Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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quinta-feira, 7 de março de 2019

Moçambique – Água potável um bem escasso

Peças de teatro sensibilizam sobre uso racional da água

A Águas da Região de Maputo (AdeM) está a levar a cabo acções de sensibilização, através do teatro, para o uso racional da água e promoção de boas práticas com vista à gestão eficiente do líquido precioso.

Trata-se de uma medida que visa mitigar a falta de água, derivada da escassez da chuva, que afecta, especificamente, a região sul do País nos últimos anos, o que tem levado a AdeM a apelar para uma melhor gestão no fornecimento e consumo da água a todos os níveis.

A sensibilização, que consiste na encenação de uma curta peça teatral com três personagens, é promovida nas lojas e balcões de atendimento da AdeM nas cidades de Maputo, Matola e no distrito de Boane, e tem como público-alvo clientes, consumidores e a sociedade, no geral.

Através desta iniciativa, conforme explicou Afonso Mahumane, porta-voz da Águas da Região de Maputo, espera-se que as pessoas se consciencializem sobre a necessidade de fazer o uso racional da água.

Mais do que o uso racional, acrescentou, “é necessário que se faça, sempre que possível, o uso repetido da água disponível. Por exemplo, a água que resta depois de lavarmos a roupa pode servir para limpar o chão ou para pôr no autoclismo”, sublinhou o porta-voz, que apontou, igualmente, a conservação e reaproveitamento da água da chuva, como uma forma de evitar o desperdício deste importante recurso.

Para além do teatro, a Águas da Região de Maputo está a disseminar, através de diversas actividades e meios (panfletos, meios de comunicação social, entre outros), informações com vista à criação de uma nova mentalidade na utilização e poupança de água.

De realçar que o fornecimento de água da rede pública está a ser feito em regime de restrições desde 2017, na sequência da seca prolongada que se regista na bacia do Umbelúzi, que abastece as cidades de Maputo e Matola e ainda o distrito de Boane.

Esta acção prolongar-se-á por um período de 30 dias e abrangerá as 22 lojas de atendimento espalhadas pelos três municípios anteriormente mencionados. In “Olá Moçambique” - Moçambique

terça-feira, 5 de fevereiro de 2019

Angola - Bienal de Luanda 2019 - Fórum Pan-Africano para a Cultura de Paz

O Governo apresentou a Bienal de Luanda 2019 - Fórum Pan-Africano para a Cultura de Paz, contando com uma verba de mais de 500 mil dólares para "custos iniciais" no quadro de um acordo com a UNESCO



Destacar a contribuição das culturas africanas para a paz no mundo através de uma ampla variedade de expressões culturais das seis regiões de África, entre elas as artes plásticas, música, dança, teatro e literatura, é o objectivo da Bienal de Luanda, que decorre de 18 a 22 de Setembro.

De acordo com a coordenadora nacional da Bienal de Luanda, Alexandra Aparício, durante cinco dias o encontro vai congregar polos de reflexão, bem como eventos culturais e desportivos.

No âmbito de um acordo firmado entre o Governo e a Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (UNESCO, na sigla em inglês), a coordenadora nacional da bienal disse que Angola "tem já uma verba inicial reservada a partir de fundos já identificados que é de 505 mil dólares".

"[A verba está] depositada para determinados custos e estamos neste momento a fazer o levantamento de todos os custos de todas essas acções e há já grandes instituições do país e outras internacionais que se mostraram dispostas a contribuir para as acções da Bienal de Luanda", apontou.

Na cerimónia que decorreu hoje no Centro de Imprensa Aníbal de Melo (CIAM), em Luanda, a responsável referiu que, no decurso da bienal, "se pretende trabalhar a cultura para a paz tendo em conta a diversidade africana".

Segundo as autoridades angolanas, 12 países, nomeadamente, dois da África do Norte, dois da África Ocidental, dois da África Oriental, dois da África Central, dois da África Austral e dois da diáspora deverão ser participantes.

"A ideia desta Bienal é termos um espaço onde podemos contribuir para uma cultura de paz e da prevenção da violência para criar mais acções, partilhar, intercambiar estes momentos que existem em outros países em prol de um desenvolvimento sustentável", realçou.

O representante da UNESCO no encontro, Enzo Fazzino, apontou igualmente a relevância da Bienal de Luanda 2019 - Fórum Pan-Africano para a Cultura de Paz assinalando ser uma ocasião para encontrar actores da prevenção de conflitos em África.

"E a ideia da criação do Movimento Pan-Africano para a Cultura de Paz que valoriza já as acções em curso e cria oportunidades para que estes projectos possam ganhar maior desenvolvimento", referiu.

É também, acrescentou, "uma oportunidade para mostrar a diversidade cultural do continente africano e criar uma sensação de melhor integração entre as culturas africanas. O feito de reunir países de toda a sub-região de África cria maior integração". In “Novo Jornal” – Angola com “Lusa”

domingo, 20 de maio de 2018

Macau - Dóci Papiaçám di Macau, um encontro de culturas

O Centro Cultural de Macau abriu portas este sábado e domingo para a produção do grupo de teatro Dóci Papiaçám di Macau, “Qui di Tacho? (Que é do Tacho?)”. A peça foi seguida da projecção de um vídeo musical que assinala os 25 anos da companhia de teatro macaense



Este ano Macau foi eleita Cidade Criativa da UNESCO em Gastronomia, portanto, para o grupo de teatro Dóci Papiaçám di Macau, “Qui di Tacho? (Que é do Tacho?)” “fazia todo o sentido abordar essa matéria”, explicou ao Ponto Final Miguel de Senna Fernandes, fundador do Dóci Papiaçám di Macau, autor e encenador das produções do grupo. Um vídeo musical, da autoria de Sérgio Perez, evoca no final do espectáculo os 25 anos da companhia de teatro macaense, que estreou a sua mais recente produção este fim-de-semana, no Centro Cultural de Macau, no âmbito do XXIX Festival de Artes de Macau.

“Compreende-se o valor turístico que isto pode representar para a RAEM, é uma oportunidade de ouro, que os turistas possam provar a bela comida que se prepara e confecciona em Macau”, explica o encenador.

Mas, as circunstâncias também dão lugar a mal-entendidos e muito pano para mangas para a divertida sátira de costumes em patuá com que o grupo diverte o público há 25 anos. “O grosso dos turistas é do continente e nem todos sabem diferenciar comida macaense da portuguesa, os sabores são diferentes, a confecção, os ingredientes. Podem até ter origens comuns, mas são coisas muito díspares, mas os chineses não sabem disto e é nesta confusão toda que se geram situações hilariantes, vamos brincar com estas situações”, explica.

A brincar com a comida nos entendemos

Este ano a peça conta com os actores habituais e uma estreia, a do jornalista João Picanço, que representa o papel de um português que chega a Macau, investigador na universidade, que anda a fazer pesquisa sobre a identidade e comida macaenses. “Conheci o Picanço o ano passado quando ele chegou, o primeiro contacto foi a ouvi-lo na rádio ou na televisão, ele era comentador de um jogo de futebol, e gostei muito, gostei logo. Para já tinha uma bela voz, voz radiofónica, é um profissional disto, uma dicção fantástica, e nós precisávamos de uma pessoa assim, com qualidades de voz bastante invejáveis”, conta Miguel de Senna Fernandes. O convite fez-se num encontro ocasional, na rua, explicou João Picanço.



O português, que tem muita dificuldade em perceber o que as pessoas lhe dizem, envolve-se numa série de peripécias, conta o actor João Picanço. Explica o encenador que “o português que chega a Macau é sempre bem-vindo. A comunidade macaense e a comunidade chinesa olham para a maneira como o forasteiro se comporta, nós vemos as coisas. Os chineses de Macau são muito reservados, a comunidade macaense também, e muitas vezes não lidam com tanta facilidade com a espontaneidade que vem de fora. Neste tipo de observação criam-se situações engraçadas”.

A história de “Qui di Tacho?” tem como pano de fundo duas famílias rivais, cada uma proprietária de estabelecimentos de comidas, vizinhos, mas que vivem de costas voltadas devido a um mal-entendido antigo. O actor José Basto da Silva, nos Dóci Papiaçám di Macau desde 2013, faz o papel de intermediário imobiliário. “Eu encontro um cliente chinês que compra os dois imóveis e transforma o estabelecimento numa espécie de cozinha de fusão, basicamente ele contrata um ‘chef’ chinês, que não percebe nada de comida macaense, porque quer aproveitar esta vaga de turistas para fazer negócio e enriquecer”, descreve José Basto da Silva.

Conta o fundador do Dóci Papiaçám di Macau que o desconhecimento em relação à comida macaense é tão grande que até o actor, chinês de Macau, que colabora com o grupo, “confessou nunca se ter apercebido que há tantas diferenças entre a comida macaense e a comida retintamente portuguesa”.

Este ano, o encenador introduziu mais texto em cantonense, uma exigência do próprio enredo, explica Miguel de Senna Fernandes.

A gargalhada que atrai todos os públicos

As características culturais chinesas, como a língua, todavia, nem sempre integraram as peças da única companhia de teatro em língua patuá, fundada em 1993. “A partir do ano 2000 o Dóci Papiaçám di Macau fez uma experiência única no teatro macaense que é introduzir o elemento chinês, que tradicionalmente não existia”, explica Miguel de Senna Fernandes. “Mas, se o teatro macaense diz respeito à sátira de costumes, se estamos a falar de Macau é impossível ignorar o elemento chinês e há que encará-lo de frente. Portanto, nessa altura introduzi com a participação do grupo de teatro Hio Kwok. O resultado foi fantástico. A partir de 2000 até ao presente há sempre um actor, alguém que fale chinês”, diz.

A partir de 2006 o grupo começou a fazer crítica social. “Fazemo-lo directamente e as pessoas riem-se muito”, prossegue o encenador.

A capacidade de provocar a gargalhada começou a atrair, também, o público da comunidade chinesa, assim como membros da administração. “Sei que o Governo não aparece lá como tal, mas pessoas da administração também vão ver e também chegam à conclusão que isto é tudo para rir e, muitas vezes, a boa gargalhada leva as pessoas a pensar, porque no fundo situamos o público nestas situações mais actuais”, explica.

O fundador da companhia de teatro afirma que “o público chinês começa a ir ver as peças cada vez mais, nos últimos quatro anos começou a haver um interesse crescente, a imprensa chinesa começa a notar a nossa companhia e várias vezes foram ver e teceram elogios àquilo que nós fazemos”, diz.

A companhia de teatro começou a contribuir à sua maneira para a aproximação das comunidades. “Justamente porque temos o elemento chinês que se introduz no teatro, no meio da risada, cumprimos uma coisa que, se calhar, noutros tempos não se faria com tanta facilidade, é o contacto de culturas, a expressão parece muito formal, mas isto existe no palco no meio da risada, acho que isto é fundamental”, conclui Miguel de Senna Fernandes. Cláudia Aranda – Macau in “Ponto Final”

sexta-feira, 20 de abril de 2018

Austrália - Obra de teatro mostra espionagem australiana em Timor-Leste nas negociações de fronteiras

A acção de um grupo de agentes australianos que em 2004 aproveitou um suposto programa de assistência humanitária para colocar um sistema de espionagem no Palácio do Governo em Timor-Leste é o mote de uma nova peça de teatro australiana



“Greater Sunrise” – que é também o nome de um projecto petrolífero no Mar de Timor – foi escrita por Zoe Hogan, que viveu e trabalhou em Timor-Leste entre 2011 e 2012 (no âmbito de um programa de voluntários do Governo australiano).

O escândalo da espionagem foi o mote para uma história que começou por ser uma tentativa de escrever sobre a vida de um estrangeiro em Díli e acabou a mostrar “como a Austrália tem lidado com Timor-Leste, especialmente depois da independência”.

Os antecedentes, explicou Hogan, em entrevista telefónica a partir de Sydney, “são chocantes” e representam “uma violação óbvia pela Austrália da lei internacional”, apesar de na prática serem “triste e previsivelmente decepcionantes” e mais um exemplo “de um grande a aproveitar-se do vizinho mais pequeno”.

O caso, que só foi descoberto em 2013, causou um dos momentos de maior tensão diplomática entre Díli e Camberra, especialmente porque a espionagem foi feita quando os dois países negociavam as fronteiras marítimas.

O homem que denunciou a espionagem, conhecido apenas como Testemunha K, continua sem passaporte, na Austrália, impedido de sair do país.

Camberra recusava aceitar a linha mediana de fronteiras e insistia numa divisão de receitas do Mar de Timor de recursos que estavam do lado timorense, postura a que só cedeu com a assinatura, este ano, de um novo tratado.

Esse tratado, assinado a 6 de Março em Nova Iorque, colocou a linha onde Timor-Leste sempre reivindicou, o que implica que os poços explorados, cujas receitas teve que dividir com Camberra, são totalmente timorenses.

Estima-se que cerca de cinco mil milhões de dólares de receitas timorenses referentes a esses poços tenham ido para os cofres australianos.

Com experiência em cinema e no palco – foi um dos atores nos dois maiores filmes feitos em Timor-Leste (Balibo e A Guerra de Beatriz) – o único actor timorense da peça, José da Costa, destaca o facto de a peça mostrar um assunto que é desconhecido para muitos na Austrália.

“Parece estar algo escondido. Há muitos que depois da peça pedem mais informação. A obra é historicamente baseada em factos reais mas depois é preciso explicar mais”, disse.

O mesmo ocorre com muitos dos jovens em Timor-Leste que podem não conhecer as dimensões de um assunto complexo, pelo que “era importante mostrar também esta peça” em Timor-Leste.

Hogan rejeita a posição dos que, no Governo australiano, defendem que Timor-Leste deve estar agradecido pelo apoio que a Austrália tem dado ao país, insistindo que a questão é muito mais ampla.

“Isto é uma questão de justiça e não sobre caridade ou generosidade”, disse.

Ainda que tenha conhecido muitos activistas timorenses envolvidos no caso de Timor-Leste, Hogan admite que junto do público em geral possa haver muito desconhecimento sobre este caso e sobre a realidade timorense.

Ainda que inspirado em eventos reais, o autor insiste que a história é essencialmente de ficção, sem ser baseada na vida de ninguém em concreto. Especialmente positivo é o facto de no palco estar um actor timorense, disse.

“Não teríamos produzido a peça se não tivéssemos um actor timorense. A peça tem muito tétum, é particularmente bonito ouvir tétum num palco em Sidney, onde muito do público nunca sequer ouviu a língua”, explicou.

“Penso que é a primeira vez que numa produção num palco em Sydney temos o tétum. É muito importante poder promover a nossa língua num espectáculo com tanto público. Nas conversas com o público, depois, muitos dizem que gostaram de ouvir a língua”, sublinha José da Costa.

O objectivo agora é levar a peça a outras cidades australianas, nomeadamente Melbourne e Darwin, mas também até Timor-Leste. A peça está em cena no Belvoir Theatre até 21 de Abril. In “Ponto Final” – Macau com “Lusa”

terça-feira, 17 de novembro de 2015

Brasil – Festival de Teatro Lusófono


















Nove países têm o português como língua oficial. A pluralidade cultural dessas nações faz com que cada uma delas tenha sua própria identidade mas, mesmo com significativas diferenças, todos esses países cruzam-se na lusofonia. Para promover um outro intercâmbio, o Sesc Bom Retiro está a realizar, desde o passado dia 14 e até ao próximo dia 29 de novembro, o Festival de Teatro Lusófono. Na ocasião, companhias de Cabo Verde, Portugal, Angola, Moçambique e Brasil desembarcam na região central de São Paulo com uma intensa programação, que contempla espetáculos, workshops, bate-papo e encontro.


Segundo Pedro Santos, idealizador da proposta, o Festival confere uma experiência empírica feita por meio da linguagem teatral. Os distintos aspectos sociais, econômicos, políticos e culturais de cada país influenciam nos trabalhos de cada grupo, conferindo assim um amplo leque de olhares para uma mesma arte. Assim, esse intercâmbio oferece, além de espetáculos de três diferentes continentes, a oportunidade de debater assuntos pertinentes aos países e ao teatro, além de conhecer (ou reconhecer) as culturas desses países já unidos pela língua. Acompanhe a programação do Festival aqui. Sesc Bom Retiro - Brasil

segunda-feira, 10 de agosto de 2015

Brasil – Festival Internacional de Teatro de Língua Portuguesa

FESTLIP 2015 – O Festival

A Talu Produções chega a 7ª edição do FESTLIP – Festival Internacional de Teatro da Língua Portuguesa, que acontece na cidade do Rio de Janeiro, dos dias 26 de agosto a 06 de setembro de 2015, comemorando os 450 anos da cidade.

O FESTLIP nos faz conhecer, respeitar e admirar toda a diversidade da nossa língua pelo destino mais arrebatador que pode existir. A arte. É nessa liberdade que a cada ano podemos nos renovar sobre múltiplos olhares e desenhar uma arejada maneira de dar continuidade a história que estamos traçando. É nessa integração que realizamos essa grande FESTA, que reúne anualmente esse movimento artístico de 04 continentes, que acolhem os 09 países oficiais que falam o português. É nessa comoção que invadimos bairros, comunidades, ruas e mentes, para pensarmos juntos sobre a língua comum. Esse elo tão forte que muito reporta a nossa cultura para o mundo.

Representando 80% dos falantes do português, o Brasil abre suas portas para essa ocupação com Angola, Portugal, Cabo Verde, Guiné-Bissau, São Tomé e Príncipe, Timor Leste e Guiné Equatorial. Os “Amigos da Língua” não ficam de fora e, para comemorar os 450 anos do Rio de Janeiro, a Galícia, representando a Espanha, senta com a gente nessa grande mesa. Mais informações aqui. Talu Produções - Brasil




terça-feira, 11 de novembro de 2014

Portugal – Teatro "Paiaçú ou Pai Grande"

Para alguns autores contemporâneos o padre António Vieira ("Paiaçú" ou Pai Grande como lhe chamavam os gentios no Brasil de seiscentos) foi um pioneiro e paradigma de interculturalidade. Esta ideia, estimulante, convida-nos a escutar excertos de alguns sermões que Vieira escreveu afirmando que "melhor é sustentar do suor próprio, que do sangue alheio". PAIAÇÚ é, assim, um texto síntese de muitos escritos de padre António Vieira em defesa da libertação dos escravos índios e negros em terras do Maranhão, no séc. XVII. No entanto, as suas palavras são de uma atualidade perturbante uma vez que muitas das razões invocadas contra a libertação dos escravos pelos opositores a Vieira, são as mesmas que no séc. XXI continuam a justificar a exploração agressiva de homens e de mulheres, despedimentos coletivos, atentados à dignidade humana. Ontem como hoje, as palavras de Vieira interpelam-nos a meditar sobre a nossa capacidade de respeitar os sentimentos, direitos, diferenças daqueles e daquelas que convivem connosco quotidianamente.

A palavra, que o Teatro preserva e acarinha, é assim também para nós, artistas, o que foi para Vieira, padre: uma semente. Que, em crescendo, se transforme, e transforme cada homem que a receba. Museu de São Roque – Portugal

"PAIAÇU ou Pai Grande” - Igreja de São Roque - De 27 de Outubro de '14 a 25 de Maio '15

Dramaturgia Miguel Abreu e João Grosso
Interpretação João Grosso e Sílvia Filipe ou Fernando Pedro Oliveira e Sílvia Filipe

PÚBLICO EM GERAL | Sábados: 22 Nov, 29 Nov e 13 Dez ´14 | 18h30
PÚBLICO ESCOLAR | Segundas-feiras, às 10h, excepto feriados e férias escolares | Representação teatral dirigida a jovens dos 15 aos 18 anos de idade, inseridos em grupos escolares ou outros grupos organizados.

INFORMAÇÕES E RESERVAS
 Participação mediante marcação prévia e aquisição do Programa (5€)
 Público escolar: 213 235 824/233/065
 Público em geral: 919 732 693 | 213 430 746 | www.cassefaz.com

sexta-feira, 3 de outubro de 2014

Luxemburgo – Teatro assinado por mãos portuguesas

Teatro Nacional do Luxemburgo foi palco de pega de touros à ribatejana

O Teatro Nacional do Luxemburgo assistiu pela primeira vez a uma pega de touros à moda do Ribatejo, um dos momentos altos da peça apresentada esta terça-feira pelo actor português Fábio Godinho, filho de emigrantes portugueses no Grão-Ducado.



"Que la terre m’étouffe si j’agis faussement" é o nome da peça assinada pelo actor português, que veio para o Luxemburgo com apenas dois anos, nesta que é a sua primeira incursão no teatro enquanto dramaturgo. Um texto falado em várias línguas, incluindo português, que aborda o desenraízamento e as dificuldades da emigração para as novas gerações, com muito humor à mistura.

“A peça aborda os problemas de uma geração mais jovem que vive num país que não é o seu, fala várias línguas, e mesmo assim não se sente inteiramente parte desse país, que é também aquilo que eu sinto”, contou ao CONTACTO Fábio Godinho, que também é encenador da peça, além de integrar o elenco e assinar a música, em colaboração com Jules Poucet.

O actor e dramaturgo, que estudou arte dramática em Paris, onde vive habitualmente, admite que se sente "dividido" entre os vários países a que está ligado. "As pessoas perguntam-me o que sou, aqui e em Paris, e eu às vezes não sei responder-lhes. Sou português, luxemburguês, sou francês? São questões de identidade que se vivem no dia-a-dia", diz.

Além de Fábio Godinho, o elenco integra outros actores que também são filhos de emigrantes, como o italiano Luca Besse, a espanhola Laure Rolden, e Delphine Sabat, judia-marroquina, além de Julien Rochette, "o único francês-francês". A chave das questões de identidade que atormentam as personagens pode aliás vir deste francês "de cepa": é que "a vida não é fácil, mesmo para quem não tem de se debater com questões sobre as suas origens", diz Fábio Godinho.

A cenografia minimalista, composta por uma bandeira branca assente em terra e por árvores portáteis "cultivadas" em "jerrycans", é assinada pelo artista plástico Marco Godinho, irmão do actor.

Fábio Godinho, de 28 anos, é licenciado em arte dramática pela prestigiada escola de teatro francesa Cours Florent e pela Sorbonne, tendo estudado dança contemporânea também em Paris.

O actor, que vive entre o Luxemburgo e a capital francesa, apresentou em 2009 e 2010 uma encenação com textos de Fernando Pessoa no festival de Avignon e foi finalista em 2013 do prémio Théâtre 13, atribuído a jovens encenadores, com a peça "Hôtel Palestine", de Falk Richter.



"Que la terre m’étouffe si j’agis faussement", a peça com que se estreia enquanto autor, resultou de uma residência em Liège e no Luxemburgo patrocinada pelo Total Théâtre, uma estrutura europeia que apoia a criação teatral, reunindo seis instituições teatrais das regiões fronteiriças da Bélgica, Alemanha, Holanda e Grão-Ducado. Na terça-feira, a peça subiu ao palco pela primeira vez.

Duas peças em que se ouviu falar português

Os temas da identidade e do multilinguismo inspiraram outra peça que subiu ao palco do TNL esta terça-feira, assinada pela encenadora e dramaturga portuguesa Tatjana Pessoa, a viver na Bélgica.

Falada em dez línguas, incluindo português, "Whatsafterbabel" explora várias vertentes da "Babel europeia e do multilinguismo europeu", como a questão da identidade, da comunicação e da "exclusão que nasce da incompreensão", disse ao CONTACTO a autora e encenadora, que tem nacionalidade belga e portuguesa e é sobrinha-bisneta do poeta português Fernando Pessoa.

No texto de apresentação da peça, a autora e fundadora da companhia de teatro belga "Collectif Novae" recorda a frase "a minha pátria é a língua portuguesa", da autoria de Fernando Pessoa, seu tio-bisavô, considerando-a um "testemunho de lealdade ao idioma e não ao país", uma ideia com que se identifica e que desenvolve na peça.

Nascida em Bruxelas em 1981, filha de mãe portuguesa e pai suíço, Tatjana Pessoa, que fala cinco idiomas e já viveu em países como a Alemanha, Burkina Faso e Costa do Marfim, admite que "a noção de pátria não tem significado" para si, considerando "naturais" o multilinguismo e a pertença a vários países.

"Eu não me defino por um país ou por uma pátria, e as perguntas 'de onde vens' ou 'qual é a tua nacionalidade' são questões que para alguns de nós, na Europa, deixaram de ter significado", defende a dramaturga portuguesa.

A peça "é uma reflexão sobre como conseguimos compreender-nos na União Europeia falando várias línguas e sobre as dificuldades de comunicação", pondo em destaque "mais os pontos de convergência do que as divisões que as línguas naturalmente também trazem", adiantou Tatjana Pessoa.

"Temos hoje uma realidade de movimento e de emigração na Europa, mas leva tempo até apagar as fronteiras, porque é uma realidade relativamente recente", diz a encenadora, para quem a União Europeia "tem de escolher entre ir na direcção da uniformização e fechar-se, ou abrir-se à multiplicidade".

A bisavó materna da encenadora era prima de Fernando Pessoa, e a dramaturga diz que as afinidades com o poeta português vão para além do parentesco.

"Quando eu era pequena ficava muito orgulhosa quando via as notas de 100 escudos com o Fernando Pessoa e me diziam que éramos da mesma família”, recorda Tatjana Pessoa, que mais tarde viria a descobrir a obra do tio-bisavô e a ideia de "identidade múltipla", com a qual se identifica.

Licenciada pelo Conservatório de Liège, na Bélgica, Tatjana Pessoa é também autora de "Lucien", uma peça sobre a emigração portuguesa encenada em Bruxelas em 2013, tendo além disso traduzido várias peças de teatro e sido assistente de encenação do dramaturgo alemão Falk Richter e da coreógrafa holandesa Anouk van Dijk. Paula Alves – Luxemburgo In “Jornal Contacto”

quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

Ambos


Viveram em mundos distantes, perto nos seus ideais, escolheram o mesmo dia para nos deixarem. Ambos nasceram num dia de Dezembro, Óscar a 15, Joaquim a 12, ambos foram arquitectos da vida que escolheram, Óscar foi um dos nomes que mais influenciaram a arquitectura moderna, Joaquim foi um prestigiado encenador que dedicou toda a sua vida ao teatro, sendo o seu nome ligado ao movimento de renovação do teatro português.

Óscar Niemeyer foi um nome que sempre me despertou interesse, em virtude de ter um tio arquitecto que o admirava e fui acompanhando com contemplação a sua obra. Há alguns anos o seu nome foi falado para projectar uma nova capital para Angola, mas se foi uma intenção, pena não se ter concretizado.

Joaquim Benite, conheci-o na minha terra natal, era eu um miúdo e dava ele os primeiros passos como jornalista de um jornal local. Alguns anos mais tarde assisti à minha primeira peça de teatro para adultos, numa noite ao ar livre em Queluz, onde o Joaquim Benite levou à cena uma peça do reportório do Grupo de Campolide.

Estas são as minhas memórias, que num raio dia do início de Dezembro, vejo partir duas pessoas que acompanhei toda a vida. Baía da Lusofonia

Em memória de Óscar Ribeiro de Almeida de Niemeyer Soares (15.12.1907 – 05.12.2012)

Em memória de Joaquim Benite (12.12.1943 – 05.12.2012)