Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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segunda-feira, 11 de abril de 2022

Macau - Universidade da Cidade de Macau quer potenciar papel da Região como plataforma sino-lusófona

As instituições ligadas à Universidade da Cidade de Macau publicaram conjuntamente um relatório de estudo intitulado “Investigação sobre o Papel de Macau como Plataforma nas Relações de Comércio e de Cooperação entre a China e os Países de Língua Portuguesa no Contexto da Iniciativa ‘Faixa e Rota’” na passada sexta-feira, no sentido de comemorar a realização da Reunião Extraordinária Ministerial do Fórum de Macau e o 41.º aniversário da instituição de ensino superior


Um relatório de estudo intitulado “Investigação sobre o Papel de Macau como Plataforma nas Relações de Comércio e de Cooperação entre a China e os Países de Língua Portuguesa no Contexto da Iniciativa ‘Faixa e Rota’” foi lançado, na passada sexta-feira, conjuntamente pelo Instituto para a Investigação dos Países de Língua Portuguesa (IROPC), Centro de Investigação ‘Uma Faixa, Uma Rota’ de Macau (MOCORRC) e o Centro de Investigação de Desenvolvimento Socioeconómico, ligados à Universidade da Cidade de Macau, para comemorar a realização da Reunião Extraordinária Ministerial do Fórum de Macau, bem como o 41.º aniversário da  Universidade da Cidade de Macau. Marcaram presença na reunião de imprensa o presidente e o vice-presidente do IROPC, Ip Kuai Peng e Francisco José Leandro, director do MOCORRC, Chao Peng, professor auxiliar Eusébio Chiahsin Leou, docente do curso da Língua Portuguesa, Pedro Paulo Pereira dos Santos, chefe do Gabinete de Gestão da Investigação, Sheng Jian, e pessoal de Investigação, Lisa Tang e Xiao Mingyu.

Para Ip Kuai Peng, desde a criação do Fórum para a Cooperação Económica e Comercial entre a China e os Países de Língua Portuguesa que a cooperação na área económica, comercial e de investimento entre a China e os Países de Língua Portuguesa se tornou mais alargada, e a relação de cooperação amigável luso-chinesa tem vindo a desenvolver-se constantemente. No entanto, “ainda há margem para a melhoria no âmbito da construção da plataforma de serviços de cooperação económica e comercial entre a China e os países de língua portuguesa em Macau”. O académico observou que, a título de exemplo, “há muito poucos casos de sucesso facilitados pela plataforma”, criticando a falta de aproveitamento máximo da plataforma em termos da reserva de quadros qualificados técnico-profissionais e dos serviços de circulação de informação. A este respeito, o académico sugeriu que, num contexto da iniciativa ‘Uma Faixa, Uma Rota’ e da construção da Área da Grande Baía Guangdong-Hong Kong-Macau, a RAEM deveria acompanhar o que a China necessita e fazer bom uso das suas próprias vantagens para se integrar na construção da Zona de Cooperação Aprofundada entre Guangdong e Macau em Hengqin e nas indústrias emergentes que Macau irá desenvolver, designadamente o sector financeiro com características próprias de Macau, de Medicina Tradicional Chinesa e saúde abrangente e de Cultura e Criatividade. Defende ainda que, através da concretização e aprofundamento da plataforma de Macau, os laços entre a China e os países lusófonos podem ser reforçados.

O presidente do IROPC adiantou que é importante Macau integrar o seu posicionamento como o plataforma luso-chinesa, desenvolver serviços financeiros característicos adoptando o modelo de economia de plataforma, aproveitar as novas oportunidades de desenvolvimento trazidas por indústrias emergentes, tais como a cooperação inovadora de ciência e tecnologia, transformação e actualização das indústrias transformadoras e construção de infraestruturas, e reforçar as trocas económicas e comerciais entre a China e os países de língua portuguesa. Além disso, Ip Kuai Peng defende que Macau deve tomar as PMEs como o “eixo”, inovando o modo de cooperação com estas e permitir que as PMEs de Macau participem nos projectos com maior dimensão apoiados pelo Fundo de Cooperação e Desenvolvimento China-Países de Língua Portuguesa. Desta forma, haveria uma promoção das PMEs de Macau para cooperarem com empresas estatais ou grandes empresas do interior da China para procurarem interesses mútuos e expandirem os seus negócios.

O académico considera que também é essencial aprofundar a cooperação entre o interior da China, Macau e os países de língua portuguesa no domínio da vigilância sanitária e dos serviços de saúde, recorrendo à cooperação regional e aos apoios populares como um elo de ligação para construir a “comunidade de destino comum da humanidade”. Desta forma, Macau poderá desempenhar um papel “importante” e “insubstituível” na relação entre a China e os países de língua portuguesa, promovendo assim a realização de uma diversificação moderada da economia, tornando-se num bom exemplo de abertura e cooperação ao abrigo da iniciativa ‘Uma Faixa, Uma Rota’, reforçando a influência doméstica e internacional de Macau, argumentou o professor.

Macau poderá destacar as suas vantagens como centro de compensação do renminbi

O relatório salienta que a conectividade financeira é um pilar importante para a construção da estratégia ‘Um Faixa, Uma Rota’. Segundo o estudo, Macau pode destacar as suas vantagens como centro de compensação do renminbi para os países de língua portuguesa, e irradiar os mercados regionais da Costa Oeste do Rio das Pérolas, incluindo países de língua portuguesa e espanhola e países abrangidos pela iniciativa ‘Uma Faixa, Uma Rota’. Com as características financeiras especiais de Macau, poderá ser assim formada a sua própria posição única entre as cidades financeiras vizinhas, promovendo o desenvolvimento de sinergias regionais.

Reforço no intercâmbio luso-chinês

O relatório menciona ainda que, em termos de intercâmbio cultural luso-chinês, Macau deve fazer bom uso das suas próprias vantagens para melhorar o mecanismo de coordenação e promoção do intercâmbio e cooperação internacional em artes e humanidades através da criação de actividades de intercâmbio diversificadas e da construção de plataformas de intercâmbio regular, de modo a promover o desenvolvimento comum através da aprendizagem mútua.

Em termos de ajudar os jovens na inovação e empreendedorismo, o relatório sugeriu que Governo da RAEM recorra ao “Centro de Incubação de Negócios para os Jovens” para dar o apoio aos jovens do interior da China, de Macau, e dos países de língua portuguesa, facilitando os procedimentos de iniciação dos seus negócios. Sugeriu também a implementação do “Programa de Intercâmbio de Inovação e Empreendedorismo para Jovens da China e dos Países de Língua Portuguesa” para promover a interacção entre jovens chineses e portugueses. Para além disso, e através da promoção da cooperação da área de tecnológica na geração mais nova, será aumentada a competitividade empresarial, destacando ainda a importância de se organizarem visitas de estudo regulares para jovens chineses e portugueses, agilizando a compreensão mútua sobre o ambiente de negócios da China e de Portugal.

Comunidade macaense e diásporas como força motriz

Para o vice-presidente do IROPC, Francisco Leandro, devido ao seu passado histórico, Macau conseguiu formar uma relação com países de língua portuguesa. A comunidade macaense e as diásporas de Macau podem usar as suas amplas redes interpessoais e base económica exterior para promover o intercâmbio entre o povo chinês e os países da língua portuguesa e a compreensão mútua entre as comunidades portuguesa e chinesa, bem como dos países abrangidos pela iniciativa ‘Uma Faixa, Uma Rota’.

Macau como um polo integrado

Chao Peng, director do MOCORRC, espera que Macau continue a expandir as suas funções de serviço da plataforma luso-chinesa, formando um polo integrado da plataforma luso-chinesa, do ponto de ligação entre os países abrangidos pela iniciativa ‘Uma Faixa, Uma Rota’ e da extremidade na costa Oeste da Área da Grande Baía. Através das refinadas funções de serviço, Macau poderá acompanhar o desenvolvimento da Zona de Cooperação em Hengqin e da iniciativa ‘Uma Faixa, Uma Rota’, referiu ainda Chao Peng. Para responder às necessidades de desenvolvimento dos países lusófonos e à necessidade de serviços comerciais, formou-se um centro de distribuição eficiente e pragmático de serviços de cooperação económica e comercial entre a China e os países lusófonos, e para melhorar o estatuto e a visibilidade de Macau como uma plataforma luso-chinesa num palco internacional.

Atracção e retenção de quadros qualificados técnico-profissionais

O professor auxiliar especializado em Relações Internacionais da Universidade da Cidade de Macau, Eusébio Leou, salientou que Macau, como elo de ligação para promover a iniciativa ‘Uma Faixa, Uma Rota’ e a plataforma luso-chinesa, e acompanhar o desenvolvimento da Área da Grande Baía e promover a diversificação moderada da economia local, necessita de uma reserva de quadros suficiente. Por um lado, é fundamental atrair e capturar os quadros qualificados técnico-profissionais, sobretudo os jovens “talentos” de Macau que tiveram experiência de estudo exterior equipados com competência e visão no sentido de fazer a ponte de comunicação entre a China e os países da língua portuguesa no âmbito de negócios e comércio para trabalhar em Hengqin e em Macau. Por outro lado, o docente considera indispensável valorizar os “talentos”, oferecendo garantias mais atractivas para proteger os quadros qualificados técnico-profissionais que estão presentes, de modo a assegurar os seus compromissos a longo prazo no esquema de construção da Área de Grande Baía e da plataforma luso-chinesa.

Aposta na educação de bilinguismo profissional

Para o professor de Língua Portuguesa, Pedro Paulo dos Santos, Macau deve fazer bom uso das instituições de ensino superior sob a égide da “Aliança para o Cultivo de Talentos Bilingues na China e em Portugal”, apostando mais na educação relativa à tradução luso-chinesa e à língua portuguesa, de modo a construir uma “Base de Formação de Quadros Bilingues de Chinês e Português”, bem como para integrar os currículos disciplinares de língua portuguesa aplicada ao comércio para que proporcione mais quadros qualificados jurídicos bilingues para a cooperação empresarial e comercial com os países de língua portuguesa.

Sheng Jian resumiu que, no contexto da actual construção da Área de Grande Baía, a cooperação constante entre a China e os oito países de língua portuguesa baseada em “confiança e reciprocidade mútua” é uma “manifestação prática do elevado nível de abertura na nova Era”, dizendo acreditar que Macau, como sede do Secretariado Permanente do Fórum para a Cooperação Económica e Comercial entre a China e os Países de Língua Portuguesa, sairá beneficiado com a diversificação moderada da economia. Dinis Chan – Macau in “Ponto Final”


terça-feira, 25 de janeiro de 2022

Internacional - O desenvolvimento da China fortalece os países de língua portuguesa


A China tem-se revelado um parceiro comercial da maior importância para os oito Países de Língua Portuguesa (PLP). Estas nações têm uma enorme diversidade geográfica, uns são continentais, outros são arquipélagos e estão dispersos por todos os continentes: na África estão cinco – Angola, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique e São Tomé e Príncipe; na Ásia está Timor-Leste; na América está o imenso Brasil; e na Europa está Portugal. Contudo, todos têm uma característica comum com a China, o facto de terem o oceano a uni-los e, nos últimos anos, todos têm vindo a celebrar acordos económicos significativos com este país. Estas características são importantes para os PLP explorarem, a seu favor, as respectivas participações na iniciativa chinesa “Uma Faixa, Uma Rota”.

Os PLP usufruem de vantagens concorrenciais, se beneficiando de um melhor acesso a financiamento, crédito e facilidades económicas da China, pelo facto de terem estreitas relações com a cidade chinesa de Macau (de origem portuguesa). Desde o regresso de Macau à China (criação da RAEM em Dezembro de 1999) que o governo central do país tem vindo a promover o desenvolvimento da região, nomeadamente, com a criação, em 2003, do Fórum para a Cooperação Económica e o Comércio entre a China e os Países de Língua Portuguesa, mais conhecido por Fórum Macau.

A importância do Fórum Macau foi expressamente destacada pelo presidente chinês, Xi Jinping, e pelo primeiro-ministro, Li Keqiang, nas duas reuniões realizadas com o Governo da RAEM, em Pequim, no passado dia 21 de Dezembro. Para além da integração de Macau no projecto da Grande Baía de Guangdong-Hong Kong-Macau (iniciativa que agrega 11 cidades, onde se incluem Macau e Hong Kong), o Governo central reforçou o apoio a Macau com o projecto da “Zona de Cooperação Aprofundada entre Guangdong e Macau em Hengqin”, iniciativa que pretende promover a diversificação e sustentabilidade das actividades económicas de Macau, para “contribuir para o novo avanço da integração de Macau no desenvolvimento” da parte continental da China. Tendo Xi Jinping referido que “a pátria é sempre o forte apoio para a manutenção da estabilidade e da prosperidade de Macau a longo prazo.

Deste modo, o Governo Central vai continuar a cumprir firme e escrupulosamente o princípio de Um País, Dois Sistemas’ e apoiar plenamente a diversificação adequada da economia” de Macau.

As trocas comerciais entre a China e os Países de Língua Portuguesa foram de US$167,565 mil milhões, entre Janeiro e Outubro de 2021, um aumento homólogo de 40,92%. As importações Chinesas dos Países de Língua Portuguesa foram de US$115,431 mil milhões, um aumento homólogo de 35,12%, sendo as exportações da China para os Países de Língua Portuguesa de US$52,134 mil milhões, correspondendo a 55,69% de aumento homólogo1. Podemos constatar que a balança comercial é, globalmente, muito favorável aos PLP, com um superavit de 63,297 mil milhões.

Os valores das trocas comerciais da China com os PLP colocam o Brasil em primeiro lugar, seguido de Angola, Portugal, Moçambique e com valores bem inferiores Timor-Leste, Guiné-Bissau, Cabo Verde e São Tomé e Príncipe.

Desde 2009 que o Brasil tem feito da China o seu principal parceiro comercial, quer ao nível das exportações, quer das importações, substituindo cerca de um século de primazia dos EUA. A imensidão continental do Brasil justifica que ocupe, isolado, o primeiro lugar nas trocas comerciais dos PLP com a China. Só as trocas do Brasil, entre Janeiro e Outubro de 2021, totalizam US$138,005 mil milhões, sendo a balança comercial favorável ao Brasil em US$51,774 mil milhões. Algumas previsões internacionais, nomeadamente do FMI, assinalam as potencialidades económicas do Brasil que, ao recuperar da grave crise pandémica, poderá ascender da actual situação de 12.ª maior economia do mundo, em termos de PIB, em 2020, para a 7.ª e mesmo, a médio prazo, para a 4.ª economia do mundo. Não é assim de estranhar que o Brasil tenha sido escolhido para integrar a plataforma de relacionamento internacional com a China – os Brics, que partilha com a Índia, a Rússia e a África do Sul.

O relacionamento da China com os Países Africanos de Língua Portuguesa acompanha o sucesso da China na África, o qual pode ser explicado com base em três principais razões: a China não é um novo parceiro, desde muito cedo que apoiou a independência dos países africanos do colonialismo europeu; a China não impõe a sua visão ou modelo político, como condição para apoiar o desenvolvimento dos países africanos, ao contrário dos governos dos EUA e da Europa; por fim, e não menos importante, os investimentos da China respondem às necessidades estruturais dos países que pedem esse apoio, investindo, nomeadamente, em infraestruturas essenciais ao desenvolvimento autónomo desses países. O comércio entre a China e a África atingiu US$167,8 mil milhões nos primeiros 11 meses de 2020, sendo Angola o terceiro maior parceiro comercial da China no continente africano.

Desde 2012 que a União Europeia deixou de ser o principal parceiro de África. A China é um dos mais importantes parceiros comerciais deste continente tendo, em 2009, ultrapassado os EUA e é o principal parceiro comercial da África do Sul (absorve 2/3 do capital chinês investido na África).

Apesar da pressão contra e ilegítima do governo dos EUA, Portugal e os Países de Língua Portuguesa integraram a Iniciativa Chinesa “Uma Faixa, Uma Rota”, o maior projecto mundial de comunicação intercontinental, de adesão voluntária e baseado no interesse comum dos países participantes.

Durante a visita de Xi Jinping a Portugal, em Dezembro de 2018, foram assinados 17 protocolos, entre os quais podemos destacar: a abertura de portos portugueses ao transporte marítimo chinês para a Europa e para a África; a abertura às novas tecnologias e ao apoio a centros de investigação científica dedicados ao Espaço e aos Oceanos.

Dando continuidade aos compromissos assumidos, Portugal foi o primeiro país da União Europeia a emitir obrigações do tesouro em Renminbi (Panda Bonds, em maio de 2019, cuja emissão foi um sucesso).

É nossa firme convicção, ser do interesse estratégico da Europa, de Portugal e de todos os países de língua portuguesa, reforçarem as respectivas Parcerias Estratégicas com a China (sem esquecer a Rússia e a Índia e, naturalmente, sem hostilizar a América). É neste contexto que a iniciativa “Uma Faixa, Uma Rota” se transformou num importante e consistente projecto para promover um mundo pacífico, através de uma rede de comércio ligando o Oriente e o Ocidente.

Portugal e a Europa devem rejeitar hostilizar a China, recusando o espírito de guerra fria ou de cruzada de nós (os “bons”, os “democratas” do Ocidente) contra os outros (os “maus” do Oriente, o papão do comunismo e da China).

É possível, é necessário, contar com a China para reforçar o espírito de confiança mútua entre os países, para o sucesso urgente no triplo combate, deste mundo globalizado, à pandemia da Covid-19, às alterações climáticas e à diminuição da iníqua partilha de riqueza.

1 Segundo as estatísticas dos Serviços da Alfândega da China, de janeiro a outubro de 2021,https://www.forumchinaplp.org.mo/pt/trocas-comerciais-entre-a-china-e-os-paises-de-lingua-portuguesa-de-janeiro-a-outubro-de-2021-foram-de-us167565-mil-milhoes/ Rui Lourido – Portugal in “Hoje Macau”


 

terça-feira, 21 de dezembro de 2021

Macau - Cantiga macaense do século XIX será apresentada num evento natalício em São Lázaro

Muitas tradições de folclore macaense foram-se perdendo no tempo e na memória colectiva, porém, uma cantiga tradicional de Macau intitulada “Bastiana” vai ser ressuscitada e incluída no evento natalício organizado pela associação Macau Music Arts Space (MMAS), no terraço do 10 Fantasia na Calçada da Igreja de São Lázaro de Macau 10. O evento acontece dia 26 de Dezembro, pelas 15h


“Iô quêrê pâ vôs, Bastiana, vôs quêrê pâ ôtro; Dêus lôgo cástigá, Bastiana, fazê vos sa ôlo tôrto”, diz a letra de “Bastiana”, uma música tradicional de Macau, já referenciada desde meados do século XIX. A canção de amor com letra em patuá fala das consequências divinas de amores não correspondidos que Deus castigaria fazendo-lhe “os olhos tortos”. A cantiga vai ser apresentada num evento natalício organizado pela associação Macau Music Arts Space (MMAS), coordenado pelo 10 Fantasia, o espaço da incubadora das indústrias criativas da Associação Promotora para as Indústrias Criativas na Freguesia de São Lázaro.

O evento intitulado “Jornadas da Cultura Musical – Carnaval de Natal e Ano Novo” pretende mostrar as culturas ocidentais e orientais, inclusive as várias músicas tradicionais do Natal e da véspera do Ano Novo, coros, bem como as gastronomias e tradições de diferentes países e regiões que participam no evento. O concerto terá lugar no dia 26 de Dezembro, das 15h às 18h30, no terraço do 10 Fantasia na Calçada da Igreja de São Lázaro de Macau 10.

A responsável da MMAS, Echo Chan, contextualizou que, em 2021, “sofremos de altos e baixos, da continuação da pandemia global, das circulações limitadas, da economia em baixa, a comunidade está repleta da ansiedade e frustração”. A organização acredita que neste momento “devemos apoiar-nos uns aos outros, para que superemos os tempos difíceis em conjunto”. Por conseguinte, a entidade organizadora pretende recorrer às músicas e artes transdisciplinares para reunir a força dos jovens empresários de Macau e da comunidade artística e animar a comunidade.

Para proporcionar um “ambiente relaxante e romântico”, no programa do evento incluem-se músicas e espetáculos, apresentados pelos coros locais de matriz portuguesa, coreana, filipina, e grupos artísticos de Macau. Além disso, estará disponível comida e bebida durante o evento, incluindo cerveja, vinho e especialidades natalícias. No recinto do evento poder-se-ão encontrar nove bancas a expor produtos de marcas locais como café, sabonetes artesanais de fragrâncias, doces e salgados, artesanato cultural. Os exportadores de Portugal e Itália apresentam também os seus produtos.

Echo Chan, também secretária-geral adjunta aposentada do Fórum de Macau, referiu que as músicas tradicionais, inclusivamente a canção tradicional macaense, vão ser apresentadas pelo coro da Fundação Rui Cunha. O espetáculo “Violino-Piano-Narrativa Trio” é outro destaque do evento, que será apresentado pela primeira vez no Carnaval de Natal, contando a história de Macau em forma de monólogo, interpretado por Jessie Ng e António Cheong, embaixadores culturais formados pelo Instituto Cultural de Macau.

O bilhete de entrada é 120 patacas por adulto, inclui todos os programas, comida e bebida gratuitas, e, quanto àqueles cuja idade não é superior a 18 anos, a entrada é gratuita, bem como a comida e bebida. Dinis Chan – Macau in “Ponto Final”


 

sábado, 18 de dezembro de 2021

Portugal - Observatório da China considera Macau essencial na ligação com a lusofonia

A RAEM é essencial nas ligações entre a China e a lusofonia devido à sua história, considerou ontem o presidente do Observatório da China. “Macau, é conhecido de todos na lusofonia, é um parceiro privilegiado” da China com os países de língua portuguesa, como “facilitador de negócios”, salientou Rui Lourido à agência Lusa.

O responsável do Observatório da China destacou o papel de Macau no âmbito do Fórum Macau – Fórum para a Cooperação Económica e Comercial entre a China e os Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa (PALOP) -, organização crucial na estratégia que liga a China à lusofonia através da iniciativa conhecida como “nova rota da seda”.

Na III Conferência Internacional de Cooperação Portugal–China, que decorreu em Lisboa, promovida pela Câmara de Cooperação e Desenvolvimento Portugal–China e o Observatório da China, Rui Lourido salientou que a China não é uma presença nova em África, uma vez que apoiou os movimentos de descolonização, inclusive nas antigas colónias portuguesas.

O responsável considerou que a China é dos maiores parceiros comerciais de África, tendo ultrapassado os Estados Unidos da América em 2009, sendo também o principal parceiro comercial da África do Sul. Rui Lourido explicou que o país não se interessa apenas por matérias-primas, mas também por indústria, serviços e infraestruturas.

O investimento directo chinês na indústria africana aumentou 9,9 por cento entre 2020 e 2021.

Contributo de peso

Segundo Rui Lourido, 20 anos após a entrada da China na Organização Mundial de Comércio, o país contribuiu cerca de 30 por cento para o crescimento mundial.

“A China mudou a estrutura do comércio multilateral, bem como a direcção dos fluxos de trocas globais. Fez aumentar a presença dos países emergentes no cenário económico internacional e beneficiou milhões de pessoas em todo o mundo. Foi benéfico para os países desenvolvidos, incluindo os Estados Unidos da América”, frisou Lourido.

Segundo os dados da alfândega chinesa, relativamente à relação entre a China e os Países de Língua Portuguesa, entre Janeiro e Agosto de 2020, o principal país com trocas comerciais é o Brasil, seguindo-se Angola, Portugal, Moçambique, Timor-Leste, Guiné-Bissau, Cabo Verde e São Tomé e Príncipe.

Foi ainda frisado que o rendimento de Macau vem do jogo, mas esta região defende a herança portuguesa, tendo áreas históricas protegidas pela UNESCO (Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura). In “Hoje Macau” - Macau

 

segunda-feira, 15 de novembro de 2021

Macau - Fórum quer reforçar intercâmbio cultural entre China e países lusófonos

Foi inaugurada, na passada sexta-feira, a 13.ª Semana Cultural da China e dos Países de Língua Portuguesa, organizada pelo Secretariado Permanente do Fórum de Macau. Na cerimónia, Ding Tian, secretário-geral adjunto do Fórum, garantiu que o organismo vai continuar a envidar esforços para promover o intercâmbio entre os povos sino-lusófonos. O responsável disse também que a pandemia veio enaltecer a importância da construção de uma “comunidade de futuro compartilhado para a humanidade”.

O responsável garantiu que o Fórum vai colaborar com as partes para fomentar o intercâmbio cultural entre o interior da China, Macau e os países de língua portuguesa.

No evento, foram ainda realizadas a apresentação dos vídeos sobre a cultura chinesa e dos países de língua portuguesa, a cerimónia de entrega de prémios do concurso de criação de vídeos promocionais sobre os países de língua portuguesa, bem como actuações de arte, dança e música da China e os países de língua portuguesa.

Mais de 180 estudantes, provenientes de mais de 20 instituições do ensino superior do interior da China, dos países de língua portuguesa e de Macau, candidataram-se ao concurso de criação de vídeos promocionais, submetendo 50 trabalhos no total. Após a avaliação e selecção, 23 equipas ganharam o prémio seleccionado e seis equipas ganharam o Prémio Vencedor.

Recorde-se que, segundo o 14.º Plano Quinquenal da China, no que diz respeito ao desenvolvimento do papel de Macau como Plataforma de Serviços para a Cooperação Comercial entre a China e os países de língua portuguesa, pretende-se adicionar nesta edição da semana cultural, novos elementos, tais como o ciclo de exposições artísticas “Policromias Lusófonas” e workshops, realizados ao vivo, mas também online através de uma plataforma virtual com 18 programas culturais de excelência, não só da China, mas de todos os países da comunidade de língua portuguesa. Joana Chantre – Macau in “Ponto Final”

 

segunda-feira, 1 de novembro de 2021

Macau - Artista brasileiro nas “Policromias lusófonas”


A exposição “O Homem e a Floresta”, de Reginaldo Pereira, está patente até 14 de Novembro no Complexo da Plataforma de Serviços para a Cooperação Comercial entre a China e os Países de Língua Portuguesa.

Incluída no programa “Policromias lusófonas” da 13ª Semana Cultural da China e dos Países de Língua Portuguesa, a mostra foi inaugurada na sexta-feira e “integra as diversas cores de uma forma superior ao seu entendimento”.

“É a sua alma em paz que faz toda essa fusão entre o Homem e a Floresta”, refere um comunicado do Gabinete de Apoio ao Secretariado Permanente do Fórum Macau. “Quando as várias cores se tocam e bailam aos sons dos pássaros e do riacho que corre, em palavras em favor das árvores, e animais, e da vida”, acrescenta, ao descrever o trabalho do artista brasileiro, que nasceu em 1971 e começou a sua trajectória artística enquanto autodidacta.

Em 1994 mudou-se para São Paulo e iniciou estudos na Academia Brasileira de Artes. Três anos depois, estabeleceu residência em Uberaba, Minas Gerais, onde ensina actualmente. Em conjunto com um grupo de alunos, abriu um estúdio e uma galeria de arte, onde pesquisa, estuda e ensina pintura a óleo sobre tela.

Desde 1992 que participa em diversas exposições colectivas e individuais, nomeadamente em Portugal e no Brasil. Durante o período da exposição, a Casa do Brasil irá organizar três workshops, nomeadamente de ensino do Samba. A mostra pode ser vista das 11:00 às 19:00 horas, excepto à segunda-feira. In “Jornal Tribuna de Macau” - Macau



 

segunda-feira, 27 de setembro de 2021

Macau - Governo promete apostar na cooperação em “campos emergentes” com países lusófonos


O Governo de Macau afirmou que quer apostar na cooperação em “campos emergentes” com os países lusófonos, no âmbito da criação do projecto da Grande Baía. A Grande Baía é uma região com mais de 80 milhões de habitantes que Pequim está a formar e que integra as regiões administrativas especiais chinesas de Macau e Hong Kong e nove cidades da província de Guangdong.

“No futuro, para além de incrementar a cooperação em campos tradicionais, como a economia, o comércio, o setor de convenções e exposições e infraestrutura, irá procurar proactivamente a cooperação em campos emergentes, como medicina tradicional chinesa, sector financeiro, as indústrias de alta tecnologia e protecção ambiental”, prometeu o chefe do Governo, Ho Iat Seng, durante uma reunião de líderes regionais, em Chengdu, na província de Sichuan.

Ho Iat Seng sublinhou que Macau pretende “maximizar o seu papel” como plataforma “de intercâmbio e cooperação, (…), aprofundando o intercâmbio cultural e a cooperação com os países de língua portuguesa e a Região do Pan-Delta do Rio [das Pérolas], bem como outras partes mundo”.

O Chefe do Executivo lembrou que vai ser realizada em outubro a reunião extraordinária ministerial do Fórum para a Cooperação Económica e Comercial entre a China e os Países de Língua Portuguesa e que o Governo de Macau “atribui grande importância à construção da plataforma de cooperação económica e comercial sino-portuguesa”.

No discurso, Ho Iat Seng salientou as potencialidades do novo projeto da zona de cooperação em Hengqin, que vai gerida por Macau e a província de Guangdong, o compromisso de contribuir para o desenvolvimento integrado das indústrias da região e a necessidade de ser reforçada no território a “consciência nacional e o patriotismo dos compatriotas de Macau no desenvolvimento” da China. In “Ponto Final” - Macau


 

quinta-feira, 23 de setembro de 2021

Macau - “Destruição da Humanidade”, uma exposição do artista guineense Ismael Hipólito Djata


Foi inaugurada na tarde de terça-feira a exposição “Destruição da Humanidade”, do artista guineense Ismael Hipólito Djata. Na cerimónia de inauguração esteve presente Casimiro Pinto, secretário-geral adjunto do Fórum de Macau, que salientou que o papel do ciclo de exposições “Policromias lusófonas” é o de promover o intercâmbio e a amizade entre a China e os países de língua portuguesa.

Foi inaugurada na terça-feira “Destruição da Humanidade”, uma exposição da autoria do artista da Guiné-Bissau, Ismael Hipólito Djata. A mostra insere-se no ciclo “Policromias lusófonas”, que integram a 13.ª Semana Cultural da China e dos Países de Língua Portuguesa, realizada pelo Secretariado Permanente do Fórum de Macau. “Destruição da Humanidade” pode ser visitada no Complexo da Plataforma de Serviços para a Cooperação Comercial entre a China e os Países de Língua Portuguesa até 10 de Outubro.

A exposição das pinturas de Ismael Hipólito Djata foca-se nos problemas socioculturais da actualidade. Segundo explica o comunicado oficial do Fórum de Macau, “a representação das figuras – as vibrações das cores utilizadas, os costumes, o momento – é de uma expressão muito variada e rica”.

As pinturas aproveitam o contraste entre a luz e a sombra para sugerir a profundidade dos planos, enquanto o tratamento destes sugere um “forte movimento, acentuado pela estrutura implícita das figuras humanas”. “Através do novo ponto de vista, os visitantes podem viajar por outros mundos, sentir a diversidade humana, conteúdo enriquecido e coexistência com harmonia da cultura da Guiné-Bissau”, diz a organização, acrescentando que a pintura de Ismael Hipólito Djata mostra que “a arte não tem fronteiras, nem raças, nem línguas”.

O artista formou-se na Universidade do Minho, em Portugal, é escritor, poeta, artista plástico, sendo um conhecido ilustrador na Guiné-Bissau. Ismael Hipólito Djata não só é membro da Bissau-Arte, Associação dos Artistas Plásticos da Guiné-Bissau, como ainda criou a associação Irmãos Unidos Arts; actualmente, também exerce função do Embaixador Urbano de ONU-HABITAL. O artista realizou exposições individuais em Guiné-Bissau e noutros países de África e da Europa, e participou em múltiplas exposições, bienais e encontros de artes plásticas, nacionais e internacionais. Djata foi premiado em vários concursos; as suas obras foram muito bem recebidas pelo público.

A cerimónia de inauguração da exposição contou com a presença de Casimiro Pinto, secretário-geral adjunto do Fórum de Macau, que no seu discurso lembrou o papel de Macau enquanto plataforma entre povos, culturas, economias e continentes, “entrelaçando Oriente e Ocidente”. Para o responsável do Fórum, o ciclo “Policromias Lusófonas” “ensina que o intercâmbio e a amizade entre a China e os países de língua portuguesa se consolida e qualifica com o conhecimento mútuo das suas culturas, e dos seus usos e costumes”. In “Ponto Final” – Macau 


 

quarta-feira, 8 de setembro de 2021

Macau – Divulgação de danças tradicionais moçambicanas como preparação para a Lusofonia

A Associação dos Amigos de Moçambique está a organizar workshops de cultura moçambicana com danças e jogos tradicionais. Coorganizado pelo Fórum Macau, o evento pretende proporcionar ao público de Macau uma viagem cultural a Moçambique


Esta sexta-feira e sábado prometem animação e ritmo de dança. A delegação de Moçambique do Fórum de Macau conjuntamente com a Associação dos Amigos de Moçambique, vão organizar os dois últimos dias de workshops integrados na 13.ª Semana Cultural da China e dos Países de Língua Portuguesa com uma mostra do que há de tradicional na dança em Moçambique.

Esta actividade vai realizar-se simultaneamente durante a exposição de obras do artista de Moçambique José Estevão Manhiça, no ciclo de exposições “Policromias lusófonas”. ”Nós realizámos o primeiro workshop no dia 4, depois temos mais dois no dia 10, das 18h às 20h, e outro no dia 11, das 15h às 17h”, começa por explicar ao Ponto Final a presidente da Associação dos Amigos de Moçambique, Helena Brandão. “Quem está a fazer a publicidade destes workshops é o Fórum de Macau, porém, quem quiser saber mais informações, a nossa associação tem uma página de Facebook com informações”, prosseguiu.

Helena Brandão explica que a associação foi convidada, como normalmente é, para as actividades dos países de Língua Portuguesa nesta altura de comemorações lusófonas. “Quando fomos convidados pediram-nos que o workshop se incidisse sobre temáticas realizadas com a identidade cultural de cada país. Relativamente ao facto de termos escolhido a dança foi porque nós só conseguimos a disponibilidade de momento. Com esta oportunidade, nós vamos apresentar danças tradicionais moçambicanas ao público de Macau”, referiu.

O grupo nomeado a executar os workshops este ano é o próprio grupo de dança de estudantes moçambicanos – Pérolas do Índico -, que foi formado o ano passado para a mesma ocasião, tendo até representado Moçambique nos palcos da Lusofonia. “Tivemos de formar este grupo devido à pandemia pois não podíamos receber nem convidar grupos profissionais de fora. Juntaram-se uns tantos estudantes que actuaram na Lusofonia e mantém-se até hoje, embora desfalcados, porque alguns já regressaram a Moçambique, tendo já cumprido os seus objectivos cá em Macau”, reitera.

O grupo é constituído por cinco raparigas que irão demonstrar estas três danças nos workshops. “A duração do workshop depende de vários factores, nomeadamente dos participantes, porque eles fazem a dança, que é de normalmente quatro ou cinco minutos, e o resto do tempo é passado com uma interacção entre os participantes e as nossas dançarinas. Elas explicam como se dança, convidam as pessoas a participar, e é nisto que consiste o nosso workshop”, resume Helena Brandão.

O primeiro dos três workshops “correu muito bem”, de acordo com Helena Brandão, com quase 30 participantes, com um excelente ‘feedback’. “Nós apresentamos a dança, falamos do que consiste e damos uma parte histórica da dança. Depois, há um interagir com os participantes, com explicações passo a passo”, explicou.

No primeiro dia foi feita a dança Tufo, que é a dança tradicional do norte de Moçambique. Os grupos de dança de Tufo compreendem entre 15 a 20 mulheres, que são acompanhadas por quatro homens ou mulheres com pandeiretas planas semelhantes a tambores. Todas as dançarinas cantam, mas há sempre uma cantora principal. Tradicionalmente, os dançarinos de Tufo dançavam enquanto estavam ajoelhados, movendo ritmicamente as metades superiores de seus corpos, mas recentemente a coreografia evoluiu e as dançarinas agora podem levantar-se e movimentar inteiramente os seus corpos. As músicas de Tufo são cantadas geralmente na língua macua. Os dançarinos devem usar lenços e capulanas correspondentes e cada dança requer o uso de uma nova capulana.

Na sexta-feira vai ser feita a dança dos guerreiros denominada Xigubo, que consiste no alinhamento de um determinado número de homens – dançarinos – em uma ou duas filas, devidamente adornados com objectos de fibras e peles nos braços e nas pernas, colares de sementes, entre outros signos, vestindo saiotes confeccionados com peles de animais, as quais se fazem acompanhar de um instrumento de defesa denominada xitlhango ou azagaia.

Finalmente, no sábado, vai ser ensinada a dança tradicional Marrabenta, que é a mais conhecida internacionalmente. O seu nome foi derivado da palavra portuguesa “rebentar” e incorpora vários ritmos folclóricos como os Magika, Xingombela e Zukuta, sendo também sujeita à influência ocidental. Foi desenvolvida em Maputo, a capital de Moçambique. Além das danças serão apresentados vários jogos tradicionais, como o jogo Pindjonce, o jogo Neca e o xadrez africano N’Tuxa. Joana Chantre – Macau in “Ponto Final”

joanachantre.pontofinal@gmail.com


quinta-feira, 2 de setembro de 2021

Macau - Moçambique em destaque na semana cultural

As obras do pintor moçambicano José Estêvão Manhiça vão estar patentes, a partir de sexta-feira, em Macau, no âmbito da 13ª Semana Cultural da China e dos Países de Língua Portuguesa


Denominada “Encontros diferentes”, esta exposição vai ser a quarta da série “Policromias lusófonas”, que visita vários domínios das artes plásticas de autores de Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe, Timor-Leste e Macau, de acordo com o sítio do Fórum para a Cooperação Económica e Comercial entre a China e os Países de Língua Portuguesa (Macau).

As obras expostas “representam diferentes fases da vida artística do autor”, que “crente do papel da convivência humana para o bem-estar da sociedade, busca também transmitir uma mensagem crítica e educativa que sirva de ensinamento às novas gerações”, pode ler-se no “site”.

Antes, passaram pela galeria do Complexo da Plataforma de Serviços para a Cooperação Comercial entre a China e os Países de Língua Portuguesa, as obras plásticas de Ana Jacinto Nunes (Portugal), Eduardo Bentub (Cabo Verde) e Guilherme Carvalho (São Tomé e Príncipe). Depois de Moçambique, segue-se a Guiné-Bissau com o pintor Ismael Hipólito Djata, entre 23 de Setembro e 10 de Outubro.

Os trabalhos de José Estevão Manhiça vão estar patentes até 19 deste mês, realizando-se ao mesmo tempo ‘workshops’ presenciais de danças (Tufo, Xigugo e Marrabenta) e de jogos tradicionais (Pindjonce, Neca e N’Txuvha), organizados pela Associação dos Amigos de Moçambique em Macau.

A 13ª Semana Cultural do Fórum de Macau decorre até 31 de Dezembro, em formato “offline” e “online”. In “Jornal Tribuna de Macau” - Macau


terça-feira, 10 de agosto de 2021

Macau - Fórum Macau promove estágios

Em conjunto com o Instituto Politécnico de Macau (IPM), o Gabinete de Apoio ao Secretariado Permanente do Fórum de Macau (GASPF) está a promover programas de estágio para formação de quadros. De acordo com a nota de imprensa, o GASPF assinou, no ano passado, um Acordo de Cooperação e Intercâmbio com o IPM, com vista a oferecer estágios, de forma periódica e sistemática, aos estudantes do Curso de Tradução e Interpretação Chinês-Português e de Administração Pública.

Em Fevereiro e Março deste ano, três estudantes do Curso de Administração Pública do IPM, oriundos de países lusófonos, participaram num estágio de total de 70 horas no Gabinete de Apoio, onde conheceram a estrutura administrativa e procedimento de funcionamento do Gabinete, bem como os trabalhos de administração e financeiro, das relações-públicas nas actividades, e de informação e tradução. “Através deste estágio, os estudantes conseguiram tirar proveito para exercer funções profissionais na área de gestão administrativa no futuro”, garante o GASPF.

Entre Maio e Julho, no total, oito estudantes do curso de Mestrado em Tradução e Interpretação Chinês-Português do IPM participaram nos estágios com a duração total de 225 e 180 horas no Gabinete de Apoio. Através de intercâmbio com os delegados dos países de Língua Portuguesa, palestras temáticas sobre tradução, participação nas exposições e workshops da 13ª Semana Cultural da China e dos Países de Língua Portuguesa, bem como o acompanhamento dos embaixadores lusófonos na China, “os estudantes têm enriquecido o seu conhecimento e experiência prática em tradução e interpretação”.

O Gabinete de Apoio garante que irá continuar a cooperação com as instituições do ensino superior como o IPM, entre outras, disponibilizando mais oportunidades de estágio aos estudantes do Interior da China, de Macau e dos países lusófonos, por forma a contribuir para a construção da Base de Formação dos Quadros Qualificados Bilingues de Chinês e Português. In “Jornal Tribuna de Macau” - Macau

 

quarta-feira, 21 de julho de 2021

China - Países da CPLP recomendam entrada da Guiné Equatorial no Fórum Macau

As delegações diplomáticas dos países de língua portuguesa em Pequim acordaram a recomendação para adesão da Guiné Equatorial ao Fórum Macau na próxima reunião extraordinária ministerial agendada para Outubro. A informação foi avançada ontem pelo embaixador de Portugal em Pequim após a conclusão da 16.ª Reunião Ordinária do Secretariado Permanente do Fórum para a Cooperação Económica e Comercial entre a China e os Países de Língua Portuguesa


O pedido de adesão da Guiné Equatorial ao Fórum Macau esteve ontem em discussão na 16.ª Reunião Ordinária do Secretariado Permanente do Fórum para a Cooperação Económica e Comercial entre a China e os Países de Língua Portuguesa e acabou por ser recomendado por representantes do Governo Central da China, das Embaixadas dos Países de Língua Portuguesa em Pequim, do Governo da RAEM, e do Departamento dos Assuntos Económicos e Delegação Comercial do Gabinete de Ligação do Governo Central em Macau.

“A adesão da Guiné Equatorial [ao Fórum Macau] ficou recomendada aos ministros para que os ministros depois analisem, no mês de Outubro, quando houver a reunião, se decidem a sua aprovação ou não”, começou por explicar o embaixador de Portugal em Pequim, José Augusto Duarte, acrescentando depois que a adesão foi avaliada de acordo com a candidatura apresentada e pelo facto de a Guiné Equatorial ser um membro efectivo da Comunidade de Países de Língua Portuguesa. “É só a recomendação, nada mais. Recomenda com base na candidatura e no facto de a Guiné Equatorial ser já membro da Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP). É um espelho daquilo que é a CPLP. Recomenda-se com base na análise da candidatura e no facto de já ser um membro efectivo da CPLP há vários anos”, frisou José Augusto Duarte.

Com a recomendação dos representantes do Fórum Macau, o processo de adesão da Guiné Equatorial será decidido na próxima reunião extraordinária ministerial do Fórum de Macau em Outubro de 2021. No entanto, a questão dos Direitos Humanos na Guiné Equatorial não fez parte da discussão. “Se em alguma altura a questão dos Direitos Humanos foi abordada nesta reunião? Não é o contexto. É uma questão pertinente, mas não é o contexto. A partir do momento que é membro da CPLP não há contexto para aqui criar um contexto que não há na CPLP. Há que ver em instância própria para o fazer”, respondeu o embaixador de Portugal em Pequim sobre o assunto, adiantando depois que ainda não há uma data para a realização da reunião extraordinária ministerial. “A data exacta ainda não está confirmada, mas estamos a apontar para a última semana de Outubro ter a reunião. Será uma reunião virtual com os ministros nas respectivas capitais e os embaixadores que estão na China e aqui em Macau”.

Já o representante da Guiné Equatorial na reunião defendeu a entrada no Fórum Macau e invocou, em castelhano, o “pleno direito” do país africano de integrar o Fórum para a Cooperação Económica e Comercial entre a China e os Países de Língua Portuguesa. “A entrada Guiné Equatorial no Fórum de Macau faz sentido porque a Guiné Equatorial é membro dos países da CPLP com pleno direito. E se há um grupo entre Macau e os países de língua portuguesa, obrigatoriamente que a Guiné Equatorial sente que reúne as condições para entrar neste grupo e apresentou a sua candidatura para entrar enquanto país irmão. O que não se deve fazer é deixar irmãos de fora. E, por isso, a Guiné Equatorial ofereceu-se para integrar o Fórum de Macau para unir-se com o resto dos países irmãos da CPLP”, afirmou Camilo Ochaga Esono Afana, encarregado de Negócios da Embaixada da Guiné Equatorial na República Popular da China.

Questionado sobre que investimentos podem resultar da entrada da Guiné Equatorial no Fórum Macau, Camilo Ochaga Esono Afana assinalou que as oportunidades de negócios podem ser recíprocas. “Há aspectos de interesse da República Popular da China que podem ser encontrados na Guiné Equatorial como exportação de petróleo, exportação de madeiras e outros materiais. De igual forma, o Governo da República da Guiné Equatorial também pode estar necessitada de muitas coisas por parte da República Popular da China, por exemplo, os fluxos financeiros e recrutamento de recursos humanos, porque praticamente a China está a fornecer bolsas de estudo a vários países africanos, não só da Guiné Equatorial”, disse o encarregado de Negócios da Embaixada da Guiné Equatorial em Pequim.

Sobre a questão dos direitos humanos na Guiné Equatorial, Camilo Ochaga Esono Afana garantiu que o país tem feito grandes progressos nessa matéria e assegurou que a pena de morte está suspensa desde 2014. “Desde o primeiro dia em que a Guiné Equatorial solicitou a adesão, tanto os países da CPLP como o Fórum Macau deram-nos certas condições para podermos ser membros deste grupo. E parte destas condições, a Guiné Equatorial está a cumpri-las cabalmente, legalmente, e à parte disso está a conseguir alcançar novas etapas em relação às questões dos Direitos Humanos da ONU”, vincou Camilo Ochaga Esono Afana, acrescentando que, “em 2014, a Guiné Equatorial adoptou uma moratória sobre a pena capital” e que, “agora mesmo não se pode falar nada sobre a pena capital na Guiné Equatorial porque já está totalmente abolida [a pena de morte]”. Eduardo Santiago – Macau in “Ponto Final”

eduardosantiago.pontofinal@gmail.com


quarta-feira, 14 de julho de 2021

CPLP - Ex-MNE português lamenta falta de ligação ao Fórum Macau

O diplomata António Monteiro faz um balanço positivo da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa, mas defendeu avanços na mobilidade, na área económica, de novas formas de financiamento e de aproximação às comunidades luso falantes. Uma das falhas é a falta de ligação ao Fórum Macau

O diplomata António Monteiro, que foi um dos impulsionadores da criação da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), há 25 anos, entende que a organização continua a fazer “sentido”, porque “é válida e importante para os seus membros fundadores, só pelo facto de existir”.

“Se houvesse dúvidas sobre essa validade, tantos países quereriam ser observadores associados” da CPLP? – questionou, referindo-se, assim, às 13 candidaturas, entre as quais estão as dos EUA, Canadá, Índia e Espanha. Candidaturas que irão à aprovação na Cimeira de Chefes de Estado e de Governo da organização, a realizar na sexta-feira e no sábado.

Porém, o diplomata considera que ainda falta à organização uma ligação maior ao Fórum Macau, entidade que tem como missão reforçar o intercâmbio económico e comercial entre a China e os países de língua portuguesa, e às comunidades de língua portuguesa espalhadas pelo mundo.

Caso sejam aprovadas, e tendo em conta que a CPLP tem actualmente 19 observadores associados, a comunidade passará a contar com um total de 32 países e organizações com aquele estatuto.

No entanto, na opinião do actual presidente da Fundação Millennium BCP, “os tempos e as circunstâncias em que vivemos impõem agora à comunidade avançar em áreas, que até aqui mereceram menos atenção”, como “a parte económica e a parte da mobilidade”.

Dois são companhia

Além disso, o também antigo ministro português dos Negócios Estrangeiros considerou que a CPLP precisa de procurar novas formas de financiamento, para uma cooperação multilateral mais eficaz.

Em entrevista à Lusa, a propósito dos 25 anos da CPLP, que se celebram no próximo dia 17, o diplomata, que ao longo da carreira, assumiu vários cargos nas Nações Unidas disse que a cooperação naquela organização “continua a desenrolar-se mais ao nível bilateral do que multilateral”.

E na sua opinião só há uma explicação para isso: “a CPLP tem desde o início um problema, que é a questão financeira”. Porque a sua “sustentabilidade vem apenas das dotações dos Estados-membros”, realçou.

Neste cenário, António Monteiro defendeu a criação de “parcerias efectivas no trio da CPLP, que favoreçam todos os países”.

Num balanço sobre os 25 anos da CPLP, considerou que o principal ganho foi a “entreajuda” entre os seus Estados-membros. “Nós temos de dizer que o principal ganho da comunidade foi a entreajuda, que imediatamente se estabeleceu. Ajuda a resolver problemas de cada um de nós”, o que “se traduziu muito numa cooperação política e diplomática activa”, lembrou. In “Hoje Macau” – Macau com “Lusa”

 

terça-feira, 13 de julho de 2021

Macau - Universidade Cidade de Macau lança livro de Francisco José Leandro que olha para Cabo Verde, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste como os Estados insulares, falantes de português

“China and portuguese speaking Small Island States: From sporadic bilateral exchanges to a comprehensive multilateral platform” é o nome do livro que acaba de ser lançado pela Universidade Cidade de Macau e que olha para Cabo Verde, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste como os Estados insulares, falantes de português, aos quais nunca foi dada muita atenção, mas que representam um enorme potencial. Nesta equação, não só a China é parte interessada, mas também Macau


A entrevista a Francisco José Leandro, académico da Universidade Cidade de Macau ao jornal “Hoje Macau”:

Falemos deste conceito de Estados insulares, falantes de português que, de certa forma, são diferentes dos outros países de língua portuguesa, sobretudo a nível sócio-económico. Até que ponto estes Estados têm esta capacidade de entrar nas parcerias com a China?

São Estados vulneráveis, fazem parte da ONU, têm programas de apoio especiais. Partimos dessa ideia de, no contexto da língua portuguesa, quais seriam os Estados que estão nesta condição? São três [Timor-Leste, Cabo Verde e São Tomé e Príncipe]. Quisemos perceber o que têm em comum, pois todos eles têm uma história comum e qualquer coisa de especial na sua localização.

Em que sentido?

Começando por Timor, é um Estado muito jovem que está ainda à procura do que irá ser o seu projecto económico em termos de sustentabilidade. O seu processo de adesão à ASEAN é decisivo e vital para o país. Toda a sua integração regional faz-se com dois grandes parceiros, que é a Indonésia e a Austrália, e depois com uma presença da China, que neste contexto é particularmente interessante.

Porquê?

Na mesma latitude aparece o Estreito de Torres, que é muito importante em todo o balanceamento da navegação comercial entre os oceanos Pacífico e Índico, porque a alternativa para o Estreito é pela rota do sul, dos pólos, muito morosa e cara.

Esta obra fala também de São Tomé e Príncipe.

É importante por várias razões, sobretudo pela localização. Muita gente fala em São Tomé por causa do petróleo, mas acho que não é muito relevante, ou pelo menos não o será nos próximos anos. A questão decisiva é São Tomé no contexto do Golfo da Guiné. A questão dos acessos aos mercados e novos corredores económicos que se desenvolvem em torno dos Camarões, Nigéria.

Decisivo em que sentido?

No Golfo da Guiné a quantidade de portos de água profunda é muito reduzida. Essa é a oportunidade que São Tomé poderá explorar através do investimento chinês no porto de águas profundas no norte. São Tomé pertence a uma série de organizações internacionais. Já há cooperação entre São Tomé e a Nigéria, mas aquilo que acho que ainda falta muito trabalhar é a questão do combate à pirataria. São Tomé tem a localização perfeita para isso, não tem é os meios. Isso permitia a exploração das rotas marítimas naquela zona de forma mais segura, diminuindo os custos de navegação e de seguros.

Aos olhos da China há diferenças a nível de interesses entre Timor-Leste e estes Estados insulares em África? Timor é mais importante por uma questão de proximidade e por ser membro candidato da ASEAN?

Em relação a Timor, a China tem vários tipos de interesse, pois é um país que tem neste momento um plano de desenvolvimento muito ambicioso. Estão a construir novos portos e aeroportos, novos centros para maximizar a capacidade que o país deve ter em relação ao petróleo e gás natural. Há investimentos em infra-estruturas que são fundamentais. Mas há um quadro de presença e de acesso aos mercados. Em São Tomé a ideia é mais abrangente.

Como?

É todo o Golfo da Guiné, com uma presença através dos investimentos, e depois tudo o que os investimentos acabam por gerar. Se vier a ser construído este porto em Fernão Dias, há depois uma série de actividades adjacentes e uma série de interesses que se vão desenvolvendo. A mesma coisa em relação a Cabo Verde. Cabo Verde tem uma localização interessante porque, do ponto de vista do acesso marítimo e aéreo, é uma espécie de porta aviões na costa ocidental de África ao Estreito de Gibraltar e no acesso ao Canal do Panamá.

Cabo Verde é um país mais desenvolvido.

Sim, e está muito bem no Índice de Desenvolvimento Africano. Tem uma estrutura de governação muito mais sólida e consistente. Cabo Verde, neste momento, já faz planos, e tem a generalidade da população com um maior índice de educação mais elevado, o que permite tirar outro tipo de sinergias desses acordos, porque há quadros qualificados. São Tomé não tem grandes possibilidades de fazer uma gestão moderna de um grande porto, vai precisar de mão-de-obra estrangeira. Estes três Estados insulares têm semelhanças entre eles, mas depois são diferentes relativamente ao seu desenvolvimento, estrutura de governação e sistema político, embora seja muito parecido.

A China tira partido dessas diferenças.

A China faz uma coisa pragmática, não tem um modelo que impõe a todos. Aliás, não há nada que se imponha, é muito flexível. O que a China faz, faz muito bem, mas o que falta aqui não é mérito da China, mas sim dos países de língua portuguesa. A China sabe exactamente o que quer destas cooperações, mas porque estes países estão em vias de desenvolvimento ou são muito jovens, nem todos têm os objectivos nacionais classificados de forma consistente.

E a China tem sempre os seus objectivos bem definidos, é um grande contraste.

Sim. É sempre fácil dizer que o problema é da China, mas não é. Estamos numa negociação muito assimétrica em termos de recursos, mas mesmo assim o que me parece essencial é que as partes, estes três Estados, tenham a capacidade de se auto-determinarem daquilo que para eles é importante, para depois usarem isso no contexto das relações bilaterais.

Macau tem capacidade para entrar neste jogo de investimentos, nomeadamente através do Fórum Macau? Há espaço para as relações bilaterais ou cria-se uma plataforma multilateral, como o nome do livro indica?

As duas coisas. O Fórum Macau é um instrumento político da cooperação chinesa. Há canais bilaterais que não passam pelo Fórum, mas isso é natural. O Fórum Macau é um complemento dos canais bilaterais. As pessoas criticam imenso o Fórum Macau mas eu tenho óptimas referências do Fórum, e acho que aquilo que eles fazem, fazem-no bem. Exploram aquilo que é deixado pelas relações bilaterais. Creio que a negociação do porto Fernão Dias em São Tomé será conduzida numa lógica bilateral, mas há imensas coisas que aparecem associadas a este projecto, que envolvem outro tipo de actores, e o Fórum Macau pode dar uma ajuda. O Fórum Macau foi constituído em 2003, mas na realidade só ficou constituído por volta de 2017, 2018.

Isso porquê?

Houve uma série de dificuldades ao nível dos representantes [dos países]. São Tomé só nomeou o seu representante a partir de 2017, 2018. Portugal nunca teve um representante e tem agora desde 2018, e o Brasil também nunca teve, tem agora. Na realidade, o Fórum como foi pensado tem dois anos de existência. O Fórum vive das conferências ministeriais, e a sexta cimeira não se sabe quando vai acontecer devido à pandemia. É muito injusto criticar o Fórum e dizer que não serve. Houve uma série de coisas que aconteceram que não são culpa do Fórum mas circunstâncias políticas que têm de ser respeitadas no contexto da soberania dos Estados.

Para que serviram então os primeiros anos do Fórum Macau?

Falamos de uma organização cuja base é chinesa e cujos representantes são de Estados soberanos. No contexto dos Estados soberanos não há outra organização como o Fórum. As organizações precisam de tempo para amadurecerem e criarem relações de confiança. A instituição do Fundo do Fórum é uma coisa relativamente nova que não correu muito bem, e estávamos à espera da sexta cimeira que ainda não aconteceu. Mesmo em Portugal, quem sabe da existência do Fórum Macau? Meia dúzia de pessoas. O Fórum é um mecanismo importante para a China e Portugal, e a prova é que todos os países de língua portuguesa estão representados no Fórum.

Mas e o papel de Macau neste contexto?

Nesta via bilateral e complementar do Fórum, Macau tem o seu nicho. Macau não tem capacidade soberana, porque não é um Estado, nem económica para grandes investimentos. Mas o que está a acontecer em Cabo Verde, com o investimento de David Chow, é um bom exemplo. Investe num nicho criado pelas relações bilaterais. As relações entre Portugal e a China passaram por várias fases, e entre 1999 e 2003 não aconteceu nada. A partir daí o Fórum é extremamente importante. No caso de Portugal é complexo porque há uma tradição europeia e de alinhamento com os EUA, e a China é um parceiro importante, e Portugal tem de arranjar aqui um equilíbrio. Os países de que falamos também têm este tipo de problemas. Cabo Verde tem uma relação muito integrada na comunidade ocidental africana, e talvez o país mais atrasado seja São Tomé em termos de integração na sua região. Mas Timor tem a lógica da Austrália e Indonésia, e agora procura a China, para obter equilíbrio. Por exemplo, a aquisição dos equipamentos militares é feita aos três, é o melhor interesse diplomático.

As fraquezas destes Estados insulares não os vão tornar mais dependentes da China?

Todos os Estados são dependentes de outros. Posso arranjar equilibrios nessas dependências, mas para isso preciso de saber o que quero. Nestes processos de desenvolvimento estes países têm de ter cuidado e não se adjudicarem a uma única solução. Cabo Verde, por exemplo, tem óptimas relações com os EUA, com a União Europeia. Timor tem óptimas relações com a Austrália, ainda tem algumas tensões com a Indonésia, porque não há-de ter relações com a China? O país com uma situação mais complicada é São Tomé, que está numa situação de auto-isolamento há muitos anos, com o sistema de partido único, em que praticamente só se relacionou com Angola. Falamos de três países que até foram menosprezados no seu potencial. Olhamos sempre para grandes potências, como Angola, por causa dos recursos. Mas veja-se o que aconteceu: tem um problema, que é a diversificação.

Só tem o petróleo.

Sim.

Que expectativas tem para a próxima conferência ministerial do Fórum?

Há uma tendência que o Fórum está a seguir, e bem, que é a seguinte: no princípio estava inteiramente dedicado à questão do comércio e economia, e agora está a abrir-se a cooperações a outras áreas, como a cultura, a educação e a ciência. As coisas estão associadas. Andreia Silva – Macau in “Hoje Macau”