Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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terça-feira, 2 de abril de 2019

Cabo Verde - Investigadores da FCTUC ajudam a salvar espécies de aves marinhas ameaçadas

Uma equipa de investigadores do Centro de Ciências do Mar e do Ambiente (MARE) da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC) está a estudar nove espécies de aves marinhas de Cabo Verde, no âmbito de um projeto internacional financiado em 2,4 milhões de euros pela fundação para a conservação da natureza MAVA.

Iniciado em 2017, o projeto, que é liderado pela BirdLife International, tem como objetivo final evitar a extinção de espécies marinhas em Cabo Verde. A investigação centra-se em duas grandes vertentes: produção de conhecimento científico sobre as aves marinhas do arquipélago, nomeadamente a sua distribuição, fenologia e ameaças a que estão sujeitas, e proteção e conservação das espécies através da criação de áreas marinhas protegidas.

Para observarem todos os movimentos e comportamentos das espécies em estudo, os investigadores da FCTUC colocaram dispositivos de seguimento (GPS Logger) em várias aves e, também, em barcos de pescadores artesanais que colaboram no projeto, para se compreender as interações das aves com as comunidades locais.

Estes dispositivos permitem «recolher e analisar detalhadamente informação sobre a distribuição e fenologia das várias espécies, como por exemplo, o tamanho das colónias existentes, a dieta, os locais de reprodução das aves, etc., e quais as ameaças que sofrem no mar, concretamente que tipo de interação têm com a pesca, para, por exemplo, perceber se a captura das aves é acidental ou intencional», detalha Vítor Paiva, coordenador da equipa portuguesa composta por oito investigadores, sublinhando que atualmente «há muito pouco conhecimento sobre as aves marinhas de Cabo Verde e sobre as reais ameaças que enfrentam».

Os investigadores estão ainda a utilizar nas aves tecnologia de GPS que deteta os radares de grandes embarcações para aferir o impacto da pesca industrial nas aves.

Com base nos resultados obtidos neste estudo que deverá ficar concluído até 2022, os investigadores vão, juntamente com o Governo de Cabo Verde, que também é parceiro no projeto, delinear áreas marinhas protegidas. Entretanto, até ao final deste ano, vão ser elaborados planos de ação para cada uma das nove espécies ao nível do arquipélago, o que poderá implicar regulamentação e fiscalização das pescas.

A adoção de fortes medidas de proteção e conservação das aves marinhas em Cabo Verde é urgente, pois «há espécies que correm sérios riscos de extinção. Por exemplo, a fragata, uma espécie marinha que já esteve presente em grandes quantidades no arquipélago, hoje em dia está praticamente extinta. O último casal foi avistado em 2012, e nunca mais houve reprodução. Esta espécie muito provavelmente foi capturada até à sua extinção», alerta Vítor Paiva.

As equipas vão ainda dar especial atenção à necessidade de erradicação de espécies invasoras que colocam em risco as aves marinhas, principalmente gatos e ratos. Além disso, o projeto tem também uma forte componente de sensibilização a ser aplicada por organizações não-governamentais locais, como a Biosfera. O projeto financia ainda mestrados e doutoramentos de alunos cabo-verdianos nas universidades de Coimbra e Barcelona para capacitação de investigadores locais. Universidade de Coimbra “Faculdade de Ciências e Tecnologia” - Portugal

terça-feira, 26 de março de 2019

Portugal - Incêndios florestais: cientistas da FCTUC desenvolvem tecnologia para proteção de pessoas e bens




25 investigadores da Associação para o Desenvolvimento da Aerodinâmica Industrial (ADAI) e do Instituto de Sistemas e Robótica (ISR), da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC), desenvolveram três sistemas tecnológicos de proteção de pessoas e elementos expostos a incêndios florestais, designadamente uma cobertura (tela) para proteção de pessoas em viaturas, uma cerca para proteção de habitações e de aglomerados populacionais e um sistema de aspersão capaz de reduzir o impacto do fogo nas estruturas dos edifícios.

Estas soluções foram construídas no âmbito do projeto “Fire Protect - Sistemas de Proteção de Pessoas e Elementos Críticos Expostos ao Fogo”, coordenado por Domingos Xavier Viegas. Segundo o professor catedrático da FCTUC, este projeto «foi inspirado no trabalho que nós temos vindo a desenvolver há décadas, com o objetivo de aumentar a segurança de populações e bens, facilitando o trabalho aos agentes de combate ao fogo, e evitar tragédias como as que ocorreram no nosso país em 2017».

A tela de proteção de pessoas em viaturas, nomeadamente em autotanques de bombeiros, é refletora e resistente ao fogo. Dos vários testes realizados, quer em laboratório quer no terreno, verificou-se que «são sistemas resistentes ao fogo e podem garantir condições de sobrevivência a pessoas que estejam dentro de uma viatura», assinala Domingos Xavier Viegas.

Também bastante promissores foram os testes realizados com a cerca de proteção de casas e de aglomerados populacionais. Embora os cientistas ainda se encontrem a explorar diversos formatos possíveis, a solução mais simples e prática já adotada consiste num sistema constituído por aspersores de água, um mecanismo de bombagem autónomo com motor a diesel ou elétrico, permitindo ser operado mesmo em caso de falha de energia elétrica, e por um reservatório de água.

As experiências realizadas, com vegetação real e com fogos de grande intensidade, demonstraram que, «com recurso a uma pequena quantidade de água, o sistema molha a vegetação de forma eficaz e consegue proteger um perímetro de algumas centenas de metros. Verificámos que quando as chamas chegam junto dessa zona humedecida baixam a sua intensidade», revela o coordenador do “Fire Protect”.

Com esta cerca, «pretendemos dar condições adequadas, por exemplo, a residentes que estejam a tentar proteger as suas casas quando o fogo se aproxima, para que o possam combater em segurança evitando que estejam à última hora a correr com baldes, mangueiras, etc., o que muitas vezes falha, bem como como facilitar o trabalho aos agentes de combate aos incêndios», clarifica.

Já o sistema de aspersão, dedicado a proteger a construção, é instalado no próprio edifício. Quando se aproxima um incêndio, asperge água para humedecer o telhado e as paredes de forma a reduzir as consequências do impacto do fogo.

Estas soluções inovadoras, que originaram quatro pedidos de patente, «são soluções robustas, profissionais e eficazes. Podem inclusive ser automatizadas. No caso dos sistemas da cerca e de aspersão, o objetivo é proteger os edifícios mesmo quando os proprietários estão ausentes. Por isso, vamos dotar os equipamentos com sensores capazes de identificar um incêndio e emitir alertas que permitam ativar o sistema remotamente», esclarece o especialista em incêndios florestais da FCTUC.

Os investigadores estão agora a desenvolver soluções especializadas para a indústria. Por exemplo, estão a estudar instrumentos que protejam estruturas críticas como redes de telecomunicações e de energia elétrica. Nesse sentido, já existe o interesse por parte de uma operadora de comunicações móveis: «foi-nos pedido para encontrar um sistema de proteção das antenas que estão espalhadas pela floresta, para evitar a destruição do equipamento de rádio que faz a transmissão de sinal. Nos incêndios de 2017 centenas destes dispositivos foram destruídos pelas chamas», concretiza Domingos Xavier Viegas.

Com o objetivo de explorar os resultados do projeto, foi já constituída uma Spin-off. Os investigadores pretendem estabelecer parcerias tendo em vista a comercialização da tecnologia desenvolvida. Das três soluções propostas pelas equipas da ADAI e do ISR, se a indústria mostrar interesse, o sistema de proteção de casas e de aglomerados populacionais poderá chegar ao mercado já este ano.

O projeto “Fire Protect” teve um financiamento de 700 mil euros do programa Mais Centro da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Centro (CCDRC).

A equipa da ADAI é responsável pela caraterização das chamas, avaliação do impacto do fogo e desenvolvimento experimental em laboratório e no terreno, assim como pela implementação de pilotos e protótipos; o grupo do ISR é responsável pelo desenvolvimento de sensores e automação dos equipamentos. Universidade de Coimbra – “Faculdade de Ciências e Tecnologia” - Portugal

segunda-feira, 25 de março de 2019

Portugal – Investigadores criam novo método para definir agressividade de cancros


O método passa por identificar genes problemáticos no mecanismo da divisão celular responsável pela formação de tumores e foi descoberto por investigadores portugueses



Nuno Barbosa Morais, do Instituto de Medicina Molecular (IMM), liderou a investigação da equipa com indivíduos do Instituto e Inovação em Saúde do Porto (IISP) e do Instituto Gulbenkian de Ciência (IGC). Ao identificar genes associados a tumores que contêm anomalias no mecanismo de divisão celular, Barbosa Morais afirmou em entrevista à agência Lusa que «conseguimos definir melhor qual é o tipo de cancro, o prognóstico e terapias».

Ao dividir-se pela primeira vez, uma célula forma dois centrossomas, mas, «nos casos de cancro, esse mecanismo está avariado e em vez de dois centrossomas, formam-se três ou 4 e o ADN fica mal distribuído nas células-filhas» explicou o investigador. Quanto mais centrossomas, mais maligno é o tumor, mas detetar os centrossomas «é muito dificilmente experimentalmente», o que levou a equipa a procurar genes em 20 associados com anormalidades no centrossoma, em milhares de tumores diferentes. «Temos um sucedâneo destas anormalidades, que acontece em níveis diferentes em diferentes tipos de cancro e esta assinatura dá-nos mais fraquezas do cancro, do ponto de vista terapêutico, para que se possa atacar os tumores a partir dos genes», explicou Nuno Morais.

Publicado na revista científica “PLoS Computational Biology”, o estudo do IMM destaca a presença dominante da mencionada «assinatura» genética no cancro da mama em particular. In “Revista Port. Com” - Portugal

quinta-feira, 21 de março de 2019

Portugal - Alfaces-do-mar removem metais pesados de águas contaminadas

Na vulgar alface-do-mar pode estar a solução para limpar águas contaminadas pela indústria e pelo consumo doméstico. Uma equipa de investigadores da Universidade de Aveiro (UA) descobriu que esta alga tem uma grande capacidade para remover elementos potencialmente tóxicos da água, a maior parte deles perigosos para a saúde humana e para o meio ambiente



“A remoção alcançada com a alga que temos testado para remover da água, entre outros elementos, arsénio, mercúrio, cádmio e chumbo, é muito elevada”, congratula-se Bruno Henriques, o investigador do Centro de Estudos do Ambiente e do Mar (CESAM) e do Departamento de Química (DQ) da Academia de Aveiro, que garante que, comparativamente a outros materiais, naturais ou sintéticos, usados hoje correntemente para o mesmo efeito, a taxa de sucesso da alface-do-mar “é superior”.

Por isso, o investigador considera que “estas algas são uma alternativa eficiente, pois removem percentagens elevadas de contaminantes num período curto de tempo, a metodologia é económica e mais ecológica do que os métodos ‘clássicos’ para a remoção destes elementos, que são menos eficazes e, muitas vezes, mais caros, o que se traduz em baixo custo-benefício”.

O estudo da UA indica que cada grama de alga consegue remover em simultâneo 120 microgramas de mercúrio, 160?microgramas de cádmio, 980 microgramas de chumbo, 480 microgramas de crómio, 660?microgramas de níquel, 550 microgramas de arsénio, 370 microgramas de cobre e 2000 microgramas de manganês.

Estes elementos químicos, explica o investigador, apesar de se denominarem de ‘clássicos’ continuam a ser atualmente “muito usados por várias indústrias e a sua presença no ambiente causa impactos negativos, tais como toxicidade, observada mesmo para concentrações muito baixas”. Outros problemas associados a estes elementos “estão relacionados com o seu carater persistente no ambiente e facilidade em se bioacumularem nos tecidos dos organismos”.

Algas cultivadas em locais contaminados

O segredo da grande capacidade de ‘limpeza’ pela alga explica-se através da sorção, processo através do qual a alface-do-mar consegue incorporar nos seus tecidos os contaminantes. O rápido crescimento destas algas, congratula-se Bruno Henriques, “contribui para que se consigam remover os contaminantes em cada vez maior quantidade, pois o crescimento da alga aumenta o número de locais de superfície aos quais estes elementos tóxicos se podem ligar”.

Assim, explica o investigador, “as algas poderão ser utilizadas para diminuir a contaminação de locais muito afetados por descargas destes elementos, através da introdução da alga no local a descontaminar se as condições forem adequadas ao seu crescimento ou cultivando algas num outro local e transportando estas para os locais a serem descontaminados”.

Além da remoção dos elementos tóxicos, os investigadores da UA asseguram que as alfaces-do-mar permitem reduzir também o teor de fosfatos e nitratos em águas e ao usarem dióxido de carbono como fonte de carbono, permitem reduzir a pegada de carbono.

O trabalho foi desenvolvido por uma equipa multidisciplinar da UA constituída por Bruno Henriques, Ana Teixeira, Paula Figueira, Joana Almeida e Eduarda Pereira (investigadores do DQ, do CESAM, do CICECO - Instituto de Materiais de Aveiro e do Laboratório Central de Análises), e com a cooperação da Universidade do Porto e do Instituto Nacional de Saúde Dr. Ricardo Jorge. Universidade de Aveiro - Portugal

segunda-feira, 18 de março de 2019

Portugal - Cientistas italianos e portugueses querem trabalhar em colaboração

Hipácia é o nome da Associação dos Cientistas e Investigadores Italianos em Portugal criada na passada sexta-feira



Foi oficialmente constituída na passada sexta-feira a Associação dos Cientistas e Investigadores Italianos em Portugal. Chama-se "Hipácia", como a cientista Hipácia de Alexandria, matemática, filósofa e astrónoma da Grécia antiga.

No elenco dos sócios honorários, além do embaixador italiano em Portugal, Vanni d"Archirafi, encontra-se o professor Carlo Greco, diretor do Serviço de Radioncologia do Centro Clínico Champalimaud. São quinze os membros do núcleo fundador da associação, composta por investigadoras e investigadores italianos que trabalham em Portugal com importantes centros de estudo e investigação em diversas áreas, desde a robótica à botânica, revela a Embaixada de Itália, que acrescenta: "A constituição deste primeiro núcleo de cientistas e investigadores tem como objetivo reforçar os laços de colaboração entre o mundo científico português e o italiano, fazendo com que dialoguem sobre os temas de maior atualidade e interesse científico internacional, individualizando oportunidades que possam surgir da pertença comum à União Europeia".

Na ocasião, o embaixador Vanni d"Archirafi sublinhou que "em Lisboa, a Itália não tem um Adido Científico e a iniciativa agora lançada também visa criar as bases para um mais orgânico envolvimento entre as comunidades científicas italiana e portuguesa". In “Diário de Notícias” - Portugal

sexta-feira, 8 de março de 2019

Portugal - Financia bolsas a investigadores de língua portuguesa da CPLP

O presidente do Camões – Instituto da Cooperação e da Língua (Camões, I.P.), Luís Faro Ramos, e o diretor Executivo do Instituto Internacional da Língua Portuguesa (IILP), Incanha Intumbo, assinaram no dia 28 de fevereiro, o ato de entrega pelo Governo da República Portuguesa ao IILP de uma contribuição voluntária no valor de 200 mil euros “para o desenvolvimento do programa de bolsas de cientista convidado do IILP por um período de três anos (2019-2021) durante o qual serão anualmente concedidas duas bolsas a investigadores de língua portuguesa para apoio a projetos do IILP”, informa uma nota divulgada pelo Camões, I.P.

O documento foi assinado na presença do ministro dos Negócios Estrangeiros, Augusto Santos Silva, da secretária de Estado dos Negócios Estrangeiros e da Cooperação, Teresa Ribeiro, e o Secretário Executivo da CPLP, Francisco Ribeiro Telles.

O ‘Programa de bolsas: Cientista convidado do IILP’, que tem o apoio do Governo português, foi lançado pelo IILP para dinamizar o idioma comum ao espaço da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP).

Luís Faro Ramos sublinhou que este “estímulo” permitirá ao IILP reforçar as suas atividades e apelou aos restantes países da CPLP e aos observadores associados para que sigam o exemplo português e contribuam também com programas semelhantes para que a atividade do IILP “seja mais visível e tenha mais resultados”.

Na cerimónia de assinatura do protocolo, em Lisboa, foram reconhecidas as dificuldades que o IILP tem enfrentado para desenvolver as suas atividades devido à falta de meios humanos e financeiros, e fizeram-se apelos a outros países para que sigam o exemplo português.

O diretor executivo do ILLP, Incanha Intumbo, reconheceu que o instituto tem desenvolvido a sua missão a custo devido à “insuficiência financeira” e afirmou que os Estados-membros deviam esforçar-se para cumprir os seus compromissos a nível de contribuições (quotas), apesar de alguns terem “situações financeiras muito complicadas”.

O IILP quer realizar atividades nos países-membros, mas “isso tem custos em recursos humanos e materiais”, frisou Incanha Intumbo, acrescentando que, sem meios, não é possível realizar essas atividades.

Para Incanha Intumbo, este “apoio extraordinário”, que representa dois terços do orçamento do IILP, é “um marco” que vai “permitir levar o IILP às pessoas” e desenvolver mais programas no terreno.

O diretor executivo do IILP destacou a relevância da língua portuguesa, apontando estimativas que colocam o número de potenciais falantes de língua portuguesa entre 270 a 280 milhões, com impacto económico na internacionalização das empresas e nas trocas comerciais.

O ministro dos Negócios Estrangeiros, Augusto Santos Silva, mostrou disponibilidade para que Portugal dê continuidade a esta contribuição extraordinária, mas sem se comprometer.

“Como nos casamentos, o amor começa por ser extraordinário e depois vai crescendo e, seguramente, aqui vai acontecer o mesmo”, desde que se deem os “passos certos” e os montantes sejam “bem administrados” para poder crescer “solidamente”, afirmou o chefe da diplomacia portuguesa.

Santos Silva acrescentou que o objetivo é apoiar o IILP na sua missão principal de promover a língua, com um programa que valoriza “a dimensão da investigação aplicada e aplicável ao ensino do português enquanto língua não materna”. In “Mundo Português” - Portugal

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2019

Internacional - Projeto “PROLIFE” prolonga em mais de meio século a vida útil de pontes antigas

Um consórcio europeu, constituído por investigadores da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC) e da Luleå University of Technology, na Suécia, e por cinco empresas das áreas de projeto de estruturas e de produção de elementos em aço, desenvolveu um conjunto de soluções que garantem às pontes metálicas e mistas (aço e betão) antigas um prolongamento considerável da sua vida útil.

Através de técnicas de reforço inovadoras, que combinam diferentes estratégias de reabilitação, as soluções desenvolvidas no âmbito do projeto de investigação PROLIFE - Prolonging Life Time of old steel and steel-concrete bridges - «permitem uma melhoria muito significativa do desempenho estrutural de pontes metálicas e mistas em fim de vida. Dependendo da intervenção que se adotar, a metodologia de reforço que propomos aumenta o ciclo de vida deste tipo de pontes, com toda a segurança, em mais de 50 anos», nota Carlos Rebelo, coordenador da equipa portuguesa e professor no Departamento de Engenharia Civil da FCTUC.

As intervenções propostas pelo consórcio foram alvo de longos ensaios e testes à escala real em quatro pontes antigas. Em Portugal, o caso de estudo foi o da ponte da Portela, em Coimbra.



A reabilitação de pontes antigas, obsoletas, é de elevada complexidade, pois entram muitos elementos na equação. Geralmente, «devido à falta de conhecimento e experiência, as pontes mais antigas foram dimensionadas sem tirar partido do benefício estrutural obtido com o comportamento misto, ou seja, não existe interação entre os componentes em aço e os componentes em betão devido, principalmente, à falta de dispositivos que garantam a transferência das forças de corte longitudinal», explica Carlos Rebelo.

As técnicas convencionais «implicam a remoção parcial do betão, a interrupção do tráfego e eventualmente a destruição da armadura transversal da laje, pelo que foram estudadas soluções alternativas», acentua. Entre as várias opções foi também estudado «o uso de treliças horizontais entre os banzos inferiores das longarinas das pontes em viga, as quais tornam a secção transversal mais rígida no que respeita aos efeitos da torção permitindo reduzir significativamente os esforços de fadiga gerados pelo tráfego», refere o coordenador do PROLIFE.

Os investigadores desenvolveram ainda uma estratégia inovadora de reforço estrutural que permite colocar novos materiais em contacto com os componentes originais (antigos), melhorando a performance das velhas pontes.

O especialista em engenharia de estruturas da FCTUC observa que a rede europeia de infraestruturas de transporte, rodoviária e ferroviária, é «caracterizada por uma grande variedade de pontes metálicas. Aliado ao facto de um grande número destas infraestruturas já ter períodos em serviço consideravelmente longos, os efeitos do envelhecimento dos materiais e o aumento do nível de tráfego são grandes desafios para que sejam mantidos os níveis de segurança estrutural, os requisitos de desempenho e a sua durabilidade.»

Além disso, «muitas das pontes antigas estão identificadas como património cultural o que significa que a sua substituição por uma nova infraestrutura não é facilmente aceitável». Por outro lado, «nem sempre a substituição da ponte original por uma nova é a solução mais vantajosa se se tiverem em conta os custos de impacto ambiental associados ao ciclo de vida da estrutura, para além dos custos diretos associados à sua construção. Assim, urge a necessidade de desenvolver estratégias de reparação e reforço também numa perspetiva de sustentabilidade e preservação ambiental», finaliza Carlos Rebelo.

O projeto PROLIFE teve um financiamento de perto de um milhão de euros da Comissão Europeia através da medida Research Fund for Coal and Steel. As empresas que integraram o consórcio foram: Alessio Pipinato & Partners Architectural Engineering (Itália), Movares Nederland B.V. (Holanda), Ramböll Sverige AB (Suécia), Schimetta Consult Zivil Techniker GMBH (Áustria), empresas de projeto de estruturas, bem como a Arcelormittal Belval & Differdange S.A (Luxemburgo), produtora de elementos em aço. Universidade de Coimbra “Faculdade de Ciências e Tecnologia” - Portugal

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2019

Etiópia - Nova espécie de rã descoberta em montanha remota

Uma rã diferente chamou a atenção de investigadores em expedição numa montanha no sudoeste da Etiópia, que acabaram por descobrir uma nova espécie num local isolado que pode albergar muitas mais



"A descoberta de uma espécie geneticamente tão distinta numa expedição de dois dias demonstra perfeitamente como é importante avaliar a biodiversidade deste tipo de lugares. A montanha Bibita tem provavelmente muitas mais espécies desconhecidas à espera de serem descobertas", afirmou o diretor do programa de biologia do polo da Universidade de Nova Iorque em Abu Dhabi, Stéphane Boissinot.

Os investigadores Sandra Goutte e Jacobo Reyes-Velasco, baseados em Abu Dhabi, viajaram para a Etiópia no verão de 2018 em busca do que resta da floresta primitiva daquele país africano.

Ali, descobriram a nova espécie com 17 milímetros, no caso dos machos, e 20 milímetros, nas fêmeas, que se destaca pelo corpo, pernas e dedos alongados e pela cor dourada, "tão diferente das espécies etíopes" que já conheciam, afirmou Goutte.

O estudo em que revelam a descoberta da “Phrynobatrachus bibita” foi publicado na revista científica "ZooKeys". In “Sapo 24” – Portugal com “MadreMedia / Lusa”

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2019

Lusofonia - Palestra do Centro de Comunicação dos Oceanos




No âmbito do ciclo de Palestras do Centro de Comunicação dos Oceanos, vai decorrer no dia 14 de fevereiro, às 18 horas, a palestra subordinada ao tema "Tecnologia, investigação e a ameaça CO2 nos Oceanos", nas instalações da UCCLA e Casa da América Latina. Esta iniciativa contará com as intervenções de personalidades ligadas à ciência e à biodiversidade.

Oradores:
- Vanda Brotas - Professora Catedrática da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa;
Rita Patrício – Investigadora e colaborada da equipa MARE;
- Ana Faria - Licenciada em Biologia Marinha e Pescas pela Universidade do Algarve e Doutorada em Ecologia Marinha pela Universidade do Algarve.



No dia 28 de fevereiro, às 18 horas, haverá uma 2.ª palestra, nas mesmas instalações, cujo tema em análise será “Tecnologia a serviço do conhecimento dos Oceanos”

Oradores:
- Jorge Freire e José Bettencourt, investigador do CHAM - Centro de Humanidades e membro do projeto ProCASC da Câmara Municipal de Cascais.
Tema: A descoberta da Nau da Índia - Bugio
- Marco Alves - PhD, Coordenador da Área de Modelação Numérica e um dos investigadores da equipa multidisciplinar da WavEC, empresa especializada em soluções na área das energias renováveis marinhas, aquacultura offshore e engenharia dos oceanos.
Tema: A energia das ondas do mar


O Centro de Comunicação dos Oceanos (CCOceanos) - idealizado e organizado pela jornalista náutica Brasileira/Portuguesa Nysse Arruda - é uma iniciativa que visa divulgar e partilhar informação atualizada sobre a variadíssima temática sobre os Oceanos, interligando todos os países de Língua Portuguesa, tornando Portugal num polo de informação acerca dos Oceanos.

A partir de ciclos trimestrais de palestras LiveStream e presenciais, proferidas por personalidades nacionais e internacionais, sediadas em locais emblemáticos de Lisboa e outras cidades do país.

As primeiras palestras CCOceanos 2019 terão lugar em Lisboa no auditório da UCCLA e da Casa da América Latina, nos dias 14 e 28 de fevereiro, das 18 às 19h30, e contam com o apoio da Fundação Vodafone.

Os vídeos das 10 palestras CCOceanos 2018 - que reuniram 37 oradores das mais diversas áreas do saber - estão disponíveis no canal YouTube - CCOceanos Palestras.

Nysse Arruda:

Nysse Arruda é jornalista especializada em náutica há mais de 20 anos em Portugal, tendo sido colaboradora dos jornais Público, Diário de Notícias e Expresso e de diversas outras publicações brasileiras e portuguesas. Foi agraciada com o Prémio Femina 2016 pela Divulgação da Cultura de Matriz Portuguesa.

Autora e CEO do primeiro website sobre desporto à vela em Português – www.nyssearrudasailing.com – entre 2010 e 2013. É também autora de diversos livros sobre o tema publicados no Brasil e em Portugal: Whitbread Race 1989-90; Mar à vista, A Portugal Telecom e a Vela; ISAF Sailing World Championships Cascais 2007; America's Cup World Series-Cascais 2010; Volvo Ocean Race 2011-2012; Viagem Impossível… Mirpuri Foundation; além de uma obra dedicada à capital portuguesa - A Beleza de Lisboa-Eléctrico 28, uma viagem na História, publicada pela Imprensa Nacional-Casa da Moeda em 2010.

Foi repórter especial na Expedição Antárctica Brasileira, a bordo do navio polar Barão de Teffé, da Marinha Brasileira, e na Grand Regatta Columbus 1992, a bordo do Tall Ship polaco Dar Mlodziezy.
  

Morada:
Avenida da Índia, n.º 110 (entre a Cordoaria Nacional e o Museu Nacional dos Coches), em Lisboa
Autocarros: 714, 727 e 751 - Altinho, e 728 e 729 - Belém
Comboio: Estação de Belém
Elétrico: 15E - Altinho
Coordenadas GPS: 38°41’46.9″N 9°11’52.4″W

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2019

Alemanha - Estuda localizações para turbinas eólicas offshore

Uma agência alemã já está a estudar os melhores locais para instalar projectos eólicos offshore que funcionarão a partir de 2027 e 2028



No princípio deste mês, a Agência Marítima e Hidrográfica Federal (BSH, na sigla em inglês) alemã lançou a segunda série de investigações preliminares sobre locais eventuais para o desenvolvimento de projectos eólicos offshore, refere o Safety4Sea. Segundo a publicação, estão a ser ponderadas três áreas na Zona Económica Exclusiva (ZEE) alemã do Mar do Norte para a instalação de turbinas eólicas que irão funcionar a partir de 2027 e 2028.

Refere a publicação que nos próximos anos, a agência vai continuar a realizar e encomendar estudos com incidência no efeito do ambiente marinho e do subsolo no vento, nas ondas e noutros parâmetros oceanográficos. O objectivo da BSH é avaliar se as áreas estudadas são adequadas para receber quintas eólicas offshore.

Até Março deste ano, as autoridades, associações, empresas e público e geral são convidados a comentar as investigações previstas. Um ano depois, o conceito das investigações será apresentado e discutido numa audiência. Depois disso, a BSH passará a nova informação sobre as áreas a outra agência federal, que determinará quem instalará as turbinas. No entanto, os resultados preliminares das investigações serão disponibilizados antecipadamente a potenciais licitadores. In “Jornal de Economia do Mar” - Portugal

sábado, 2 de fevereiro de 2019

Portugal - Fungo está a deteriorar pedra da Sé Velha de Coimbra



Uma equipa de investigadores da Universidade de Coimbra descobriu uma nova família de fungos numa das paredes da capela de Santa Maria, na Sé Velha, que está a deteriorar a pedra.

O micro-organismo – do grupo dos fungos microcoloniais negros – foi detetado na capela de Santa Maria, nos claustros da Sé Velha de Coimbra, no âmbito de uma investigação da Universidade de Coimbra que tem o objetivo de analisar a deterioração causada por fungos, algas, bactérias e por ‘archaea’ (biodeterioração) em calcário na zona da Universidade de Coimbra, Alta e Sofia, classificada Património Mundial, afirmou o autor principal do artigo, João Trovão.

Com a descoberta, foi identificada e classificada uma nova família de fungos – a Aeminiaceae – naquele monumento construído entre o século XII e o XIII.

A obra de arte onde o organismo foi encontrado – esculpida em rocha calcária que adorna uma das paredes da capela -, “poderá sofrer uma eventual perda ou descaracterização do seu valor associado”, nota o investigador, referindo que não existem “sinais” de que o fungo se encontre no resto do edifício da Sé Velha.

No entanto, João Trovão salienta que, dadas as características deste fungo, estes podem colonizar “com sucesso os habitats mais extremos”, e, face às suas cores escuras, podem alterar “a aparência da obra de arte ou do monumento, causando uma degradação estética da obra”.

“Pelas suas características biológicas, são normalmente capazes de degradações físicas, levando ao aparecimento de fissuras através do seu crescimento para o interior da rocha. São também capazes de realizar alterações bioquímicas nos constituintes minerais originais da rocha”, sublinha.

Este fungo é de um grupo “conhecido por proliferar em ambientes rochosos, dado que possui características únicas que lhes permitem a sua sobrevivência nestes ambientes inóspitos. Dado contribuírem para alterações estéticas, físicas e químicas nos monumentos ou peças de arte que colonizam, este tipo de organismos é amplamente estudado por biólogos e restauradores que trabalhem com peças de valor sociocultural e histórico incalculável”, sublinha João Trovão.

Segundo o investigador, para combater a deterioração por parte deste fundo, as intervenções de restauro devem seguir “exames cuidadosos dos dados ambientais, abióticos, arquitetónicos, ecológicos e geológicos, juntamente com uma intervenção de limpeza específica e adaptável”.

A equipa, contou o investigador, está a realizar análises e amostragens noutros monumentos da cidade, para entender se a espécie está presente noutros monumentos.

O fungo já tinha sido detetado na Catedral de Santiago de Compostela, em Espanha, colocando-se como possibilidade que o organismo tenha ido lá parar a partir do transporte de pedra de Ançã, em Cantanhede, que foi usada para a construção daquele edifício.

Outra hipótese que a equipa considera é que o fungo seja endémico à Península Ibérica, sendo necessárias mais análises e amostragens para entender o espetro geográfico deste micro-organismo.

“Dado que muitos monumentos históricos nacionais e internacionais possuem um valor incalculável, a realização deste tipo de estudos é fulcral para o estabelecimento de estratégias de restauro eficazes com vista à preservação do património para o futuro”, conclui o investigador. In “Mundo Português” - Portugal

quinta-feira, 27 de dezembro de 2018

Estados Unidos da América - Sonda New Horizons da NASA vai visitar Ultima Thule

Trata-se do objeto espacial mais distante do Sistema Solar que a humanidade alguma vez conseguiu alcançar



As doze badaladas da passagem do ano para 2019 vão ser comemoradas com um sabor especial na NASA. É que a sonda New Horizons pode chegar finalmente a Ultima Thule (2015 MU69), considerado o objeto espacial mais longínquo que o Homem conseguiu alcançar, localizado para além da órbita de Plutão.

O mais curioso é que a sonda está a realizar uma missão para o qual nem foi concebida, já que foi lançada em 2006 em direção a Plutão, numa altura em que o Ultima Thule ainda não tinha sido descoberto. Apenas em maio de 2009 foi detetado, após os astronautas introduzirem uma câmara melhorada no telescópio espacial Hubble. Mas o corpo celeste foi finalmente fotografado em junho de 2014, descrito como uma “montanha” flutuante que orbita o Sol a mil milhões de milhas para lá de Plutão (e a quatro mil milhões de milhas da Terra).

Será o primeiro encontro da humanidade com este “novo mundo” marcado para o dia 1 de janeiro. Este contacto tem entusiasmado a comunidade científica que não sabe o que esperar: “Se soubéssemos o que esperar não estávamos a ir para Ultima Thule. É um objeto que nunca visitámos antes”, refere o investigador científico Alan Stern ao Business insider.



Segundo é explicado, Ultima Thule encontra-se numa zona chamada Cintura de Kuiper, uma região descrita como tendo uma luz solar tão fraca como a iluminação de uma Lua Cheia. Esta zona longínqua e gelada agrega os vestígios da formação do sistema solar, denominados por objetos da cintura de Kuiper (Kuiper Belt Objetcs - KBOs). Tal como Plutão, o Ultima Thule é um desses corpos que se juga estar em órbita há milhares de milhões de anos e que o seu estudo pode revelar como o Sistema Solar evoluiu para formar planetas como a Terra. É considerado uma espécie de “semente de planeta”.

Os cientistas consideram o corpo celeste como uma espécie de cápsula do tempo com 4,5 mil milhões de anos. É a primeira vez que assistem a um elemento que não é grande o suficiente para ter suporte geológico como um planeta, mas ao mesmo tempo nunca foi posto em perigo pelo Sol. Os cientistas afirmam que a passagem do New Horizons é o equivalente astronómico a uma escavação arqueológica no Egito. “É como abrir pela primeira vez o túmulo de um faraó e ver como era a cultura há mil anos atrás, mas aqui é nos confins do Sistema Solar”, afirma o investigador…

Se tudo correr bem, as primeiras imagens são esperadas no dia 1 de janeiro, cerca de 30 minutos depois da famosa “bola” ser lançada no Times Square, em Nova Iorque. Rui Parreira – Portugal in “Sapo”

quarta-feira, 26 de dezembro de 2018

Portugal - Rebanhos: Coleiras ‘ensinam’ a comer só as ervas daninhas nas vinhas

E se rebanhos de ovelhas e cabras circulassem livremente por vinhas e pomares para limparem os terrenos de vegetação infestante sem colocarem em causa a produção agrícola? Uma equipa de investigadores da Universidade de Aveiro (UA) e do Instituto Politécnico de Viseu (IPV) encontrou a solução que promete a total dispensa de herbicidas. Para isso, desenvolveram uma coleira eletrónica que, quando colocada em cada um dos animais, faz com que ovinos e caprinos se concentrem nas ervas daninhas e que deixem em paz frutos, folhas e ramos de videiras e árvores



O método oferece grandes vantagens não só aos produtores como ao meio ambiente: elimina o uso de herbicidas para queimar ervas infestantes, os terrenos deixam de ter a necessidade de serem arados várias vezes por ano e a fertilização dos solos passa a ser feita de forma natural. Evita ainda que os resíduos dos herbicidas possam contaminar os frutos e o vinho, como acontece atualmente, apesar dos cuidados dos produtores. E porque todos estes processos são realizados por máquinas agrícolas, o suprimento destas permitiria poupar nos combustíveis fósseis.

Testes revelam-se um sucesso

Desenvolvida no âmbito do projeto SheepIT por docentes da Escola Superior Agrária do Instituto Politécnico de Viseu, da Escola Superior de Tecnologia de Águeda – uma das quatro escolas politécnicas da UA - do departamento de Electrónica Telecomunicações e Informática e do polo do Instituto de Telecomunicações (IT) da Academia de Aveiro, o sistema inclui uma coleira eletrónica acoplada ao pescoço dos animais que tem como função a monitorização e condicionamento da respetiva postura corporal.



“A coleira emite um conjunto de avisos sonoros de forma a avisar o animal que excedeu a altura máxima calibrada. Os sons antecedem a emissão de estímulos electrostáticos que incomodam o animal sem lhes causar qualquer tipo de dor”, explica Pedro Gonçalves. Assim, explica o coordenador do projeto SheepIT, e de forma a evitar o incómodo, “ao fim de muito pouco tempo os animais começam a evitar a postura infratora quando ouvem o som” deixando as videiras e as árvores de fruto em paz e dedicando-se exclusivamente à pastagem do solo. Para além de rápida, a aprendizagem mantém-se mesmo ao longo de vários meses.

A coleira encontra-se integrada numa rede de sensores que permite também a monitorização da atividade e localização animal, assim como o envio dos dados agregados para uma aplicação residente na cloud. Estes dados, aponta o investigador, “ajudam a prever, por exemplo, as necessidades de alimentação suplementar animal, detetar doenças preventivamente, detetar cios e antecipar partos”.



Monda animal de regresso

A utilização de animais no controlo do crescimento vegetacional – tradicionalmente conhecida como monda animal - é um método bem conhecido na agricultura. Contudo, foi sendo abandonado devido ao surgimento de um sem número de máquinas agrícolas e herbicidas, assim como pela perda de competitividade do setor pecuário.

Contudo, explica Pedro Gonçalves, “com o aumento da preocupação ambiental e das necessidades das empresas vitícolas do Douro, onde a mecanização dos processos é muito difícil devido ao relevo, o interesse voltou a surgir”.

Assim, e neste momento, as coleiras foram já testadas nas vinhas da Escola Superior Agrária de Viseu e da Adriano Ramos Pinto, S.A., e encontram-se em processo de industrialização a realizar pelo parceiro industrial do projeto (GLOBALTRONIC, Eletrónica e Telecomunicações, S.A). “Estes testes têm vindo a confirmar a eficiência do método de monda animal, mantendo a segurança das produções assim como o necessário bem-estar dos animais”, congratula-se o investigador.

Para além do investigador Pedro Gonçalves, fazem parte do projeto um vasto grupo de investigadores da UA entre os quais José Pereira, Miguel Nóbrega e Paulo Pedreiras e do IPV, António Monteiro, Fernando Esteves, Catarina Coelho, José Manuel Costa e Pedro Rodrigues. Universidade de Aveiro - Portugal

quinta-feira, 20 de dezembro de 2018

Galiza – Investigação da produção de polvo em aquicultura

Álvaro Roura: "Queremos criar polvo de aquicultura imitando a sua vida em liberdade"



Menos de dois meses depois de se conhecer o IEO e Pescanova terem conseguido completar o ciclo do polvo comum (Octopus vulgaris) em cativeiro, uma nova linha de investigação une-se à corrida do que seria um marco histórico na aquicultura na Galiza. O Instituto de Pesquisas Marítimas de Vigo e a Armadora Pereira anunciaram na passada segunda-feira que têm resultados "muito esperançosos" neste sentido. A tese de doutoramento de Álvaro Roura, dirigida por Ángel Guerra, Ángel González e Gabriel Rosón, serviu de estímulo a uma nova abordagem para acertar com a dieta da paralarva, um muro quase intransponível até agora para os cientistas. O artigo publicado no “Progress in Oceanography” junta-se, desta maneira, à corrida comercial para produzir o polvo da piscicultura e levá-lo ao mercado. Álvaro Roura responde a várias questões sobre esta investigação.

Como foi a pergunta que deu início a tudo isto?

Gosto muito de ecologia e respondo a perguntas básicas da vida destes animais. E pensar também como podemos abrir os nossos olhos para futuras aplicações. O da alimentação era uma das fases do conhecimento da vida do polvo em cativeiro que nos faltava aprofundar. Sabíamos como e quando os jovens iam para os estuários, mas não como viviam e comiam. E foi isso que estudámos e continuamos estudando.

O que foi feito na investigação?

Completei o meu período de pós-doutoramento na Austrália, e estudei as larvas do polvo e outros cefalópodes que se movem pelo oceano, como eles podem ir de um lugar para outro e o que comem. Fizemos uma série de campanhas oceanográficas e, pela primeira vez, capturámos larvas fora da plataforma continental. Isto nunca se conseguira até aquele momento. É um processo muito lento e muito difícil. Perto da costa há uma larva entre cada 200.000 animais, mas se sais para o oceano, há uma para cada quatro milhões de animais. Há que ver e procurar muitos animais para encontrar um. E foi um enorme esforço.

Com essas larvas, pudemos estudar a sua dieta. Realizámos técnicas de sequenciamento em massa com as quais obtivemos muitas informações sobre essa alimentação, identificando mais de 90 presas diferentes.

E com essa informação, ao terminar a estadia na Austrália, começámos a elaborar projectos para aplicar esse conhecimento à aquicultura, para ver se poderíamos resolver este grande problema. Tivemos a sorte de que a Armadora Pereira estivesse interessada no projecto e confiasse em mim. Fizemos um acordo de colaboração e fomos capazes de desenvolver esta hipótese, para ver se poderíamos usar a ecologia para criar polvos em cativeiro.

Conseguiu então superar o problema?

Passámos 18 meses com o projecto, desde abril do ano passado, e temos resultados muito promissores. Conseguimos reduzir a mortalidade, com sobrevivências, aos 60 dias, entre 20 e 30%. Isto é apenas o começo, porque não tínhamos experiência anterior em cultivo. Venho de investigar as larvas no oceano, não na aquicultura.

Como foi com a comida?

Já sabíamos que eles comem muitos crustáceos: caranguejos, camarões, gastrópodes, quetognatas, etc. Há uma parte que não podemos contar porque faz parte do acordo com a armadora. Mas podemos dizer que é feito de artemia, um alimento que é usado na aquicultura, com produtos como o sargo ou o robalo.

Aqui, a artemia é o veículo que pode ser enriquecido com muitas coisas, embora em si tenha pouco valor nutricional. Se fizermos isso rapidamente, antes que a digestão seja feita e expulse esses nutrientes, podemos ter a chave para alimentar as larvas de polvo.



Os resultados do IEO e Pescanova foram conhecidos recentemente. Tem este projecto algo em comum?

Colaboramos com o IEO, e temos artigos em comum, mas não tem nada a ver com isto. Mas esta linha de pesquisa concentra-se na vida das larvas em liberdade. Até agora, a aquicultura do polvo fez-se um pouco às cegas, mas a linha que desenvolvemos no Ecobiomar leva mais em conta a perspectiva ecológica. Queremos criar polvo de aquacultura, mas imitando e recriando a sua vida em liberdade.

O que falta agora?

Muito, porque o projecto apenas agora começou. As larvas são animais muito inteligentes, mas muito delicados. E em cada cultura aprendemos algo mais. O que falta é continuar melhorando e pensando em novas hipóteses baseadas na sua ecologia, e melhorando outros aspectos da sua ecologia. Falta bastante para ter dados suficientes para ver se é viável ou não começar a produzir, que é o objectivo final da armadora, porque vêem que isso pode levar à produção. Não precisa ser uma única chave. Podem ser muitas ao mesmo tempo, com afinações muito subtis, e em cada cultura estamos afinando e conhecendo mais pormenores. Manuel Rey – Galiza in “GCiencia”