Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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domingo, 15 de outubro de 2023

Venezuela - Recorda Fernão de Magalhães

A Organização Nacional de Salvamento e Segurança Marítima dos Espaços Aquáticos da Venezuela (ONSA) recordou o navegador português Fernão de Magalhães e os 500 anos da 1.ª viagem de circum-navegação do mundo num evento em Caracas


O evento, que reuniu dezenas de pessoas, teve lugar na sede da Corporação Andina de Fomento, foi apoiado pela Embaixada de Espanha em Caracas e contou com a participação do navegador espanhol Álvaro de Marichalar que realiza a primeira viagem marítima à volta do mundo com uma moto de água.

“A expedição (há 500 anos) da volta ao mundo foi efetuada conjuntamente por portugueses e espanhóis, e patrocinada por Carlos V (rei da Espanha), que se deixou convencer pelo grande navegador português Fernão de Magalhães, que já tinha tentado antes, com os reis de Portugal, mas que não conseguiu convencê-los da necessidade de dar a volta ao mundo”, explicou o embaixador de Espanha à agência Lusa.

Ramón Santos recordou que em 1518 cinco navios partiram de Sevilha e três anos mais tarde, em 1521, um desses navios, chamado Victoria, regressou com apenas 18 tripulantes, já sob o comando do capitão espanhol, Juan Sebastián Elcano, porque Fernando de Magalhães morreu em confrontos com indígenas nas Filipinas.

“Chegaram a Espanha, completando assim essa primeira viagem à volta do mundo e provando que o mundo era de facto redondo (…) Esta foi a primeira grande epopeia da história e em termos políticos e históricos significa a primeira globalização do mundo, feita a partir da Península Ibérica”, referiu o diplomata.

Segundo Ramón Santos, “Espanha e Portugal têm vindo a comemorar estes 500 anos” e em paralelo tem ocorrido “iniciativas privadas” como a do navegante solitário Álvaro de Marichalar, “com a sua volta ao mundo, neste caso numa ‘motonáutica’, em comemoração desse grande feito”.

“Houve, como já disse, muitas celebrações, muitas comemorações, muitas exposições, mostras, conferências, etc., e continua a haver, porque é um feito, é uma epopeia que continua a suscitar a admiração do mundo quando a colocamos no seu tempo e no seu lugar”, frisou.

Por seu lado, Álvaro de Marichalar explicou que está a dar a volta ao mundo “na embarcação mais pequena da história da navegação, celebrando o 5.º centenário da primeira viagem à volta do mundo”.

“Foi a primeira vez que a forma esférica do planeta foi demonstrada empiricamente (…) E isso une para sempre Espanha e Portugal”, frisou, recordando que Fernão de Magalhães nasceu português e mais tarde tornou-se espanhol.

Álvaro de Marichalar disse ainda que nas suas conferências por todo o mundo, junta sempre as bandeiras de Espanha e de Portugal, homenageando a contribuição que deram a todos.

Por outro lado, alertou ainda que atualmente todos os resíduos humanos continuam a ser despejados no mar e nos oceanos.

“Há 500 anos, os resíduos eram biodegradáveis, atualmente não o são. Por outras palavras, a humanidade retrocedeu como um caranguejo e, em vez de progredir e de se tornar mais limpa, estamos a tornar-nos cada vez mais sujos, a atentar contra os sistemas marinhos e isso é algo que temos de deter”, disse.

Sobre a sua viagem, explicou que continua “a navegar com cartas, usando a bússola”, apesar de existir o GPS.

Explicou que iniciou a sua viagem à volta do mundo em 10 de agosto de 2019, em Sevilha, que teve que interromper ao chegar a Miami, devido à pandemia da covid-19, prevendo que em 2 ou 3 anos esteja concluída. In “Bom dia Europa” - Luxemburgo


sexta-feira, 26 de maio de 2023

Unesco - Documentos da primeira viagem de circum-navegação entram no Registo da Memória do Mundo

Documentos sobre a primeira viagem de circum-navegação, de Fernão de Magalhães, entraram para o Registo da Memória do Mundo da Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (UNESCO), anunciou esta entidade.


A primeira viagem de circum-navegação, que aconteceu entre 1519 e 1522, consta da lista das 64 novas coleções inscritas no Registo da Memória, divulgada pela UNESCO. Com a inscrição de mais 64 coleções, o Registo da Memória do Mundo passa a ter 494 coleções registadas.

A viagem, liderada por Fernão de Magalhães e concluída por Sebastian Elcano, é “um marco na História da Humanidade por várias razões”. “A mais evidente é que os homens que concluíram esta jornada foram os primeiros a dar uma volta completa à Terra”, lê-se no comunicado da UNESCO hoje divulgado.

A UNESCO destaca que a primeira viagem de circum-navegação “teve um impacto significativo no conhecimento geral da Humanidade, visto que tornou possível perceber a vastidão da América do Sul e do Oceano Pacífico, abrindo caminho para uma nova e mais concreta noção da dimensão da Terra”.

Os documentos, cuja candidatura foi feita em conjunto por Portugal e Espanha, “mostram a preparação da viagem, a relação complementar entre portugueses e espanhóis, bem como os primeiros testemunhos dessas descobertas”.

Criado em 1992, o programa da UNESCO Memória do Mundo pretende “prevenir a perda irreparável de herança documental – documentos ou coleções de documentos de valor significativo e duradouro, em papel, audiovisual, digital ou qualquer outro suporte”.

Através deste programa, a UNESCO “visa salvaguardar este património e torná-lo mais acessível ao público em geral”.

A inscrição de coleções no Registo de Memória do Mundo tinha sido suspensa em 2017, “devido a divergências entre os estados envolvidos no processo de nomeação”.

“Um importante esforço coletivo permitiu que o procedimento fosse redesenhado e as nomeações foram ‘relançadas’ em 2021. Em 24 de maio de 2023 resultaram na decisão unânime da direção executiva da UNESCO de inscrever 64 novas coleções documentais”, lê-se no comunicado hoje divulgado.

Entre as 64 coleções agora inscritas no registo, constam também o legado da bióloga, congressista e feminista brasileira Bertha Lutz, “Feminismo, Ciência e Política”, candidatado pelo Brasil, e os arquivos e manuscritos do Templo Kong Tac Lam de Macau.

Bertha Lutz (1894-1976) foi uma das fundadoras da Federação Brasileira pelo Progresso Feminino, criada em 1922, que “lutou por direitos iguais para homens e mulheres, pelo acesso das mulheres à educação e ao mercado de trabalho, e contribuiu para a conquista do voto feminino, garantido na Constituição de 1934”.

Já a coleção relacionada com o Templo Kong Tac Lam, “datada do final da Dinastia Ming até meados do século XX”, cuja candidatura foi submetida pela Região Especial Administrativa de Macau, na China, “inclui mais 6600 volumes de arquivos e manuscritos em 2300 títulos, livros raros, Escritura Bayeux, fotos antigas e pinturas”.

A lista hoje divulgada inclui ainda, entre outros novos registos na Memória do Mundo, os posters de cinema cubano, apontamentos escritos à mão e notas do escritor russo Fiódor Dostoievski (1821-1881), a coleção de obras do compositor arménio Komitas Vardapet (1869-1935) e o arquivo do compositor checo Antonin Dvorák (1841–1904), o arquivo fotográfico do jornal El Popular, órgão oficial do Partido Comunista do Uruguai, ativo entre 1957 e 1973, e os arquivos da escritora suíça Johanna Spyri (1827-1901), sobre a personagem Heidi, mais tarde popularizada numa série de animação com o mesmo nome.

Documentação sobre a vida de pessoas feitas escravas, nas antigas colónias francesas e holandesas, em diferentes registos, os materiais e o negativo do longo documentário “Shoah”, de Claude Lanzmann, sobre o Holocausto, e testemunhos da “Heritage of Babyn Yar”, sobre a ocupação nazi de Kiev, durante a II Guerra Mundial, e o massacre de mais de 30 mil pessoas, sobretudo de origem judia, nessa ravina da capital ucraniana, foram também incluídos agora no Registo da Memória do Mundo da UNESCO.

Portugal está presente neste registo desde 2005, com a inscrição da Carta de Pero Vaz de Caminha, tendo-se seguido, mais tarde, entre outros documentos, o Tratado de Tordesilhas (numa candidatura com Espanha), manuscritos das Descobertas, o roteiro da primeira viagem de Vasco da Gama à Índia, a documentação do primeiro voo Atlântico Sul, os manuscritos de comentário ao Livro do Apocalipse do Lorvão e de Alcobaça, o Códice Calixtinus (em conjunto com Espanha), e os livros de vistos concedidos pelo cônsul português em Bordéus, Aristides de Sousa Mendes (1939-1940), que permitiram a fuga de judeus da perseguição nazi, na França ocupada pelas forças de Hitler. In “Mundo Lusíada” - Brasil

segunda-feira, 12 de setembro de 2022

Portugal - Instituto Português do Mar e da Atmosfera acaba de publicar em formato digital o livro "Os peixes na rota de Magalhães - Proposta de nomenclatura portuguesa"

A obra é da autoria dos investigadores do IPMA, Miguel Carneiro, Rogélia Martins, Dina Silva, Ivânia Quaresma e Irineu Batista e insere-se no âmbito das Comemorações do V Centenário da Primeira Viagem de Circum-Navegação (1519-1522), realizada por Fernão de Magalhães e concluída por Juan Sebastián Elcano.

Durante a sua vida, Fernão de Magalhães navegou por mares e oceanos e parte dessas áreas geográficas percorridas estão agora incluídas em 47 zonas económicas exclusivas sob jurisdição dos atuais “países” que as administram. Nestas regiões ocorrem cerca de 9500 espécies de peixes. Para além destas, incluem-se outras espécies não diretamente relacionadas com as rotas de Fernão de Magalhães, mas que importa acrescentar.

O objetivo principal deste trabalho foi estabelecer um único nome vulgar português (europeu) para cada uma das 16767 espécies listadas, propondo-o como denominação “oficial” portuguesa.

Como refere o Presidente do IPMA, Miguel Miranda, no prefácio "A viagem de Magalhães (...) mostrou definitivamente que o oceano une e não divide, que promove o contacto entre culturas, e que pode ser o principal veículo de humanidade. Para que isso seja possível temos que construir formas comuns de linguagem e de comunicação e que juntar a tradição, que é local, com a ciência que é universal. Este trabalho é um pequeno contributo nesse sentido." IPMA - Portugal

 

sábado, 24 de outubro de 2020

Portugal - Navio-escola Sagres retomará logo que possível viagem que Fernão Magalhães fez há 500 anos

 


A viagem do navio-escola Sagres no âmbito das comemorações do V Centenário da Circum-Navegação por Fernão Magalhães “será retomada” assim que a pandemia da covid-19 o permitir, segundo o ministro dos Negócios Estrangeiros, Augusto Santos Silva.

“A viagem do navio-escola Sagres será retomada logo que a evolução da pandemia o permita”, garantiu o ministro, precisamente no dia em que há 500 anos, no extremo sul da Argentina, Fernão Magalhães virou o Cabo das Onze Mil Virgens, como o navegador português haveria de batizá-lo, em homenagem ao dia de Santa Úrsula e às onze mil virgens, e que hoje tem o seu nome.

“O nosso plano é utilizar a viagem da Sagres de forma a que, em cada porto a que acostar, haver atividades culturais e comemorativas da viagem de circum-navegação e foi o fato de isso se ter tornado impossível que ditou a suspensão da viagem”, explicou o governante, numa conferência de imprensa que se seguiu à terceira reunião da Comissão Nacional para as Comemorações do V Centenário da Circum-navegação, em que estiveram igualmente presentes o ministro do Mar, Ricardo Serrão Santos, e José Manuel Marques, presidente da Estrutura de Missão do V Centenário da 1.ª Circum-Navegação.

“Continua a ser nossa intenção recriar a viagem de circum-navegação, estamos articulados com o Governo de Espanha, que também tem o compromisso de recriar a viagem de circum-navegação com o seu próprio navio-escola”, sublinhou Santos Silva, e a prova disso, reforçou, é que na proposta do Orçamento do Estado para 2021 “está lá prevista a verba financeira necessária”.

A pandemia causou impactos substanciais no programa das comemorações, mas a circunstância de estar repartido por três anos, “dá alguma margem de manobra ao projeto”, disse, por seu lado, Serrão Santos.

“O fato de estas comemorações terem sido planificadas para durar três anos está-nos a dar oportunidade de adaptar as comemorações às circunstâncias deste impacto inesperado da covid-19, que, ao contrário da viagem de Magalhães, deu a volta ao mundo em muito pouco tempo”, disse o ministro do Mar.

O programa destas comemorações, reforçou Serrão Santos, “está focado no percurso de exploração” feito pelo navegador português, que “foi orientado pelo comércio das especiarias e que permitiu, não só provar que todos os oceanos estão unidos, como é possível circum-navegar a terra. Começou aí a globalização”, disse.

É, portanto, “um projeto que comemora uma expedição que demorou três anos. Está focado na partida, também no evento único e fantástico que hoje se assinala, que é a passagem do Estreito das Onze Mil Virgens, que é como Fernão de Magalhães lhe chamou; não está focado na chegada”, disse ainda o ministro do Mar.

O presidente da Estrutura de Missão do V Centenário da 1.ª Circum-Navegação reconheceu também que, se a recriação da viagem de Magalhães iniciada com a partida de Lisboa em janeiro do navio-escola Sagres, era “o projeto bandeira” das comemorações, “a suspensão da viagem comprometeu todo o conjunto de iniciativas que estavam previstas”.

Nesta fase, a estrutura de missão está empenhada num “processo de reprogramação” junto com as instituições e parceiros associados às comemorações em todos os territórios onde o navio deverá passar quando a viagem for retomada.

Investimento

Oito projetos financiados com um total de 2,3 milhões de euros, nas áreas de observação da Terra, clima, mobilidade e biodiversidade, foram apresentados na sessão comemorativa do V centenário da viagem.

Os projetos, a realizar durante três anos (ou quatro em casos justificados), são financiados pela Fundação para a Ciência e Tecnologia (FCT), que lançou em 2019 um concurso no âmbito das comemorações dos 500 anos da primeira viagem à volta ao mundo, feita entre 1519 e 1522 pelos navegadores português Fernão de Magalhães e espanhol Juan Sebastián Elcano.

As propostas de trabalho selecionadas propõem-se, por exemplo, aplicar a inteligência artificial à previsão de ondas (Instituto Superior Técnico), “desenvolver a próxima geração de sensores geoquímicos para a monitorização em tempo real do movimento do magma em profundidade” (Fundação Gaspar Frutuoso) e explorar dados da expedição de circum-navegação antártica para “um melhor conhecimento de nuvens e precipitação” (Universidade de Aveiro), segundo o Ministério da Ciência.

Outros projetos incidem sobre a monitorização e gestão de recursos pesqueiros ao longo da rota Atlântica de Magalhães-Elcano (Universidade do Minho), as toxinas de serpentes da Amazônia (Requimte – Rede de Química e Tecnologia), aditivos de base nanotecnológica para revestimentos anticorrosivos marítimos (Universidade de Aveiro), a gestão da polinização e agricultura sustentável (Ciimar – Centro Interdisciplinar de Investigação Marinha e Ambiental) e genética, história e cultura humanas no espaço da circum-navegação (Ipatimup – Instituto de Patologia e Imunologia Molecular da Universidade do Porto).

Cada projeto vai receber até 300 mil euros, totalizando os oito 2,3 milhões de euros, de acordo com o ministério.

Ao concurso, aberto entre março e abril de 2019, podiam concorrer equipas de pesquisadores de universidades, empresas, laboratórios ou instituições sem fins lucrativos.

O programa das comemorações do V centenário da viagem Magalhães-Elcano incluía o lançamento de um concurso para projetos de investigação e inovação nas áreas associadas à circum-navegação. In “Mundo Lusíada” – Brasil com “Lusa”

sábado, 9 de maio de 2020

Portugal - Navio-escola Sagres regressa amanhã a Lisboa



O navio-escola Sagres regressa no domingo a Lisboa, um mês e meio depois de ter sido cancelada a viagem de celebração dos 500 anos da circum-navegação de Fernão Magalhães devido à pandemia de covid-19, anunciou a Marinha.

Na sua conta oficial no Instagram, a Marinha informou da data de chegada do navio-escola, que partiu de Lisboa em 05 de janeiro para uma viagem à volta do mundo, mas que foi interrompida em 24 de março devido ao surgimento do surto epidémico.

“Face à situação de pandemia da covid-19, que afeta mais de 180 países em todo o mundo, o navio-escola Sagres, que ruma à Cidade do Cabo, na África do Sul, onde se prevê que chegue esta quarta-feira, dia 25 de março, recebeu ordens para regressar a Lisboa”, segundo um comunicado do Ministério da Defesa Nacional divulgado em 24 de março.

O navio saiu da capital portuguesa no início de janeiro para uma viagem à volta do mundo que teria duração de pouco mais de um ano.

Previa-se que o navio passasse por 22 portos de 19 países diferentes e que seria a Casa de Portugal durante os Jogos Olímpicos de Tóquio, competição que foi adiada para 2021.

O Ministério da Defesa Nacional justificava que a decisão de interrupção da viagem “foi tomada na sequência das medidas de segurança que os diferentes países estão a adotar para protegerem os seus portos, Portugal incluído, limitando a atracação e desembarque de tripulações e passageiros de navios”, o que inviabiliza “o pleno cumprimento da missão”.

O Governo considerava ainda que “a continuidade desta expedição poderia potenciar um maior risco de contágio entre os 142 elementos da guarnição, que se encontram bem de saúde”. In “Bom dia Europa” - Luxemburgo

segunda-feira, 24 de fevereiro de 2020

Uruguai – Navio-escola Sagres reproduz navegação que batizou o “Monte Vidi”, atual Montevidéu




O navio-escola “Sagres” vai reconstruir, com 30 convidados especiais, o histórico percurso da epopeia de Fernão de Magalhães que deu nome ao “Monte Vidi”, o morro ao redor do qual cresceu Montevidéu, capital do Uruguai. A “Sagres” zarpará da baía de Maldonado, em frente a Punta del Este, rumo a Montevidéu, reproduzindo a travessia com o cenário de 500 anos, quando a expedição do navegador avistou um curioso morro com forma de chapéu no centro de uma planície arenosa.

Durante a navegação, o navio-escola português será acompanhado pelo seu par uruguaio, a escuna Capitán Miranda.  A bordo da “Sagres”, um grupo de 30 convidados entre embaixadores, académicos, historiadores e autoridades locais.

Um desses convidados é o escritor uruguaio e investigador de História, Juan Antonio Varese, autor do mais recente livro sobre a saga de Fernão de Magalhães, único livro no mundo que põe a lupa sobre o capítulo Rio da Prata da histórica viagem de circum-navegação.

“Vou ter a imensa honra de ver o ‘Monte Vidi’ com os meus próprios olhos, como viram os descobridores”, exclama emocionado, Juan Antonio Varese, em entrevista à Lusa.

O livro “A Expedição de Magalhães no Rio da Prata” foi publicado em dezembro e apresentado em 10 de janeiro passado, exatamente 500 anos depois do dia em que Fernão de Magalhães entrou no rio de Solis, atual Rio da Prata, para tentar encontrar uma saída ao Mar do Sul, que seria rebatizado pelo próprio como Pacífico.



A partir do Rio da Prata, a viagem de Magalhães cruzaria uma fronteira desconhecida, nunca antes navegada, sem referências de nomes nem de mapas.

O piloto da nau Trindade, Francisco Albo, escreveu no seu diário de bordo naquela terça-feira, 10 de janeiro de 1520, após cruzar o Cabo de Santa Maria, atual Punta del Este:

“Dali para a frente corre a costa Leste-Oeste e a terra é arenosa. Direto do cabo há uma montanha feita como um chapéu ao qual pusemos o nome de Monte Vidi”, descreve Francisco Albo. No documento, aparece, entre parênteses, uma frase posteriormente acrescentada: “corruptamente chamam agora de Santovidio”. Do latim, Monte Vidi seria “Eu vi Monte”.

Entre as várias versões para Montevidéu (em espanhol, Montevideo), aparece uma influência do português. Um desconhecido marujo, que vigiava do alto do mastro de observação, teria exclamado ao ver o monte: “Monte vide eu”.

O siciliano Ovídio viveu em Portugal, onde foi venerado. Foi o terceiro bispo de Bracara Augusta, atual Braga. Do seu nome, o Monte Santo Ovídio seria Monte Ovídio ou Monte Vídio.

Já a versão em espanhol diz que nos mapas de navegação o sexto monte de Leste a Oeste no território uruguaio era lido como “Monte VI de E-O” (“Monte Sexto de Este a Oeste).

“Mas a única versão que está documentada é a de Magalhães. É essa a expedição que dá nome ao Monte”, indica Juan Antonio Varese, que ilustrou a capa do seu livro justamente com a frota de Magalhães tendo o “Monte Vidi” ao fundo na paisagem. O nome resistiria por mais de 200 anos até à fundação de Montevidéu entre 1726.

“Depois de vir do Brasil com frondosa vegetação e montanhas, nada lhes chamou a atenção na costa uruguaia que descreveram sempre como plana e arenosa. Por isso, chamou-lhes tanto a atenção um monte”, compara Juan Antonio Varese, quem também é membro da Academia de Marinha de Portugal.

A “Sagres” ficará em Montevidéu até o dia 27, quando parte para Buenos Aires na outra margem do Rio da Prata. Esses dias na capital uruguaia poderiam ter um correlato com o roteiro de Magalhães há 500 anos.

“Calcula-se que a expedição de Magalhães tenha ficado alguns dias em Montevidéu. Não está documentado. Acredita-se que tenham subido o Monte Vidi como forma de ver o horizonte. Fazia-se sempre, especialmente nesse monte com apenas 145 metros”, analisa Varese.

Mas antes de Magalhães já tinha passado por esta costa Américo Vespúcio em 1501, João de Lisboa e Estevão Fróis em 1514 e João Dias de Solis 1516.

Para chegar até ao Rio da Prata, canal que acreditava ser a passagem para o Pacífico, Fernão de Magalhães contou com os conhecimentos de outro português integrante na sua expedição: o piloto João Lopes de Carvalho.

Era Carvalho que sabia o caminho. Tinha recebido referências de João de Lisboa e de Francisco Torres, que tinham estado na expedição de Solis. Carvalho sabia que era preciso encontrar o Cabo de Santa Maria (Punta del Este), como referência de entrada para o Rio de Solis (Rio da Prata).

“Eles vinham à procura do Cabo de Santa Maria porque tinham notícia da prévia expedição de Solis, mas havia um deles que conhecia bem a localização. Esse era João Lopes de Carvalho, que explicava que, para se saber onde estava o Rio de Solis, era preciso chegar ao Cabo Santa Maria”, conta Juan Domingo Varese.

Foi exatamente esse caminho que a ‘Sagres’ fez hoje ao chegar a Punta del Este, onde parou antes de continuar a Montevidéu, exatamente como Fernão de Magalhães há 500 anos. In “Mundo Português” – Portugal com “Lusa”

quarta-feira, 12 de fevereiro de 2020

Brasil - Inaugurada praça no Rio de Janeiro em homenagem a Fernão de Magalhães



Uma praça em homenagem ao navegador português Fernão de Magalhães foi inaugurada nesta terça-feira no Rio de Janeiro, com a presença de figuras de Estado, que frisaram a importância do momento na história entre Portugal e Brasil.

O local da praça, agora denominada de “Praça da Circum-Navegação”, não foi escolhido ao acaso, estando localizada em frente à Baía de Guanabara, um dos primeiros locais onde Fernão de Magalhães aportou há 500 anos na América, aquando da sua histórica viagem ao serviço da coroa espanhola, e onde o navio-escola “Sagres” atracou na segunda-feira, após ter saído de Portugal em 05 de janeiro, para também ele seguir as pisadas do navegador português.

“Mais do que ser direcionada a Portugal, esta placa é direcionada ao navegador português e à circum-navegação. Tínhamos o plano de dar o nome de Fernão de Magalhães a uma praça ou escola, mas não foi possível designar dessa forma porque já existe uma artéria aqui com esse nome. Dessa forma, decidimos chamá-la de ‘circum-navegação’, mas na placa está descrita a homenagem a Magalhães”, disse à Lusa o cônsul-geral de Portugal no Rio de Janeiro, Jaime Leitão.

“É também um momento interessante porque foi feito simultaneamente à estadia da ‘Sagres’ no Rio de Janeiro, que está aqui mesmo em frente. Quando propus este lugar, achei também graça ao facto de a praça estar ao lado de uma roda-gigante [Rio Star, maior roda-gigante da América Latina], numa alusão à circum-navegação, também ela redonda”, acrescentou Jaime Leitão, impulsionador do projeto.

Na cerimônia de homenagem sob chuva, estiveram também presentes figuras como a secretária de Estado das Comunidades Portuguesas, Berta Nunes, o embaixador de Portugal em Brasília, Jorge Cabral, e prefeito da cidade do Rio de Janeiro, Marcelo Crivella.

Ao som da banda da Marinha de Guerra Portuguesa, que tocou os hinos do Portugal e do Brasil, foi feita a homenagem ao navegador português, tendo o prefeito Crivella declamado versos do poeta Fernando Pessoa, num elogio à “bravura” dos portugueses, quando descobriram o território brasileiro.

“Nós não podemos deixar de proclamar que na origem do povo brasileiro existe a fibra de uma nação que não se conformou com a determinação geográfica de viver entre a Espanha e o mar e, na força dos seus navegadores, cruzou os abismos para construir novos mundos. O Brasil é herança dessa valentia e bravura. No nosso sangue pulsam as mais altas tradições desse povo heroico que marcou a história”, indicou Crivella.

“Ao inaugurarmos esta praça, vibram na nossa alma essas conquistas lusitanas. Apesar da independência nunca nos desunimos. O Brasil estará eternamente ligado a Portugal. Lembro-me dos versos de Fernando Pessoas que dizia ‘Ó mar salgado, quanto do teu sal são lágrimas de Portugal’, e o Rio de Janeiro fez muitas lágrimas para que aqui chegassem os navegadores, como foi esse, que hoje homenageamos. Agradeço poder marcar estes laços eternos, aqui”, declarou o prefeito na inauguração da praça.

Também Berta Nunes sublinhou a importância do esforço dos navegadores portugueses, como Fernão de Magalhães ou Pedro Álvares Cabral, reconhecendo “algumas menos valias” e “percalços” do período dos descobrimentos.

“Com o navio-escola Sagres e com o descerramento desta placa, a circum-navegação, Fernão de Magalhães e [o navegador espanhol] Sebastião de Elcano ficam aqui imortalizados para memória futura, sendo muito importante este ato simbólico, que irá preservar esta memória. Foi também Portugal que há 500 anos conseguiu globalizar o mundo no sentido de ligar territórios e culturas desconhecidas”, afirmou a secretária de Estado.

O embaixador Jorge Cabral admitiu que a programação que Portugal tem delineada para celebrar os 500 anos da viagem de Circum-navegação é “ambiciosa”, afirmando que a inauguração de uma rua ou praça em nome do navegador português foi sempre um objetivo primordial.

“Esta placa é uma referência que vai aqui ficar registrada. Sempre tivemos a expectativa de conseguir concretizar este objetivo, aqui, perto da Baía de Guanabara, onde a frota de Magalhães aportou na América. A nossa programação é ambiciosa, passando por todos os países que fizeram parte da rota do navegador. No caso do Brasil, em que temos esta proximidade histórica, é muito importante este registo físico da chegada da frota”, realçou o diplomata.

No âmbito das referidas celebrações, o navio-escola “Sagres” chegou na segunda-feira ao Rio de Janeiro através das águas da baía de Guanabara, reentrância costeira que deu nome à embarcação quando esta pertencia à Marinha do Brasil, após mais de um mês a navegar à vela, depois de ter saído de Portugal no dia 05 de janeiro para uma viagem de circum-navegação.

A viagem vai prolongar-se durante 371 dias, sendo que a próxima paragem é Montevidéu, capital do Uruguai.

O navio-escola “Sagres” vai passar por mais de 20 portos de 19 países diferentes.

Em 30 de dezembro, a embarcação da Marinha chega a Portugal, mais precisamente, a Ponta Delgada, nos Açores, estando o regresso a Lisboa agendado para 10 de janeiro de 2021. In “Mundo Lusíada” - Brasil com “Lusa”

sexta-feira, 4 de outubro de 2019

Portugal - Navio-Escola "Sagres" prepara-se para assinalar circum-navegação

Lisboa - O navio-escola Sagres que realiza em 2020 uma viagem de um ano integrada nas comemorações do V Centenário da Circum-Navegação de Fernão de Magalhães vai empreender projetos científicos e cumprir os "desafios" da rota à volta do mundo.



"Do ponto de vista da navegação há duas zonas diferentes, mas bastante desafiantes: uma é toda a passagem do Estreito de Malaca, toda a zona da Indonésia e Filipinas, até à chegada ao Japão. Depois há a passagem do Estreito de Magalhães, Cabo Horn, na parte mais a sul da viagem, que por ser uma zona pouco amigável em termos meteorológicos vai ser um desafio, quer para o navio, quer para a guarnição", disse à Lusa o comandante do NRP "Sagres", António Maurício Camilo.

O navio-escola parte de Lisboa no dia 05 de janeiro do próximo ano sendo a rota "uma mistura" entre a viagem de Fernão de Magalhães combinando a presença em Tóquio durante os Jogos Olímpicos, no mês de julho.

"Sobrepondo a viagem com a nossa viagem efetiva diria que 70% da viagem de Magalhães será repetida embora uma parte dela no sentido oposto devido aos condicionalismos da presença no Japão", refere o comandante destacando a rota entre o Atlântico e o Pacífico como um dos momentos significativos da viagem.

"Um dos eventos principais, no dia 20 de outubro, em Punta Arenas (Chile) vai coincidir com uma reunião com o navio-escola espanhol Juan Sebastian Elcano e de outros navios-escola da América Latina e depois até Callao (Peru) -- refazendo a entrada de Magalhães no Pacífico", afirma sublinhando a importância que atribui ao momento.

"Os navios vão navegar em companhia. Tem um significa histórico e político e vai permitir trocar algumas pessoas da guarnição com outros navios e julgo que vai ter um impacto interessante", diz Maurício Camilo que nunca navegou o Estreito de Magalhães.

"Eu nuca passei no Estreito de Magalhães e a única referência que tenho de uma situação mais parecida são os fiordes. Trata-se de um conjunto de fiordes na passagem do Atlântico para o Pacífico. Em termos de navegação o mais parecido são os fiordes da Noruega. Uma navegação cautelosa como em todas em zonas mais apertadas. Vai ser um grande desafio porque o navio só navegou no Estreito de Magalhães uma vez, em 2010", explica.

O navio-escola Sagres vai embarcar 144 tripulantes que vão cumprir a rota completa durante 371 dias e vai embarcar durante cerca de três meses dois grupos de cadetes.

O primeiro grupo de cadetes - que terminam em 2020 o segundo ano da Escola Naval - vai cumprir a rota entre de Díli (Timor-Leste) e o Japão.

Entre Tóquio e Honolulu, no Pacífico, vão embarcar os cadetes do primeiro ano.

Os cadetes vão pôr em prática os conceitos teóricos que aprenderam durante o ano letivo na Escola Naval e depois embarcam para ganharem experiência.

Paralelamente aos aspetos relacionados com a navegação o navio-escola vai empreender uma série de projetos científicos relacionados com a presença de microplásticos e a medição de parâmetros atmosféricos na água e na atmosfera. “Agência Lusa”

quarta-feira, 17 de julho de 2019

Reino Unido - Cinco séculos da circum-navegação celebrados em Londres na Organização Marítima Mundial



Londres - O 500.º aniversário da viagem de circum-navegação iniciada pelo navegador português Fernão de Magalhães, em 1519, é hoje celebrado na Organização Marítima Mundial, em Londres, numa iniciativa conjunta das embaixadas de Portugal e de Espanha no Reino Unido.

Uma conferência com o historiador português João Paulo Oliveira e Costa e o jornalista Francisco Taronjí vai debater e refletir sobre a primeira volta completa ao mundo, iniciada pelo navegador português Fernão de Magalhães e completada pelo navegador espanhol Juan Sebstián Elcano, em 1522.

"O propósito é recordar uma viagem de grande importância e significado científico comandada em grande parte do seu percurso por um navegador português, que muitos consideram ter dado uma contribuição significativa para o que hoje se chama 'globalização'", disse à agência Lusa o embaixador de Portugal no Reino Unido, Manuel Lobo Antunes.

Este acontecimento merece ser celebrado na sede da Organização Marítima Mundial porque, acrescentou, "contribuiu para um melhor conhecimento científico do globo, abrindo rotas marítimas alternativas para o comércio de produtos entre a Ásia e a Europa".

Portugal e Espanha têm previsto um programa de ações conjuntas para comemorar os 500 anos da primeira volta ao mundo, da qual faz parte uma viagem de circum-navegação pelos navios-escola Sagres (português) e Juan Sebastián Elcano (espanhol).

Está também prevista uma exposição itinerante organizada pelos Ministérios da Cultura dos dois países, a coprodução de uma série televisiva, e a elaboração de um estudo sobre a "Projeção mundial do espanhol e do português".

A apresentação de uma Declaração dos Ministros da Cultura da União Europeia, sobre o significado da circum-navegação, é outra das ações apresentadas.

As embaixadas de Portugal e de Espanha também vão coordenar a organização de atividades conjuntas nos países da Rota de Magalhães-Elcano: Brasil, Uruguai, Argentina, Chile, Filipinas, Brunei, Indonésia, Timor-Leste, Moçambique, África do Sul e Cabo Verde. In “Sapo Timor-Leste” com “Lusa”

quarta-feira, 23 de janeiro de 2019

Portugal - Tradição filipina do “Santo Niño” foi celebrada em Lisboa



Cerca de cem pessoas assistiram em Lisboa à celebração do “Santo Niño”, uma tradição filipina, que evoca a chegada do navegador Fernão de Magalhães à ilha de Cebu, e o batismo católico dos soberanos e de 800 autóctones.

“A festa do ‘Santo Niño’, que celebramos no terceiro domingo de Janeiro, evoca a chegada de Fernão de Magalhães, a Cebu, e que entregou uma escultura do Menino Jesus aos locais, e demonstra a devoção das Filipinas ao Menino Jesus”, disse à agência Lusa a embaixadora das Filipinas em Lisboa, Celia Anna Feria, que assistiu à festa, seguida da celebração da eucaristia.

No adro da basílica da Estrela, em Lisboa, figurantes evocaram a chegada do navegador português ao serviço de Espanha, em Abril de 1521, a Cebu, o baptismo dos reis locais, Hara Amihan e Humabon, que passaram a ostentar os nomes de Joana e Carlos, e várias danças em honra do “Santo Niño”.

A celebração tem origem na ilha de Cebu, uma das maiores da região central filipina de Visayas, mas “estendeu-se a todas as partes das Filipinas”, como explicou a diplomata.

No adro da basílica da Estrela foram apresentadas três danças tradicionais, uma delas com origem na tradição local, que era de agradecimento pelas colheitas a um deus da mitologia insular, mas com a adoção do catolicismo, passou a ser em honra de “Sinulog”, que na língua nacional filipina, o tagalog, significa Jesus.

Entre outras individualidades, à cerimónia assistiu o núncio apostólico em Lisboa, o arcebispo Rino Passigato. Segundo Celia Anna Feria em Portugal a comunidade filipina “é menos de 2000 pessoas, a maioria em Lisboa”.

Questionada pela Lusa quanto aos preparativos da evocação dos 500 anos da chegada de Fernão Magalhães às Filipinas, no âmbito da viagem de circum-navegação ao serviço de Espanha, a diplomata disse que tal “só acontecerá em 2021”, mas foi já constituída uma comissão nacional para esse efeito, e que a embaixada em Lisboa tem estado a desenvolver contactos com várias universidades, nomeadamente a Nova de Lisboa.

Neste âmbito, a embaixadora quer a “produção de vasta bibliografia que dê a conhecer as Filipinas e a sua cultura”. A eucaristia na basílica da Estrela foi celebrada em tagalog, inglês e português.

Fernão de Magalhães (1480-1521), natural de Sabrosa, em Trás-os-Montes e Alto Douro, capitaneou a primeira viagem de circum-navegação e foi o primeiro europeu a alcançar a Terra de Fogo, no extremo meridional da América do Sul.

A viagem de circum-navegação, sob bandeira de Espanha, foi iniciada em 1519 e terminou em 1522, já sob o comando de Juan Elcano, pois o navegador português foi morto por autóctones na ilha de Cebu, nas Filipinas.

A imagem do “Santo Niño”, que encontra paralelo na tradição católica no Menino Jesus da Cartolinha, de Miranda do Douro, e no Menino Jesus de Praga, entre outros, é a mais antiga relíquia católica das Filipinas, e encontra-se na Basílica Menor do Santo Niño, na cidade de Cebu. In “Hoje Macau” - Macau com “Lusa”

sábado, 20 de outubro de 2018

Chile - Inauguração da Cátedra Fernão de Magalhães na Universidade de Playa Ancha

No âmbito da deslocação ao Chile da Secretária de Estado dos Negócios Estrangeiros e da Cooperação, Teresa Ribeiro, teve lugar ontem, 19 de outubro de 2018, a inauguração da Cátedra Fernão de Magalhães na Universidade de Playa Ancha, em Valparaíso, no Chile.

O protocolo de cooperação que cria a Cátedra Fernão de Magalhães foi assinado pelo Presidente do Camões, I.P., Luís Faro Ramos, e pelo Reitor da Universidade de Playa Ancha, Patricio Sanhueza Vivanco. Esta é a primeira Cátedra a ser criada no Chile onde já existe um Centro de Língua Portuguesa e um Leitorado.

A instituição desta cátedra decorre do desenvolvimento de projetos de investigação no Centro de Estudos Avançados (CEA) da Universidade de Playa Ancha, que visam um fortalecimento das áreas de Literatura e Estudos da Cultura e do campo de Literaturas Comparadas do programa de Doutoramento em Literatura Hispano-americana Contemporânea, a internacionalização e consolidação do programa de Doutoramento, e a inovação através de novas possibilidades de leitura, nomeadamente dos estudos portugueses e lusófonos.

O nome da cátedra - Fernão de Magalhães – pretende espelhar um dos momentos mais significativos em que Portugal e Chile, de algum modo, se encontraram ao longo da sua história e que está intrinsecamente associado à figura do navegador português. O enquadramento da Cátedra “Fernão de Magalhães” no Centro de Estudos Avançados da Universidade de Playa Ancha permitirá desenvolver um programa de investigação no qual a figura do oceano configura, precisamente, as múltiplas possibilidades de cruzamentos de saberes em torno da imagem/tema do ‘oceano’. A língua portuguesa, a cultura portuguesa e as culturas de língua portuguesa serão os modos de dizer e pensar este ‘oceano’, cruzando áreas, identificando e ultrapassando limites, abrindo diálogos.

Daiana Nascimento dos Santos, investigadora e docente do Centro de Estudos Avançados da Universidad de Playa Ancha, nascida em Ibirataia, Bahia, será a diretora da Cátedra Fernão de Magalhães, o que permitirá potenciar a cooperação entre Portugal e o Brasil na promoção da ciência em língua portuguesa. A cátedra apresenta como linhas de investigação os seguintes temas: “Na órbita de Fernão de Magalhães”; “Literatura comparada de língua portuguesa”; “Literatura mundial: cartografia do mundo”; “Portos e Oceanos: Portugal/Chile, de finisterra a finisterra”; “Representações Magalhânicas”; e “Tradução”. Camões - Instituto da Cooperação e da Língua - Portugal

sábado, 4 de agosto de 2018

Portugal – Epopeia de Fernão Magalhães inspira álbum musical

O álbum, intitulado “Mar Magalhães”, sai a 28 de Setembro, e “é o reflexo dessa viagem, que não foi fácil, com os sons das diferentes paragens efetuadas”. “E, exactamente por lhe ter sido difícil empreender, é um disco muito reflexivo”, disse Luísa Amaro à agência Lusa.

A guitarrista, referindo-se à viagem de circum-navegação, efectuada entre 1519 e 1521, apontou-a como “uma simbologia para tantas coisas da vida” que decidiu abordá-la num disco, para o qual procurou sonoridades cabo-verdianas (Magalhães aportou no arquipélago para abastecimento, logo no início da viagem), brasileiras (a frota passou ao largo do Cabo de Stº Agostinho, em Pernambuco, em Novembro de 1519, e, em Dezembro, entrou na baía do Rio de Janeiro), e as milongas argentinas (Magalhães alcançou em 1520 o rio da Prata).

As partituras escolhidas, compostas para guitarra clássica, foram transpostas, por Luísa Amaro, para a guitarra portuguesa, instrumento que pretendia que “traduzisse os sentimentos desse homem, que é português”. “Uma certa alma, que é a alma da guitarra portuguesa, que se envolve em tantas sonoridades” e, ao mesmo tempo, “como se fosse a história da uma guitarra portuguesa hoje, [que se mistura] com a história de homem do tempo que foi”, afirmou.

“É como se estivesse a contar duas histórias, uma presente e outra passada”, que se cruzam, explicou.

O CD “Mar Magalhães” será apresentado em Lisboa, no Museu do Oriente, precisamente no dia que chega ao mercado, 28 de Setembro, num recital com todos os participantes no disco, que são, além de Luísa Amaro (guitarra portuguesa), Gonçalo Lopes (clarinete), Paulo Sérgio (piano), Heloísa Monteiro (guitarra clássica), João Mota (cavaquinho) e Leonor Padinha (voz).

O álbum, que sucede a “Argvs” (2014), começou a desenhar-se em 2016, quando Luísa Amaro foi tocar a Sabrosa, em Trás-os-Montes e Alto Douro, onde nasceu o navegador.

O CD procura reflectir “o caminho real, que foi a viagem, e paralelamente aquela tenacidade de chegar a um sítio, de conseguir, de chegar a bom porto, de lutar, de não desistir, quando Magalhães teve todas as condições para que de facto a viagem [de circum-navegação] não se efectuasse, pois levantaram-lhe muitos obstáculos, até mesmo a tripulação espanhola, que desconfiava do facto de ele ser português”, disse.

Fernão de Magalhães (1480-1521) capitaneou, ao serviço da coroa de Espanha, a primeira viagem de circum-navegação, através dos oceanos Atlântico, Pacífico e Índico, em busca de uma rota alternativa à de Vasco da Gama, para alcançar os portos indianos e as cargas de especiarias.

Entre as escolhas feitas para este CD, Luísa Amaro optou por Manuel de Falla, “que é uma sonoridade espanhola e intemporal”, tendo gravado deste compositor “Nana”. Do Brasil, escolheu Heitor Villa-Lobos, de quem gravou “Mazurca-Choro”. Do cabo-verdiano B.Leza, interpreta “Luiza”.

Luísa Amaro, de 60 anos, foi a primeira mulher a compor para guitarra portuguesa e a apresentar-se como concertista, tendo estudado guitarra clássica, no Conservatório Nacional de Lisboa, com Lopes e Silva, e prosseguiu os estudos em Barcelona.

Em 1984, começou a acompanhar Carlos Paredes (1925-2004). Desde 1996 dedica-se à guitarra portuguesa como compositora, considerando-se pioneira na “abordagem inovadora” que tem desenvolvido para este instrumento.

Em 2004 editou o álbum “Canção para Carlos Paredes”, ao qual se seguiu “Meditherranios” (2009) e “Argvs” (2014). In “Jornal Tribuna de Macau” com “Lusa”