Cidade
da Praia – O programa KORDA pretende reforçar a formação de jovens e crianças e
aumentar a oferta de espectáculos de artes performativas em Cabo Verde, através
de intercâmbios entre artistas cabo-verdianos e estrangeiros, disse a
organização.
A
iniciativa integra uma das linhas de programação da plataforma Kontornu,
dedicada à dança e às artes performativas, e surge da necessidade de promover
actividades para além do Festival Kontornu, principal evento da plataforma,
realizado anualmente no mês de Maio.
“Temos
de combater isso e, através desse programa KORDA, que no fundo é criar um laço,
uma ponte entre Cabo Verde e artistas do mundo todo”, explicou, em declarações
à Inforpress, o director da plataforma Kontornu, Djam Neguin, defendendo uma
programação artística mais regular ao longo do ano.
A
primeira edição do programa conta com os artistas brasileiros Ricardo Aparecido
e Karla Mendes e resulta de uma candidatura ao Programa Funarte de Conexões
Internacionais, através do qual o Ministério da Cultura do Brasil apoia
artistas brasileiros na realização de intercâmbios internacionais.
No
âmbito do intercâmbio, Ricardo Aparecido, cuja prática artística cruza dança
contemporânea e capoeira, trabalhou com mais de 20 crianças de um grupo de
capoeira de Ponta d’Água, na cidade da Praia, num workshop gratuito.
A
programação contempla ainda momentos de intercâmbio com praticantes de
capoeira, assim como um workshop orientado por Karla Mendes, marcado
para 03 de Setembro e dirigido sobretudo a jovens ligados a grupos de dança
afro.
O
ponto considerado alto da programação está agendado para 04 de Setembro, com um
espectáculo que permitirá ao público contactar com outras propostas e
linguagens ligadas à dança e às artes performativas.
Para
os promotores, a componente formativa assume particular importância num
contexto em que Cabo Verde ainda enfrenta limitações na oferta de formação
especializada e de espectáculos regulares neste domínio.
“Acreditamos
que cada vez que há uma possibilidade de aprender mais, aumentamos as nossas
capacidades como criadores”, sustentou o director, acrescentando que
proporcionar ao público o contacto com “outros espectáculos” e “outras formas
de dançar” contribui igualmente para o desenvolvimento do sector.
Na
perspectiva dos promotores, programas desta natureza beneficiam tanto os
criadores como a própria cidade, sobretudo pela possibilidade de formação de
jovens e crianças e pela diversificação da oferta cultural.
“Sabemos
que não temos escola de formação, sabemos que não temos oferta de espectáculos
na área das artes performativas. Então, cada vez que acontece um programa como
este, a cidade sai a ganhar e a área artística sai a ganhar”, salientou Djam
Neguin.
A
organização pretende dar continuidade ao KORDA, embora reconheça que a
realização das próximas edições dependerá da capacidade de estabelecer
parcerias e de acolher artistas que consigam financiamento para as suas
deslocações, uma vez que a estrutura não dispõe de financiamento permanente.
As
actividades desta edição são gratuitas, opção que, segundo os promotores, está
relacionada com a aposta na formação de públicos e na inclusão de jovens e
crianças que nem sempre dispõem de condições financeiras para participar em
iniciativas culturais.
O
programa KORDA decorre entre 27 de Agosto e 09 de Setembro e conta com o apoio
de entidades cabo-verdianas, brasileiras e portuguesas. In “Inforpress”
Cabo Verde

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