Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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terça-feira, 15 de setembro de 2026

Lusofonia - Como as remessas de migrantes unem o mundo lusófono

Enquanto o Brasil se destaca como o maior destino absoluto dessas verbas para o bloco lusófono, ultrapassando os US$ 4,7 milhões em 2025, pequenas economias como Cabo Verde, Timor-Leste e Guiné-Bissau enfrentam uma dependência profunda

A ONU lançou nesta segunda-feira o relatório Enviando Dinheiro para Casa, em tradução livre. O estudo global revela que remessas quase dobraram numa década, atingindo US$ 729 mil milhões em 2025.

O estudo do Fundo Internacional para a Agricultura, Fida, calcula que 220 milhões de pessoas sustentam 1,1 mil milhão de familiares com remessas, conectando uma em cada seis pessoas no mundo.

Crescimento económico ao nível das famílias

A análise traz à tona um retrato das transferências representando o que se considera uma espinha dorsal do bem-estar, abarcando desde o acesso à educação até a capacidade de superação de crises para inúmeras famílias em quatro continentes.

Pedro de Vasconcelos é o gestor do Mecanismo de Financiamento de Remessas do Fundo Internacional de Desenvolvimento Agrícola, Fida. Em relação ao tema, ele destaca haver lições de décadas que continuam perfeitamente aplicáveis hoje.

“Há outros países, nomeadamente o sul da Europa, onde as remessas nos anos 60, 70, 80, eram muito importantes e permitiram o crescimento económico ao nível das famílias, mas do país também. E aprendeu-se muito. Quando se fala de vincular estas remessas a produtos financeiros, estamos a falar de experiências vividas. Por exemplo, no caso de Portugal, chegavam as remessas e muitos imigrantes, claro, gostavam de construir casa ou de ajudar os familiares. E com as remessas conseguiu-se incluir de maneira financeira muitos dos receptores que não estavam incluídos no sistema financeiro formal. Isto são lições com já mais de 20, 30 anos que se podem replicar.”

Brasil como polo receptor

Entre os países lusófonos, o Brasil liderou o volume absoluto ao receber mais de US$ 4,75 mil milhões em 2025, confirmando-se não apenas como um forte receptor global, mas também como um polo de acolhimento para a migração intrarregional na América do Sul.

Sobre a oportunidade de integração no sistema bancário dessas famílias, Vasconcelos complementa:

“Para este poder oferecer serviços vinculados a remessas, quem recebe remessas de maneira frequente e não tem acesso a serviços financeiros, pois podia ficar a ter e poder criar poupança ou ter um crédito, criar um historial de crédito, por exemplo, para quem recebe remessas de maneira regular, o que pode fazer é poupar parte dessas remessas e se pode criar um historial de crédito. E isso com uma carteira digital, por exemplo, pode ser facilitado. Então, isto são todas lições do passado com tecnologia moderna que se pode adaptar e pode levar desde então a maximizar o esforço. Porque, no fim e ao cabo, trata-se de um esforço tremendo que os imigrantes fazem para sustentar as famílias nos países de origem. E, outra vez, isto é uma realidade para a África, para todos os continentes e, claro, e para os países lusófonos.”

O peso real do dinheiro enviado pelos migrantes para casa revela-se nas pequenas economias insulares e em desenvolvimento. Em Cabo Verde, o total atinge a marca de 12% de todo o Produto Interno Bruto, PIB, nacional, figurando entre as taxas de dependência mais altas de todo o continente africano.

Timor-Leste e Guiné-Bissau seguem esse mesmo caminho de forte conexão externa, com as remessas correspondendo a 10% das suas economias, enquanto em São Tomé e Príncipe a fatia chega a 8% do PIB.

Total das exportações nacionais

Em Timor-Leste, os valores remetidos pela diáspora equivalem a 96% do valor total das exportações nacionais. Em São Tomé e Príncipe e na Guiné-Bissau, essa proporção alcança 62%.

Os migrantes geram para essas nações um fluxo de divisas que compete com ou supera quase tudo o que esses países conseguem produzir e vender para fora das suas fronteiras.

Ao longo da última década, o dinamismo desse movimento registrou saltos extraordinários. Angola é um caso que chama atenção em termos de aceleração, com a explosão de quase 1200% no volume de remessas recebidas entre 2016 e 2025.

Trajetória firme de expansão

São Tomé e Príncipe e Moçambique também viram os seus fluxos mais do que triplicarem no mesmo período, enquanto a Guiné-Bissau e Timor-Leste registaram crescimentos superiores a 100%, e o Brasil e Cabo Verde mantiveram uma trajetória de firme de expansão, em torno de 60%.

No centro dessa teia de mobilidade global, Portugal desempenha um papel duplo e fundamental. O país é considerado um dinâmico cruzamento de caminhos e de livre circulação na Europa.

Rendimento das comunidades lusófonas

Portugal está ancorado em corredores migratórios consolidados que ligam, por exemplo, trabalhadores portugueses à França e, ao mesmo tempo, serve de ponte para as comunidades dos países africanos de língua portuguesa e para Timor-Leste.

Barreiras e custos desiguais também marcam esse processo. Enquanto o envio de dinheiro para São Tomé e Príncipe ou para o Brasil envolve taxas médias em torno de 4% em serviços não bancários, o corredor angolano sofre com um custo médio de quase 23% por operação.

Para o Fida, o grande desafio atual é reduzir essas tarifas, pois cada ponto percentual economizado na taxa de envio faz uma diferença significativa no rendimento das comunidades lusófonas. ONU News – Nações Unidas


Lusofonia - Cabo Verde entre os países lusófonos com melhor desempenho democrático no Global State of Democracy 2026, mas participação cidadã continua a ser o ponto fraco

Cabo Verde mantém uma posição relativamente sólida no panorama democrático internacional, mas o desempenho do país revela uma fragilidade cada vez mais evidente: os cidadãos participam pouco na vida democrática para além das eleições. É uma das principais conclusões que resultam do Global State of Democracy 2026 (GSoD), da International IDEA, que coloca Cabo Verde entre os países com melhor desempenho democrático do espaço lusófono, embora com diferenças significativas entre as várias dimensões avaliadas

O relatório, que analisa 173 países, coloca Cabo Verde no 38.º lugar mundial em Representação, no 52.º em Direitos, também no 52.º em Estado de Direito, mas apenas no 115.º lugar em Participação. A International IDEA considera que o país apresenta um desempenho elevado na Representação e intermédio nas restantes três dimensões.

A diferença entre estas classificações ajuda a perceber onde está a força e onde estão os problemas da democracia cabo-verdiana.

Na Representação, Cabo Verde surge com um desempenho particularmente positivo. A dimensão avalia aspetos como a credibilidade das eleições, a inclusão do sufrágio, a liberdade dos partidos políticos, a existência de um Governo eleito e a eficácia do Parlamento. O país está no 38.º lugar entre 173 Estados, praticamente no mesmo patamar da Maurícia, que ocupa a 37.ª posição.

Já nos Direitos, Cabo Verde aparece na 52.ª posição e obtém a mesma classificação no Estado de Direito. São resultados que colocam o arquipélago à frente de vários países africanos e de parte significativa dos países de língua portuguesa.

É, contudo, na Participação que aparece a principal vulnerabilidade. Cabo Verde ocupa o 115.º lugar, muito distante da posição alcançada nas outras dimensões. A International IDEA chama particularmente a atenção para o baixo desempenho no envolvimento cívico, colocando o país entre os 25% com pior resultado mundial neste fator.

Na prática, a fotografia traçada pelo relatório é a de uma democracia onde as instituições eleitorais e a representação política funcionam relativamente bem, mas onde existe maior dificuldade em manter os cidadãos envolvidos na vida pública entre uma eleição e outra.

A própria International IDEA identifica a participação política e o acesso à Justiça como questões a acompanhar nos próximos anos. O organismo refere ainda níveis elevados de desconfiança nas instituições democráticas e considera que a lentidão do sistema judicial continua a constituir um problema para o país.

Outro sinal apontado pelo relatório é a deterioração do indicador de Parlamento Eficaz em relação a cinco anos antes. Segundo a International IDEA, essa evolução pode indicar uma menor capacidade do poder legislativo para fiscalizar o Executivo.

Cabo Verde no espaço lusófono

A comparação com os restantes países lusófonos mostra uma posição globalmente favorável de Cabo Verde, embora com algumas particularidades.

Portugal apresenta o melhor desempenho entre os países da CPLP considerados pelo índice, ocupando o 20.º lugar em Representação, o 37.º em Direitos, o 45.º em Estado de Direito e o 75.º em Participação.

O Brasil aparece em 41.º lugar em Representação, 50.º em Direitos, 51.º em Estado de Direito e destaca-se sobretudo na Participação, onde ocupa o 13.º lugar mundial.

Cabo Verde fica, assim, atrás de Portugal em todas as dimensões e ligeiramente atrás do Brasil em Representação, Direitos e Estado de Direito. A diferença torna-se, porém, muito mais expressiva na Participação: enquanto o Brasil está entre os 15 países com melhor resultado mundial, Cabo Verde ocupa a 115.ª posição.

Entre os países africanos de língua portuguesa, a distância é mais evidente. Cabo Verde apresenta resultados significativamente superiores aos de Angola, Moçambique e Guiné-Bissau nas quatro dimensões analisadas.

Angola aparece nas posições 121.ª em Representação, 115.ª em Direitos, 116.ª em Estado de Direito e 135.ª em Participação. Moçambique surge em 122.º, 122.º, 134.º e 124.º lugares, respetivamente. A Guiné-Bissau apresenta uma situação ainda mais desfavorável em Representação, ocupando o 153.º lugar, além do 131.º em Direitos, 143.º em Estado de Direito e 74.º em Participação. A Guiné Equatorial apresenta-se na posição 143.ª.

Timor-Leste apresenta um quadro intermédio: 55.º lugar em Representação, 93.º em Direitos, 63.º em Estado de Direito e 64.º em Participação.

A Maurícia é o país que mais se aproxima de Cabo Verde entre os pequenos Estados africanos avaliados. Ocupa o 37.º lugar em Representação, 44.º em Direitos, 42.º em Estado de Direito e 18.º em Participação. Ou seja, se Cabo Verde praticamente acompanha a Maurícia na capacidade de representação política, fica muito atrás na participação dos cidadãos.

Também Gana e Senegal apresentam resultados que ajudam a contextualizar a posição cabo-verdiana. O Gana ocupa o 49.º lugar em Representação, 64.º em Direitos, 70.º em Estado de Direito e 27.º em Participação. O Senegal surge nas posições 66.ª, 75.ª, 57.ª e 29.ª, respetivamente.

A comparação revela, assim, um paradoxo interessante: Cabo Verde tem instituições representativas relativamente fortes, mas não consegue transformar esse desempenho numa participação cívica igualmente elevada.

São Tomé e Príncipe não integra os rankings do GSoD. A metodologia da International IDEA estabelece como critério de inclusão uma população mínima de 250 mil habitantes, razão pela qual o arquipélago não aparece entre os 173 países abrangidos pelo índice.

Mais do que uma classificação, o retrato deixado pelo GSoD 2026 coloca uma questão para Cabo Verde: como transformar a estabilidade e a qualidade da representação política em maior envolvimento dos cidadãos na democracia?

O país continua a apresentar uma das posições mais favoráveis entre os Estados africanos de língua portuguesa. Mas os dados mostram que a consolidação democrática não depende apenas de eleições competitivas e instituições representativas. Passa também pela capacidade de aproximar os cidadãos das instituições, reforçar a fiscalização política e recuperar a confiança na democracia.

É precisamente nessa distância entre a qualidade das instituições e o envolvimento dos cidadãos que se encontra um dos principais desafios democráticos de Cabo Verde nos próximos anos. In “Expresso das Ilhas” – Cabo Verde


sexta-feira, 7 de agosto de 2026

Lusofonia - Quase metade dos guineenses e cabo-verdianos consideram emigrar

Um relatório do Afrobarometer indicou que quase metade dos guineenses e cabo-verdianos considera emigrar por motivos económicos. Em Angola, a percentagem de pessoas que pondera sair do país é de 38%, em São Tomé e Príncipe de 31% e em Moçambique de 21%


Quase metade dos guineenses e cabo-verdianos inquiridos considera emigrar por razões económicas, revela-se no relatório do Afrobarometer que aponta a mesma tendência em Angola (38%), São Tomé e Príncipe (31%) e Moçambique (21%).

Uma das principais razões que levam os entrevistados a considerarem emigrar são económicas, sendo que “a intenção de migrar aumentou substancialmente”, segundo o relatório “Beyond Borders: Citizen Perspectives on a Shifting Global Order” (Além das Fronteiras: Perspectivas dos Cidadãos sobre uma Ordem Global em Transformação), tornado público em Acra, Gana, e que se baseia em dados de inquéritos representativos a nível nacional de 38 países africanos.

Entre os Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa (PALOP), São Tomé e Príncipe destaca-se por ser o único a registar um declínio significativo na intenção de emigrar, descendo de 35% no período de 2016/2018 para 31% em 2024/2025.

No documento avalia-se também a percepção sobre o impacto económico dos imigrantes nos países de acolhimento. A maioria dos inquiridos em São Tomé e Príncipe (68%), Cabo Verde (65%) e Guiné-Bissau (54%) acredita que os estrangeiros que se mudam para o país para trabalhar têm uma influência “muito boa” na economia.

A Guiné-Bissau surge como um dos países mais acolhedores do continente, com cerca de 40% dos cidadãos entrevistados a defenderem que o país deveria receber mais trabalhadores.

Já Moçambique e Angola mantém opiniões mais divididas relativamente ao impacto positivo ou negativo dos imigrantes na economia.

No estudo analisa-se ainda as opiniões dos cidadãos dos países africanos sobre a abertura do comércio e a consciencialização do Acordo de Livre Comércio Continental Africana (AfCFTA, na sigla inglesa).

O conhecimento sobre o AfCFTA varia entre os PALOP, mas permanece reduzido em termos gerais.

A Guiné-Bissau destaca-se com a maior taxa de conhecimento (27%), seguida por Cabo Verde (24%).

Em contrapartida, os níveis de conhecimento são reduzidos em Angola (13%), São Tomé e Príncipe (12%) e Moçambique (11%), revelando uma escassez de informação sobre a integração comercial do continente.

Em todos os PALOP, a maioria dos inquiridos prefere priorizar parcerias comerciais com todos os países a nível global, em vez de um comércio exclusivo intra-africano ou sub-regional.

Cabo Verde (79%) e São Tomé e Príncipe (77%) lideram a preferência pelo comércio global, seguidos pela Guiné-Bissau (70%), Angola (63%) e Moçambique (61%).

Por fim, ao nível do livre comércio, os entrevistados dos PALOP expressaram uma posição favorável, à excepção de Angola, onde o apoio à abertura transfronteiriça é maioritariamente rejeitado – apenas 45% apoiam -, evidenciando uma tendência protecionista considerável, na qual 40% prefere proteger os produtores nacionais.

No relatório apresentam-se novas conclusões sobre as opiniões dos cidadãos relativamente ao comércio transfronteiriço e à integração económica, à migração, ao papel e à influência de África na governação global e às percepções sobre a influência das principais potências globais no continente. In “Ponto Final” – Macau com “Lusa”


sexta-feira, 29 de maio de 2026

Brasil - Estudo prevê secas acima da média nos próximos 5 anos

Relatório da Organização Meteorológica Mundial afirma que temperaturas devem subir de 1,3°C a 1,9°C acima da média entre 2026 e 2030. Os especialistas citam alta probabilidade de novo recorde de calor em 2027, redução de chuvas e condições de seca vão atingir especialmente o Hemisfério Sul


As temperaturas médias globais provavelmente continuarão em níveis recordes ou próximo deles até 2030, de acordo com um novo relatório da Organização Meteorológica Mundial, OMM, produzido pelo Met Office do Reino Unido.

O estudo, divulgado nesta quinta-feira, afirma que as temperaturas médias globais próximas à superfície durante 2026 a 2030 devem variar entre 1,3°C e 1,9°C acima da média de 1850-1900, a era pré-industrial.

86% de possibilidades de um novo recorde de calor

Os dados revelam ainda uma eventualidade de 86% de que um dos anos de agora até 2030 ultrapasse 2024 como o ano mais quente já registado.

O autor principal do relatório, Leon Hermanson, ressaltou que há um El Niño previsto para o final deste ano, o que aumenta as possibilidades de que 2027, seja o próximo ano recorde.

Os especialistas afirmam ser excepcionalmente improvável que, nos próximos cinco anos, a temperatura ultrapasse 2°C acima da média pré-industrial.

Condições de seca afetam o Brasil

E o estudo cita o Brasil, ao afirmar que previsões de chuvas para as estações, de maio a setembro, sugerem anomalias húmidas na região do Sahel, norte da Europa, Alasca e Sibéria, e anomalias secas sobre a Amazónia entre 2026 e 2030.

O estudo ressalta ainda que partes do Brasil provavelmente ficarão mais secas do que o habitual.

Já em latitudes altas do Hemisfério Norte, as previsões de chuva favorecem condições mais húmidas que a média para as próximas cinco estações de inverno.

O padrão de aumento da precipitação nos trópicos e latitudes altas em comparação com o período de referência de 1991 a 2020, e a redução das chuvas nos subtrópicos, especialmente no Hemisfério Sul, é considerado consistente com as expectativas de um clima em aquecimento.

Temperaturas árticas 2,8°C acima da média

As temperaturas árticas nos próximos cinco invernos do Hemisfério Norte, de novembro a março, devem ser 2,8°C acima da média registada de 1991 a 2020.

Esta alta é 3,5 vezes superior à anomalia global de temperatura no mesmo período, segundo o estudo.

Além disso, as previsões para março de 2026 a 2035 sugerem novas reduções na concentração de gelo marinho nos Mares de Barents, Bering e Okhotsk. ONU News – Nações Unidas


quinta-feira, 19 de fevereiro de 2026

Brasil - Crianças ameaçadas com défices em saúde, educação e mercado laboral

Quase metade do rendimento futuro dos menores brasileiros está em risco, a situação limita o potencial do capital humano. O Banco Mundial alerta para necessidade de políticas integradas em domicílios, bairros e locais de trabalho


Défices globais nas áreas de saúde, educação e mercado de trabalho geram uma perda média de 51% da renda futura dos países de baixo e médio rendimento. Dados de um novo relatório do Banco Mundial revelam a perda de 40% no Brasil.

O estudo “Construindo o Capital Humano Onde Importa: Domicílios, Bairros e Emprego”, aponta que na maioria dos países houve quedas na nutrição, aprendizagem ou no avanço de competências da força de trabalho entre 2010 e 2025.

Índice de Capital Humano

Em conjunto com o relatório, foi lançado o Índice de Capital Humano Plus, HCI+, que mede o capital humano médio que uma criança nascida atualmente espera acumular ao longo da vida, considerando os riscos à saúde, educação e emprego.

No Brasil, o HCI+ de 2025 é de 203 pontos, ligeiramente acima da média da América Latina e Caribe, 194. O principal gargalo está na educação, com 115 pontos de um total de 188. O desempenho no trabalho é de 44 pontos em 87 e, em saúde, de 44 em 50 pontos possíveis.

A desigualdade de género é significativa, visto que os homens registam uma expectativa de 210 pontos, contra 196 das mulheres. O total representa uma diferença de 14% ao longo da vida.

De forma geral, o índice indica que o Brasil não consegue converter plenamente o seu potencial em capital humano.

Capital humano no Brasil

As crianças brasileiras perdem cerca de 40% dos seus ganhos futuros quando comparadas ao que o país poderia alcançar com condições semelhantes às de economias de rendimento equivalente com melhor desempenho.

No Brasil, a acumulação de capital humano depende não só dos recursos dos domicílios, mas também da qualidade dos cuidados oferecidos às crianças.

Indicadores como nutrição, vocabulário e proficiência em matemática são fortemente influenciados pela educação dos pais, mostrando que aumentos de rendimento precisam de ser acompanhados de políticas que reforcem esses cuidados.

O território onde a criança cresce também é determinante. Mesmo entre famílias com rendimento semelhante, aquelas que vivem em bairros mais favorecidos têm melhores resultados, 25% mais probabilidade de conseguir emprego formal e ganham o dobro na vida adulta.

Recomendações do relatório

Em contraste, a exposição à poluição, à criminalidade e a infraestruturas precárias compromete a saúde, a aprendizagem e o acesso ao mercado de trabalho.

Após duas décadas de experiência, trabalhadores brasileiros concentram pouco mais de metade do capital humano observado nos Estados Unidos. O crescimento de competências e salários é maior no emprego formal, sobretudo em empresas maiores, que oferecem mais oportunidades de aprendizagem.

O relatório recomenda programas de desenvolvimento infantil e educação pré-escolar que fortaleçam a aprendizagem e o cuidado das crianças, além de políticas públicas focadas em bairros desprivilegiados, com uma atenção integrada à nutrição, aprendizagem e ao desenvolvimento de capacidades nos locais de trabalho.

Também são sugeridas reformas no mercado de trabalho, de forma a ampliar oportunidades de aprendizagem prática e acesso a creches.

Outras melhorias incluem a promoção de políticas que apoiam domicílios, bairros e trabalho de forma integrada, complementadas por uma agenda robusta de monitorização de políticas públicas. ONU News – Nações Unidas


segunda-feira, 29 de dezembro de 2025

Portugal - Modelo de inteligência artificial Amália com melhor desempenho em português europeu face a outros modelos abertos

O modelo de inteligência artificial (IA) Amália tem melhor desempenho em português europeu face a outros modelos abertos, de acordo com o relatório técnico da equipa de investimento e desenvolvimento a que Lusa teve acesso.


“Os resultados mostram que o AMALIA-DPO [Direct Preference Optimization] atinge o melhor desempenho entre os modelos totalmente abertos por uma margem considerável, obtendo mesmo os melhores resultados entre todos os modelos em lexicologia e semântica, demonstrando um domínio robusto das competências linguísticas específicas” do português de Portugal em diversas categorias.

O LLM [Large Language Model ou, traduzindo, grande modelo de linguagem] português Amália tem estado em constante evolução pelo consórcio de universidades portuguesas que lidera o seu desenvolvimento.

De acordo com o relatório técnico, em avaliação aprofundada de português europeu, o Amália apresenta vantagens claras face a outros modelos abertos.

Nos exames nacionais portugueses (questões de resposta longa de português), o Amália “obtém a melhor pontuação entre todos os modelos totalmente ‘open source’, demonstrando uma boa compreensão de enunciados complexos e produção de texto coerente, com gramática e registo adequados”.

Neste relatório, “apresentamos um LLM que prioriza a língua portuguesa europeia e o seu contexto cultural”, lê-se no documento, que refere que o Amália utiliza dados do arquivo.pt e dados pós-treino preparados especificamente para o português europeu.

O documento indica que o LLM foi treinado com estratégias de modelação de linguagem e ajuste de instruções.

“Um desafio fundamental no desenvolvimento deste modelo foi a falta de ‘benchmarks’ [referências] para monitorizar o progresso do desempenho do modelo”, é apontado no relatório.

Para mitigar esta limitação, “utilizámos exames nacionais PT-PT, criámos um ‘benchmark’ linguístico e traduzimos vários conjuntos de dados” com um modelo de tradução automática (MT) dedicado de alta qualidade.

“A avaliação mostrou que o Amália supera todos os modelos de código aberto anteriores no PT-PT e muitos modelos ‘open-weight’ [que partilham os pesos (parâmetros treinados)]”, conclui o relatório técnico.

“As experiências em ‘benchmarks’ de compreensão e inferência de linguagem mostram resultados de última geração ou comparáveis, enquanto em ‘benchmarks’ de geração de linguagem o modelo destaca-se na qualidade do texto gerado. As experiências de segurança mostram também que o modelo está alinhado com o estado da arte”, lê-se no relatório.

No futuro, “iremos explorar outros métodos de aprendizagem por reforço e desenvolveremos novas combinações de dados de treino para melhorar as capacidades de raciocínio no PT-PT”.

Ou seja, na prática estes resultados indicam que o Amália está a tornar-se fiável como assistente em português europeu.

O relatório é elaborado por João Magalhães (UNL) e André Martins (IST), coordenadores, e uma equipa de cerca de 20 pessoas da Universidade de Lisboa e Universidade Nova de Lisboa.

O modelo Amalia é desenvolvido por uma equipa composta pela Universidade Nova de Lisboa, o Instituto Superior Técnico, a Universidade de Coimbra, a Universidade do Porto, a Universidade do Minho e a Fundação para a Ciência e Tecnologia.

O processo de criação do Amália começou com a recolha e processamento de dados em português europeu em larga escala, os quais foram filtrados com base na sua relevância e qualidade linguística. Para este efeito, recorreu-se ao Arquivo da Web portuguesa. O modelo foi pré-treinado com estes dados e posteriormente afinado em outros conjuntos de dados para seguir instruções, raciocinar e resolver problemas.

Para levar a cabo o treino dos modelos, foi utilizada infraestrutura computacional em grande escala, através de supercomputadores nacionais (Mare Nostrum 5 e Deucalion) e europeus (através da rede EuroHPC). In “Mundo Lusíada” – Brasil com “Lusa”


sábado, 27 de dezembro de 2025

Internacional - Relatório aponta para queda histórica da liberdade de expressão no mundo

Dados alarmantes incluem crescimento de 63% da autocensura entre jornalistas e diminuição de 37% na liberdade académica e artística. A Unesco alerta para a impunidade em assassinatos de profissionais da imprensa, havendo tendências positivas que abrangem a ampliação do acesso a redes sociais e fortalecimento do jornalismo de investigação

A liberdade de expressão chegou ao nível mais baixo em décadas, após uma queda de 10% em comparação a 2012. Os dados são da Organização das Nações Unidas para Educação Ciência e Cultura, Unesco.

O declínio é comparável apenas ao observado na Primeira Guerra Mundial, no período que antecedeu a Segunda Guerra Mundial e ao final da década de 1970, durante a Guerra Fria.


Maior controlo sobre os meios de comunicação

O relatório sobre as tendências globais da liberdade de expressão e do desenvolvimento dos meios de comunicação abrange o período de 2022 a 2025. O estudo alerta para um aumento alarmante da autocensura entre jornalistas, com crescimento de 63%, a uma média de cerca de 5% ao ano.

Esta tendência é um reflexo do crescimento de 48% no controlo de meios de comunicação por governos e grupos poderosos e de uma maior incidência de vigilância digital e leis restritivas, que tornam a reportagem independente cada vez mais difícil.

Também foi observada uma queda de 37% na liberdade académica e artística, mostrando que o problema vai além do jornalismo.

Aumento de ataques contra jornalistas

Os profissionais da comunicação sofrem risco significativo de morte no exercício da profissão. Entre janeiro de 2022 e setembro de 2025, 310 jornalistas foram mortos, sendo 162 deles em zonas de conflito.

Embora tenham ocorrido avanços modestos, com a taxa de impunidade caindo de 95% em 2012 para 85% em 2024, a maioria dos responsáveis por estes assassinatos segue sem punição.

Os ataques a jornalistas incluem violência física, ameaças digitais e perseguição judicial. Muitos são forçados a deixar os seus países. Desde 2018, mais de 900 profissionais do setor na América Latina e no Caribe foram obrigados a exilar-se.

Repórteres do meio ambiente estão entre os mais expostos. Cerca de 70% deles relatam ter sido atacados por causa do seu trabalho. Foram 749 ataques entre 2009 e 2023, com aumento acentuado nos últimos anos.

O assédio online também cresceu globalmente, afetando de forma desproporcional as mulheres. Um novo estudo do Centro Internacional para Jornalistas revelou que 75% das jornalistas e trabalhadoras da mídia sofreram violência online relacionada com o trabalho em 2025, em comparação com 73% em 2020.

Tendências positivas

Apesar do grave retrocesso global na liberdade de expressão, o relatório identifica avanços importantes. Entre 2020 e 2025, mais 1,5 mil milhão de pessoas passaram a ter acesso a redes sociais e plataformas de mensagens, ampliando as possibilidades de participação cívica em todo o mundo.

O jornalismo de investigação colaborativo também ganhou força no período, resultando num aumento de grandes reportagens transfronteiriças. Equipas dedicadas à verificação de factos fortaleceram-se em diversos veículos de imprensa.

Além disso, leis que reconhecem os meios de comunicação comunitários vêm se multiplicando globalmente, ajudando a preservar uma fonte vital de informação local.

A Unesco pede aos países que protejam e invistam no jornalismo para promover sociedades pacíficas. Para a agência, a defesa do jornalismo livre e independente deve ser reconhecida como uma prioridade. ONU News – Nações Unidas


quarta-feira, 10 de dezembro de 2025

Lusofonia - Países lusófonos sofrem impactos crescentes da degradação ambiental, diz estudo

Desmatamento no Brasil, redução da pesca em Portugal e aumento da frequência de ciclones em Moçambique são exemplos de como modelo de desenvolvimento atual causa cada vez mais mortes e prejuízos económicos, o relatório do Pnuma defende transformações que podem gerar ganhos substanciais


O avanço da degradação ambiental está a causar milhões de mortes todos os anos e prejuízos de triliões de dólares.

A 7.ª edição do relatório Visão Global do Meio Ambiente, produzida por 287 cientistas, de 82 países, revela que o modelo de desenvolvimento atual está a sobrecarregar o planeta, as pessoas e as economias.

Desmatamento e poluição na Amazónia

O estudo lançado nesta terça-feira pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente, Pnuma, revela que o custo dos eventos extremos atribuídos às alterações climáticas nos últimos 20 anos é estimado em US$ 143 biliões por ano. Já os danos à saúde causados pela poluição do ar criaram um prejuízo de US$ 8,1 triliões em 2019, cerca de 6,1% do Produto Interno Bruto, PIB, global.

O relatório mostra que esses impactos são evidentes em países lusófonos. No Brasil, por exemplo, o crescimento do desmatamento foi associado a um aumento de 39% no número de incêndios florestais entre 2012 e 2019 na Amazónia, afetando negativamente a qualidade do ar na América do Sul.

A região também sofre com a poluição por plásticos. De acordo com o estudo, foram identificadas até 74,5 mil partículas de microplástico por litro na Amazónia brasileira e seus afluentes.

No nordeste e sudeste do Brasil, mais de 30% do habitat de espécies de aves e anfíbios são direta ou indiretamente afetados pela mineração, que coloca em risco a rica biodiversidade da região.

Já na zona costeira do país, uma preocupação crescente é o descarte de produtos farmacêuticos. Estudos revelaram que medicamentos como o ibuprofeno podem ser encontrados em águas costeiras e em certas espécies de frutos do mar.

Risco para a pesca em Portugal

Outra grande ameaça nos mares é a sobrepesca, que intensificou-se nas últimas décadas, com mais de 37% dos estoques pesqueiros classificados como sobre explorados.

Até 2100, a produção global de peixes deverá diminuir, afetando principalmente países com alta dependência de proteínas de origem aquática, como Portugal.

O relatório lembra que nos incêndios florestais de 2024, o país europeu perdeu 50 km² da floresta de laurisilva da Madeira, que faz parte das áreas protegidas da União Europeia.

Aumento da frequência de ciclones em Moçambique

O levantamento também aponta que o aumento da temperatura dos oceanos, de +0,3 a +1,5°C em torno da África nos últimos 30 anos levou à duplicação do número de ciclones que atingem o continente desde a década de 1970.

Essa mudança faz com que a frequência de ciclones tropicais que atingem a região central e norte de Moçambique esteja a aumentar.

As alterações climáticas também estão a agravar os problemas de disponibilidade de água em África, ameaçando a produção de alimentos e a geração de energia hidroelétrica.

A produção das principais centrais hidroelétricas do rio Zambeze, em África, poderá diminuir entre 10% e 20% em condições climáticas mais secas, o que levaria a um aumento de 20% a 30% nos custos da eletricidade a curto prazo nos países de Moçambique e Zâmbia, que dependem fortemente desta fonte de energia.

Caminho para gerar ganhos anuais substanciais

Os países costeiros da África Ocidental e Austral, incluindo Senegal, Nigéria e Angola, enfrentam erosão e aumento do nível do mar devido às suas costas baixas e lagunares. A situação é preocupante, pois muitos desses países possuem cidades costeiras em rápida expansão.

O relatório constata que investir num clima estável, natureza e terra saudáveis, e um planeta livre de poluição é o caminho para evitar esses impactos.

O levantamento estima que a transformação para uma modelo mais sustentável traria benefícios macroeconómicos a partir de 2050, que poderiam chegar a US$ 20 triliões por ano até 2070 e continuar a crescer.

Os autores propõem mudanças profundas em cinco áreas-chave: finanças, materiais e resíduos, energia, sistemas alimentares e meio ambiente. Felipe de Carvalho ONU News – Nações Unidas


terça-feira, 14 de outubro de 2025

Centro Estudos Internacionais Iscte - Relatório V-Dem / Variedades da Democracia 2025

A sessão de lançamento da segunda edição em língua portuguesa do Relatório V-Dem / Variedades de Democracia 2025 – 25 anos de Autocratização. Foi a Democracia derrotada?, realizar-se-á no dia 30 de Outubro, às 18h00, no Auditório B1.04 (Edifício 2, Iscte).


O evento analisa o estado global da democracia, com foco nos países de língua portuguesa. Pela primeira vez, o relatório inclui uma diversidade de artigos originais sobre os recentes desenvolvimentos políticos de vários países lusófonos, como Angola, Brasil ou Timor-Leste.

O relatório está disponível aqui.

Programa:

  • Apresentação: Professora Ana Mónica Fonseca, Diretora do CEI-Iscte
  • Conferência: "Democratização e Autocratização no Mundo Lusófono: Dinâmicas Recentes", pelo Professor Tiago Fernandes, diretor do Centro Regional V-Dem da Europa do Sul e investigador do CEI-Iscte

Comentário e Debate: Professora Helena Carreiras (Vice-Reitora para a Internacionalização e para a Aliança Europeia Pioneer, Iscte) e Professor Pedro Adão e Silva (Director IPPS, Iscte)


terça-feira, 17 de junho de 2025

São Tomé e Príncipe - Lidera os países lusófonos em número de mulheres em Ministérios

Em todo o mundo, a quantidade de mulheres na liderança política diminuiu em cargos executivos em 2025; atualmente apenas 27 países contam com uma chefe de Estado ou de governo, segundo a ONU Mulheres


O relatório Mulheres Líderes na Política 2025, lançado na semana passada pela ONU Mulheres, revela um retrocesso na presença feminina em cargos como chefes de Estado, de governo e líderes de Ministérios.

A agência da ONU quer medidas ousadas e urgentes das autoridades, incluindo nomeações executivas, uso de ações especiais temporárias, como cotas, e mais proteção contra a violência política.

Chefes de Estado e de governo

A análise de dados até ao 1.º de janeiro deste ano revela que 27 países são liderados por uma chefe de Estado ou de governo, seis a mais que há cinco anos. Pelo menos 103 nunca tiveram uma mulher no mais alto cargo executivo.

Para a ONU Mulheres, esse desequilíbrio também se reflete na representação ministerial: mulheres ocupam apenas 22,9% dos cargos de chefia de Ministérios.

A análise mostra que o número global de ministras caiu, pela primeira vez, para 23,3%. Nas nações de língua portuguesa, São Tomé e Príncipe destaca-se no 24.º lugar com 41,7% de mulheres integrando o governo. Um pouco a mais que Portugal, que figura em 25.º lugar com 41,2%. Já o Brasil está em 53.º com 32,3% de ministras.

Na lista, Cabo Verde está no lugar 57 com 31,3% de ministras. Angola em 64.º com 29,2% Moçambique 68 com 27,8%.

Já Guiné-Bissau aparece em 98.º com 20,8%. Por fim, Timor-Leste está colocado em 101.º com 20%.

Países sem mulheres em cargos ministeriais

O número de gabinetes com pelo menos metade de mulheres caiu de 15 no ano passado para apenas nove. Houve uma subida de países sem mulheres em cargos ministeriais de sete para nove somente no último ano.

Mesmo ainda longe de atingirem a paridade, regiões como Europa e América do Norte lideram a proporção global de mulheres ministras com 31,4% e América Latina e Caribe com 30,4%. A Ásia Central e meridional fica significativamente atrás, com 9%.

Para a diretora executiva da ONU Mulheres, Sima Bahous, “o mundo está a testemunhar a erosão da liderança política feminina justamente quando mais se precisa de uma tomada de decisão inclusiva.”

Para a chefe da agência, todos perdem quando as mulheres são excluídas dos mais altos níveis de liderança porque “à medida que as sociedades perdem a governança mais equitativa e responsiva que a liderança com equilíbrio de género possibilita.”

Carreiras de liderança política

O momento da queda na representação feminina em lideranças na política acontece em meio a uma “reação global contra os direitos das mulheres, agravado pela violência generalizada contra as mulheres na política, tanto online quanto offline”.

O estudo aponta que o fenómeno da violência, que abrange espaços físicos e plataformas digitais, impede muitas mulheres de ingressar ou continuar em carreiras de liderança política, minando a igualdade de género na representação.

As normas e práticas atuais de género influenciam de forma significativa a atribuição de pastas ministeriais. Os homens ocupam, na sua maioria, cargos a esse nível que determinam prioridades nacionais e globais.

Igualdade de género nas políticas e ações governamentais

O exemplo são áreas como defesa com 87%, assuntos financeiros e fiscais com 84% e relações exteriores com 82%.

As pastas comuns atribuídas a mulheres são mais frequentemente as de igualdade de género com 87% e assuntos da família e da infância com 71%.

Por outro lado, é observado um declínio do número de ministérios dedicados à igualdade de género, considerados uma instituição fundamental para a incorporação da igualdade de género nas políticas e ações governamentais.

Em 2020, havia cerca de 80 ministérios que foram reduzindo para 76 em 2024 e 74 neste ano. ONU News – Nações Unidas


segunda-feira, 19 de maio de 2025

Timor-Leste - Melhorar liberdade de imprensa deve ser esforço de todos, dizem jornalistas

Jornalistas timorenses defenderam à Lusa que a liberdade de imprensa em Timor-Leste ainda precisa de melhorias e que tem de ser feito um esforço por todos para melhorar o acesso à informação, a começar pelos membros do Governo



Segundo o último relatório do ranking mundial da liberdade de imprensa da organização Repórteres Sem Fronteiras, em 2025 Timor-Leste ocupou a 39.ª posição entre 180 países, caindo 19 posições em relação a 2024, quando se encontrava no 20.º lugar. Em 2023, Timor-Leste ocupava o 10.º lugar.

Para Cândido Alves, jornalista da Rádio e Televisão de Timor-Leste (RTTL) e atual presidente da Press Union Club de Timor-Leste, aos “olhos do mundo” o país parece ser um país livre no que diz respeito à imprensa, mas “há aspetos que ainda precisam de melhorias”. “É por isso que muitas vezes digo aos governantes que melhorar o índice de desempenho da liberdade de imprensa não depende apenas do esforço dos jornalistas, exige cooperação de todos os setores, nomeadamente económico, social, político e de segurança”, disse Cândido Alves.

O jornalista salientou que é na área política que muitas vezes enfrentam dificuldades para, por exemplo, confirmar informações. “A contribuição do Estado para que os jornalistas tenham acesso a fontes difíceis é também um contributo para a liberdade de imprensa em Timor-Leste. Por isso, pedimos aos governantes que não se escondam, nem fujam dos jornalistas quando estes precisam de dados. Isso é importante”, explicou.

Cândido Alves lamentou também os baixos salários pagos aos jornalistas. Admitindo que os lucros dos órgãos de comunicação social são baixos, o jornalista afirmou que não se pode pagar apenas o salário mínimo de 115 dólares (cerca de 102 euros). “Isso é extremamente difícil e tem impacto no desempenho do nosso índice de liberdade de imprensa”, afirmou.

Para o jornalista veterano do jornal Suara Timor Loro Sae, Micael Malimau, ainda existem lacunas que precisam de ser melhoradas, apesar de já terem passado 23 anos desde a restauração da independência, que se assinalam na terça-feira. “Penso que o papel do jornalista é fundamental. No entanto, a realidade mostra que ainda há impedimentos por parte do Governo sempre que os jornalistas tentam cumprir essas funções”, disse Mikael Malimau.

O jornalista deu o exemplo da detenção, no ano passado, de uma jornalista pelas forças de segurança quando fazia a cobertura de despejos em Díli. “Na minha perspetiva, a liberdade de imprensa está em curso, mas, na prática, ainda há impedimentos por parte dos governantes. Por isso digo que, embora exista liberdade de imprensa, ela ainda enfrenta entraves”, salientou.

Já o jornalista do Grupo Media Nacional (GMN), Oki Ganna, afirmou que há liberdade de imprensa, mas não é plena. “Liberdade de imprensa é liberdade para os jornalistas fazerem a cobertura de temas de interesse público sem serem pressionados, ameaçados ou atacados”, disse, salientando que isso inclui também acesso a dados, fontes e documentos públicos. “A liberdade de imprensa é a liberdade de fazer perguntas sem sermos humilhados, mas, na realidade, nada disto acontece em Timor-Leste”, afirmou. In “Ponto Final” – Macau com “Lusa”


quarta-feira, 7 de maio de 2025

Nações Unidas - Índice de Desenvolvimento Humano, relatório de 2025

O ranking de Desenvolvimento Humano, divulgado nesta terça-feira, revela que as nações de língua portuguesa melhoraram em expectativa de vida, mas não em anos de escolaridade, em nível global, desigualdades entre os países ricos e pobres aumentaram pelo quarto ano consecutivo



O relatório sobre Índice de Desenvolvimento Humano, IDH, deste ano, indica uma melhoria nos indicadores de todas as nações de língua portuguesa.

A expectativa de vida aumentou para todos os países lusófonos no mundo. O documento foi divulgado nesta terça-feira.

Situação nos países de língua portuguesa

O relatório do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento, PNUD, tem como base dados de 2023 e analisa expectativa de vida ao nascer, anos de escolaridade e rendimento médio por pessoa.

Em comparação a 2022, todos os países de língua portuguesa tiveram melhora na expectativa de vida, o que sinaliza avanço na oferta de serviços de saúde.

Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique e Portugal também avançaram no rendimento per capita. Já a Guiné Equatorial, Angola, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste apresentaram queda.

Em relação aos anos de escolaridade, todos os países de língua portuguesa permaneceram estagnados nos mesmos patamares de 2022.

Portugal lidera grupo na 40ª posição do ranking

Portugal é considerado um país de desenvolvimento humano “muito alto”, ocupando a posição 40. O Brasil está na categoria “alto”, na posição 84. Guiné Equatorial, Cabo Verde, São Tomé e Príncipe, Timor-Leste e Angola estão no nível “médio”, nas posições 133, 135, 141, 142 e 148, respectivamente.

Já a Guiné-Bissau e Moçambique figuram na faixa do desenvolvimento “baixo”, nas posições 174 e 182.

Desigualdades entre países aumentam pelo quarto ano seguido

Os cinco países mais bem colocados no ranking do IDH são: Islândia, Noruega, Suíça, Dinamarca e Alemanha.

O estudo do PNUD que acompanha o levantamento indica que que as desigualdades entre países ricos e pobres aumentaram pelo quarto ano consecutivo.

Os autores afirmam que pressões globais, como o aumento das tensões comerciais e o agravamento da crise da dívida, que limitam a capacidade dos governos de investir em serviços de saúde e educação, estão a estreitar os caminhos tradicionais para o desenvolvimento.

Um período de “crises excepcionais” nos anos recentes, como a pandemia da Covid-19, também contribuiu para estagnar o progresso em todas as regiões do mundo.

Para o líder do PNUD, Achim Steiner, se o desenvolvimento humano continuar neste ritmo lento o mundo pode tornar-se “menos seguro, mais dividido e mais vulnerável a choques económicos e ecológicos”. ONU News – Nações Unidas