Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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segunda-feira, 3 de novembro de 2025

Europa - Investigadores alertam para elevada contaminação das ribeiras urbana europeias por fármacos

Um estudo internacional, liderado pela Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC), revelou uma contaminação generalizada por fármacos nas águas de ribeiras urbanas europeias, incluindo as de Coimbra. A investigação, publicada na revista Journal of Hazardous Materials, está integrada no projeto OneAquaHealth e analisou 102 ribeiras situadas nas cidades de Benevento (Itália), Coimbra (Portugal), Ghent (Bélgica), Toulouse (França) e Oslo (Noruega).


Os resultados deste estudo apontam para a presença de 16 fármacos pertencentes a seis grupos terapêuticos, detetados em 91% dos locais de amostragem. Misturas de fármacos foram encontradas em 79% dos pontos analisados.

«Entre os compostos mais frequentes destacam-se os irbesartan e bisoprolol (anti-hipertensores), bem como carbamazepina (anticonvulsivo), identificado em mais de metade das ribeiras urbanas. O paracetamol apresentou maiores concentrações, enquanto irbesartan, bisoprolol e fluoxetina atingiram níveis recorde face ao reportado anteriormente na literatura científica», revela Fernanda Rodrigues, estudante de doutoramento da FCTUC.

Em Coimbra, foram detetados 14 fármacos nas ribeiras urbanas, com destaque para carbamazepina, irbesartan, losartan, atenolol e venlafaxina. «Um dos locais de amostragem da cidade apresentou 70% dos compostos analisados. As concentrações mais elevadas correspondem aos anti-hipertensores irbesartan e atenolol. Embora menos frequentes, quatro dos sete antibióticos testados também foram encontrados nas águas coimbrãs, um dado particularmente preocupante face à crescente resistência antimicrobiana, considerada uma das mais graves ameaças à saúde pública global», alerta Maria João Feio, investigadora do Centro de Ciências do Mar e do Ambiente (MARE) da FCTUC.

O estudo identificou diferenças estatísticas significativas entre os padrões de contaminação das cidades, com Coimbra e Oslo a apresentarem níveis mais baixos. No caso português, a presença de fármacos foi estatisticamente associada à condição morfológica e ecológica das ribeiras e ao grau de impermeabilização urbana. Segundo os investigadores, estes resultados demonstram que a poluição não depende apenas do consumo de medicamentos, mas também da qualidade ecológica e do estado de conservação dos ecossistemas ribeirinhos.

«Esta investigação evidencia a necessidade urgente de restaurar os ecossistemas de água doce e de implementar novas tecnologias de remoção de fármacos nas estações de tratamento de águas residuais. Estas medidas são essenciais para reduzir o impacto destes contaminantes nos rios e ribeiras urbanos e alinhar a gestão da água com os princípios da Saúde Única (One Health) – uma abordagem integrada que liga a saúde humana, animal e ambiental», concluem os especialistas.

O trabalho foi liderado por Fernanda Rodrigues e Maria João Feio, coordenadora do projeto OneAquaHealth, e contou com a participação de Ana R. Calapez, André Pereira, Liliana Silva, Janine Silva, Luísa Durães e Nuno Simões, com o envolvimento dos departamentos de Ciências da Vida, Engenharia Civil e Engenharia Química da FCTUC e da Faculdade de Farmácia. Universidade de Coimbra - Portugal


quarta-feira, 13 de março de 2024

Portugal - Universidade de Coimbra convida cidadãos de Coimbra a refletir sobre a importância das ribeiras urbanas

Maria João Feio e Sónia Serra, investigadoras do Centro de Ciências do Mar e do Ambiente (MARE) e da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC), convidam os cidadãos de Coimbra a refletir sobre a importância das ribeiras urbanas já no próximo dia 16 de março, sábado.

A iniciativa, organizada no âmbito do projeto OneAquaHealth, terá lugar na margem esquerda do Parque Verde do Mondego, junto à ribeira (zona das piscinas e do Exploratório), pelas 15h.

Nesta data, em que se comemora o Dia Nacional da Consciencialização sobre as Alterações Climáticas, os cidadãos terão a oportunidade de refletir e discutir, conjuntamente, sobre o tipo de experiências que têm habitualmente próximo das ribeiras urbanas.

O objetivo deste evento é, essencialmente, conhecer as perceções gerais dos cidadãos de Coimbra sobre as ribeiras urbanas, a sua importância funcional para a sustentabilidade das cidades e a mitigação dos efeitos das alterações climáticas, e enquanto locais que contribuem para a conservação da biodiversidade.

Haverá ainda espaço para conversar sobre o interesse dos participantes e de que forma podem contribuir para a monitorização regular da qualidade das ribeiras urbanas e dos seus ecossistemas.

As inscrições no evento são gratuitas, mas obrigatórias até dia 15 de março, sexta-feira, através desta ligação. Universidade de Coimbra - Portugal




terça-feira, 31 de janeiro de 2023

Internacional - Universidade de Coimbra apresenta projeto que vai estudar a relação entre a saúde humana e os ecossistemas aquáticos urbanos

O Departamento de Ciências da Vida (DCV) da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC) vai receber, nos dias 1 e 2 de fevereiro, a reunião de arranque do projeto internacional “OneAquaHealth – Protecting Urban Aquatic Ecosystems to Promote One Health”, liderado por Maria João Feio, investigadora da Universidade de Coimbra, do Centro de Ciências do Mar e do Ambiente (MARE) e do Laboratório Associado ARNET.


A sessão de abertura do evento, na qual será apresentado o projeto, vai ter lugar no auditório do DCV, no dia 1 de fevereiro, pelas 9h30, e conta com a presença de Cláudia Cavadas, vice-reitora para a Investigação, Carlos Lopes, vereador do Ambiente da Câmara Municipal de Coimbra, Miguel Pardal, diretor do DCV, e ainda, Jaime Ramos, coordenador do MARE, em Coimbra.

«O “OneAquaHealth” é um projeto ambicioso e tem como foco os desafios que a crescente urbanização global impõe à natureza, nomeadamente na sua preservação, especificamente nos ecossistemas de água doce, e na saúde humana», explica Maria João Feio.

Os objetivos desta investigação passam por «demonstrar como o bem-estar dos ecossistemas aquáticos está altamente interconectado com o homem, os contextos urbanos de saúde e a mitigação de surtos de doenças», esclarece a investigadora da FCTUC, acrescentando que, «com o intuito de restabelecer o equilíbrio dos ecossistemas nas cidades, este projeto irá promover a monitorização de indicadores de alerta precoce para avaliar o equilíbrio do ecossistema e fornecer, aos decisores, ferramentas que permitam decisões adequadas e atempadas».


Segundo a coordenadora de “OneAquaHealth”, este kit de ferramentas incluirá medidas baseadas na natureza para recuperar e manter a saúde do ecossistema aquático (e, portanto, a saúde humana, animal e vegetal) em diferentes cenários, incluindo mudanças climáticas.

Este projeto, financiado pelo programa Horizon Europe, tem um orçamento de cerca de 5 milhões de euros e conta com a participação de 13 parceiros de uma dezena de países, nomeadamente, Áustria, Bélgica, Espanha, França, Grécia, Israel, Itália, Noruega, Portugal e Suíça. Universidade de Coimbra - Portugal