Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)

terça-feira, 1 de setembro de 2026

UCCLA - Lança Prémio Nuno Krus Abecasis - Cidades UCCLA para distinguir projetos das cidades

A União das Cidades Capitais de Língua Portuguesa (UCCLA) lança, no dia 1 de setembro, a primeira edição do Prémio Nuno Krus Abecasis - Cidades UCCLA, criado para reconhecer, valorizar e divulgar projetos de mérito desenvolvidos pelas cidades que integram a organização.


Com periodicidade anual, o prémio homenageia Nuno Krus Abecasis, presidente da Câmara Municipal de Lisboa entre 1980 e 1990 e mentor da criação da UCCLA, instituição que, ao longo de quatro décadas, tem contribuído para o fortalecimento de relações duradouras entre cidades de língua portuguesa.

O galardão contempla quatro categorias - Cultura e Língua Portuguesa, Desenvolvimento Social, Transição Verde e Turismo -, correspondentes a áreas fundamentais da atuação da UCCLA e das suas cidades-membro.

Excecionalmente, nesta primeira edição, será atribuída apenas a categoria Cultura e Língua Portuguesa, destinada a distinguir uma cidade que tenha promovido ações de particular relevância nesta área, atendendo à sua especificidade, originalidade e projeção.

Podem candidatar-se todas as cidades efetivas, associadas ou observadoras da UCCLA. As candidaturas deverão apresentar, de forma sucinta, clara e fundamentada, a iniciativa que se pretende ver reconhecida, de acordo com os requisitos estabelecidos no regulamento.

Em 2026, as candidaturas decorrem entre 1 de setembro e 15 de novembro. A cidade vencedora será anunciada no dia 15 de dezembro.

Com a criação do Prémio Nuno Krus Abecasis - Cidades UCCLA, a instituição presta homenagem ao seu mentor e reafirma o compromisso de dar visibilidade às boas práticas, à capacidade de inovação e ao trabalho desenvolvido pelos seus membros em prol das respetivas comunidades. UCCLA

Aviso de abertura do Prémio Nuno Krus Abecasis - Cidades UCCLA

Regulamento do Prémio Nuno Krus Abecasis - Cidades UCCLA



Macau - James Chu apresenta sete anos de trabalho artístico no Lisboeta Macau

Sete anos de um mesmo gesto diário transformaram-se em escultura, instalação e matéria. A Associação Cultural da Taipa apresenta a partir de 16 de Setembro, no Lisboeta Macau, a exposição “A Prática do Tempo”, do artista James Chu. A mostra reúne obras que partem da caligrafia repetida ao longo do tempo sobre papel tridimensional e se expandem para outras linguagens, num percurso que cruza o património artesanal com a instalação contemporânea


O que acontece quando um gesto diário se repete durante sete anos? Se o tempo é, por definição, algo que escapa à fixação, James Chu encontrou uma forma de o capturar. Nesse lapso temporal, dedicou-se a uma labuta diária: escrever à mão textos em caligrafia chinesa durante 2556 dias. A nova colecção de trabalhos, que ocupa a galeria R70 do Lisboeta Macau até ao final de Novembro, procura concentrar o pensamento nesse gesto repetitivo do ofício e devolvê-lo ao público em formato físico. Esse exercício, aparentemente simples, está no centro da mostra que a Associação Cultural da Taipa apresenta a partir de 16 de Setembro.

A obra principal, uma escultura de papel tridimensional, materializa a passagem do tempo em apenas 260 caracteres, projectados em todas as direções. As páginas escritas ao longo dos mais de dois mil dias foram sobrepostas, transformando um texto breve numa estrutura física imponente, onde a linguagem se torna matéria para uma escultura. Na contínua repetição, o gesto tornou-se ritual, deixando de ser apenas escrita para ser lida. A disciplina Zen e a contrectação metódica, transformou o acto num registo visual sobre a própria passagem do tempo.

A exposição, que reúne caligrafia, escultura, instalação, técnicas mistas, luz e sombra, leva o visitante por uma proposta de contemplação. O percurso expositivo inclui várias obras criadas nos últimos 7 anos que ocupam o espaço de forma a “abrandar” o olhar.

João Ó, curador da exposição, explica que a mostra “considera como uma prática criativa contínua pode transformar um gesto simples numa experiência física e contemplativa”. Cada peça parece exigir tempo, e o tempo, por sua vez, parece dilatar-se perante a repetição e o detalhe. É nesse espaço entre o gesto e a sua repetição que a obra de James Chu encontra a sua força. A curadoria sublinha ainda que, em vez de apresentar as formas históricas da escrita e da criação como tradições fixas, a exposição aborda-as como “linguagens visuais em evolução”, onde a memória, o material, o tempo e a contemplação convergem.

Para lá da obra central escultórica, a exposição desdobra-se em suportes artísticos como grandes figuras em papel e mãos em escala ampliada, que foram produzidas recorrendo a técnicas artesanais tradicionais de património cultural imaterial, que dialogam com a linguagem contemporânea da instalação escrita. Os textos manuscritos são iluminados de forma a revelar a relação “entre a escrita, a transparência, a sombra e o espaço”. Noutras peças, também são utilizadas técnicas de pintura sobre tela e tijolos recuperados de construções antigas que cruzam-se com a delicadeza da obra mais recente, numa camada extra de leitura sobre o que é o tempo acumulado.

James Chu, natural de Macau, estudou gravura na Academia de Artes Visuais de Macau nos anos 90 e completou um mestrado em Estudos Culturais na Universidade de Lingnan, em Hong Kong, em 2008. A sua carreira inclui dez exposições individuais e mais de cem colectivas em vários países. Foi o artista seleccionado para representar Macau no Pavilhão de Macau da 54.ª Bienal de Veneza, em 2011, e já recebeu mais de 50 prémios internacionais. As suas obras fazem parte de colecções como a Fundação Macau, a Fundação Oriente, o Museu de Arte de Macau e a Philippe Charriol Foundation.

Para além da criação artística, Chu tem um papel activo na dinamização da cena cultural de Macau, sendo um dos fundadores do Macau Design Centre e coordenador do Macau Art Garden, e tem contribuído para a organização de mais de uma centena de exposições em cidades como Lisboa, Nova Iorque, Paris e Tóquio.

James Chu já tinha deixado pistas sobre a sua filosofia de trabalho. “Ser criativo todos os dias é difícil, mas ao mesmo tempo, gosto de desafios. […] Não esperes demasiado dos outros, pergunta sempre a ti mesmo primeiro. Tudo deve começar de dentro”, afirmou o artista em entrevista à Macau Lifestyle em 2016, resumindo a atitude que parece atravessar toda a sua prática, culminando neste trabalho actual.

A abertura oficial da exposição “A Prática do Tempo” está marcada para as 17h30 do dia 18 de Setembro. Fica patente até 27 de Novembro, com entrada livre, no piso L1 da R70, no Lisboeta Macau. O horário é das 12h00 às 20h00. Mais informações podem ser encontradas na página oficial da Associação Cultural da Taipa. A mostra leva consultoria artística da Impromptu Projects e conta com o patrocínio do Fundo de Desenvolvimento Cultural. Elói Carvalho – Macau in “Ponto Final”


China - Como a falta de mulheres faz homens caírem em fraudes

Aos 37 anos, Wang Zhuang quase havia perdido a esperança de encontrar uma esposa, até que viu anúncios de agências matrimoniais. Elas prometiam que ele não precisaria de perder anos a construir um relacionamento sem futuro e ofereciam-se para apresentá-lo a uma mulher recatada e dedicada.


“As agências disseram que as mulheres de Guizhou são frugais”, conta Wang. “Disseram que são boas em administrar uma casa, capazes de fazer os trabalhos domésticos e que as suas famílias são muito pobres. Por isso, depois de se casarem, elas estabelecer-se-iam e viveriam uma vida comigo”.

Então Wang viajou para Guiyang, cidade na província de Guizhou, no sudoeste da China, na esperança de encontrar a sua alma gémea. E realmente pensou tê-la encontrado quando foi apresentado a uma mulher que parecia preencher todos os requisitos.

Encontraram-se algumas vezes e acabaram por casar. Mas, quase tão rapidamente como a sua nova vida começou, tudo acabou. “A minha família inteira ficou num caos”, diz, balançando a cabeça. Ainda está a tentar recuperar-se mais de um ano depois de descobrir que era mentira tudo o que a esposa lhe havia dito. Afinal, ela trabalhava num karaoke, tinha-se casado três vezes, tinha três filhos, uma grave infecção sexualmente transmissível e estava profundamente endividada.

Agora, Wang luta pelo divórcio e não pode retomar a sua antiga vida, pelo menos até recuperar parte das economias, que, segundo ele, pagou à agência poucas horas depois de ser apresentado a várias pretendentes em potencial. “Os meus pais culpam-me. Tenho insónias e ansiedade. Não consigo concentrar-me no trabalho”, conta.

A história de Wang é um sintoma extremo da crise demográfica que se formou na China. Durante décadas, o Partido Comunista decretou que os casais só poderiam ter um filho. Reverteu essa decisão em Janeiro de 2016, mas, até então, a política do filho único, juntamente com a preferência por meninos, produziu um número cada vez menor de mulheres e um gritante desequilíbrio de género.

Agora, há 30 milhões de homens a mais do que mulheres no país. Isso deixou homens como Wang, que estão perto dos 40 anos e vivem em cidades menores ou áreas rurais remotas, com poucas opções. As mulheres nesses locais podem dar-se ao luxo de ser exigentes, pois sabem que são desejadas.

“Os requisitos para os homens são muito altos na minha cidade. Precisam de ter um carro, uma casa e a família deve ter um negócio”, queixa-se.

Muitas famílias também exigem um alto “preço da noiva”, um antigo costume chinês em que a família do noivo dá dinheiro à noiva. Nalgumas partes da China, onde os homens superam em muito o número de mulheres, isso tornou-se um fardo financeiro significativo.

Daí o apelo de agências de encontros como as de Guizhou, que propõem uma solução rápida e completa, um “casamento relâmpago”.

O ramo de encontros não é novidade na China, mas muitas agências parecem ter encontrado alvos vulneráveis em homens que têm dificuldade em encontrar parceiras à medida que envelhecem. Tanto que a mídia estatal noticiou recentemente que o sector teve um “crescimento rápido” que “gerou práticas ilegais e caos”.

É difícil determinar a dimensão desse tipo de fraude em toda a China, mas ela cresceu o suficiente para chamar a atenção das autoridades chinesas.

No entanto, Wang estava convencido de que podia confiar na agência depois de esta garantir fazer uma verificação completa de antecedentes e que ele teria direito a indenização caso fosse vítima de fraude. Então, ele pagou, e as apresentações começaram.

Wang conheceu sete mulheres em diferentes salas de “encontros às cegas” ao longo de alguns dias, sob a supervisão atenta da equipa da agência. Fazia perguntas sobre a origem delas, se já haviam sido casadas e se tinham filhos.

Ele apaixonou-se pela oitava mulher que conheceu. Ela vestia-se de forma muito simples, “parecia introvertida e honesta”, lembra.

Encontraram-se quatro ou cinco vezes, por apenas oito a 10 minutos cada vez. Wang diz que receberam instruções rigorosas para não trocarem números de telefone ou quaisquer detalhes em mensagens privadas, sob pena de serem multados.

Depois de dois ou três dias, Wang decidiu que ela era a pessoa certa e concordou em pagar um dote substancial. “Gastei mais de 300 mil yuans”, diz, com uma pilha de documentos legais na mão para comprovar. “Se incluir o banquete de casamento e tudo mais, gastei entre 400 e 500 mil yuans”.

Porém, apenas alguns meses após o casamento, cobradores de dívidas começaram a ligar, alegando que ela lhes devia dinheiro. Wang ficou desconfiado e quis saber o que mais ela lhe escondera. No telemóvel dela encontrou detalhes da sua vida anterior como a certidão de nascimento e documentos de um casamento anterior.

Quando a confrontou, ela ofereceu-lhe o divórcio, mas recusou devolver um único centavo do dote. Quando voltou ao escritório, a agência tinha desaparecido.

Agora, Wang passa o tempo a fazer vídeos para as redes sociais, tentando alertar outros homens. E encontrou outros homens que também caíram na fraude. In “Jornal Tribuna de Macau” – Macau com “Agências internacionais”


Macau - Jardim Infantil da Caritas integrado na Escola São João de Brito

O Jardim Infantil da Caritas passa a integrar a Escola São João de Brito, também da Caritas, a partir de hoje, revelou o secretário-geral da instituição. Assim, os alunos matriculados no jardim de infância vão poder passar directamente para a secção inglesa do ensino primário da escola. Simultaneamente, a escola abriu mais uma turma para o 1.º ano do ensino secundário geral, da secção inglesa, em resposta à carência de vagas do género no território


A partir de hoje, no arranque do novo ano lectivo, o Jardim Infantil da Caritas, com uma história de 30 anos, passa a integrar a Escola São João de Brito, estabelecimento de ensino católico da mesma instituição que completou quatro décadas de funcionamento, revelou Paul Pun, secretário-geral da Caritas e presidente dos Comités de Gestão das duas unidades de ensino.

A transformação do agora designado Jardim Infantil da Caritas Afiliado da Escola São João de Brito representa um processo de “integração”, “o desenvolvimento de uma nova área” e o início do “funcionamento integrado”, afirmou ao Jornal Tribuna de Macau.

Paul Pun explicou que a instituição aproveitou os aniversários dos dois estabelecimentos de ensino para concretizar a integração, trabalho que coincidiu com a tarefa de fusão de escolas que tem sido preconizada pelo Governo. Recorde-se que o director dos Serviços de Educação e de Desenvolvimento da Juventude, Kong Chi Meng, revelou que, entre nove e 11 escolas estariam disponíveis para fusão ou transformação, prevendo que quatro unidades escolares tenderiam a fundir-se no ano lectivo 2026/2027.

Para Paul Pun, uma das vantagens da integração reside no facto de os alunos matriculados no jardim de infância poderem passar directamente para a secção inglesa do ensino primário da Escola São João de Brito. Isso “facilita pouco a pouco os estudantes e os seus pais que decidam escolher a secção inglesa”, até porque as propinas adoptadas por esta secção não seguem os padrões das escolas internacionais. “As propinas são mais acessíveis e adequadas para as famílias comuns de Macau”, vincou.

Além do aspecto pedagógico, Paul Pun também mencionou a vantagem dos contactos e interacções interculturais entre alunos de diferentes nacionalidades da secção inglesa, incluindo com várias culturas europeias. Actualmente, esta secção conta com alunos de mais de 10 países e regiões.

Concomitantemente, a Escola São João de Brito abriu mais uma turma para o 1.º ano do ensino secundário geral, da secção inglesa, em resposta à escassez de vagas para esta fase de ensino em Macau.

Ao mesmo tempo, “recorremos à inteligência artificial e à programação, apostando no pensamento lógico, nas actividades lectivas do jardim infantil”, indicou Paul Pun, assumindo a intenção de “melhorar gradualmente os resultados da escola nos trabalhos relacionados com o Exame Unificado de Acesso”, para que os alunos possam prosseguir os estudos na universidade.

Reunindo centenas de alunos no total, a Escola São João de Brito dispõe das secções chinesa, inglesa e nocturna. Segundo o secretário-geral da Caritas, a escola não possui condições para abrir uma secção portuguesa, sobretudo devido ao reduzido espaço físico. “Não é que não queiramos ter [a secção de] Português. Cada turma conta com duas dezenas de alunos e as salas de aula são pequenas”, lamentou.

O responsável destacou que, nesta escola da Caritas, as interacções com os alunos portugueses e o interesse fomentado através deste tipo de contacto também constituem um aspecto que propicia o desenvolvimento dos estudantes.

Por outro lado, Paul Pun realça o apoio concedido pelo Fundo Educativo, que permitiu concluir a renovação das salas de aula e a remodelação das casas de banho, entre outras obras de optimização. In “jornal Tribuna de Macau” - Macau