Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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domingo, 26 de maio de 2024

França - Miguel Gomes vence prémio de melhor realização no Festival de Cannes

O realizador português Miguel Gomes venceu o prémio de melhor realização do Festival de Cinema de Cannes, pelo filme “Grand Tour”, foi anunciado na cerimónia de encerramento.


É a primeira vez que Miguel Gomes é distinguido na competição oficial do festival de Cannes.

Miguel Gomes recebeu o prémio das mãos do cineasta alemão Wim Wenders e num curto discurso agradeceu ao cinema português, sublinhando a raridade que é haver filmes portugueses na competição oficial, e estendeu o agradecimento a “grandes cineastas” como Manoel de Oliveira, que o inspiraram a fazer cinema.

Há 18 anos, em 2006, na competição de longas-metragens esteve “Juventude em Marcha”, de Pedro Costa.

A história de “Grand Tour” segue um romance de início do século XX, com Edward (Gonçalo Waddington), um funcionário público do império britânico que foge da noiva Molly (Crista Alfaiate) no dia em que ela chega para o casamento.

“Contemplando o vazio da sua existência, o cobarde Edward interroga-se sobre o que terá acontecido a Molly… Desafiada pelo impulso de Edward e decidida a casar-se com ele, Molly segue o rasto do noivo em fuga através deste ‘Grand Tour’ asiático”, refere a sinopse.

Esta semana, em conferência de imprensa em Cannes, Miguel Gomes, 52 anos, explicou que “Grand Tour” é um filme “sobre a determinação das mulheres e a cobardia dos homens” e tem ainda como ponto de referência um livro de viagens, “Um gentleman na Ásia”, de Sommerset Maugham.

Na preparação deste filme, ainda antes da pandemia da Covid-19, Miguel Gomes fez um arquivo de viagem pela Ásia – por exemplo, Myanmar (antiga Birmânia), Vietname, Tailândia, Japão -, para traçar o trajeto das personagens, recolhendo imagens e sons contemporâneos para uma longa-metragem de época de 1918.

Só depois desse périplo, Miguel Gomes rodou as cenas com os atores em estúdio, em Roma. O argumento é coassinado pelo cineasta com Mariana Ricardo, Telmo Churro e Maureen Fazendeiro.

“O que é interessante no cinema é que se pode viajar para um mundo alternativo, um mundo ficcional que contém todos os tempos; as memórias do tempo passado, o tempo atual em que vivemos, o presente”, disse Miguel Gomes na mesma conferência de imprensa.

“Grand Tour” foi produzido por Uma Pedra no Sapato, de Filipa Reis, em coprodução com Itália, França, Alemanha, China e Japão.

Miguel Gomes já tinha estado anteriormente em Cannes, na Quinzena de Cineastas onde apresentou “Aquele querido mês de agosto” (2008), “As mil e uma noites” (2015) e “Diários de Otsoga” (2021), correalizado com Maureen Fazendeiro.

Miguel Gomes soma vários prémios em festivais internacionais, nomeadamente o prémio da crítica do festival de Berlim com “Tabu” (2012), o prémio de melhor realizador (repartido com Maureen Fazendeiro) no Festival Mar del Plata (Argentina) com “Diários de otsoga” (2021) e o prémio especial do júri em Guadalajara (México) com “Aquele querido mês de agosto” (2009).

A 77ª edição do Festival de Cinema de Cannes começou no dia 14 e terminou ontem.

Palma d’Ouro para “Anora” do norte-americano Sean Baker

O júri da competição oficial, presidido por Greta Gerwig, atribuiu a Palma de Ouro de melhor longa-metragem a “Anora”, de Sean Baker, uma “história de Cinderela” sobre uma jovem prostituta de Nova Iorque que se casa com o filho de um oligarca russo, que lhe trará problemas.

Nos agradecimentos, Sean Baker dedicou o prémio “a todas as trabalhadoras do sexo” e afirmou que continuará a fazer filmes para que sejam exibidos nas salas de cinema.

Na cerimónia, destaque ainda para a atribuição de um Prémio Especial para “Les graines du figuier sauvage”, filme do iraniano Mohammad Rasoulof, que fugiu do Irão e se apresentou em Cannes, onde também recebeu o prémio FIPRESCI, da crítica internacional, e o prémio do Júri Ecuménico.

Na competição oficial, o Grande Prémio foi para “All We Imagine as Light”, de Payal Kapadia, e o Prémio do Júri foi para “Emilia Pérez”, de Jacques Audiard, um filme que mereceu ainda um prémio coletivo de Melhor Atriz para as interpretações de Adriana Paz, Zoe Saldaña, Karla Gascón e Selena Gomez.

Curta-metragem de Daniel Soares com menção especial

O realizador português Daniel Soares venceu uma menção especial no Festival de Cinema de Cannes, com a curta-metragem “Bad for a moment”, que estava integrada na competição oficial, anunciou o júri.

O filme de Daniel Soares, que fez a estreia mundial em Cannes, tem produção de O Som e a Fúria e de Kid With a Bike e tinha sido selecionado para a competição oficial, a disputar a Palma d’Ouro.

“Um evento de ‘team-building’ corre mal e obriga o dono de um atelier de arquitetura a encarar a realidade do bairro popular que a sua empresa está a gentrificar”, refere a sinopse do filme.

O elenco integra João Villas Boas, Ana Vilaça, Isac Graça, Cláudia Jardim, João Patrício, entre outros.

Daniel Soares, realizador, fotógrafo e argumentista, nascido na Alemanha, é ainda autor de outras curtas-metragens, nomeadamente as premiadas “O que resta” (2021) e “Please make it work” (2022).

“Bad for a moment” estava na competição oficial em Cannes na mesma secção que atribuiu a Palma d’Ouro em 2009 a “Arena”, de João Salaviza.

Este ano, o prémio máximo de melhor curta-metragem de Cannes foi para o filme “The man who could not remain silent”, de Neboljsa Slijepcevic. In “LusoJornal” - França



segunda-feira, 13 de maio de 2024

França – Festival de Cinema de Cannes recebe cinema português

A luta dos habitantes de Covas do Barroso, Vila Real, contra a exploração de lítio na região, chega esta semana ao Festival de Cinema de Cannes, em França, num filme de Paulo Carneiro, que também reflete sobre o cinema português


O filme é “A Savana e a Montanha”, de Paulo Carneiro, que se estreia no sábado na Quinzena de Cineastas, um programa paralelo do Festival de Cannes, com a presença do realizador e de alguns dos habitantes de Covas do Barroso.

A longa-metragem é apresentada como uma ficção, sobre uma comunidade que decide unir-se para expulsar uma empresa estrangeira que quer construir uma mina de exploração de lítio na sua aldeia.

Numa encenação de um faroeste, a população mobiliza-se munida com as armas de que dispõe – tratores, enxadas, carros de bois, cantigas de protesto -, contra um inimigo invisível e distante: a empresa estrangeira e o governo que autorizou o projeto de exploração.

Este “western social” é uma encenação de uma luta real de associações locais e ambientalistas de Covas do Barroso e de Boticas, contra um projeto da empresa britânica Savannah Resources, de exploração de lítio a céu aberto, numa área que está classificada como Património Agrícola Mundial.

Nos últimos anos, têm sido realizadas manifestações, arruadas, acampamentos de protesto contra a mina que os opositores consideram prejudicial para a região.

Paulo Carneiro, que vive em Lisboa, mas conhece aquele território, onde já rodou o documentário de pendor biográfico “Bostofrio, où le ciel rejoint la terre” (2018), decidiu um dia pegar na câmara e juntar-se àquela luta.

Em entrevista à agência Lusa, Paulo Carneiro explica que começou por fazer “uma espécie de documentário”, mas acabou por envolver os habitantes na escrita de uma ficção para que eles concretizassem aquilo que não conseguiram ainda na realidade, impedir o projeto mineiro.

“Há um momento em que eu digo ‘Vamos fazer um filme, todos juntos; eu vou estar aqui, isto não vai ser fácil, mas querem que isto aconteça?’ E eles aceitam. A partir deste momento não se pode voltar atrás: Quando se entra na luta não se sai da luta. E nós, com o cinema, usamos o cinema como arma dessa luta. A verdade é que nunca ninguém desistiu e o filme existe”, afirmou Paulo Carneiro.

No filme entram algumas das pessoas que têm dado a cara contra o projeto da Savannah Resources, como a presidente da Comunidade Local dos Baldios de Covas do Barroso, Aida Fernandes, Maria Loureiro e Carlos Libo, que interpreta músicas de protesto.

Paulo Carneiro não sabe o impacto do filme ao estrear-se em Cannes, mesmo sendo este um dos mais importantes festivais do mundo.

“É um bocado difícil de acreditar que o cinema pode mudar alguma coisa, mas pelo menos que dê visibilidade e que faça com que se fale sobre o que se está a passar, que dê voz ao que acontece neste momento no terreno”, disse.

“A Savana e a Montanha” foi feito por quatro pessoas, ao longo de vários meses entre 2020 e 2023, sem financiamento do Instituto do Cinema e do Audiovisual (ICA), mas com apoio da Câmara Municipal de Boticas e da Agência de Cinema e Audiovisual do Uruguai, país coprodutor do filme.

“Éramos só quatro pessoas e tínhamos de trabalhar muito rápido, escolher o sítio para a câmara. O cinema é isso, encontrar o sítio onde pôr a câmara. De repente, temos os elementos todos, pensar rápido, encenar e não fazê-los [aos habitantes] perder muito tempo”, lembrou Paulo Carneiro.

Sobre a produção do filme, sobre o facto de não ter conseguido financiamento do ICA, ao qual concorreu várias vezes, Paulo Carneiro pede reflexão sobre o cinema português.

“O filme está aí, vai existir, terá distribuição e espero que isso faça refletir sobre o que é o cinema. O que me mete um bocado de medo é olhar e perceber que o cinema está a transformar-se cada vez mais no audiovisual. Sendo que existe uma secção concreta [nos apoios do ICA] para isso. Não tem mal nenhum fazer-se audiovisual. Mas cinema é uma coisa e audiovisual é outra”, disse.

“A Savana e a Montanha” tem estreia em Cannes, onde serão feitos contactos para distribuição internacional, enquanto se planeia também a exibição em Portugal, numa primeira apresentação em Covas do Barroso, para a população local, ainda sem data anunciada.

A Quinzena de Cineastas, que decorrerá de 15 a 25 de maio, é um programa independente não competitivo, que decorre em paralelo ao Festival de Cannes e é organizado pela Sociedade de Realizadoras e Realizadores de Cinema.

Além de “A Savana e a Montanha”, a programação inclui ainda a curta-metragem “Quando a terra foge”, de Frederico Lobo, também rodada em Trás-os-Montes, e a curta-metragem “O jardim em movimento”, da realizadora e artista visual Inês Lima.

Numa coprodução com Portugal apresentar-se-á também o filme “Algo viejo, algo nuevo, algo prestado”, do realizador argentino Hermán Rosselli, coproduzido pela Oublaum Filmes, de Ico Costa.

Na Semana da Crítica, outra das secções paralelas do festival, está o filme “As minhas sensações são tudo o que tenho para oferecer”, de Isadora Neves Marques.

No Festival de Cinema de Cannes, que começa na terça-feira, na competição oficial, está a longa-metragem “Grand Tour”, de Miguel Gomes, e a curta-metragem “Mau por um momento”, de Daniel Soares. In “Bom dia Europa” – Luxemburgo com “Lusa”


sexta-feira, 10 de maio de 2024

França - Festival de Cinema de Cannes supostamente prepara-se para acusações bombásticas do #MeToo

A indústria cinematográfica francesa está a preparar-se para mais revelações do #MeToo sobre múltiplos atores, realizadores e produtores masculinos. O boato está a explodir e uma sombra negra pode muito bem ser lançada sobre a abertura do Festival de Cinema de Cannes deste ano


O Festival de Cinema de Cannes começa na próxima semana, terça-feira (14 de maio), com o filme de abertura Le Deuxième Acte, do francês Quentin Dupieux. 

No entanto, o começo já foi difícil, com um grupo trabalhista francês que representa trabalhadores autónomos em festivais de cinema a pedir a realização de uma greve.

Como se isso não bastasse para a dor de cabeça da Croisette, aumentam as especulações na mídia francesa sobre os rumores de que uma denúncia bombástica do #MeToo será lançada no dia da inauguração.

Na verdade, há rumores de uma lista misteriosa de 10 atores / diretores / produtores que serão acusados ​​de acusações do #MeToo durante o festival.

Previsto para ser publicado pela Mediapart, este relatório já está a ser descrito como “um terremoto”.

Como reagirá Cannes a este poderoso terremoto?

O canal francês Le Figaro está a relatar, num artigo intitulado '#MeToo: antes do festival de cinema de Cannes, a indústria cinematográfica está a suar frio', que a presidente de Cannes, Iris Knobloch (foto acima), já contratou uma agência para se preparar para a “crise”.

O meio de comunicação afirmou que os principais talentos “estão a perder o sono por causa disso” e que “equipas artísticas inteiras estão a tremer” com medo de que os seus filmes sejam ofuscados por tais alegações.

Knobloch disse ao Le Figaro que ela e a sua equipa mantinham “vigilância reforçada”.

A equipa do festival e a empresa de gestão de crises têm trabalhado em cenários caso a caso sobre como lidar com potenciais acusações, uma vez que o festival não tem um protocolo oficial no que diz respeito ao tratamento de convidados acusados ​​de assédio e abuso sexual. .

A reportagem do Figaro sugere que o festival poderia retirar filmes da Competição, ou desconvidar profissionais acusados, dependendo da gravidade das eventuais acusações.

Embora a lista oficial ainda não tenha sido divulgada abertamente, vários nomes conhecidos do cinema francês têm circulado nas redes sociais, nenhum dos quais será citado nesta reportagem antes da confirmação da notícia. No entanto, se a lista for precisa, então os nomes são importantes, incluindo um cineasta que tem um filme em competição este ano, bem como um vencedor do Óscar.

Esses rumores surgem em meio a uma nova onda do #MeToo na França, desencadeada pela decisão da atriz e cineasta Judith Godrèche de falar sobre o abuso sexual que ela diz ter sofrido nas mãos do diretor Benoît Jacquot. Ele negou as acusações.

Godrèche apresentará no festival a sua curta-metragem Moi aussi, sobre violência sexual. Num comunicado de imprensa, o festival afirmou que pretende que a exibição “dê ressonância a estes testemunhos”.

No mês passado, o ator Gérard Depardieu foi levado sob custódia policial por agressão sexual e foi anunciado que enfrentará um julgamento criminal em outubro pelas alegadas agressões sexuais em 2021 de duas mulheres.

A 77ª edição do Festival de Cinema de Cannes começa na terça-feira, 14 de maio, e vai até sábado, 25 de maio. David Mouriquand – Reino Unido in “Euronews.culture”


quinta-feira, 25 de abril de 2024

França - Cannes, cinema iraniano e mulheres iranianas

Quando li no site Variety e vi no Le Monde a escolha de um novo filme do cineasta iraniano Mohammad Rasoulof para a competição no Festival de Cinema de Cannes, A Semente da Figa Sagrada, me lembrei imediatamente do Festival de Berlim em 2020, do lugar onde estava sentado com minha esposa, do cinema repleto e da projeção do filme iraniano There is no Evil, de Rasoulof. E me lembrei também da mochila que alguém colocou ao meu lado no corredor - eu estava na ponta de uma fileira de lugares - me deixando tenso com receio da mochila explodir. O filme ganhou o Urso de Ouro!

Mohammad Rasoulof não pôde estar presente à projeção do seu filme e nem pôde ir a Berlim para receber o prêmio máximo do Festival, o Urso de Ouro. Como recompensa a essa conquista, Mohammad foi preso alguns dias depois e a imprensa internacional publicou, eu inclusive no Brasil, o risco de Rasoulof ser contaminado com o vírus do Covid na prisão.

Naquele Festival havia um filme brasileiro, um dos últimos a participar de competição internacional nos festivais de cinema, em consequência da censura ou cortes de verba para a Ancine e para produtores. Era Todos os Mortos, de Caetano Gotardo e Marco Dutra, sobre a importação de negros da África para serem escravos no Brasil.

Nos corredores, me encontrava com a produtora Sara Silveira, inquieta com o futuro do cinema brasileiro sob o presidente Jair Bolsonaro, decidido a acabar com as subvenções para a cultura e forçar a privatização desse setor, sob o controle dos evangélicos dispostos a censurar toda manifestação cultural fora das quatro linhas da Bíblia. O cinema brasileiro vai se recuperar dos anos bolsonaristas. E o Irão deixará Mohammad Rasoulof ir a Cannes mostrar a semente sagrada?

Nos meus primeiros anos de exílio em Paris, quando frequentava a rue Saint Guillaume, onde fica a Sciences Po, ia sempre encontrar amigos na livraria Maspero, almoçar em um dos restaurantes universitários e discutir política brasileira, francesa e internacional nos cafés do Quartier Latin, todos nós éramos contra o Xá Rheza Pahlevi do Irão. Longe estaríamos de imaginar que a entrega do Irão ao aiatolá Khomeini iria levar à teocracia islâmica ou islamita, à antiga Pérsia, onde se perseguem cineastas e se matam mulheres por não se vestirem e nem cobrirem a cabeça como manda o Profeta.

Uma longa reportagem da BBC News Monde - Liberdade de expressão no Irão, lembrou como era a vida das mulheres no Irão antes da revolução islâmica, onde o uso do véu ou chador havia sido abolido em 1936. Alguém poderá arguir - e daí? A revolta contra o Xá era contra uma ditadura e contra o imperialismo americano.

É verdade, mas naquela época, ninguém pensou nas consequências diretas para as mulheres da chegada do aiatolá ao poder. E nem se imaginava ser uma revolução masculina. Essas consequências foram trágicas e não eram apenas questões de roupas, vestidos compridos, cobrindo braços e pernas, e o chador cobrindo os cabelos e a cabeça. Significou o retorno à uma situação de submissão e dependência total da mulher aos homens e ao sistema religioso. A restrição às mulheres ao acesso ao mundo cultural e profissional. Uma submissão de longe mais grave que a exigida pelos neopentecostalistas norte-americanos e brasileiros. 

Um site francês, Le Grand Continent, publicou logo após o assassinato da jovem iraniana Mahasa Jina Amini, por ter o véu mal colocado na cabeça, um depoimento-reportagem da escritora Sorour Kasmai sobre o tema Ser Mulher no Irão, o prefácio do seu livro Mulher, Sonho, Liberdade (editora Actes Sud) reunindo 12 histórias inéditas de mulheres no Irão. Sem esquecermos de Narges Mohammadi, prêmio Nobel da Paz, apodrecendo na prisão de Evin, no Irã, por seus combates contra a opressão das mulheres no Irão e pela promoção dos direitos humanos para todos.

Cineastas, mulheres... Outro dia, me surpreendi ao ver num dos canais do Youtube, num debate, três universitárias brasileiras falando do Irão mas se esquecendo ser uma teocracia onde as mulheres perderam todos seus direitos. Tive vontade de deixar uma mensagem, comecei a escrever, mas apaguei... Rui Martins – Suíça

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Rui Martins é jornalista, escritor, ex-CBN e ex-Estadão, exilado durante a ditadura. Criador do primeiro movimento internacional dos emigrantes, Brasileirinhos Apátridas, que levou à recuperação da nacionalidade brasileira nata dos filhos dos emigrantes com a Emenda Constitucional 54/07. Escreveu “Dinheiro sujo da corrupção”, sobre as contas suíças de Maluf, e o primeiro livro sobre Roberto Carlos, “A rebelião romântica da Jovem Guarda”, em 1966. Foi colaborador do Pasquim. Estudou no IRFED, l’Institut International de Recherche et de Formation Éducation et Développement, fez mestrado no Institut Français de Presse, em Paris, e Direito na USP. Vive na Suíça, correspondente do Expresso de Lisboa, Correio do Brasil e RFI.