Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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sexta-feira, 3 de julho de 2026

Macau - Fundo para o Desenvolvimento das Ciências e da Tecnologia concedeu 37 milhões de patacas para investigações científicas lusófonas

Na última meia década, o Fundo para o Desenvolvimento das Ciências e da Tecnologia recebeu 69 pedidos de apoio para projectos de investigação científica relacionados com países lusófonos, tendo financiado 21, incluindo nove ligados a Portugal. O montante atribuído foi superior a 37,49 milhões de patacas, segundo revelou ao Jornal Tribuna de Macau. O Fundo acredita que a cooperação entre a RAEM e os países lusófonos continuará a crescer na área da ciência e tecnologia


Nos últimos cinco anos, o Fundo para o Desenvolvimento das Ciências e da Tecnologia (FDCT) “tem atribuído grande importância e impulsionado activamente a cooperação entre Macau e os Países de Língua Portuguesa (PLP) no domínio da ciência e tecnologia”, tendo financiado 21 projectos de investigação científica, envolvendo um montante total de financiamento de 37,498 milhões de patacas, segundo revelou ao Jornal Tribuna de Macau. Nove desses projectos estão relacionados com Portugal e 12 com o Brasil.

No mesmo intervalo temporal, o FDCT recebeu 69 pedidos envolvendo países lusófonos. Especificamente, 11 pedidos correspondem ao co-financiamento do FDCT, em conjunto com a Fundação para a Ciência e a Tecnologia de Portugal (FCT), no âmbito do “Programa de Apoio Financeiro para Cooperação em Ciência e Tecnologia com o Exterior”.

Abrangida no mesmo programa, a categoria de co-financiamento entre o FDCT e a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo despertou 24 pedidos. Já na categoria de investigação internacional em colaboração, foram apresentados 34 pedidos de apoio relacionados com países lusófonos.

Em relação a Portugal, o FDCT concedeu, juntamente com a FCT, apoios no total de 2,821 milhões de patacas a três projectos de investigação no domínio do mar, na última meia década.

Questionado sobre a nova ronda de financiamento conjunto com a FCT, o Fundo presidido por U U Sang salientou que “presta estreita atenção ao andamento da reestruturação da FCT e irá continuar a comunicar e negociar activamente com a parte portuguesa, promovendo a celebração de acordos de cooperação, no sentido de materializar a nova ronda de plano de co-financiamento”.

Sobre os principais resultados alcançados, indicou que, no projecto “Plastish”, virado para a detecção e avaliação de risco de microplásticos na produção pesqueira, a Universidade de São José (USJ) e a Universidade do Algarve conseguiram revelar a citotoxicidade dos microplásticos, através de experiências celulares e em animais, tendo estabelecido com sucesso um modelo de avaliação de risco “in vitro” para “in vivo”.

Já no projecto “FISHMUC”, a USJ e Universidade Católica Portuguesa têm estudado as características de bioactividade do muco externo de peixes. Conseguiram identificar vários princípios activos e confirmar, através de experiências, as actividades biológicas como efeitos antimicrobianos e antitumorais, resultados que fornecem um valor significativo para o desenvolvimento de medicamentos de origem marinha.

Por seu turno, o “SeaSenseX”, microssensor de nova geração para a mutagénese marinha e a detecção de substâncias cancerígenas, sobre o qual têm trabalhado a Universidade de Macau (UM), em cooperação com a NOVA.id.FCT, de Portugal, combina microelectrónica avançada com tecnologia de biossensores, visando fornecer uma solução de monitorização da qualidade de água em tempo real e de alta sensibilidade.

Cooperação científica “irá continuar a crescer”

Numa perspectiva geral, o FDCT realça que muitos projectos financiados se estenderam para instituições portuguesas, brasileiras, entre outros países, tendo-se envolvido no estabelecimento de laboratórios conjuntos, promoção da formação de quadros qualificados e articulação tecnológica.

Na observação do Fundo, a função da RAEM enquanto plataforma de intercâmbio científico e tecnológico entre a China e os PLP “reforçou-se gradualmente” nos últimos anos.

Além disso, o programa de co-financiamento relacionado com o Brasil recebeu 24 pedidos no primeiro ano, 2025. Neste aspecto, destacou que, à medida que os mecanismos de co-financiamento com os PLP, “promovidos activamente” pelo Fundo nos últimos anos, amadurecem gradualmente, “prevê-se que [estes] impulsionem, no futuro, o lançamento de ainda mais projectos de investigação científica em cooperação com os PLP”.

Tendo em vista o lançamento do programa de co-financiamento com o Brasil, a criação sucessiva de laboratórios entre instituições de ensino superior de Macau e de países lusófonos, assim como a celebração de documentos de cooperação entre instituições de ensino superior da RAEM e portuguesas, testemunhada pelo Chefe do Executivo, durante a visita a Portugal em Abril, o FDCT prevê que “a cooperação entre Macau e os PLP na área da ciência e tecnologia irá continuar a crescer”.

Sobre os frutos de cooperação já obtidos entre a RAEM e os PLP, conclui que, nos últimos anos, o apoio do Fundo assenta no financeiro e na criação de plataformas, para ajudar instituições de ensino superior e empresas locais a estabelecer parcerias com instituições académicas e industriais portuguesas e de outros países. Além disso, realiza actividades de intercâmbio viradas para os PLP e com temas relacionados com os países lusófonos.

O Fundo mencionou resultados em três aspectos: apoiar o estabelecimento de plataformas de cooperação científica e tecnológica e impulsionar a transformação e aplicação dos frutos no estrangeiro; promover o estabelecimento conjunto de laboratórios, que fazem parte da iniciativa “Uma Faixa, Uma Rota”, juntamente com os países lusófonos; e apoiar instituições de ensino superior de Macau na realização de conferências sobre optoelectrónica, ciências da linguagem, ciências marinhas, entre outras áreas de ponta, em cooperação com Portugal, por forma a aprofundar o intercâmbio e a cooperação.

Relativamente ao “estabelecimento de plataformas de cooperação”, o Fundo apontou para o apoio concedido à criação, por parte da Universidade de Ciência e Tecnologia de Macau (UCTM), do Laboratório Conjunto Sino-Português em Optoelectrónica, em cooperação com a Universidade Nova de Lisboa. Além disso, destacou o apoio dirigido à UM no estabelecimento do Laboratório Conjunto de Nanomedicina de Precisão (com a Universidade do Porto), Laboratório Conjunto sobre Envelhecimento Cognitivo (com a Universidade de Coimbra), Centro de Investigação Oceânica entre a China e os PLP (com a ULisboa e outras instituições) e um centro conjunto sobre direito e inteligência artificial (com a Universidade de Coimbra), inaugurado este ano.

Além disso, destacou o apoio para a introdução de um “Robô de Medicina Tradicional Chinesa com Inteligência Artificial” em Lisboa, com capacidade de realizar diagnósticos básicos e preparar fórmulas de fitoterapia, o que contribui para a divulgação dos conceitos da medicina chinesa.

Em relação a 2026, o FDCT atribuiu um apoio no valor de 712,8 mil patacas à UCTM para a construção de um modelo de avaliação dinâmica de risco para a importação transfronteiriça de dengue e chikungunya de países lusófonos para a Grande Baía, integrando dados de múltiplas fontes e inteligência artificial, bem como a sua aplicação na previsão e alerta precoce, de acordo com as informações divulgadas pelo Fundo.

Apoiados dois projectos sobre língua portuguesa

O FDCT revelou ainda a atribuição de apoio financeiro a dois projectos sobre o tema de língua portuguesa, nos últimos cinco anos, envolvendo quase 2,696 milhões de patacas. Sublinhando adoptar um mecanismo de apreciação rigorosa, o Fundo esclareceu que cabe à Comissão de Consultadoria de Projectos apreciar os pedidos, com base em critérios como o valor científico, a inovação e o potencial de aplicação, podendo ainda organizar uma sessão de defesa, caso necessário.

Segundo a colecção dos resultados de investigação científica de 2024 (a mais recente), o Fundo aprovou em 2018 e financiou uma “plataforma de turismo inteligente para Macau e países lusófonos com reconhecimento de voz”, desenvolvida pela Universidade Politécnica. No âmbito deste projecto, foi desenvolvida uma aplicação móvel de turismo inteligente que integra um sistema de reconhecimento de voz em português.

Para a UM, aprovou em 2019 e apoiou financeiramente um projecto de “orientação da tradução automática neutral baseada na autoatenção com conhecimento linguístico prévio”, que contribuiu para melhorar o sistema de tradução automática online chinês-português. À mesma instituição, o FDCT aprovou em 2017 e financiou um projecto de “investigação sobre tradução automática chinês-português baseada em aprendizagem profunda”, no âmbito do qual foi estabelecido e aberto ao público um sistema de tradução automática chinês-português online.

Segundo notou, ao tratar de assuntos envolvendo tradução profissional, conferências e emparelhamento de projectos, o Fundo costuma convidar tradutores locais ou pessoal de instituições de ensino superior para dar apoio. Nessa vertente, vincou que encara tanto os quadros multidisciplinares locais com formação em ciência e tecnologia e proficiência em língua portuguesa, como os tradutores e os docentes de ensino superior como “recursos humanos importantes para o desenvolvimento da indústria de ciência e tecnologia”. In “Jornal Tribuna de Macau” - Macau


sexta-feira, 10 de abril de 2026

Macau - Governo garante “condições favoráveis” na cooperação tecnológica com os Países de Língua Portuguesa

O Governo da RAEM promete aprofundar a cooperação científica e tecnológica com os países lusófonos, nomeadamente Portugal e Brasil. Para além disso, apoiará a criação conjunta de plataformas de alto nível, bem como a realização regular de actividades como intercâmbios académicos e visitas de investigação científica


A criação de “condições favoráveis” para aprofundar a cooperação em investimento e financiamento entre a China e os países de Língua Portuguesa (PLP) é uma garantia dada pelo Governo, com o objectivo de fomentar o desenvolvimento de alta qualidade do sector científico e tecnológico da RAEM. Nesse sentido, o Executivo “continuará a aprofundar a cooperação científica e tecnológica com os PLP, nomeadamente Portugal e o Brasil, implementando, de forma regular, um programa conjunto de apoio financeiro à investigação científica com o Brasil”, segundo refere o Fundo para o Desenvolvimento das Ciências e da Tecnologia (FDCT) em resposta a uma interpelação do deputado Si Ka Lon.

No documento, o presidente do Conselho de Administração do FDCT, U U Sang, assevera que “adicionalmente, o Governo apoiará a criação conjunta de plataformas de investigação científica de alto nível, bem como a realização regular de actividades como intercâmbios académicos e visitas, com o intuito de impulsionar a implementação de mais projectos conjuntos de investigação científica”.

O FDCT salienta que, ouvidos o Gabinete do Secretário para a Segurança, a Direcção dos Serviços de Economia e Desenvolvimento Tecnológico (DSEDT) e a Autoridade Monetária (AMCM), “têm vindo a ser adoptadas diversas medidas para promover o intercâmbio e a cooperação entre Macau e Portugal nas áreas de ciência e tecnologia”, lembrando que, no ano passado, o Fundo alargou os seus trabalhos nalgumas vertentes principais.

O organismo frisa que, desde a criação do “Centro de Cooperação e Intercâmbio de Ciência e Tecnologia entre a China e os PLP”, a DSEDT tem apoiado a associações cívicas de Macau na realização de diferentes tipos de actividades, incluindo concurso de inovação e empreendedorismo, roadshows e seminários. Esse suporte, “cria oportunidades de intercâmbio entre as empresas tecnológicas e as instituições de ensino superior de Macau e do Interior da China com o sector dos PLP, promovendo assim a cooperação entre ambas as partes”.

A FCDT menciona na resposta ao deputado que a DSEDT tem vindo também a prestar assistência e apoio ao sector da ciência e tecnologia internacional que pretende desenvolver-se em Macau, incluindo os PLP. “Através do aperfeiçoamento contínuo das estruturas institucionais e da optimização do ambiente para as indústrias da inovação tecnológica”, podem ser atraídas mais empresas de tecnologia estrangeiras para se desenvolverem no território, sustenta.

Por outro lado, o Governo reforçou igualmente a divulgação externa do ambiente e das medidas de apoio do mercado financeiro de Macau, “lançando medidas de benefícios fiscais competitivas, com vista a atrair ainda mais sociedades de gestão de fundos de investimento, tanto nacionais como estrangeiras, a estabelecerem-se em Macau”, sublinha o FCDT.

O Fundo adianta que, até ao momento, a AMCM celebrou acordos bilaterais de cooperação com 12 autoridades de supervisão financeira de oito países de expressão lusa, o que contribui para promover a cooperação de investimento e financiamento entre a China e os países lusófonos. Vítor Rebelo – Macau in “Jornal Tribuna de Macau”


quinta-feira, 6 de novembro de 2025

CPLP - Quer reforçar investigação científica e recolha de dados nas zonas marítimas

Os estados-membros da Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP) pretendem reforçar a investigação científica e recolha de dados nas respetivas zonas marítimas, anunciaram após uma reunião na cidade do Mindelo, ilha de São Vicente, Cabo Verde.


“Fomentar a investigação científica aplicada, a inovação tecnológica e o uso de inteligência artificial e de sistemas de observação oceânica” foi uma das decisões expressas entre os 26 pontos da declaração final da sexta reunião dos ministros dos assuntos do Mar da CPLP, dedicada ao tema da preservação da biodiversidade e da pesca.

O objetivo é “melhorar a monitorização dos ecossistemas, a segurança marítima e a resiliência climática dos estados-membros”.

Salvador Malheiro, secretário de Estado das Pescas e do Mar, em representação de Portugal, apontou as apostas na partilha de dados científicos, em ações de literacia oceânica e na fiscalização como “três pilares fundamentais” do Plano de Ação 2025–2027 da CPLP para os Assuntos do Mar, hoje aprovado.

“Ficou bem claro um objetivo comum de tentarmos conciliar dois interesses que, aparentemente, são antagónicos, o setor das pescas e a preservação da biodiversidade e da conservação da natureza marinha”, disse.

Salvador Malheiro assinalou a importância da recolha de dados, uma vez que “tudo o que diz respeito à sustentabilidade dos oceanos está intimamente ligado à ciência”.

“Nós temos um potencial muito grande de nos podermos afirmar à escala mundial, porque temos zonas económicas exclusivas enormes”, acrescentou.

Neste contexto, preservar os recursos ambientais para as gerações futuras, “é uma obrigação”, mas o conceito de sustentabilidade também inclui aspetos económicos e sociais: “De nada vale termos um oceano completamente conservado e preservado se depois tivermos as nossas comunidades locais costeiras a viver na miséria”, apontou.

“Queremos que essa aposta na conservação dos recursos marinhos também aporte [elementos] para o setor das pescas, porque não estamos preocupados com as pescas apenas no presente e daqui a uns anos, estamos preocupados com a sustentabilidade do recurso”, acrescentou Salvador Malheiro.

No que respeita a Portugal, o Governo “fez questão de estar presente e de assinar a declaração final, um plano de ação muito bem delineado, que nos compromete”, disse.

Questionado pela Lusa, o governante não crê que “os recursos financeiros (…) sejam problema: o que importa é que estes países, com uma clara natureza costeira e oceânica, estejam imbuídos da mesma paixão”.

“Os resultados, depois, vão aparecer, com certeza”, prometendo “tudo fazer para, depois da declaração final, surgirem ações e resultados. O Governo de Portugal está muito empenhado nesta matéria, queremos de uma vez por todas voltar a nossa estratégia para o mar”, assinalou.

Jorge Santos, ministro do Mar de Cabo Verde, na qualidade de anfitrião, propôs “a criação de um observatório lusófono do mar, para servir não só Cabo Verde, mas todos os países” da CPLP, com “recolha de indicadores oceânicos e reforço da cooperação científica” que ajude os governos a tomar decisões.

Ao mesmo tempo, propôs “a concretização de um centro de excelência para a sub-região africana, já aprovado pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO), no sentido de consolidar e robustecer tudo o que seja investigação oceanográfica”.

A declaração final prevê ainda que a Estratégia da CPLP para os Oceanos 2026–2036 seja atualizada e submetida a aprovação numa reunião extraordinária de ministros de assuntos do Mar, a realizar no Dia Mundial dos Oceanos, 08 de junho de 2026, na sede da CPLP, em Lisboa.

Os participantes prometeram também reforçar a cooperação, mobilizar financiamentos e promover a concertação entre estados-membros para implementação do acordo das Nações Unidas sobre proteção da Biodiversidade Fora da Jurisdição Nacional (BBNJ, sigla em inglês).

No encontro, a Guiné-Bissau recebeu de Angola a presidência das reuniões ministeriais dos assuntos do Mar, escolhendo como lema “A CPLP e a Soberania Alimentar: um Caminho para o Desenvolvimento Sustentável”. In “Mundo Lusíada” – Brasil com “Lusa”


quinta-feira, 30 de outubro de 2025

Internacional - O boicote às universidades israelenses

Quatro universidades brasileiras, a Unicamp, a Federal do Rio de Janeiro, a Federal do Ceará e a Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas de São Paulo decidiram romper seus convênios de cooperação com as universidades israelenses de Haifa, de Ben Gurion e com o Instituto Tecnológico Technion, em reação às violências cometidas por Israel na Faixa de Gaza, depois do ataque terrorista do Hamas no 7 de outubro de 2023.

Esses convênios previam intercâmbio de alunos, professores e projetos mútuos de pesquisa. Esse mesmo tipo de boicote tem a participação de universidades da Noruega, Irlanda, Bélgica e Espanha.

Na Suíça, onde as universidades de Lausanne e Genebra também aderiram ao boicote, o jornal Le Temps procurou saber quais consequências negativas podem resultar desse movimento tanto para Israel como para as universidades israelenses e estrangeiras. Para isso, foi entrevistado Shlomi Kofman, responsável pela parceria de Israel com o programa Horizon Europe.

A síntese dessa entrevista é a de que "o boicote a Israel é contraproducente" no domínio da pesquisa científica, havendo riscos tangíveis para a ciência, segundo os cientistas israelenses. desde 1996, Israel e a europa se beneficiam dessa parceria em ciência e tecnologia, envolvendo estudantes, pesquisadores e empresas europeias.

Até hoje, Horizon Europe tem favorecido de maneira apolítica a pesquisa e a política, evitando ser envolvido pela política concentrado no objetivo de inovação e progresso para a humanidade.

A revista K, preocupada com os judeus na Europa e com o ressurgimento do antissemitismo, integrada por universitários e jornalistas, abriu um grande espaço dedicado "aos universitários israelenses face ao apelo pelo boicote de suas universidades.

Três professores contribuíram com suas respostas: Itai Ater e Alon Korngreen, do grupo Universitários pela democracia israelense, e o prof. Eyal Benvenisti, membro do Fórum dos professores de direito israelenses pela democracia.

Sobre os impactos decorrentes dos boicotes às universidades israelenses, acham que são muitos limitados. O governo israelense considerará serem ataques a Israel, hostilidade internacional, e reforçará as posições atuais.

O boicote será proveitoso ao governo atual e prejudicará as universidades, reforçará também a ideia de que "o mundo está contra Israel" levando o governo a um isolacionismo. O boicote prejudicará no que se refere às iniciativas de pesquisa e colaborações internacionais, reduzindo financiamentos e impedindo avanços universitários, limitando as trocas de ideias.

Muitas universidades israelenses - contam eles - participam de pesquisas inovadoras nos campos da medicina, tecnologia e meio ambiente. O boicote causará a perda de parceiros internacionais importantes para o progresso dos projetos e impedirá seus avanços.

Eles enumeram os prejuízos para os universitários israelenses, mas é também importante considerar a perda correspondente para os estudantes das universidades boicotadoras, privados de pesquisas e de experiências internacionais. Resta a dúvida se a aplicação do boicote tem algum resultado positivo. Rui Martins – Suíça

__________

Rui Martins é Jornalista, escritor, ex-CBN e ex-Estadão, exilado durante a ditadura. Criador do primeiro movimento internacional dos emigrantes, Brasileirinhos Apátridas, que levou à recuperação da nacionalidade brasileira nata dos filhos dos emigrantes com a Emenda Constitucional 54/07. Escreveu Dinheiro sujo da corrupção, sobre as contas suíças de Maluf, e o primeiro livro sobre Roberto Carlos, A rebelião romântica da Jovem Guarda, em 1966. Foi colaborador do Pasquim. Estudou no IRFED, l’Institut International de Recherche et de Formation Éducation et Développement, fez mestrado no Institut Français de Presse, em Paris, e Direito na USP. Vive na Suíça, correspondente do Expresso de Lisboa, Correio do Brasil e RFI.

 

quarta-feira, 29 de outubro de 2025

Moçambique - Projeto da Universidade de Coimbra apoia famílias africanas com equipamentos para melhorar qualidade do ar

Um projeto liderado pela Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC), em conjunto com a Universidade Lúrio (UniLúrio), está a ajudar comunidades moçambicanas a melhorar a qualidade do ar em habitações. 


Intitulado “AfroEnergy”, este projeto pretende mudar a forma como se produz e consome energia no norte de Moçambique, promovendo a sustentabilidade, a eficiência energética e a investigação científica local. 

A iniciativa, que envolve a Faculdade de Engenharia da UniLúrio, em Pemba, nasceu de um acordo de cooperação científica com a UC e tem como objetivo capacitar equipas moçambicanas através da formação, da instalação de equipamentos e do desenvolvimento de competências em qualidade do ar interior, energias renováveis e eficiência energética.

De acordo com Adélio Gaspar, professor do Departamento de Engenharia Mecânica, em muitas regiões moçambicanas, as fontes de energia doméstica ainda dependem da queima de lenha e carvão, o que provoca poluição dentro das habitações e graves problemas de saúde pública.

«O AfroEnergy quer inverter esse cenário. Nesse sentido, equipamos a UniLúrio com instrumentos de monitorização ambiental (capazes de medir temperatura, humidade, partículas, dióxido e monóxido de carbono) e criamos laboratórios de refrigeração e energia solar que estão, agora, ao serviço do ensino e da investigação», conta o coordenador do projeto.

Além disso, professores e estudantes receberam formação em Pemba e em Coimbra, tornando-se capazes de realizar campanhas de medição em casas rurais e de desenvolver investigação aplicada para encontrar soluções sustentáveis adaptadas à realidade moçambicana.

«Os primeiros resultados já se fazem sentir. As monitorizações que realizamos em habitações rurais revelaram níveis elevados de poluição interior, o que confirma a urgência de promover alternativas energéticas mais limpas. Instalamos, ainda, kits solares que permitem reduzir a dependência de combustíveis fósseis e melhorar o conforto térmico das casas. Em paralelo, o projeto criou uma nova linha de investigação científica em Moçambique, que combina energia solar, qualidade do ar e eficiência energética», revela o também investigador da Associação para o Desenvolvimento de Aerodinâmica Industrial (ADAI). 

«O AfroEnergy mostra que a ciência pode ser uma ferramenta concreta de desenvolvimento humano e social. Ao capacitar investigadores locais, estamos a construir soluções duradouras para Moçambique e para África», conclui.

Mais do que um projeto técnico, o AfroEnergy é visto como um exemplo de cooperação lusófona com impacto real. As metodologias e infraestruturas criadas em Pemba poderão ser replicadas noutras regiões de Moçambique e noutros países africanos, promovendo um modelo de investigação sustentável e inclusivo. Universidade de Coimbra - Portugal


terça-feira, 17 de junho de 2025

Macau - Médicos formados pela Universidade de Macau vão poder exercer em Portugal

Universidades de Lisboa e Macau vão oferecer curso de Medicina em co-tutela, com reconhecimento mútuo e aposta na investigação científica


A Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa (ULisboa) está a colaborar com a Universidade de Macau (UM) para criar um currículo com uma estrutura “próxima daquela que é a estrutura” dos cursos na instituição portuguesa, disse à Lusa um dirigente da ULisboa.

Luís Graça explicou que os cursos vão funcionar em co-tutela, permitindo aos médicos formados na UM obterem “uma equivalência e um reconhecimento” pela Faculdade de Medicina da ULisboa.

Entre as vantagens estará “permitir assim que os médicos formados aí no território [Macau] possam também exercer medicina em Portugal”, sublinhou o investigador.

Em dezembro, o vice-reitor da UM, Rui Martins, disse que a ULisboa vai ajudar a criar a primeira faculdade de medicina pública de Macau, no novo campus da instituição, em Hengqin.

A Universidade de Ciência e Tecnologia de Macau, uma instituição privada, tem desde 2008 uma Faculdade de Ciências da Saúde, oficialmente rebatizada como Faculdade de Medicina em 2019.

Numa entrevista ao canal em língua portuguesa da televisão pública local TDM, Martins disse que Medicina será uma das quatro novas faculdades a nascer no novo campus da UM em Hengqin.

“Teremos uma Faculdade de Ciências da Informação, uma Faculdade de Engenharia, com novos tipos de engenharia, e também uma Faculdade de Design e que deverá incluir arquitetura”, referiu o académico português.

“A ideia nesse campus é termos ‘dual degrees’ [cursos em co-tutela] com universidades estrangeiras. A medicina já está com Lisboa e agora estamos a definir para as outras faculdades”, acrescentou Martins.

O novo campus em Hengqin, cuja primeira pedra foi lançada em 09 de dezembro, deverá ser inaugurado em 2028 e permitir à UM passar dos atuais 15 mil para um máximo de 25 mil alunos, sublinhou o vice-reitor para Assuntos Globais.

Luís Graça, especialista em imunologia de transplantes, demonstrou também entusiasmo com potenciais colaborações entre as duas universidades na área da investigação científica.

“Se nós pensarmos em termos de ciência, o reforço do potencial científico de ambas as instituições com uma colaboração próxima entre si é algo que claramente vai beneficiar ambos os lados dessa parceria”, disse o dirigente.

Graça disse que a Faculdade de Medicina da ULisboa está a organizar o primeiro simpósio para reunir os investigadores da instituição e da UM, com vista a promover projetos conjuntos de investigação.

A faculdade tem tido “colaborações pontuais de investigadores com investigadores de outras universidades chinesas”, uma vez que “é importante uma proximidade com locais onde se faz ciência de excelência e ensino de excelência”, disse o diretor.

Mas Graça disse que a colaboração com a UM é “mais institucional (…) e pode permitir um reforço ainda maior dessas parcerias”. In “Plataforma” – Macau com “Lusa”


quarta-feira, 4 de junho de 2025

Angola - Lançada a 2.ª edição do Prémio Nacional de Ciência e Inovação

Com esta iniciativa, que já vai na sua 2ª edição, o Ministério do Ensino Superior, Ciência, Tecnologia e Inovação (MESCTI) quer incentivar a criatividade na busca de soluções para os desafios sociais, económicos e ambientais. O prémio tem, no total, sete categorias


O Ministério do Ensino Superior, Ciência, Tecnologia e Inovação (MESCTI) lançou a 2ª edição do Prémio Nacional de Ciência e Inovação 2025 (CTI) com objectivo de incentivar a participação de jovens e de mulheres nas actividades de investigação científica, invenção e inovação tecnológica, estimular e reconhecer a contribuição dos investigadores científicos, inventores e inovadores na ciência, tecnologia e inovação para o desenvolvimento sustentável de Angola.

Podem candidatar-se ao prémio particulares, grupos ou instituições, com trabalhos que constituam, na sua área, "um valioso e relevante contributo para o desenvolvimento sustentável de Angola".

As candidaturas vão de 3 de Julho de 2025 a 3 de Agosto de 2025, através do correio pnci25.candidaturas@ciencia.ao. Para pedidos de informações, os candidatos podem utilizar o correio: pnci25.informacoes@ciencia.ao.

Os candidatos devem ser investigadores científicos, inventores e inovadores ou outros actores do Sistema Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação, consoante a natureza do prémio a atribuir.

Já as instituições ou organizações candidatas devem ser aquelas cujo objecto social prevê a realização de actividades de investigação e desenvolvimento, transferência de tecnologia, inovação e empreendedorismo de base tecnológica ou apoiam a sua concretização.

Os prémios de CTI podem ser outorgados na categoria de prémio de investigação científica, prémio de invenção, de promoção da ciência, tecnologia e inovação, de educação e popularização da ciência e prémio carreira científica.

Quanto às áreas ou sectores, estão definidas as ciências exactas, ciências naturais, ciências da engenharia e da tecnologia, ciências médicas e da saúde, ciências agrárias, ciências sociais e humanidades.

Quanto aos princípios para a premiação, os trabalhos devem ser de interesse público, o que significa que os trabalhos a premiar concorrem, para a solução de problemas locais ou nacionais, rigor científico, igualdade de tratamento e o princípio da imparcialidade, o que significa que a avaliação dos trabalhos deve ser isenta e objectiva, devendo evitar-se conflitos de interesse.

Os prémios a atribuir podem contemplar os três melhores classificados de cada uma das categorias previstas e com possibilidade da organização poder abranger mais canditados em função da sua classificação. Já o financiamento dos prémios de CTI deve ser assegurado pelo organizador do respectivo prémio. Alexandre Lourenço – Angola in “Expansão”


quarta-feira, 23 de abril de 2025

Macau e Brasil apoiam investigação científica conjunta

Macau e o estado brasileiro de São Paulo vão apoiar projectos de investigação científica conjuntos com até 2,3 milhões de patacas. O programa foi lançado entre o FDCT e a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo



O Governo anunciou um programa para financiar, com até 2,3 milhões de patacas, investigação científica conjunta com o estado brasileiro de São Paulo em áreas como a biomedicina, inteligência artificial e ciências espaciais. Num comunicado, o Fundo para o Desenvolvimento da Ciência e da Tecnologia (FDCT) disse que o programa foi lançado com a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP).

O FDCT sublinhou que um dos objectivos do programa, cujo período de candidatura está aberto até 13 de Junho, é “encorajar os intercâmbios científicos e tecnológicos entre Macau e os países de língua portuguesa”.

O reitor da Universidade de Ciência e Tecnologia de Macau disse à Lusa que o programa, “criado muito recentemente”, reflecte a política do novo Governo, de reforçar os laços com os países lusófonos.

Joseph Lee Hun-wei disse que o programa nasceu de um acordo de cooperação com a FAPESP, celebrado durante uma viagem ao Brasil de uma delegação do FDCT. O acordo, válido por cinco anos, foi assinado no dia 3 de Abril pelo presidente do FDCT, Alex Che Weng Keong.

Joseph Lee falava à margem de uma sessão da Cimeira das Universidades da Ásia, que começou ontem em Macau, durante a qual várias universidades do território destacaram a importância da colaboração científica com os países lusófonos.

De acordo com um comunicado da FAPESP, o programa vai financiar projectos de investigação conjunta nas áreas da biomedicina, inteligência artificial, tecnologia dos oceanos, ciências espaciais e agricultura.

A FAPESP irá financiar com um valor máximo de 600 mil reais, enquanto o FDCT irá apoiar com até 1,5 milhões de patacas, durante um período máximo de três anos.

O FDCT anunciou também que estão abertas até ao fim do mês as candidaturas a um novo programa para financiar investigação científica e tecnológica com o exterior, incluindo países lusófonos. Em Fevereiro, o FDCT disse à Lusa que “o financiamento está disponível para projectos de investigação em cooperação com qualquer país de língua portuguesa; não é dada preferência a nenhum país em particular”.

Cada um dos projectos aprovados no âmbito do Programa de Financiamento para Cooperação Externa em Ciência e Tecnologia poderá receber até cinco milhões de patacas, acrescentou o fundo. “Tendo em conta que este é o ano inaugural deste programa, o número exacto de projectos a financiar será decidido com base na qualidade e quantidade de candidaturas recebidas”, sublinhou o FDCT.

O fundo organizou a 20 de Janeiro uma sessão de esclarecimento sobre este e outros programas de financiamento de projectos, que contou com cerca de 300 representantes de instituições de ensino superior, associações científicas e empresas tecnológicas de Macau. In “Jornal Tribuna de Macau” - Macau


sexta-feira, 29 de março de 2024

Portugal - Universidades de Macau e Aveiro assinam acordos em várias áreas

Uma visita à Universidade de Aveiro foi mais uma paragem da deslocação a Portugal de uma delegação de instituições de ensino superior de Macau e representantes dos Serviços de Educação e de Desenvolvimento da Juventude. O encontro serviu para assinar um protocolo de colaboração e discutir assuntos da cooperação, da promoção de projectos de intercâmbio e troca de estudantes, assim como de colaboração na área da investigação científica


A cooperação entre instituições do ensino superior de Macau e de Portugal foi o tema base do encontro que uma comitiva do território, composta por dirigentes de universidades e representantes da Direcção dos Serviços de Educação e de Desenvolvimento da Juventude (DSEDJ), fez à Universidade de Aveiro. Na reunião, foram discutidos assuntos relacionados com o intercâmbio entre as instituições de ambos os lados, bem como a promoção de projectos de cooperação, de troca de estudantes e do intercâmbio académico na área da investigação científica.

De entre as principais áreas disciplinares, a Universidade de Aveiro destaca-se na engenharia electrotécnica e electrónica, ciência dos materiais, ciências do ambiente, entre outras, ocupando o 344º lugar do ranking mundial das universidades e leccionando para 14 000 alunos.

Durante o encontro, o presidente do Conselho de Reitores das Universidades Portuguesas e reitor da Universidade de Aveiro, Paulo Jorge Ferreira, fez uma apresentação sobre a situação do desenvolvimento da internacionalização da instituição, a situação geral da cooperação com as empresas, as vantagens das áreas disciplinares e o seu modelo de gestão.

Ao mesmo tempo, sob o testemunho do subdirector da DSEDJ, Teng Sio Hong, a Universidade de Ciência e Tecnologia de Macau, a Universidade da Cidade de Macau, a Universidade de São José e o Instituto de Enfermagem Kiang Wu assinaram acordos de cooperação com a Universidade de Aveiro. O objectivo é reforçar a cooperação em várias áreas, nomeadamente de intercâmbio académico entre as instituições de ensino superior de Macau e de Portugal, e de promoção de projectos de intercâmbio e de troca de estudantes.

Antes, já outros protocolos haviam sido rubricados, como a parceria entre a Universidade Politécnica de Macau e o Centro Científico e Cultural de Macau em Lisboa, para reforço nos domínios da ciência, da cultura e da educação, e o acordo entre a Universidade da Cidade de Macau e a Universidade Lusófona no âmbito do desenvolvimento de novos projectos de cooperação entre as duas universidades, nas áreas da docência, disciplinares e de formação de quadros qualificados.

Em nota enviada às redacções, a DSEDJ revela que “coordena, de forma contínua, a integração de recursos das instituições de ensino superior”, promovendo o intercâmbio e a cooperação entre as instituições de ensino superior de Macau e de Portugal, “com vista a auxiliar na formação dos quadros qualificados necessários” para o desenvolvimento da estratégia de diversificação adequada “1+4” de Macau. Vítor Rebelo – Macau in “Jornal Tribuna de Macau”

terça-feira, 12 de dezembro de 2023

França – Jovens quadros portugueses procuram continuidade da vida profissional na cidade de Toulouse

Quadros da indústria aeronáutica, dá biotecnologia, dos serviços e de diversas áreas da investigação científica reuniram-se no passado dia 8 de dezembro em Toulouse


Os presentes fazem parte de um grupo de mais de 50 pessoas que chegaram a Toulouse nos últimos anos e uma parte importante destes, nos últimos meses, para se fixarem na cidade.

Recorde-se que Toulouse é uma das cidades da Europa com maior taxa de crescimento em diversos rankings e em França uma das que mais cresce em termos de saldo demográfico nos últimos 10 anos.

Estes profissionais vêm de diversas universidades do país, com a Universidade da Covilhã a destacar-se na indústria aeronáutica, e o Porto e Coimbra a terem igualmente uma grande preponderância nas outras áreas.

“O número de radicados na região terá tendência a aumentar nos próximos meses e anos, dada a dinâmica científico industrial altamente conectada da sede da região Occitanea, podendo Toulouse tornar-se um caso de estudo dentro da União Europeia, em relação a quadros portugueses”, disse ao Bom Dia, Vítor Oliveira, organizador do encontro e dinamizador do Business Development Group – France Portugal. Oliveira foi também eleito conselheiro das comunidades pela região Toulouse-Bordéus. In “Bom dia Europa” - Luxemburgo


sexta-feira, 8 de dezembro de 2023

Portugal - Universidade Politécnica de Macau e Universidade Católica reforçam área de “big health”

A área da “big health” está no centro de mais um protocolo assinado entre uma instituição de ensino superior local e outra de Portugal, desta feita a Universidade Politécnica e a Universidade Católica. O acordo vai permitir reforçar a cooperação tecnológica e científica, bem como os programas de intercâmbio de professores e estudantes


A Universidade Politécnica de Macau (UPM) e a Universidade Católica Portuguesa assinaram um protocolo em Portugal, representadas pela vice-reitora da instituição da RAEM, Lei Ngan Lin, e pelo vice-reitor da universidade portuguesa, Peter Hanenberg. O acordo visa “aprofundar a cooperação estreita entre as duas partes no domínio das ciências da saúde e em vários outros domínios, contribuindo assim para a promoção da cooperação entre os dois territórios no ensino superior”.

Na cerimónia de assinatura, Lei Ngan Lin explicou que o protocolo pretende reforçar o desenvolvimento de talentos para a indústria de “big health” de Macau e, através do lançamento conjunto de “projectos de investigação inovadores”, proporcionar aos docentes, investigadores e estudantes “um leque mais vasto de oportunidades de aprendizagem e investigação”. Desta forma, poder-se-á promover a investigação científica na área de big health e também o desenvolvimento da indústria educativa.

Peter Hanenberg, por sua vez, frisou que, “mediante o reforço da cooperação com a UPM em várias áreas, incluindo big health e ciência e tecnologia, a Católica irá promover ainda mais o desenvolvimento científico e a investigação inovadora, dando os seus contributos na promoção da cooperação entre Portugal e Macau no ensino superior”.

No âmbito do protocolo de cooperação, a UPM e a Católica reforçarão a cooperação tecnológica e científica, bem como os programas de intercâmbio de professores e estudantes. “Através do estabelecimento de uma cooperação académica a longo prazo, serão realizados conjuntamente projectos de investigação inovadores para promover o intercâmbio e a partilha de conhecimentos. Além disso, esta cooperação proporcionará mais oportunidades de aprendizagem e investigação para estudantes e professores, contribuindo de forma positiva para o desenvolvimento da investigação científica e da educação na China e em Portugal”, considera a UPM em comunicado. In “Jornal Tribuna de Macau“ - Macau


sexta-feira, 24 de novembro de 2023

Portugal – NRP D. João II um navio inovador para explorar o oceano

Vai chamar-se "D. João II" - um navio polivalente e inovador capaz de atuar em operações de emergência, vigilância, investigação científica e oceanográfica, monitorização ambiental e meteorológica


Com um comprimento de total de 107,6 metros, o "D. João II" funcionará como um ‘porta drones’ aéreos, terrestres e submarinos, potenciando assim a capacidade de monitorização e investigação no oceano. Esta Plataforma Naval Multifuncional integra tecnologia de ponta e estende as funcionalidades de um navio de vigilância oceânica e de investigação oceanográfica a outros cenários, nomeadamente cenários de emergência.

Com uma capacidade de alojamento para uma guarnição de 48 elementos, a que se somam mais 42 para cientistas e operadores de sistemas não tripulados, o navio permitirá o alojamento temporário de cerca de 100 pessoas.

"O navio D. João II é uma grande oportunidade para se alavancar o conhecimento e a investigação na área do mar, produzindo-se recursos que sejam valorizados através da economia azul", sublinhou o primeiro-ministro, António Costa, na cerimónia de assinatura do contrato para a construção da Plataforma Naval Multifuncional, que decorreu na manhã desta sexta-feira (24 de novembro), no Museu de Marinha, em Lisboa.

Financiado pelo Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) em 94,5 milhões de euros, a que se somam 37,5 milhões de investimento do Estado, o navio da República Portuguesa (NRP) D. João II deverá ser entregue à Marinha no segundo semestre de 2026.

O mar é uma das componentes do investimento do PRR, com o objetivo de enfrentar uma série de desafios, incluindo cartografar e avaliar recursos minerais e todos os outros recursos não renováveis do solo e subsolo marinhos sob jurisdição portuguesa, mitigar as ações humanas nocivas no oceano e produzir conhecimento através da fusão de informações, desenvolvendo modelos de previsão com diferentes escalas temporais e espaciais.

A Plataforma Naval Multifuncional é uma das vertentes desta aposta, contando com valências que pretendem aumentar a capacidade de monitorização dos oceanos e investigação oceanográfica, o acompanhamento da ecologia marinha, visando também a Integração de novas tecnologias para a intervenção nos oceanos, incluindo sistemas robóticos aéreos e submarinos. Governo de Portugal


sexta-feira, 29 de setembro de 2023

Brasil - Redescoberta espécie de azevinho que não era avistada há quase 200 anos

Foi em Igarassu, no estado brasileiro de Pernambuco, que uma equipa de cientistas redescobriu uma espécie de azevinho (Ilex sapiiformis) que há 186 anos não era avistada e que, por isso, se pensava estar extinta na Natureza.


Esse foi o resultado de uma investigação científica, liderada pelo ecólogo Gustavo Martinelli, que se apoiou na análise de espécimes antigos e em registos de avistamentos do último meio século.

Depois de seis dias em buscas no terreno, a equipa, no passado dia 22 de março, encontrou, por fim, quatro árvores de I. sapiiformis, numa área que em tempos fora mata atlântica, mas que agora é dominada por uma paisagem predominantemente urbana intercalada com plantações de cana-de-açúcar.

Pensava-se que esta espécie de azevinho teria mesmo sucumbido à extinção, mas não havia ainda evidência científicas incontornáveis que o confirmassem. Por isso, foi incluída na lista das espécies de animais e plantas perdidas mais procuradas pelos especialistas do projeto global ‘Search for Lost Species’, uma iniciativa da Re:wild e da União Internacional para a Conservação da Natureza (UICN).

Desde que o projeto arrancou em 2017 já foram redescobertas nove espécies que se pensava terem desaparecido para sempre.

Embora a redescoberta da I. sapiiformis dê alguma esperança aos botânicos e ecólogos, pois, afinal, a espécie não está extinta, Martinelli avisa que não é motivo para respirar de alívio. “Pode estar à beira da extinção, porque, pelo que sabemos, só existem quatro indivíduos da espécie”, afirma, citado em nota da Re:wild, acrescentando que o quarteto sobrevivente se encontra numa “área de floresta ripícola degradada, apesar de estar protegida por lei”.

Exemplares da I. sapiiformis foram recolhidos pela primeira vez em 1838, pelo naturalista George Gardner, tendo a espécie sido oficialmente descrita 25 depois por Siegfried Reissek. Pensava-se que a coleção de Gardner era o único avistamento confirmado da espécie, mas a análise de espécimes de coleções no Brasil revelou dois espécimes de I. sapiiformis que não tinham sido identificados: um recolhido em 1962 e outro em 2007.

Cruzando os registos históricos com os espécimes recolhidos, a equipa conseguiu redescobrir uma espécie vegetal que se pensava ter desaparecido completamente.

“Encontrar uma espécie da qual não se ouvia falar há quase 200 anos não é algo que aconteça todos os dias”, confessa Juliana Alencar, outra das investigadoras envolvidas nesta demanda.

Segundo informações divulgadas pela Re:wild, os quatro espécimes estão a ser acompanhados de perto por especialistas do Jardim Botânico do Recife, que todas as semanas regressam ao local onde foram encontrados. O objetivo é recolher sementes dessas árvores e plantar novos indivíduos para ajudar a recuperar a espécie.

E o trabalho não está terminado. A equipa pretende continuar a procura por outros indivíduos remanescentes de I. sapiiformis, e criar um programa de reprodução em cativeiro da espécie.

“Mesmo quando uma planta não tem avistamentos confirmados em 186 anos, pode, ainda assim, subsistir nos últimos vestígios do seu habitat natural algures, e esta árvore é um excelente exemplo da importância de continuar a procurar”, salienta Christina Biggs, do programa de espécies protegidas da Re:wild. Filipe Rações – Portugal in “Green Savers”


quinta-feira, 27 de julho de 2023

Macau – Chefe do Executivo destaca “base sólida” no ensino de português

O Chefe do Executivo, Ho Iat Seng reuniu-se na quarta-feira, na Sede do Governo, com o reitor da Universidade de Lisboa, Luís Ferreira. Segundo um comunicado do Executivo, o encontro serviu para uma troca de opiniões sobre temas como aprofundar a cooperação nas áreas da investigação científica, ensino, formação de quadros qualificados, bem como promover o desenvolvimento do ensino superior para ambas as partes, entre outros.


Na ocasião, o Chefe do Executivo aproveitou para salientar que Macau “possui uma base sólida e vantagem para o desenvolvimento sustentável do ensino de português, investigação científica e académica e formação de quadros qualificados na área do turismo”. “Nos últimos anos, as instituições de ensino superior de Macau e de Portugal têm concretizado vários projectos de cooperação, que consolidam a parceria entre as partes nas áreas do ensino superior e tecnologia, criando oportunidades de desenvolvimento de alta qualidade”, referiu o líder do Governo, esperando que possam acelerar, em conjunto, os projectos no âmbito do acordo de cooperação na área da medicina, assinado pela Universidade de Lisboa e Universidade de Macau. Ao mesmo tempo, Macau continuará a desempenhar o seu papel de plataforma, promovendo a cooperação de investigação científica e académica entre as instituições de ensino superior de Macau, Portugal e o Interior da China, e ajudar o intercâmbio de alta qualidade entre as instituições de ensino superior do Interior da China e de Portugal, acrescenta a nota do Executivo.

O reitor Luís Ferreira, por sua vez, referiu que a visita lhe permitiu conhecer “o rápido desenvolvimento da Universidade de Macau em áreas diversas nos últimos anos”, incluindo a criação de vários laboratórios de referência do estado e a consecução de múltiplos resultados científicos inovadores. “A Universidade de Lisboa é a maior instituição pública de ensino superior em Portugal com uma longa história. A universidade possui uma das melhores capacidades em investigação científica do mundo na área da medicina, com laboratórios avançados e resultados de investigação científica de nível mundial. Espera que, no futuro, a Universidade de Macau e a Universidade de Lisboa possam cooperar de forma prática na área da medicina, contribuindo para Macau em matéria de investigação científica, desenvolvimento académico e formação de quadros qualificados e melhorando a vida da população de Macau”, disse Luís Ferreira.

No encontro estiveram ainda presentes o reitor a Universidade de Macau, Song Yonghua, e o vice-reitor, Rui Martins. In “Ponto Final” - Macau


quinta-feira, 2 de junho de 2022

Angola - Centro de Investigação Científica, uma parceria da Fundação Calouste Gulbenkian

Investigar a malária, a anemia e a relação entre problemas respiratórios e parasitas intestinais ou intervir na saúde materna e neonatal, em Angola, tornou-se possível deste que, em 2007, a Fundação Gulbenkian e vários parceiros criaram o Centro de Investigação em Saúde de Angola (CISA). Um Centro onde já foram desenvolvidos mais de 40 estudos e que tem em curso seis projetos com financiamento internacional


CISA – Centro de Investigação em Saúde de Angola

Centro para o desenvolvimento da investigação na área da saúde no Caxito em Angola

Área de atuação: Investigação em saúde

Parceiros: Ministério da Saúde de Angola, Governo Provincial do Bengo, Camões, Instituto da Cooperação e da Língua e Fundação Calouste Gulbenkian

Financiadores: Fundação Calouste Gulbenkian e Camões, Instituto da Cooperação e da Língua

Localização: Caxito, Angola

Duração: 2007- 2022

Fase do Projeto: Em desenvolvimento

ODS: 3, 9 e 17


O CISA, projeto de cooperação entre Angola e Portugal, resultou na criação de um centro de investigação no Caxito, no qual a Fundação Gulbenkian está ligada desde a sua génese, em 2007.

Localizado no Caxito, a 60 km a norte de Luanda, o CISA pretende:

  • contribuir para um melhor conhecimento das doenças e problemas de saúde que afectam os países em vias de desenvolvimento, quer as doenças mais visíveis como a malária, tuberculose e HIV/SIDA, quer as conhecidas por “doenças negligenciadas” (schistossomíase, tripanossomíase, febres hemorrágicas virais, filaríases, helmintíases);
  • funcionar como catalisador da investigação biomédica envolvendo investigadores angolanos e de outros países, nomeadamente, portugueses.

A investigação do CISA assenta em três plataformas de recolha de dados de rotina que fornecem informação demográfica (para determinar a dimensão e a dinâmica da população da área em estudo pelo CISA), de mortalidade e morbilidade, usadas nos estudos epidemiológicos e de intervenção.

Caxito, Mabubas e Úcua foram as três comunas do município do Dande definidas como área de intervenção prioritária do CISA, que cobre 4700 Km2, com uma população de aproximadamente 60 000 habitantes, distribuídos por 69 bairros com características quer urbanas, quer rurais.

Projetos em curso

  • Sickle Cell Anemia and Fetal Hemoglobin. Genetic modifiers in Angolan Children Cohort
  • Malaria drug resistance: treatment alternatives and optimization – MalAngo
  • Vigilância de grávidas drepanocíticas. Prevenção de Acidentes Vasculares Cerebrais em Angola
  • Monitorização de doenças diarreicas em crianças menores de cinco anos no Hospital Geral do Bengo. Agentes bacterianos e Rotavírus
  • Next-generation sequencing to understand the HIV-1 transmission patterns in Angola – HITOLA
  • Helminth infections and allergic respiratory diseases. Does a neglected tropical disease influence a noncommunicable disease?
  • Probing the future of triple artemisin-based combination therapy in Angola

Em 2007 o Ministério da Saúde de Angola, o Governo Provincial do Bengo, o Camões – Instituto da Cooperação e da Língua, I.P. e a Fundação Calouste Gulbenkian realizam uma parceria para a criação do CISA. Em 2013, o Centro torna-se instituto público, tutelado pelo Ministério da Saúde de Angola, e em 2019 há um reenquadramento para a sua autonomia científica. Fundação Calouste Gulbenkian – Portugal

Saiba mais aqui.