Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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quinta-feira, 30 de outubro de 2025

Internacional - O boicote às universidades israelenses

Quatro universidades brasileiras, a Unicamp, a Federal do Rio de Janeiro, a Federal do Ceará e a Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas de São Paulo decidiram romper seus convênios de cooperação com as universidades israelenses de Haifa, de Ben Gurion e com o Instituto Tecnológico Technion, em reação às violências cometidas por Israel na Faixa de Gaza, depois do ataque terrorista do Hamas no 7 de outubro de 2023.

Esses convênios previam intercâmbio de alunos, professores e projetos mútuos de pesquisa. Esse mesmo tipo de boicote tem a participação de universidades da Noruega, Irlanda, Bélgica e Espanha.

Na Suíça, onde as universidades de Lausanne e Genebra também aderiram ao boicote, o jornal Le Temps procurou saber quais consequências negativas podem resultar desse movimento tanto para Israel como para as universidades israelenses e estrangeiras. Para isso, foi entrevistado Shlomi Kofman, responsável pela parceria de Israel com o programa Horizon Europe.

A síntese dessa entrevista é a de que "o boicote a Israel é contraproducente" no domínio da pesquisa científica, havendo riscos tangíveis para a ciência, segundo os cientistas israelenses. desde 1996, Israel e a europa se beneficiam dessa parceria em ciência e tecnologia, envolvendo estudantes, pesquisadores e empresas europeias.

Até hoje, Horizon Europe tem favorecido de maneira apolítica a pesquisa e a política, evitando ser envolvido pela política concentrado no objetivo de inovação e progresso para a humanidade.

A revista K, preocupada com os judeus na Europa e com o ressurgimento do antissemitismo, integrada por universitários e jornalistas, abriu um grande espaço dedicado "aos universitários israelenses face ao apelo pelo boicote de suas universidades.

Três professores contribuíram com suas respostas: Itai Ater e Alon Korngreen, do grupo Universitários pela democracia israelense, e o prof. Eyal Benvenisti, membro do Fórum dos professores de direito israelenses pela democracia.

Sobre os impactos decorrentes dos boicotes às universidades israelenses, acham que são muitos limitados. O governo israelense considerará serem ataques a Israel, hostilidade internacional, e reforçará as posições atuais.

O boicote será proveitoso ao governo atual e prejudicará as universidades, reforçará também a ideia de que "o mundo está contra Israel" levando o governo a um isolacionismo. O boicote prejudicará no que se refere às iniciativas de pesquisa e colaborações internacionais, reduzindo financiamentos e impedindo avanços universitários, limitando as trocas de ideias.

Muitas universidades israelenses - contam eles - participam de pesquisas inovadoras nos campos da medicina, tecnologia e meio ambiente. O boicote causará a perda de parceiros internacionais importantes para o progresso dos projetos e impedirá seus avanços.

Eles enumeram os prejuízos para os universitários israelenses, mas é também importante considerar a perda correspondente para os estudantes das universidades boicotadoras, privados de pesquisas e de experiências internacionais. Resta a dúvida se a aplicação do boicote tem algum resultado positivo. Rui Martins – Suíça

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Rui Martins é Jornalista, escritor, ex-CBN e ex-Estadão, exilado durante a ditadura. Criador do primeiro movimento internacional dos emigrantes, Brasileirinhos Apátridas, que levou à recuperação da nacionalidade brasileira nata dos filhos dos emigrantes com a Emenda Constitucional 54/07. Escreveu Dinheiro sujo da corrupção, sobre as contas suíças de Maluf, e o primeiro livro sobre Roberto Carlos, A rebelião romântica da Jovem Guarda, em 1966. Foi colaborador do Pasquim. Estudou no IRFED, l’Institut International de Recherche et de Formation Éducation et Développement, fez mestrado no Institut Français de Presse, em Paris, e Direito na USP. Vive na Suíça, correspondente do Expresso de Lisboa, Correio do Brasil e RFI.

 

domingo, 26 de outubro de 2025

Bélgica - Projeto com cunho português conquista prémios em Bruxelas

O projeto AGEO – Plataforma Atlântica para a Gestão de Risco Geológico, que junta cinco países, incluindo Portugal, recebeu dois prémios para iniciativas financiadas pela União Europeia, nas categorias “Uma Europa Verde” e escolha do público


Segundo uma nota da representação da Comissão Europeia em Portugal, “o projeto AGEO – Plataforma Atlântica para a Gestão de Risco Geológico foi escolhido como vencedor do prémio do público deste ano e na categoria ‘Uma Europa Verde’ decidida pelo júri”.

O AGEO, projeto transnacional com a participação de Portugal, França, Irlanda, Espanha e Reino Unido, obteve a maioria dos votos, 1976 no total, sendo “claramente preferido entre os 25 finalistas dos prémios RegioStars 2025, que visam distinguir “projetos financiados pela UE que demonstram o impacto e a inclusão do desenvolvimento regional”.

O concurso é organizado anualmente pela Comissão Europeia desde 2008, tendo este ano decorrido na 23.ª Semana Europeia das Regiões e dos Municípios, em Bruxelas, e um júri composto por peritos de toda a Europa selecionou 25 finalistas aos RegioStars.

O projeto transnacional AGEO reúne “cientistas, comunidades locais e governos para fazer face aos riscos geológicos na região atlântica por meio da ciência cidadã, da observação da Terra e de instrumentos inovadores de gestão dos riscos”, explica a representação europeia.

Através de cinco observatórios-piloto de cidadãos na região atlântica, o projeto “mostrou como se pode capacitar as comunidades locais para participarem em sistemas de alerta precoce e enfrentarem desafios relacionados com o clima”, contribuindo “para proteger os cidadãos de eventos de grande impacto e de vários cenários de risco/perigo”.

De acordo com o AGEO, o programa Espaço Interreg Atlântico envolve 36 regiões atlânticas, um orçamento total de 185 milhões de euros, dos quais 140 milhões do Fundo Europeu de Desenvolvimento Regional (Feder) e cinco prioridades temáticas.

Os cinco projetos-piloto, com base nos quais serão formuladas recomendações, são os observatórios do cidadão sobre “queda de rochas nas Ilhas Canárias” e “em Giants Causeway e Carrick-a-Rede, Irlanda do Norte”, “multirriscos em Lisboa, Portugal”, monitorização da “instabilidade de taludes na Ilha da Madeira” e “vulnerabilidade aos riscos costeiros na Bretanha, França”.

A aplicação AGEO, projetada para monitorizar riscos geológicos no espaço atlântico, destina-se a “melhorar a segurança e a preparação para riscos geológicos por meio da cooperação com os cidadãos”, que podem relatar diferentes tipos de riscos, nomeadamente relacionados com deslizamentos, quedas de rochas, terramotos e inundações.

O consórcio do projeto integra o Instituto Superior Técnico, da Universidade de Lisboa (coordenador), Associação Portuguesa de Geólogos, Laboratório Nacional de Energia e Geologia, Laboratório Nacional de Engenharia Civil, Câmara de Lisboa, Universidade da Madeira, Instituto Geológico e Mineiro de Espanha, Universidade da Bretanha Ocidental, Serviço Geológico da Irlanda do Norte, Colégio Universitário de Dublin, entre outros.

Seis projetos financiados pela UE receberam os prémios RegioStars 2025 em Bruxelas, repartidos por cinco categorias temáticas e escolha do público, de entre um recorde de 266 candidaturas de toda a Europa.

Na categoria “Uma Europa Competitiva e Inteligente”, foi distinguido o projeto Mapas de Fertilização baseados em Radar de Satélite (Polónia), enquanto “Uma Europa Conectada” premiou o ‘Monocab Owl’ – Nova Mobilidade em Trilhos Antigos (Alemanha), um “sistema de cabine de monotrilho giro-estabilizado”.

Na temática “Uma Europa Social e Inclusiva”, o prémio foi para Apoio Precoce a Famílias em Risco (República Checa) e no domínio de “Uma Europa mais Próxima dos Cidadãos venceu o Centro Feminino Partilhado de Shankill (Irlanda, Reino Unido).

O projeto AGEO venceu na categoria “Uma Europa Verde” e na escolha do público, com cerca de 2000 votos. In “Bom dia Europa” - Luxemburgo


sábado, 13 de setembro de 2025

Europa – Países Baixos adere ao boicote do Festival Eurovisão da Canção 2026 devido à participação de Israel

A emissora pública holandesa, AVROTROS, confirmou que os Países Baixos juntar-se-á à Eslovénia, Islândia, Espanha e Irlanda no boicote ao Festival Eurovisão da Canção do ano que vem se Israel estiver envolvido


A emissora holandesa AVROTROS anunciou que boicotará o Festival Eurovisão da Canção do ano que vem se Israel for incluído na competição, juntando-se assim à Eslovénia, Islândia, Espanha e Irlanda no boicote do evento caso a União Europeia de Radiodifusão (EBU) mantenha Israel na programação.

Num comunicado, a AVROTROS afirmou: “O Festival Eurovisão da Canção foi fundado em 1956 para unir as pessoas após um período de profunda divisão e guerra. Desde a sua criação, há setenta anos, a música tem sido o cerne do Concurso como uma força unificadora, tendo a paz, a igualdade e o respeito como seus valores fundamentais.” No entanto, a emissora continuou afirmando que “não poderia mais justificar a participação de Israel na situação atual, dado o severo e contínuo sofrimento humano em Gaza”.

Assim como a emissora irlandesa RTÉ, a declaração da AVROTROS também cita preocupações sobre a liberdade de imprensa e alegou que havia “evidências comprovadas de interferência do governo israelita” durante o concurso de 2025 , e afirmou que Israel usou o evento “como um instrumento político”.

E continuou: "O sofrimento humano, a supressão da liberdade de imprensa e a interferência política estão em desacordo com os valores da radiodifusão pública."

O anúncio da RTÉ desta semana também levantou preocupações sobre os ataques a jornalistas e a negação de acesso da mídia a Gaza.

No início desta semana, o Ministro da Cultura espanhol, Ernest Urtasun, pronunciou-se sobre a participação da Espanha no Festival Eurovisão da Canção do próximo ano. A Euronews Culture noticiou que a Espanha também ameaçou retirar-se do festival caso Israel seja mantido no alinhamento.

“Não acho que possamos normalizar a participação de Israel em eventos internacionais como se nada estivesse a acontecer”, disse Urtasun durante uma entrevista no programa La Hora de La 1, da TVE. “Não é um artista individual que participa, mas alguém que participa em nome dos cidadãos daquele país.”

Urtasun disse que se Israel participar em 2026 "e não conseguirmos expulsá-lo, medidas terão que ser tomadas" - conforme citado pelo jornal espanhol La Vanguardia  - e lembrou aos telespectadores que o primeiro-ministro espanhol Pedro Sánchez pediu anteriormente à EBU que banisse Israel da competição internacional.

Em maio, Sánchez pediu à UER que excluísse Israel, afirmando que "ninguém se mostrou contrariado" quando a Rússia foi banida de competições internacionais e da Eurovisão após a invasão da Ucrânia. Ele pediu que a mesma proibição fosse aplicada a Israel devido à guerra de Gaza.

Urtasun especificou que não é antissemita denunciar o “genocídio” que está ocorrendo em Gaza e descreveu Israel como um “governo genocida”.

A Eurovisão está envolvido em tensões políticas sobre a participação de Israel há dois anos, e os países mencionados juntam-se a mais de 70 ex-participantes da Eurovisão que assinaram uma carta aberta exigindo que Israel e a sua emissora nacional KAN sejam banidos do concurso. 

O vencedor do Eurovisão do ano passado, o cantor austríaco JJ, disse que também quer que Israel seja banido do Festival Eurovisão da Canção 2026.

A EBU estendeu o seu prazo de retirada sem penalidades até dezembro, quando uma decisão final sobre a participação de Israel é esperada na Assembleia Geral.

Desde o ataque do Hamas a cidadãos israelitas em 7 de outubro de 2023, vários especialistas em direitos humanos da ONU  declararam que as ações militares de Israel em Gaza equivalem a genocídio, com o Tribunal Internacional de Justiça considerando as alegações de genocídio plausíveis. 

No mês passado, a Classificação da Fase de Segurança Alimentar Integrada anunciou que a população da Faixa de Gaza está oficialmente enfrentando uma fome "provocada pelo homem" no território — apesar do que o governo israelita disse.

A edição de 70.º aniversário da Eurovisão acontecerá em Viena, Áustria. A final acontecerá em 16 de maio, após as semifinais em 12 e 14 de maio de 2026. Euronews.culture


segunda-feira, 27 de janeiro de 2025

Açores - Catarina Andrade transformou, na Irlanda, a saudade da sua terra em cosmética sustentável

Catarina Nascimento Andrade é a prova viva de como as raízes açorianas podem inspirar grandes projetos. Natural da ilha do Corvo, a mais pequena do arquipélago dos Açores, a jovem abraçou o mundo ao viver na Irlanda durante seis anos. No entanto, o chamamento das suas origens a trouxe de volta a Portugal, onde fundou a Sazorea, uma marca de cosmética sustentável que valoriza os recursos naturais dos Açores. Com dedicação e resiliência, Catarina transformou a saudade em inovação, criando um projeto que não só respeita a essência açoriana, mas também coloca as ilhas no mapa global da cosmética ética. O Bom Dia falou com a jovem empreendedora e partilha agora o seu interessante percurso que a levou a criar a Sazorea, abordando os desafios de empreender em Portugal e as lições aprendidas no regresso às suas origens



Para Catarina, a experiência de crescer na ilha do Corvo foi única, por ter sido uma vivência “tranquila e intimista” num lugar onde todos se conhecem e as relações interpessoais são muito próximas. “O isolamento geográfico do arquipélago faz com que nós, os açorianos, desenvolvêssemos um espírito de resistência, resiliência e autossuficiência, mas também de grande hospitalidade e união comunitária”, afirma Catarina. A ilha, com a sua paz e contacto direto com a natureza, proporcionou-lhe uma sensação de pertença e valores comunitários que marcaram a sua visão de vida e negócio.

O início

A ideia de criar a Sazorea surgiu do desejo de Catarina de representar os Açores e a sua cultura no mercado global da cosmética. O nome, o packaging e os ingredientes (criptoméria japónica, laurus azorica, gerânio, funcho e camellia japonica) da marca foram pensados para refletir a sua “açorianidade” e a proximidade com o mar. “Queria que tudo na marca fosse sobre os Açores, desde o nome, o packaging e os ingredientes”, explica a empreendedora, que viu na sua terra natal uma fonte de inspiração.

A experiência no estrangeiro

Catarina viveu na Irlanda entre 2015 e 2021, uma experiência que, apesar de difícil na adaptação, lhe permitiu ver os Açores sob uma nova perspetiva. “Saí de Portugal porque estava recém-formada e não conseguia encontrar emprego no nosso país”, recorda. Durante os anos na Irlanda, percebeu o valor das suas raízes: “quando estamos longe, aprendemos a valorizar mais o que é nosso”. A açoriana, formada em fisiologia cardíaca, trabalhou em hospitais, mas acabou por se sentir infeliz e desmotivada. Foi nesse momento que notou uma mudança drástica na sua pele, que se tornou seca, sem brilho e desequilibrada. Esse contexto levou-a a estudar cosmética e a criar fórmulas para cuidar da saúde da sua pele. Sem saber, em 2018, começou a dar os primeiros passos para a criação da sua marca.

Entretanto, obteve uma certificação como formuladora orgânica na Formula Botânica, uma escola do Reino Unido. Posteriormente, fez uma pós-graduação em Cosmetologia Avançada e, mais tarde, concluiu um mestrado em Ciências e Dermofarmácia.

Deixar tudo para trás

A perda repentina da sua avó e, um ano depois, do seu avô, fez com que Catarina questionasse toda a sua vida. “Tudo era demasiado breve. Estes acontecimentos devastadores foram a chama que acendeu de novo a minha paixão adormecida, fez perder o medo de sair da zona de conforto e perceber que a vida deveria ser sobre quem queremos ser e seguir a nossa intuição”. Era hora de voltar aos Açores para seguir o seu sonho.

Disciplina e resiliência

Criar a Sazorea não foi tarefa fácil. Catarina teve de conciliar os estudos em cosmética, o trabalho no hospital (na Irlanda) e o desenvolvimento da sua marca, um equilíbrio exigente que a obrigou a desenvolver a sua capacidade de gestão. “Foram tempos muito exigentes e que me obrigaram a ter muita disciplina e resiliência e, acima de tudo, a nunca perder o foco.” Os desafios ao iniciar o negócio foram muitos, incluindo a burocracia e a procura por financiamentos e parceiros. A escolha de ingredientes exclusivamente açorianos também representou um desafio. Catarina procurou produtores locais que pudessem fornecer os extratos naturais desejados, garantindo sempre a sustentabilidade na exploração dos recursos. “Estudando as plantas e percebendo o que poderíamos extrair de cada uma, foi só uma questão de encontrar os produtores que nos pudessem fornecer os extratos que queríamos”, sublinha.

Compromisso com o meio ambiente

A Sazorea é uma marca que coloca a sustentabilidade como um valor central. Catarina explica que o conceito da marca é minimalista, visando evitar o desperdício e concentrar o máximo benefício em cada produto. “Adotamos um conceito minimalista de skincare, que evita o desperdício de produtos e excesso dos mesmos.” Além disso, as embalagens são recicláveis e feitas com materiais reciclados, e a marca ainda colabora com a One Tree Planted, plantando uma árvore para cada produto vendido.

Para a empreendedora, o conceito de “clean beauty” vai além dos produtos: “Somos completamente próximos da nossa comunidade e transparentes sobre os nossos ingredientes e as nossas práticas. A nossa principal preocupação é enfatizar o cuidado com a pele e a saúde.”

Reconhecimento nacional e internacional

O produto mais popular da Sazorea é o sérum regenerador “The Wonder Complexion”, que tem conquistado os consumidores. Catarina e a sua equipa encontram-se a trabalhar em novos produtos. Para já, o feedback dos consumidores tem sido muito positivo: “O feedback que nos chega dos açorianos é de orgulho ao ver uma marca de skincare ter origem nas ilhas e estar a fazer sucesso nacional e também já internacional.”

Próximos passos

Os próximos passos para a Sazorea incluem afirmar-se no mercado de cosmética de nicho em Portugal e consolidar a sua expansão internacional. Catarina acredita que a marca pode tornar-se um “símbolo dos Açores” no mundo, associando o nome da marca à identidade açoriana. “Gostava muito que ficasse na história como a marca mais internacional com origem nos Açores”, assume.

Inspiração e conselhos

A jovem encontra inspiração nos Açores e nos seus avós, que sempre lhe incutiram os valores de autenticidade, transparência e superação. “Os meus avós sempre me fizeram acreditar que somos capazes de criar a nossa própria história.” Para aqueles que desejam empreender, especialmente aqueles ligados às suas raízes, Catarina deixa um conselho claro: “Se em algum momento tiverem uma ideia da qual não conseguem desistir de pensar, para seguirem o vosso instinto. Deus não coloca sonhos na nossa vida que não consigamos realizar.” A açoriana reforça ainda que, apesar das dificuldades e dos momentos solitários, o mais importante é manter o foco no objetivo e nunca desistir. “Se queremos viver o melhor do negócio, é com o pior que nos moldamos.”

Para a comunidade portuguesa no estrangeiro que pensa em voltar às suas origens para empreender, Catarina deixa uma mensagem de confiança. “Que o façam. Em Portugal temos capacidade para criar, inovar e produzir com qualidade.” O exemplo de Catarina é um testemunho de como as raízes podem ser uma fonte poderosa de inspiração para quem deseja criar algo único e bem-sucedido. Fabiana Bravo – Portugal in “Bom dia Europa”


sexta-feira, 17 de janeiro de 2025

Irlanda - Dulce Maria Cardoso nomeada para Prémio Literário de Dublin com romance "Eliete"

A escritora portuguesa Dulce Maria Cardoso está nomeada para o Prémio Literário de Dublin com o seu romance "Eliete - A vida normal", o único candidato lusófono entre os 71 livros escolhidos para a 'longlist' do galardão, anunciou a organização



Dulce Maria Cardoso é nomeada com a tradução de Ángel Gurría-Quintana para inglês de "Eliete", o último romance da autora, publicado em 2018 pela Tinta-da-China, que venceu o Prémio Oceanos em 2019 e foi finalista do Prémio Femina em 2020.

“Eliete – A vida normal” centra-se numa mulher de meia idade, caracterizada pela mediania em tudo, casada e mãe de duas filhas, agente imobiliária, que se sente insatisfeita com a vida e com o casamento, e que, na procura de mudança – vontade desencadeada na sequência da hospitalização da avó, com sinais de Alzheimer – vira-se para as conquistas através da Internet e das redes sociais, que no romance têm um papel central.

A obra foi indicada ao prémio de Dublin pelas Bibliotecas de Lisboa, de acordo com o comunicado da organização, a cargo do município de Dublin.

Este prémio literário tem um valor monetário de 100 mil euros, que é classificado como o maior montante atribuído a um livro de ficção publicado em inglês num dado ano. Se o livro for traduzido, o autor recebe 75 mil euros e o tradutor os restantes 25 mil.

A lista dos 71 nomeados por bibliotecas de 34 países inclui 26 obras traduzidas e 16 romances de estreia, indica a organização.

O júri é presidido pelo professor universitário Chris Morash e composto por Gerbrand Bakker, Martina Devlin, Fiona Sze-Lorrain, Leonard Cassuto e Nidhi Zak/Aria Eipe.

O próximo passo será a escolha dos finalistas, cujos nomes serão conhecidos no dia 25 de março, e, finalmente, o livro vencedor será anunciado pela presidente da Câmara Municipal de Dublin, Emma Blain, no dia 22 de maio de 2025, no âmbito do Festival Internacional de Literatura da cidade. In “Sapo Mag” – Portugal com “Lusa”


sexta-feira, 11 de outubro de 2024

Macau - Considerado o segundo território mais rico do mundo, o primeiro lugar pertence ao Luxemburgo

Macau ficou em segundo lugar da lista dos países e territórios mais ricos do mundo, compilada pela revista Forbes. A lista é feita com base no cruzamento dos valores do PIB per capita com os valores da Paridade de Poder de Compra (PPC) e diz que esse índice na RAEM é agora de 134,140 dólares norte-americanos. O primeiro lugar desta lista pertence ao Luxemburgo


Macau é o segundo território mais rico do mundo, segundo a lista compilada pela Forbes, estando apenas atrás do Luxemburgo. A lista, que tem por base o cruzamento dos valores do PIB per capita com os valores da Paridade de Poder de Compra (PPC) de cada economia mundial, estimado pelo Fundo Monetário Internacional (FMI), foi divulgada ontem pela revista.

Macau está, então, na segunda posição, com 134,140 dólares norte-americanos e com um crescimento anual do PIB na ordem dos 13,9%, constata a Forbes. O Luxemburgo supera Macau com 143,740 dólares, apesar do crescimento anual de 1,3%.

A Forbes detalha que Macau tem, neste momento, um PIB de 54,68 mil milhões de dólares norte-americanos e uma população de 695,168 pessoas. A riqueza de Macau “provém principalmente dos seus mais de 40 casinos, o que a torna um dos principais destinos turísticos do mundo. Macau foi a primeira e última colónia europeia na Ásia”, descreve a Forbes, acrescentando que, “apesar de ter sofrido um tremendo golpe durante a crise da Covid-19 devido às restrições de viagem e aos frequentes confinamentos, a economia está a recuperar rapidamente graças à sua abordagem capitalista distinta, que difere das leis da China continental”.

Neste ranking, a Irlanda está na terceira posição, com a cifra de 133,900 dólares. Singapura e o Qatar fecham o top-5. Taiwan está em 14.º lugar e Hong Kong no 15.º.

No ano passado, um estudo levado a cabo pela revista Global Finance colocava Macau no quinto lugar dos territórios mais ricos do mundo. A RAEM ultrapassou o Qatar em 2014, e esteve em primeiro lugar até ser ultrapassada pelo Luxemburgo em 2019, caindo depois a pique durante a Covid-19 para 16.º lugar. Depois da reabertura das fronteiras, a posição de Macau voltou a subir, dizia a Global Finance na altura.

No mês passado, recorde-se, a Direcção dos Serviços de Estatística e Censos (DSEC) divulgou os resultados do Inquérito às Despesas e Receitas Familiares, que mostram que, em Macau, o rendimento médio mensal por agregado familiar, incluindo os rendimentos do emprego, os rendimentos de propriedade, as transferências monetárias e as transferências não monetárias, está actualmente nas 58.835 patacas. Já o rendimento mensal per capita – receita média mensal do agregado familiar dividida pelo número médio de membros por agregado -, situa-se nas 20.815 patacas. André Vinagre – Macau in “Ponto Final”


terça-feira, 23 de janeiro de 2024

Irlanda - Mia Couto nomeado para prémio de Dublin

O escritor moçambicano Mia Couto está entre os 70 nomeados para o Prémio Literário de Dublin, na Irlanda, um galardão internacional que anualmente distingue uma novela escrita em inglês ou traduzida para aquele idioma.

No certame, que visa promover a excelência na literatura mundial e patrocinado unicamente pela cidade de Dublin, Mia Couto entra na lista com a tradução de David Brookshaw para inglês de “O Bebedor de Horizontes”, terceiro livro da trilogia “As Areias do Imperador”, escreve o “Notícias”.

A versão inglesa de “O Bebedor de Horizontes” foi publicada em Fevereiro do ano passado pela editora norte-americana Farrar Strauss and Giroux. A obra de Mia Couto foi indicada pela Biblioteca Nacional de Moçambique.

O livro foi classificado entre os romances africanos mais notáveis publicados em língua inglesa durante 2023, pela “Brittle Paper”, uma revista “on-line” especializada na divulgação da literatura africana. Isto acontece depois de, em 2022, a mesma obra ter conquistado o prémio internacional Jan Michalski, refere a mesma fonte.

Na obra, o autor retrata a saga final do imperador Gungunhana, o derradeiro grande governante de um império na África no século XIX. Aqui, os prisioneiros do oficial Mouzinho de Albuquerque embarcam no cais de Zimakaze num barco que parte em direcção ao posto de Languene. De lá, seguem para o estuário do Limpopo e então iniciam a viagem marítima que conduz os africanos capturados para um distante e eterno exílio, numa das ilhas dos Açores, em Portugal. In “O País” - Moçambique


terça-feira, 26 de dezembro de 2023

Macau - Estudo coloca a RAEM no quinto lugar das regiões mais ricas do mundo

A revista Global Finance publicou um estudo onde Macau aparece em quinto lugar dos territórios com maior PIB per capita do mundo. Em 2023, a RAEM subiu no ranking, ficando apenas atrás de outros pequenos territórios com grandes economias como a Irlanda, o Luxemburgo, Singapura e o Qatar


A RAEM ultrapassou o Qatar em 2014, e esteve em primeiro lugar até ser ultrapassado pelo Luxemburgo em 2019, caindo depois a pique durante a Covid-19 para 16.º lugar. Isto até as fronteiras reabrirem e chegarmos a 2023: Macau, apesar de ter vivido vertiginosas oscilações, está agora no 5.º lugar das regiões mais ricas do mundo, revelou um estudo elaborado pela revista financeira Global Finance.

O estudo, que analisa o Produto Interno Bruto (PIB) per capita e o cruza com os valores da Paridade de Poder de Compra (PPC), que leva em consideração a inflação e custo de vida local, refere que o território este ano capitalizou em 89,558 dólares norte-americanos. “Há apenas alguns anos, muitos apostavam que a Las Vegas da Ásia estava a caminho de se tornar na região mais rica do mundo”, recordou o mesmo artigo, acrescentando que a “região administrativa especial da República Popular da China tem visto a sua riqueza crescer a um ritmo espantoso”.

O mesmo texto comentou que a região se tornou numa “máquina de fazer dinheiro”, até a máquina “começar a perder dinheiro em vez de o ganhar” durante a pandemia. Nessa altura, com o fecho das fronteiras, “Macau chegou mesmo a sair do ranking dos dez países mais ricos”, lembrou. No entanto, a RAEM está “lentamente a regressar à normalidade”, mesmo apesar de, curiosamente, ter sido o único país da lista com um actual poder de compra per capita inferior ao da pré-pandemia: em 2019, este era de cerca de 125 mil dólares em 2019, e agora, em 2023, ainda tem uma redução de mais 35 mil dólares.

Em primeiro lugar da classificação, está a Irlanda, com um PIB/PPC per capita de 145.196 dólares, seguida de perto pelo Luxemburgo, com 142.490 dólares. A cidade-Estado de Singapura ocupa o terceiro lugar, com 133.895 dólares, e o Qatar o quarto lugar com 124.848 dólares. Quanto a Hong Kong, a região vizinha ficou em 12.º lugar, com 74.598 dólares. A China ficou classificada em 77.º lugar (23.382), e Portugal em 45.º lugar (44,708).

De acordo com os Serviços de Estatística e Censos, o PIB de Macau registou uma expansão anual de 116,1% no terceiro trimestre de 2023. Este crescimento foi impulsionado pelas exportações de serviços, nomeadamente nos sectores do jogo e do turismo, que registaram taxas de crescimento de 781,4% e 255,4%, respectivamente. A produção económica global da cidade para os primeiros três trimestres de 2023 voltou a 77,4% em comparação com o mesmo período de 2019.

A Associação Económica de Macau afirmou há um mês que as perspectivas da economia de Macau “continuam a ser positivas” e que o desempenho económico global de Macau para este ano poderá ser ainda melhor do que a previsão feita recentemente pelo Fundo Monetário Internacional (FMI), em que se antevê que a taxa de crescimento do PIB para 2023 seja superior a 74,4%, atingindo 38,48 mil milhões de dólares, o que corresponde a 69,7% dos 55,21 mil milhões de 2019. A organização internacional estimou ainda que o PIB de Macau só ultrapasse o nível pré-epidémico em 2025. Rita Gonçalves – Macau in “Ponto Final”


domingo, 9 de abril de 2023

Portugal - Vai ter uma pioneira plataforma eólica offshore flutuante

Uma das riquezas do país é o mar. Águas profundas, agitadas, marés agressivas e atmosfera ventosa, um potencial cada vez mais apetecido pelas empresas que se dedicam aos projetos de captação das energias renováveis. Falámos há dias num projeto para retirar energia das ondas, o CorPower C4. Hoje trazemos aquela que será a pioneira plataforma eólica offshore flutuante


Produção de energia eólica na costa de Portugal

A Gazelle Wind Power, é uma empresa de desenvolvimento de plataformas eólicas offshore flutuantes sediada em Dublin. A companhia está a associar-se à empresa portuguesa de desenvolvimento de energias renováveis WAM Horizon para pilotar a sua plataforma em Portugal. O nosso país pretende atingir 10 gigawatts (GW) de energia eólica offshore até 2030.

A Gazelle diz que a sua plataforma eólica flutuante offshore, concebida para águas profundas, é tanto modular como escalável, pelo que o fabrico e a montagem são rentáveis e eficientes.

Os seus componentes são menores e leves, reduzindo a necessidade de espaço em portos e estaleiros, e isso minimiza a necessidade de gruas. A infraestrutura portuária existente pode ser utilizada para desenvolver a plataforma da Gazelle quando esta for comercializada no futuro.

A empresas irlandesa diz que o design geométrico da sua plataforma tem menos de cinco graus, e "um passo de menos de 10 graus significa menos desgaste, menos manutenção e uma vida útil mais longa para o gerador de turbina eólica, o que se traduz em mais produção de energia e maior ROI".

A WAM Horizon, uma empresa portuguesa, tem uma vasta experiência na região. Adelino Costa Matos, presidente da WAM Horizon, esteve envolvido no primeiro projeto eólico flutuante comercial de grande escala em Portugal, o WindFloat Atlantic de 25 MW, o primeiro do seu género no país. Matos é também diretor não executivo no conselho de administração da Gazelle.

“O design inovador por detrás da plataforma Gazelle torna-a uma solução muito promissora para conduzir a indústria eólica offshore para o futuro, apoiando a visão a longo prazo da WAM Horizon para permitir a eólica offshore em grande escala. Estamos ansiosos por continuar a trabalhar com a equipa da Gazelle para fazer avançar este projeto-piloto e ter um impacto na transição de energia limpa.” Afirmou Adelino Costa Matos. In “Pplware Sapo” - Portugal


domingo, 15 de janeiro de 2023

Irlanda - Português João Pombeiro cria vídeo dos U2

O artista multimédia português João Pombeiro é o autor do vídeo promocional dos U2 e do seu próximo álbum “Songs of Surrender”


É João Pombeiro, especialista na animação, que faz a colagem de imagens naquela espécie de tabela cronológica em movimento dos U2, que cruza as várias fases da banda com acontecimentos das respetivas épocas, num biograma de um minuto ao som da nova versão de ‘Beautiful Day’.

Foi a editora dos U2, Island Records, que contactou o criativo português. Os U2 aprovaram entusiasticamente o vídeo, tendo enviado uma mensagem ao português.

Os U2 vão lançar o álbum de 40 versões de originais seus, “Songs of Surrender” a 17 de março, na sequência do livro de memórias de Bono, “Surrender: 40 Songs, One Story”, que saiu em novembro. In “Bom dia Europa” - Luxemburgo


sábado, 9 de outubro de 2021

Portugal - Maior central solar vai ser inaugurada

A central algarvia vai ser inaugurada ao fim de quatro anos de construção e vai ter a capacidade para abastecer uma cidade com 200 mil habitantes. Esta é a maior central da Europa sem tarifa subsidiada


A maior central solar fotovoltaica em Portugal vai ser inaugurada hoje, sábado 9 de outubro. Localizada em Alcoutim, distrito de Faro, a Solara 4 tem uma capacidade instalada de 220 megawatts (MW) espalhados por uma área descontínua de 320 hectares.

A central localizada em Martim Longo vai ter a capacidade para abastecer anualmente uma cidade com 200 mil habitante, por exemplo, cidades como Braga (181 mil) ou a Amadora (175 mil).

A primeira pedra do projeto foi lançada em 2017, e o projeto contava então com a participação da China Triumph International Engeneering (CTIEC), mas os chineses saíram e o projeto foi concluído pelos irlandeses da WeLink que estão no projeto desde o início.

“A central vai entrar em plena operação nos próximos dias”, disse ao JE Hugo Paz, o diretor da central, explicando que o arranque da produção das centrais solares decorre sempre de forma gradual.

O investimento inicial previsto estava nos 200 milhões de euros, mas a WeLink revela que ficou abaixo deste valor, apontando que o “valor foi otimizado”.

A WeLink chegou a pensar fazer uma entrada em serviço faseada da central: à medida que ia concluindo a construção de blocos, arrancava com a operação destes. Mas essa ideia foi colocada de parte, e a empresa preferiu esperar para arrancar a 100% com a central completamente concluída.

Hugo Paz revela que o “projeto esteve em dificuldades” apontando que a pandemia da Covid-19 “afetou bastante” a construção da central, que esteve interrompida durante algum tempo. “Ninguém sabia o que era o Covid. Decidimos suspender por algum tempo as atividades”.

Esta central não tem direito a tarifas subsidiadas, e foi por isso que quando o preço da energia em março de 2020 afundou, causado pela paragem económica, a WeLink temeu pela rentabilidade do projeto, pois tem de vender a tarifa em mercado. “Isso gerou desconforto para os investidores. Houve um momento difícil. Felizmente, isso foi ultrapassado”, afirma Hugo Paz.

Numa altura em que os preços da eletricidade atingem recordes sucessivos no mercado grossista ibérico, devido à escala dos preços do gás natural e das licenças de emissão de CO2, a WeLink considera que a entrada em operação desta mega-central solar é uma boa notícia. “Esta energia é mais barata, principalmente quando se compara com o gás natural”.

Para o futuro, Hugo Paz considera que a Solara4 “tem potencial para ser melhorada. Há aqui bastante potencial a explorar”.

“O objetivo é melhorar esta central com a incorporação do sistema de armazenagem. Temos de estudar este tema e encontrar o modelo económico ideal”, aponta o responsável da WeLink.

Recorde-se que a WeLink também foi responsável pela construção da Ourika, central solar localizada em Ourique, distrito de Beja, e atualmente a maior central solar em operação em Portugal, com 46 megawatts (MW), e sem o subsídio da produção. A central foi vendida pelos irlandeses em 2018 aos alemães da Allianz Capital Partners.

Questionado se a WeLink está interessada em vender a Solara4, Hugo Paz limita-se a responder que o “ativo é muito apetecível” e que os “mercados é que têm de falar”, rejeitando fazer mais comentários.

A Solara4 conta com mais de 660 mil painéis instalados e uma potência de injeção na rede limitada a 200 MVA. A central conta ainda com 40 postos de transformação e 125 inversores com a potência disponível de 1 600 kVA e está “ligada à rede elétrica de serviço público através da Subestação de Tavira, através de uma linha de serviço particular de 400 kV que liga a central à subestação”, disse a Direção-Geral de Energia (DGEG) no comunicado em meados de setembro quando anunciou que a central já tinha obtido a sua licença de exploração. A central obteve uma Avaliação de Impacto Ambiental favorável.

“Este tipo de infraestruturas é essencial para Portugal alcançar o desiderato da promoção da descarbonização do setor energético e contribuí para as metas de energias renováveis previstas alcançar no PNEC 2030, representando mais de 1,3% desse esforço no que se refere à nova capacidade renovável do setor electroprodutor. A sua exploração vai evitar anualmente a emissão de 177 mil toneladas de CO2 e permitirá abastecer de eletricidade o equivalente ao consumo de 200,000 casas”, disse a DGEG em comunicado a 17 de setembro. In “Jornal Económico” - Portugal



quinta-feira, 18 de junho de 2020

CPLP - Embaixadores deram aval à entrada da Índia e Irlanda como observadores



Lisboa – Os representantes dos Estados-membros da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) deram o aval aos processos de candidatura da Índia e Irlanda a observadores associados, o que será depois avaliado na cimeira da organização.

“Registamos com apreço os pedidos da Irlanda e da Índia”, afirmou o embaixador de Cabo Verde, país que detém a presidência rotativa da CPLP, após uma reunião do Comité de Concertação Permanente (CCP), que reúne os representantes dos Estados-membros da organização.

Agora, a decisão sobre a entrada dos dois países como observadores associados compete aos chefes de Estado e de Governo, que deverão reunir-se na cimeira da CPLP, prevista para Julho do próximo ano em Luanda, Angola.

“O CCP deu o aval para se prosseguir com os processos de candidatura da Índia e da Irlanda a países observadores associados” e “sem nenhuma objecção”, reforçou Eurico Monteiro.

No total, com estes dois países, já serão 11 as candidaturas a observadores associados que irão à próxima cimeira: Estados Unidos da América, Espanha, Índia, Irlanda, Grécia, Costa do Marfim, Peru, Qatar, Roménia, Organização Europeia de Direito Público (EPLO, na sigla em inglês) e Secretaria-geral Ibero-Americana.

A manifestação de interesse da Índia foi apresentada em Maio último e a da Irlanda em Abril, adiantaram fontes diplomáticas à Lusa.

Em Dezembro de 2019, o primeiro-ministro português, António Costa, afirmou à agência Lusa que o seu homólogo indiano, Narendra Modi, lhe comunicou a decisão da Índia de requerer o estatuto de país observador associado da CPLP.

“Estamos perante uma excelente notícia. Tenho a certeza que todos os países da CPLP irão acolher como muito positivo esse reconhecimento da parte da Índia sobre a importância geoestratégica, política e cultural de um espaço que percorre todos os continentes e que reúne cerca de 260 milhões de habitantes”, declarou na altura o primeiro-ministro português.

Já em Fevereiro deste ano, o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, pouco depois de ter aterrado em Nova Deli, também para uma visita de Estado àquele país, disse que a entrada da Índia na CPLP com o estatuto de membro associado iria concretizar-se na próxima cimeira da organização.

Os Estados que pretendam adquirir o estatuto de observador associado terão de partilhar os princípios orientadores da CPLP, designadamente no que se refere à promoção das práticas democráticas, à boa governação e ao respeito dos direitos humanos, e prosseguir através dos seus programas de governo objectivos idênticos aos da CPLP, mesmo que, à partida, não reúnam as condições necessárias para serem membros de pleno direito daquela organização, segundo o ‘sítio’ oficial daquela comunidade.

Os observadores associados podem participar, sem direito a voto, nas cimeiras e no conselho de ministros, sendo-lhes facultado o acesso à correspondente documentação não confidencial, podendo ainda apresentar comunicações desde que devidamente autorizados para o efeito. Além disso, podem ser convidados para reuniões de carácter técnico.

Porém, qualquer Estado-membro da CPLP poderá, caso o julgue oportuno, solicitar que uma reunião tenha lugar sem a participação de observadores.

Actualmente, a CPLP conta com 18 países observadores associados e uma organização, que é a OEI – Organização de Estados Ibero-Americanos.

Os Estados-membros da CPLP são Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Guiné Equatorial, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste. In “Inforpress” – Cabo Verde com “Lusa”

sexta-feira, 5 de junho de 2020

Índia e Irlanda pedem para ser observadores da CPLP

A Índia e a Irlanda formalizaram o pedido para se tornarem observadores associados da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), disseram à Lusa fontes oficiais da organização. A manifestação de interesse da Índia foi apresentada em maio último e a da Irlanda em abril, adiantaram as mesmas fontes



No próximo Comité de Concertação Permanente, o primeiro após o período de confinamento a que obrigou a pandemia de covid-19 em Portugal, previsto para 18 de junho, os representantes diplomáticos dos Estados-membros já deverão pronunciar-se em relação aos pedidos apresentados pelos dois países.

Em dezembro de 2019, o primeiro-ministro português, António Costa, afirmou à agência Lusa que o seu homólogo indiano, Narendra Modi, lhe comunicou a decisão da Índia de requerer o estatuto de país observador associado da CPLP.

“Estamos perante uma excelente notícia. Tenho a certeza que todos os países da CPLP irão acolher como muito positivo esse reconhecimento da parte da Índia sobre a importância geoestratégica, política e cultural de um espaço que percorre todos os continentes e que reúne cerca de 260 milhões de habitantes”, declarou na altura o primeiro-ministro português.

Já em fevereiro deste ano, o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, pouco depois de ter aterrado em Nova Deli, também para uma visita de Estado àquele país disse que a entrada da Índia na CPLP com o estatuto de membro associado iria concretizar-se na próxima cimeira de chefes de Estado e de Governo da organização, a realizar em Luanda, que na altura estava prevista para o início de setembro.

Agora, a pedido de Angola e na sequência da pandemia, a cimeira está prevista para julho de 2021.

O estatuto de observador foi criado na segunda cimeira da organização, na cidade da Praia, em julho de 1998, como resposta ao desejo da CPLP de alargar as colaborações extracomunitárias.

Em 2005, no Conselho de Ministros da CPLP, em Luanda, foram estabelecidas as categorias de observador associado e de observador consultivo.

Os Estados que pretendam adquirir o estatuto de observador associado terão de partilhar os respetivos princípios orientadores, designadamente no que se refere à promoção das práticas democráticas, à boa governação e ao respeito dos direitos humanos, e prosseguir através dos seus programas de governo objetivos idênticos aos da CPLP, mesmo que, à partida, não reúnam as condições necessárias para serem membros de pleno direito daquela organização, segundo o ‘sítio‘ oficial daquela comunidade.

Quanto às candidaturas, deverão ser “devidamente fundamentadas de modo a demonstrar um interesse real pelos princípios e objetivos da CPLP”, refere a organização, e serão apresentadas ao secretariado-executivo que, após apreciação pelo comité de concertação permanente (composto pelos embaixadores dos nove Estados-membros), as encaminhará para o Conselho de Ministros, o qual recomendará a decisão final a ser tomada pela cimeira de chefes de Estado e de Governo.

Se tudo correr como esperado relativamente à evolução dos processos das candidaturas agora em curso, na cimeira de Luanda mais 11 países deverão tornar-se observadores associados da CPLP.

Os observadores associados podem participar, sem direito a voto, nas cimeiras e no conselho de ministros, sendo-lhes facultado o acesso à correspondente documentação não confidencial, podendo ainda apresentar comunicações desde que devidamente autorizados para o efeito. Além disso, podem ser convidados para reuniões de caráter técnico.

Porém, qualquer Estado-membro da CPLP poderá, caso o julgue oportuno, solicitar que uma reunião tenha lugar sem a participação de observadores.

Atualmente, a CPLP conta com 18 países observadores associados e uma organização, que é a OEI – Organização de Estados Ibero-Americanos.

Os Estados-membros da CPLP são Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Guiné Equatorial, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste. In “Bom dia Europa” – Luxemburgo com “Lusa”

sexta-feira, 6 de março de 2020

Irlanda - Cientista portuguesa recebe prémio SFI President of Ireland Future Research Leaders Award para estudar produção mais sustentável da cevada


A investigadora portuguesa Sónia Negrão recebeu na passada segunda-feira, dia 2 de Março, em Dublin, o Prémio SFI President of Ireland Future Research Leaders Award das mãos do presidente da Irlanda, Michael D. Higgins.

O prémio é atribuído pela Science Foundation Ireland – SFI, em conjunto com o governante, com o objectivo de distinguir e reter 10 jovens cientistas que tenham alcançado resultados excepcionais na área das ciências e da engenharia.

Sónia Negrão é professora na University College Dublin e membro colaborador do centro de investigação português GREEN-IT – Biorecursos para a Sustentabilidade, coordenado pelo Instituto de Tecnologia Química e Biológica António Xavier da Universidade Nova de Lisboa.

A bióloga concluiu o seu Doutoramento no ITQB NOVA em 2008, na área de melhoramento de plantas. Em 2018 mudou-se para a Irlanda, onde desenvolve o projecto agora premiado.

Produção de cevada mais sustentável

“É uma grande honra receber este prémio do presidente Michael D. Higgins. Fico muito grata pelo reconhecimento do potencial da minha investigação”, diz Sónia Negrão.

O galardão, no valor de cerca de 1,5 milhões de euros, irá apoiar o seu projecto de desenvolvimento de estratégias para assegurar uma produção de cevada mais sustentável.

Alterações climáticas

As chuvas intensas, decorrentes das alterações climáticas, estão a afectar severamente a produção deste cereal, com um impacto significativo na indústria do malte. Esta cultura milenar é um ingrediente-chave para produção de cerveja e whisky, importantes produtos para a economia irlandesa e mundial.

Através do desenvolvimento de tecnologia que alia técnicas de genética com a utilização de drones e inteligência artificial, a investigadora pretende recuperar características que as variedades mais antigas de cevada apresentavam e que as tornavam mais resistentes a estas condições ambientais.

“Espero continuar a contribuir para uma produção de cevada capaz de fazer face às alterações climáticas, e fortalecer a imagem internacional da Irlanda na Investigação em Plantas”, diz Sónia Negrão.

Prémio SFI President of Ireland Future Research Leaders Award

O prémio SFI President of Ireland Future Research Leaders Award distingue investigadores em início de carreira que estejam a trabalhar na Irlanda e que se destaquem pela sua investigação e avanços científicos e tecnológicos de excelência.

“Reconhecemos a importância e o papel da ciência em fortalecer a capacidade de inovação e colaboração na construção de um futuro melhor”, salienta o presidente Michael D. Higgins. Os 10 investigadores premiados receberão um total de 15 milhões de euros que poderão executar em cinco anos, e que apoiarão o recrutamento de mais de 40 cientistas para os projectos de investigação.

“É com muito gosto que premiamos cientistas que optaram por desenvolver a sua investigação na Irlanda. Queremos apoiar e impulsionar a inovação dos líderes do futuro e ajudar a Irlanda e o mundo a enfrentar os desafios actuais, das alterações climáticas ao envelhecimento saudável e à compreensão do universo”, acrescenta Ruth Freeman, directora da SFI. In “Agricultura e Mar Actual” - Portugal

terça-feira, 7 de janeiro de 2020

Portugal - EMPATIA, o programa que pretende promover o bem-estar dos estudantes-atletas pré-universitários

Em Portugal, as práticas rígidas implementadas nas escolas do ensino básico e secundário podem constituir um obstáculo à prática desportiva de alta competição dos seus estudantes. A conclusão é de um estudo realizado por investigadores da Faculdade de Ciências do Desporto e Educação Física da Universidade de Coimbra (FCDEF-UC) no âmbito do projeto europeu EMPATIA, acrónimo de Education Model for Parents of Athletes in Academics.

Financiado pelo programa Erasmus+ - programa europeu que apoia a educação, a formação, a juventude e o desporto -, o EMPATIA pretende contribuir para a melhoria do bem-estar dos estudantes pré-universitários que estão envolvidos no desporto de elite, propondo um programa educacional para os pais e encarregados de educação desses atletas.

Além da equipa de Coimbra, o projeto envolve investigadores das universidades de Roma (Itália), Limerick (Irlanda) e Liubliana (Eslovénia), e tem como parceiros o Instituto Nacional do Desporto de França, o Comité Olímpico Nacional de Itália, a Associação Europeia do Desporto Universitário (EUSA) e o Ginásio Clube Figueirense (Figueira da Foz).

Para desenvolver este programa educacional, cada país participante realizou um estudo junto de pais e encarregados de educação, de modo a efetuar um diagnóstico da situação dos estudantes-atletas pré-universitários na Europa, isto é, identificar os entraves à prática desportiva e as medidas que podem ser adotadas para melhor conciliar o estudo com o desporto de elite, promovendo o sucesso na relação família-estudo-desporto.

Em Portugal, com o apoio do Ginásio Clube Figueirense, o estudo envolveu 101 pais e encarregados de educação de atletas de várias modalidades desportivas de alta competição. De um modo geral, «os pais relataram que o maior entrave à prática desportiva de elite é a própria escola, que não compreende as necessidades específicas dos estudantes-atletas. Certas práticas escolares desvalorizam de alguma forma a participação de estudantes em programas de desporto de alta competição», descreve um dos investigadores do estudo português, Carlos Gonçalves. 

Apesar de Portugal «ter uma legislação bastante avançada em comparação com os outros países participantes no projeto (Eslovénia, Irlanda e Itália), falha na sua aplicação efetiva. Portugal poderia ser um país modelo nesta matéria se a legislação passasse para uma prática social», salienta.

Quando questionados sobre as medidas que consideravam cruciais para o desenvolvimento dos seus filhos e filhas como estudantes e como atletas de elite, «os pais referiram essencialmente a necessidade de informação, porque, muitas vezes, desconhecem os seus direitos», afirma o docente e investigador da FCDEF.

A partir da informação coligida em cada um dos países envolvidos no estudo, foi possível avançar para a elaboração de um programa de formação e informação para pais e encarregados de educação de estudantes-atletas do ensino básico e secundário. «Estamos a trabalhar diferentes conteúdos que permitam auxiliar os pais a lidar melhor com as várias dimensões da questão, porque a prática desportiva é extremamente disruptiva para a vida familiar a vários níveis: para o casal, para os irmãos mais velhos ou mais novos que são afetados pela vida do atleta - horários de refeições, horários de treino, transportes, gastos financeiros, etc.», exemplifica Carlos Gonçalves.

Fundamentalmente, acrescenta o investigador, este programa educacional «propõe uma abordagem holística para o desenvolvimento e bem-estar do estudante-atleta, integrando conteúdos que permitem conhecer os riscos psicossociais envolvidos na prática desportiva de elite e formas de os minorar. É um programa que ajudará os pais, mas também professores, treinadores e mesmo decisores políticos, a entender e a gerir de forma adequada a vida dos estudantes-atletas».

O EMPATIA está em fase de conclusão e deverá começar a ser testado no próximo mês de fevereiro com grupos de pais e encarregados de educação de Portugal, Eslovénia, Irlanda e Itália. Depois será traduzido para várias línguas, incluindo português, e disponibilizado gratuitamente numa plataforma Online.

Estima-se que, atualmente, mais de 15 mil estudantes portugueses do ensino básico e secundário estejam envolvidos em programas de desporto de especialização visando a elite. Em média, estes estudantes-atletas despendem 30 horas por semana na prática desportiva. Universidade de Coimbra “Faculdade de Ciências do Desporto e Educação Física” – Portugal