Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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domingo, 14 de junho de 2026

Estados Unidos da América - Elizabeth voltou a festejar em grande mais um Dia de Portugal

No passado fim de semana, a Comissão do Dia de Portugal de Elizabeth, sobre a liderança do presidente Nick Almeida, deu oficialmente início às suas festividades com a tradicional cerimónia do hastear da bandeira, realizada em frente à Câmara Municipal desta região de Nova Jérsia, nos Estados Unidos da América


Durante a cerimónia, a comunidade reuniu-se para homenagear os distinguidos deste ano: o grão-marechal Nelson Monteiro, a marechal honorária Maria Gina Henriques Castro e o marechal póstumo Monsenhor João S. Antão.

A cerimónia teve início com uma atuação do Rancho Infantil Danças e Cantares de Portugal do PISC, seguida da interpretação dos hinos nacionais dos Estados Unidos da América e de Portugal pelos alunos da Escola Amadeu Correia.

“Foi um momento verdadeiramente simbólico e emocionante, reunindo várias gerações de luso-americanos enquanto as bandeiras dos dois países eram hasteadas lado a lado, representando a amizade duradoura e a herança partilhada entre Portugal e os Estados Unidos”, refere ao Bom Dia a conselheira das comunidades Portuguesas Carla Rodrigues da Silva.

No domingo, a comunidade voltou a reunir-se para a grande parada, que contou com a participação de 93 contingentes — a maior parada da história do Dia de Portugal de Elizabeth. Bandas, escolas, associações culturais, ranchos folclóricos, empresas e organizações comunitárias desfilaram pelas ruas de Elizabeth, demonstrando o seu orgulho português, cultura e tradições perante milhares de espectadores.

A parada do Dia de Portugal em Elizabeth, Nova Jérsia, é a mais antiga parada portuguesa realizada ininterruptamente no Estado de Nova Jérsia. Desde 1978, organizações, clubes, associações e instituições religiosas da comunidade portuguesa unem-se para celebrar esta herança cultural.

A Comissão do Dia de Portugal de Elizabeth é composta por representantes de organizações portuguesas de Elizabeth e das áreas circundantes. Embora cada organização possua a sua própria missão e tradições, todas trabalham em conjunto sob uma visão comum de promover e fortalecer a comunidade portuguesa através da colaboração, do serviço à comunidade e da preservação cultural.

A Comissão dedica-se à preservação e promoção das tradições, valores e costumes luso-americanos através de uma série de eventos que celebram a nossa herança.

Ao longo das festividades do Dia de Portugal, indivíduos e famílias participam em exposições, concursos, torneios de golfe, corridas, torneios de futebol e diversas atividades culturais, culminando com a grande parada realizada anualmente no primeiro domingo de junho.

Este evento emblemático reúne milhares de participantes e espectadores numa demonstração orgulhosa da herança portuguesa, do espírito comunitário e das contribuições duradouras dos luso-americanos para o tecido social de Nova Jérsia e dos Estados Unidos. In “Bom dia Europa” - Luxemburgo


sexta-feira, 29 de maio de 2026

Macau - Recepção de “Junho, Mês de Portugal” volta a decorrer na Escola Portuguesa

Fernando Alexandre, Ministro da Educação, Ciência e Inovação do Governo português, estará em Macau para as comemorações do 10 de Junho. Nesse dia, a recepção à comunidade lusa residente no território será este ano realizada nas instalações da Escola Portuguesa. A EPM foi escolhida por ser “um símbolo máximo do ensino e da promoção da língua e da cultura portuguesas”, disse Alexandre Leitão na apresentação do programa do “Junho, Mês de Portugal”. A edição deste ano contará com 37 actividades


O Estado português volta a estar este ano representado nas celebrações oficiais do Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas em Macau. Fernando Alexandre, Ministro da Educação, Ciência e Inovação, foi a figura escolhida pelo Governo para se deslocar ao território, depois de em 2025 as celebrações não terem contado com qualquer representante vindo de Lisboa.

Recorde-se que a deslocação do então Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, a Macau para as cerimónias do 10 de Junho do ano passado, foi cancelada devido à situação política interna do país.

As comemorações serão assinaladas, como é habitual, com o hastear da bandeira, nos Jardins do Consulado, na manhã de 10 de Junho, seguindo-se a tradicional romagem à Gruta de Camões. O Cônsul-Geral, Alexandre Leitão, revelou que a recepção à comunidade portuguesa, que nos últimos anos tem sido realizada na Residência Oficial da Bela Vista, terá desta feita por palco as instalações da Escola Portuguesa (EPM), ao final da tarde do mesmo dia 10, repetindo-se o que aconteceu em 2023.

A EPM foi escolhida “por ser um símbolo máximo do ensino e da promoção da língua e da cultura portuguesas, e porque é uma instituição que materializa esta ideia de fusão entre povos e de plataforma”, salientou o Cônsul, referindo que em vários países onde existem escolas portuguesas, estas são normalmente o local onde se faz o dia de celebração de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas. “Tem tudo a ver, é o presente, o passado e naturalmente o futuro, e o futuro está na escola”, enfatizou.

A Residência Oficial, no entanto, não fica fora das celebrações, uma vez que abrirá portas na tarde do dia 25 de Junho, no âmbito de um programa que permite a observação de obras de vários artistas, que decoram algumas salas da Residência Consular. “Queremos abrir o mais possível o Bela Vista às comunidades, não só portuguesas, mas todas as comunidades que devem conhecer aquele património magnífico”, frisou Alexandre Leitão.

O Cônsul-Geral proferiu estas declarações no decorrer da apresentação do programa de mais uma edição do evento “Junho, Mês de Portugal”.

Através de representantes das principais entidades que organizam o certame, nomeadamente a Casa de Portugal, Instituto Português do Oriente (IPOR), Fundação Oriente (FO), Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal (AICEP) e o próprio Consulado, foram detalhadas as diversas actividades que vão decorrer oficialmente entre amanhã, com uma primeira exposição, da responsabilidade da SOMOS – Associação de Comunicação de Língua Portuguesa, e 3 de Julho.

No programa, “que ainda não está fechado”, segundo referiu Patrícia Quaresma, directora do IPOR, estão incluídos 37 eventos, entre exposições, workshops, espectáculos performativos e na área da literatura, concertos e conferências, para além da quarta edição do “Roteiro Gastronómico: Comer e Beber à Portuguesa”.

Neste caso, a iniciativa conta com 35 estabelecimentos participantes, o que é um número recorde. “Pretendemos também consolidar o maior número de visitantes, de participações dos restaurantes, e que no ano passado alcançou já 2000, representando um crescimento de 300% face à segunda edição”, sublinhou Bernardo Pinho, delegado da AICEP em Macau.

“Mais uma vez estes estabelecimentos aderentes representam aquela que é a diversidade da gastronomia de pratos típicos portugueses em Macau, nomeadamente não só os restaurantes das concessionárias do jogo, mas também de estabelecimentos de rua, bares, cafés, padarias e take-away”, disse.

Durante o mês de Junho, cada um destes espaços de restauração promoverá uma oferta específica, com desconto de 10%. O BNU volta a ser parceiro nesta festa gastronómica, oferecendo uma viagem a Portugal após sorteio dos clientes do banco que consumirem nos estabelecimentos aderentes.

O evento destinado à promoção da comida portuguesa, que abarca também iniciativas do Clube Militar e do Hotel Sofitel, assume um papel importante no conjunto de actividades, conforme foi destacado por Alexandre Leitão. “O crescimento deste programa excedeu as nossas expectativas e a gastronomia é extraordinariamente importante quando se faz a acção cultural e projecção do que se chama o softpower de um país, cuja própria imagem assenta muito na capacidade que os chefes têm em traduzir no prato muita da cultura”, observou.

Concertos, espectáculos para crianças e exposições

O “Junho, Mês de Portugal” apresenta ainda concertos diversificados, alguns dos quais para crianças na Casa Garden, e uma actuação de jazz no Roadshow, com um quarteto de saxofone.

Em termos de espectáculos performativos, a Casa de Portugal irá apresentar já neste fim-de-semana um evento dedicado às crianças, nomeadamente bebés acompanhados pelos pais, em quatro sessões. “Será um espectáculo de cariz sensorial, em que os pequeninos têm oportunidade de experienciar texturas e sons, porque ainda não têm idade para palavras”, vincou Amélia António.

Para a presidente da associação de matriz lusa, estes eventos virados para os mais pequenos têm posto “muito em evidência” a crise de natalidade em Macau. “De ano para ano, nós sentimos pelas actividades que organizamos para esses sectores etários, que vemos mirrar, definhar, o universo dessa faixa etária, que é de facto uma coisa extremamente preocupante”, disse a dirigente.

Além de uma exposição dedicada a Camilo Pessanha, acompanhada pela leitura de poesia e música interpretadas por dois artistas que virão de Portugal, e uma outra mostra sobre a calçada à portuguesa, na Casa de Vidro, o Fado à Janela, no edifício-sede, será outra das apostas da Casa, que fechará a sua participação com um concerto de Afonso Cabral, no Teatro D. Pedro V. O evento incluirá ainda o Arraial de Santo António, nas instalações da EPM, a 13 e 14 de Junho.

Um recital lírico, no Teatro D. Pedro V, no dia 6, é uma das novidades do programa, tendo a particularidade de ser uma proposta de uma cooperativa de ópera de câmara de Hong Kong e com a produção de uma empresa local. Michel Reis, um dos promotores, afirmou que o objectivo é apresentar uma perspectiva de música composta para voz, com vários compositores. “Vamos ter algumas obras de autores do Brasil e a colaboração do Concurso Internacional de Canto – Cascais Ópera, que tem projectado cantores de todo o mundo e também portugueses, como Sílvia Sequeira, que vai estar em Macau juntamente com uma soprano, um barítono e uma pianista francesa, todos de Hong Kong”, destacou.

A Casa Garden receberá algumas actividades, uma das quais uma exposição, em conjunto com o IPOR, de Eduardo Leal, fotógrafo documental português, que “revela um trabalho sobre a condição humana e sobre como vivem outras pessoas noutros lugares”, referiu Catarina Cottinelli, delegada da Fundação Oriente.

O Instituto Internacional de Macau colabora também no programa de eventos, recebendo exposições e conferências, uma das quais gira em torno da missão empresarial a Macau de entidades da Região Autónoma da Madeira. A outra, intitulada “Raízes e rumo: construir o presente e fortalecer o futuro”, a 13 de Junho, é uma iniciativa do Conselho das Comunidades Portuguesas do Círculo da China. Rui Marcelo, presidente do Conselho Regional da Ásia e Oceânia do Conselho das Comunidades Portuguesas, explicou que os debates se focarão na renovação geracional, com a participação de vários jovens talentos.

Além disso, o evento dedicado a Portugal durante o próximo mês inclui outras exposições, como a “Ilha dos Amores”, organizada pelo Círculo dos Amigos da Cultura no Albergue da Santa Casa da Misericórdia, “O Estúdio de Alexandre Marreiros – Dez Anos de Desenho e Pintura” na Fundação Rui Cunha, e mostra de trabalhos de Raquel Gralheiro, na Amagao.

No que diz respeito ao convite a artistas do exterior, o cônsul-geral de Portugal em Macau admitiu que seja agora mais difícil, devido aos custos acrescidos das viagens, em consequência da crise no estreito de Ormuz. A situação teve “impacto directo na organização deste programa cultural”, lamentou o diplomata. Vítor Rebelo – Macau in “Jornal Tribuna de Macau”


sexta-feira, 23 de janeiro de 2026

Macau - Actividades comemorativas dos 450 anos da Diocese arrancam na Região

A Diocese de Macau, a primeira do Extremo Oriente moderno, foi fundada no dia 23 de Janeiro de 1576. Volvidos 450 anos, a efeméride é comemorada com uma programação que tem início com uma cerimónia litúrgica inaugural, e se prolonga até ao próximo aniversário. As actividades planeadas até Janeiro de 2027 são diversas e marcadas por espectáculos musicais, competições desportivas e simpósios académicos que pretendem promover uma reflexão sobre os últimos quatro séculos e meio de missão em Macau, ao mesmo tempo que se esboçam as orientações futuras da instituição


A Diocese de Macau vai assinalar 450 anos de existência com um extenso programa de actividades e exposições comemorativas. Sob o tema “De Macau para o Mundo: 450 Anos de Missão e Misericórdia”, as festividades estendem-se até ao próximo aniversário, a 23 de Janeiro de 2027.

Em comunicado enviado às redacções, a Diocese escreve que a sua fundação em 1576 teve como missão a construção de pontes entre os mundos oriental e ocidental, promovendo em Macau serviços como “a educação, a caridade e o serviço pastoral”. A ocasião não é apenas de celebração, mas também de reflexão e reconhecimento pelo trabalho desenvolvido ao longo de quatro séculos e meio, assim como “a marca profunda e duradoura no desenvolvimento cultural, educativo e religioso” que perdura, até hoje, na região.

O programa para os próximos 365 dias foi desenvolvido com o propósito de “revisitar o percurso histórico” da Diocese, mas também a intenção de “apresentar a sua visão para o futuro” e os novos caminhos a desbravar nos próximos anos. Esta intenção é explanada numa mensagem publicada pelo bispo Stephen Lee Bun-sang na página oficial da instituição: celebrar este aniversário é permitir “que a memória do passado se torne numa bússola para traçar mapas de esperança para o futuro, e não apenas uma recordação guardada num álbum histórico”.

O logótipo oficial do aniversário foi seleccionado através de um concurso público que decorreu na primeira metade do ano passado, em que os residentes de Macau foram convidados a determinar a imagem representativa da efeméride relacionando-a com o tema “O Espelho do Mar Reflecte a Propagação Universal do Evangelho”. Diz a Diocese, em comunicado, que a proposta escolhida “simboliza a fé enraizada, a comunhão e a continuidade”.

Um ano de celebrações

A cerimónia inaugural arranca ao anoitecer. A celebração litúrgica “Lux Vera – Passagem da Verdadeira Luz” vai iluminar Macau com um “gesto simbólico de transmissão da chama” entre as nove paróquias da região.

Também a Direcção dos Serviços de Correios e Telecomunicações (CTT) vai emitir uma emissão filatélica especial que integra um conjunto de quatro selos, cada um deles representativo de um edifício emblemático do catolicismo em Macau (o Paço Episcopal, a Igreja de S. Lázaro, o Seminário de S. José e a Sede da Cáritas).

A emissão inclui um bloco que tem como fundo a imagem de um mapa antigo da região e, em primeiro plano, uma imagem do Centro Católico da Diocese. Os CTT explicam que este contraste simboliza “uma fusão entre o velho e o novo para delinear o contexto histórico e expressar ainda a importância de Macau como berço e centro da expansão do catolicismo no Oriente”.


A segunda actividade está prevista para o dia 7 de Fevereiro, pelas 19h30, com um concerto de música sacra na Igreja da Sé. São vários os grupos locais convidados a participar nesta celebração: o Coro Diocesano de Macau e a Schola da Catedral de Macau, que actuarão juntos, o Cantate Chorus, o Dolce Voce e o Coro Perosi. Das regiões vizinhas, são convidados os Vox Antiqua e o Coro da Universidade de São Francisco, vindos de Hong Kong, e a Orquestra Barroca de Cantão.

O comunicado realça que a apresentação do novo Órgão de Tubos da Sé Catedral “assinala a continuidade do património musical e litúrgico da Diocese, proporcionando aos fiéis e ao público em geral a oportunidade de experienciar a profundidade espiritual cultivada ao longo de 450 anos através do diálogo entre a arte e a fé”.

Ainda no primeiro trimestre do ano, vai decorrer um jogo amigável de voleibol misto para os funcionários e docentes das escolas católicas de Macau, visando fomentar o intercâmbio académico, e uma iniciativa intitulada “A Cruz da Fé – Tecida em Unidade”, que terá lugar durante a Quaresma.

O segundo trimestre, de Abril a Junho, começa com o simpósio “A Educação Católica – Ontem, Hoje e Amanhã”, acompanhado por uma mesa-redonda de directores escolares. O novo Centro Católico de Macau vai ser inaugurado em Abril, à entrada da Rua do Campo, depois de um processo de reconstrução que já decorre deste 2021. Trata-se de um edifício de dezassete pisos, inspirado no conceito de “encontro entre Deus e a Humanidade”, que funcionará como “um ponto central de recolha e difusão de informação religiosa local”, disponibilizando serviços de acolhimento para visitantes e peregrinos.

O edifício vai ainda integrar espaços expositivos, que serão estreados logo no momento da abertura do espaço. As duas grandes mostras temáticas preparadas para a ocasião são “Honrar o Passado, Criar o Futuro” e “Testemunha do Património, Missão no Mundo”, que a Diocese diz reflectirem o seu desenvolvimento “a partir de perspectivas históricas, pessoais e culturais, bem como as suas orientações futuras”.

De Julho a Setembro, a única actividade até agora anunciada é um concerto de homenagem ao padre jesuíta Matteo Ricci, considerado o fundador das missões jesuíticas na China e a primeira pessoa a promover a expansão do conhecimento ocidental no Oriente. Mais do que a evangelização da população, a missão do italiano na China é frequentemente exaltada pela abordagem assente no diálogo, no intercâmbio e na inculturação, assim como o respeito pelas culturas e costumes locais.

O quarto e último trimestre de 2026 é aquele em que decorrerá “a iniciativa mais simbólica de grande dimensão do ano comemorativo”, segundo o comunicado da Diocese. A Grande Cerimónia Comemorativa está marcada para o dia 31 de Outubro, composta por uma recepção e uma Celebração Eucarística subsequente. Os fiéis vão unir-se em torno da Eucaristia nesta ocasião para demonstrar gratidão a Deus “pelas graças e pela missão concedidas ao longo de quatro séculos e meios” e rezar “para que Ele continue a orientar o caminho a seguir” nos anos vindouros.

As outras actividades agendadas para o final do ano, coincidentes com a aproximação da época natalícia, centram-se nos temas da família, da infância e da juventude. No dia 28 de Novembro, decorre o Carnaval do Dia da Família da Diocese, intitulado “Crescer em Conjunto como Família”. Já no mês de Dezembro, no dia 5, as famílias e jovens são novamente chamadas a participar no encontro juvenil “Caminhar Juntos, Zarpar de Novo”.

A Diocese de Macau esclarece que o ano comemorativo quer angariar uma “participação transversal e intergeracional”, envolvendo fiéis, residentes, famílias, escolas, jovens e diferentes grupos das comunidades da região na (re)descoberta do “desenvolvimento histórico da Diocese e o seu serviço à comunidade”.

“À medida que se aproxima do seu 450.º aniversário, a Diocese de Macau espera caminhar juntamente com os residentes de Macau na reflexão sobre o passado e na continuação da sua missão de fé, serviço e cultura nesta nova etapa”, conclui a instituição representante da comunidade católica local. Carolina Baltazar – Macau in “Ponto Final”




domingo, 7 de dezembro de 2025

Argentina - Galeria De Sousa mantém viva herança de raízes portuguesas em Buenos Aires

Pablo de Sousa é designer gráfico e filho de Aldo de Sousa, lusodescendente e fundador da histórica Galeria De Sousa, criada em 1972, em Buenos Aires

A história da família De Sousa tem profundas raízes portuguesas. O avô de Pablo chegou à Argentina vindo de Loulé durante a Primeira Guerra Mundial, dedicando-se inicialmente ao ofício de antiquário. Mais tarde, o seu filho Aldo e a esposa estabeleceram-se em Villa Elisa. Aldo, também ele formado na arte de antiguidades, viria a orientar a sua carreira para as artes, fundando a então Galeria Aldo de Sousa.

Após passar por vários espaços ao longo das décadas, a galeria encontra-se atualmente instalada entre as ruas Paraguay e Maipú, numa zona emblemática da cidade conhecida como a “manzana loca” (quarteirão louco, em português). Este quarteirão ganhou esse nome por, há várias décadas, ter sido ponto de passagem e trabalho de figuras como Marta Minujín e Jorge Luis Borges, ícones da cultura argentina.

Atualmente, é Pablo de Sousa quem dá continuidade a este legado familiar. Há cerca de um ano e meio, a galeria está instalada no espaço da Paraguay 675, uma área com cerca de 500 metros quadrados, distribuída por três pisos. O espaço está aberto de segunda a sexta-feira, das 10h00 às 18h00 (hora local).

Antes de entrarem na zona expositiva, os visitantes encontram uma loja da galeria, onde é possível adquirir peças de vários artistas. Está igualmente prevista, para breve, a abertura de um espaço de cafetaria, que permitirá ao público desfrutar da visita num ambiente ainda mais acolhedor.

De acordo com a informação patente no sítio da galeria, “o projeto concentra-se em reunir artistas de diferentes gerações e origens para forjar uma ligação intemporal através da sua arte. A galeria presta consultoria a coleções e museus internacionais, promovendo uma plataforma para a visibilidade global ao exportar o seu trabalho para países como os Estados Unidos, Canadá, Espanha, Brasil, Colômbia, Peru, Chile, Venezuela, Porto Rico e Uruguai.”.

A embaixada de Portugal na Argentina visitou recentemente a galeria e deu conta dessa iniciativa através de uma publicação feitas nas redes sociais. Veja aqui, o vídeo da visita e consulte aqui as exposições que pode apreciar neste espaço. In “Bom dia Europa” - Luxemburgo

 


quinta-feira, 3 de julho de 2025

Macau - Bienal Internacional de Arte terá “Pavilhão” e obras de Portugal

A edição deste ano da Bienal Internacional de Arte de Macau terá um “Pavilhão da cidade de Portugal” e 80 obras de 13 países e regiões, que incluem Portugal. Dividida em seis secções, a Bienal contará com cerca de 30 exposições de 46 artistas locais e internacionais


A Bienal Internacional de Arte de Macau vai apresentar o “Pavilhão da cidade de Portugal”, com curadoria do Consulado-Geral de Portugal em Macau e Hong Kong, anunciou o Instituto Cultural (IC). O espaço apresentará ao público “o espírito humanista de uma pequena cidade que combina uma longa história e uma vitalidade inovadora”.

Este Pavilhão centrar-se-á na “tensão entre tradição e inovação, e no encanto humanístico demonstrado no diálogo de múltiplas culturas, reflectindo o valor da plataforma de Macau como o ‘Centro de Intercâmbio Cultural entre a China e Portugal’”, referiu o IC.

A Bienal teve um orçamento de cerca de 4,5 milhões de patacas, segundo Leong Wai Man, presidente do IC, e decorrerá entre 19 de Julho e 19 de Outubro.

A mostra contará com 46 artistas contemporâneos de 13 países e regiões, incluindo Portugal, apresentando 80 obras e cerca de 30 exposições, que demonstram “o papel único de Macau como uma ponte para intercâmbios culturais”. Em conferência de imprensa, Feng Boyi, curador principal, esclareceu que não haverá uma “exposição de grande envergadura”, contudo “serão expostas mais obras”.

Dividida em seis secções, a Bienal terá uma “Exposição Principal”, no Museu Arte de Macau, uma “Exposição de Arte Pública”, a “Exposição Especial”, o “Projecto de Curadoria Local”, a “Exposição Colateral” e o “Pavilhão da Cidade”. Feng explicou que o tema da “Exposição Principal” – “Olá, o que faz aqui?”, uma expressão cantonense “muito popular” -, demonstra “amizade, simpatia” e interesse “em conhecer o outro”. A escolha resultou do “conservadorismo e populismo” para o qual o mundo “está a virar”, afirmou Feng.

Na “Exposição de Arte Pública”, a mostra “Ondas e Caminhos” vai apresentar cinco conjuntos de obras de oito artistas, em diferentes bairros, para que as comunidades possam “reduzir a distância com a arte”. A arte será incorporada “no tecido urbano e na vida quotidiana, convidando os espectadores a re-imaginar as possibilidades dos espaços públicos”.

A RAEM convidou artistas do Interior da China, do Japão e da Coreia do Sul para criar “A Torre do Tempo”, um símbolo de “amizade das cidades culturais da Ásia Oriental”, na Praça do Centro Cultural de Macau (CCM). No projecto “Mercadores e Guerreiros” serão exibidos “alimentos palpáveis e comestíveis” para construir “elos de ligação sensoriais e emocionais” entre a terra e o público urbano.

Além disso, Jason Ho vai “reparar as fracturas no seio da comunidade” com exibições de filmes e encontros numa “sala de estar do bairro”, na Areia Preta. No Teatro de D. Pedro V, a artista Ann Hamilton transformará o espaço “numa embarcação mercante cultural”, que convidará os visitantes a “reflectir sobre as correlações subjacentes entre a produção cultural, a identidade e a reprodução artística”.

A Praça do CCM vai ainda acolher a obra interactiva “Não Terminal”, da artista chinesa Yin Xiuzhen. O trabalho de Yin convidará o público a reflectir “sobre o sentido da vida num mundo turbulento, sublinhando a singularidade e a diversidade dos indivíduos e das colectividades em movimento”.

Na mesma secção do “Pavilhão da cidade de Portugal”, encontrar-se-á o Pavilhão de Jinan, instalado na Galeria de Arte do Tap Seac. “O Rio Amarelo, as nascentes, as montanhas e as cidades antigas” serão os quatro temas principais em torno dos quais mais de 10 artistas locais vão explorar “o património cultural de Qi-Lu com 2.700 anos de história”.

No hotel Capella, do Galaxy, serão exibidas “peças intemporais” do cenógrafo e pintor francês Bruno Moinard. À entrada da “Cotai Strip”, o público encontrará a série “Clair de Lune”, inspirada nas “‘Moontowers’ originais da casa de infância dos Haas Brothers” e organizada pela Melco Resorts & Entertainment. O modelo de inteligência artificial “cAI”, criado por Cai Guo-Qiang, vai também regressar ao MGM Macau, no espaço “Fantasy Box” para a experiência “Uma IA, Um Espectáculo”.

Por sua vez, a Sands China organizará a exposição “Dopamina: Fonte da Felicidade”, no Venetian. Segundo o IC, artistas contemporâneos “prestigiados” vão reinterpretar “a beleza eterna da mitologia romana”, fundindo-a com elementos da Rua Sésamo.

Mario Arroyo vai também curar uma colecção de 143 peças do “Museo Casa Natal Picasso”, organizada pela SJM. As obras do artista andaluz estarão em exibição no Grand Lisboa Palace. Por fim, o Wynn Palace apresentará projecções dos fornos imperiais da Dinastia Qing, bem como obras de cerâmica contemporâneas que reinventam técnicas tradicionais, da “Odisseia da Porcelana de Jingdezhen”.

Mais projectos locais

Leong Wai Man afirmou que a elevada proporção de obras de arte estrangeiras pretende “aumentar o contacto com a rede global de arte”. Por outro lado, a Bienal servirá igualmente para promover os artistas locais, com uma participação de curadores locais “muito maior que no ano passado”, reiterou a presidente. O “Projecto de Curadoria Local” e a “Exposição Colateral” permitirão “mostrar ao mundo a criatividade vibrante dos artistas de Macau”.

Este ano estarão em exibição seis projectos de curadoria local, mais dois do que na última edição. “A proporção de artistas locais é de 27% (…) o que é comparativamente mais alto do que nos anos anteriores”, reiterou Leong. Esta edição servirá também para seleccionar uma proposta para a Bienal de Veneza, do próximo ano, segundo a presidente do IC.

Os seis trabalhos de curadoria local são “Atrás do Jardim Oriental”, de Cheong Weng Lam; “Sob a Península do Wetware”, de Daisy Di Wang e Wong Mei Teng; “Duração Genética”, de Ung Vai Meng; “Torre de Jacone”, de Feng Yan e Ng Sio Ieng; “Mar de Línguas”, de Hen Jun Yan e Zhang Ke; e “Uma Posição Enunciável para Mulheres”, de Cheong Cheng Wa e Wang Jing.

A “Exposição Colateral” inclui os projectos “Acredite Em Um Rio”, “Para Além do Enquadramento”, “A Valsa do Adeus”, “Ei, estou com saudades de ti em Macau!”, “Olá, estou aqui para ouvir o que Macau não disse!”, “Olá, Sorte!”, “Dado que está – o Futuro”, “528Hz Re” e uma “Exposição Imersiva” do Património Mundial de Macau. Pedro Milheirão – Macau in “Jornal Tribuna de Macau”


quinta-feira, 6 de março de 2025

Macau - Festival Literário leva poesia ao Porto Interior entre os dias 21 e 30 de Março

A 14.ª edição do Rota das Letras – Festival Literário de Macau vai acontecer entre os dias 21 e 30 de Março. O festival regressa este ano à zona da Barra e volta a ter como tema principal a poesia. Os 50 anos do fim da guerra colonial e os 100 anos da publicação de Lin-Tchi-Fá, Flor de Lótus, também vão estar em foco. Lisbon Poetry Orchestra, Xana, Xu Jinjin, Valério Romão e António Costa Silva, entre outros, vão estar presentes



O 14.º Rota das Letras – Festival Literário de Macau vai acontecer entre os dias 21 e 30 de Março, anunciou a organização. Nesta edição, o evento volta à zona da Barra e terá como tema a poesia, como aconteceu em 2019.

A programação do festival conta com duas dezenas de palestras, três exposições, um ciclo de cinema, um concerto, visitas a escolas e oficinas de fotografia e de escrita criativa. A programação detalhada será divulgada em breve pela organização.

A habitual parte musical, que acontece no dia 29 de Março, vai estar a cargo da Lisbon Poetry Orchestra, que faz a sua estreia em Macau. A banda vai apresentar um espectáculo intitulado “Os Surrealistas”, trazendo como convidada especial Xana, a vocalista dos Rádio Macau. Os Poetry & Music, do antigo responsável pela organização do Festival Literário de Pequim, Anthony Tao, farão a primeira parte do concerto, com uma actuação que terá como tema “O Mito da Escrita”.

Uma vez que o ponto focal desta edição é a poesia, o Rota das Letras traz a Macau vários poetas chineses, como por exemplo Xu Jinjin, artista interdisciplinar que divide o seu tempo entre Xangai e Nova Iorque, expondo os seus trabalhos com regularidade em museus de ambas as cidades. Xu Jinjin foi recentemente premiada pela Sociedade Americana de Poesia. A Xu Jinjin juntam-se, entre outros poetas, Valério Romão, de Portugal, Zang Di e Jia Wei, de Pequim, Chan Ka Long e Wang Shanshan, de Macau. As récitas de poesia, apresentações de novos livros, palestras e workshops vão decorrer no edifício do Antigo Matadouro Municipal.

A ocasião vai servir para assinalar o 100.º aniversário da publicação de Lin-Tchi-Fá, Flor de Lótus, um livro de poemas de Maria Anna Acciaioli Tamagnini. No festival, serão lançadas traduções inéditas da obra para chinês e inglês.

O Rota das Letras também vai assinalar os 50 anos do fim da guerra colonial e da independência dos Países Africanos de Língua Portuguesa através de uma exposição do fotojornalista português Alfredo Cunha, que fez a cobertura desses acontecimentos históricos. Além disso, o realizador Luís Filipe Rocha, que adaptou para o cinema o romance “O Teu Rosto Será o Último”, de João Ricardo Pedro e que também aborda o tema da descolonização, regressa a Macau, depois de, no final da década de 1980 ter dirigido no território a programação da TDM e filmado “Amor e Dedinhos de Pé”, uma adaptação do romance de Henrique de Senna Fernandes.

Ainda dentro da temática da descolonização, virá a Macau António Costa Silva, escritor, poeta, ensaísta e antigo ministro português da Economia e do Mar. António Costa Silva vai apresentar no território o romance “Desconseguiram Angola”, sobre um período vivido há já meio século, “quando no meio de uma guerra fratricida se procurava construir a nação angolana”.

Chen Jiming, vice-presidente da Associação de Escritores de Guangdong, também vai estar presente. Ao longo da sua carreira tem coleccionado distinções literárias, incluindo o Prémio Anual da Literatura Chinesa para o Melhor Novelista, o Prémio Literário do Povo e o China Good Book Award, entre outros. “Cidade dos Sete Passos” e “Monólogo em Voz Alta” são dois dos romances mais premiados do autor.

Vão também fazer parte desta edição do Rota das Letras autores de língua inglesa. O escritor britânico Paul French traz ao festival os seus dois últimos trabalhos: “Her Lotus Year”, biografia de Wallis Spencer, “Duquesa de Winsor”, sobre o período que viveu na China durante os anos 20 do século passado; e “Destination Macao”, uma colecção de histórias sobre algumas das mais fascinantes figuras do território dos séculos XIX e XX. Tony Banham, de Hong Kong, apresenta o resultado da sua investigação sobre o afundamento do navio Lisbon Maru. Thomas DuBois, autor sediado em Pequim, dá a conhecer a China em “Sete Banquetes”, um estudo profundo da história da gastronomia chinesa.

Os livros para os mais novos serão levados às escolas por Chen Shige, o primeiro escritor pós-anos 80 a ganhar a mais alta distinção da literatura infantil na China, e por André Letria, ilustrador e editor português que tem já várias das suas obras publicadas em língua chinesa. Sophia Hotung, ilustradora de Hong Kong, vem ao festival partilhar a sua arte com o público de Macau.

Na véspera da abertura do festival, Wang Zhengping, considerado um dos grandes mestres da fotografia chinesa, inaugura na Galeria do Tap Seac, a exposição “O Vento Sopra na Pradaria”, um olhar poético sobre os campos de pastagens da Mongólia Interior e quem os habita. Rao Yongxia, discípula de Wang, seguiu-lhe os passos e mostra o seu trabalho dias mais tarde, na Galeria do Albergue da Santa Casa da Misericórdia.

O evento, organizado pela Sociedade de Artes e Letras e pela Praiagrande Edições, é patrocinado pela MGM Macau, contando também com o apoio do Fundo de Desenvolvimento da Cultura e de outras entidades. André Vinagre – Macau in “Ponto Final”


quarta-feira, 22 de maio de 2024

Macau - Lançado o programa cultural para as celebrações do “Junho, Mês de Portugal”

Foram apresentadas as várias actividades programadas para as comemorações do “Junho, mês de Portugal” em Macau. As celebrações vão contar com exposições, concertos, seminários e uma mostra de cinema, entre outros eventos. Como acontece todos os anos, no dia 10 de Junho realizar-se-á a cerimónia do hastear da bandeira e em seguida a romagem à gruta de Camões. Em destaque está o Centenário da Viagem Aérea Portugal-Macau e a celebração dos 500 anos do nascimento do poeta Luís de Camões, bem como os 50 anos da revolução de Abril


O programa das comemorações do “Junho, mês de Portugal” em Macau foi apresentado. Do programa fazem parte várias exposições, instalações, concertos, seminários, workshops e mostras de cinema, entre outros eventos e actividades, num total de 27 actividades culturais reunidas para o Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas.

Na apresentação do programa, Alexandre Leitão, cônsul-geral de Portugal em Macau e Hong Kong, destacou a importância desta longa tradição anual das comemorações do Dia de Portugal em Macau, em especial sobre a data especial dos 500 anos de Camões e 50 anos do 25 de Abril. Fez um breve comentário à necessidade de maior aderência aos eventos por parte dos consumidores, em especial na compra de bilhetes para espectáculos e na restauração. Deixou ainda claro que ainda não foram confirmadas presenças oficiais vindas de Portugal para representar o Governo no dia 10 de Junho.

As 27 actividades marcadas para o próximo mês dão início no dia 1 de Junho e finalizam dia 30 de Junho, e envolvem 16 associações de Macau e outras quatro entidades de Portugal.

Para inaugurar a abertura das actividades no primeiro dia do próximo mês, um sábado, o Instituto Português no Oriente (IPOR) abre as portas da sua sede ao público com uma peça de teatro direccionada para os mais pequenos. Elaborada pelos artistas da ETCetera Teatro, a peça de teatro infantil “Era uma vez (outra vez)” faz uma adaptação das histórias dos irmãos Grimm e dá início às 15h. O projecto é fruto de um apoio conjunto entre o Governo da RAEM e o Governo de Portugal, através do Fundo de Desenvolvimento da Cultura.

Ainda na sede do IPOR, às 16h, dará início outra actividade, desta vez uma apresentação do projecto literário “Dinis Caixapiz”, da Sílaba – Associação Educativa e Literária. Contará com a presença virtual de Carlos Alberto Silva, que introduzirá a nova experiência de leitura, manifestada numa caixa de assinatura trimestral cheia de surpresas para leitores entre os 5 e 13 anos de idade. Uma inovadora maneira de gerar mais interesse pela leitura às crianças.

Também no dia 1 de Junho, os visitantes que passarem pela sede da Casa de Portugal em Macau (CPM) poderão encontrar uma instalação de autoria da artista plástica Elisa Vilaça, que celebra os 500 anos de Camões, numa figura gigantesca do poeta a projectar-se pela varanda da sede.

Para concluir o dia, a CPM inaugura na galeria da Casa Garden, pelas 17h, a exposição “Para os Olhos dos Jovens (de Espírito)”, do arquitecto e fotógrafo Francisco Ricarte. Um conjunto de obras de fotografia cândida e com humor, que pretende cativar os mais jovens, bem como os jovens de espírito, e introduzi-los à arte da fotografia. Esta exposição contém uma segunda parte e estende-se ao dia seguinte, com um workshop que leva o mesmo nome, guiado pelo fotógrafo. Dará início às 10h30, para jovens entre os 8 e 11 anos, com uma segunda sessão às 15h, desta vez para jovens entre os 12 e os 15 anos. O evento tem patrocínio da Fundação Macau.

A galeria A2 do Albergue SCM irá acolher a exposição de Diogo Muñoz, que celebra o Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas, com “Macau Forever”, uma colecção de sessenta obras do renomado artista. Uma organização da CAC – Círculo dos Amigos da Cultura de Macau, a mostra inaugura às 18h30 no dia 6 de Junho e fica patente para além de Junho, encerrando dia 15 de Julho.

Por entre as actividades destacadas está o concerto da banda portuguesa Capitão Fausto, que irá actuar em conjunto com o popular cantor David Huang, no teatro do MGM Cotai. Numa organização que envolve o Instituto Cultural, o concerto dará início às 20h do dia 7 de Junho.

Nos dias 8, 9, 15 e 16 de Junho realiza-se um workshop de construção de brinquedos em madeira, liderado pelo artista Daniel Garfo. Uma organização da CPM foi destacada durante a conferência, a importância em consciencializar as crianças sobre o consumo de plásticos, sendo pertinente criar um espaço de criação de brinquedos alternativos. O local do workshop será nas oficinas da Escola de Artes da CPM.

Outro evento destacado durante a apresentação do programa é o Seminário Sobre os Projecto de Alta Tecnologia em Portugal e Macau, que irá trazer dia 8 de Junho, pelas 15h, dois oradores ao 1º andar do Salão Lótus do Restaurante Plaza, para aprofundarem o tema de Macau como importante plataforma para desenvolvimento das relações económicas entre os países da língua portuguesa. Este encontro vem a seguir à recente 6.ª Conferencia Ministral do Fórum em Macau e contará com a presença de Bernardo Pinho.

No mesmo dia será inaugurada, pelas 17h na Galeria de Exposições do Bela Vista, a mais recente exposição da associação fotográfica Halftone, que leva o nome “A Presença da Matriz Portuguesa em Macau, nas Imagens Entre Tempos”, juntando obras de diferentes artistas da associação, numa abordagem sobre a presença da cultura e identidade portuguesa em Macau.

Entre o dia 20 e 21 de Junho estão marcados dois eventos diferentes para homenagear o Centenário da Viagem Aérea Portugal-Macau. Uma exposição itinerante, que inaugura às 15h, dia 20 de Junho, no auditório do Consulado Geral, contará com a presença da neta de Brito Paes, um dos famosos aviadores envolvidos na viagem. O projecto foi desenvolvido pelo Museu do Ar, que também colocará uma placa de homenagem da Força Aérea aos aviadores. A mesma exposição será levada para Hong Kong, onde ficará exposta no Clube Lusitano.

Na parte do cinema, haverá a “Mostra de Cinema Português”, uma extensão ao Indie Festival realizado em Portugal. Uma coorganização da Fundação Oriente com Margarida Moz da Portugal Film e com apoio da Associação CUT e do BNU. As sessões são divididas entre 28, 29 e 30 de Junho, com horários ainda por confirmar.

Por fim foi apresentado o roteiro gastronómico que irá decorrer durante todo o mês de Junho. Com o objectivo de valorizar a importância da gastronomia portuguesa no contexto cultural de Macau, a segunda edição do Roteiro de Gastronomia de Pratos Portugueses na RAEM “Comer e Beber à Portuguesa” divulgará uma lista de restaurante participantes, que oferecerão um desconto de 10,6%, em referência à data em comemoração do Dia de Portugal, perante a apresentação do cartaz do programa nos estabelecimentos. Elói Carvalho – Macau in “Ponto Final”



segunda-feira, 12 de fevereiro de 2024

Bélgica - Associação José Afonso assinala 25 de Abril com agenda recheada em Bruxelas

A Associação José Afonso (AJA), em Bruxelas, prepara-se para comemorar o cinquentenário da revolução de 25 de Abril de 1974 com um conjunto de atividades culturais


De acordo com a agenda do certame, o primeiro dia (2 de abril) iniciará com o lançamento da versão francesa do livro “Exílios no Feminino”, com a presença de quatro protagonistas da obra (Helena Cabeçadas, M. Emília Brederode Santos, Fernanda Marques e Amélia Resende).

Já a partir do dia 11 do mesmo mês, e até 1 de maio, estará patente a exposição sobre a Revolução no Elzenhof, Centro Socio-cultural, 12 avenue de la Couronne, Ixelles;

A 18 de abril, no Elzenhof, pelas 19h00, inaugura-se uma exposição com um concerto (uma hora depois), de A Alma e o Vento.

O derradeiro dia dos festejos terá lugar a 23 de abril, na Université Libre de Bruxelles, Campus Solbosch, edifício A: às 18h00: 25 abril 1974, história do regresso de Portugal à democracia ilustrada com poemas e canções; e às 20h00: Inauguração da exposição O legado dum cravo.

O certame é organizado em colaboração com o Leitorado de Português Camões IP. In “Bom dia Europa” - Luxemburgo


domingo, 11 de fevereiro de 2024

Portugal - Nelson Ferreira, o emigrante em Londres reconhecido em todo o mundo

Exposições realizadas em Portugal desde 2022 impulsionaram mais a carreira do pintor português Nelson Ferreira do que duas décadas a viver e a trabalhar em Londres, afirmou o artista, cujo trabalho foi reproduzido em cinema com sucesso

Nas próximas semanas vai expor e dar aulas em Dhaka, capital do Bangladesh, em Katmandu, Nepal, e em Jeddah, Arábia Saudita, este último um país para onde vende muitas obras.

O português também terá o seu trabalho presente no Festival de Cinema de Berlim 2024, em fevereiro, porque o realizador italiano Gianmarco Donaggio foi selecionado como um dos talentos pela organização com base em vários dos seus filmes, incluindo dois sobre exposições de Nelson Ferreira em Portugal.

O artista plástico disse que “a carreira como pintor explodiu” em grande parte graças à visibilidade e sucesso que teve em Portugal, onde desde 2022 expôs no Museu Nacional de Arte Contemporânea (MNAC), em Lisboa, Mosteiro da Batalha, Museu Soares dos Reis, no Porto, e Museu Condes de Castro Guimarães, em Cascais.

“As exposições em Portugal foram inesperadamente produtivas para mim”, afirmou à agência Lusa, referindo que as mostras no Mosteiro da Batalha acumularam mais de 260 mil espetadores.

Na sua opinião, a popularidade de Portugal como destino turístico e de investimento representa também um novo paradigma para os museus portugueses, que têm o potencial de se tornarem instituições de referência internacional.

“Museus que no passado eram periféricos hoje em dia, devido ao público internacional que passa por Lisboa e pelo Porto, deixaram de ser periféricos, porque nós nunca sabemos agora quem é o visitante que está ali, pode ser um curador do Guggenheim, pode ser um príncipe saudita”, afirmou.

Nelson Ferreira, de 45 anos, cresceu no Seixal e estudou pintura na Faculdade de Belas Artes em Lisboa e na Escola de Artes Tradicionais da King’s Foundation, em Londres [designada anteriormente por Prince’s Foundation], onde fez um doutoramento.

Ao longo dos anos especializou-se em iconografia e técnicas de pintura antigas praticadas desde o século XV atá ao século XIX, e deu cursos nos museus britânicos National Portrait Gallery, Saatchi Gallery e Victoria and Albert Museum.

Apesar de viver e trabalhar em Londres desde 2004, foi em Portugal que sentiu que a carreira ganhou um novo impulso.

Durante uma residência artística no MNAC, Gianmarco Donaggio viu-o a pintar no jardim do museu e da conversa surgiu uma colaboração.

A curta-metragem experimental, “Azul no Azul”, de seis minutos, foi realizada em 2022 e no ano seguinte os dois filmaram “Alba Nera” durante uma exposição no Mosteiro da Batalha, onde o filme vai estrear em 01 de junho.

Os filmes são “obras independentes”, baseadas nas suas pinturas, “mas com a estética do Gianmarco, ou seja, é como estar a olhar para uma nova obra de arte”.

“Quando alguém é espelho do que nós fazemos, nós vemos facetas de nós próprios de que não nos tínhamos apercebido. Quando eu olho para a obra do Gianmarco, vejo coisas sobre mim que eu não tinha notado anteriormente”, disse. In “Bom dia Europa” - Luxemburgo


sábado, 10 de fevereiro de 2024

CPLP - Aeroportos de Washington e Rio de Janeiro recebem exposições de artistas

Os aeroportos internacionais de Washington e do Rio de Janeiro têm abertas ao público duas exposições de artistas da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) sobre temas como a identidade de um povo ou o 25 de Abril.

As duas novas exposições “Arte Box”, que resultam de uma parceria do Arte Institute com a VisitPortugal e a iniciativa RHI, estarão abertas ao público até ao mês de abril.

A exposição “Arte Box” em Washington, denominada “Liberdade”, tem lugar no Aeroporto Internacional Washington Dulles, na capital norte-americana, e surgiu no âmbito da comemoração dos 50 anos do 25 de Abril em Portugal, “que devolveu a liberdade ao povo português e aos países que, à data, ainda eram colônias portuguesas”.

“Pelo que convidamos artistas da CPLP para celebrar o evento e a liberdade em si – um valor tão necessário na época, como hoje”, indicou o Arte Institute num comunicado enviado à Lusa.

As obras foram criadas pelos artistas lusófonos Thierry Ferreira, Susa Monteiro, Guilherme Atanásio, Nah Pinheiro, Bruno Miguel, Sandrine Cordeiro, Abraão Vicente, Cinara Saiónára, Maria Barreira e Carolina M Correia, que, através da sua arte, celebram o seu conceito de liberdade, materializando-o das mais variadas formas.

Já a exposição “Arte Box” no Brasil encontra-se no RIOgaleão Aeroporto Internacional Tom Jobim do Rio de Janeiro e é denominada de “(ID)entidade”.

Jordi Burch, Catarina Neto, Emerson Quinda, Patrícia da Mata, José Varatojo, Elano Passos, Orlando Azevedo, Ana Kemper, Carlos Segá e Martim Meirelles são os artistas da CPLP envolvidos nesta exposição, num diálogo com os territórios de onde são originários.

“Reflete sobre a influência de um território, de um país, na identidade de um povo e vice-versa. Através de diferentes trabalhos, materiais, sensibilidades e perspetivas, mostramos fragmentos de cada uma das culturas que animam esses espaços, essas terras, unidas pelo passado e uma mesma língua”, lê-se no comunicado.

Alem destas duas exposições, ao longo do ano serão ainda exibidas mais duas – “Sonho e Utopia” e “Uma língua que nos une” -, que irão rodar pelos dois aeroportos de forma a assinalar os 50 anos do 25 de abril.

“Ao promover a arte em ambientes e espaços não tradicionais, estas exposições, realizadas em diferentes locais de cada aeroporto, abrem portas para artistas e sua arte, dando também a possibilidade a pessoas de todo o mundo de conhecerem a cultura de cada país”, explicou o Arte Institute.

Fundado em 2011, o Arte Institute é uma organização pioneira, independente e sem fins lucrativos, sediada em Nova Iorque, que dinamiza a produção e difusão de artistas e projetos de arte contemporânea portuguesa e de países da lusofonia, através de eventos que produz em todos os continentes. Em quase 13 anos já promoveu mais de 1000 artistas e esteve presente em 38 países e 118 cidades. In “Mundo Lusíada” – Brasil com “Lusa”


quarta-feira, 24 de janeiro de 2024

Brasil - Programação especial no Museu do Ipiranga celebra o aniversário de São Paulo

Todos estão convidados a comemorar e participar gratuitamente da programação dos 470 anos de São Paulo


O Museu do Ipiranga abre suas portas para comemorar os 470 anos da cidade de São Paulo. Uma festa que recebe a população para apresentar uma nova história de desafios, esperança. E arte. A partir das 9 horas, todos estão convidados para acompanhar o Coral Heliópolis do Instituto Baccarelli, iniciativa pioneira de transformação e inclusão social que, há mais de 26 anos, incentiva a música na educação das crianças da comunidade Heliópolis.

O coral, que está sendo reconhecido como um dos principais grupos sinfônicos jovens do Brasil, com projeção internacional, traz um repertório especial para a data. “O Museu do Ipiranga sempre recebe muitos visitantes no dia 25 de janeiro. É o lugar certo para comemorar o aniversário de São Paulo. Sempre foi assim… Mas em seus 470 anos, recebe uma homenagem merecida”, diz Solange Ferraz de Lima, professora do Departamento de História da Universidade de São Paulo e do Museu Paulista, onde foi diretora de 2016 a 2020.

“A presença sempre maciça de crianças e adultos é o maior sinal de que os habitantes de São Paulo veem o museu como um lugar onde se reconhecem e se conectam com a urbe”, destaca a historiadora. “E, desde 2022, podemos oferecer um museu acessível, crítico, mas também diverso e belo, como um merecido presente à sociedade brasileira.”

O público também está convidado para conhecer os espaços da instituição. E conferir Uma História do Brasil, exposição que ocupa o saguão, a escadaria e o salão nobre, espaços decorados com esculturas e pinturas que trazem uma versão da formação do País. Também vai ter muito para questionar e refletir ao observar  Passados Imaginados, com imagens já conhecidas e divulgadas em livros escolares. Porém, trazem conceitos que vêm sendo muito discutidos atualmente porque, segundo os estudiosos, são representações feitas a partir de visões elitistas, que desvalorizavam os indígenas e negros.

Outra exposição importante é Para Entender o Museu, com dois temas principais: a construção do Edifício Monumento e as transformações do acervo no decorrer de sua história. Os visitantes vão voltar no tempo para ver o edifício construído entre 1885 e 1890. E observar que, em seu início, o museu reunia coleções variadas de botânica, zoologia, etnologia, mineralogia e arte. Mas, no decorrer dos anos, esses acervos foram sendo transferidos para outras instituições. Parte da coleção de arte também foi cedida para a Pinacoteca do Estado de São Paulo. O objetivo dessas transformações era fazer do Ipiranga um museu especializado em história. E graças ao trabalho da direção e dedicação de sua equipe, destaca-se como um dos mais importantes do País.

Solange conta que ao longo do período em que o edifício esteve fechado para diagnóstico e obras, acompanhou muito de perto as reações da sociedade. E pôde constatar o quanto o Museu do Ipiranga fazia falta para a cidade. “A população se manteve muito atenta ao processo de restauro e ampliação, acompanhando nas redes sociais, participando das festas que realizamos no parque nos dias 7 de Setembro e também das atividades em 25 de Janeiro.”

Quando o museu estava em obras, a equipe fez vários festivais de grafite nos tapumes das obras. “Agora é muito bom ver a alegria e o orgulho de quem mora na cidade de São Paulo diante da reabertura do novo museu”. Na avaliação da professora, o edifício, restaurado em todos os detalhes, materializa, de forma simbólica, a relação da população com a história de São Paulo.

“A entrada, localizada no jardim, com a continuidade do piso de pedras portuguesas, é um convite aos visitantes. Expressa esse contínuo entre o chão da cidade e o chão do museu como a dizer que este é um lugar para visitar sempre, para estar, assim, à toa, para socializar ou para aprender”, observa Solange. “O museu se integra com a história de São Paulo também por sua presença na paisagem monumental que construiu apontada em incontáveis imagens urbanas. Também se conecta com a cidade pelas coleções que abriga com numerosos objetos, imagens e documentos textuais que pertenceram a moradoras e moradores de São Paulo. As exposições hoje são ainda mais representativas da nossa diversidade social e cultural. Críticas, abordam temas atuais e estão alinhadas com o seu tempo. Comemorar os 470 anos de São Paulo é também reconhecer esta cidade com suas contradições e seus contrastes.”

O Museu do Ipiranga (ou Museu Paulista da Universidade de São Paulo) está localizado no Parque da Independência, com entrada pela R. dos Patriotas, nº 20. Neste dia 25 de janeiro, a entrada é gratuita para todos os públicos. O evento começa às 9 horas e se estende até as 17 horas. Mais informações na página do Museu ou pelo Facebook. Leila Kiyomura - Brasil in “Jornal da Universidade de São Paulo”


sexta-feira, 3 de setembro de 2021

Macau - Descendentes de Fundadores do Teatro D. Pedro V criticam utilização

Exposições com porcos de peluches, ornamentos com desenhos animados japoneses e misses do Vietname. A utilização do Teatro D. Pedro V está a ser criticada por falta de elementos que respeitem o seu passado cultural. No entanto, um representante da associação de proprietários diz que estas actividades são “expressões da cultura chinesa”

Descendentes dos fundadores do Teatro D. Pedro V criticam a forma como o espaço está a ser utilizado, principalmente devido a exposições e ornamentos que não respeitam o que consideram ser a sua tradição artística. Em causa está uma exposição organizada em 2019, com peluches de porcos e fotografias de misses (alguns dos materiais ainda estão no espaço), assim como desenhos animados japoneses e outras decorações, que adornam o teatro construído em 1860.

Ao HM, Henrique Nolasco da Silva, bisneto de um dos fundadores e filho de antigo presidente da Direcção da Associação dos Proprietários do Teatro D. Pedro V, aponta que a decoração desprestigia o espaço. “Essas exposições nada têm a ver com o património cultural de Macau, considerando que se trata de um edifício classificado como tendo valor cultural, não só para a RAEM como também para a Humanidade”, começou por considerar Nolasco da Silva. “Nenhum daqueles temas tem alguma relação, próxima ou remota, com Macau. São realizações que desprestigiam o imóvel, desvirtuam o fim para que ele foi construído e subvertem os pressupostos da sua classificação pela UNESCO”, acrescentou.

Questionado sobre se o espaço tem ignorado as comunidades portuguesa e macaense, Henrique Nolasco da Silva aceitou a hipótese e promete acompanhar o caso: “Completamente [ignoradas]. As exposições e actividades que ali estão a ser realizadas são legítimas, mas noutro local, não ali. Os porcos de peluche cor-de-rosa, por exemplo, podem ficar enquadrados numa feira de domingo no Tap Seac, mas não ali”, disse. “Esta questão do Teatro D. Pedro V deve ser objecto de uma reflexão colectiva, pelo que o grupo de descendentes dos fundadores e dirigentes históricos do Teatro vai continuar a dedicar-lhe particular atenção”, prometeu.

Elogios ao Instituto Cultural

Também Catarina Canavarro Ramos, neta de outros dos fundadores, afirmou estar preocupada com a utilização do espaço. “A preservação física do imóvel está bem feita, mérito do Instituto Cultural e a sua utilização pelo IC respeita a história do Teatro, mas a utilização feita pela suposta Direcção da Associação dos Proprietários do Teatro D. Pedro V é, como já foi dito, absolutamente imprópria, só possível por parte de quem não faça ideia do passado do Teatro”, apontou a descendente.

“O indivíduo que se apresenta como Presidente da Direcção tentou vendê-lo ao IC. Não é por acaso. Deve referir-se que essa má utilização pode estar a ser feita com o apoio ou, pelo menos, a inércia do Clube Macau que ocupava uma parte do edifício”, acrescentou. “Portanto, o espaço, embora preservado fisicamente, é culturalmente abusado por essas pessoas e, nessa medida, não está a ser preservado”, concluiu.

Responsabilidades alheias

Confrontado com as críticas, Ma Lin Chong, representante da Direcção da Associação dos Proprietários do Teatro D. Pedro V, explicou que o conteúdo das exposições é dos organizadores, a quem o espaço é disponibilizado sem qualquer custo. “A exposição já foi um evento de 2019, o espaço serve principalmente a finalidade para emprestar.

Se pergunta se os conteúdos da exposição são correctos ou não, se pergunta se as pessoas se queixam ou não, cada um tem sua opinião”, afirmou Ma. “Os membros da associação de proprietários têm autonomia para decidir, e a nossa prática é deixar o público utilizar o espaço para qualquer actividade, desde que não violem as leis”, acrescentou.

Nas declarações prestadas ao HM, em momento alguns os descendentes dos fundadores do Teatro D. Pedro V questionaram actividades ligadas à cultura chinesa, como as estátuas taoistas, símbolos nacionais ou a realização de ópera cantonesa. A postura demonstrada foi de aceitação da expressão artística das várias comunidades de Macau.

Porém, Ma Lin Chong considera que o problema dos fundadores é de promoção dos valores chineses, como diz ter acontecido na exposição com fotografias de misses do Vietname: “A escultura em bambu [com misses do Vietname e porcos de peluche] é uma das artes da China. Acho que estas queixas são 100 por cento injustas. Na verdade, a soberania de Macau já foi transferida [para a China], e a divulgação da cultura chinesa corresponde à tendência corrente”, respondeu. João Filipe e Nunu Wu – Macau In “Hoje Macau”