Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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quarta-feira, 19 de novembro de 2025

Angola - Primeira fábrica de produção de medicamentos é inaugurada este mês

A primeira fábrica de produção de medicamentos de Angola será inaugurada este mês na província do Huambo

A informação foi avançada pelo ministro de Estado para a Coordenação Económica, José de Lima Massano, terça-feira, durante a apresentação das principais linhas do Orçamento Geral do Estado para 2026, na Assembleia Nacional.

O OGE foi aprovado na generalidade com 118 votos a favor, 66 contra e duas abstenções, na Assembleia Nacional.

De acordo com o ministro de Estado, a inauguração desta unidade marca um passo decisivo no reforço da produção nacional de fármacos.

José de Lima Massano anunciou ainda que a primeira fase da fábrica de alumínios da Barra do Dande deverá entrar em funcionamento até ao final do ano. In “Jornal de Angola” - Angola


segunda-feira, 3 de novembro de 2025

Europa - Investigadores alertam para elevada contaminação das ribeiras urbana europeias por fármacos

Um estudo internacional, liderado pela Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC), revelou uma contaminação generalizada por fármacos nas águas de ribeiras urbanas europeias, incluindo as de Coimbra. A investigação, publicada na revista Journal of Hazardous Materials, está integrada no projeto OneAquaHealth e analisou 102 ribeiras situadas nas cidades de Benevento (Itália), Coimbra (Portugal), Ghent (Bélgica), Toulouse (França) e Oslo (Noruega).


Os resultados deste estudo apontam para a presença de 16 fármacos pertencentes a seis grupos terapêuticos, detetados em 91% dos locais de amostragem. Misturas de fármacos foram encontradas em 79% dos pontos analisados.

«Entre os compostos mais frequentes destacam-se os irbesartan e bisoprolol (anti-hipertensores), bem como carbamazepina (anticonvulsivo), identificado em mais de metade das ribeiras urbanas. O paracetamol apresentou maiores concentrações, enquanto irbesartan, bisoprolol e fluoxetina atingiram níveis recorde face ao reportado anteriormente na literatura científica», revela Fernanda Rodrigues, estudante de doutoramento da FCTUC.

Em Coimbra, foram detetados 14 fármacos nas ribeiras urbanas, com destaque para carbamazepina, irbesartan, losartan, atenolol e venlafaxina. «Um dos locais de amostragem da cidade apresentou 70% dos compostos analisados. As concentrações mais elevadas correspondem aos anti-hipertensores irbesartan e atenolol. Embora menos frequentes, quatro dos sete antibióticos testados também foram encontrados nas águas coimbrãs, um dado particularmente preocupante face à crescente resistência antimicrobiana, considerada uma das mais graves ameaças à saúde pública global», alerta Maria João Feio, investigadora do Centro de Ciências do Mar e do Ambiente (MARE) da FCTUC.

O estudo identificou diferenças estatísticas significativas entre os padrões de contaminação das cidades, com Coimbra e Oslo a apresentarem níveis mais baixos. No caso português, a presença de fármacos foi estatisticamente associada à condição morfológica e ecológica das ribeiras e ao grau de impermeabilização urbana. Segundo os investigadores, estes resultados demonstram que a poluição não depende apenas do consumo de medicamentos, mas também da qualidade ecológica e do estado de conservação dos ecossistemas ribeirinhos.

«Esta investigação evidencia a necessidade urgente de restaurar os ecossistemas de água doce e de implementar novas tecnologias de remoção de fármacos nas estações de tratamento de águas residuais. Estas medidas são essenciais para reduzir o impacto destes contaminantes nos rios e ribeiras urbanos e alinhar a gestão da água com os princípios da Saúde Única (One Health) – uma abordagem integrada que liga a saúde humana, animal e ambiental», concluem os especialistas.

O trabalho foi liderado por Fernanda Rodrigues e Maria João Feio, coordenadora do projeto OneAquaHealth, e contou com a participação de Ana R. Calapez, André Pereira, Liliana Silva, Janine Silva, Luísa Durães e Nuno Simões, com o envolvimento dos departamentos de Ciências da Vida, Engenharia Civil e Engenharia Química da FCTUC e da Faculdade de Farmácia. Universidade de Coimbra - Portugal


segunda-feira, 18 de novembro de 2024

Portugal - Estudo da Universidade de Coimbra conclui que ribeiras urbanas estão poluídas por fármacos

Um estudo liderado por investigadores da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC), em colaboração com a Faculdade de Farmácia da UC (FFUC), concluiu que as ribeiras urbanas estão poluídas por uma grande diversidade de fármacos, afetando organismos aquáticos e processos ecológicos.

 

«A revisão de literatura mostrou que ribeiras urbanas, para além dos rios, são um ecossistema de água doce crítico quando se trata da ocorrência de fármacos. Estas atravessam zonas muito urbanizadas e dado o seu pequeno volume de água e fraca capacidade de diluição podem ficar altamente poluídas, levando depois esses poluentes para os rios principais», alerta Maria João Feio, investigadora do Departamento de Ciências da Vida (DCV) da FCTUC e do Centro de Ciências do Mar e do Ambiente (MARE). 

Esta investigação, publicada na prestigiada revista Water Research, teve como objetivo perceber o estado de contaminação de ribeiras urbanas por fármacos e os seus impactos no ecossistema e nos organismos aquáticos. Assim, os especialistas realizaram uma revisão bibliográfica de estudos científicos realizados em todo o mundo.

«Neste trabalho registámos, em 49 ribeiras urbanas, a presença de 139 fármacos, pertencentes a dez grupos terapêuticos, em 13 países de quatro continentes, com predominância de anti-inflamatórios e anticonvulsivos. Metabolitos dos fármacos foram também detetados, mas mais raramente analisados», revela Fernanda Rodrigues, estudante de doutoramento em Engenharia do Ambiente. 

A equipa de investigação detetou fármacos como diclofenaco, ibuprofeno e paracetamol (analgésicos, anti-inflamatórios, antipiréticos e anestésicos); claritromicina e eritromicina (antibióticos, antifúngicos e antipruriginosos); fluoxetina e citalopram (psicofármacos); estrona, 17β-estradiol e etinilestradiol (hormonas); e genfibrozila (reguladores lipídicos).

Em Portugal, foram estudadas três ribeiras urbanas tendo sido detetado nas águas o total de oito fármacos. Observou-se ainda, numa das ribeiras, um alto risco para os invertebrados aquáticos devido a um antidepressivo, a fluoxetina.

De acordo com as especialistas, «os efeitos nos organismos aquáticos e processos ecológicos foram variados, desde bioacumulação, desregulação endócrina, crescimento deficiente, inibição de reprodução, aumento da mortalidade e distúrbios de eclosão até alterações morfológicas e diminuição da produção primária bruta e de biomassa».

Este estudo trouxe uma visão global sobre a questão dos fármacos em ribeiras urbanas. A investigação mostrou ainda a necessidade de investir em novos estudos, nomeadamente em Portugal e na Europa, onde a equipa está a investigar esta questão. «Perceber como chegam estes fármacos aos ecossistemas ribeirinhos, de forma a minimizar a sua entrada, e conseguir eliminar estes poluentes da água é essencial para salvaguardar a saúde dos ecossistemas e organismos aquáticos, mas também a saúde humana, numa abordagem One Health (Uma Só Saúde)», terminam.

O artigo científico “Pharmaceuticals in urban streams: A review of their detection and effects in the ecosystem” contou ainda com a participação dos investigadores Luísa Durães, Nuno Simões, André Pereira e Liliana Silva. Universidade de Coimbra - Portugal


quinta-feira, 1 de agosto de 2024

Portugal - Desenvolvido tratamento inovador que remove fármacos das águas residuais através da biofiltração da amêijoa asiática

Um grupo de investigadores da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC), em colaboração com a Faculdade de Farmácia (FFUC), desenvolveu um tratamento inovador que utiliza a biofiltração da amêijoa asiática para remover fármacos das águas residuais.

Este trabalho está a ser desenvolvido no âmbito do projeto Development of biofiltration strategies for water recovery (BIOFREE), um dos vencedores da 4.ª edição dos Prémios Projetos Semente de Investigação Científica Interdisciplinar da Universidade de Coimbra.

«Este projeto pretende tirar partido da amêijoa asiática, dando-lhe uma aplicação e, simultaneamente, ajudar no seu combate, uma vez que é uma espécie invasora. O objetivo é remover fármacos presentes nas águas residuais permitindo a sua reutilização mais segura», esclarece João Gomes, investigador do Centro de Engenharia Química e Recursos Renováveis para a Sustentabilidade (CERES) do Departamento de Engenharia Química (DEQ).

Até ao momento, «fizemos quatro ensaios laboratoriais em que testámos a eficácia deste processo por 24 e 48 horas e também com amêijoa reutilizada. Detetámos 17 compostos pertencentes a seis grupos fármaco-terapêuticos diferentes, sendo que onze foram removidos com sucesso pelas amêijoas», revela André Pereira, docente da FFUC.

De acordo com os investigadores do projeto, não há uma diferença considerável ao nível dos tempos testados. «Obtivemos uma média de remoção de 44% em 24 horas e em 48 horas a percentagem é de 46, ou seja, o aumento de tempo não promoveu diferenças significativas. Apesar de parecer abstrato, é bom, pois implica que o volume de água a reter no tratamento seja menor. Este sistema funciona claramente bem», asseguram.

Segundo João Gomes, «o grande desafio foi construir um biofiltro eficiente que permita que a amêijoa fique retida, pois como espécie invasora convém que não haja libertação desta para o meio ambiente, apenas da água tratada», desvenda.

Com este projeto pretende-se prevenir futuros problemas ambientais, mas também de saúde animal e humana. Para André Pereira, não é possível dissociar a saúde animal da humana e ambiental. «A questão dos fármacos é um bom exemplo. O que acontece é que depois de os tomarmos vão para a ETAR e daí para o rio, afetando o ecossistema animal, ambiental e, posteriormente, a nossa saúde, através da água do rio que é captada para consumo humano. É sempre importante perceber que estamos a atuar nestas três vertentes, que são indissociáveis», conclui. Universidade de Coimbra - Portugal 


segunda-feira, 31 de outubro de 2022

Portugal - Plataforma desenvolvida na Universidade de Coimbra permite prever efeito da combinação de fármacos para tratar o cancro

Investigadores do Centro de Neurociências e Biologia Celular da Universidade de Coimbra (CNC-UC) desenvolveram uma nova plataforma online, Synpred, capaz de utilizar algoritmos do campo da inteligência artificial para prever combinações de fármacos anticancerígenos.


Atualmente, o desenvolvimento de resistência farmacológica no cancro é uma problemática comum que resulta de uma variedade de fatores, como por exemplo, da sobre-exposição a fármacos anticancerígenos. Irina Moreira, líder do estudo, investigadora do CNC-UC e docente do Departamento de Ciências da Vida da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC), explica que, «na área clínica, o problema da resistência a fármacos é minimizado administrando, não um, mas uma combinação de fármacos com efeito sinérgico, isto é, fármacos que em conjunto reforçam a ação um do outro, aumentando a sua eficácia e reduzindo efeitos secundários». Porém, perceber «quais as combinações farmacológicas que operam de forma segura e eficaz, além de ser complexo, é um processo altamente dispendioso e demorado», acrescenta a investigadora.

Para dar resposta a este problema, a equipa de Irina Moreira desenvolveu a plataforma Synpred com o objetivo de antecipar a resposta biológica da combinação de fármacos anticancerígenos. A investigadora esclarece que, no desenvolvimento do modelo de previsão, «foram utilizados dados de farmacologia de compostos com potencial atividade anticancerígena e dados de base biológica, entre outros, respeitantes a linhas celulares de vários tipos de cancro bem caracterizados. Depois, utilizou-se uma panóplia de algoritmos computacionais, gerando, no final, métodos combinados com uma capacidade de previsão melhorada».

Ao contrário de outros métodos existentes, o Synpred explora seis modelos diferentes para caracterizar as combinações de fármacos com efeito sinérgico, avaliando qual o melhor para incluir no desenvolvimento deste tipo de modelos de previsão.

O estudo, publicado na revista GigaScience, pretende criar condições para substituir a administração de elevadas doses de fármacos anticancerígenos, por concentrações reduzidas de pares de fármacos mais específicos, evitando potenciais efeitos secundários do uso desta medicação por tempo prolongado, como o desenvolvimento de resistência farmacológica. «O Synpred é altamente específico, e permitiu verificar, por exemplo, a importância do tipo de tecido celular (pele, pulmão, etc.) como fator determinante nas combinações de fármacos com efeito sinérgico», sublinha Irina Moreira.

Esta nova tecnologia representa um avanço na área, constituindo uma plataforma pública interativa que pode ser utilizada de forma intuitiva, através do website.

Para além de Irina Moreira, a equipa contou com os investigadores António Preto, Pedro Matos-Filipe e Joana Mourão, também investigadores do CNC-UC. O trabalho foi financiado pela Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT) através do projeto “Aplicação de Deep Learning ao processo de investigação de novas drogas anticancerígenas”. Universidade de Coimbra - Portugal