Angola participou, este sábado, em Fort Monroe, nos Estados Unidos da América, na cerimónia de inauguração de um monumento dedicado a Antoni, Isabela e ao filho William, ancestrais da família Tucker e figuras ligadas à história dos primeiros africanos documentados que chegaram à Virgínia, no início do século XVII
Angola
esteve representada pelo ministro da Cultura, Filipe Zau, e pelo embaixador de
Angola nos Estados Unidos da América, Agostinho Van-Dúnem, acompanhados por
membros da comunidade angolana residente naquele país.
O
acto, realizado no âmbito das celebrações do African Landing 2026, constituiu
um momento de elevado significado histórico e simbólico, ao perpetuar a memória
dos africanos levados para a Virgínia em circunstâncias marcadas pela
violência, privação da liberdade e sofrimento, mas cuja trajectória representa
também resiliência, dignidade, sobrevivência e esperança.
Este
monumento em Fort Monroe reveste-se de particular importância pela ligação do
local à chegada, em 1619, dos primeiros africanos documentados à então colónia
inglesa da Virgínia, entre os quais se encontravam pessoas oriundas da região
que corresponde à actual Angola.
A
homenagem a Antoni, Isabela e William confere nomes e dimensão humana a uma
história com mais de quatro séculos. Através dos seus descendentes,
particularmente da família Tucker, essa memória permanece viva e constitui um
importante património histórico partilhado entre Angola e os Estados Unidos da
América.
Para
Angola, a história evidencia igualmente que os laços entre os dois países são
anteriores ao estabelecimento das relações diplomáticas formais. Antes da
diplomacia, já existia uma ligação humana e histórica construída pelas vidas e
pelo legado dos africanos que chegaram àquelas terras e dos seus descendentes.
A
participação de Angola nas celebrações do African Landing insere-se no esforço
de preservação e valorização da memória comum, bem como no aprofundamento do
conhecimento sobre as raízes históricas que unem os povos angolano e americano.
A
inauguração do monumento representa, assim, não apenas um acto de memória sobre
um dos períodos mais dolorosos da história, mas também uma afirmação da
capacidade humana de resistir, preservar a dignidade e transmitir, através das
gerações, um legado que o tempo não conseguiu apagar.
Mais
de quatro séculos depois, Fort Monroe mantém-se como lugar de memória e
reencontro com uma história que aproxima Angola e os Estados Unidos da América.
In “Jornal
de Angola” - Angola

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