Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)

segunda-feira, 27 de maio de 2024

Macau - Dez empresas portuguesas e brasileiras participaram em ‘roadshow’ na BEYOND Expo

A Direcção dos Serviços de Economia e Desenvolvimento Tecnológico (DSEDT) ajudou dez empresas de inovação científica e tecnológica do Brasil e de Portugal a participar na BEYOND Expo deste ano. A sessão de roadshow foi realizada na sexta-feira, durante a qual foram assinados seis acordos de cooperação, no âmbito de reforçar a cooperação entre incubadoras do Brasil e de Portugal e seus congéneres locais, bem como aumentar o apoio do capital social do interior da China nos projectos dos países de língua portuguesa


A “Sessão de roadshow para empresas científicas e tecnológicas do Brasil e de Portugal (Macau)” foi realizada na passada sexta-feira, na 4.ª BEYOND Expo, onde representantes de dez empresas de inovação tecnológica do Brasil e de Portugal apresentaram aos participantes do evento os planos de desenvolvimento e características inovadoras dos seus projectos.

De acordo com a Direcção dos Serviços de Economia e Desenvolvimento Tecnológico (DSEDT), a sessão teve como finalidade “valorizar ainda mais o papel de Macau como plataforma sino-lusófona”, criando oportunidades de intercâmbio para empresas de inovação tecnológica do Brasil e de Portugal com os respectivos sectores de Macau e do interior da China, de forma a incentivar essas empresas a desenvolverem-se em Macau e Hengqin e promover o intercâmbio sino-lusófono no domínio da ciência e tecnologia.

A iniciativa foi organizada pela DSEDT, realizada pelo Centro de Incubação de Negócios para os Jovens de Macau e apoiada pela Direcção dos Serviços de Desenvolvimento Económico da Zona de Cooperação Aprofundada entre Guangdong e Macau em Hengqin, pela Direcção da Inovação Científica e Tecnológica da Cidade de Zhuhai e pelo Centro de Intercâmbio e Cooperação em Ciência e Tecnologia entre a China e os Países de Língua Portuguesa.

Tai Kin Ip, director da DSEDT, destacou no seu discurso o desempenho do “Centro de Intercâmbio e Cooperação em Ciência e Tecnologia entre a China e os Países de Língua Portuguesa”, criado no ano passado com o apoio do Ministério de Ciência e Tecnologia do Estado, o que demonstra as vantagens de Macau enquanto plataforma de intercâmbio sino-lusófona.

O responsável sublinhou ainda que o organismo tem vindo a manter contactos e cooperações estreitas com as instituições de ensino superior, empresas tecnológicas e incubadoras lusófonas, nomeadamente de Portugal e do Brasil. “Espera-se que todas as equipas de inovação científica e tecnológica do Brasil e de Portugal participantes possam beneficiar das bolsas de contacto e das oportunidades de desenvolvimento oferecidas por Macau e pela Grande Baía, explorando oportunidades de negócio do interior da China na base de benefícios mútuos e cooperação ‘win-win’”, afirmou.

No evento foram ainda assinados seis acordos de cooperação, envolvendo sobretudo o reforço da cooperação entre incubadoras do Brasil e de Portugal e seus congéneres locais, o aumento do apoio do capital social do interior da China aos projectos dos PLP e o desenvolvimento da cooperação entre empresas tecnológicas do Brasil e de Portugal na investigação e desenvolvimento de produtos.

Além do ‘roadshow’, as dez empresas que fazem parte do “Grupo de visita de estudo das empresas de inovação tecnológica dos países de língua portuguesa à Grande Baía Guangdong-Hong Kong-Macau” também instalaram stands na BEYOND Expo deste ano para apresentar os seus produtos. Alguns dos projectos apresentados no ‘roadshow’ “ganharam o reconhecimento dos especialistas e investidores presentes” e as empresas participantes manifestaram “grande apreço pelo evento e interesse em explorar o mercado do interior da China, esperando obter mais informações úteis durante a visita”, revelou a organizadora.

A DSEDT, neste sentido, disse que continuará a promover o desenvolvimento do Centro de Intercâmbio e Cooperação de Ciência e Tecnologia entre a China e os Países de Língua Portuguesa, aprofundando-se a cooperação Macau-Hengqin-Zhuhai na área da ciência e tecnologia, bem como promovendo o intercâmbio sino-lusófono na área da inovação científica e tecnológica. In “Ponto Final” - Macau


Moçambique - Contrabando de madeira está a financiar insurgentes, alerta ONG

Milhões de toneladas de madeira continuam a ser exportadas ilegalmente de Moçambique para a China e os grupos insurgentes no norte do país estão a beneficiar financeiramente, revelou a organização norte-americana Agência de Investigação Ambiental.

Apesar das restrições do Governo moçambicano à exportação de madeira, a Environmental Investigation Agency (EIA) estima que, entre 2017 e 2023, foram enviadas para a China cerca de 3,7 milhões de toneladas de toros, com um valor calculado de 1,3 mil milhões de dólares.

A organização, com escritórios em Londres e Nova Iorque, está a monitorizar o setor madeireiro em Moçambique há vários anos, tendo-se centrado em Cabo Delgado mais recentemente, e acredita existir uma relação entre este comércio ilegal de madeira e os grupos de insurgentes islamistas.

Um relatório publicado este mês cita uma fonte bem colocada que estima que “30% da madeira explorada em Cabo Delgado corre um risco elevado de ser proveniente de florestas ocupadas pelos insurgentes”.

A madeira terá sido cortada nos distritos de Montepuez, Muidumbe, Meluco, Quissanga, Mueda, até na província vizinha de Nampula, e depois transportada para as serrações de Montepuez, por vezes de mota ou dissimulada nos porões de autocarros.  Com base em mais de 30 fontes locais, com profissionais do sector, sociedade civil e funcionários públicos, a EIA descreve como o movimento da madeira é facilitado graças a subornos pagos à polícia, soldados, representantes governamentais e inspetores alfandegários.

O relatório refere que “indivíduos do partido Frelimo beneficiam do comércio de madeira ilegal e do caos e insegurança causados pela insurreição”. A madeira é depois comprada por empresários chineses, que enviam os toros em contentores para o país asiático através de transportadoras marítimas internacionais.

Os toros de pau-preto, em particular, uma espécie nativa protegida, podem ser comprados por poucos dólares mas servem depois para fazer peças de mobiliário que custam milhares de dólares.

Os empresários compram madeira de diferentes origens, algumas delas ilegais, incluindo de florestas ocupadas por insurgentes, afirmou a responsável pelo estudo, Alexandra Bloom. “Por vezes é madeira que os insurgentes cortaram eles próprios, e eles beneficiam do dinheiro que ganham com a venda desta madeira. Uma fonte disse que eles estavam escondidos na floresta e que estavam a ficar com pouco dinheiro, por isso passaram a vender madeira”, explicou.

Este negócio acaba por gerar financiamento para o grupo terrorista Ahlu Sunnah Wal Jamaah (ASWJ), o principal da região, também conhecido internacionalmente como ISIS-Moçambique e localmente designado por Al-Shebab.  Bloom, que é analista especializada em comércio na EIA, acredita que Maputo esteja a fazer esforços para combater os insurgentes e este tipo de actividades ilícitas.  No entanto, acrescentou, “muitas pessoas estão a receber subornos ao longo do processo da cadeia de abastecimento de madeira ilegal, por isso, têm um certo incentivo para permitir que continue”. In “Ponto Final” - Macau


domingo, 26 de maio de 2024

França - Miguel Gomes vence prémio de melhor realização no Festival de Cannes

O realizador português Miguel Gomes venceu o prémio de melhor realização do Festival de Cinema de Cannes, pelo filme “Grand Tour”, foi anunciado na cerimónia de encerramento.


É a primeira vez que Miguel Gomes é distinguido na competição oficial do festival de Cannes.

Miguel Gomes recebeu o prémio das mãos do cineasta alemão Wim Wenders e num curto discurso agradeceu ao cinema português, sublinhando a raridade que é haver filmes portugueses na competição oficial, e estendeu o agradecimento a “grandes cineastas” como Manoel de Oliveira, que o inspiraram a fazer cinema.

Há 18 anos, em 2006, na competição de longas-metragens esteve “Juventude em Marcha”, de Pedro Costa.

A história de “Grand Tour” segue um romance de início do século XX, com Edward (Gonçalo Waddington), um funcionário público do império britânico que foge da noiva Molly (Crista Alfaiate) no dia em que ela chega para o casamento.

“Contemplando o vazio da sua existência, o cobarde Edward interroga-se sobre o que terá acontecido a Molly… Desafiada pelo impulso de Edward e decidida a casar-se com ele, Molly segue o rasto do noivo em fuga através deste ‘Grand Tour’ asiático”, refere a sinopse.

Esta semana, em conferência de imprensa em Cannes, Miguel Gomes, 52 anos, explicou que “Grand Tour” é um filme “sobre a determinação das mulheres e a cobardia dos homens” e tem ainda como ponto de referência um livro de viagens, “Um gentleman na Ásia”, de Sommerset Maugham.

Na preparação deste filme, ainda antes da pandemia da Covid-19, Miguel Gomes fez um arquivo de viagem pela Ásia – por exemplo, Myanmar (antiga Birmânia), Vietname, Tailândia, Japão -, para traçar o trajeto das personagens, recolhendo imagens e sons contemporâneos para uma longa-metragem de época de 1918.

Só depois desse périplo, Miguel Gomes rodou as cenas com os atores em estúdio, em Roma. O argumento é coassinado pelo cineasta com Mariana Ricardo, Telmo Churro e Maureen Fazendeiro.

“O que é interessante no cinema é que se pode viajar para um mundo alternativo, um mundo ficcional que contém todos os tempos; as memórias do tempo passado, o tempo atual em que vivemos, o presente”, disse Miguel Gomes na mesma conferência de imprensa.

“Grand Tour” foi produzido por Uma Pedra no Sapato, de Filipa Reis, em coprodução com Itália, França, Alemanha, China e Japão.

Miguel Gomes já tinha estado anteriormente em Cannes, na Quinzena de Cineastas onde apresentou “Aquele querido mês de agosto” (2008), “As mil e uma noites” (2015) e “Diários de Otsoga” (2021), correalizado com Maureen Fazendeiro.

Miguel Gomes soma vários prémios em festivais internacionais, nomeadamente o prémio da crítica do festival de Berlim com “Tabu” (2012), o prémio de melhor realizador (repartido com Maureen Fazendeiro) no Festival Mar del Plata (Argentina) com “Diários de otsoga” (2021) e o prémio especial do júri em Guadalajara (México) com “Aquele querido mês de agosto” (2009).

A 77ª edição do Festival de Cinema de Cannes começou no dia 14 e terminou ontem.

Palma d’Ouro para “Anora” do norte-americano Sean Baker

O júri da competição oficial, presidido por Greta Gerwig, atribuiu a Palma de Ouro de melhor longa-metragem a “Anora”, de Sean Baker, uma “história de Cinderela” sobre uma jovem prostituta de Nova Iorque que se casa com o filho de um oligarca russo, que lhe trará problemas.

Nos agradecimentos, Sean Baker dedicou o prémio “a todas as trabalhadoras do sexo” e afirmou que continuará a fazer filmes para que sejam exibidos nas salas de cinema.

Na cerimónia, destaque ainda para a atribuição de um Prémio Especial para “Les graines du figuier sauvage”, filme do iraniano Mohammad Rasoulof, que fugiu do Irão e se apresentou em Cannes, onde também recebeu o prémio FIPRESCI, da crítica internacional, e o prémio do Júri Ecuménico.

Na competição oficial, o Grande Prémio foi para “All We Imagine as Light”, de Payal Kapadia, e o Prémio do Júri foi para “Emilia Pérez”, de Jacques Audiard, um filme que mereceu ainda um prémio coletivo de Melhor Atriz para as interpretações de Adriana Paz, Zoe Saldaña, Karla Gascón e Selena Gomez.

Curta-metragem de Daniel Soares com menção especial

O realizador português Daniel Soares venceu uma menção especial no Festival de Cinema de Cannes, com a curta-metragem “Bad for a moment”, que estava integrada na competição oficial, anunciou o júri.

O filme de Daniel Soares, que fez a estreia mundial em Cannes, tem produção de O Som e a Fúria e de Kid With a Bike e tinha sido selecionado para a competição oficial, a disputar a Palma d’Ouro.

“Um evento de ‘team-building’ corre mal e obriga o dono de um atelier de arquitetura a encarar a realidade do bairro popular que a sua empresa está a gentrificar”, refere a sinopse do filme.

O elenco integra João Villas Boas, Ana Vilaça, Isac Graça, Cláudia Jardim, João Patrício, entre outros.

Daniel Soares, realizador, fotógrafo e argumentista, nascido na Alemanha, é ainda autor de outras curtas-metragens, nomeadamente as premiadas “O que resta” (2021) e “Please make it work” (2022).

“Bad for a moment” estava na competição oficial em Cannes na mesma secção que atribuiu a Palma d’Ouro em 2009 a “Arena”, de João Salaviza.

Este ano, o prémio máximo de melhor curta-metragem de Cannes foi para o filme “The man who could not remain silent”, de Neboljsa Slijepcevic. In “LusoJornal” - França



Venezuela - Luso-venezuelana quer exportar cacau para Portugal

Investigadora e produtora de cacau, a luso-venezuelana Anakarina Silva quer levar a sua marca, Catacacao, da Venezuela para o mercado europeu, a começar por Portugal, onde tem raízes e confessou à Lusa ter “um coraçãozinho português”


“O cacau venezuelano é muito apreciado na Europa. É conhecido como um dos melhores cacaus do mundo e é utilizado para melhorar ou realçar os sabores, porque produzimos cacau de sabor fino”, disse, avançando que a sua marca, Catacacao, foi fundada em 2017 e que vai apostar agora no mercado europeu.

“Queremos exportar para a Europa, e Portugal é o primeiro país onde queremos estar, e a partir daí fazer a distribuição. Temos um produto de qualidade para exportação e os manuais de procedimentos já estão prontos”, disse, sublinhando que tem raízes, família e “um coraçãozinho português”

Anakarina Silva explicou que, além da matéria-prima, podem ser exportados subprodutos como a manteiga de cacau, cacau em pó, pasta de cacau, licor de cacau e cacau a 100%.

“Em Portugal há ‘chocolatiers’ muitos bons e refinados, dos melhores da Europa, que podem usar a nossa matéria-prima para formular os melhores chocolates”, frisou.

Produtora e investigadora, Anakarina alertou que as alterações climáticas estão a afetar, em baixa, a produção de cacau na Venezuela, país onde a produção média ronda as 26 000 toneladas anuais, das quais mais de 50% são exportadas para a Europa e o Japão.

“As alterações climáticas e a seca têm afetado muitíssimo a produção. O cacau tem subido de preço porque há pouca oferta, porque a produção caiu muito devido ao clima, a seca tem sido muito longa”, disse.

Chef internacional, Anakarina Silva explicou que os produtores estão à espera das chuvas que tornam as árvores bonitas, verdejantes e que contentam os cacaueiros, mas há preocupação, porque, depois do fenómeno El Niño, que produziu longa seca, esperam La Niña, que pode gerar intensas chuvas e inundações, que afetam também a produção.

“Sinto que os cacaueiros vão ficar stressados com tanta seca e chuvas prolongadas”, frisou.

Anakarina explicou que, se um cacaueiro não tiver um sistema de irrigação, dará frutos para colheita duas vezes por ano, em dezembro e junho, quando pode dar cacau durante todo o ano.

Apesar de a Venezuela ser um país produtor de cacau, “sempre disseram que talvez não crescesse em Caracas por causa do clima e da altitude”, mas, em Los Campitos, onde produz o chocolate Catacacao, ela própria tem mais de 100 árvores de cacau, de diferentes origens e regiões do país.

“Fazemos todo o processo, desde a árvore e a semente. Torramos, debulhamos, descascamos, cuidando cada processo até chegar à barra de chocolate. O nome de Catacacao vem de catar, que significa saborear (…) Fazemos chocolates desde a semente, desde a origem. Não misturamos cacau, trabalhamos com cacau de origem.”, afirmou.

Anakarina explicou ainda que “cada cacau tem um sabor diferente” e que está a fazer um viveiro, um “banco genético”, que depois poderá ser usado nas distintas regiões do país.

“A genética do cacau venezuelano é realmente muito valiosa. Temos uma grande variedade de cacau crioulo”, disse, precisando que cada região do país tem tradições associadas.

“Em quase todos os lugares, quando estendem o cacau para o secar ao sol, cantam canções da região. São práticas ancestrais que não mudam, que são diferentes e isso é mágico. É por isso que eu digo que quando se come um chocolate de uma região, está-se a saborear as tradições desse lugar”, disse.

Anakarina Silva lamentou que nem todos os chocolateiros tenham a possibilidade de conhecer o campo onde nasceu o cacaueiro, o produtor, a rastreabilidade que identifica a origem de cada chocolate. In “Bom dia Europa” - Luxemburgo com “Lusa”



Era noite de lua cheia

















Vamos aprender português, cantando

 

Era noite de lua cheia

 

Era noite de lua cheia

eras tu à minha beira

era o fim daquele verão

 

Era um adeus à vida airada

o início de outra caminhada

a mudança de estação

 

Era o teu olhar sereno

e o meu coração pequeno

para guardar tanta ilusão

 

Quando te achegaste lentamente

e num só beijo de repente

me levaste toda a razão

 

Que mistério é esse

para me deixares assim sem jeito

e ainda me apressares o peito

quando pegas na minha mão

 

Que segredo é esse

para me enrolar assim na tua teia

e ainda me perder no brilho

quando volta a lua cheia

 

Era noite de lua cheia

e de tantas a primeira

sem querer outra aventura

 

E assim fiquei teu namorado

o teu amigo desarmado

no lado certo da loucura

 

Que mistério é esse

para me deixares assim sem jeito

e ainda me apressares o peito

quando pegas na minha mão

 

Que segredo é esse

para me enrolar assim na tua teia

e ainda me perder no brilho

quando volta a lua cheia

 

Que mistério é esse

para me deixares assim sem jeito

e ainda me apressares o peito

quando pegas na minha mão

 

Que segredo é esse

para me enrolar assim na tua teia

e ainda me perder no brilho

quando volta a lua cheia

 

Luís Trigacheiro – Portugal

Composição:

Luís Severo – Portugal


sábado, 25 de maio de 2024

Geórgia – Delegação da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa de visita ao país

O Secretário Executivo da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) e os representantes permanentes de oito dos nove Estados-membros da organização iniciam hoje uma visita de trabalho à Geórgia, onde terão encontros de alto nível

O embaixador de Cabo Verde em Lisboa será o único que, “por ter outros compromissos”, não poderá participar e Portugal faz-se representar, na impossibilidade do seu embaixador permanente junto da CPLP, António de Almeida Lima, disse à Lusa o secretário executivo da organização, Zacarias da Costa.

Durante a estadia em Tiblissi, estão previstas audiências com o primeiro-ministro da Geórgia, Irakli Kobakhidze, bem como com o vice-presidente do parlamento, Archil Talakvadze, o vice-primeiro ministro e ministro da Economia e Desenvolvimento Sustentável, Levan Davitashvili, e encontros com o ministro dos Negócios Estrangeiros, Ilia Darchiashvili, e com o ministro-Adjunto da Educação, Ciência e Juventude, Aleksandre Tsuladze, na segunda-feira, adianta um comunicado da organização emitido sexta-feira à tarde.

A delegação da CPLP foi convidada a participar num evento cultural, na Biblioteca Parlamentar Nacional da Geórgia, no âmbito das celebrações do 05 de Maio – “Dia Mundial da Língua Portuguesa” e “Dia da Língua Portuguesa e da Cultura na CPLP” -, e na cerimónia de juramento militar do 26 de maio, que assinala o Dia da Independência da Geórgia.

O programa inclui, também, visitas ao Museu Nacional, ao Museu da Ocupação Soviética e à Casa da Justiça, em Tiblissi, assim como “uma visita guiada à diversidade cultural, religiosa e étnica da Velha Tiblissi, e à Mtskheta”, lê-se no comunicado.

Esta visita surgiu na sequência de um convite das autoridades da Geórgia, e realiza-se entre os dias 25 e 28 de maio.

“O MNE [ministro dos Negócios Estrangeiros] convidou-me e também aos Representantes Permanentes dos Estados-membros junto à CPLP, para celebrarmos o Dia Mundial da Língua Portuguesa em Tiblíssi, em maio, e os 10 anos da entrada da Geórgia como observador associado”, anunciou à Lusa o secretário executivo da organização em fevereiro passado.

Na mesma altura, Zacarias da Costa disse que o convite foi aceite, pelo que a visita à Geórgia seria concretizada em maio.

A visita decorre num momento em que o país vive uma grande instabilidade, com manifestações nas ruas contra o projeto de lei sobre “influência estrangeira”, que, segundo os seus detratores, se inspirou na legislação russa que tem sido usada desde 2012 para reprimir a oposição.

A Geórgia tornou-se observador associado da CPLP na X Conferência de Chefes de Estado e de Governo, que decorreu a 23 de julho de 2014, em Díli, Timor-Leste, na mesma cimeira em que também obtiveram aquele estatuto a Namíbia, a Turquia e o Japão.

Hoje, a CPLP conta com mais de 30 observadores associados, entre países e organizações, e, na última cimeira de chefes de Estado e de Governo, que decorreu em 2023 em São Tomé e Príncipe, foi aprovado o novo regulamento dos observadores associados, que exige destes um papel mais ativo em termos de cooperação.

A categoria de observador associado e de observador consultivo da CPLP foi criada em 2005, após decisão do Conselho de Ministros da comunidade, tendo aberto oportunidade para o eventual ingresso de Estados ou regiões lusófonas de países terceiros.

Os Estados que pretendam adquirir a categoria de observador associado terão de partilhar os princípios orientadores, designadamente no que se refere à promoção das práticas democráticas, à boa governação e ao respeito dos direitos humanos, e prosseguir, através dos seus programas de Governo, objetivos idênticos aos da organização.

Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Guiné Equatorial, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste são os nove Estados-Membros da CPLP. In “MadreMedia” – Portugal com “Lusa”

Geórgia – Novo Observador Associado da CPLP


Portugal - Diferentes organizações no país assinalam o Dia de África com iniciativas variadas

Lisboa - Música, ateliê de arte, exposição, gastronomia, debates e narração de contos africanos estão entre as iniciativas que várias organizações em Portugal têm programado para comemorar o Dia de Africa, assinalado este sábado, 25 de Maio.

A Federação Académica Africana de Portugal tem programado a segunda edição do “Dia d’África - Berço da Humanidade”, que irá decorrer no Teatro Thalia, em Lisboa, em que, de acordo com a agenda, entre as actividades, haverá um painel de discussão sobre “Desenvolvimento dos Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa”, com a oradora Teresa Damásio.

Para este sábado, o Município de Alvito, distrito de Beja, região do Alentejo, tem durante o dia um conjunto de actividades, das 09:30 às 18:00, com dois painéis em debate, sendo o primeiro sobre “África hoje, que desafios”, no auditório do Centro Cultura Raul de Carvalho, e o segundo painel sobre “Desafios na construção de futuros para estudantes africanos dos ensinos profissional e universitários em Portugal”.

O dia em Alvito também será marcado com projecções de vídeos sobre as “comunidades africanas”, degustação de pratos tradicionais africanos, lançamento do livro “Cantigas de mininus” de Mariana Ferreira, exposições e danças.

No município de Fundão, no distrito de Castelo Branco, através do Centro para as Migrações, assinala-se a data com uma “Apresentação do Dia de África e a sua história”, com performance de música africana no Atelier de Artes José Vilhena, passagem de modas com vestuários e penteados africanos e danças africanas.

Também na sua agenda, a Biblioteca Municipal de Oeiras tem programado a comemoração do dia, com uma minimaratona de contos africanos, visando “envolver a comunidade nesta celebração, num objectivo mais vasto que é o de contribuir para o diálogo intercultural entre povos”.

“Esta é uma actividade dirigida a todos aqueles que têm interesse e uma relação afectiva com África, independentemente da sua naturalidade. Definimos como objectivo o estímulo do diálogo intergeracional procurando-se envolver crianças, jovens, adultos e os mais velhos”, explicou o promotor do evento.

Por seu lado, o Museu Nacional de História Natural e da Ciência vai assinalar o Dia de África com um programa de actividades gratuitas, que engloba exposições obre “Panorama do Congo” e “Impulso Fotográfica”, uma conversa sobre “Ritmos africanos: do tradicional ao contemporâneo” com os construtores e executores de instrumentos Mbalango (Moçambique), Mick Trovoado (Angola) e Demba Diabaté (Guiné-Bissau) que no final darão um concerto.

Em Bragança, o Instituto Politécnico de Bragança (IPB), conjuntamente com a Associação dos Estudantes Africanos em Bragança (AEAB), tem a decorrer de 20 a 25 de Maio, a Semana de África, que teve a abertura presidida pela Presidente da República, José Maria Neves, e com várias actividades programadas, incluindo o I Encontro de Escritores da Lusofonia (grÁfrica) e I Jornadas AfroCiências.

Ainda no dia 22 de Maio, o Núcleo de Estudantes Africanos do Instituto Superior de Ciências Sociais e Política (ISCSP), da Universidade de Lisboa, promoveu, em celebração ao Dia de África, uma programação variada, que decorreu durante todo o dia com exposição e vendas de livros, artefactos e pinturas, gastronomia angolana, guineense e cabo-verdiana, desfile com roupa africana, debate sobre “África além-fronteiras: diáspora em diálogo” e momentos de poesia e música.

O 25 de Maio é comemorado como o Dia de África, porque foi neste dia, em 1963, que se criou a Organização de Unidade Africana (OUA), em Addis Abeba, na Etiópia, com o objectivo de defender e emancipar o continente africano.

Em 1972, a Organização das Nações Unidas (ONU) estabeleceu o dia 25 de Maio como o Dia da África ou o Dia da Libertação da África e em 2002 a OUA foi substituída pela União Africana (UA) mas a celebração da data manteve-se.

Este dia recorda a luta pela independência do continente africano, contra a colonização europeia e contra o regime do Apartheid, assim como simboliza o desejo de um continente mais unido, organizado, desenvolvido e livre, e a data é celebrada em vários países de África e pelos africanos espalhados pelo mundo. In “Inforpress” – Cabo Verde