Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)

segunda-feira, 7 de setembro de 2026

Macau – Escola Portuguesa de Macau inicia ano com ligeira subida de alunos e novo director já em funções

A Escola Portuguesa deu hoje início ao ano lectivo 2026/2027, apresentando como novidade o novo director, João Miguel Gonçalves, que concluiu o curso obrigatório da DSEDJ, podendo assim exercer oficialmente as funções. O Ministro português da Educação, Ciência e Inovação havia prometido uma “transição suave” e o certo é que o período de hiato na direcção do estabelecimento de ensino praticamente não existiu. O novo responsável deu as boas-vindas aos alunos, acompanhado pelo seu antecessor, Acácio de Brito. A EPM terá este ano 824 estudantes, mais 14 do que em 2025/2026


Uma ‘velha’ escola com um novo director. É assim que se apresenta hoje, no primeiro dia de aulas, a Escola Portuguesa de Macau (EPM), estabelecimento de ensino não superior de referência da língua de Camões no território. A grande novidade para o ano lectivo 2026/2027 é a liderança da direcção da EPM, agora sob responsabilidade de João Miguel Gonçalves.

Para que o novo director pudesse oficialmente exercer o cargo, era necessário que participasse no curso promovido pela Direcção dos Serviços de Educação e Desenvolvimento da Juventude (DSEDJ). O programa de formação específica, habitualmente conhecido como “Acção de Formação para Preparação de Directores das Escolas”, foi concluído no final de Agosto, cerca de 15 dias após a chegada de João Miguel Gonçalves ao território.

Para o acto de apresentação, que assinala o arranque do ano lectivo 2026/2027 na EPM, o novo director esteve ladeado pelo seu antecessor, Acácio de Brito, que acompanhou em Macau o período de adaptação da nova chefia, tendo posteriormente viajado para Angola, onde vai assumir a direcção da Escola Portuguesa de Luanda. Regressa agora ao território, apenas por alguns dias, para se envolver no arranque do ano lectivo da EPM, escola onde permaneceu como director entre Novembro de 2023 e Agosto de 2026.

Com a disponibilidade total de João Miguel Gonçalves, em termos de assumpção oficial do cargo, cumpre-se a “transição suave” prometida pelo Ministro da Educação, Ciência e Inovação de Portugal, Fernando Alexandre, em declarações proferidas em Macau, em Junho deste ano, altura em que tornou pública a decisão de substituir Acácio de Brito. Na verdade, desde o anúncio da saída de um e a entrada do outro, o hiato na direcção da EPM praticamente não existiu.

A escola começa este ano lectivo com 824 alunos, mais 14 do que em 2025/2026. Embora signifique um ligeiro aumento (cerca de 1,7%) em termos anuais, não deixa de confirmar a tendência registada nos últimos anos.

Para o presidente da Associação de Pais e Encarregados de Educação (APEP), “isto é motivo de orgulho para a EPM, porque significa que continua a ser uma escola com procura, à qual os encarregados de educação dão valor e, portanto, por este motivo, querem ali inscrever os seus educandos”. Filipe Figueiredo enfatizou que o constante aumento de estudantes na EPM “é um orgulho para a escola, uma vez que a diferencia de grande parte dos outros estabelecimentos de ensino, que têm problemas com o número de alunos”.

Segundo informações fornecidas ao Jornal Tribuna de Macau por João Miguel Gonçalves, a EPM terá, no ensino básico, 280 alunos no 1º ciclo, 177 no 2º e 219 no 3º, enquanto o ensino secundário contará com 148. O número de alunos que entram para o primeiro ano, portanto os mais pequenos, é de 66.

Por outro lado, no horizonte dos 824 alunos que estudarão este ano na escola de matriz lusa, 267 não têm o português como língua materna, o que significa 32,4% do número total. A dificuldade destes alunos em se expressar em português levou a EPM a criar em Julho deste ano um curso de Verão, no sentido de uma melhor aprendizagem dos que entram pela primeira vez.

Professores cobrem todas as disciplinas

No que concerne ao quadro de professores, será de 83. “Temos todos os professores para iniciar o ano lectivo”, disse ao JTM o novo director, o qual presidiu à tradicional reunião geral de apresentação com a maioria do corpo docente, que teve lugar no dia 1 de Setembro no anfiteatro da escola, com direito a fotografia de grupo publicada no sítio da EPM, com a seguinte legenda: “Agora é tempo de partilhar ideias e preparar cada detalhe para receber os nossos alunos com a excelência de sempre”.

Filipe Figueiredo considera ser “o ideal” começar o ano sem falha de professores, depois de algumas dificuldades nos últimos anos. “O problema maior foi há dois anos, mas desta feita não há falhas”, diz, recordando que “saíram cinco e entraram cinco”.

Numa óptica de antevisão do novo ano lectivo, o JTM registou a opinião de alguns docentes, tendo todos preferido não divulgar os seus nomes.

Uma professora do 1º ciclo disse que a expectativa para este ano é “fortalecer a ponte entre professores, alunos, famílias e comunidade”, acrescentando que, “quando existe cooperação e confiança mútua nessa relação, as crianças e os jovens sentem-se mais seguros para arriscar e evoluir”. Assegurou estar “pronta para trabalhar em equipa, como tenho feito ao longo dos anos, e fazer deste um ano equilibrado, exigente e recompensador”.

Um professor de educação física referiu que “num tempo de mudanças rápidas e de exigências crescentes, cabe à escola e a nós professores não apenas ensinar, mas também inspirar, questionar e preparar para a vida; e é com esse compromisso, feito de responsabilidade, ambição e confiança, que a comunidade educativa inicia mais uma etapa de um caminho que nunca está verdadeiramente concluído”. Para o ano lectivo que se avizinha, espera ter “muita inspiração e muitas conquistas”.

Por seu turno, uma docente do Departamento de Línguas expressou que “cada novo ano lectivo abre portas a aprendizagens renovadas e a desafios que nos fazem crescer como comunidade escolar”. Observou também que os professores entram neste ciclo “com esperança e motivação, certos de que a escola se reinventa continuamente para responder às necessidades dos alunos e valorizar o trabalho dos professores”.

A concluir, desejou que este ano “seja marcado por aprendizagens significativas, pelo reconhecimento do esforço docente e pela construção de uma comunidade inclusiva, resiliente e inspiradora”.

Também em jeito de antevisão do ano lectivo, Filipe Figueiredo espera que comece sem problemas. “O que é desejável é que esteja tudo organizado para arrancar, e julgo que assim vá acontecer”, afirmou.

Costa Nunes iniciou com um total de 155 crianças

O Jardim de Infância D. José da Costa Nunes começou o ano lectivo dias antes da EPM, como é habitual. Na passada quinta-feira abriram-se as portas para receber os alunos, com destaque para os que entram pela primeira vez, os K1 como são designados.

Esse grupo é constituído por 45 crianças, distribuídas por duas turmas. “No primeiro dia tivemos aqui os pais e as famílias para uma reunião, que teve uma boa participação”, disse ao nosso jornal a directora do estabelecimento de ensino, Felizbina Gomes.

Na página do Facebook da escola pode ler-se: “as nossas salas ganharam cor e vida outra vez! Que alegria receber os nossos pequenos de volta para mais um ano incrível no nosso Jardim de Infância. Juntos, escola e família, vamos construir memórias inesquecíveis e transformar cada dia numa grande aventura de aprendizagem. Aqui vamos nós!!!”

O Costa Nunes conta este ano com 155 alunos, menos 30 do que em 2025/2026 (185). “A redução já era expectável, por causa da diminuição da natalidade”, indicou a responsável do Jardim de Infância, adiantando ser um número razoável face às circunstâncias.

“Temos agora é que pelo menos manter para os próximos anos, o que também significará a manutenção da equipa de trabalho, mas logo veremos aquando das inscrições que decorrem sempre em Janeiro, para depois os pais escolherem [confirmarem] em Maio”, sustentou.

O Jardim de Infância apresenta este ano oito turmas do ensino regular e uma do ensino especial, esta com três crianças, quando no ano passado eram cinco. No que diz respeito aos educadores, serão 16, integrados no número geral de funcionários da escola (43), incluindo a direcção. “No ano passado eram 54, mas tivemos de fazer uma redução em todo o pessoal”, lamentou a responsável.

Perspectivando o novo ano lectivo, Felizbina Gomes espera que “corra bem em toda a comunidade educativa”, garantindo que a escola que dirige vai fazer tudo o que estiver ao seu alcance, no sentido de “contribuir para o melhor possível das nossas crianças”. Vítor Rebelo – Macau in “Jornal Tribuna de Macau”


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