A capital são-tomense acolhe, o V Seminário Metodológico de Elaboração da História da Luta de Libertação Nacional dos Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa, PALOP.
O
encontro, que decorre até 20 de setembro, nas instalações do Hotel Praia, reúne
representantes e membros das equipas de investigação dos cinco países que
integram os PALOP: Angola, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique e São Tomé e
Príncipe.
O
seminário tem como principal objetivo dar continuidade aos trabalhos de
elaboração de uma obra dedicada à história das lutas de libertação nacional dos
cinco países, cujo resultado deverá ser reunido em três volumes.
Nazaré
de Ceita, coordenadora nacional do projeto, manifestou satisfação pela
realização do seminário em São Tomé e Príncipe, considerando uma honra para o
país acolher uma iniciativa desta dimensão.
“Sabemos
que um projeto desta dimensão, envolvendo vários países, diferentes equipas de
investigação, diferentes realidades documentais e diferentes percursos
históricos, não é fácil de coordenar. Por isso, queremos deixar aqui registado
o nosso reconhecimento pelo esforço desenvolvido, pelo traquejo, pela paciência
e pela experiência de lidar com momentos de depressão ao longo deste percurso.”
A
historiadora são-tomense acrescentou que «este projeto ensinou-nos também que,
embora cada país tenha vivido uma experiência própria da luta de libertação,
existem memórias, ideais, desafios e oportunidades que nos aproximaram e
continuam a aproximar-nos. E é precisamente essa dimensão coletiva que dá
particular significado a este trabalho”, afirmou.
Já a
coordenadora-geral do projeto, Rosa Silva, sublinhou a importância da reunião
para a conclusão dos trabalhos em curso e apontou 2026 como o ano previsto para
o encerramento da fase de elaboração, seguindo-se, em 2027, a publicação dos
três volumes.
“O
objetivo deste seminário é manifestar, expressar e decidir, de facto, o fim
deste projeto. Ou seja, nós decidimos que, ao vir para São Tomé e Príncipe,
trataríamos dos textos dos volumes que decidimos noutra ocasião.”
A
coordenadora geral anunciou que o projeto termina este ano sendo que, em 2027,
“nós publicaremos os três volumes da história da libertação dos PALOP”,
indicou.
Na
abertura do encontro esteve a ministra da Educação, Cultura, Ciência e Ensino
Superior, Isabel D’Abreu, que considerou a concretização do projeto resultado
de uma aspiração antiga e destacou o contributo de figuras políticas para a sua
criação.
Segundo
a governante, a iniciativa pretende contribuir para a construção de uma
história baseada na investigação realizada pelos próprios países que viveram os
processos de luta de libertação.
O
projeto pretende dar um passo adicional: construir uma história investigada,
escrita fundamentalmente pelos próprios países que viveram esse processo. «Não
se trata de negar ou desvalorizar os contributos dos investigadores externos.
Trata-se, antes, de afirmar o direito e a responsabilidade dos próprios povos
de produzir conhecimento sobre a sua história, confrontando, sempre que
necessário, narrativas incompletas, imprecisas ou condicionadas por visões
exteriores», sublinhou.
Escrever
esta história a partir dos territórios libertados dos sistemas nacional e
colonial significa, assim, recuperar vozes, memórias, documentos, experiências
e perspetivas que não podem ser dispensados quando se pretende compreender, com
maior profundidade, a complexidade das lutas de libertação nacional”, afirmou.
A
ministra destacou igualmente o trabalho desenvolvido por investigadores
nacionais e internacionais envolvidos no projeto.
“Não
acolhemos apenas uma reunião de trabalho. Acolhemos um projeto de memória, de
conhecimento e de afirmação da nossa própria capacidade de investigar,
interpretar e inscrever a nossa história.”
A
ideia deste projeto surgiu por iniciativa do Presidente da República de Cabo
Verde, Pedro Pires, e de Sua Excelência o Presidente da República de Angola,
João Lourenço, tendo encontrado concretização em 2021, em Luanda, à margem da
conferência da CPLP, então com a participação do Presidente da República
Evaristo Carvalho, em representação de São Tomé e Príncipe.
“Desde
o início, esteve presente uma preocupação fundamental: produzir e deixar
registada a história da luta de libertação dos territórios africanos submetidos
ao domínio colonial português, para o presente e para as gerações vindouras”,
realçou a ministra da Educação, Cultura, Ciência e Ensino Superior.
O
projeto resulta de uma iniciativa destinada a preservar, aprofundar e divulgar
a memória histórica das lutas de libertação dos cinco PALOP. Os trabalhos
envolvem investigadores de diferentes áreas e recorrem à análise documental e
ao cruzamento de fontes históricas. A iniciativa prevê a produção de três
volumes, abrangendo diferentes períodos e dimensões dos processos de
libertação.
O
evento ficou ainda marcado por manifestações culturais. A interpretação do
músico são-tomense Guilherme Carvalho proporcionou momentos de silêncio e
atenção na sala, numa intervenção que integrou o programa cultural do
seminário.
A
cultura são-tomense esteve igualmente representada pelo Tchiloli, manifestação
cultural e teatral de grande relevância no património do país, que encerrou a
componente cultural do encontro com uma apresentação que mereceu a atenção dos
participantes. Waley Quaresma – São Tomé e Príncipe in “Téla
Nón”

Sem comentários:
Enviar um comentário