A
Fundação Fernando Leite Couto inaugurou em Maputo, a exposição fotográfica
“Momentos em que a natureza se revela”, de Pedro Couto, numa colecção que reúne
imagens captadas ao longo de vários anos em diferentes paisagens e áreas de
vida selvagem africana.
A
exposição marca a primeira apresentação pública do trabalho fotográfico de
Pedro Couto, profissional do Direito e fotógrafo autodidacta, cuja relação com
a fotografia nasceu de uma paixão de longa data pela natureza e pela vida
selvagem africana.
Nascido
na Beira, em 1971, Pedro Couto começou a fotografar ainda antes da era digital,
quando as imagens eram registadas em película. Ao longo dos anos, a prática da
fotografia ensinou-lhe, como explica, “a arte da paciência, da disciplina e da
observação atenta”, competências que se tornaram fundamentais na sua
aproximação à natureza.
Mais
do que documentar animais ou paisagens, o fotógrafo procura captar encontros
espontâneos e momentos irrepetíveis. Cada imagem resulta de uma experiência de
observação e espera, respeitando o ritmo próprio da natureza e evitando
interferir naquilo que acontece diante da objectiva.
“A
maior recompensa não é regressar a casa com uma fotografia, mas ter estado
presente quando a natureza decide revelar uma das suas incontáveis histórias”,
afirma Pedro Couto.
“Momentos
em que a natureza se revela” apresenta, assim, uma perspectiva marcada pela
contemplação, pelo respeito e pela consciência de que os diferentes elementos
dos ecossistemas estão profundamente interligados. Do pequeno insecto ao maior
mamífero, cada ser desempenha uma função no equilíbrio da vida selvagem.
As
fotografias apresentadas foram sujeitas apenas aos ajustamentos necessários
para recuperar luz, detalhe ou nitidez, mantendo-se, segundo o autor, fiéis às
cenas originais. A intenção é preservar não apenas aquilo que foi observado,
mas também a experiência e a emoção associadas a cada encontro.
A
exposição é igualmente uma homenagem à família do fotógrafo, cujo apoio foi
determinante para que uma paixão mantida durante anos no espaço privado pudesse
transformar-se numa apresentação pública. As viagens, o tempo dedicado à
observação e a espera pelo instante certo foram acompanhados pela confiança e
pelo incentivo familiar.
“Cada
fotografia desta colecção transporta, por isso, não apenas uma memória da
natureza selvagem africana, mas também o amor, a paciência e o incentivo da
família que tornou esses momentos possíveis”, escreve o fotógrafo.
Através
desta primeira exposição, Pedro Couto pretende partilhar com o público parte da
admiração e humildade que experimenta perante a natureza africana, contribuindo
também para uma maior valorização da biodiversidade e da responsabilidade
colectiva de preservar os ecossistemas para as gerações futuras. In “O
País” - Moçambique

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