A Escola Portuguesa deu hoje início ao ano lectivo 2026/2027, apresentando como novidade o novo director, João Miguel Gonçalves, que concluiu o curso obrigatório da DSEDJ, podendo assim exercer oficialmente as funções. O Ministro português da Educação, Ciência e Inovação havia prometido uma “transição suave” e o certo é que o período de hiato na direcção do estabelecimento de ensino praticamente não existiu. O novo responsável deu as boas-vindas aos alunos, acompanhado pelo seu antecessor, Acácio de Brito. A EPM terá este ano 824 estudantes, mais 14 do que em 2025/2026
Uma
‘velha’ escola com um novo director. É assim que se apresenta hoje, no primeiro
dia de aulas, a Escola Portuguesa de Macau (EPM), estabelecimento de ensino não
superior de referência da língua de Camões no território. A grande novidade
para o ano lectivo 2026/2027 é a liderança da direcção da EPM, agora sob
responsabilidade de João Miguel Gonçalves.
Para
que o novo director pudesse oficialmente exercer o cargo, era necessário que
participasse no curso promovido pela Direcção dos Serviços de Educação e
Desenvolvimento da Juventude (DSEDJ). O programa de formação específica,
habitualmente conhecido como “Acção de Formação para Preparação de Directores
das Escolas”, foi concluído no final de Agosto, cerca de 15 dias após a chegada
de João Miguel Gonçalves ao território.
Para o
acto de apresentação, que assinala o arranque do ano lectivo 2026/2027 na EPM,
o novo director esteve ladeado pelo seu antecessor, Acácio de Brito, que
acompanhou em Macau o período de adaptação da nova chefia, tendo posteriormente
viajado para Angola, onde vai assumir a direcção da Escola Portuguesa de
Luanda. Regressa agora ao território, apenas por alguns dias, para se envolver
no arranque do ano lectivo da EPM, escola onde permaneceu como director entre
Novembro de 2023 e Agosto de 2026.
Com a
disponibilidade total de João Miguel Gonçalves, em termos de assumpção oficial
do cargo, cumpre-se a “transição suave” prometida pelo Ministro da Educação,
Ciência e Inovação de Portugal, Fernando Alexandre, em declarações proferidas
em Macau, em Junho deste ano, altura em que tornou pública a decisão de
substituir Acácio de Brito. Na verdade, desde o anúncio da saída de um e a
entrada do outro, o hiato na direcção da EPM praticamente não existiu.
A
escola começa este ano lectivo com 824 alunos, mais 14 do que em 2025/2026.
Embora signifique um ligeiro aumento (cerca de 1,7%) em termos anuais, não
deixa de confirmar a tendência registada nos últimos anos.
Para o
presidente da Associação de Pais e Encarregados de Educação (APEP), “isto é
motivo de orgulho para a EPM, porque significa que continua a ser uma escola
com procura, à qual os encarregados de educação dão valor e, portanto, por este
motivo, querem ali inscrever os seus educandos”. Filipe Figueiredo enfatizou
que o constante aumento de estudantes na EPM “é um orgulho para a escola, uma
vez que a diferencia de grande parte dos outros estabelecimentos de ensino, que
têm problemas com o número de alunos”.
Segundo
informações fornecidas ao Jornal Tribuna de Macau por João Miguel Gonçalves, a
EPM terá, no ensino básico, 280 alunos no 1º ciclo, 177 no 2º e 219 no 3º,
enquanto o ensino secundário contará com 148. O número de alunos que entram
para o primeiro ano, portanto os mais pequenos, é de 66.
Por
outro lado, no horizonte dos 824 alunos que estudarão este ano na escola de
matriz lusa, 267 não têm o português como língua materna, o que significa 32,4%
do número total. A dificuldade destes alunos em se expressar em português levou
a EPM a criar em Julho deste ano um curso de Verão, no sentido de uma melhor
aprendizagem dos que entram pela primeira vez.
Professores cobrem todas as
disciplinas
No que
concerne ao quadro de professores, será de 83. “Temos todos os professores para
iniciar o ano lectivo”, disse ao JTM o novo director, o qual presidiu à
tradicional reunião geral de apresentação com a maioria do corpo docente, que
teve lugar no dia 1 de Setembro no anfiteatro da escola, com direito a
fotografia de grupo publicada no sítio da EPM,
com a seguinte legenda: “Agora é tempo de partilhar ideias e preparar cada
detalhe para receber os nossos alunos com a excelência de sempre”.
Filipe
Figueiredo considera ser “o ideal” começar o ano sem falha de professores,
depois de algumas dificuldades nos últimos anos. “O problema maior foi há dois
anos, mas desta feita não há falhas”, diz, recordando que “saíram cinco e
entraram cinco”.
Numa
óptica de antevisão do novo ano lectivo, o JTM registou a opinião de alguns
docentes, tendo todos preferido não divulgar os seus nomes.
Uma
professora do 1º ciclo disse que a expectativa para este ano é “fortalecer a
ponte entre professores, alunos, famílias e comunidade”, acrescentando que,
“quando existe cooperação e confiança mútua nessa relação, as crianças e os
jovens sentem-se mais seguros para arriscar e evoluir”. Assegurou estar “pronta
para trabalhar em equipa, como tenho feito ao longo dos anos, e fazer deste um
ano equilibrado, exigente e recompensador”.
Um
professor de educação física referiu que “num tempo de mudanças rápidas e de
exigências crescentes, cabe à escola e a nós professores não apenas ensinar,
mas também inspirar, questionar e preparar para a vida; e é com esse
compromisso, feito de responsabilidade, ambição e confiança, que a comunidade
educativa inicia mais uma etapa de um caminho que nunca está verdadeiramente
concluído”. Para o ano lectivo que se avizinha, espera ter “muita inspiração e
muitas conquistas”.
Por
seu turno, uma docente do Departamento de Línguas expressou que “cada novo ano
lectivo abre portas a aprendizagens renovadas e a desafios que nos fazem
crescer como comunidade escolar”. Observou também que os professores entram
neste ciclo “com esperança e motivação, certos de que a escola se reinventa
continuamente para responder às necessidades dos alunos e valorizar o trabalho
dos professores”.
A
concluir, desejou que este ano “seja marcado por aprendizagens significativas,
pelo reconhecimento do esforço docente e pela construção de uma comunidade
inclusiva, resiliente e inspiradora”.
Também
em jeito de antevisão do ano lectivo, Filipe Figueiredo espera que comece sem
problemas. “O que é desejável é que esteja tudo organizado para arrancar, e
julgo que assim vá acontecer”, afirmou.
Costa Nunes iniciou com um
total de 155 crianças
O
Jardim de Infância D. José da Costa Nunes começou o ano lectivo dias antes da
EPM, como é habitual. Na passada quinta-feira abriram-se as portas para receber
os alunos, com destaque para os que entram pela primeira vez, os K1 como são
designados.
Esse
grupo é constituído por 45 crianças, distribuídas por duas turmas. “No primeiro
dia tivemos aqui os pais e as famílias para uma reunião, que teve uma boa
participação”, disse ao nosso jornal a directora do estabelecimento de ensino,
Felizbina Gomes.
Na
página do Facebook
da escola pode ler-se: “as nossas salas ganharam cor e vida outra vez! Que
alegria receber os nossos pequenos de volta para mais um ano incrível no nosso
Jardim de Infância. Juntos, escola e família, vamos construir memórias
inesquecíveis e transformar cada dia numa grande aventura de aprendizagem. Aqui
vamos nós!!!”
O
Costa Nunes conta este ano com 155 alunos, menos 30 do que em 2025/2026 (185).
“A redução já era expectável, por causa da diminuição da natalidade”, indicou a
responsável do Jardim de Infância, adiantando ser um número razoável face às
circunstâncias.
“Temos
agora é que pelo menos manter para os próximos anos, o que também significará a
manutenção da equipa de trabalho, mas logo veremos aquando das inscrições que
decorrem sempre em Janeiro, para depois os pais escolherem [confirmarem] em
Maio”, sustentou.
O
Jardim de Infância apresenta este ano oito turmas do ensino regular e uma do
ensino especial, esta com três crianças, quando no ano passado eram cinco. No
que diz respeito aos educadores, serão 16, integrados no número geral de
funcionários da escola (43), incluindo a direcção. “No ano passado eram 54, mas
tivemos de fazer uma redução em todo o pessoal”, lamentou a responsável.
Perspectivando
o novo ano lectivo, Felizbina Gomes espera que “corra bem em toda a comunidade
educativa”, garantindo que a escola que dirige vai fazer tudo o que estiver ao
seu alcance, no sentido de “contribuir para o melhor possível das nossas
crianças”. Vítor Rebelo – Macau in “Jornal
Tribuna de Macau”

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