Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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sexta-feira, 28 de dezembro de 2018

UE CPLP - Essencial livre circulação e pauta aduaneira comum

O presidente da União de Exportadores da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) defendeu esta sexta-feira que a livre circulação de pessoas e capitais, uma pauta aduaneira comum e um banco de desenvolvimento são essenciais para projetar a comunidade



“A livre circulação de pessoas e de capitais, uma pauta aduaneira comum, e um banco de desenvolvimento que financie os investimentos dos empresários são essenciais para tornar a CPLP numa potência mundial”, disse Mário Costa, em declarações à Lusa a propósito da entrada em funções do novo secretário-executivo, o português Francisco Ribeiro Telles, a 01 de janeiro.

“A nova visão estratégica da CPLP, que passa por dar mais importância à parte económica, é muito bem vista pelos chefes de Estado e de Governo, e isso ficou claro no Sal, quando Cabo Verde assumiu a presidência da CPLP, elegendo o pilar económico como a principal bandeira”, acrescentou o empresário e consultor.

Mário Costa considerou que “o potencial económico e geoestratégico é enorme, quer em termos de recursos naturais, quer das regiões económicas em cada um se insere”, lembrando que Angola, que assume a presidência da CPLP em 2020, “já anunciou que a parte económica seria o principal pilar”.

A evolução de uma comunidade centrada na língua e na cultura, para uma comunidade mais focada na economia e na vertente empresarial, marcou os últimos anos da CPLP, congratulou-se o empresário: “Antes, há três ou quatro anos, as relações económicas eram essencialmente bilaterais, mas depois começou um movimento de promoção dos negócios, criando-se várias entidades, como a união de exportadores, a federação de jovens empresários, e vão surgir mais porque as oportunidades são enormes”, apontou.

Questionado sobre como, em concreto, podem os Estado promover as trocas comerciais e os investimentos dos empresários lusófonos nos países da CPLP, Mário Costa respondeu: “Para a CPLP e os empresários se afirmarem como uma potência económica era importante que houvesse uma política económica comum da CPLP, porque o que vemos agora são concertações políticas e empresariais, mas o foco económico ainda não está vincado, mesmo nos embaixadores dos países junto da CPLP”.

Para o empresário, que falou à Lusa por telefone a partir de Luanda, “era importante haver uma direção comum em termos económicos e os empresários iriam atrás, como por exemplo no caso da livre circulação, que é essencial porque não se pode falar de negócios se não se circular à vontade”.

A vontade política, salientou, “já existe agora”, mas recordou que “dantes havia reservas, nomeadamente do Brasil, mas isso agora mudou drasticamente, o Brasil não tem como dar para trás, não há volta a dar na primazia do pilar económico”.

Com o Brasil empenhado, concluiu, “a CPLP vai conseguir dar o impulso que faltava em termos económicos”. “Agência Lusa”

quinta-feira, 27 de dezembro de 2018

Japão – Pretende fomentar relacionamento económico com a CPLP


Lisboa – A conselheira da embaixada do Japão em Portugal com o pelouro do relacionamento com a CPLP salienta que o país, como observador associado, quer fomentar o relacionamento económico com os Estados lusófonos e promover o português no Japão.

“Compartilhamos valores como os direitos humanos e a democracia, e ao mesmo tempo o Japão tem relações extensas com cada membro da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa, e através desta associação internacional queremos fomentar essa relação muito intensa com cada país lusófono”, disse a chefe adjunta da missão da embaixada do Japão em Portugal.

Em declarações à Lusa, Chiho Komura vincou que o Japão “pediu para ser observador associado” da CPLP também para “fomentar o relacionamento económico e trabalhar para a cooperação e o desenvolvimento” e lembrou que é também com estes objectivos que o gigante asiático realiza de três em três anos uma Conferência Internacional sobre o Desenvolvimento Africano (TICAD – Tokyo International Conference of African Development).

O Japão, concluiu a responsável, “também tem muito interesse em promover a língua portuguesa no Japão” e destacou que ela própria estudou numa universidade “onde a língua portuguesa é ensinada há mais de 100 anos”.

No ano passado, o Japão investiu em África cerca de mil milhões de euros, tendo em Moçambique o segundo maior destino de investimento e ajuda oficial ao desenvolvimento, no valor de 128 milhões de euros, principalmente concentrado no Corredor de Nacala, um fluxo financeiro que só fica atrás dos valores investidos no Quénia. In “Inforpress” – Cabo Verde com “Lusa”

segunda-feira, 24 de dezembro de 2018

Brasil - Exportadoras vão economizar com Portal Único

As empresas exportadoras brasileiras economizarão R$ 44 bilhões por ano em seus custos logísticos com a implantação do Portal Único do Comércio Exterior, de acordo com levantamento preliminar divulgado hoje pelo secretário da Receita Federal, Jorge Rachid.

O levantamento mostra que o portal permitiu uma redução de 13 dias para 6,4 dias o tempo médio necessário para a liberação de mercadorias. A estimativa de economia foi feita levando-se em consideração que, para cada dia de atraso na liberação das mercadorias, as empresas perdem 0,8% do valor exportado.

O novo processo de exportação permitiu, de acordo com Rachid, reduzir a exigência de documentos ou declarações. Em agosto de 2017, foram 831 551 documentos/declarações exigidas para a liberação das mercadorias exportadas. Em agosto de 2018, o número caiu para 69.328 documentos/declarações - redução de 91,7%.

O Portal Único permite a integração entre os diversos órgãos que atuam no comércio exterior, possibilitando reduzir a quantidade de declarações e de informações prestadas pelas empresas exportadoras aos órgãos de controle. Atualmente, 100% das operações de exportação migraram para o novo processo.

Rachid informou que a Receita iniciou o processo para a simplificação das importações. A meta, segundo ele, é reduzir o tempo médio de importação de 17 dias para 10 dias. O potencial de economia que será gerado pela redução de 7 dias no tempo de liberação de mercadorias na importação atingirá cerca de R$ 30 bilhões para os importadores, de acordo com dados divulgados pelo secretário.

Ao fazer ontem um balanço das ações de simplificação adotadas até agora pelo governo, Rachid afirmou que o prazo médio para o pagamento de tributos devidos pelas empresas no Brasil vai cair das atuais 474 horas, estimado pela Fenacom, para apenas 240 horas, até outubro do próximo ano.

O relatório Doing Business - publicado anualmente pelo Banco Mundial e que avalia o grau de regulação de 190 economias ao redor do mundo - informa, em sua publicação de outubro passado, que uma empresa necessita, no Brasil, de 1958 horas para pagar os tributos devidos.

A Receita Federal questiona a pesquisa do Doing Business e prefere adotar a pesquisa feita pela Federação Nacional das Empresas de Serviços Contábeis e das Empresas de Assessoramento, Perícias, Informações e Pesquisas (Fenacon), que estimou em 474 horas o tempo para a empresa pagar seus tributos.

Com a adoção do Sistema Público de Escrituração Digital (Sped), o prazo médio para o pagamento de tributos vem caindo continuamente, observou Rachid. Em 2018, Distrito Federal e Pernambuco entraram no Sped, em relação à escrituração do ICMS/IPI, fazendo com que o sistema agora abranja a totalidade das 27 unidades da Federação. Ribamar Oliveira – Brasil In “Valor Econômico”

sábado, 15 de dezembro de 2018

Moçambique - FMI projecta um crescimento económico de 4,7 por cento para 2019

O Fundo Monetário Internacional (FMI) projecta um crescimento económico, para Moçambique, entre 4 e 4,7 por cento, no próximo ano, segundo indicou, na quarta-feira, 12 de Dezembro, em Maputo, o representante residente desta instituição, em Moçambique.

Ari Aisen, que falava à margem de uma palestra, promovida pela Escola Superior de Altos Estudos e Negócios – ESAEN, uma unidade orgânica da Universidade Politécnica, sob o tema: “A Conjuntura Económica Internacional e Potenciais Impactos nas Economias Emergentes e de Moçambique”, sustentou que o desempenho da economia moçambicana, em 2019, vai depender, em parte, da Decisão Final de Investimentos (FID) das empresas no sector de gás, na bacia do Rovuma, na província de Cabo Delgado.

O representante residente referiu, igualmente, que aliado a este factor, o pagamento aos fornecedores e o contínuo relaxamento cauteloso de uma política monetária podem favorecer o aumento de crédito, assim como a manutenção da paz, que é um elemento central no projecto do crescimento económico do país.

A Decisão Final de Investimentos sinaliza, conforme argumentou Ari Aisen, o grande potencial que Moçambique tem e que poderá catapultar o crescimento da economia para 4,7 por cento.

O orador alertou sobre os riscos que as economias da África subsariana têm, e que podem ser externos, como os preços do carvão e do alumínio, que se espera que não tenham declínio no mercado internacional. Apontou ainda para os factores de risco climáticos, que podem pressionar a política fiscal e económica, tendo, por consequência, recomendado para a observância de uma disciplina fiscal acentuada.

“Recomendamos uma disciplina fiscal neste processo, para evitar situações de agravamento, depreciação e inflação da moeda, quando comparado com o que o País registou no ano passado, com o Produto Interno Bruto (PIB) a registar uma subida de 3,5 pontos percentuais, em 2018, para 4,7 por cento, como projecção em 2019”, disse Ari Aisen.

A inflação também registou uma estabilidade, com o registo de 6,5 pontos percentuais, em 2018, e projecta-se 5,5 pontos percentuais para 2019. A taxa de câmbio, segundo Ari Aisen, continuará estável em 2019.

Abordado momentos após a palestra, Narciso Matos, Reitor da Universidade Politécnica, disse ter tirado várias ilações da apresentação feita pelo representante do FMI em Moçambique, particularmente no que se refere às projecções do ano económico de 2019.

Sobre o evento, Narciso Matos explicou que se insere no novo ciclo de palestras, que visa orientar os estudantes da maior universidade privada do País, o corpo docente e convidados, sobre as dinâmicas da economia nacional e suas directrizes. In “Olá Moçambique” - Moçambique

sábado, 24 de novembro de 2018

Brasil - Economia cresce 1% no terceiro trimestre de 2018, diz FGV

A economia brasileira cresceu 1% do segundo para o terceiro trimestre deste ano. A informação é do Monitor do PIB (Produto Interno Bruto, que é a soma de todos os bens e serviços produzidos no país), da Fundação Getúlio Vargas (FGV).

De acordo com a pesquisa, divulgada hoje no Rio de Janeiro, o PIB se expandiu 1,7% na comparação com o terceiro trimestre do ano passado, e acumula alta de 1,6% em 12 meses.



Considerando-se apenas setembro, houve avanços de 0,4% na comparação com agosto deste ano e de 1,1% em relação a setembro de 2017.

O crescimento de 1% do segundo para o terceiro trimestre foi seguido pelos três grandes setores produtivos: serviços (0,7%), indústria (0,7%) e agropecuária (2,4%). Entre os segmentos da indústria, a maior alta foi anotada na construção (1,5%).

Também teve crescimento a indústria da transformação (0,7%).

No entanto, tiveram queda a indústria extrativa mineral (-0,7%) e a geração de eletricidade (-0,4%).

Entre os serviços, as maiores altas foram observadas nos segmentos de transportes (2,5%) e comércio (1,3%). Apenas o setor de outros serviços teve queda, de 0,1%.

Demanda

Sob a ótica da demanda, a alta foi puxada principalmente pela formação bruta de capital fixo, que são os investimentos. 

O setor cresceu 7% de um trimestre para outro. O consumo das famílias também aumentou, mas de forma mais moderada: 0,7%. O consumo do governo, por outro lado, caiu 0,1%.

No setor externo, observou-se um avanço de 8,6% nas exportações entre o segundo e o terceiro trimestre. As importações, no entanto, tiveram um crescimento mais expressivo no período: 11%. Vitor Abdala – Brasil in “Agência Brasil”

quarta-feira, 7 de novembro de 2018

Lusofonia - Com a mobilidade é mais fácil fazer negócio na CPLP

A revista Capital foi tentar saber junto de Salimo Abdula, presidente da Confederação Empresarial da CPLP (CE-CPLP), qual é o maior desafio da organização que representa face ao objectivo de atingir um bom ambiente de negócios na CPLP, e aquele dirigente referiu que a maior luta, até ao momento, tem sido criar condições de livre circulação de pessoas, bens e mercadorias na CPLP e a redução da corrupção, da burocracia e das barreiras administrativas e legais que têm atrasado o desenvolvimento

A mobilidade e a circulação de pessoas e bens é um dos pontos focais para a recém presidência da CPLP. No seu entender, em que medida essa nova forma de administração da CPLP poderá melhorar o actual panorama económico entre os estados-membros em particular e a da comunidade no geral?

Para a CE-CPLP, o caminho do desenvolvimento económico da CPLP para além da superação das barreiras legais e administrativas, são sinergias. Os PALOP, por exemplo, têm recursos (água, e terra, minérios, etc.), têm mão de obra abundante e países como o Brasil e Portugal têm ‘know how’ e maior capacidade para investir. Então, há que unir o útil ao agradável. E para que seja possível aprimorar as sinergias, precisamos de rapidez, flexibilidade e dinamismo e isso será possível através da mobilidade de pessoas e bens.

Acha que a mobilidade de pessoas e bens irá dinamizar as relações entre as associações económicas e empresariais da CPLP bem como entre as empresas?

Sem dúvida. A mobilidade permite acelerar a integração de processos, maior rapidez e dinamismo nas transacções entre os estados membros, bem como incrementar o ‘know-how’ e aproveitamento de recursos humanos. Com a mobilidade será mais fácil fazer negócio entre os países membros.

A nova presidência da CPLP dará ênfase à economia azul, a resolução da problemática dos oceanos, ou seja, as políticas de desenvolvimento sustentável estarão em alta. Que ganhos poderão advir destas políticas?

O desenvolvimento sustentável é condição basilar para o crescimento e a sustentabilidade de qualquer recurso, seja do mar, da terra, ou outro. Desenvolvimento sustentável é garantir o futuro, na medida em que permite que as gerações vindouras usufruam dos recursos hoje existentes. Portanto, esta postura de ênfase na economia azul e desenvolvimento sustentável trará benefícios a nível económico e social. O papel dos Estados será garantir as infraestruturas e a fiscalização adequada, os empresários deverão investir, e naturalmente, daqui teremos mais ganhos a nível da renda, emprego e qualidade de vida das pessoas.

Qual é a avaliação que faz do ambiente de negócios que poderá surgir com a presidência cabo-verdiana?

Avaliação Positiva. Contudo, penso que não é uma questão de uma ou outra presidência, mas sim de um trabalho continuado e integrado das várias presidências da CPLP. Estou seguro que assim como Timor-Leste, e recentemente o Brasil o fez, Cabo-Verde vai dar excelente continuidade à ideia que os estados têm de tornar a CPLP cada vez mais económica. Ao pretender se focar na mobilidade e no desenvolvimento sustentável, esta presidência vai naturalmente assumir particular protagonismo se os resultados forem os que esperamos. Mas, repito, este trabalho não poderá parar por aqui, será necessário a continuidade nas próximas presidências. Só assim teremos um ambiente de negócios saudável.

O sector privado da CPLP desempenha um papel inestimável no crescimento económico e empresarial do espaço lusófono. Actualmente, quais são os maiores desafios deste sector?

O nosso maior desafio, e que tem sido a nossa luta até aqui, é criar condições de livre circulação de pessoas, bens e mercadorias na CPLP, a redução da corrupção, da burocracia e das barreiras administrativas e legais que têm atrasado o nosso desenvolvimento. Um bom ambiente de negócios na CPLP só poderá ser criado e fortalecido desta forma, uma vez que nos permitirá fazer o casamento entre oportunidades, ‘know-how’, e demais capacidades que cada um dos nossos países possui, promovendo gradualmente a integração económica da comunidade.

O Direito Fiscal é uma das questões mais importantes na economia dos estados-membros da CPLP. A dupla tributação em matéria de Impostos Sobre o Rendimento é um ponto muito delicado. A Convenção Multilateral entre os estados-membros veio para resolvê-lo. Quais são as vantagens deste Acordo?

Este acordo permitirá evitar a dupla tributação em matéria de Impostos sobre o Rendimento e, ao mesmo tempo, atenuar as oportunidades para a criação de fenómenos de dupla não-tributação e evasão fiscal.

Na última conferência das Confederações Económicas da CPLP, que se realizou em Maputo, foi abordada a pertinência de se criar um Banco da CPLP. De que modo tal será possível e em que estágio se encontra esse projecto? Quais serão as vantagens associadas a uma instituição financeira dessa natureza?

Este projecto só será possível reunindo o consenso dos países membros e quando todos assumirem a necessidade da sua existência. Um banco desta natureza deverá ter um modelo de gestão de participativo por parte dos países membros com igual proporção de votos na assembleia geral e um conselho de administração e direção executiva que paute pela equidade. Neste momento, o projecto precisa de ser consolidado junto dos estados, para poder avançar. Há muitas vantagens associadas, entre as quais podemos destacar o contributo para o estabelecimento de parcerias de negócio, investimento e financiamento numa lógica inclusiva, de equidade e reciprocidade, envolvendo agentes económicos de cada um dos Estados. Podemos ainda referir enquanto vantagens:favorecer a dinâmica de investimento em áreas críticas de desenvolvimento;conferir escala e melhor percepção de risco no acesso aos mercados financeiros; reforçar o escrutínio, independência e credibilização das propostas de financiamentoe promover a valorização e intercâmbio entre instituições dos diferentes Estados. Helga Nunes e Mateus Fotine – Moçambique in “Revista Capital” com “Olá Moçambique”

quarta-feira, 31 de outubro de 2018

Estados Unidos da América - Marca portuguesa Claus Porto abre primeira loja internacional em Nova Iorque

A marca portuguesa de luxo Claus Porto, da indústria de sabonetes, abriu, esta semana, a sua primeira loja internacional em Nova Iorque, com um 'design' de interior em que tudo remete para Portugal



«Há uma ligação direta e total a Portugal», disse à agência Lusa o diretor-geral da companhia detentora Ach Brito, Francisco Neto, na loja localizada em 230 Elizabeth Street, no bairro Soho.

Todos os produtos da Claus Porto, que incluem sabonetes, cosmética, perfumaria, creme de mãos e velas difusoras, são de fabrico nacional, mantendo sempre como pilares o luxo e a excelência.

As paredes da loja de Nova Iorque são como um túnel, «inspirado nos arcos da estação de comboios de São Bento do Porto» e talhado em cortiça, «o material natural mais nobre e representativo de Portugal», explica o presidente executivo, Francisco Neto.

Um túnel branco, que também serve de montra, para que a cor seja dada pelas inúmeras embalagens decorativas dos produtos da Claus Porto.

O lavatório, no centro da loja, é feito em mármore de Estremoz e até os copos das velas difusoras são feitos de porcelana portuguesa.

A abertura de uma loja em Nova Iorque, um local que tem à volta uma grande comunidade lusófona, pode despertar «interesse especial» e «orgulho, por ser uma marca portuguesa», mas os responsáveis acreditam que a Claus Porto «não é mais acarinhada por portugueses do que por coreanos», nas palavras de Francisco Neto.

«A marca é adorada na Coreia do Sul, descobrimos isso recentemente», contou.

«O que sentimos quando vemos a marca em Tóquio, em Paris, em Londres ou aqui é uma contemporaneidade internacional», diz o diretor-geral.

Com mais de 130 anos de existência, criada no Porto em 1887 e pertencente à empresa Ach Brito a partir de 1924, a marca representa nos seus produtos muito da história de Portugal, mas é mais conhecida e comercializada fora do país.

A Claus Porto (chamada Claus & Schweder até finais dos anos 1920) «sempre teve uma vertente mais internacional» e vendeu os produtos dentro e fora de Portugal através de parceiros, distribuidores e retalhistas, enquadra Aquiles Brito, administrador não executivo da companhia Ach Brito, fundada em 1918 pelo seu bisavô, Achilles de Brito.

Os Estados Unidos sempre tiveram muito peso na faturação da empresa, revela o administrador. Antes de se estabelecer com uma loja própria, a marca já podia ser encontrada «nos melhores retalhistas dos Estados Unidos e em boutiques de luxo».

Aquiles Brito acredita que a concorrência é forte em Nova Iorque: «são empresas muito fortes, algumas delas espalhadas mundialmente, detidas por grandes grupos económicos», que ultrapassam a faturação da Ach Brito, detentora da Claus Porto.

«É um desafio mais interessante, porque é sinal que a marca tem muito potencial para crescer», diz o administrador.

Francisco Neto conclui que a Claus Porto quer «pertencer a esse clube de marcas que convivem saudavelmente. Mais do que competem, convivem». In “Revista Port. Com” – Portugal com “Lusa”

segunda-feira, 15 de outubro de 2018

Timor-Leste - “Viciado pelo petróleo” e sem alternativas económicas



Timor-Leste é um país “viciado pelo petróleo”, cujo potencial “não está a ser estimulado, desenvolvido, trabalhado”, importando quase tudo o que consome e sem políticas públicas geradoras de emprego, disse o Presidente timorense.

“Estamos a importar quase tudo. Temos um desemprego considerável e até agora uma teimosa incapacidade de políticas públicas geradoras de emprego”, afirmou, em Díli, Francisco Guterres Lu-Olo. Na análise da situação actual, o Presidente timorense repetiu uma mensagem antiga, de que “a economia está excessivamente dependente das receitas petrolíferas”. “O êxodo rural é um problema sério que desde já tem implicações negativas no nosso país. O reforço do sector privado, um verdadeiro imperativo na esfera económica”, afirmou num discurso perante os principais empresários do país.

Francisco Guterres Lu-Olo falava na abertura do 3.º Congresso Nacional da Câmara de Comércio e Indústria de Timor-Leste (CCI-TL), numa altura em que o país atravessa uma grave crise económica, provocada por mais de um ano de tensão política, ainda não totalmente resolvida. O encontro conta com a presença de vários dos principais empresários timorenses e representantes de associações, cooperativas e entidades dos 12 municípios e da Região Administrativa Especial de Oecusse-Ambeno (RAEOA).

Sob o tema “Por um Sector Privado Mais Criativo, Produtivo e Sustentável”, esta reunião marca uma vontade de reforço da capacidade organizativa e de capacitação empresarial nacional para responder aos desafios nacionais, considerou. “O sector privado tem um papel importante no desenvolvimento de qualquer economia. O Estado não pode deter o monopólio de potenciar a actividade económica do país, ou seja, não pode dinamizar a economia do país, detendo competência exclusiva”, disse Lu-Olo.

O Chefe de Estado lembrou que quase 90% do orçamento é financiado através do Fundo Petrolífero de onde, desde a sua criação em 2005 e até 2017, “foram levantados mais de 9,6 mil milhões de dólares”, com as receitas domésticas não petrolíferas a representarem pouco mais de 7% do Produto Interno Bruto (PIB). “Um dos principais desafios da economia de Timor-Leste é o enorme desequilíbrio da sua balança comercial devido a importações muito grandes que não são compensadas por exportações significativas”, afirmou.

No ano passado, as importações de bens e serviços corresponderam a 58% do produto interno bruto não-petrolífero, com um défice comercial anual de mais de 900 milhões de dólares americanos, referiu. Lu-Olo insistiu que é urgente fortalecer outros sectores da economia, com destaque para a agricultura e pescas, o que ajudaria igualmente a combater a subnutrição no país e a fortalecer o emprego.

“O desemprego é um dos problemas mais graves da nossa sociedade actual. Apesar do sector privado timorense contribuir com mais de 60 mil empregos, ainda não é suficiente para acomodar os mais de 15 mil jovens que anualmente entram no mercado de trabalho”, alertou. Aos empresários, o Chefe de Estado sublinhou que “o sector privado nacional ainda é muito fraco” e exige esforços de capacitação, comprometendo-se a articular com o Governo para ajudar “a dotar de meios e de recursos o sector privado nacional” na fase actual de arranque. In “Ponto Final” – Macau com “Lusa”

quarta-feira, 5 de setembro de 2018

Timor-Leste - Dados económicos confirmam desaceleração da economia

A tensão política que marcou o último ano em Timor-Leste está a ter um grande impacto na economia do país, com indicadores macroeconómicos a confirmarem uma contração económica profunda, especialmente no setor não-petrolífero.

As previsões mais recentes do Banco Mundial, por exemplo, revelam que a economia regrediu 1,8% em 2017, muito longe do crescimento de 5,3% de 2016.

A nível do PIB não-petrolífero, o próprio Ministério do Plano e Finanças indica nos documentos do Orçamento Geral do Estado (OGE) para este ano – em debate atualmente no parlamento – que a economia recuou 5,3% no ano passado, crescendo apenas 0,6% este ano.

Os mesmos documentos referem inclusive uma queda de 5,1% no número de pessoas com emprego formal, especialmente devido à redução no setor da construção que tem estado seriamente condicionado pelo menor investimento do Estado em infraestruturas e obras públicas.

Recorde-se que no último ano Timor-Leste viveu um dos períodos políticos mais tensos, com a dissolução do parlamento, eleições legislativas antecipadas e a queda do Governo.

Uma situação ainda não totalmente resolvida – apesar de um Governo apoiado por uma coligação maioritária – com grandes solavancos na coabitação entre o chefe de Estado e os partidos do executivo relativamente à nomeação de alguns membros do Governo, incluindo para posições chaves como são o caso do Ministro das Finanças, do Interior ou da Saúde.

Apesar dessa instabilidade política não ter causado instabilidade social – praticamente não houve conflitos de natureza política e a criminalidade mantém-se relativamente idêntica – o mesmo não se pode dizer da economia do país.

Quando se cumprem 16 anos da restauração da independência, Timor-Leste meteu travão a fundo num crescimento económico que tem estado entre os mais elevados da região e está hoje a regredir ou praticamente estagnado.

Com o país a duodécimos desde 01 de janeiro – o novo Governo espera aprovar o orçamento para 2018 apenas em meados de setembro, tendo depois que passar ainda o crivo do Presidente -, a economia timorense, que vive em grande parte dependente do Estado, tem-se ressentido seriamente.

A situação agravou-se em julho quando o dinheiro disponível nos cofres do Estado praticamente acabou e não foi feito qualquer levantamento adicional do Fundo Petrolífero.

Um dos exemplos mais gritantes é a da dívida à ETO, a empresa que fornece diesel para as centrais elétricas do país, que já ascendia este mês a “entre 25 e 30 milhões de dólares”.

As reservas chegaram ao limite e chegou mesmo a estar em risco o fornecimento elétrico ao país, ‘salvo’ por um pagamento parcial da dívida, de sete milhões, feito em meados de agosto.

Muitos empresários, de média e pequena dimensão, falam da falta de liquidez, com empresas e pequenos negócios a fechar, empresários a ter que recorrer à banca para se financiar enquanto não recebem do Estado ou enquanto esperam que a máquina de concursos públicos volte a acelerar motores.

O emergente setor de serviços do país e paralelamente da emergente classe média nacional são os primeiros a ressentir-se com restaurantes, lojas ou outro tipo de serviços a relatar quedas significativas nas vendas.

Ainda que os salários de muitos – especialmente funcionários públicos – se tenham mantido, há mais conservadorismo nos gastos por recearem a duração da crise.

Muitos subcontratados estão desempregados ou não viram os seus contratos renovados, procedeu-se à redução no número de assessores – e o impasse que levou muitos a optarem por sair do país faz-se sentir em aspetos como arrendamentos de casa, contratações de empregados domésticos ou consumo nos supermercados.

Nos primeiros oito meses deste ano, por exemplo, o Portal de Transparência do Ministério das Finanças regista receitas não-petrolíferas (impostos sobre importações ou tributários, por exemplo) de cerca de 137,62 milhões de dólares (cerca de 118 milhões de euros), ou cerca de 17,2 milhões por mês (cerca de 15 milhões de euros).

Um valor idêntico à média mensal de 17,51 milhões de dólares registada em 2017, mas abaixo dos mais de 19 milhões por mês de 2016. O próprio Governo nota nos livros orçamentais para 2018 que “o fraco desempenho do crescimento do PIB, afetou negativamente as receitas fiscais, as quais são o principal componente das receitas não-petrolíferas”.

O impacto da situação política no funcionamento do Estado torna-se igualmente evidente pelos gastos públicos que continuam a ser o maior motor da economia, tanto direta como indiretamente.

Nos primeiros oito meses do ano o Estado gastou 503,18 milhões de dólares (433 milhões de euros) ou cerca de 62,9 milhões por mês (53 milhões de euros). Um valor que é cerca de um terço menor do que a média de 98,64 milhões gastos mensalmente em 2017 (foram executados 1,18 mil milhões de dólares), mas que é significativamente menor do que o verificado em 2016.

Nesse ano, o Estado gastou 1,63 mil milhões de dólares, o que representa cerca de 135,83 milhões de dólares mensais, mais do dobro do que gastou por mês nos últimos 20 meses. In “Dinheiro Vivo” – Portugal com “Lusa”

sábado, 25 de agosto de 2018

Macau - A economia cresceu 6,0 % no 2º trimestre de 2018

No segundo trimestre de 2018 o Produto Interno Bruto (PIB) registou um crescimento homólogo de 6,0% em termos reais, visto que as exportações de serviços e a despesa de consumo privado subiram estavelmente. O crescimento económico do segundo trimestre foi inferior ao registado no trimestre anterior (+9,2%), sobretudo devido ao estreitamento do aumento das exportações de serviços e à diminuição acentuada do investimento. No primeiro semestre a economia registou um crescimento homólogo de 7,6%, em termos reais.

A procura externa manteve-se ascendente, com um acréscimo anual de 13,0% nas exportações de serviços, com destaque para +13,7% nas exportações de serviços do jogo e +13,0% nas exportações de outros serviços turísticos, tendo as exportações de bens subido 30,0%.

A procura interna desceu tenuemente, arrastada essencialmente por uma contracção anual de 11,9% no investimento. A despesa de consumo privado e a despesa de consumo final do governo aumentaram 5,3% e 5,1%, respectivamente, enquanto as importações de bens subiram 10,0%.

O deflactor implícito do PIB, que mede a variação global de preços, registou um crescimento anual de 3,5%.

A despesa de consumo privado cresceu estavelmente. A situação favorável do emprego, com subidas do número total de empregados e do rendimento do emprego, impulsionou um aumento homólogo de 5,3% na despesa de consumo privado, percentagem superior à registada no primeiro trimestre (+4,8%). Aumentou também a despesa de consumo final das famílias: 4,9% no mercado e 3,3% no exterior.

A despesa de consumo final do governo subiu 5,1% em termos anuais, percentagem superior à registada no primeiro trimestre (+2,2%). Realçam-se os acréscimos de 3,3% nas remunerações dos empregados e de 8,8% nas aquisições líquidas de bens e serviços.

O investimento privado diminuiu, com agravamento do decréscimo do investimento global em activos fixos. O investimento global em activos fixos desceu 11,9% em termos anuais, ou seja, uma queda muito acentuada em comparação com a registada no trimestre precedente (-1,9%). Quanto ao investimento do sector privado, o investimento em activos fixos do sector privado desceu substancialmente 18,9%, dada a conclusão sucessiva das obras de grandes empreendimentos turísticos e de entretenimento, bem como de edifícios residenciais. Salienta-se o recuo de 22,0% no investimento em construção, tendo contudo crescido 7,4% o investimento em equipamento. No que concerne ao investimento do sector público, o enorme investimento em diversos projectos de infra-estrutura impulsionou um crescimento anual de 28,9% no investimento em activos fixos do sector público, realçando-se os aumentos de 21,8% em obras públicas e de 154,7% em equipamento.

O comércio externo de mercadorias cresceu incessantemente. A procura global manteve-se ascendente, destacando-se os aumentos anuais de 30,0% nas exportações de bens e de 10,0% nas importações de bens, superiores respectivamente aos 12,8% e 7,0% do primeiro trimestre.

As exportações de serviços continuaram a ser a principal força motriz do crescimento económico, apesar da contracção da subida. As exportações de serviços estreitaram-se de +16,0% no trimestre anterior para +13,0% no trimestre de referência, observando-se aumentos de 13,7% nas exportações de serviços do jogo e de 13,0% nas exportações de outros serviços turísticos. Por seu turno, as importações de serviços registaram um aumento de 19,3%, significativamente mais baixo do que o verificado no trimestre anterior (+34,2%). In “Direcção dos Serviços de Estatística e Censos de Macau” – Macau

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terça-feira, 21 de agosto de 2018

Moçambique - A economia cresceu 3,4% no 2º trimestre de 2018

O Produto Interno Bruto a preços de mercado (PIBpm) apresentou uma variação positiva de 3,4% no II Trimestre de 2018 comparado ao mesmo período do ano anterior (Gráfico 1.1).

Em termos acumulados, embora com uma queda nos ramos da electricidade, gás e água, e construção, as estimativas do primeiro semestre de 2018 comparado ao mesmo período de 2017, mostram um crescimento do PIB em cerca de 3,3%.

Análise Sectorial

O desempenho da actividade económica no segundo trimestre de 2018 é atribuído em primeiro lugar ao sector terciário que cresceu 3,9% (Gráfico 1.2), com maior destaque para o ramo dos transportes armazenagem e actividades auxiliares dos transportes, e informação e comunicações com 2,7%. Ocupa a segunda posição o sector primário com um crescimento de 3,8% induzido pelo ramo da indústria de extracção mineira com um crescimento de cerca de 8,3%. O sector secundário registou um ligeiro crescimento de cerca de 0,3% impulsionado pelo ramo da indústria transformadora com uma variação positiva de 2,5%.

No período em análise, o ramo da agricultura, pecuária, caça, silvicultura, exploração florestal e actividades relacionadas, teve maior participação na economia com um peso no PIB de 26,6% (Gráfico 1.3) seguido dos ramos dos transportes armazenagem e actividades auxiliares dos transportes, e informação e comunicações com uma contribuição conjunta de 11,0 %. Ocupando o terceiro lugar, está o ramo do comércio e serviços de reparação com 10,4%, seguido do ramo da indústria transformadora, com um peso de 8,4%. O ramo da educação, aluguer de imóveis e serviços prestados às empresas e a administração pública e indústria de extracção mineira, apresentam um peso de 7,0%, 6,2%, 6,1% e 5,8% respectivamente. Os restantes ramos de actividade tiveram em conjunto um peso de 16,9%. Instituto Nacional de Estatística – Moçambique

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sábado, 30 de junho de 2018

Brasil - Ipea prevê crescimento econômico de 1,7% em 2018 e 3% em 2019

Visão Geral da Carta de Conjuntura, divulgada na quinta-feira passada, 28, aponta fatores externos e internos para a revisão das projeções

A combinação da piora do cenário externo com incertezas sobre o cenário interno levaram o Grupo de Conjuntura do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) a revisar algumas das projeções macroeconômicas para 2018 e 2019. A previsão para o crescimento do produto interno bruto (PIB) - o conjunto das riquezas do país - foi reduzida de 3% para 1,7%, conforme a seção Visão Geral da Carta de Conjuntura nº 39 do Ipea, divulgada nesta quinta-feira, 28, em coletiva de imprensa no Rio de Janeiro.

Em relação ao cenário externo, o estudo aponta que dois fatores com origem nos Estados Unidos parecem ter influenciado fortemente a economia brasileira: a perspectiva de uma elevação mais rápida dos juros e o recrudescimento das medidas protecionistas contra importações nos EUA. Essa mudança no cenário internacional aumentou a pressão sobre a taxa de câmbio - o real já se desvalorizou 20% ante o dólar desde o final de janeiro deste ano. Essa desvalorização é o dobro da variação média de 10% da taxa de câmbio de países emergentes, indicando que fatores específicos à economia brasileira estariam amplificando os efeitos do choque externo.

A seção da Carta de Conjuntura mostra que, embora a percepção de risco de diferentes países emergentes tenha aumentado, o risco específico associado ao Brasil aumentou significativamente mais que o referente a outros emergentes nos últimos meses. A indefinição sobre como será enfrentado o problema fiscal no país, somada aos efeitos da greve dos caminhoneiros, representou um choque de oferta negativo sobre a economia, com significativa perda de produto e aumento de preços, com impactos diretos e indiretos sobre as contas públicas.

O documento explica que o desempenho deste ano deve ser impulsionado pelo consumo das famílias (2,3% de crescimento) e pelos investimentos (alta de 3,6%). Haverá aumento também do PIB da indústria (1,4%) e de serviços (1,8%). Já o consumo do governo deverá diminuir 0,5%, e a expectativa para o PIB agropecuário é de queda de 1%. Para 2019, a projeção é de um crescimento de 3% do PIB.

"No ano passado tivemos uma deflação no setor de alimentos. Neste ano, prevemos um aumento de 3,9% e, embora possa parecer, a greve dos caminhoneiros não é a principal causa desse aumento. O que deve acontecer no restante do ano é uma reversão da tendência de queda dos preços dos alimentos ao consumidor final, o que já era esperado antes da greve", afirma José Ronaldo de Castro Souza Júnior, diretor de Estudos e Políticas Macroeconômicas do Ipea.

A Visão Geral projeta uma inflação (IPCA) de 4,20% em 2018 e 4,30% em 2019. O impacto da greve dos caminhoneiros, bem como o aumento do dólar e quebras de safra, tanto no Brasil quanto na Argentina, afetou negativamente a inflação de vários subgrupos para o mês de maio, com destaque para "Tubérculos, Raízes e Legumes", "Hortaliças e Frutas", "Leite e Derivados", "Farinhas, Féculas e Massas".

Segundo o trabalho, "a retomada de uma trajetória de crescimento sustentado no país depende de forma crucial do equacionamento do desequilíbrio estrutural das contas públicas, o que só poderá ser alcançado mediante a aprovação de reformas importantes no Congresso Nacional - dentre as quais a reforma previdenciária. Enquanto esta questão não for sanada, a economia brasileira continuará vulnerável a vários tipos de choques externos e domésticos, devendo apresentar crescimento baixo e volátil". In “Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada” – Brasil

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sexta-feira, 22 de junho de 2018

Brasil – Segundo o IBGE, 13,8 mil indústrias foram fechadas no Brasil em três anos



A crise econômica levou ao fechamento de 13,8 mil indústrias no Brasil em três anos. No mesmo período, os investimentos no setor industrial sofreram uma queda de 23,85%. É o que aponta a Pesquisa Industrial Anual Empresas (PIA-Empresas) divulgada nesta quinta-feira (21) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Os dados são de 2016.

De acordo com o levantamento, havia 321,2 mil indústrias ativas em 2016 no país, 4,1% a menos que em 2013, antes da crise, quando o número de empresas do setor industrial era de 335 mil. O fechamento das empresas foi mais acentuado entre 2014 e 2015, quando 10,5 mil indústrias fecharam as portas. O IBGE destacou que as indústrias de transformação representam quase a totalidade das empresas do setor - as extrativas correspondem a cerca de 2% do total de indústrias.

Segundo o IBGE, os resultados negativos do setor industrial a partir de 2014 têm relação com o cenário macroeconômico do país no período.



Menos investimento e emprego

Ainda segundo a pesquisa, entre 2013 e 2016 os investimentos no setor industrial sofreram uma queda de 23,8%. Em valores reais (deflacionados a preços de 2016), em 2013 os investimentos somaram R$ 244 bilhões, e em 2016 totalizaram R$ 185,9 bilhões.

Outra consequência do fechamento das empresas foi a redução de 1,3 milhão no número de postos de trabalho do setor industrial brasileiro. Em 2013, eram 9 milhões de empregados na indústria e em 2016 o total de empregados era de 7,7 milhões - uma queda de 14,25%.

“Comparando com 2015, as atividades que mais chamam atenção nessa questão da ocupação são: fabricação de produtos de minerais não metálicos (cimento, vidro, concreto, entre outros), fabricação de coque, derivados de petróleo e biocombustíveis e a fabricação de móveis”, disse o gerente da pesquisa, Jurandir Oliveira.



As indústrias brasileiras venderam menos nesse período. A receita líquida de vendas sofreu queda de 6,5% em 3 anos, passando de R$ 3 trilhões em 2013 para R$ 2,8 trilhões em 2016, segundo o IBGE.

Vendas da indústria

Segundo o IBGE, em 2016, as atividades com as maiores participações nas vendas industriais foram: produtos alimentícios (19,9%), produtos químicos (11,1%), coque, derivados do petróleo e biocombustíveis (10,2%), veículos automotores, reboques e carrocerias (8,5%) e metalurgia (6,2%).

O instituto destacou que, na comparação com 2015, produtos alimentícios foi o setor que mais ganhou participação nas vendas (17,4% para 19,9%). Já coque, produtos derivados do petróleo e biocombustíveis foi a que mais perdeu (11,1% para 10,2%).

No mesmo período, desodorante foi o produto que mais subiu no ranking da indústria - passou da 146ª para a 90ª colocação. Já massa de concreto para construção foi o que mais perdeu, saindo da 36ª para 68ª posição.

Indústria Naval

A derrocada do setor petroleiro no Brasil durante a crise econômica fez com que a indústria naval tivesse a maior retração dentro do setor industrial.

Em dois anos, entre 2014 e 2016, quase metade das vagas na construção de embarcações foram fechadas no país. Neste período, o pessoal ocupado na área de caiu de 61.543 para 31.505, uma queda de 49%.

No Rio de Janeiro, a redução da mão de obra foi ainda maior no ramo naval: 74,2% dos postos de trabalho foram fechados entre 2014 e 2016, conforme destacou o IBGE. O número de pessoas ocupadas no setor caiu de 31.271 para 8.092.

O valor real bruto da produção industrial no setor naval caiu 71%, entre 2014 e 2016, passando de R$ 6,8 bilhões para R$ 1,97 bilhões.

“A gente sabe que a indústria naval teve o crescimento impulsionado, principalmente, pelas embarcações e flutuantes para a indústria do petróleo. Quando vamos observar o nível de investimento do petróleo e do refino, vemos uma queda bastante considerável de 2015 a 2016 e isso provavelmente se reflete nos novos contratos do setor naval. Podemos relacionar isso à queda da mão de obra e no próprio valor bruto da produção industrial”, explicou o gerente da pesquisa, Jurandir Oliveira. Daniel Silveira – Brasil in “G1 – Globo”

sexta-feira, 8 de junho de 2018

Estados Unidos da América – Casas construídas por impressora 3D

A impressora chama-se Vulcan e promete construir uma casa de quatro divisões em menos de um dia e ser solução para 1,2 mil milhões de pessoas



Há muito que as impressoras 3D entraram na construção civil, para fazer componentes ou até partes inteiras de uma casa. Mas, agora, há uma empresa que diz ter uma solução que pode trazer, com relativa facilidade, casas para quem mais precisa de um teto.

Um objetivo comum juntou duas empresas. A New Story, uma organização sem fins lucrativos sediada em Silicon Valley, na Califórnia, passou os últimos anos a tentar repensar a forma como se constroem casas, para fornecer habitação a quem vive em pobreza extrema. Nos últimos tempos juntou-se à Icon, uma empresa de tecnologia de construção, juntas criaram uma impressora 3D que consegue construir uma casa em menos de um dia.

O projeto foi apresentado, esta segunda-feira, em Austin, no Texas, no festival de música, cinema e tecnologia, SXSW (South by Southwest). E em que consiste? A impressora, de seu nome Vulcan – a fazer lembrar o planeta de Spock, a mítica personagem de Star Trek -, constrói uma casa de um só piso, com cerca de 60 m2, feita em cimento e em tempo recorde, de 12 a 24h. Foi feita uma casa usando esta técnica de propósito para o festival.

E quanto custa?

Para já, o preço atual de imprimir uma casa completa com a Vulcan ronda os 8 mil euros. A empresa garante que, em breve, o preço vai baixar para os três mil euros. O novo método está a ser preparado para fazer parte do projeto da New Story, que tem construído casas de baixo custo em lugares como o Haiti e El Salvador. Será precisamente em El Salvador que serão construídas, em breve, 100 novas casas com este método.

Até agora, mesmo os métodos tradicionais mais eficientes de construção estavam a demorar quase um mês e, com as impressoras 3D, além da rapidez (12 a 24h de construção), os preços caem vertiginosamente.

Como funciona

O modelo preparado pelas duas empresas inclui sala, quarto, casa de banho e um alpendre. O que marca a diferença do projeto é a possibilidade de o levar para os locais onde está quem mais precisa de casa – um relatório do Instituto de Ross Center para Cidades Sustentáveis indica que 1,2 mil milhões de pessoas no planeta vivem sem alojamento adequado.

“Há outras companhias que já imprimiram casas e estruturas, mas fazem-no em armazéns ou parecem a cabana do Yoda”, explicou ao site The Verge, Jason Ballard, um dos três fundadores da Icon. O responsável acredita que, para que o projeto possa ser bem sucedido, as casas têm de ter qualidade, “daí o uso de cimento e não de plástico, que pode dar problemas”.

A nova impressora 3D, bem como outro equipamento, é fabricado de modo a ser resistente e a caber num camião pequeno, para que seja facilmente transportado para as zonas rurais. Toda a estrutura é em cimento, com o objetivo de tornar a estrutura num lar resistente e duradouro.

A impressora é montada de forma a construir a base e as paredes – pode ir até aos 74 m2 (ficando já com dois quartos) – e só o telhado não é feito na impressora. Além de ser resistente a tempestades, os novos donos irão ter uma casa energeticamente eficiente.

Os responsáveis do projeto permitem que, qualquer pessoa ou organização, possa doar uma destas casas – três mil euros dá para uma casa, enquanto 32 mil euros permite construir 10 casas. João Tomé – Portugal in “Dinheiro Vivo”