Embora registe apenas pequenas
flutuações no número total, nos últimos anos, a estrutura das nacionalidades
dos cidadãos lusófonos que permanecem em Macau para trabalhar, na qualidade de
TNR, estudar, fazer negócios ou outros fins tem sofrido uma “reconfiguração”
evidente, indicam dados da DSEC facultados ao Jornal Tribuna de Macau. No final
de 2025, Macau acolhia 739 lusófonos não residentes. Enquanto o número de
portugueses não residentes tem vindo a diminuir de forma ininterrupta na última
meia década, Macau está a atrair cada vez mais cidadãos de outros países
lusófonos, por motivos profissionais, estudos ou actividades comerciais, como
brasileiros, moçambicanos, guineenses, angolanos, timorenses e equatoguineenses
Na
última meia década, exceptuando 2022, Macau tem contado anualmente com uma
média de sete centenas de cidadãos oriundos de países lusófonos, que permanecem
no território com o intuito de trabalhar, na qualidade de trabalhadores não
residentes (TNR), ou estudar. Além disso, alguns foram autorizados pelo Governo
a permanecer na RAEM durante um determinado período, tendo como objectivo a
realização de negócios, revelou a Direcção dos Serviços de Estatística e Censos
(DSEC) ao Jornal Tribuna de Macau.
Em
2022, Macau contabilizou 671 cidadãos lusófonos, não titulares de Bilhete de
Identidade de Residente (BIR), número que subiu para 739 no final do ano
passado, de acordo com os dados fornecidos a este jornal pela DSEC. Embora o
número total de membros dessas comunidades em Macau tenha registado apenas
pequenas flutuações nos últimos anos, a estrutura das nacionalidades está a
sofrer uma “reconfiguração” evidente.
Por um
lado, apesar de os portugueses não residentes, incluindo TNR, estudantes e
empresários, ainda representarem 50,6% dos lusófonos que permaneciam em Macau
no ano passado, o seu número total diminuiu de forma notória, de 512 para 374,
na última meia década, reflectindo uma quebra de quase 27%. A tendência
decrescente tem sido consistente, com o território a contar com 445, 435 e 412
portugueses sem BIR, respectivamente, em 2022, 2023 e 2024.
Em
sentido inverso, o número de cidadãos do Brasil, Moçambique, Guiné-Bissau,
Angola, Timor-Leste e Guiné Equatorial ilustra diferentes graus de subida ao
longo dos últimos cinco anos.
Entre
2022 e 2025, o número de brasileiros aumentou de 129 para 164, um acréscimo de
27%. Se fizermos uma comparação com 2021, os brasileiros não residentes em
Macau desceram de 151 nesse ano para 129 em 2022, mas voltaram a subir, de
forma contínua, resultando num acréscimo geral de 8,6% ao longo do intervalo de
cinco anos. Em 2023, registaram-se 146 e no ano seguinte 161.
Angola,
Moçambique e Guiné Equatorial são origens que reflectem tendências de aumento
consistentes e mais significativas. Em 2021 e 2022, anos inseparáveis dos
impactos da pandemia, Macau contava com apenas um e quatro angolanos,
respectivamente, tendo o número saltado para 29 em 2025. O número de
moçambicanos também seguiu uma trajectória ascendente, mais do que
quadruplicando de 11 em 2021 para 45 no ano transacto. Além disso, Macau
acolhia 12 equatoguineenses no final de 2025, contra apenas três em 2021.
Por
outro lado, o número de cidadãos da Guiné-Bissau quase duplicou de 16 para 31
ao longo do período em análise. Por seu turno, apesar de ter registado pequenas
flutuações, de um modo geral, o número de timorenses na RAEM subiu de 16 para
21, entre 2021 e 2025. Quanto aos cabo-verdianos, com excepção de 2022, o
número de pessoas deste país africano a viver em Macau tem oscilado em torno de
50 nos últimos anos, fixando-se em 49 em 2025. Por sua vez, o número de
são-tomenses tem diminuído continuamente desde 2023. Numa perspectiva geral,
baixou de 20 para 14 nos passados cinco anos.
Importa
referir que, desde há muitos anos, a Fundação Macau (FM) e a Direcção dos
Serviços de Educação e de Desenvolvimento de Juventude, o Fundo Educativo
(antes e depois da sua reestruturação) e as várias universidades locais têm
apoiado alunos oriundos dos países de Língua Portuguesa para prosseguirem
estudos no território, particularmente através da atribuição de bolsas, o que
tem constituído um impulso para os intercâmbios educativos entre Macau e os
países lusófonos.
De
acordo com o relatório da FM referente a 2024, noticiado por este jornal, o
organismo atribuiu nesse ano um total de 5,6 milhões de patacas a 31 bolseiros
oriundos de países lusófonos para estudarem no território. A par disso, ao
abrigo de antigos programas de apoios a estudos, foram concedidas ou renovadas
14 bolsas de estudo para estudantes de países lusófonos, tendo sido
distribuídos mais de 2,8 milhões de patacas por estudantes dessas origens.
Por
outro lado, dados estatísticos da Direcção dos Serviços para os Assuntos
Laborais referentes ao número de TNR por país ou território de emissão de
documento de identificação não especificam quantos TNR lusófonos se encontram
na RAEM, pois nem Portugal nem o Brasil estão entre as 18 principais fontes de
importação laboral. Na categoria de outros países ou territórios,
contabilizavam-se 797 TNR no final de Dezembro de 2025, uma subida de cerca de
49% em relação ao número anotado no período homólogo de 2021.
Olhando
para a vertente dos movimentos turísticos, dados da Direcção dos Serviços de
Turismo indicam que, após a pandemia, Macau recebeu 6013 visitantes portugueses
em 2023, tendo o número subido para 9985 em 2024 e 14.331 em 2025. Seguindo a mesma tendência em
alta, o volume de visitantes brasileiros chegados a Macau cresceu de 5625 em
2023 para 9658 em 2024 e 12.258
em 2025. Esse ritmo teve continuidade no presente ano, sendo que, nos primeiros
sete meses, o mercado de Portugal trouxe 8573 visitantes à RAEM, enquanto o do
Brasil contribuiu com 9356.
Função Pública junta 11% dos
residentes nascidos em Portugal
Ademais,
a DSEC indica que, segundo os Censos de 2021, nesse ano, Macau contava com um
total de 2213 pessoas nascidas em Portugal (2011 em 2016), incluindo 2182
titulares de BIR (1529 em 2016), para além de TNR e estudantes do exterior a
morar no território. Ao mesmo tempo, a população da RAEM integrava 8991 pessoas
de nacionalidade portuguesa, aquém das 9024 contabilizadas em 2016. Sem contar
com TNR e estudantes, havia ainda 8837 residentes com nacionalidade portuguesa,
contra 8419 em 2016. Segundo a DSEC, esses são os dados mais recentes.
Por
outro lado, estatísticas disponíveis na “Plataforma de Dados Abertos do Governo
da RAEM” mostram que, em 2021, o número de funcionários públicos que nasceram
em Portugal fixou-se em 244. Assim, calcula-se que representavam cerca de 11%
dos 2182 residentes da RAEM nascidos em Portugal. Já em 2025 o número de
funcionários públicos que nasceram em Portugal atingiu 226.
Noutro
ângulo, recorde-se que os dados mais actualizados da DSEC apontam que, entre
2011 e 2021, período em que a população local de Macau aumentou 16,6% para 550.374, o número de
residentes que dominavam a língua portuguesa subiu quase 20,7% para 14.939. Este número
representava apenas 2,71% do total dos residentes em 2021, sendo ainda assim
ligeiramente superior aos 2,62% anotados em 2011.
No
mesmo intervalo temporal, o número de habitantes locais que têm o Português
como língua corrente cresceu 3,96% para 3751. O grupo de residentes que falavam
Português no dia-a-dia correspondia a 0,68% da totalidade em 2021, aquém dos
0,76% registados em 2011. In “Jornal Tribuna de
Macau” - Macau

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