Um resultado histórico demonstra a capacidade da experiência XENON para detetar eventos ultrarraros e reforça o potencial deste sistema na investigação de neutrinos
Foi
divulgado um resultado histórico obtido pela colaboração internacional XENON,
que conta, entre os seus coautores, com a equipa portuguesa do Departamento de
Física da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra
(FCTUC), coordenada por José Matias Lopes.
As
medições agora apresentadas permitiram atingir, pela primeira vez, energias de
neutrinos tão baixas como 17 keV (quiloeletrões-volt), demonstrando uma
capacidade de deteção sem precedentes neste domínio.
Os
neutrinos estão entre as partículas mais abundantes do Universo e atravessam
continuamente a Terra. Originados, entre outros processos, nas reações
nucleares que ocorrem no Sol, milhares de milhões de neutrinos atravessam, a
cada segundo, cada centímetro quadrado da superfície terrestre, incluindo os
nossos corpos, praticamente sem interagir com a matéria, como luz a passar
através de um vidro transparente. Contudo, em ocasiões extremamente raras, um
neutrino pode interagir com a matéria e produzir um sinal passível de ser
registado por um detetor.
É
precisamente a capacidade de identificar sinais desta natureza que torna
particularmente relevante o resultado agora alcançado pela colaboração XENON.
As medições realizadas permitiram explorar, pela primeira vez, energias de
neutrinos tão baixas como 17 keV, abrindo novas possibilidades para o estudo
destas interações raras.
Instalada
no Laboratori Nazionale del Gran Sasso (LNGS), em Itália, a cerca de 1300
metros de profundidade, a experiência XENON foi concebida para a procura de
matéria escura. Ao longo das últimas décadas, tem desenvolvido e operado
sistemas de deteção capazes de identificar sinais extremamente raros.
Os
resultados agora divulgados, em conjunto com medições anteriores, confirmam a
capacidade do sistema XENON para detetar outros eventos ultrarraros, incluindo
interações de neutrinos.
Este
resultado evidencia, assim, o potencial dos sistemas de deteção XENON para
investigar fenómenos extremamente raros. É o resultado de mais de duas décadas
de desenvolvimento tecnológico de ponta que permitiram à colaboração XENON
notabilizar-se consistentemente pelos detetores com mais baixos níveis de
radiação de fundo (ruído, em linguagem comum) de toda a história humana.
Ao
tornar possível observar sinais cada vez mais ténues, estes instrumentos
desenvolvidos para a procura de matéria escura afirmam-se, também, como
ferramentas de referência no estudo de outras partículas e de fenómenos
fundamentais do Universo.
Os
resultados encontram-se publicados aqui. Universidade de Coimbra -
Portugal

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