das Comunidades Portuguesas, do Fundo para as Relações Internacionais e da DireçãoGeral dos Assuntos Consulares e das Comunidades Portuguesas.

Assinado por Inês Vidigal, Cláudia Pereira, Joana Azevedo, Sofia Vilhena e Rui Pena Pires, o estudo confirma que a emigração portuguesa continua a ser um fenómeno estrutural, mas em reconfiguração: perde peso em alguns destinos tradicionais e reforçase em economias europeias centrais e em novos polos de atração fora da Europa. In “Bom dia Europa” - Luxemburgo


quarta-feira, 18 de março de 2026

Bélgica - Ex-diplomata de 93 anos poderá ser julgado pela morte de Patrice Lumumba

Um tribunal belga decidiu que Étienne Davignon, um ex-diplomata, de 93 anos, poderá ser julgado por cumplicidade no homicídio de Patrice Lumumba, ocorrido em 1961, no Congo. O político foi morto e o seu corpo desmembrado e dissolvido em ácido.


Segundo o Notícias ao Minuto, a decisão foi tomada, esta terça-feira, pelo tribunal belga.  O antigo diplomata, actualmente com 93 anos, poderá ser julgado por cumplicidade no homicídio, em 1961, de Patrice Lumumba, primeiro-ministro do Congo.

Étienne Davignon, que era um diplomata em formação na altura da morte do político, foi acusado de três crimes de guerra, de acordo com o tribunal de primeira instância de Bruxelas.

Em causa está a transferência ilegal de Lumumba e dos seus associados de Léopoldville (actual Kinshasa) para o Katanga, tratamento humilhante e degradante infligido aos três e a privação do direito a um julgamento justo.

Étienne Davignon, que chegou a ser vice-presidente da Comissão Europeia entre 1981 e 1985, é o único sobrevivente dos dez belgas acusados num processo criminal interposto pela família de Lumumba em 2011.

A decisão do tribunal de Bruxelas ainda é passível de recurso, mas se o julgamento avançar, Davignon será o primeiro oficial belga a ser levado à justiça pelo assassinato de Lumumba, ocorrido há 65 anos. In “O País” – Moçambique com “Notícias ao Minuto”

República Democrática do Congo - Pauline Opango Lumumba


sexta-feira, 6 de março de 2026

Portugal - Docente da Universidade de Coimbra distinguida por organização europeia na área da Química

Teresa Pinho e Melo, docente e investigadora do Departamento de Química da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC), foi nomeada, pela Chemistry Europe, Chemistry Europe Fellows, distinção atribuída a personalidades que se destacam pelo contributo excecional para a comunidade científica europeia, demonstrando excelência em investigação e inovação.


Os 22 Chemistry Europe Fellows serão formalmente distinguidos pelas respetivas sociedades nacionais e homenageados durante o 10.º Congresso de Química EuChemS, que decorrerá em Antuérpia, em julho.

A Chemistry Europe é uma organização que reúne 16 sociedades químicas de 15 países europeus e amplamente reconhecida pela publicação de revistas científicas de elevada qualidade. O programa Chemistry Europe Fellows, atribuído bienalmente, desde 2015, reconhece membros de excelência das sociedades que integram esta organização, tal como a Sociedade Portuguesa de Química, cujos serviços prestados e trabalho académico têm fortalecido continuamente a missão desta organização e das sociedades associadas.

O trabalho científico desenvolvido pela especialista da FCTUC, reconhecido nacional e internacionalmente, contribuiu de forma notável para o avanço da Química Orgânica, valendo-lhe este importante reconhecimento da Chemistry Europe. A nomeação dos novos Fellows sublinha a relevância e o impacto crescente da investigação europeia em química, bem como o talento e dedicação de vários cientistas.

Esta distinção é vitalícia e os Fellows atuam frequentemente como embaixadores da colaboração pan-europeia. Entre os anteriores distinguidos contam-se laureados com o Prémio Nobel, como Ben Feringa (Países Baixos), Jean-Marie Lehn (França) e Sir Fraser Stoddart (EUA).

A lista completa dos cientistas distinguidos está disponível aqui. Universidade de Coimbra - Portugal


segunda-feira, 3 de novembro de 2025

Europa - Investigadores alertam para elevada contaminação das ribeiras urbana europeias por fármacos

Um estudo internacional, liderado pela Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC), revelou uma contaminação generalizada por fármacos nas águas de ribeiras urbanas europeias, incluindo as de Coimbra. A investigação, publicada na revista Journal of Hazardous Materials, está integrada no projeto OneAquaHealth e analisou 102 ribeiras situadas nas cidades de Benevento (Itália), Coimbra (Portugal), Ghent (Bélgica), Toulouse (França) e Oslo (Noruega).


Os resultados deste estudo apontam para a presença de 16 fármacos pertencentes a seis grupos terapêuticos, detetados em 91% dos locais de amostragem. Misturas de fármacos foram encontradas em 79% dos pontos analisados.

«Entre os compostos mais frequentes destacam-se os irbesartan e bisoprolol (anti-hipertensores), bem como carbamazepina (anticonvulsivo), identificado em mais de metade das ribeiras urbanas. O paracetamol apresentou maiores concentrações, enquanto irbesartan, bisoprolol e fluoxetina atingiram níveis recorde face ao reportado anteriormente na literatura científica», revela Fernanda Rodrigues, estudante de doutoramento da FCTUC.

Em Coimbra, foram detetados 14 fármacos nas ribeiras urbanas, com destaque para carbamazepina, irbesartan, losartan, atenolol e venlafaxina. «Um dos locais de amostragem da cidade apresentou 70% dos compostos analisados. As concentrações mais elevadas correspondem aos anti-hipertensores irbesartan e atenolol. Embora menos frequentes, quatro dos sete antibióticos testados também foram encontrados nas águas coimbrãs, um dado particularmente preocupante face à crescente resistência antimicrobiana, considerada uma das mais graves ameaças à saúde pública global», alerta Maria João Feio, investigadora do Centro de Ciências do Mar e do Ambiente (MARE) da FCTUC.

O estudo identificou diferenças estatísticas significativas entre os padrões de contaminação das cidades, com Coimbra e Oslo a apresentarem níveis mais baixos. No caso português, a presença de fármacos foi estatisticamente associada à condição morfológica e ecológica das ribeiras e ao grau de impermeabilização urbana. Segundo os investigadores, estes resultados demonstram que a poluição não depende apenas do consumo de medicamentos, mas também da qualidade ecológica e do estado de conservação dos ecossistemas ribeirinhos.

«Esta investigação evidencia a necessidade urgente de restaurar os ecossistemas de água doce e de implementar novas tecnologias de remoção de fármacos nas estações de tratamento de águas residuais. Estas medidas são essenciais para reduzir o impacto destes contaminantes nos rios e ribeiras urbanos e alinhar a gestão da água com os princípios da Saúde Única (One Health) – uma abordagem integrada que liga a saúde humana, animal e ambiental», concluem os especialistas.

O trabalho foi liderado por Fernanda Rodrigues e Maria João Feio, coordenadora do projeto OneAquaHealth, e contou com a participação de Ana R. Calapez, André Pereira, Liliana Silva, Janine Silva, Luísa Durães e Nuno Simões, com o envolvimento dos departamentos de Ciências da Vida, Engenharia Civil e Engenharia Química da FCTUC e da Faculdade de Farmácia. Universidade de Coimbra - Portugal


sábado, 1 de novembro de 2025

Astérix na Lusitânia: 'Tivemos que incluir a hospitalidade portuguesa na história'

'Astérix na Lusitânia' bateu um novo recorde de vendas após o seu lançamento numa livraria de Lisboa no início deste mês, e os seus números continuam a subir. Os autores contam à Euronews Culture por que escolheram ambientar a mais recente aventura do diminuto guerreiro gaulês em Portugal


Foi em 1959 que Astérix e o resto da aldeia de gauleses inflexíveis, que resistiram à ocupação romana graças a uma poção mágica, apareceram pela primeira vez na revista francesa Pilote.

Desde então, Astérix, sempre acompanhado pelo seu melhor amigo Obélix e o seu cão de estimação, Dogmatrix, viajou por todas as partes do Império Romano e além... por todo ele? Até este ano, os fãs portugueses da série lamentavam o facto da Lusitânia, território que corresponde ao que hoje é Portugal, ainda não ter sido visitada por estes heróis que cativaram e divertiram várias gerações de leitores.

Essa lacuna foi finalmente sanada com o lançamento de Astérix na Lusitânia, o 41.º álbum da série, o sétimo desenhado por Didier Conrad (que contou com o depoimento de Albert Uderzo, criador das personagens) e o segundo escrito por Fabrice Caro (Fabcaro), depois de A Lírio Branco.

Até agora, tem sido um sucesso estrondoso, de acordo com David Lopes, diretor-geral do grupo Leya, que disse à Euronews que o livro bateu o recorde português de vendas nos primeiros quatro dias.

Essa revelação foi duplamente confirmada pelo editor da série em Portugal, Vítor Silva Mota, e também pelo enorme número de pessoas que esgotaram a apresentação do livro numa das maiores salas do complexo de cinemas El Corte Inglés, em Lisboa.

Desde o seu lançamento em 23 de outubro, Astérix na Lusitânia vendeu mais de 50.000 exemplares, de uma tiragem inicial de 80.000. Em todo o mundo, foram impressos cinco milhões de exemplares, publicados em 25 países e 19 idiomas (incluindo dialetos pouco falados, como o mirandês).

Qual o segredo do seu sucesso? O humor mordaz de sempre, os trocadilhos, os anacronismos, as piscadelas para questões atuais (entre risos, são mencionados temas sérios como o discurso anti-imigração ou o domínio de grandes grupos económicos) e, claro, o desfile de clichês sobre os países visitados.

Na Lusitânia, é impossível não ouvir fado (cantado por uma lusitana chamada Amália), ver ou provar pastéis de nata, bacalhau (que Obélix detesta), sentir o calçamento português, os azulejos... e aquela sensação tão portuguesa, a saudade, ou aquele estado de espírito que pode ser resumido nas palavras de Astérix para Obélix quando se vestem de lusitanos: "Tente parecer triste e feliz ao mesmo tempo".

"O engraçado é que você começa a ler o livro e pensa 'nós não somos nada assim'! Quando termina, admite que sim, somos exatamente assim", diz o comediante Hugo van der Ding, que apresentou o livro.

Há também um ancestral do elétrico XXVIII em Olisipo (Lisboa), um revolucionário chamado MCMLXXIV e um jovem que joga futebol com o número VII na camisa, entre muitas outras referências ao Portugal contemporâneo.


Entrevista com Fabrice Caro

Fabrice Caro (Fabcaro) e Didier Conrad encontraram-se com a Euronews Culture durante a apresentação na livraria de Lisboa e discutiram todo o processo que levou à criação deste álbum.

Euronews: Por que nossos amigos Astérix e Obelix demoraram tanto para visitar seus primos lusitanos?

Fabcaro: Eu também me estava a perguntar a mesma coisa. Quando tive que fazer um álbum de viagens, percebi que eles nunca tinham ido a Portugal, e não entendia porquê. Fiquei a pensar por que demoraram tanto, já que parecia um destino tão óbvio. Não é longe da Gália, dá para ir de barco. É um país conhecido, um país vizinho com uma cultura forte. Então, não sei o que os impediu de ir antes.

Didier Conrad: Quando retomamos a série, Portugal surgiu imediatamente como uma possibilidade, talvez também porque fomos para Portugal logo após Astérix e os Pictos (2013) e houve uma certa insistência por parte dos portugueses (em particular, de Vítor Silva Mota, da NDR) para que fizéssemos um álbum no país deles. Sei que o compositor anterior, Jean-Yves Ferri, de origem espanhola, não se sentia muito à vontade com o tema. Por outro lado, Fabrice (Caro) quis vir para Portugal imediatamente. Ficámos muito contentes com a ideia.

Há sempre clichês nos álbuns do Asterix e esta história não é excepção. Tem o bacalhau, que o Obelix detesta. Depois, há os pastéis de nata, o fado, e tudo mais... Para além dos clichês, que aspetos de Portugal e dos portugueses identificou durante as suas viagens de preparação e decidiu incluir no álbum?

Fabcaro: Hospitalidade. A hospitalidade não fazia necessariamente parte do roteiro inicial.

Eu tinha percebido os clichês gastronómicos, o bacalhau, as características, a nostalgia, e esse foi o nosso ponto de partida. Eu não estava muito focado na hospitalidade, no lado caloroso e acolhedor dos portugueses. Quando nos reunimos com o editor, percebi que precisava adicionar esse aspecto. Reescrevi e acrescentei ao roteiro a parte sobre o lado acolhedor e solidário do povo português.

Didier Conrad: Eu só tinha estado aqui uma vez antes. O que mais me surpreendeu foi o clima, que é muito diferente da Espanha. É húmido e quente. Na verdade, não é muito diferente do Texas, onde eu moro.

Notei também que há azulejos por toda parte, até mesmo em baixo das pias. A necessidade de decorar tudo é incrível. Acho que é bem típico daqui. Por outro lado, há muito peixe, muitos pratos à base de peixe.

Será difícil dar continuidade ao legado de Uderzo e Goscinny?

Fabcaro: Eles eram dois génios. Um génio do desenho e um génio da escrita. Então é muito difícil seguir os passos deles, mas é uma missão. Ao mesmo tempo, serve como uma restrição. Dizemos a nós mesmos que temos de manter esse espírito. Quando fazemos um álbum de viagem, devemos manter o espírito de humor benevolente, de rir juntos, de compartilhar. Queremos manter esse espírito tão caro aos criadores.

Didier Conrad: É um pouco como estar numa grande família. Eu cresci com Astérix. É algo que faz parte do meu dia a dia emocional. Então é mais uma tradição na qual fomos criados. Não é algo tão pesado.

No seu caso específico, você é o designer, tem o seu próprio estilo, mas teve que adaptar-se um pouco ao estilo de Uderzo...

Didier Conrad: Comecei a trabalhar em Astérix quando tinha pouco mais de 50 anos e já havia desenvolvido um pouco de tudo o que queria desenvolver pessoalmente. Já tinha feito vários álbuns a solo e evoluir depois de certa idade é mais difícil, porque criamos hábitos.

Eu disse ao Uderzo que, ao fazer isso, eu estava reaprendendo a minha arte, pois fui obrigado a revisitar tudo o que sabia de acordo com o método de trabalho dele. Foi bom para mim.

Neste álbum, tal como nos anteriores, você mistura temas atuais com temas clássicos. Você fala, por exemplo, sobre o discurso anti-imigração ou sobre o turismo. Você leu algo sobre a situação em Portugal?

Fabcaro: Não li especificamente sobre Portugal, mas conheço a situação na França e a impressão que tenho é de um clima europeu. Em geral, acho que estamos numa situação parecida. Cada álbum analisa a sociedade. Há a história principal e sempre um tema transversal. É sempre um retrato da sociedade em que se passa e da época em que o álbum é lançado.

Dando continuidade a essa questão, a reformulação do personagem Baba (o pirata negro) tem alguma relação com esse novo contexto? Porque antes ele era um personagem que refletia muito o estereótipo que algumas pessoas brancas têm dos negros...

Didier Conrad: Você precisa entender que o personagem Baba surgiu como uma paródia de outra série que passava no Pilote na mesma época, uma série chamada Barbe Rouge, que continua até hoje, onde havia um homem negro e alto chamado Baba que falava sem pronunciar o "R". Era apenas uma referência à série de um amigo, na verdade. Depois de um tempo, a paródia ficou mais conhecida do que a série original.

Com o tempo, isso começou a se encaixar como um estereótipo que significava outra coisa. Além disso, estamos num período tenso em relação à representação de diferentes etnias ou culturas, e isso causa problemas, especialmente para pessoas que não conhecem o universo de Astérix, que o veem de fora e percebem que, com todo o impacto que Astérix tem, não é bom fazer isso, e isso complica as coisas. Foram sobretudo as editoras norte-americanas que tiveram problemas com o personagem.

Próximo álbum? Alguma outra ideia?

Fabcaro: Para o Didier, com certeza. Estou em carácter interino porque o escritor principal designado é o Jean-Yves Ferry, que queria fazer uma pausa, pelo menos durante estes dois álbuns. Então, estou à espera do retorno do Jean-Yves. Pelo menos eu ainda estou no clima, ainda estou a divertir-me muito. Euronews.culture




quinta-feira, 30 de outubro de 2025

Internacional - O boicote às universidades israelenses

Quatro universidades brasileiras, a Unicamp, a Federal do Rio de Janeiro, a Federal do Ceará e a Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas de São Paulo decidiram romper seus convênios de cooperação com as universidades israelenses de Haifa, de Ben Gurion e com o Instituto Tecnológico Technion, em reação às violências cometidas por Israel na Faixa de Gaza, depois do ataque terrorista do Hamas no 7 de outubro de 2023.

Esses convênios previam intercâmbio de alunos, professores e projetos mútuos de pesquisa. Esse mesmo tipo de boicote tem a participação de universidades da Noruega, Irlanda, Bélgica e Espanha.

Na Suíça, onde as universidades de Lausanne e Genebra também aderiram ao boicote, o jornal Le Temps procurou saber quais consequências negativas podem resultar desse movimento tanto para Israel como para as universidades israelenses e estrangeiras. Para isso, foi entrevistado Shlomi Kofman, responsável pela parceria de Israel com o programa Horizon Europe.

A síntese dessa entrevista é a de que "o boicote a Israel é contraproducente" no domínio da pesquisa científica, havendo riscos tangíveis para a ciência, segundo os cientistas israelenses. desde 1996, Israel e a europa se beneficiam dessa parceria em ciência e tecnologia, envolvendo estudantes, pesquisadores e empresas europeias.

Até hoje, Horizon Europe tem favorecido de maneira apolítica a pesquisa e a política, evitando ser envolvido pela política concentrado no objetivo de inovação e progresso para a humanidade.

A revista K, preocupada com os judeus na Europa e com o ressurgimento do antissemitismo, integrada por universitários e jornalistas, abriu um grande espaço dedicado "aos universitários israelenses face ao apelo pelo boicote de suas universidades.

Três professores contribuíram com suas respostas: Itai Ater e Alon Korngreen, do grupo Universitários pela democracia israelense, e o prof. Eyal Benvenisti, membro do Fórum dos professores de direito israelenses pela democracia.

Sobre os impactos decorrentes dos boicotes às universidades israelenses, acham que são muitos limitados. O governo israelense considerará serem ataques a Israel, hostilidade internacional, e reforçará as posições atuais.

O boicote será proveitoso ao governo atual e prejudicará as universidades, reforçará também a ideia de que "o mundo está contra Israel" levando o governo a um isolacionismo. O boicote prejudicará no que se refere às iniciativas de pesquisa e colaborações internacionais, reduzindo financiamentos e impedindo avanços universitários, limitando as trocas de ideias.

Muitas universidades israelenses - contam eles - participam de pesquisas inovadoras nos campos da medicina, tecnologia e meio ambiente. O boicote causará a perda de parceiros internacionais importantes para o progresso dos projetos e impedirá seus avanços.

Eles enumeram os prejuízos para os universitários israelenses, mas é também importante considerar a perda correspondente para os estudantes das universidades boicotadoras, privados de pesquisas e de experiências internacionais. Resta a dúvida se a aplicação do boicote tem algum resultado positivo. Rui Martins – Suíça

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Rui Martins é Jornalista, escritor, ex-CBN e ex-Estadão, exilado durante a ditadura. Criador do primeiro movimento internacional dos emigrantes, Brasileirinhos Apátridas, que levou à recuperação da nacionalidade brasileira nata dos filhos dos emigrantes com a Emenda Constitucional 54/07. Escreveu Dinheiro sujo da corrupção, sobre as contas suíças de Maluf, e o primeiro livro sobre Roberto Carlos, A rebelião romântica da Jovem Guarda, em 1966. Foi colaborador do Pasquim. Estudou no IRFED, l’Institut International de Recherche et de Formation Éducation et Développement, fez mestrado no Institut Français de Presse, em Paris, e Direito na USP. Vive na Suíça, correspondente do Expresso de Lisboa, Correio do Brasil e RFI.

 

quinta-feira, 17 de abril de 2025

Bélgica - Corta gastos sociais para impulsionar orçamento militar

A Bélgica cortou nos gastos sociais para reforçar o seu orçamento militar, a fim de cumprir a meta de gastos com defesa da OTAN, que Bruxelas está a ter dificuldades para atingir.

O Ministro das Finanças belga, Vincent van Peteghem, relatou isso a jornalistas do jornal britânico The Financial Times.

Segundo ele, Bruxelas conseguirá atingir o limite de 2% para gastos com defesa este ano, mas isso terá um impacto negativo no sistema de segurança social. A Bélgica terá de aumentar a sua dívida nacional e cortar algumas despesas orçamentais.

Ao mesmo tempo, o chefe do Ministério das Finanças belga está ciente de que, sob pressão do presidente dos EUA, Donald Trump, os países europeus podem concordar em aumentar o limite mínimo para gastos com defesa. Ele presume que em junho, sob a influência das ameaças do líder americano de privar os aliados da sua proteção, a OTAN estabelecerá um mínimo de 3%.

Segundo Peteghem, Bruxelas provavelmente não conseguirá atingir este nível. Na sua opinião, tal aumento nos gastos com a defesa afetará negativamente a esfera social não apenas na Bélgica, mas também em muitos outros países europeus.

No início de março, Trump alertou os aliados da OTAN que, se não gastassem o suficiente na sua própria defesa, não receberiam proteção dos EUA. E antes da sua posse, ele disse que proporia aumentar o gasto mínimo de defesa da OTAN de 2% para 5% do PIB. In “Finantial Times” – Reino Unido


domingo, 2 de março de 2025

Bélgica - Queres tocar ou cantar numa orquestra juvenil em Bruxelas?

Gostas de música? Tocas um instrumento ou adoras cantar? Então junta-te à Orquestra Juvenil “Notas de Abril” e vem celebrar a liberdade com um concerto inesquecível!



No dia 23 de março de 2025, jovens músicos vão reunir-se em Bruxelas para uma residência artística, onde irão ensaiar canções marcantes da Revolução dos Cravos. Vais aprender mais sobre a história através da música e preparar-te para o grande concerto aberto ao público!

Quem pode participar? Crianças e jovens a partir dos 8 anos, com ou sem experiência musical. As partituras serão adaptadas para que todos possam tocar ou cantar!

Inscreve-te já! Envia um e-mail para info@lusoacademy.co.uk / info@ajabruxelas.be ou faz a tua inscrição online aqui. In “Bom dia Europa” - Luxemburgo


sexta-feira, 28 de junho de 2024

Bélgica - Vhils inaugura em Bruxelas mural que é mescla de revoluções europeias com enfoque na dos Cravos

O artista Alexandre Farto, conhecido como Vhils, inaugurou um mural em Bruxelas que é uma compilação de várias revoluções democráticas pela Europa, incluindo a dos Cravos, para recordar o que está em causa com o crescimento da extrema-direita.


A Rua Leopoldo, no coração de Bruxelas, ganhou ontem outra vida, com as pessoas que a percorriam a pararem para observar um mural que apareceu em apenas uma semana. Uma mulher e um cravo saltam logo à vista, mas Alexandre Farto explicou que toda a obra é uma mescla revolucionária. “Toda a obra foi um levantamento das várias revoluções e de várias histórias da Europa, tem vários elementos de padrões, tens o cravo também que tem que ver com a ligação à Revolução dos Cravos”, contou à Lusa, durante a inauguração do mural.

O rosto não é o de uma mulher só, mas “um apanhado de uma série de desenhos” que Vhils fez em Bruxelas: “Quis representar alguém no imaginário do futuro que esteja a olhar o futuro da Europa e a representar também a sua diversidade e maneira como isso nos tornou mais fortes”.

No ano de celebração do 50.º aniversário do 25 de Abril, Alexandre Farto quis enaltecer a conquista da democracia portuguesa na cidade que decide os destinos da União Europeia.

Ainda mais quando o crescimento da extrema-direita ameaça os valores europeístas, colocando em causa “todo o Estado social”, o acesso à escola pública, que Vhils frequentou, não só em Portugal, mas noutros países. “No meu atelier somos 25, há pessoas que têm histórias similares à minha, dos subúrbios de Bucareste [Roménia], da Polónia, de Espanha, de França. O estúdio também tem essa força da Europa. Era impossível fazer o meu trabalho e eu não teria tido as oportunidades que tive se não fossem as conquistas todas dos últimos anos”, sustentou.

Alexandre Farto apresenta também, a partir desta sexta-feira, no museu de arte MIMA, em Bruxelas, a exposição individual “Multitude”, sobre memória num tempo digital. “Ao esculpir paisagens urbanas, padrões e rostos, desvendo histórias humanas enterradas no nosso passado e presente coletivos”, afirmou o artista visual nas redes sociais, a propósito de “Multitude”. In “Ponto Final” – Macau com “Lusa”


domingo, 2 de junho de 2024

Bélgica - Alunos de português celebraram o 25 de Abril no teatro

O espetáculo teatral chama-se “Deram-nos um novelo de lã para a mão e pediram-nos para contar esta história” e teve lugar numa sala completamente esgotada do Théâtre Mercelis, em Bruxelas, na presença do embaixador de Portugal, Jorge Cabral


“Os nossos jovens e talentosos alunos dos cursos de língua e cultura portuguesas André, Bárbara, Clara, Laeticia, Simão, Sofia e Victória brindaram os seus afortunados espetadores com uma história cativante sobre um passado que nunca deveremos esquecer”, afirma em publicação nas redes sociais a Embaixada de Portugal na Bélgica.

Hélder Wasterlain foi o encenador da peça que, segundo a Embaixada, “magistralmente montou as peças deste puzzle, transformando-o numa peça memorável que juntou compatriotas de todas as idades para celebrar o importante legado do 25 de Abril; assim como a todos os pais, famílias e voluntários da nossa Comunidade que com esforço e dedicação ajudaram a materializar este grande projeto”. In “Bom dia Europa” - Luxemburgo


sábado, 27 de abril de 2024

Bélgica - Celebrou-se Abril numa “sala de cravos” em Bruxelas

Foi numa sala cheia de cravos, de pais e filhos de Abril que decorreram as celebrações dos 50 anos do 25 de Abril, na emblemática “Salle des Mariages” do Hôtel de Ville da Commune de Saint-Gilles, organizadas pela embaixada de Portugal na Bélgica e pelo Instituto Camões


“Um evento emocionante onde foram reinterpretadas, pela inconfundível voz de Ana Rocha e pelos instrumentos do virtuoso Rui Salgado Trio, músicas revolucionárias dos anos 60 e 70 cantadas pelas grandes vozes femininas daquela época”, adiantou a embaixada nas redes sociais.

Na mesma publicação, a embaixada remeteu um “agradecimento especial ao Burgomestre da Commune de Saint-Gilles, Jean Spinette e a toda a sua extraordinária equipa, por terem sempre abertas as portas à nossa Comunidade e por celebrarem connosco a liberdade, a democracia e a pluralidade”. In “Bom dia Europa” - Luxemburgo


segunda-feira, 12 de fevereiro de 2024

Bélgica - Associação José Afonso assinala 25 de Abril com agenda recheada em Bruxelas

A Associação José Afonso (AJA), em Bruxelas, prepara-se para comemorar o cinquentenário da revolução de 25 de Abril de 1974 com um conjunto de atividades culturais


De acordo com a agenda do certame, o primeiro dia (2 de abril) iniciará com o lançamento da versão francesa do livro “Exílios no Feminino”, com a presença de quatro protagonistas da obra (Helena Cabeçadas, M. Emília Brederode Santos, Fernanda Marques e Amélia Resende).

Já a partir do dia 11 do mesmo mês, e até 1 de maio, estará patente a exposição sobre a Revolução no Elzenhof, Centro Socio-cultural, 12 avenue de la Couronne, Ixelles;

A 18 de abril, no Elzenhof, pelas 19h00, inaugura-se uma exposição com um concerto (uma hora depois), de A Alma e o Vento.

O derradeiro dia dos festejos terá lugar a 23 de abril, na Université Libre de Bruxelles, Campus Solbosch, edifício A: às 18h00: 25 abril 1974, história do regresso de Portugal à democracia ilustrada com poemas e canções; e às 20h00: Inauguração da exposição O legado dum cravo.

O certame é organizado em colaboração com o Leitorado de Português Camões IP. In “Bom dia Europa” - Luxemburgo


segunda-feira, 25 de dezembro de 2023

Suíça – Une-se a seis países para produzir eletricidade sem CO2

O Ministro da Energia da Suíça, Albert Rösti, e seus colegas de seis países da União Europeia comprometeram-se a obter toda a sua eletricidade de fontes livres de carbono até 2035


A produção de eletricidade na Suíça já é quase isenta de CO2. Apenas 2% da eletricidade produzida na Suíça no ano passado foi proveniente de combustíveis fósseis. O facto de que a Alemanha, a França, a Áustria, a Holanda, a Bélgica e Luxemburgo agora também querem mudar para a geração de eletricidade livre de CO2 até 2035 trará vantagens para a Suíça, disse o Ministro da Energia Albert Rösti.

Uma proporção significativa da eletricidade consumida na Suíça vem do exterior. "A eliminação gradual dos combustíveis fósseis só faz diferença se a eletricidade importada também for livre de combustíveis fósseis", disse Rösti. "Nesse aspecto, é importante para a Suíça."

Em médio prazo, a meta de produção de eletricidade livre de CO2 até 2035 nos sete países significará que mais eletricidade virá de centrais nucleares novamente. "Novas centrais nucleares estão sendo planeadas em muitos países", disse Rösti. Essa é uma forma importante de energia para a descarbonização, acrescentou.

A Suíça decidiu eliminar gradualmente a energia nuclear e isso precisa de ser respeitado por enquanto, disse Rösti. Mas o acordo de Bruxelas significa que a energia nuclear continuará sendo importante para a Suíça por um longo tempo.

"Presumimos que as centrais nucleares existentes funcionarão por mais tempo do que os 50 anos planeados. Agora estamos assumindo pelo menos 60 anos", disse ele. Não será possível atingir a meta de eletricidade livre de emissões de carbono sem centrais nucleares. "Não conseguiremos adicionar energias renováveis com rapidez suficiente. Isso leva tempo."

O acordo conjunto tem outro ponto positivo para o Ministro da Energia. Os sete estados comprometem-se a planear redes de energia em conjunto e apoiar uns aos outros no armazenamento de eletricidade. A Suíça pode contar com os seus países vizinhos - mesmo que não se chegue a um acordo sobre eletricidade com a União Europeia.

"A disposição de trabalhar com a Suíça é um dado adquirido", disse Rösti. Após a reunião em Bruxelas, ele está convencido de que a Suíça continuará sendo importante como um centro de eletricidade e com as suas grandes capacidades de armazenamento para os outros seis países. In “Swissinfo” - Suíça


sexta-feira, 22 de setembro de 2023

França - Cemitério português de Richebourg é Património Mundial da Humanidade

A UNESCO classificou, na quarta-feira (20), 139 lugares de memória da I Guerra Mundial em França e na Bélgica, incluindo o cemitério português de Richebourg, onde estão sepultados 1831 soldados portugueses que morreram no conflito


Esta é uma candidatura que a França e Bélgica lançaram em conjunto em 2017 e cuja apreciação tinha sido adiada para 2021. Dois anos depois desta data, a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO) conferiu o estatuto de Património Mundial da Humanidade a estes lugares, muitos deles cemitérios, que evocam a memória dos soldados mortos na I Guerra Mundial.

O cemitério de Richebourg, no departamento de Pas-de-Calais, onde entre 1924 e 1938 foram sepultados 1831 soldados portugueses, faz parte deste conjunto e nas últimas décadas tem aproximado esta região de Portugal.

“Somos o território da I Guerra Mundial e por isso há amizade, cooperação internacional, valorização da memória e muitos voluntários para fazer viver esta memória. Por exemplo, a cidade Arras é geminada com a Batalha, o presidente da Câmara de Richebourg foi à casa do soldado Milhões em Murça, há uma grande cooperação entre as cidades. E a ideia de desenvolver mais o conhecimento sobre a participação portuguesa na Guerra e o turismo da memória, é algo muito importante”, afirmou Bruno Cavaco, cônsul honorário de Portugal em Lille, em declarações à agência Lusa. Há vários anos que este cemitério é cuidado pela Associação União Franco-Portuguesa de Richebourg, que lidera anualmente as comemorações da participação dos soldados portugueses neste conflito, apoiada pelas autoridades locais. O cemitério foi recentemente alvo de obras por parte do Ministério da Defesa de Portugal, com o então ministro desta pasta, João Gomes Cravinho, a dizer que o investimento na memória é “um investimento no presente e no futuro”.

Em 2018, este cemitério já tinha recebido obras de requalificação já que fez parte das celebrações do centenário da Batalha de La Lys, a maior derrota militar portuguesa na I Guerra Mundial, recebendo a visita do presidente Marcelo Rebelo de Sousa, mas também do presidente francês, Emmanuel Macron. Só na batalha de La Lys terão morrido cerca de 500 portugueses e milhares foram feitos prisioneiros.

A classificação deste conjunto de monumentos engloba ainda um cemitério indiano, vários cemitérios ingleses e canadianos e também um cemitério chinês, com 842 campas de chineses que trabalhavam para o Exército britânico e que pereceram durante os combates. A Comissão do Património Mundial da UNESCO está reunida até 25 de setembro, em Riade, na Arábia Saudita, apreciando as candidaturas de monumentos em todo o mundo. In “Milénio Stadium” – Canadá com “Lusa”