Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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sexta-feira, 31 de julho de 2026

Moçambique - “O Veredicto” une música, teatro e dança no Centro Cultural Moçambique-China

O musical “O Veredicto” sobe ao palco na próxima sexta-feira, no Centro Cultural Moçambique-China, com a proposta de unir teatro, canto, dança e performance visual numa reflexão sobre as histórias, vivências e expressões que compõem o património cultural moçambicano. Mais do que um espetáculo, os promotores apresentam a iniciativa como um apelo à valorização da cultura nacional e à aproximação do público às produções artísticas do país.


Durante a conferência de imprensa de apresentação do musical, o produtor Zé Pires afirmou que a obra pretende contribuir para o resgate da música moçambicana, que, na sua perspetiva, tem perdido espaço junto da própria sociedade.

“Fazemos com este musical, com esta obra que é um teatro musicado, um clamor a toda a sociedade para o resgate e a recuperação da nossa música como uma plataforma importante que foi praticamente abandonada pela própria sociedade.”

Segundo Zé Pires, a principal razão da criação do espetáculo é formar novos públicos e incentivar os moçambicanos a voltarem às salas de espetáculo.

“A essência deste espetáculo, aquilo que foi a razão por que foi criado, é a construção de uma audiência, a formação de audiências.”

O produtor reconheceu que um dos maiores desafios enfrentados pelos artistas nacionais é conquistar público para os seus eventos.

“Hoje em dia temos muita dificuldade de ter um espetáculo de música ou de qualquer arte sem a gente ter uma casa cheia. Estamos com uma casa de 1500 lugares e, para a ter cheia, é um transpirar que vocês não estão a imaginar.”

Também presente na conferência de imprensa, o artista Roberto Chitsondzo alertou para o que considera ser um progressivo afastamento dos artistas e do público em relação à cultura moçambicana.

“Nós, artistas, fugimos da nossa essência como artistas para ser melhor aplaudidos. A sociedade deixou de escutar a sua própria cultura para dar mais ‘likes’ àquilo que é dos outros.”

Embora reconheça a importância das influências internacionais na formação dos artistas, Chitsondzo defendeu que é necessário valorizar mais a produção cultural nacional.

“Eu próprio aprendi a cantar com músicas provenientes de outros sítios. Mas isso não significa que devemos deixar de ouvir e promover aquilo que é nosso.”

O artista criticou ainda a escassa presença de conteúdos culturais em alguns programas de entretenimento, considerando que a divulgação do trabalho dos criadores nacionais continua a ser insuficiente.

“Aquilo que a gente assiste ali é fofoca, aberrações, insultos. Daquilo que deveriam apresentar sobre os nossos colegas, eu não vejo nada.”

A organização acredita que “O Veredicto” poderá contribuir para aproximar o público da arte moçambicana, promovendo uma reflexão sobre a identidade cultural e reforçando o papel da música, do teatro e da dança como instrumentos de preservação do património nacional. Arnosso Cuco – Moçambique in “O País”


sábado, 27 de junho de 2026

Angola - Casa de Cultura Rainha Njinga A Mbande do Rangel focada na formação artística e intelectual da juventude local

A instituição, ocupando as instalações da antiga Biblioteca do Rangel, recuperadas pela Fundação Obra Bella com o aval do Governo da Província de Luanda, vem-se destacando na vertente educativa com resultados sólidos, especialmente na área da informática


A Casa de Cultura Rainha Njinga A Mbande, localizada no Bairro Nelito Soares, município do Rangel, destaca-se como um espaço vital para a formação artística e intelectual da juventude local, operando sob um modelo filantrópico e de parceria comunitária.

Apesar das limitações financeiras inerentes ao seu modelo filantrópico e dos desafios técnicos de infra-estrutura, projecta um crescimento estratégico para 2027, focado na profissionalização da sua promoção mediática e na estabilização de parcerias para eventos de maior porte.

Ocupando as instalações da antiga Biblioteca do Rangel, recuperadas pela Fundação Obra Bella com o aval do Governo da Província de Luanda, a Casa de Cultura Rainha Njinga A Mbande é constituída por uma Oficina de Artes, Biblioteca Manuel Pedro Pacavira, Sala de Convívio, Anfiteatro, Ginásio, Salas de Aulas, Escritórios, Casas de banho e cozinha.

Mas, entre elas, o teatro, informática, as artes plásticas são as actividades que mais se têm destacado. Para melhor conhecer por dentro a realidade deste importante Espaço Cultural, abordamos o seu responsável, Dom Caetano, que, numa curta visita guiada aos diferentes compartimentos da estrutura, detalhou o panorama operacional e a dinâmica que se impõe, realçando o compromisso da instituição com a formação comunitária e a preservação da identidade cultural local.

O responsável referiu que, apesar dos desafios financeiros e logísticos, a instituição mantém uma oferta cultural robusta e gratuita, focada no crescimento intelectual e artístico da juventude angolana. Realçou que, nesta sua acção educativa, em apenas 18 meses, mais de 60 formandos concluíram o curso, com muitos já inseridos no mercado de trabalho.

Ressaltou que, como instituição de direito privado vinculada à Fundação Obra Bela, o Centro Cultural tem como objectivo promover benfeitorias na comunidade do Rangel. Augusto Nunes – Angola in “O País”


terça-feira, 26 de maio de 2026

Macau - Teatro em patuá conseguiu “envolver o público”

Caiu o pano de mais um espectáculo em patuá, interpretado pelo grupo Dóci Papiaçám di Macau, e o dramaturgo e encenador já pensa na próxima edição. Levantando um pouco o véu daquilo que poderá ser satirizado em 2026, Miguel de Senna Fernandes disse ao Jornal Tribuna de Macau que a ideia é dar continuidade aos temas relacionados com “os novos ventos” do desenvolvimento do território. O responsável mostra-se satisfeito com a actuação das pessoas em palco, “que conseguiram envolver o público”, destacando a simbiose entre os mais velhos e as novas gerações. Por outro lado, confirmou a este jornal que o Instituto Cultural pediu que fosse retirada “uma expressão”, tendo o grupo feito uma rectificação


Casa cheia no sábado à noite e plateia com menos gente no domingo à tarde constituem o balanço da adesão do público a mais um ano de espectáculo em patuá, interpretado pelo grupo de teatro Dóci Papiaçám di Macau, que teve por palco o Grande Auditório do Centro Cultural.

Incluída no programa do Festival e Artes, a peça de quase duas horas e meia de duração, com legendas em português, inglês e chinês, abordou o ambiente socioeconómico de Macau com muito humor e sátira social.

O enredo girou em torno de duas irmãs que assumiram o restaurante do pai (o estabelecimento “Glorioso”) após a sua morte. “E Agora Como? (E agora?)” reflectiu o impacto do fecho de casinos-satélite e as dificuldades do pequeno comércio.

O dramaturgo e encenador mostra-se “muito satisfeito”, porque as pessoas em palco “conseguiram envolver o público, que é o mais importante”, disse ao Jornal Tribuna de Macau. Miguel de Senna Fernandes afirma que “todos os anos a experiência se repete, sendo uma confirmação do esforço comum”, adiantando que “cada participante teve oportunidade de, por si e juntamente com os outros, realizar algo de pessoal, uma vez que há sempre espaço para alguma criatividade dentro do guião, o qual permite essa liberdade”.

Como todos os anos acontece, houve algumas revelações, como foi o caso de Eduardo, de apenas 11 anos de idade, que teve a responsabilidade de apresentar a peça. E é nestas novas gerações que o mentor do espectáculo aposta, sem nunca descurar os mais velhos, já veteranos nestas andanças.

“O Doçi Papiaçám não é aquela escola tradicional de teatro, mas também é uma escola em que se aprende a estar em palco”, salienta, acrescentando que “enfrentar o palco é psicológico e treina-se”. Para o encenador, que há 33 anos fundou o grupo, “quem tem experiência de palco tem experiência da vida, sendo isto uma oportunidade fantástica de auto-estima e de auto-afirmação”. Por isso, nota, “queremos apostar nas novas gerações para dar continuidade ao espectáculo e ao próprio patuá, como língua”.

Referindo-se à tecnologia utilizada, desta feita com algumas imagens geradas através de Inteligência Artificial, diz que esta ferramenta “tem de ser aproveitada, uma vez que está ao nosso dispor e permite muitas vezes dar azo a que nós possamos realizar algo que nós idealizámos e não iríamos conseguir pelas nossas próprias mãos”.

No entanto, na peça deste ano, notou-se que os momentos musicais foram escassos, ao contrário de espectáculos anteriores. “Reconheço que deveria haver mais”, admitiu, afirmando que, “o que houve foi conseguido em tempo recorde pela Joana Freitas e pela Agurtzane Cordeiro que quiseram arriscar, tendo resultado bem”. Para o ano, revela, “vou apostar mais na música e nas canções, porque é de facto importante, posso mesmo dizer insubstituível”.

E por falar na edição de 2026, Miguel de Senna Fernandes diz já ter algumas ideias, com o tema a andar provavelmente à volta dos “novos ventos” da RAEM. “Para onde é que se vai hoje em dia quando se quer desenvolver Macau?”, questiona, dando um exemplo: Hengqin.

Aponta o mês de Setembro para começar a definir a história da peça. “Mas terá sempre a ver com os novos ventos do desenvolvimento do território”, expressa.

O responsável do grupo Dóci Papiaçam di Macau congratula-se pelo apoio dado pelo Instituto Cultural (IC). “A presidente, Leong Wai Man, esteve na plateia e no final foi aos bastidores apresentar cumprimentos, o que é um sinal de que podemos contar com o seu apoio e de facto não nos podemos queixar de nada ao longo destes anos”, menciona.

Sobre a obrigação de apresentação, à “priori”, do guião do espectáculo ao IC, o dramaturgo desvaloriza algumas rectificações feitas pontualmente. “Falaram comigo e nós retirámos uma expressão, apenas isso, mas nós compreendemos e aceitamos”, conclui.

Relativamente ao programa do Festival de Artes, outro espectáculo teatral estará em cena nos próximos dias 29 e 30 de Maio, sexta-feira e sábado, às 20h00, no Grande Auditório do IC. “Divina Comédia” terá interpretação do grupo italiano NoGravity. Vítor Rebelo – Macau 


terça-feira, 5 de maio de 2026

Macau - Exposição de poemas ilustrados abre Festival da Língua Portuguesa

Uma exposição de poemas de vários escritores portugueses, seleccionados por Pedro D’Alte e ilustrados pelo artista Joaquim Franco, assinala o arranque da primeira edição do Festival de Língua Portuguesa, promovido pela Casa de Portugal. A mostra na Casa Garden serve também para celebrar o Dia Mundial da Língua Portuguesa. O festival, que se prolongará até 18 de Junho, inclui ainda momentos de leitura, histórias contadas nas escolas, workshops de escrita criativa, espectáculo de marionetes, um concerto e uma peça de teatro. Para Elisa Vilaça, “é necessário haver algo que nos lembre a importância da língua portuguesa e da sua preservação, sendo a poesia um elemento de referência”


Pela primeira vez, a Casa de Portugal promove o Festival de Língua Portuguesa, organizando uma série de actividades que têm hoje início, precisamente no Dia Mundial da Língua Portuguesa, com a inauguração de uma exposição na Casa Garden, pelas 18h30. A mostra combina 16 poemas de vários escritores portugueses e outros países de expressão portuguesa, como Fernando Pessoa, Eugénio de Andrade, Mia Couto, José Luís Peixoto e José Craveirinha, que abrangem desde o século XVI até à actualidade, seleccionados pelo académico Pedro D’Alte, com a ilustração de igual número de pinturas de acrílico em tela produzidas pelo artista Joaquim Franco.

“As ilustrações vão ser expostas em paralelo com os poemas, cujos textos acompanham a interpretação do artista”, disse ao Jornal Tribuna de Macau a curadora da exposição Elisa Vilaça.

O objectivo nesta exibição, em conjunto com o restante programa do festival, é dar “maior ênfase à língua portuguesa, que é bem importante hoje, mais do que nunca”, sublinhou a directora artística da Casa de Portugal.

Ao abordar o Dia Mundial da Língua Portuguesa, Elisa Vilaça considera que a preservação da língua é fundamental. “Para tudo, não só como uma profunda raiz daquilo que foi feito em Macau, ao longo de 450 anos, mas principalmente agora, com todo esse sistema de globalização, que nós temos a consciência de que a língua portuguesa é falada em imensos países”, sublinha.

Lembrando que o Português é a quinta língua mais falada em todo o mundo, admite que “por vezes nós esquecemo-nos disso, da importância que temos a nível de linguística e do que tem sido feito pelos escritores”. Nesse sentido, defende, “é necessário haver algo que nos lembre a importância da língua portuguesa e da sua preservação, sendo a poesia um elemento de referência”.

Por tudo isso, diz, “há uma mensagem que tem de ser passada sobre a preservação da nossa língua e no cruzamento com as diferentes culturas que nós encontramos em Macau”.

Para a curadora da exposição, “a única coisa que é muito importante fazer neste momento é tentar cativar cada vez mais a população jovem, que, quem sabe, poderá permanecer por aqui, ou procurar os seus empregos, o seu futuro, noutras paragens”. Para além da comunidade portuguesa e de representantes de outros países lusófonos estabelecidos em Macau, “a comunidade chinesa, desenvolvendo e interessando-se pela língua, ela própria também terá, no futuro, um meio e uma ferramenta importante na inter-relação com os diferentes países, inclusivamente Portugal”.

Mesmo considerando que “a história é uma coisa que se vai esquecendo”, considera que a língua é “um elo importantíssimo” e faz parte dessa história. “Por isso, afirma que “devemos fazer uma sensibilização cada vez maior em termos da divulgação da cultura e da língua, não só entre a comunidade portuguesa, mas principalmente na comunidade chinesa que é a maior em Macau”.

Histórias com marionetas contadas nas escolas

Assim sendo, o Festival da Língua Portuguesa, que começa esta tarde com a inauguração da exposição, que se manterá até ao dia 24 deste mês, “surge nesse sentido de sensibilizar para a importância da preservação, contando inclusivamente histórias aos alunos e às crianças de algumas escolas, como forma de os motivar a familiarizarem-se com a língua portuguesa”, menciona.

Os estabelecimentos abrangidos pelas conversas, intituladas “Contar Histórias”, da responsabilidade da própria Elisa Vilaça, são o Jardim de Infância D. José da Costa Nunes, a Escola Sir Robert Ho Tung e a Escola Luís Gonzaga Gomes, onde haverá espectáculos de marionetas a partir de 13 de Maio e prolongando-se até Junho.

Trata-se de uma mistura das marionetas com o texto em si, numa “história mimada”, porque tem “a minha participação, não só como manipulador, mas como próprio autor”, refere, acrescentando que, “contrariamente ao que acontece quando faço espectáculos de marionetas em Macau, em que não tenho palavra, apenas música, neste caso, como é dedicado à língua portuguesa, o português vai ter maior predominância, utilizando no fundo a marioneta como um elemento de comunicação entre as crianças”.

Nos restantes pontos do programa do Festival, destaque para “Pausa para Ler”, que terá por palco a Casa Garden, no dia 8 de Maio, das 18h30 às 20h00, e para dois workshops de “Escrita Criativa”. O primeiro no dia 15, entre as 19h00 e as 21h00, para maiores de 18 anos, e o segundo, a 16, entre as 15h00 e as 17h00, para maiores de 15 anos, orientados por Paula Pinto. Ambos serão realizados na sede da Casa de Portugal.

Enquanto isto, está agendado um concerto para o dia 16, a partir das 19h00, na Casa Garden, com Tomás Ramos de Deus, Miguel Andrade, Paulo Pereira, Irawan Kusuma, Luís Bento e outros músicos convidados.

O festival, que conta com o apoio da Fundação Macau e da Fundação Oriente, encerrará a 18 de Junho com a peça “O Pior Professor do Mundo” protagonizada pelo Teatro João de Brito, no Auditório da Escola Portuguesa de Macau, pelas 19h00, estando reservada uma sessão para os alunos e outra aberta ao público.

Conversas em Português no Café do IPOR

Por forma a celebrar o Dia Mundial da Língua Portuguesa e os 30 anos da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa, o Instituto Português do Oriente (IPOR) vai organizar hoje e amanhã, entre as 18h30 e as 20h30, um evento especial em formato de conversas rápidas. As “Conversas em Português à Volta do Mundo” decorrerão no Café Oriente no IPOR e destinam-se a estudantes ou “curiosos” que não têm o Português como língua materna. Segundo o IPOR, os participantes poderão, em várias mesas, conversar durante 5 a 7 minutos com falantes nativos de Português. Quem passar por todas as mesas terá direito a um prémio. Vítor Rebelo – Macau in “Jornal Tribuna de Macau”


sábado, 2 de maio de 2026

Cabo Verde - Festival Kontornu regressa ao país para a sua 4.ª edição com programação internacional de dança e artes performativas

A 4.ª edição do Festival Kontornu – Festival Internacional de Dança e Artes Performativas de Cabo Verde acontece de 11 a 16 de maio de 2026, afirmando-se como um dos principais encontros artísticos do país e um dos principais festivais de dança do continente africano da atualidade.


A programação estará centrada na cidade da Praia, com uma extensão especial na Cidade Velha e o seu já emblemático encerramento no Tarrafal de Santiago, reforçando a dimensão territorial e descentralizada do festival.

O Festival Kontornu reúne nesta edição cerca de 80 participantes provenientes de vários países, entre artistas, programadores, investigadores e profissionais das artes performativas (Portugal, Brasil, Grécia, Suíça, República Dominicana, Espanha, Senegal, França, Itália)

Mais do que um festival, o Kontornu posiciona-se como uma plataforma de criação, intercâmbio e pensamento crítico, cruzando linguagens como dança contemporânea, danças urbanas, performance, circo, teatro e práticas híbridas. O seu foco passa por estimular redes internacionais, promover e contribuir para a construção de novas narrativas no campo das artes performativas e tornar Cabo Verde um epicentro das artes performativas do mundo.

Ação social: “Menos Álcool, Mais Vida” celebra 10 anos

Nesta edição, o festival associa-se à campanha “Menos Álcool, Mais Vida”, que celebra 10 anos de existência.

Esta parceria reforça o compromisso do Kontornu com a responsabilidade social e a promoção de estilos de vida saudáveis, especialmente junto da juventude. A campanha tem sido fundamental na sensibilização para os impactos do consumo excessivo de álcool, incentivando escolhas conscientes e o bem-estar coletivo, alinhando-se com os valores educativos e comunitários do festival.

Kopano – Encontro Internacional de Programadores

O festival volta a acolher o Kopano – Encontro Internacional de Programadores, um espaço de reflexão, networking e cooperação entre profissionais das artes.

Esta iniciativa é realizada em parceria com o Restaurante Batuku e a Câmara Municipal da Cidade Velha, criando um ambiente de diálogo entre agentes culturais locais e internacionais. O Kopano tem como objetivo fortalecer circuitos de circulação artística, estimular coproduções e posicionar Cabo Verde no mapa global das artes performativas.

Homenagem a Marlene Monteiro Freitas

A 4.ª edição presta homenagem à coreógrafa cabo-verdiana Marlene Monteiro Freitas, uma das mais reconhecidas artistas da cena contemporânea internacional. Esta homenagem celebra o seu percurso singular e o impacto da sua obra, que tem contribuído para redefinir a presença da criação cabo-verdiana nos grandes palcos do mundo. A sua abordagem radical, inventiva e profundamente autoral inspira novas gerações de artistas e reforça a importância da experimentação estética.

Kontornu Dance Camp – Nova geração em residência

Como novidade desta edição, surge o Kontornu Dance Camp, uma residência artística que reúne jovens bailarinos de diferentes partes do mundo.

Durante o festival, os participantes estarão em residência no Estádio Nacional, desenvolvendo práticas intensivas de formação, criação e intercâmbio. Esta iniciativa visa investir na próxima geração de artistas, promovendo o encontro entre culturas, linguagens e experiências.

Kontornu Dance Battle – Encerramento no Tarrafal

O festival encerra com o Kontornu Dance Battle, uma grande celebração das danças urbanas, que terá lugar no Tarrafal.

Esta atividade é realizada em parceria com o Festival IUFA (Açores), reforçando pontes entre territórios insulares e comunidades artísticas. A batalha promete reunir bailarinos, público e energia coletiva num momento de partilha, competição saudável e celebração da cultura urbana.

Sobre o Festival Kontornu

O Festival Kontornu é um evento dedicado à dança e às artes performativas, que promove a criação contemporânea, o intercâmbio internacional e a valorização das práticas artísticas africanas e da diáspora. Festival Kontornu - Cabo Verde




terça-feira, 28 de abril de 2026

Macau - Festival de Artes traz “Novas Correntes de Inspiração” em Maio

O 36.º Festival de Artes de Macau, um dos grandes eventos artísticos da cidade, está prestes a tornar-se ainda maior. Este ano, o festival vai decorrer durante quase dois meses, de 8 de Maio a 27 de Julho, sob o tema “Novas Correntes de Inspiração”. A iniciativa arranca na segunda sexta-feira de Maio com um espectáculo gratuito de um grupo de dança do Cazaquistão, ecoando os valores de interculturalidade e descoberta de novos mundos que caracterizam esta edição


O programa da 36.º edição do Festival de Artes de Macau (FAM) foi divulgado na sala de conferências do Centro Cultural de Macau, a poucas semanas do seu início oficial no dia 8 de Maio. A partir do tema “Novas Correntes de Inspiração”, a iniciativa deste ano convida residentes e visitantes a embarcar numa viagem multidisciplinar pelas culturas, artes e relações de amizade que se desenvolveram (e desenvolvem) ao longo da Rota Marítima da Seda.

O festival desde ano arranca a 8 de Maio e culmina no dia 27 de Junho, englobando uma série de experiências, actividades, workshops e espectáculos interpretados numa multiplicidade de línguas e expressões artísticas. Reflectindo o tema central de expansão geográfica e intercâmbio cultural, o espectáculo de abertura consiste numa apresentação do conjunto de dança folclórica BIRLIK, do Cazaquistão, que se vai unir a grupos de dança locais para a performance “O Lótus na Rota da Seda – Tradições em Movimento”. A entrada para esta sessão de arranque é gratuita, mediante aquisição prévia de bilhete.

A música continua a dominar a fase inicial do FAM, com a passagem do musical “A Noite Estrelada” pelo palco do Grande Auditório do Centro Cultural de Macau nos dias 15 e 16 de Maio. A peça é produzida pela Actors’ Family, uma das principais companhias de teatro musical em Hong Kong. Nos dias 16 e 17 de Maio, está agendada outra apresentação que funde as artes do teatro e da música com “1014 – Nanyin x Jazz”, uma história sobre memória, tecnologia e a importância da música na sensibilidade humana.

Ainda no domínio do teatro, a peça “Entrelinhas”, do encenador Tiago Rodrigues, assinala a única presença portuguesa no programa deste ano. O monólogo terá lugar no Teatro Dom Pedro V, nos dias 19 e 20 de Maio, e esbaterá as linhas entre ficção e realidade ao relacionar o mito de Édipo com cartas escritas por um prisioneiro à mãe.

Nos dias 22 e 23, a cultura cazaque volta a sobressair com um espectáculo duplo da companhia de dança Jolde. A primeira parte, “Tamyr”, une a elegância da dança contemporânea às vozes de um coro para falar sobre rituais, humanidade e identidade, enquanto a segunda parte, “Intemporal”, explora a memória colectiva e a fluidez do tempo.

Outro dos grandes destaques do programa passa por um palco ainda maior: o Jardim do Mercado do Iao Hon, aberto a toda a comunidade. Neste local, entre os dias 22 e 24, vai decorrer uma mostra de espectáculos ao ar livre intitulada “Onde a Cultura Floresce, a Felicidade Acontece”. De acordo com as informações divulgadas na conferência de imprensa, as actividades vão desde actuações musicais e ‘flashmobs’ à troca de livros e à promoção da leitura. Haverá ainda actividades destinadas a toda a família, como oficinas temáticas, pinturas faciais e visitas guiadas.

Voltando ao Centro Cultural de Macau, é tempo também de recuar até 2006, quando estreou a peça “Eterna Juventude”. Vinte anos depois, a versão revista “2.0” chega ao Centro Cultural de Macau para uma história sobre a passagem do tempo, proporcionando uma reunião entre conhecidos actores de Macau e o dramaturgo local Lawrence Lei.

Outro dos eventos mais aguardados deste ano é o regresso dos Dóci Papiaçám, que voltam aos palcos com mais uma sátira mordaz em patuá. Desta vez, a peça intitula-se “Agora Como?” e tem como pano de fundo o fecho dos casinos-satélite e as suas consequências para a economia no território. As actuações estão marcadas para 23 e 24 de Maio.

Depois de Portugal, as artes europeias voltam a ter lugar no festival com “A Divina Comédia”, assinada pela companhia italiana NoGravity Theatre. Nos dias 29 e 30, os artistas cénicos vão interpretar o poema épico de Dante através de uma coreografia meticulosa e profundamente artística, com recurso a espelhos para criar uma dupla dimensão visual.

Junho traz ópera, ballet e homenagens à Macau antiga

O mês de Junho começa com uma homenagem à mitologia chinesa. No dia 6, o Sands Theatre recebe uma visita da Associação de Ópera Cantonense Zhen Hua Sing, que sobe ao palco com intérpretes locais. Trata-se de uma peça teatral de ópera inspirada na lenda de He Xiangu, a única mulher entre os Oito Imortais.

Nos dias 19 e 20 de Junho, Macau recebe uma interpretação de uma das mais importantes obras do ballet clássico: “Lago dos Cisnes”, do compositor russo Tchaikovski. O Ballet de Xangai traz uma versão criada pelo coreógrafo britânico Derek Deane, que combina a técnica clássica com técnicas contemporâneas como a inclusão de um conjunto de cisnes cintilantes em palco.

A peça “A Velha Casa das Orquídeas”, já estreada em 2025 no Festival Fringe, volta nos dias 20 e 21 com uma encenação repensada para o Centro Cultural. Mais uma vez, o público pode esperar uma narrativa sobre os bairros antigos de Macau, reimaginados ao som de música ao vivo.

Também nos dias 20 e 21, a Associação de Dança Hou Kong, sediada em Macau, apresenta “A Noite de Zheng Guanying”. A Casa do Mandarim vai então transformar-se num palco dinâmico, permitindo que os artistas percorram e dancem por pátios e corredores, como se recuando aos tempos do seu antigo proprietário.

A peça “A Dinastia Dela”, cuja estreia aconteceu no Festival de Teatro de Wuzhen em 2025, segue para Macau nos dias 25 e 27 de Junho. A narrativa centra-se em quatro noites na vida de Wu Zetian, a única imperatriz da China, e partilha com o público a sua ascensão ao poder e o seu espírito resiliente, que ousou desafiar o sistema patriarcal chinês.

Outro dos acontecimentos artísticos sobressaídos no programa é a exposição “Duetos da Natureza: Pinturas de Paisagem das Dinastias Ming e Qing do Museu Nacional da China”, já em exposição no Museu de Arte de Macau desde 24 de Abril. O projecto permanece patente até dia 26 de Junho, a véspera do encerramento do festival, possibilitando a apreciação de 65 obras-primas da pintura de paisagem das dinastias Ming e Qing.

Para além do extenso programa de espectáculos e apresentações artísticas, o FAM vai também realizar nove actividades relativas ao Festival Extra, que incluem workshops, conversas pós-espectáculo e palestras. Os bilhetes para o espectáculo de abertura, a título gratuito, podem ser adquiridos já a partir das 10h do dia 2 de Maio. Os restantes bilhetes vão ser vendidos entre 2 e 9 de Maio, na Bilheteira Enjoy Macau. O público pode consultar a programação completa, assim como os descontos disponíveis na compra de bilhetes, na página oficial do Instituto Cultural (IC).

De acordo com a presidente do organismo, Leong Wai Man, a iniciativa terá um custo de 22 milhões de patacas para o Governo. Este é um valor ligeiramente inferior ao do ano passado, quando o orçamento foi de 23,4 milhões de patacas, embora esta edição se prolongue por mais um mês do que a anterior. Carolina Baltazar – Macau in “Ponto Final”


sexta-feira, 20 de março de 2026

Fundação Calouste Gulbenkian - Bolsas Formação em Artes no Estrangeiro

Estas bolsas destinam-se a apoiar a formação académica e técnica em artes no estrangeiro, na vertente de artes visuais, dança, teatro, cinema e música


Condições de Elegibilidade

Podem candidatar-se cidadãos portugueses ou estrangeiros, residentes em Portugal.

No âmbito da formação académica, são concedidas bolsas para a frequência de pós-graduações e mestrados. Podem candidatar-se pessoas com idade igual ou inferior a 35 anos à data de 31 de dezembro de 2026, sendo considerados prioritários os candidatos em início de carreira que iniciem o ciclo de estudos a partir de 1 de setembro de 2026.

No âmbito da formação técnica e do aperfeiçoamento artístico, são concedidas bolsas para projetos formativos que promovam a especialização, a formação contínua e a valorização das carreiras profissionais. Nesta vertente, não existe limite de idade, sendo dada prioridade aos candidatos que iniciem a formação a partir de 1 de setembro de 2026.

No caso da música, são aceites apenas candidaturas nas especialidades correspondentes a instrumentos de orquestra, canto e direção de orquestra.

Excluem-se candidaturas destinadas à obtenção dos graus de licenciatura e de doutoramento.

Não são aceites candidaturas nas áreas de Arquitetura e Urbanismo, Design, História da Arte, Património e Arqueologia.

Condições da Bolsa

A bolsa inclui:

  • Uma mensalidade no valor de 1500 € ou 50 €/dia;
  • Um valor único de 1000 € para despesas de instalação, aplicável a formações com duração superior a três meses;
  • Um apoio até 500 € para despesas de viagem diretamente relacionadas com a formação;
  • Um apoio até 5000 € para pagamento de propinas, mediante apresentação dos respetivos comprovativos de pagamento;
  • Um seguro de acidentes pessoais em viagem.

No caso da formação académica, as bolsas são concedidas por um período mínimo de três meses e até um máximo de 12 meses. Mediante decisão discricionária da Fundação Calouste Gulbenkian, a bolsa poderá ser renovada para formações cujo plano de estudos tenha duração superior a 12 meses, não podendo a duração total da bolsa, incluindo renovações, exceder 24 meses.

No caso da formação técnica e do aperfeiçoamento artístico, as bolsas são concedidas por um período mínimo de uma semana e até um máximo de 12 meses. Também neste caso, poderá haver lugar a renovação, mediante decisão discricionária da Fundação Calouste Gulbenkian, para formações com duração superior a 12 meses, não podendo a duração total da bolsa exceder 24 meses.

Como concorrer

A candidatura é feita através da submissão de um formulário online, em português.

Consulte o Regulamento e verifique todos os critérios de elegibilidade, antes de submeter o formulário de candidatura.

Para aceder ao formulário de candidatura é necessário primeiro registar-se no website.

Preencha todos os campos obrigatórios para submeter a candidatura, incluindo o carregamento da documentação exigida no Regulamento.

Evite submeter a sua candidatura nos últimos dias do prazo para prevenir possíveis dificuldades.

Contactos

E-mail: bolsasgulbenkian@gulbenkian.pt. Fundação Calouste Gulbenkian – Portugal


segunda-feira, 2 de fevereiro de 2026

Macau - Rota das Letras regressa à Casa Garden para celebrar a 15.ª edição

Tal como já acontece há dois anos, o Festival Literário de Macau – Rota das Letras volta a ter lugar na Primavera. O evento – um dos mais relevantes ao nível das artes no território – vai ocupar a Casa Garden entre os dias 5 e 15 de Março, apresentando uma programação diversa que vai para além das letras e explora expressões artísticas como o cinema, o teatro e a música. A lista de convidados é extensa e inclui desde poetas locais a argumentistas de filmes de Hollywood


O Festival Literário de Macau – Rota das Letras está de regresso. A 15.ª edição do evento decorre de 5 a 15 de Março na Casa Garden, voltando a plantar no coração da Península uma celebração primaveril da arte nas suas múltiplas vertentes. Da literatura ao cinema, passando pela música e pelo teatro, a Rota das Letras oferece uma palete diversificada de manifestações artísticas produzidas por autores de diferentes culturas, em diferentes línguas, para o público igualmente heterogéneo de Macau.

O propósito da iniciativa mantém-se inalterado desde 2012, aquando da primeira edição: materializar “um ponto de encontro fundamental entre culturas, línguas e expressões artísticas do Oriente e do Ocidente”. A morada principal é a Casa Garden, onde decorrerão as habituais sessões de discussão e de lançamento de livros que caracterizam o festival, mas a programação contempla ainda a exibição de filmes, representações teatrais e concertos em vários espaços culturais da cidade.

A “celebração” e o “diálogo intercultural” são as forças motoras da presente edição, segundo adianta a organização em comunicado de imprensa. Celebra-se, sobretudo, os 15 anos de realização ininterrupta da Rota das Letras, que manteve a sua função enquanto ágora artística e cultural mesmo em plena pandemia de Covid-19 e que continua a ser uma referência incontornável na aproximação dos polos ocidental e oriental.

Será também assinalado o centenário do falecimento de Camilo Pessanha, poeta português que viveu, morreu e garantiu um lugar perene no território ao ser sepultado no Cemitério de São Miguel Arcanjo. “A sua ligação profunda a Macau e o seu legado literário serão revisitados através de diversas iniciativas, sublinhando o papel da cidade como ponte entre mundos”, indica o comunicado, que desvenda ainda três nomes envolvidos na celebração. São eles António Carlos Cortez, poeta e professor de Português e Literatura; Carlos Morais José, escritor e jornalista radicado em Macau; e Christopher Chu, escritor e jornalista que já publicou um livro sobre os trinta anos em que Pessanha viveu na cidade.

Embora a programação completa ainda não tenha sido divulgada ao público, já é possível saber qual o foco do dia de abertura do festival, a 5 de Março. Nesse dia, estará em destaque a exposição “Territórios Humanos: Fotografia, Pertença e Memória”, que reunirá imagens captadas pela óptica do português Alfredo Cunha e do chinês Liu Zheng e explorará as suas “identidades” particulares, bem como as “narrativas” comuns que se cruzam nos respectivos acervos fotográficos. A mostra será acompanhada pelo lançamento de dois livros de fotografia.

Nomes sonantes da literatura

O painel completo de convidados será divulgado em comunicado posterior, mas já se conhecem alguns dos nomes locais e internacionais que integrarão as sessões desta edição da Rota das Letras.

O panorama literário local divide-se entre os poetas Yao Feng, Cheung Wai Man, Kam Un Loi e Nick Groom, no lado masculino, e Rai Matsu e Zita Si Tou Chi U, no lado feminino. A lista de convidados radicados em Macau inclui também o pintor Konstantin Bessmertny e o maestro Veiga Jardim. Por sua vez, Rui Leão e Maria José de Freitas e “outros autores locais” vão homenagear a obra do arquitecto macaense José Maneiras, falecido em Novembro do ano passado.

As sessões dedicadas ao mundo lusófono contarão ainda com a presença de dois jornalistas e escritores que no ano passado publicaram, individualmente, livros sobre personalidades portuguesas de diferentes espectros políticos. Falamos de João Miguel Tavares, autor de José Sócrates – Ascensão (1957-2005), e de Miguel Carvalho, autor de Por Dentro do Chega – A face oculta da extrema-direita em Portugal. Destaque ainda para a jornalista Andreia Sofia da Silva com O lápis vermelho, livro que se debruça sobre os efeitos da censura do Estado Novo nos territórios ultramarinos, com especial foco na imprensa de Macau.

No que respeita à literatura em língua chinesa, a lista de convidados é composta por nomes bastante sonantes e reconhecidos tanto pelo público como pela crítica especializada. O comunicado começa por mencionar Bi Feiyu, vencedor de prémios como o Man Asian Literary Prize, o Lu Xun Literary Prize e o Mao Dun Prize – provavelmente, o mais prestigioso prémio literário chinês.

Seguem-se escritores como Xiao Bai, autor de Xangai que também venceu o prémio Lu Xun; Gu Shi, detentora dos prémios Nebula e Locus pelas suas histórias de ficção científica; e Lu Jian, poeta da geração “pós-anos 80s” galardoado com o Prémio de Poesia Zhang Qiang. Importa ainda mencionar o nome de Xie Youshun, que se destaca dos demais por se dedicar à análise e crítica da literatura contemporânea chinesa – responsabilidade que lhe mereceu, aliás, a atribuição do Prémio Feng Um de Crítica Literária.

Por seu turno, a categoria das letras internacionais é representada por personalidades de múltiplas línguas e continentes. No continente asiático, incluem-se o escritor indiano Amitav Ghosh – considerado um dos grandes vultos da literatura mundial graças à sua “Trilogia Ibis” e à forma como retrata temas como colonialismo, ambiente e identidade humana – e Elisa Shua Dusapin, romancista franco-suíça com raízes sul-coreanas cuja obra de estreia, Inverno em Sokcho, se situa precisamente na cidade turística da Coreia do Sul.

Viajando até às Américas, encontramos Hernán Diáz, escritor argentino-americano que venceu o prémio Pulitzer em 2023; Carlos Andrés Gomez, colombiano-americano que escreve e declama poesia ‘spoken word’; e Guy Delisle, cartoonista canadiano conhecido pelos seus livros de viagem sobre destinos pelo mundo fora – incluindo a China, que explorou no livro de 2000 Shenzhen: A Travelogue from China.

A Europa é representada pelo britânico Adam Sisman, autor de biografias aprofundadas sobre figuras como A. J. P. Taylor ou Hugh Trevor-Roper, e pelo trio envolvido na concepção do filme “Ballad of a Small Player”, lançado na Netflix no final do ano passado: Lawrence Osborne, o autor do livro homónimo de 2014, e Mike Goodridge, o produtor da longa-metragem. Este filme, recorde-se, foi gravado em Macau no Verão de 2024 e catapultou cenários bem conhecidos da região, como templos e casinos, para os ecrãs dos utilizadores da Netflix.

Para além das letras

Enveredando pela área do cinema, a programação tem espaço para uma homenagem à sétima-arte portuguesa com a apresentação de “Salatinas”, um documentário assinado pela jornalista Filipa Queiroz que aborda a expulsão de cerca de três mil residentes da Alta de Coimbra para dar lugar à Cidade Universitária.

O cinema português vai também estar representado por Tiago Guedes, com os seus filmes “A Herdade”, de 2019, e “Restos do Vento”, de 2022. Para além de realizador de cinema, é também encenador da peça de teatro “À Primeira Vista”, que terá assim a sua estreia em Macau. A ocasião marca o regresso da actriz Margarida Vila-Nova ao território, onde já residiu e inclusive fundou projectos como a Mercearia Portuguesa ou a Futura Clássica.

“À Primeira Vista” é a versão portuguesa do monólogo de 2019 “Prima Facie”, que a produtora Força de Produção descreve na sua página oficial como “uma das mais reconhecidas pelas de teatro dos últimos anos”. Com assinatura de Suzie Miller, o espectáculo promete um “thriller jurídico de cortar a respiração” sobre temas fortes como “poder, consentimento e lei”.

Quanto ao calendário musical, o único nome até agora confirmado é o de Rodrigo Leão. O músico e compositor, figura essencial do género ‘new age’ em Portugal e membro das bandas Sétima Legião e Madredeus, tem actuação marcada para a noite de 11 de Março no Centro Cultural de Macau.

O comunicado de imprensa sublinha que serão “brevemente” acrescentados “nomes adicionais” a esta primeira lista de convidados. A 15.ª edição do Festival Literário de Macau é organizada com o apoio do Governo de Macau e de representações diplomáticas, associações locais, empresas (sobretudo as do sector hoteleiro) e órgãos de comunicação social. Carolina Baltazar – Macau in “Ponto Final”


segunda-feira, 29 de dezembro de 2025

Angola - Peça teatral ”Sobreviver em Tarrafal” vai ser exibida no Royal Plaza, na cidade de Luanda

A Companhia de Teatro Horizonte Nzinga Mbande voltará a exibir, na próxima terça-feira, 30, a partir das 19 horas, no Royal Plaza, em Luanda, a peça teatral “Sobreviver em Tarrafal”.


O evento, que será promovido pela Companhia Internacional de Teatro, está inserido nas celebrações dos 50 anos de Independência Nacional.

O espectáculo, que terá mais de duas horas, será protagonizado pelos actores David Enoque, Júlia Capemba, José Galiano, Edusa Chindecasse, Madaleno da Fonseca, Neusa Marleny, Jeremias Caracol, Nário Sá Pinto.

Trata-se de um texto que pertence ao escritor António Jacinto, dos extratos dos poemas do primeiro Presidente de Angola, António Agostinho Neto. In “O País” - Angola


domingo, 28 de dezembro de 2025

Macau - Cultura sino-portuguesa sobe ao palco em nova produção teatral da série “Macasaphis”

A fusão cultural que define a identidade de Macau e se manifesta no quotidiano das suas ruas, linguagem e gastronomia, será agora transposta para o palco numa nova produção teatral local. “Macasaphis Episódio 3.0 Cultura Sino-Portuguesa”, a terceira edição da série do Frost Ice Snow Creative Experimental Theatre, estreia em Janeiro na Torre de Macau, propondo uma reflexão artística contemporânea sobre a singularidade cultural do território e suas heranças


Uma nova produção teatral local traz ao público uma viagem artística pela identidade cultural única do território. Macasaphis Episódio 3.0 Cultura Sino-Portuguesa, uma criação original do Frost Ice Snow Creative Experimental Theatre, terá a sua única grande apresentação no dia 10 de Janeiro, às 20h00, no Teatro do 4.º andar da Torre de Macau. Com o apoio do Fundo para o Desenvolvimento Cultural, este espectáculo marca a terceira edição da aclamada série “Macasaphis”, que desde 2022 tem usado a moda como meio narrativo para contar as histórias que teceram a cultura de Macau, fazendo referência ao papel da cidade como um fértil terreno de cruzamento criativo.

Segundo os criadores, a produção tem como missão explorar e celebrar a cultura sino-portuguesa através da lente do quotidiano macaense. A equipa descreve o trabalho como “uma oferta para o povo de Macau”, com o objectivo central de criar uma peça que ressoe profundamente com o público local. A narrativa pretende reflectir a forma como os residentes de Macau compreendem e experienciam esta fusão cultural nas suas vidas diárias, destacando a “beleza única, inclusiva, dinâmica e diversificada” da identidade local. O humor característico de Macau será um elemento-chave, permitindo que a audiência se veja representada em palco e reviva memórias comuns, numa busca por um sentido de identidade e pertença partilhado.

Artisticamente, o espectáculo eleva o conceito de cruzamento de fronteiras artísticas a um “novo nível”, integrando seis formas de expressão num único espaço: o palco. A obra terá um desfile de moda, um ‘talk show’, música ao vivo, teatro, ‘storytelling’ e dança. O visual será protagonizado por dez peças de vestuário originais, criadas especificamente para a peça pelo conceituado designer de moda local Ng Chi Wai (Memphis). A actriz natural de Macau Ko Weng Si conduzirá o espetáculo através do seu ‘talk show’, enquanto as actuações musicais ao vivo estarão a cargo de Chong Chi Ip e Wan Sin I, com música original de Kun Ka Ian. A componente de dança incluirá uma reinterpretação da dança folclórica portuguesa por Lai Chit e Wong Weng Tong, completando uma experiência multifacetada que pretende guiar o público numa “jornada artística inesperada”. Esta abordagem inovadora posiciona o projeto como uma proposta ambiciosa do actual panorama criativo local, fomentando uma colaboração artística multidisciplinar que valoriza tanto a tradição como a experimentação, onde se experimenta tanto na cultura portuguesa como na chinesa.

Para além da apresentação principal, e como forma de aprofundar o envolvimento do público com o processo criativo, a companhia organizará a “Exposição de Moda Macasaphis 3.0”. Esta mostra gratuita estará patente no Piso de Observação T58 da Torre de Macau, de 12 a 31 de Janeiro, exibindo peças de vestuário destacadas do espectáculo, bem como esboços e materiais que revelam o processo criativo do designer. A exposição serve como uma extensão natural do espectáculo, oferecendo uma oportunidade para o público apreciar de perto o meticuloso trabalho de design e costura que dá vida visual à narrativa cultural no palco.

“Macasaphis Episódio 3.0” terá uma duração aproximada de 90 minutos, sem intervalo, e será interpretado em cantonês. Os bilhetes, já à venda, estão disponíveis em duas categorias, uma entra a 180 patacas (geral) e outra especial para estudantes a 160 patacas. Os lugares não são marcados, sendo a ocupação por ordem de chegada. As entradas podem ser adquiridas através das plataformas de redes sociais da companhia e do mini-programa de WeChat “Applied Theatre”. Esta acessibilidade e o formato intimista pretendem democratizar o acesso à experiência cultural, alinhando-se com a visão dos criadores de fazer uma arte que seja, acima de tudo, para e sobre a comunidade macaense.

Através desta fusão de moda, performance e narrativa cultural, o Frost Ice Snow Creative Experimental Theatre diz pretender reafirmar a sua relação profunda com o envolvimento cultural local e em co-criar, com a comunidade, as histórias que definem a região. O projecto não se limita a ser um evento isolado, mas insere-se num percurso contínuo de quatro anos da companhia, constituindo-se como um novo marco na sua jornada de interpretação e celebração da malha identitária de Macau. Elói Carvalho – Macau in “Ponto Final”


sexta-feira, 11 de julho de 2025

Moçambique - Reclusas de Ndlavela sobem ao palco com “Formadas e Transformadas” no Cine Teatro Gilberto Mendes

O palco do Cine Teatro Gilberto Mendes (Gungu), nos dias 12 e 19 de Julho, às 15h30, será o espaço onde reclusas da Cadeia Feminina de Ndlavela irão apresentar a peça Formadas e Transformadas, numa iniciativa da organização ArtMud – Arte para Mudança.



Trata-se de um evento de empoderamento e ressocialização, onde mulheres privadas de liberdade partilham as suas vivências, sonhos, feridas e esperanças através da arte dramática.

A peça é resultado de um trabalho contínuo com foco na dignidade humana, educação cívica, transformação pessoal e no poder da arte como ferramenta de reabilitação social. Através de performances criativas e profundas, estas mulheres mostram que, mesmo atrás de grades, há espaço para reflexão, crescimento e reconexão com a sociedade. In “Moz Entretenimento” - Moçambique



quarta-feira, 6 de novembro de 2024

Brasil - Consulado Geral de Portugal em São Paulo convida para a peça teatral “Heróis do Impossível”

O Consulado Geral de Portugal em São Paulo convida para a peça teatral “Heróis do Impossível”, uma realização da Companhia João Garcia Miguel, que terá lugar nos dias 6 e 7 de novembro no Centro Cultural e Biblioteca Serraria, sito à Rua Guarani, 790, em Diadema.

“Heróis do Impossível” é uma peça de teatro que acompanha a vida de um casal nos pós-revolução e que revela a força dos opostos na sua máxima tensão. O texto baseia-se nas histórias do diário que Natália Correia começou a escrever no dia 25 de Abril de 1974 e no testemunho de um dos capitães de Abril, pai do autor, João Garcia Miguel, em comemoração dos 50 anos do 25 de abril, que propõe uma viagem ao lado mais íntimo da Revolução dos Cravos: a transformação ocorrida no seio das relações familiares.

A entrada é gratuita. In “Mundo Lusíada” - Brasil




terça-feira, 22 de outubro de 2024

Hong-Kong – Pretende replicar projecto português de teatro para jovens

Hong Kong está interessada em replicar um projecto da maior rede de teatros com financiamento público da Europa que tem os jovens como público-alvo e parte da criação, disse à Lusa a portuguesa Cláudia Belchior. “Já há vários parceiros aqui em Hong Kong que estão muito interessados em trabalhar com os nossos membros europeus e fazer peças em conjunto”, disse a presidente da European Theatre Convention (ETC), fundada em 1988.

A líder da ETC, que reúne 63 teatros de 31 países, incluindo quatro de Portugal, esteve na região para participar na Hong Kong Performing Arts Expo, uma conferência de profissionais das artes de palco, que terminou na sexta-feira.

Na quarta-feira, Belchior foi à Universidade de Ciência e Tecnologia de Hong Kong (HKICC, na sigla em inglês) explicar o projecto Young Europe (Europa Jovem), que convida dramaturgos a ir às salas de aulas e envolver os jovens na criação de peças.

O director da Escola de Criatividade Lee Shau Kee da HKICC, Yan Pat-to, “ficou muito entusiasmado”. “Tivemos uma reação fantástica”, disse a também assessora artística da Fundação Centro Cultural de Belém.

Possibilidades asiáticas

Embora a 4.ª edição (2011-2014) da Young Europe não tenha contado com a participação de teatros portugueses, Belchior defendeu que o projecto “pode ser feito na Ásia, pode ser feito em Portugal, pode ser feito num outro país europeu”.

O último tema foi “Vozes não dominantes” (‘Non-dominant voices’) e levou à criação de peças sobre assuntos como ‘fat-shaming’ (a discriminação contra pessoas com excesso de peso), suicídio, saúde mental, imigração e religião, sublinhou a presidente da ETC. In “Hoje Macau” - Macau com “Lusa”


quarta-feira, 11 de setembro de 2024

Japão – Pianista portuguesa Maria João Pires distinguida com Praemium Imperiale na área da Música

A pianista portuguesa Maria João Pires foi distinguida, na área da Música, com o Praemium Imperiale, um prémio internacional atribuído pela Associação de Arte do Japão, anunciou a organização.


O Praemium Imperiale reconhece anualmente o contributo internacional de cinco personalidades nas Artes e na Cultura e, na 35ª. edição, uma das artistas premiadas é a pianista portuguesa Maria João Pires.

Além da intérprete portuguesa, este ano o Praemium Imperiale reconhece o percurso artístico da artista plástica francesa Sophie Calle, da escultora colombiana Doris Salcedo, do arquiteto japonês Shigeru Ban e do realizador taiwanês Ang Lee.

Segundo a organização, o prémio tem um valor monetário de 15 milhões de ienes (cerca de 95.000 euros) e será entregue aos cinco laureados numa cerimónia marcada para 19 de novembro, em Tóquio.

Em 1998, o prémio referente à Arquitetura foi atribuído a Álvaro Siza.

Maria João Pires, que completou 80 anos em julho, é a mais internacional e reputada dos pianistas portugueses, com um percurso artístico que remonta a finais dos anos de 1940, quando se apresentou pela primeira vez em público, aos quatro anos.

Na próxima semana, prepara-se para iniciar uma digressão pela Coreia do Sul, que se estenderá até ao final de outubro, prosseguindo depois com uma dezena de atuações na Europa.

Entre os prémios conquistados pelo talento artístico contam-se o primeiro prémio do concurso internacional Beethoven (1970), o prémio do Conselho Internacional da Música, pertencente à organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (UNESCO, 1970) e o Prémio Pessoa (1989).

Na década de 1970, o seu nome tornou-se recorrente nos programas das principais salas de concerto a nível mundial e nos catálogos das principais editoras de música clássica: a Denon, primeiro, para a qual gravou a premiada integral das Sonatas de Mozart (1974); a Erato, a seguir, nos anos de 1980, onde deixou Bach, Mozart e uma das mais celebradas interpretações das “Cenas Infantis”, de Schumann; e depois a Deutsche Grammophon, a partir de 1989.

Maria João Pires fundou ainda, em 1999, o Centro Belgais para o Estudo das Artes, em Escalos de Baixo, Castelo Branco, um projeto educativo, pedagógico e cultural dedicado à música.

O Praemium Imperiale foi criado em 1988 pela Associação de Arte do Japão para reconhecer “o trabalho excecional” em Pintura, Escultura, Arquitetura, Música e Teatro ou Cinema.

“O prémio homenageia personalidades de todo o mundo que transcendem as fronteiras nacionais e étnicas, dando corpo à cultura e às artes do nosso tempo”, lê-se na página oficial do prémio. In “Comunidade Cultura e Arte” – Portugal com “Lusa”