Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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sexta-feira, 31 de julho de 2026

Moçambique - “O Veredicto” une música, teatro e dança no Centro Cultural Moçambique-China

O musical “O Veredicto” sobe ao palco na próxima sexta-feira, no Centro Cultural Moçambique-China, com a proposta de unir teatro, canto, dança e performance visual numa reflexão sobre as histórias, vivências e expressões que compõem o património cultural moçambicano. Mais do que um espetáculo, os promotores apresentam a iniciativa como um apelo à valorização da cultura nacional e à aproximação do público às produções artísticas do país.


Durante a conferência de imprensa de apresentação do musical, o produtor Zé Pires afirmou que a obra pretende contribuir para o resgate da música moçambicana, que, na sua perspetiva, tem perdido espaço junto da própria sociedade.

“Fazemos com este musical, com esta obra que é um teatro musicado, um clamor a toda a sociedade para o resgate e a recuperação da nossa música como uma plataforma importante que foi praticamente abandonada pela própria sociedade.”

Segundo Zé Pires, a principal razão da criação do espetáculo é formar novos públicos e incentivar os moçambicanos a voltarem às salas de espetáculo.

“A essência deste espetáculo, aquilo que foi a razão por que foi criado, é a construção de uma audiência, a formação de audiências.”

O produtor reconheceu que um dos maiores desafios enfrentados pelos artistas nacionais é conquistar público para os seus eventos.

“Hoje em dia temos muita dificuldade de ter um espetáculo de música ou de qualquer arte sem a gente ter uma casa cheia. Estamos com uma casa de 1500 lugares e, para a ter cheia, é um transpirar que vocês não estão a imaginar.”

Também presente na conferência de imprensa, o artista Roberto Chitsondzo alertou para o que considera ser um progressivo afastamento dos artistas e do público em relação à cultura moçambicana.

“Nós, artistas, fugimos da nossa essência como artistas para ser melhor aplaudidos. A sociedade deixou de escutar a sua própria cultura para dar mais ‘likes’ àquilo que é dos outros.”

Embora reconheça a importância das influências internacionais na formação dos artistas, Chitsondzo defendeu que é necessário valorizar mais a produção cultural nacional.

“Eu próprio aprendi a cantar com músicas provenientes de outros sítios. Mas isso não significa que devemos deixar de ouvir e promover aquilo que é nosso.”

O artista criticou ainda a escassa presença de conteúdos culturais em alguns programas de entretenimento, considerando que a divulgação do trabalho dos criadores nacionais continua a ser insuficiente.

“Aquilo que a gente assiste ali é fofoca, aberrações, insultos. Daquilo que deveriam apresentar sobre os nossos colegas, eu não vejo nada.”

A organização acredita que “O Veredicto” poderá contribuir para aproximar o público da arte moçambicana, promovendo uma reflexão sobre a identidade cultural e reforçando o papel da música, do teatro e da dança como instrumentos de preservação do património nacional. Arnosso Cuco – Moçambique in “O País”


domingo, 21 de junho de 2026

Angola - Projecto cultural transforma Baía de Luanda em “palco terapêutico”

No espaço deslizante da dança, as diferenças de idade e de nacionalidade desaparecem, dando lugar a uma identidade comum baseada na alegria e no estilo partilhado. Entre ritmos e compassos uníssonos, o projecto transforma a Baía de Luanda no epicentro privilegiado de preservação cultural, saúde mental e inclusão social por via da dança, com a Kizomba, o Semba e Afro Tribal a serem os estilos mais praticados

Nas tardes de Domingo, a Baía de Luanda é transformada no verdadeiro palco de encontro e reencontro cultural, de interacção social e de exercícios terapêuticos. Centenas de cidadãos com idades compreendidas entre os 17 e os 60 anos, vindos de diferentes pontos da cidade capital, acorrem ao local todos os fins-de-semana com um único objectivo: descontrair-se, e a dança acaba sendo a melhor ferramenta.

Enquanto uns procuram entreter-se com actividades promovidas ao redor da Baía, outros, atraídos pela música, fazem-se ao espaço para aprender a dançar e livrar-se do estresse acumulado durante a semana.

No espaço da dança, as diferenças de idade e de nacionalidade desaparecem, dando lugar a uma identidade comum baseada na alegria e no estilo partilhado. É o caso da dona Teresa Gonçalves, cidadã de 36 anos, integrante activa do Movimento “Kizomba na Rua” há quase quatro anos. A transformação emocional é o ponto central de seu relato.

Teresa recordou que, antes de optar pela dança, teve um período de profundo isolamento e tristezas que precisava esconder, mas, através da prática constante da dança, conseguiu superar essas barreiras emocionais, sentindo-se hoje uma pessoa plenamente à vontade e renovada. Assim como ela, outras pessoas também encontraram na dança a ‘receita mágica’ para aliviar o estresse do dia-a-dia. É o caso do jovem Ladys, um bailarino dedicado há mais de cinco anos ao Movimento “Kizomba na Rua” em Luanda. In “O País” - Angola


sábado, 2 de maio de 2026

Cabo Verde - Festival Kontornu regressa ao país para a sua 4.ª edição com programação internacional de dança e artes performativas

A 4.ª edição do Festival Kontornu – Festival Internacional de Dança e Artes Performativas de Cabo Verde acontece de 11 a 16 de maio de 2026, afirmando-se como um dos principais encontros artísticos do país e um dos principais festivais de dança do continente africano da atualidade.


A programação estará centrada na cidade da Praia, com uma extensão especial na Cidade Velha e o seu já emblemático encerramento no Tarrafal de Santiago, reforçando a dimensão territorial e descentralizada do festival.

O Festival Kontornu reúne nesta edição cerca de 80 participantes provenientes de vários países, entre artistas, programadores, investigadores e profissionais das artes performativas (Portugal, Brasil, Grécia, Suíça, República Dominicana, Espanha, Senegal, França, Itália)

Mais do que um festival, o Kontornu posiciona-se como uma plataforma de criação, intercâmbio e pensamento crítico, cruzando linguagens como dança contemporânea, danças urbanas, performance, circo, teatro e práticas híbridas. O seu foco passa por estimular redes internacionais, promover e contribuir para a construção de novas narrativas no campo das artes performativas e tornar Cabo Verde um epicentro das artes performativas do mundo.

Ação social: “Menos Álcool, Mais Vida” celebra 10 anos

Nesta edição, o festival associa-se à campanha “Menos Álcool, Mais Vida”, que celebra 10 anos de existência.

Esta parceria reforça o compromisso do Kontornu com a responsabilidade social e a promoção de estilos de vida saudáveis, especialmente junto da juventude. A campanha tem sido fundamental na sensibilização para os impactos do consumo excessivo de álcool, incentivando escolhas conscientes e o bem-estar coletivo, alinhando-se com os valores educativos e comunitários do festival.

Kopano – Encontro Internacional de Programadores

O festival volta a acolher o Kopano – Encontro Internacional de Programadores, um espaço de reflexão, networking e cooperação entre profissionais das artes.

Esta iniciativa é realizada em parceria com o Restaurante Batuku e a Câmara Municipal da Cidade Velha, criando um ambiente de diálogo entre agentes culturais locais e internacionais. O Kopano tem como objetivo fortalecer circuitos de circulação artística, estimular coproduções e posicionar Cabo Verde no mapa global das artes performativas.

Homenagem a Marlene Monteiro Freitas

A 4.ª edição presta homenagem à coreógrafa cabo-verdiana Marlene Monteiro Freitas, uma das mais reconhecidas artistas da cena contemporânea internacional. Esta homenagem celebra o seu percurso singular e o impacto da sua obra, que tem contribuído para redefinir a presença da criação cabo-verdiana nos grandes palcos do mundo. A sua abordagem radical, inventiva e profundamente autoral inspira novas gerações de artistas e reforça a importância da experimentação estética.

Kontornu Dance Camp – Nova geração em residência

Como novidade desta edição, surge o Kontornu Dance Camp, uma residência artística que reúne jovens bailarinos de diferentes partes do mundo.

Durante o festival, os participantes estarão em residência no Estádio Nacional, desenvolvendo práticas intensivas de formação, criação e intercâmbio. Esta iniciativa visa investir na próxima geração de artistas, promovendo o encontro entre culturas, linguagens e experiências.

Kontornu Dance Battle – Encerramento no Tarrafal

O festival encerra com o Kontornu Dance Battle, uma grande celebração das danças urbanas, que terá lugar no Tarrafal.

Esta atividade é realizada em parceria com o Festival IUFA (Açores), reforçando pontes entre territórios insulares e comunidades artísticas. A batalha promete reunir bailarinos, público e energia coletiva num momento de partilha, competição saudável e celebração da cultura urbana.

Sobre o Festival Kontornu

O Festival Kontornu é um evento dedicado à dança e às artes performativas, que promove a criação contemporânea, o intercâmbio internacional e a valorização das práticas artísticas africanas e da diáspora. Festival Kontornu - Cabo Verde




terça-feira, 28 de abril de 2026

Macau - Festival de Artes traz “Novas Correntes de Inspiração” em Maio

O 36.º Festival de Artes de Macau, um dos grandes eventos artísticos da cidade, está prestes a tornar-se ainda maior. Este ano, o festival vai decorrer durante quase dois meses, de 8 de Maio a 27 de Julho, sob o tema “Novas Correntes de Inspiração”. A iniciativa arranca na segunda sexta-feira de Maio com um espectáculo gratuito de um grupo de dança do Cazaquistão, ecoando os valores de interculturalidade e descoberta de novos mundos que caracterizam esta edição


O programa da 36.º edição do Festival de Artes de Macau (FAM) foi divulgado na sala de conferências do Centro Cultural de Macau, a poucas semanas do seu início oficial no dia 8 de Maio. A partir do tema “Novas Correntes de Inspiração”, a iniciativa deste ano convida residentes e visitantes a embarcar numa viagem multidisciplinar pelas culturas, artes e relações de amizade que se desenvolveram (e desenvolvem) ao longo da Rota Marítima da Seda.

O festival desde ano arranca a 8 de Maio e culmina no dia 27 de Junho, englobando uma série de experiências, actividades, workshops e espectáculos interpretados numa multiplicidade de línguas e expressões artísticas. Reflectindo o tema central de expansão geográfica e intercâmbio cultural, o espectáculo de abertura consiste numa apresentação do conjunto de dança folclórica BIRLIK, do Cazaquistão, que se vai unir a grupos de dança locais para a performance “O Lótus na Rota da Seda – Tradições em Movimento”. A entrada para esta sessão de arranque é gratuita, mediante aquisição prévia de bilhete.

A música continua a dominar a fase inicial do FAM, com a passagem do musical “A Noite Estrelada” pelo palco do Grande Auditório do Centro Cultural de Macau nos dias 15 e 16 de Maio. A peça é produzida pela Actors’ Family, uma das principais companhias de teatro musical em Hong Kong. Nos dias 16 e 17 de Maio, está agendada outra apresentação que funde as artes do teatro e da música com “1014 – Nanyin x Jazz”, uma história sobre memória, tecnologia e a importância da música na sensibilidade humana.

Ainda no domínio do teatro, a peça “Entrelinhas”, do encenador Tiago Rodrigues, assinala a única presença portuguesa no programa deste ano. O monólogo terá lugar no Teatro Dom Pedro V, nos dias 19 e 20 de Maio, e esbaterá as linhas entre ficção e realidade ao relacionar o mito de Édipo com cartas escritas por um prisioneiro à mãe.

Nos dias 22 e 23, a cultura cazaque volta a sobressair com um espectáculo duplo da companhia de dança Jolde. A primeira parte, “Tamyr”, une a elegância da dança contemporânea às vozes de um coro para falar sobre rituais, humanidade e identidade, enquanto a segunda parte, “Intemporal”, explora a memória colectiva e a fluidez do tempo.

Outro dos grandes destaques do programa passa por um palco ainda maior: o Jardim do Mercado do Iao Hon, aberto a toda a comunidade. Neste local, entre os dias 22 e 24, vai decorrer uma mostra de espectáculos ao ar livre intitulada “Onde a Cultura Floresce, a Felicidade Acontece”. De acordo com as informações divulgadas na conferência de imprensa, as actividades vão desde actuações musicais e ‘flashmobs’ à troca de livros e à promoção da leitura. Haverá ainda actividades destinadas a toda a família, como oficinas temáticas, pinturas faciais e visitas guiadas.

Voltando ao Centro Cultural de Macau, é tempo também de recuar até 2006, quando estreou a peça “Eterna Juventude”. Vinte anos depois, a versão revista “2.0” chega ao Centro Cultural de Macau para uma história sobre a passagem do tempo, proporcionando uma reunião entre conhecidos actores de Macau e o dramaturgo local Lawrence Lei.

Outro dos eventos mais aguardados deste ano é o regresso dos Dóci Papiaçám, que voltam aos palcos com mais uma sátira mordaz em patuá. Desta vez, a peça intitula-se “Agora Como?” e tem como pano de fundo o fecho dos casinos-satélite e as suas consequências para a economia no território. As actuações estão marcadas para 23 e 24 de Maio.

Depois de Portugal, as artes europeias voltam a ter lugar no festival com “A Divina Comédia”, assinada pela companhia italiana NoGravity Theatre. Nos dias 29 e 30, os artistas cénicos vão interpretar o poema épico de Dante através de uma coreografia meticulosa e profundamente artística, com recurso a espelhos para criar uma dupla dimensão visual.

Junho traz ópera, ballet e homenagens à Macau antiga

O mês de Junho começa com uma homenagem à mitologia chinesa. No dia 6, o Sands Theatre recebe uma visita da Associação de Ópera Cantonense Zhen Hua Sing, que sobe ao palco com intérpretes locais. Trata-se de uma peça teatral de ópera inspirada na lenda de He Xiangu, a única mulher entre os Oito Imortais.

Nos dias 19 e 20 de Junho, Macau recebe uma interpretação de uma das mais importantes obras do ballet clássico: “Lago dos Cisnes”, do compositor russo Tchaikovski. O Ballet de Xangai traz uma versão criada pelo coreógrafo britânico Derek Deane, que combina a técnica clássica com técnicas contemporâneas como a inclusão de um conjunto de cisnes cintilantes em palco.

A peça “A Velha Casa das Orquídeas”, já estreada em 2025 no Festival Fringe, volta nos dias 20 e 21 com uma encenação repensada para o Centro Cultural. Mais uma vez, o público pode esperar uma narrativa sobre os bairros antigos de Macau, reimaginados ao som de música ao vivo.

Também nos dias 20 e 21, a Associação de Dança Hou Kong, sediada em Macau, apresenta “A Noite de Zheng Guanying”. A Casa do Mandarim vai então transformar-se num palco dinâmico, permitindo que os artistas percorram e dancem por pátios e corredores, como se recuando aos tempos do seu antigo proprietário.

A peça “A Dinastia Dela”, cuja estreia aconteceu no Festival de Teatro de Wuzhen em 2025, segue para Macau nos dias 25 e 27 de Junho. A narrativa centra-se em quatro noites na vida de Wu Zetian, a única imperatriz da China, e partilha com o público a sua ascensão ao poder e o seu espírito resiliente, que ousou desafiar o sistema patriarcal chinês.

Outro dos acontecimentos artísticos sobressaídos no programa é a exposição “Duetos da Natureza: Pinturas de Paisagem das Dinastias Ming e Qing do Museu Nacional da China”, já em exposição no Museu de Arte de Macau desde 24 de Abril. O projecto permanece patente até dia 26 de Junho, a véspera do encerramento do festival, possibilitando a apreciação de 65 obras-primas da pintura de paisagem das dinastias Ming e Qing.

Para além do extenso programa de espectáculos e apresentações artísticas, o FAM vai também realizar nove actividades relativas ao Festival Extra, que incluem workshops, conversas pós-espectáculo e palestras. Os bilhetes para o espectáculo de abertura, a título gratuito, podem ser adquiridos já a partir das 10h do dia 2 de Maio. Os restantes bilhetes vão ser vendidos entre 2 e 9 de Maio, na Bilheteira Enjoy Macau. O público pode consultar a programação completa, assim como os descontos disponíveis na compra de bilhetes, na página oficial do Instituto Cultural (IC).

De acordo com a presidente do organismo, Leong Wai Man, a iniciativa terá um custo de 22 milhões de patacas para o Governo. Este é um valor ligeiramente inferior ao do ano passado, quando o orçamento foi de 23,4 milhões de patacas, embora esta edição se prolongue por mais um mês do que a anterior. Carolina Baltazar – Macau in “Ponto Final”


sexta-feira, 20 de março de 2026

Fundação Calouste Gulbenkian - Bolsas Formação em Artes no Estrangeiro

Estas bolsas destinam-se a apoiar a formação académica e técnica em artes no estrangeiro, na vertente de artes visuais, dança, teatro, cinema e música


Condições de Elegibilidade

Podem candidatar-se cidadãos portugueses ou estrangeiros, residentes em Portugal.

No âmbito da formação académica, são concedidas bolsas para a frequência de pós-graduações e mestrados. Podem candidatar-se pessoas com idade igual ou inferior a 35 anos à data de 31 de dezembro de 2026, sendo considerados prioritários os candidatos em início de carreira que iniciem o ciclo de estudos a partir de 1 de setembro de 2026.

No âmbito da formação técnica e do aperfeiçoamento artístico, são concedidas bolsas para projetos formativos que promovam a especialização, a formação contínua e a valorização das carreiras profissionais. Nesta vertente, não existe limite de idade, sendo dada prioridade aos candidatos que iniciem a formação a partir de 1 de setembro de 2026.

No caso da música, são aceites apenas candidaturas nas especialidades correspondentes a instrumentos de orquestra, canto e direção de orquestra.

Excluem-se candidaturas destinadas à obtenção dos graus de licenciatura e de doutoramento.

Não são aceites candidaturas nas áreas de Arquitetura e Urbanismo, Design, História da Arte, Património e Arqueologia.

Condições da Bolsa

A bolsa inclui:

  • Uma mensalidade no valor de 1500 € ou 50 €/dia;
  • Um valor único de 1000 € para despesas de instalação, aplicável a formações com duração superior a três meses;
  • Um apoio até 500 € para despesas de viagem diretamente relacionadas com a formação;
  • Um apoio até 5000 € para pagamento de propinas, mediante apresentação dos respetivos comprovativos de pagamento;
  • Um seguro de acidentes pessoais em viagem.

No caso da formação académica, as bolsas são concedidas por um período mínimo de três meses e até um máximo de 12 meses. Mediante decisão discricionária da Fundação Calouste Gulbenkian, a bolsa poderá ser renovada para formações cujo plano de estudos tenha duração superior a 12 meses, não podendo a duração total da bolsa, incluindo renovações, exceder 24 meses.

No caso da formação técnica e do aperfeiçoamento artístico, as bolsas são concedidas por um período mínimo de uma semana e até um máximo de 12 meses. Também neste caso, poderá haver lugar a renovação, mediante decisão discricionária da Fundação Calouste Gulbenkian, para formações com duração superior a 12 meses, não podendo a duração total da bolsa exceder 24 meses.

Como concorrer

A candidatura é feita através da submissão de um formulário online, em português.

Consulte o Regulamento e verifique todos os critérios de elegibilidade, antes de submeter o formulário de candidatura.

Para aceder ao formulário de candidatura é necessário primeiro registar-se no website.

Preencha todos os campos obrigatórios para submeter a candidatura, incluindo o carregamento da documentação exigida no Regulamento.

Evite submeter a sua candidatura nos últimos dias do prazo para prevenir possíveis dificuldades.

Contactos

E-mail: bolsasgulbenkian@gulbenkian.pt. Fundação Calouste Gulbenkian – Portugal


quinta-feira, 19 de fevereiro de 2026

Angola - Literatura reforça laços culturais e históricos com o Brasil

A Biblioteca Contr’Ignorância volta a acolher, a partir do dia 27 do corrente mês, o projecto “Flipeba em Movimento: conexões diaspóricas entre Bahia e Angola, através da dança e literatura da Ilha de Boipeba”, iniciativa que une literatura, dança e reflexão sobre identidade e ancestralidade


A abertura institucional que vai marcar o início do intercâmbio com vista a terminar a 03 do próximo mês de Março será seguida da apresentação da FLIPEBA e do seu percurso na promoção da leitura e da valorização cultural na Bahia.

Nos dias seguintes, oficinas de dança e expressão corporal vão marcar o evento, onde a literatura ocupará igualmente um lugar central, com uma roda de conversa dedicada à juventude periférica e ao poder transformador da palavra. Haverá ainda leitura comentada das antologias produzidas por jovens estudantes da rede pública de Cairu, de forma a criar um espaço de partilha e escuta entre diferentes realidades.

A agenda inclui também registos audiovisuais e colectiva de imprensa, encontros com jovens, artistas e produtores culturais angolanos, bem como diálogos sobre turismo cultural de base comunitária, tema que reforça a dimensão educativa e sustentável do projecto.

Um dos momentos centrais da programação será a roda de conversa “Histórias para um Futuro Possível”, conduzida por Thales Moraes e Gilvan Reis, curadores da FLIPEBA, dentre outras actividades culturais que vão marcar o evento.

“A maior parte das actividades vai decorrer nas instalações da biblioteca, porém, uma das sessões vai ter lugar no Anim’art, estando prevista para o dia 3 de Março”, reforçou Dilson Maria. In “O País” - Angola


segunda-feira, 12 de janeiro de 2026

Angola - Semba será elevado a património da UNESCO ainda este ano

O Semba, estilo musical e de dança, que já se tornou um cartão-postal da cultura angolana, será inscrito, ainda neste ano, na lista de Património Cultural Imaterial da UNESCO. A garantia foi dada pelo ministro da Cultura, Filipe Zau, que avançou que o processo para este fim já está em fase de conclusão


Ao falar à imprensa durante as festividades do Dia Nacional da Cultura, decorridas nos dias 7 e 8 do corrente mês, na cidade de Ndalatando, província do Cuanza-Norte, Filipe Zau assegurou que o processo do cumprimento dos requisitos exigidos pela UNESCO para a aceitação do Semba a património cultural mundial já está quase pronto e que, antes mesmo do final de 2026, será cumprido o desiderato.

“A esta altura o dossiê está completamente fechado e acreditamos que antes mesmo do término de 2026 o semba deverá ser classificado como património cultural da humanidade”, assegurou o ministro.

Filipe Zau recordou que o processo arrancou em 2023, quando o estilo foi classificado como património cultural nacional, garantindo, que no presente ano, infalivelmente, os angolanos terão a honra de orgulhar-se de um estilo que será um património cultural da humanidade.

Além do semba, o governante adiantou que o dossiê das pinturas rupestres do Tchindu-hulu também está quase concluído e muito provavelmente entre o final deste ano e o princípio do próximo este monumento cultural poderá também ser classificado como património cultural da UNESCO.

Questionado sobre a situação do Corredor do Kwanza, Filipe Zau disse que continuam a ser reunidos os requisitos necessários para a sua classificação; entretanto, sublinha que ainda faltam alguns elementos fundamentais que têm a ver com os dados arqueológicos e que levam algum tempo para serem devidamente reunidos. “O corredor do Kwanza continua na lista indicativa dos inscritos para a classificação.

Não só o Corredor do Kwanza como também o Tchitundu-hulu, do Namibe, e também o Cuito Cuanavale”, disse o ministro. Acrescentou ainda que “o que está mais avançado neste momento é o dossiê das pinturas do Tchitundu-hulu que acreditamos que até final deste mês de Janeiro daremos entrada no processo”, reforçou o governante.

Conservação das línguas nacionais como património cultural O ministro manifestou também preocupação com as questões inerentes à preservação das línguas de Angola enquanto patrimónios culturais da nação.

Filipe Zau avançou que decorre um projecto de lei a ser ainda apreciado pelo Conselho de Ministros que visa estabelecer os trâmites legais sobre a preservação das línguas banto e lhes conferir um estatuto de “línguas nacionais” como tal.

“É uma lei sobre a preservação das línguas africanas de Angola, todas elas, e sobretudo uma forma de lhes dar estatuto posteriormente e não deixar simplesmente que elas se percam”, explicou.

Sublinhou que a intenção é de, acima de tudo, arranjar, do ponto de vista cultural, uma maneira de preservar estas línguas e fazer com que elas estejam cada vez mais presentes no quotidiano dos povos a que elas pertencem sem serem discriminadas. Bernardo Pires – Angola in “O País”


domingo, 14 de dezembro de 2025

França - Marés de Portugal é a mais recente associação portuguesa de Marselha

Nasceu no último mês de novembro em Marselha uma nova associação portuguesa. Chama-se “Marés de Portugal” e tem como grandes objetivos a promoção e valorização da riqueza do folclore português através da dança, do canto, da música e das tradições populares


Mas não só. Em nota de apresentação enviada ao nosso jornal, a associação assume querer destacar o que de melhor se faz em Portugal: “Festa, gastronomia e muita convivência” são garantias deixadas pela direção encabeçada pelo presidente Emmanuel Duarte.

“Com os seus trajes coloridos, danças dinâmicas e cantos tradicionais, o folclore português é uma verdadeira viagem ao coração das raízes culturais de Portugal”, pelo que a Marés de Portugal “deseja reunir todas as gerações em torno desta riqueza patrimonial e dá-la a conhecer ao maior número possível de pessoas”, lê-se ainda.

A associação pretende ser um espaço de partilha e convivência e está aberta “a todos os que desejam dançar, cantar, descobrir ou simplesmente viver a experiência cultural portuguesa em Marselha”.

“O objetivo é reunir a comunidade portuguesa presente na região sul em momentos de convívio, partilha e alegria”, acrescentam os responsáveis.

Além do presidente Emmanuel Duarte, fazem ainda parte dos órgãos sociais desta nova associação – cuja atividade começou oficialmente em junho mas que só agora foi oficializada – o tesoureiro Emanuel Guedes e a secretária Emília Duarte. In “Bom dia Europa” - França


sábado, 22 de novembro de 2025

Angola - Primeiro Congresso Internacional de Kizomba resgata origens do estilo no país

Mais de trezentas pessoas participaram no Primeiro Congresso Internacional de Kizomba, realizado de 18 a 20 do mês em curso, com a presença de professores e praticantes do género vindos do Brasil, Estados Unidos da América, Canadá, Espanha, França, Angola, Zâmbia, Itália e Portugal. Os participantes apelaram à elevação da Kizomba a Património Mundial


Durante três dias, o evento foi marcado por workshops criativos de desempenho e improvisação, roda de Kizomba com mestres convidados, cerimónia de entrega de certificados e uma grande festa de encerramento com artistas convidados.

O cantor angolano Dom Kikas, presente no encontro, destacou que eventos do género devem acontecer com mais frequência, para que todos que trabalham com Kizomba no mundo possam incluir este congresso de forma permanente nas suas agendas.

Na sua perspetiva, a Kizomba ganhou mais vida e destaque a nível internacional do que dentro do próprio país, pelo que devem ser criadas políticas que promovam e valorizem o que é nacional.

Sublinhou ainda que Angola não dispõe de uma “Casa da Kizomba”, um espaço onde os visitantes e artistas possam trocar experiências e partilhar vivências. Para o artista, a valorização da classe artística no país tem evoluído, mas ainda não atingiu o nível desejado, pois muitos artistas continuam a ser vistos apenas como entretenimento, sem se reconhecer plenamente o contributo que a música e a cultura desempenham na educação da sociedade.

“A arte é um veículo de mensagens e um instrumento de união entre as pessoas”, referiu. Defendeu ainda que o artista é “muito mais importante do que se pensa”, não apenas na música: “É muito importante que as nossas autoridades criem plataformas através das quais os artistas possam conquistar um estatuto social e profissional que lhes permita fazer mais pela sociedade”, ressaltou.

Já o presidente do concurso nacional de dança Kizomba e Semba, Mucano Charles, afirmou que, a partir deste congresso, todos passarão a ter uma abordagem diferente quando se falar de Kizomba.

“Este evento é o início de muitos bons resultados que virão nos próximos anos. Trouxe temáticas que antes não eram discutidas desta forma. Aqui pudemos debater a Kizomba no verdadeiro sentido da palavra, desde o seu valor cultural, a sua origem, identidade e propósitos”, afirmou com satisfação.

Contacto com a origem da Kizomba O convidado Horácio João, angolano residente nos Estados Unidos da América há mais de seis anos e professor de dança Kizomba, disse que a conferência foi bastante positiva, com temas de grande relevância.

“O feedback foi muito bom em termos de Kizomba no geral. Fico feliz por saber que a primeira conferência internacional de Kizomba está a ser realizada em Angola, que é a casa-mãe, a origem.

Como angolano que ensina lá fora, sempre tive receio de que o congresso tivesse iniciativa noutros países. Em várias partes do mundo, a Kizomba está a ganhar espaços muito grandes”, destacou. Maria Custódia – Angola in “O País”


quarta-feira, 14 de maio de 2025

Cabo Verde - Encerramento da 3.ª Edição do Festival Kontornu: um marco cultural no país

O Festival Kontornu concluiu a sua terceira edição a 10 de maio de 2025, no Tarrafal de Santiago, após uma semana de intensa programação iniciada a 3 de maio na Cidade da Praia. Este evento consolidou-se como um dos maiores festivais de dança nos países de língua portuguesa, reunindo artistas de diversas nacionalidades, incluindo Portugal, Ucrânia, Polónia, República Checa, Brasil, Moçambique, Itália, Espanha e República Dominicana. A programação diversificada incluiu workshops, espetáculos, conversas, exposições de artes plásticas e desempenhos de rua, proporcionando uma plataforma rica para o intercâmbio cultural e artístico.



Formação de Públicos e Inclusão Social: o papel da programação infantil

Uma das mais nobres e estratégicas vertentes do Festival Kontornu residiu na sua aposta na programação voltada para o público infantil. Esta escolha, longe de ser um simples gesto de inclusão simbólica, representa uma visão esclarecida sobre a importância da iniciação cultural desde os primeiros anos de vida. Ao acolher crianças oriundas de escolas de diversos bairros da Cidade da Praia — muitos deles marcados por desafios sociais e económicos — o festival criou condições para que estas tivessem o seu primeiro contacto com a arte performativa em contextos formais e institucionais de cultura, como teatros e centros culturais.

Os espetáculos dedicados à infância, cuidadosamente desenhados para dialogar com o universo sensorial, emocional e cognitivo das crianças, tiveram um impacto profundo. Por um lado, permitiram a fruição estética e artística por parte dos mais novos; por outro, contribuíram para a formação de públicos críticos e conscientes. Crianças expostas desde cedo à diversidade de linguagens artísticas desenvolvem maior sensibilidade, criatividade e capacidade de análise. Neste sentido, o Festival Kontornu não só promoveu o entretenimento educativo, como também semeou noções de cidadania cultural e pertença social.

Adicionalmente, esta iniciativa teve um papel relevante na promoção da equidade no acesso à cultura. Em contextos marcados por desigualdade, como os de muitos bairros periféricos da capital cabo-verdiana, a participação em eventos culturais é frequentemente limitada por barreiras económicas, geográficas e simbólicas. Ao garantir o acesso gratuito e organizado de centenas de crianças aos espetáculos, o festival combateu essas barreiras, operando como um agente de inclusão social efetiva. Criou-se, assim, um espaço de convívio e partilha intergeracional, onde a arte serviu de ponte entre diferentes mundos e realidades.

Mais do que uma atividade paralela, a programação infantil do Festival Kontornu mostrou-se um eixo central de ação cultural com implicações duradouras. Investir na formação de públicos não é apenas preparar o futuro da arte — é também, e sobretudo, investir na formação de cidadãos mais livres, conscientes e preparados para pensar criticamente o mundo que habitam.

Parcerias Estratégicas: a colaboração com a Bienal de Dança do Ceará

O festival contou com uma parceria especial com a XV edição da Bienal de Dança do Ceará, que trouxe cerca de 10 espetáculos para Cabo Verde. Esta colaboração internacional reforçou a qualidade e diversidade da programação, promovendo o intercâmbio artístico entre os países lusófonos e ampliando as oportunidades de formação e exposição para os artistas locais.

Acesso Gratuito e Mobilização Comunitária: democratização da cultura

Com uma programação completamente gratuita, o Festival Kontornu investiu na mobilização de associações comunitárias e grupos juvenis, facilitando o acesso aos teatros e espetáculos. Esta abordagem inclusiva democratiza o acesso à cultura, promove a coesão social e fortalece os laços comunitários, contribuindo para uma sociedade mais equitativa e culturalmente rica.

Apesar do evidente sucesso artístico e da resposta calorosa do público, a terceira edição do Festival Kontornu operou sob um cenário profundamente precário, resultado direto da fragilidade do apoio institucional e da insuficiência orçamental. Esta realidade não só revela as dificuldades estruturais que enfrentam as iniciativas culturais no arquipélago, como também expõe um certo desinteresse — ou no mínimo negligência — por parte das entidades responsáveis pela promoção e valorização da cultura em Cabo Verde.

O festival, que se afirma hoje como uma referência nos circuitos das artes performativas dos PALOP, não contou com a presença de representantes das estruturas culturais estatais durante os dias do evento. Esta ausência, para além de simbólica, é também política: ela comunica uma hierarquização clara das práticas culturais apoiadas, onde certas expressões artísticas — muitas vezes com menor potencial crítico ou transformador — recebem grande visibilidade e financiamento, enquanto outras, como a dança contemporânea e a performance, continuam a ser marginalizadas.

A omissão dos parceiros culturais na divulgação do festival através dos seus canais oficiais é também reveladora. Num país onde os meios de comunicação institucional são ainda centrais para a circulação da informação, o silêncio dos organismos públicos equivale a uma forma de apagamento simbólico. Tal atitude não só compromete a sustentabilidade de projetos independentes como o Kontornu, como perpetua uma lógica elitista e excludente na definição daquilo que é — ou não é — cultura “merecedora” de atenção e investimento.

O subfinanciamento do festival traduziu-se, de forma concreta, na sobrecarga da equipa organizadora, que teve de operar com um número muito reduzido de produtores e técnicos. Esta escassez de recursos humanos e logísticos fragilizou não só a operacionalização do evento, mas também o bem-estar e a saúde dos profissionais envolvidos, muitos dos quais trabalham já em condições de enorme instabilidade. É fundamental compreender que sem investimento justo e contínuo, a produção cultural transforma-se num exercício de resistência, onde o entusiasmo artístico é frequentemente minado pela exaustão e pelo abandono institucional.

A crítica que aqui se impõe não é apenas à ausência pontual de apoio, mas a um modelo estrutural de desvalorização das artes performativas, que tende a priorizar eventos de cariz mais comercial ou turístico, em detrimento de projetos que investem na formação, na inclusão e na experimentação artística. Esta política cultural desequilibrada compromete a diversidade e a vitalidade do ecossistema artístico cabo-verdiano.

Perspetivas Futuras: Festival incerto e a necessidade de compromisso institucional

O futuro do Festival Kontornu depende do envolvimento e financiamento efetivo das estruturas culturais. Esta dependência não se baseia apenas numa expectativa moral ou ética: trata-se de uma exigência legal e constitucional. A Constituição da República de Cabo Verde estabelece, no seu artigo 78.º, que "todos têm direito à fruição e criação cultural" e que incumbe ao Estado "promover a democratização do acesso à cultura e incentivar a participação de todos na vida cultural". Assim, as autoridades nacionais e autárquicas têm o dever constitucional de garantir não apenas o acesso à cultura, mas também os meios concretos para a sua produção e difusão.

Neste contexto, o apoio à continuidade de eventos como o Festival Kontornu não deve ser encarado como um ato de benevolência governamental, mas como o cumprimento de uma obrigação pública perante os cidadãos. Quando o financiamento de atividades culturais é concentrado em eventos com forte mediatismo ou viés comercial, relegando para segundo plano iniciativas comprometidas com a formação crítica, a inclusão e a valorização da diversidade artística, perpetua-se uma desigualdade de oportunidades que fere o princípio de justiça cultural.

O Festival Kontornu demonstrou, ao longo das suas edições, ser muito mais do que um evento artístico: é uma plataforma de encontro, de intercâmbio, de reflexão e de projeção internacional. Abre portas para artistas emergentes, fomenta o pensamento crítico, dinamiza o setor criativo e projeta Cabo Verde no circuito global da dança contemporânea. Contudo, sem o apoio estrutural e consistente do poder público, festivais com este perfil são constantemente ameaçados pela descontinuidade, pela precariedade e pelo esgotamento das suas equipas produtoras.

O Estado e os municípios devem, portanto, rever as suas prioridades orçamentais e reconhecer que investir na cultura não é um luxo, mas uma alavanca fundamental para o desenvolvimento sustentável. O impacto de um festival como o Kontornu estende-se para além das salas de espetáculo: ele movimenta o turismo cultural, estimula a economia local (através do alojamento, da restauração e do comércio), promove a educação artística nas escolas, gera emprego e fortalece a identidade cabo-verdiana perante o mundo.

Em sociedades marcadas por profundas desigualdades sociais e territoriais, o investimento em cultura assume um valor estratégico. Ele contribui para a coesão social, reduz distâncias simbólicas e reais entre os cidadãos, e oferece ferramentas para a transformação social. O Festival Kontornu é um exemplo claro de como a arte pode transformar vidas e territórios. O seu desaparecimento, por falta de compromisso institucional, não seria apenas uma perda para a classe artística — seria uma derrota para o próprio projeto de país que se pretende democrático, inclusivo e culturalmente vibrante.

Portanto, não avançaremos mais com o festival, se não houver um aporte financeiro que dignifique os profissionais que trabalham para que ele possa acontecer. Djam Neguin – Cabo Verde Festival Kontornu


sexta-feira, 31 de janeiro de 2025

França - De Odivelas para Bayonne: bailarina Joana Rodrigues integra companhia Illicite

A jovem bailarina portuguesa Joana Rodrigues, de 19 anos, acaba de se juntar à companhia de dança Illicite, sediada em Bayonne, França, e dirigida pelo coreógrafo português Fábio Lopez. Joana vai integrar o elenco do próximo espetáculo da companhia, a emblemática peça O Lago dos Cisnes



De acordo com o LusoJornal, a entrada da bailarina nesta companhia acontece no âmbito de um programa de inserção profissional, resultado de um protocolo estabelecido entre a Illicite e o AZA Program de Lisboa. Joana Rodrigues concluiu recentemente a sua formação na Escola de Dança do Conservatório Nacional (EDCN), instituição por onde também passou Fábio Lopez.

Na Illicite, a jovem portuguesa junta-se a um grupo de uma dezena de bailarinos de diferentes nacionalidades, entre os quais outro português, David Claisse, também formado na EDCN. Natural de Odivelas, Joana mudou-se recentemente para Bayonne e já iniciou os ensaios para o novo espetáculo.

Apesar da sua idade, Joana Rodrigues conta já com uma experiência consolidada, tendo trabalhado sob a orientação de nomes como José Luís Vieira, Catarina Moreira, Fernando Duarte, Gabriela Cogumbreiro, Guilherme Dias e Gabriela Mushroom.

O Lago dos Cisnes é considerado o auge da elegância pós-romântica do final do século XIX, imortalizado em diversos filmes populares como “Cisne Negro”, “A Princesa Encantada” e “Billy Elliot”. No sítio eventick.eu, pode-se ler que a vontade de Fábio Lopez (coreógrafo e diretor artístico) de recriar este projeto surge do seu desejo de tornar a dança neoclássica cada vez mais acessível e próxima de todos. Esta nova criação, concebida para celebrar os 10 anos da Companhia Illicite Bayonne, dá vida às mais belas páginas da icónica música de Tchaikovsk. Para mais informações e bilhetes para o evento, clique aqui. In “Bom dia Europa” - Luxemburgo


sábado, 7 de dezembro de 2024

Alemanha - Português chega a bailarino principal da companhia Bayerisch StaatsBallett, da cidade de Munique

O português António Casalinho foi promovido a bailarino principal da companhia Bayerisch StaatsBallett, de Munique, na Alemanha, reconhecimento que diz ser “incrivelmente recompensador”



Desde 2021 na Alemanha, onde se profissionalizou na dança, António Casalinho, de 21 anos, considera a ascensão ao topo da companhia “extremamente significativa”.

“Representa o reconhecimento não apenas do público, mas também dos meus colegas, do diretor, dos ‘ballet masters’ e de todos com quem trabalho diariamente. É um marco especial porque é nesta companhia que comecei a minha carreira”, disse à agência Lusa.

A elevação a bailarino principal “é como completar um círculo” e “torna tudo ainda mais motivador”.

O bailarino português, natural de Leiria e formado no Conservatório Internacional Annarella Sanchez, não esperava “uma ascensão tão rápida”, mas admite que foi para este objetivo que trabalhou desde que integrou a estrutura alemã.

“Lembro-me claramente do meu primeiro dia no palco, vendo os bailarinos principais à minha frente. Naquele momento, soube que era ali que queria estar. Hoje, olhar para trás e rever essas memórias torna este momento ainda mais especial”, afirmou.

Casalinho é um dos dois portugueses que integram o corpo de bailarinos profissionais da Bayerisch StaatsBallett, onde também dança Margarita Fernandes, de 19 anos, recentemente designada uma das primeiro solistas da companhia.

Ambos chegaram à Alemanha há três anos e o percurso tem sido “muito especial e gratificante”, reconhece o português: “Foi aqui que comecei a minha experiência profissional como bailarino. Vejo esse período como um processo de amadurecimento, tanto como artista quanto como pessoa. Ver tudo isso consolidado de forma oficial é incrivelmente recompensador”.

O novo estatuto de bailarino principal traz responsabilidades significativas. “O maior desafio é manter o meu mérito como bailarino principal”, considera António Casalinho, que sabe que terá de “preservar a ética de trabalho e demonstrar constantemente que [merece] este reconhecimento”.

Assumir a função de bailarino principal implica “ser um exemplo, não apenas para os colegas dentro da companhia, mas também para o público”.

“Quando alguém me vê no palco, espera ver um bailarino principal. Manter essas expectativas é um grande desafio, assim como continuar a ser disciplinado e dedicado, como sempre fui”, afirmou.

Após ter atingido o topo da hierarquia na Bayerisch StaatsBallett, António Casalinho admite ser difícil falar de novas metas, “porque o mundo do ballet é muito dinâmico”.

“No entanto, os meus objetivos permanecem os mesmos. Quero ser um exemplo para aqueles que estão próximos de mim e para o mundo inteiro. Desejo ser uma referência e uma inspiração, não apenas para estudantes e profissionais de ballet, mas também para pessoas fora desse universo”, afirmou.

A intenção do português é “levar o ballet além das portas do teatro e ajudar a elevar o reconhecimento dessa arte”.

“Espero continuar a dançar nas maiores companhias do mundo, como convidado, e fortalecer a minha posição como um bailarino de referência para todos, incluindo aqueles que ainda não conhecem o ballet”, concluiu. In “Bom dia Europa” - Luxemburgo


quinta-feira, 11 de abril de 2024

Fundação Calouste Gulbenkian - Bolsas Formação em Artes no Estrangeiro


Termina, no próximo dia 30 de abril, o período de candidaturas às bolsas que têm apoiado a formação académica e técnica em artes no estrangeiro, nas vertentes das artes visuais, da dança, do teatro, do cinema e da música. Podem candidatar-se cidadãos de qualquer nacionalidade residentes em Portugal.

Para saber mais aceda aqui. Fundação Calouste Gulbenkian - Portugal


 

domingo, 24 de março de 2024

Eswatini - Artistas moçambicanos participam no Festival Makoti

Tchakaze e o Grupo Tufo da Mafala participam, em Abril próximo, no Festival Makoti, no reino de e-Swatini. Os artistas prometem dar o melhor de si para representar o país.


Pela segunda vez consecutiva, artistas moçambicanos irão desfilar no Festival Makoti, evento internacional que vai juntar, no mesmo espaço, músicos, estilistas e profissionais ligados à gastronomia

Tchakaze promete não fugir à regra nem ao tema. A artista leva a Eswatini o alcance da sua voz na luta pela defesa dos direitos da mulher, que afinal, condiz com o significado do Makoti.

“Participar do Festival Makoti vai ser um prazer. Vou carregar comigo ritmos tradicionais, para além das mensagens que já falam e são contra qualquer tipo de violência, então esperem muita energia” prometeu.

O experiente grupo de canto e dança Tufo da Mafalala, que já se exibiu em vários eventos internacionais na Argélia, Brasil e África do Sul entre outros, promete deixar de lado a idade quando o assunto – é enaltecer a cultura moçambicana. “Nós somos velhas, mas quando o assunto é dança, somos boas dançarinas” falou a representante do grupo.

Por sua vez, os anfitriões do Makoti elogiam a diversidade cultural moçambicana, que, segundo os mesmos, tem muito em comum com Eswatini. Ilka Penboy, organizador do Makoti trouxe consigo uma comitiva que inclui uma poetisa e uma estilista residentes do festival, em suas palavras, disse: “Nós definitivamente apreciamos a hospitalidade moçambicana e convidámo-los porque amamos a sua cultura. A distância entre fronteiras existe, mas nós queremos compartilhar culturas e abraçá-las”.

Makoti é um evento familiar e vai decorrer a 27 de Abril nas montanhosas zonas do reino do Eswatini onde Moçambique terá um “stand” para exposição de mais produtos. In “O País” - Moçambique


sexta-feira, 22 de dezembro de 2023

Macau - Festival sino-lusófono atraiu 45 mil participantes

As actividades do 5º Encontro em Macau – Festival de Artes e Cultura entre a China e os Países de Língua Portuguesa contaram com cerca de 600 artistas e 45 mil participantes, segundo o Instituto Cultural


O “Encontro em Macau – Festival de Artes e Cultura entre a China e os Países de Língua Portuguesa” traduziu-se num “sucesso”, considera o Instituto Cultural (IC), num balanço sobre a quinta edição desta iniciativa destinada a “intensificar o intercâmbio entre culturas”.

Complementado pelo Festival da Lusofonia, o evento apresentou, entre Outubro e Dezembro, 70 sessões de programas e actividades de extensão, divididas em sete séries, contando com a participação cerca de 600 artistas. Até agora, o Festival já atraiu cerca de 45 mil participantes, referiu o IC, recordando que o programa ainda integra uma exposição de obras de arte pública do artista português Bordalo II, patentes a partir de hoje, na Antiga Fábrica de Panchões Iec Long e nos Estaleiros Navais de Lai Chi Vun.

Só no Festival da Lusofonia, que reuniu artistas provenientes dos países e regiões de língua portuguesa e cerca de 30 grupos artísticos lusófonos de Macau, registaram-se cerca de 23 mil visitantes. Por sua vez, a Exposição de Livros Ilustrados em Chinês e Português contou com a participação de mais de 30 livrarias e editores do Interior da China, de Macau, Hong Kong, Taiwan e Portugal, levou mais de 6700 visitantes ao Auditório do Carmo, na Taipa. Já a Casa da Literatura acolhe até ao dia 29 a Exposição de Ilustração e de Livros Ilustrados em Chinês e Português “Amor nas Páginas”, no âmbito da qual foram apresentadas 50 peças (conjuntos) de ilustrações originais de nove autores (grupos) do Interior da China, Portugal e Macau, para além de palestras e workshops.

Por outro lado, o Festival de Cinema entre a China e os Países de Língua Portuguesa apresentou cerca de 30 filmes do Interior da China, de países lusófonos e Macau. Nesta edição, teve lugar, pela primeira vez, uma sessão de exibição ao ar livre de filmes de animação numa zona histórica revitalizada, a Antiga Fábrica de Panchões Iec Long.

Outro destaque do Festival foi o “Concerto de Camané com a Orquestra Chinesa de Macau” dirigido por Yao Shenshen, maestro permanente da Orquestra Chinesa de Xangai. O fadista interpretou canções suas adaptadas a instrumentos musicais chineses, num concerto que gerou “uma resposta altamente entusiástica do público”, que inclusive motivou a adição de mais lugares.

A edição deste ano do Encontro integrou ainda um workshop de prova de vinhos, em cooperação com o Instituto de Formação Turística, espectáculos de música e dança tradicional na comunidade, a exposição “Relações”, com sete artistas do Interior da China, Portugal, Brasil, Angola e Macau, que continua patente na Galeria de Exposições e Casa de Nostalgia das Casas da Taipa até 1 de Janeiro. In “Jornal Tribuna de Macau” - Macau

quarta-feira, 1 de novembro de 2023

Moçambique - Associação Kulungwana distingue artistas na terceira edição da Gala dos Prémios Mozal Artes e Cultura

A Associação Kulungwana vai organizar no Centro Cultural Moçambique-China, na próxima sexta-feira, a terceira edição da Gala dos Prémios Mozal Artes E Cultura – um dos maiores eventos de premiação no sector das artes e cultura do país.

A atribuição anual dos sete prémios a jovens artistas de sete categorias – Artes Visuais, Cinema e Audiovisuais, Fotografia, Dança, Teatro, Design de Moda e Vestuário e Música – vem prestar reconhecimento por via de uma premiação aos novos talentos de diferentes domínios das artes, assumindo-se como uma marca que destaca os artistas, criadores ou intérpretes – com domínio da sua técnica e expressão, apresentando propostas coerentes, mostrando empenho profissional e pensamento original e inovador – na opinião do júri.

Os prémios têm como objectivo incentivar e divulgar os novos criadores, reforçando o apoio às suas criações e à promoção dos valores da arte contemporânea, com enfoque nos artistas moçambicanos em afirmação, entre os 21 e os 40 anos, residentes no país ou no estrangeiro, que se tenham candidatado com propostas realizadas no exercício da sua actividade, nos 18 meses anteriores à abertura das candidaturas. Assim, portanto, sexta-feira será o dia do anúncio dos vencedores dos prémios que incluem uma distinção monetária individual de 120 000Mts, nas sete distintas modalidades.

No dia 19 de Outubro foram anunciados os nomeados para a edição 2023, uma lista de 19 nomeados no total: Artes visuais – Luís Miguel de Sousa Santos, Jorge Caetano Fernandes, Nuno Silas Fulane; Cinema e audiovisuais – André Bahule, Carlos Noronha, Leia Nhambe; Fotografia – Anésio Manhiça, Elísio Nguenha, Ildefonso Colaço; Dança – Mai Júli Machado, Osvaldo Passirivo; Teatro – Francisco Mário Baloi, Rita Silva Couto; Música – Case Buyakah, James Macamo, Xixel Langa; e Design de moda e vestuário – Amirah Celeste Pinheiro Adam, Alberto Correia Adelino, Elio Gabriel. In “O País” - Moçambique