Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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sábado, 5 de julho de 2025

Cabo Verde - Livro sobre ex-Campo de Concentração do Tarrafal lançado com proposta de reabilitação e valorização do património

Tarrafal – O livro “Campo de Concentração de Tarrafal (1936-1954): História e Uma Proposta de Reabilitação Urbana”, da autoria de José Soares e Luís Gomes, foi apresentado hoje aos tarrafalenses, num acto realizado no próprio Campo de Concentração.


Em declarações à imprensa, os autores explicaram que a obra, que combina investigação histórica e uma inovadora proposta de reabilitação, pretende valorizar e preservar a memória e o património deste espaço, símbolo da luta pela liberdade em Cabo Verde.

Aliás, destacam que o livro é uma “contribuição humilde”, mas significativa, para a história local, nacional e mundial.

José Soares, um dos autores, destacou a origem académica do projecto, que iniciou com a sua tese de mestrado em Portugal, publicada em 2006, e complementada pela tese de licenciatura de Luís Gomes, arquitecto formado na Universidade Jean Piaget de Cabo Verde.

Ambos os autores ressaltaram que a obra não é apenas uma narrativa de factos, mas uma tentativa de oferecer aos jovens e aos interessados uma compreensão mais profunda do passado, promovendo o respeito e a valorização do espaço.

O conteúdo do livro inclui depoimentos de pessoas que viveram no campo na época, bem como de indivíduos nascidos após o seu encerramento, além de uma proposta de reabilitação arquitectónica do espaço.

A obra traz também traz dados actualizados e fotografias recentes, enriquecendo a narrativa e detalhando o funcionamento da “frigideira”, o poço de Chão Bom, e os pavilhões, além de retratar as trágicas histórias de tortura e morte vividas ali.

Luís Gomes enfatizou que a proposta de reabilitação vai além do espaço intra-muros, abrangendo também os edifícios circundantes em mau estado de conservação.

Para o arquitecto, a reabilitação deve ser acompanhada de uma estratégia de reuso, com a criação de centros interpretativos e outros usos que valorizem o espaço, evitando apenas investimentos superficiais.

Já o apresentador da obra, José Pedro Nunes Soares, destacou o simbolismo do lançamento nesta data especial, a celebração do meio século de independência de Cabo Verde e a celebração eucarística em homenagem à Rainha Santa Isabel, padroeira de Chão Bom, local de origem de um dos autores.

Segundo Nunes Soares, a iniciativa contribui para fortalecer a memória histórica do espaço, outrora uma ferida aberta na narrativa do país, mas que hoje ganha uma nova perspectiva de valor e preservação.

A obra, conforme relembrou, coincide ainda com a candidatura do ex-Campo de Concentração do Tarrafal a Património Mundial da Unesco, uma iniciativa que, se bem-sucedida, trará benefícios económicos e culturais para o município, a ilha e o país.

Ainda, salientou que a proposta de reabilitação apresentada no livro visa transformar o espaço num centro de memória, educação e turismo, contribuindo para o desenvolvimento sustentável do Tarrafal.

Por isso, o apresentador defende que esta obra deve ser adquirida, lida, oferecida e partilhada, por ser uma “referência fundamental na história do país”.

Este lançamento marca um momento histórico e de esperança, que reforça a importância de preservar a memória colectiva e promover a revalorização de um espaço que simboliza a luta contra a opressão e o desejo de liberdade de Cabo Verde e de todos que por ali passaram. In “Inforpress” – Cabo Verde

terça-feira, 19 de março de 2024

Cabo Verde - Candidatura do Campo de Concentração do Tarrafal a património mundial será entregue em 2025

Cidade da Praia - A candidatura do Campo de Concentração de Tarrafal a património da humanidade da Unesco vai ser entregue em 2025, anunciou a presidente do Instituto do Património Cultural (IPC), Ana Samira Baessa.


O anúncio foi feito em conferência de imprensa, realizada para apresentação do programa de celebração dos 50 anos do 25 de Abril e do encerramento do Campo de Concentração do Tarrafal.

“Como é do conhecimento público, há vários anos se discute a questão da candidatura do Campo de Concentração de Tarrafal como património da humanidade. O campo tem sido valorizado ao longo dos anos, com a expectativa de avançar para este título”, disse a presidente do IPC quando instada sobre o andamento do processo.

Desde 2006, o espaço está classificado como património nacional, e está na lista indicativa da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO) desde 2003.

Conforme explicou Ana Samira Baessa, a lista indicativa é um dos pré-requisitos estabelecidos pela UNESCO para a classificação dos sítios como património mundial. E, a candidatura do Tarrafal ainda não foi submetida devido a uma directiva do Centro do Património Mundial que limitava as candidaturas de sítios de memória até 2022.

“Isso porque nas considerações feitas pelos peritos do património mundial em algumas situações a classificação destes sítios poderia reacender os conflitos, naturalmente não é o caso do Campo de Concentração do Tarrafal, mas a convenção e as orientações técnicas para a sua aplicação são um instrumento bastante abrangente, portanto não há excepções”, enfatizou.

Em 2022, o Centro do Património Mundial foi aberto para a inclusão desses sítios na lista de património mundial, e, desde então, o IPC vem trabalhando para isso, sendo que, entre outros investimentos, o Campo de Concentração do Tarrafal foi totalmente reabilitado e musealizado em 2021, já pensando na sua candidatura.

“Estamos agora trabalhando na preparação do dossiê técnico, que deverá ser submetido à UNESCO em 2025. Todos os especialistas da UNESCO consultados até ao momento estão fortemente encorajando a conclusão deste trabalho técnico e a submissão desta candidatura”, anunciou, Ana Samira Baessa. In “Inforpress” – Cabo Verde