Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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sábado, 15 de março de 2025

Moçambique - Sonho de pintar Eusébio na Mafalala levou francês de Paris a Maputo

Com algumas latas de 'spray' na bagagem e um sonho, o artista francês Glac¸on fez os mais de 12 mil quilómetros que separam Paris de Maputo para pintar Eusébio no bairro onde o 'Pantera Negra' nasceu, a Mafalala



"Foi um momento especial: pintar Eusébio no lugar onde ele nasceu", explicou à Lusa Brian Diegues (Glac¸on), de 28 anos, minutos após dar os "últimos toques" ao mural no meio da Mafalala, histórico bairro periférico na capital moçambicana.

A nova pintura de Eusébio está mesmo no "campinho da Mafalala", local onde a lenda descobriu a sua paixão pelo futebol.

Para muitos, este espaço, a poucos metros do Museu Mafalala, é o coração de um bairro periférico com importância histórica em Maputo.

São becos e ruelas que separam casas de construção precária que carregam o peso de ter albergado personalidades que levaram o nome de Moçambique para o mundo, entre os quais escritores como José Craveirinha e Noémia de Sousa, além do próprio Eusébio, um ícone do futebol.

São cerca de 20 mil pessoas de quase todo o país que partilham diariamente o bairro de uma urbanização informal à base de zinco, mas que para muitos foi o "centro da resistência cultural" à administração colonial portuguesa em Maputo.

"Eu queria pintar mesmo neste bairro, sem saber ainda que se chamava Mafalala. Então, ainda em Paris, preparei uma pintura (...) e vim com material adequado para pintar o Eusébio", explica o artista.

No novo mural, Eusébio ostenta a camisola do Benfica, o seu "clube de coração" e do qual Glac¸on é também adepto por "hereditariedade".

"O meu pai é que me deu o Benfica como clube (...). Eu sou benfiquista e, sendo benfiquista, não podia esquecer a história do Eusébio no Benfica", explica o artista, que chegou a trabalhar como guia no Estádio da Luz durante um período em que viveu em Portugal.

"Vivi e cresci em Paris, mas decidi abandonar a minha vida parisiense para trabalhar no Estádio [do] Sport Lisboa e Benfica (...). Trabalhei por mais de um ano como guia", acrescentou.

De pai português, já falecido, nascido em território moçambicano antes da independência, a relação de Glac¸on com Moçambique e Portugal é "emocional".

"É sempre difícil falar de alguém que nasceu em Moçambique antes do dia 25 de junho de 1975. Eu sempre considerei meu pai português, mas, porque nasceu em Moçambique, também o considerei sempre moçambicano", acrescentou.

É esta ligação que dá Glac¸on a ambição de voltar ao país africano para dar cor a outros murais, realçando a importância de outras figuras históricas do país, incluindo Mário Coluna, outra referência no futebol português nascida em Moçambique.

"Eu gosto de contar histórias e então Samora Machel [primeiro Presidente de Moçambique], Eduardo Mondlane [fundador da Frente de Libertação de Moçambique] e Mário Coluna são as minhas próximas metas", declarou.

Para muitos um símbolo do desporto português, campeão nacional pelo Benfica 11 vezes e vencedor da Taça dos Campeões em 1962, Eusébio da Silva Ferreira morreu em 05 de janeiro de 2014, com 71 anos.

Eusébio ganhou em 1965 a Bola de Ouro, que então distinguia o melhor futebolista europeu a jogar na Europa, e conquistou duas vezes a Bota de Ouro (1967/68 e 1972/73), prémio para o melhor marcador dos campeonatos nacionais europeus.

No Mundial de 1966, disputado em Inglaterra, foi um dos mais destacados jogadores da competição e o melhor marcador, contribuindo com nove golos para o terceiro lugar de Portugal. In “Notícias ao Minuto” – Portugal com “Lusa”


sexta-feira, 28 de junho de 2024

Bélgica - Vhils inaugura em Bruxelas mural que é mescla de revoluções europeias com enfoque na dos Cravos

O artista Alexandre Farto, conhecido como Vhils, inaugurou um mural em Bruxelas que é uma compilação de várias revoluções democráticas pela Europa, incluindo a dos Cravos, para recordar o que está em causa com o crescimento da extrema-direita.


A Rua Leopoldo, no coração de Bruxelas, ganhou ontem outra vida, com as pessoas que a percorriam a pararem para observar um mural que apareceu em apenas uma semana. Uma mulher e um cravo saltam logo à vista, mas Alexandre Farto explicou que toda a obra é uma mescla revolucionária. “Toda a obra foi um levantamento das várias revoluções e de várias histórias da Europa, tem vários elementos de padrões, tens o cravo também que tem que ver com a ligação à Revolução dos Cravos”, contou à Lusa, durante a inauguração do mural.

O rosto não é o de uma mulher só, mas “um apanhado de uma série de desenhos” que Vhils fez em Bruxelas: “Quis representar alguém no imaginário do futuro que esteja a olhar o futuro da Europa e a representar também a sua diversidade e maneira como isso nos tornou mais fortes”.

No ano de celebração do 50.º aniversário do 25 de Abril, Alexandre Farto quis enaltecer a conquista da democracia portuguesa na cidade que decide os destinos da União Europeia.

Ainda mais quando o crescimento da extrema-direita ameaça os valores europeístas, colocando em causa “todo o Estado social”, o acesso à escola pública, que Vhils frequentou, não só em Portugal, mas noutros países. “No meu atelier somos 25, há pessoas que têm histórias similares à minha, dos subúrbios de Bucareste [Roménia], da Polónia, de Espanha, de França. O estúdio também tem essa força da Europa. Era impossível fazer o meu trabalho e eu não teria tido as oportunidades que tive se não fossem as conquistas todas dos últimos anos”, sustentou.

Alexandre Farto apresenta também, a partir desta sexta-feira, no museu de arte MIMA, em Bruxelas, a exposição individual “Multitude”, sobre memória num tempo digital. “Ao esculpir paisagens urbanas, padrões e rostos, desvendo histórias humanas enterradas no nosso passado e presente coletivos”, afirmou o artista visual nas redes sociais, a propósito de “Multitude”. In “Ponto Final” – Macau com “Lusa”


domingo, 9 de junho de 2024

França - Obras de Vhils no aeroporto de Orly e no Petit Palais de Paris

Vai ser inaugurada brevemente a nova estação de metro do aeroporto de Orly, para acolher o prolongamento da linha 14 que liga Orly a Saint Denis. E a obra principal da nova estação de Orly é um enorme mural da autoria do artista português Vhils, composto por mais de onze mil azulejos esculpidos.


No mural, em azul e branco, veem-se dois rostos e parte da torre Eiffel, de acordo com imagens partilhadas pelo artista nas redes sociais.

Entretanto, também no Petit Palais – Museu de Belas Artes de Paris, vai ser inaugura esta quarta-feira, pela primeira vez, uma exposição dedicada à Arte Urbana, que inclui trabalhos de Vhils, mas também de outro artista português, Add Fuel.

“Pela primeira vez, o Petit Palais abre as portas aos artistas urbanos, convidando-os a participar num diálogo subtil com as suas coleções permanentes e a sua arquitetura”, lê-se no ‘sítio’ oficial do museu, sobre “We are here”, uma mostra de entrada gratuita.

A exposição inclui mais de 200 trabalhos de “artistas chave” da Arte Urbana, entre os quais os norte-americanos Shepard Fairey e Swoon, o britânico D*Face, o chileno Inti, o francês Invader e os portugueses Vhils e Add Fuel.

Com curadoria da diretora do Petit Palais, Annick Lemoine, e do diretor da Galerie Itinerrance, Mehdi Ben Cheikh, a exposição foi desenhada “como um tributo aos salões e feiras de arte de outros tempos, como o Salon des Refusés e o Salon d’Automne, que estiveram na origem de várias revoluções artísticas no final do século XIX e início do século XX”.

De acordo com o museu, a “cenografia imersiva” da mostra “convida o público a descobrir a diversidade e riqueza do movimento próspero da Arte Urbana”.

“We are here” estará patente até 17 de novembro. In “LusoJornal” - França


sábado, 19 de agosto de 2023

Brasil - Escola Portuguesa de Santos celebrou 102 anos

A Escola Portuguesa comemorou no último dia 21 de julho, 102 anos de sua fundação. Na altura a diretoria homenageou os ex-presidentes desde a reativação da Escola em 1986, quando adquiriu a característica de atender as crianças de famílias de baixa renda dos bairros do entorno da Escola.


Foi inaugurada na sala de reuniões uma galeria com as fotos dos seguintes ex-Presidentes: João Simões, Antonio Lopes, Antonio Reis e Fernando Martins.

Em seguida foi oferecido um coquetel com direito a bolo de aniversário em comemoração aos 102 anos da Escola Portuguesa.

Estiveram presentes neste evento, dentre outras autoridades, o Cônsul Geral Adjunto de Portugal em São Paulo, Jorge Longa Marques e o Prefeito de Santos, Rogério Santos.

Numa rede social a entidade comemorou a data de fundação dizendo que “é um trabalho essencial de cultura luso-brasileira às crianças carentes, nos seus primeiros anos de alfabetização, ensino básico, canto, dança, civismo, alimentação e amizade. Parabéns à Comunidade Portuguesa que apoia essa iniciativa, aos abnegados dirigentes do passado e aos atuais administradores, sua diretora, supervisoras, professoras e funcionários, um grande abraço e parabéns. Salve Escola Portuguesa”.

Entidade ganha mural artístico em seu aniversário 102 anos

Para celebrar os seus 102 anos de fundação, a Escola Portuguesa de Santos ganhou um colorido mural com os desenhos e pintura dos artistas Diego Nobre e Jefferson Vaniski.

O projeto tem chamado atenção pela grandiosidade da arte, e todos ficam admirados com a mudança da fachada na sede da instituição, localizada no número 79 da Rua Sete de Setembro, na Vila Mathias em Santos. O projeto foi criado a partir das informações que o presidente da Escola Portuguesa, José Augusto do Rosário, e os coordenadores passaram aos artistas. In “Mundo Lusíada” – Brasil

Destaque ainda para a nota da instituição publicada numa rede social:

Vejam a beleza do muro lateral à Escola e que está atraindo a atenção de todos que circulam pela Rua Sete de Setembro. Foi executada pintura de “graffiti com spray”, utilizando a técnica “realismo”, pelos artistas Diego Nobre, do Rio de Janeiro e Jefferson Vaniski, de São Paulo. A menina representa a beleza e a graciosidade de nossas crianças, as araras, a fauna brasileira e a tartaruga, nossa mascote, a Tuga. Ao observar as imagens tão significativas e as cores vibrantes, quem não irá se encantar? Venham conhecer esse trabalho maravilhoso! Vocês vão gostar muito.


sábado, 8 de julho de 2023

França - Arte do português Vhils exposta em Paris

O artista Alexandre Farto, conhecido por Vhils, está a criar um mural na sede da UNESCO, em Paris, que será inaugurado na próxima quarta-feira, 12 de julho, anunciou a Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura


A obra de Vhils, com o título “Substratum – Scratching the Surface Project”, é “uma criação monumental”, com 31 metros de comprimento, que homenageia a política britânica Ellen Wilkinson (1891-1947), defensora dos direitos da mulher e ministra da Educação do Governo Trabalhista de Clement Attlee, após a II Guerra Mundial, que presidiu a conferência inaugural da UNESCO, em Londres, em 1946.

O trabalho da organização “para proteger o património mundial da Humanidade” e “a notável diversidade” desse património, “através da representação de onze locais em vários continentes”, está também em foco no mural, acrescenta o comunicado divulgado pela UNESCO.

“Esta soberba criação de Vhils reflete a missão da UNESCO de celebrar os artistas contemporâneos e proporcionar uma plataforma onde a sua criatividade possa ser plenamente expressa”, afirma a diretora-geral da organização, Audrey Azoulay, citada pelo comunicado, sobre a obra do artista português.

Encomendada de propósito para a sede da UNESCO, “graças à generosidade de Portugal”, “Substratum – Scratching the Surface Project”, segundo a organização, tem vindo a ser “pacientemente esculpida com cinzéis e um martelo perfurador em miniatura desde o início de maio”.

A sede da UNESCO em Paris alberga mais de mil obras de arte, contando com peças de artistas como Pablo Picasso, Alexander Calder, Sonia Delaunay, Dani Karavan, Isamu Noguchi e Roberto Matta.

Alexandre Farto, conhecido por Vhils, “desenvolveu uma linguagem visual única baseada na remoção de camadas superficiais das paredes, utilizando ferramentas e técnicas não convencionais”, escreve a UNESCO sobre o artista português.

Vhils “começou a interagir com o ambiente urbano através do `graffiti` no início dos anos 2000. Destruindo para criar, ele esculpe declarações visuais poderosas e poéticas nos materiais que a cidade descartou, humanizando áreas dilapidadas ao criar retratos pungentes e em grande escala. Aborda temas como o impacto da urbanização e do desenvolvimento em massa sobre as paisagens e as identidades. Desde 2005, o seu trabalho tem sido apresentado em todo o mundo em grandes exposições e eventos”, lê-se no comunicado da UNESCO.

Vhils, nas suas páginas nas redes sociais, afirma que “é uma verdadeira honra” estar a criar “uma intervenção tão especial, que na sua essência celebra a interligação da história humana, a diversidade cultural e a preservação do nosso património”.

O artista agradece à UNESCO, à UNESCO Portugal e à sua equipa “a oportunidade incrível” de o ajudarem “a dar forma [à sua] visão”.

A inauguração do mural está marcada para quarta-feira, 12 de julho, às 19:00 de Paris (menos uma hora em Lisboa), numa sessão que a UNESCO prevê contar com a presença do artista, da diretora-geral Audrey Azoulay e do primeiro-ministro português, António Costa. In “Bom dia Europa” - Luxemburgo


domingo, 3 de abril de 2022

Portugal - Luso-britânica expõe “linguagem das flores”

A artista anglo-portuguesa Jacqueline de Montaigne inaugura, em abril, em Lisboa, uma exposição na qual revisita a tradição vitoriana da Floriografia (linguagem das flores) e que inclui a pintura de um mural com 14 metros de altura



O projeto “The language of flowers” começou com a pintura de um mural de 14 metros de altura, na empena de um prédio no Largo Hintze Ribeiro, na Rua de S. Bento, perto do Largo do Rato, “e culmina com a continuidade do tema e [a sua] estética” aplicadas “a 19 obras de arte originais”, refere a plataforma artística Because Art Matters (BAM), em comunicado.

O mural estava hoje praticamente terminado e as obras de arte poderão ser vistas numa exposição, de entrada gratuita, que estará patente, entre 8 e 17 de abril, no n.º 2b do Largo Hintze Ribeiro.

Com o tema do projeto, “The language of flowers” (“A linguagem das flores”, em português), Jacqueline de Montaigne “pretende trazer uma mensagem que celebra, acima de tudo, o amor, nas suas mais variadas formas, inspirando-se na antiga tradição vitoriana da Floriografia (linguagem das flores) para um trabalho com uma abordagem clássica num contexto moderno, e que transporta a natureza para um cenário urbano, sob a forma de um mural com foco em dez flores específicas, que eram utilizadas para partilhar uma mesma mensagem – a de um amor sem restrições”.

No mural, salienta a BAM, é possível observar-se “outros detalhes únicos da imagem de marca da artista, como a utilização da técnica antiga de douramento (aplicação de folha de ouro), caraterística singular e, pouco ou nada comum no contexto de arte urbana, que ilumina e transmite uma calma etérea ao local e ao mural”.

Jacqueline de Montaigne, que vive em Cascais, é uma pintora, muralista e artista de ‘paste-up’, “representada em coleções nacionais e internacionais, e que conta com mais de 60 murais de grande escala, de âmbito público e privado”, em vários países.In “Bom dia Europa” - Luxemburgo


quarta-feira, 4 de agosto de 2021

Macau - Pintura mural realça encanto da antiga Vila da Taipa

Vitorino Vong e Jane Ieng, dois jovens artistas locais, pintaram um mural na escadaria da Travessa da Boa Vista, no âmbito de uma iniciativa do Instituto Cultural para embelezar as ruas e becos do antigo centro da Vila da Taipa


Em colaboração com a Associação Cultural da Vila da Taipa, o Instituto Cultural (IC) convidou Vitorino Vong e Jane Ieng, licenciados em artes visuais pela Escola Superior de Artes do Instituto Politécnico de Macau, para criarem um novo mural na escadaria de pedra da Travessa da Boa Vista na antiga Vila da Taipa, perto da Rua Direita Carlos Eugénio e da Fábrica de Panchões Iec Long. “A pintura retrata casas de campo de cores vivas em estilo do sul da Europa, que se integram perfeitamente com as pequenas moradias vizinhas, reflectindo assim a paz e a harmonia pelas quais se caracteriza a região de Macau”, realçou o IC.

Ao contrário dos murais que são normalmente pintados nas paredes exteriores dos edifícios, esta pintura na escadaria da Travessa da Boa Vista aproveita a altura dos degraus para produzir uma impressão tridimensional, superando as limitações de uma superfície plana. Neste trabalho destaca-se um pequeno gato a três dimensões nos degraus de pedra, a fim de criar uma “imagem viva” que complementa o ambiente calmo das casas em torno do antigo centro da vila.

Com esta criação artística, o IC pretende “enriquecer” a paisagem das ruas e becos daquela zona, bem como “direccionar os visitantes da Rua da Cunha para o Jardim Municipal da Taipa e para outras atracções, como a Igreja de Nossa Senhora do Carmo e as Casas da Taipa, por forma a mostrar a beleza da cultura luso-chinesa” do território. Nesse sentido, garante que serão adicionados, de forma contínua, mais elementos interessantes, para diversificar as imagens do mural.

Vitorino Vong começou a pintar murais ainda na faculdade e as suas fontes de inspiração residem em “interesses pessoais e nas pessoas e coisas com as quais tinha experiência directa”. Seguindo estilos de desenho realistas e preferindo pinturas de personagens e animais, Jane Ieng inspira-se no quotidiano para as suas criações artísticas, incluindo esculturas, esboços e pinturas gráficas. Os dois jovens já criaram diversos murais para cafés e restaurantes locais, e colaboraram nas obras de murais na Travessa da Assunção e no Largo do Pagode da Barra, “retratando os velhos tempos do Porto Interior”.

O Instituto Cultural já produziu pinturas murais sobre temas diversos, em locais como a Travessa da Assunção, o Largo do Pagode da Barra e a parede exterior dos Armazéns da Nam Kwong na Rua do Almirante Sérgio, com o intuito de fomentar uma atmosfera artística e cultural nos bairros comunitários. In “Jornal Tribuna de Macau” - Macau


segunda-feira, 13 de julho de 2020

Canadá - Luso-canadiano vai espalhar 25 murais de Amália pelo mundo

Um português a residir no Canadá pretende criar uma “aldeia global virtual” das comunidades portuguesas espalhadas nos vários cantos do mundo, um projeto que envolve a colocação de 25 murais dedicados à fadista Amália Rodrigues



“O objetivo é criar uma comunidade virtual entre as comunidades portuguesas no mundo para comunicarmos virtualmente. Para partilharmos a nossa cultura”, afirmou à Lusa o empresário e escritor Herman Alves, 62 anos, radicado no Canadá há 50 anos.

Natural de Porto de Mós (Leiria) e a residir em Montreal, no Quebeque, Herman Alves lançou o projeto da colocação de 25 murais de Amália Rodrigues em várias cidades com grande representatividade da comunidade portuguesa.

“Esperamos organizar na altura do Natal um concerto virtual, junto dos murais, com a contribuição de cada cidade”, sublinhou.

Esta semana o artista Paulo Carreira vai começar a pintar o mural da diva do fado junto ao Parque de Portugal, em Montreal, próximo da residência do músico canadiano Leonard Cohen, e que terá a sua inauguração no centenário do aniversário de Amália Rodrigues, no dia 23 de julho.

Além de Montreal, Porto de Mós já dispõe de um mural da fadista, na Praça Arménio Marques, inaugurado no dia 29 de maio, e as próximas cidades a receber as respetivas obras serão Toronto (Canadá), Fall River e New Bradford (Estados Unidos), Buenos Aires (Argentina) e Praia (Cabo Verde).

No entanto, o empresário também destaca outra vertente cultural da iniciativa, através do fado, interpretado por artistas das comunidades locais e em língua oficial desses mesmos países.

“O plano é fazer 25 murais com 25 canções para depois lançarmos dois álbuns, por artistas locais. Por exemplo em Cabo Verde será interpretada por José Perdigão em crioulo. Cada mural terá a sua canção, em inglês e em francês”, explicou.

Após o Canadá, o próximo mural a ser pintado será em Paris, pela artista luso-francesa Nathalie Afonso, obra que será acompanhada pela canção “Amália Aux Milles Reflets” interpretada por Marta Raposo, artista luso-canadiana a residir em Montreal.

Dentro de dois anos, o promotor espera ter murais de Amália nos vários cantos do mundo, como em Goa (Índia), Macau (China), em Timor-Leste, noutras antigas colónias portuguesas e em países onde existem grandes comunidades portuguesas.

Este ano assinala-se o centenário do nascimento de Amália Rodrigues.

A fadista tem uma ligação especial com a comunidade portuguesa no Canadá: o município de Toronto, em 1986, proclamou o 06 de outubro como o Dia de Amália, naquela cidade, curiosamente o mesmo dia em que a fadista viria a falecer, em 1999.

O Governo canadiano calcula que existem no Canadá cerca de 480 mil portugueses, e na área metropolitana de Montreal há cerca de 50 mil portugueses. In “Bom dia Europa” - Luxemburgo

terça-feira, 5 de dezembro de 2017

Cabo Verde - Retrato de Cesária Évora num mural na cidade da Ribeira Grande



Ribeira Grande – Uma pintura mural realizada no âmbito das actividades permanentes do festival Sete Sóis Sete Luas, na cidade da Ribeira Grande, representa a cantora Cesária Évora, obra do “street artist” português Frederico Draw.

“A escolha da Cesária foi por ela ser uma personagem da cultura cabo-verdiana”, explica o artista que se dedica, especialmente, à pintura de retratos de personagens desconhecidos, fotografados na rua pelo próprio artista “utilizando as latas de spray como se fossem lápis”.

Dados de apresentação do artista indicam que Frederico Draw tem um “estilo único que confere lirismo ao sujeito representado e faz com que cada parede se assemelhe a um bloco de esboços no qual os lápis são substituídos pela tinta spray” e adianta que “a intensidade teatral dos seus rostos é enfatizada pelo nível de detalhe dos olhares, em claro contraste com o resto do rosto”.

“Gostei da parede pela localização e pela própria textura que ela tinha. Por isso, resolvi aproveitar parte dessa mesma textura”, diz Frederico Draw citado no documento de apresentação do artista que, em jeito de explicação, diz que “a parede tinha uma janela que de qualquer forma ia sempre interferir com o desenho” e, por isso resolveu integrá-la de forma a que ficasse na zona da cabeça, “por ser a cabeça também uma janela para o conhecimento”.

A “Diva dos pés descalços” é representada sem joias nem outros adereços por opção do pintor que quis “representá-la como quando ela era mais simples, antes de todas as viagens e adereços”.

Frederico Draw é director artístico do colectivo PUTRICA (Propostas Urbanas Temporárias de Reabilitação e Intervenção Cultural e Artística), que vê na arte urbana “uma forma de mudar os espaços vazios na cidade adicionando-lhes novos valores artísticos e culturais”. In “Inforpress” – Cabo Verde