Empresários brasileiros e portugueses afirmaram, sexta-feira, que veem Cabo Verde como uma plataforma de negócios para a África Ocidental e apontam oportunidades nas tecnologias, turismo e energia, defendendo o reforço da cooperação empresarial entre os três países
“Temos
Cabo Verde como um ‘hub’ para desenvolver o arquipélago digital Teleport, que
vamos inaugurar na próxima semana, e que vai ser um grande centro de empresas
que estamos a atrair na área da tecnologia para servir não só” o arquipélago,
“mas também África e o mundo através do trabalho remoto”, afirmou o presidente
do Grupo Teletur do Brasil, Gildo Batista.
O
responsável falava durante o Fórum Empresarial Brasil–Cabo Verde–Portugal,
realizado na capital cabo-verdiana.
“Esta
é a nossa quarta missão a Cabo Verde. A Teletur quer organizar missões para
atrair empresários que queiram vir a Cabo Verde conhecer a natureza, as
paisagens, a gastronomia e, sobretudo, as pessoas”, afirmou, destacando também
a importância da retoma dos voos diretos entre os dois países.
“África
não precisa apenas de capital”, defendeu o empresário brasileiro, que apontou a
necessidade de o investimento ser acompanhado de tecnologia, conhecimento e
capacidade empresarial.
“O
desafio é transformar os recursos naturais em cadeias de valor, indústria,
emprego e riqueza no continente. Cabo Verde pode participar nessa transformação
através da economia azul, das energias renováveis, dos serviços, da logística e
da conectividade”, afirmou.
O
empresário português Pedroso Leal apontou oportunidades de cooperação com Cabo
Verde nas áreas do turismo, construção, novas tecnologias, segurança digital e
energias alternativas.
“Cabo
Verde é uma janela de oportunidade e de cooperação, onde os empresários dos
dois países podem obter benefícios mútuos através da partilha de tecnologias e
da nossa ligação com a Europa e com o mundo”, afirmou.
O
empresário acrescentou que há empresas portuguesas interessadas no turismo,
construção, novas tecnologias e segurança digital e apontou oportunidades no
setor das energias alternativas.
“Estamos
muito na área do turismo, da construção, das novas tecnologias e da segurança
digital. Estamos a olhar para as oportunidades que Cabo Verde precisa nas
energias alternativas, para construir a sua própria autonomia energética face
às suas necessidades. Entendemos que esta relação de proximidade faz com que,
no fundo, o oceano não nos separe”, afirmou.
O
presidente do conselho de administração do Fundo Soberano de Garantia do
Investimento Privado de Cabo Verde, João Fidalgo, destacou a necessidade de o
país aproveitar a localização geoestratégica para atrair investimento e ganhar
escala, apontando os transportes como “o maior desafio” de Cabo Verde.
“O
Fundo Soberano está aqui junto com o Brasil e Portugal, sobretudo para
estabelecer pontes, juntando empresários importantes das áreas de que Cabo
Verde necessita”, disse.
O
ministro da Coordenação de Projetos e Acesso a Fundos, José Carlos Varela,
defendeu a transformação da relação entre os três países num espaço de
investimento, conhecimento, tecnologia e emprego.
“É
nosso dever, nesta geração, transformar esta afinidade secular naquilo que ela
ainda não é plenamente: um espaço robusto de investimento, de empresas, de
conhecimento partilhado, de tecnologia e de emprego”, afirmou.
O
ministro apontou oportunidades nas áreas da água, agricultura, energias
renováveis, economia azul e digital, turismo, indústria, transportes,
logística, formação e inovação.
José
Carlos Varela defendeu que os investimentos devem trazer capital, tecnologia e
conhecimento, mas também gerar emprego, reforçar as empresas e criar riqueza no
país.
“Queremos
empresas que venham investir, parceiros que tragam conhecimento e tecnologia e
capital que gere riqueza. Queremos, acima de tudo, que essa riqueza se traduza
em empresas mais fortes, melhores empregos e mais oportunidades para os nossos
jovens”, afirmou. In “Bom dia Europa” - Luxemburgo

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