A pianista Maria João Pires anunciou, este domingo, o lançamento da primeira edição da “MJP Piano Academy”, espaço ‘online’ dedicado ao ensino de piano, prevendo, para breve, abertura de inscrições para ‘masterclasses’, no Centro de Artes de Belgais
Num
comunicado divulgado, assinado por “Maria João Pires e equipa”, é adiantado que
o novo projeto da pianista “oferece também reservas para ‘Explicações Online’
e, em breve, para um novo formato de aula, os ‘Workshops Online'”,
semanais, para grupos de três a quatro alunos inscritos no programa da
academia.
“Estes
‘workshops’ estarão igualmente disponíveis para espetadores e ouvintes
através de um plano de subscrição, permitindo que outros estudantes,
professores ou amantes de música assistam aos eventos mensais e participem numa
sessão mensal de perguntas e respostas ‘online'”, com Maria João Pires.
Um
plano de reabertura do projeto do Centro de Artes de Belgais, no distrito de
Castelo Branco, está também a ser trabalhado pela equipa, com o objetivo de
oferecer “uma maior variedade de eventos e experiências presenciais”. Desta
vez, porém, partilhando as atividades “numa Plataforma Online de Belgais
dedicada a pessoas de todo o mundo”, esclarece no comunicado.
Esta
plataforma, “assim que for lançada”, poderá vir a acolher a “MJP Piano
Academy”, lê-se ainda no comunicado.
“’Ensinar’
é uma expressão comum que todos usam, e é por isso que eu também a uso”, afirma
Maria João Pires, citada pelo comunicado. “No entanto, é muito mais do que isso
— é uma forma de diálogo através da música, um ‘dar e receber’, uma troca de
impressões, uma aprendizagem partilhada na arte de ouvir, uma busca pelo
equilíbrio. Descobrir em conjunto requer um acordo mútuo na experiência. Em
última análise, é um trabalho interior que nos trará certamente uma consciência
mais clara”.
Maria
João Pires, de 82 anos, anunciou o afastamento dos palcos, em novembro do ano
passado, afirmando estar num “processo de mudança radical”, poucos meses depois
de ter tido um problema de saúde, que pôs fim à digressão que mantinha entre
palcos europeus e asiáticos.
Este
anúncio foi feito na Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa, durante a entrega
do Prémio Europeu Helena Vaz da Silva para a Divulgação do Património Cultural,
com que foi distinguida, tendo a artista afirmado que adoeceu porque tentou
“ultrapassar-se e ir até limites proibidos”.
“Agora
encontro-me num processo de mudança radical, numa procura de verdade, verdades,
num caminho de aceitação, talvez de compreensão daquilo que nunca aceitei
antes. É bom pensar que o futuro é incerto, desconhecido, talvez
surpreendente”, afirmou então.
No
passado mês de julho, quando recebeu o doutoramento Honoris Causa atribuído
pela Universidade de Évora, Maria João Pires afastou o regresso ao ativo para
um derradeiro concerto, mas admitiu a possibilidade de voltar aos estúdios para
“fazer algumas gravações”.
Nascida
em Lisboa, em 23 de julho de 1944, a mais internacional e reputada dos
pianistas portugueses tem uma carreira que remonta a finais da década de 1940,
quando se apresentou pela primeira vez em público, aos 4 anos.
Após a
conquista do primeiro prémio do concurso internacional Beethoven, em 1970, o
seu nome tornou-se recorrente nos programas das principais salas de concerto a
nível mundial e nos catálogos das maiores editoras de música clássica: a Denon,
primeiro, para a qual gravou a premiada integral das Sonatas de Mozart (1974);
a Erato, a seguir, nos anos de 1980, onde deixou Bach, Mozart e uma das mais
celebradas interpretações das “Cenas Infantis”, de Schumann; e depois a
Deutsche Grammophon, em 1989.
Nesse
ano, fundou o Centro Belgais para o Estudo das Artes, em Escalos de Baixo,
Castelo Branco.
Ao
longo da carreira, Maria João Pires recebeu o prémio do Conselho Internacional
da Música, da Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura
(UNESCO, 1970), o Prémio Pessoa (1989), a Medalha de Mérito Cultural do Governo
português e o Prémio Personalidade do Ano/Martha de la Cal da Associação da
Imprensa Estrangeira em Portugal (2019), o Praemium Imperiale (2024), da
Associação de Arte do Japão.
A
nível discográfico, foi distinguida quatro vezes pela Academia Charles Cross,
nomeada regularmente para os Grammy e recebeu um prémio Gramophone,
destacando-se as suas interpretações de Sonatas e dos “Impromptus”, de
Schubert, dos “Nocturnos”, de Chopin, e de Concertos de Mozart e Beethoven. In “Bom
dia Europa” - Luxemburgo

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