Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
Mostrar mensagens com a etiqueta Peixes. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Peixes. Mostrar todas as mensagens

segunda-feira, 19 de setembro de 2022

Portugal - Estudo avalia o nível de mercúrio presente no peixe e marisco que o organismo consegue digerir

Um estudo publicado na revista “Marine Pollution Bulletin” aponta a necessidade da criação de uma metodologia universal para estimar a bioacessibilidade do mercúrio (Hg), um metal pesado tóxico, em alimentos presentes na dieta mediterrânica, mais especificamente em espécies de peixe e marisco, e destaca a importância da integração de medidas de bioacessibilidade nas normas de segurança alimentar.

A bioacessibilidade traduz-se no que o organismo humano pode absorver a partir dos alimentos que ingerimos e é um instrumento particularmente relevante para determinar quais os valores máximos de contaminantes que podem ser consumidos ao longo da vida sem risco para a saúde. Em concentrações muito baixas, o mercúrio não representa perigo para a saúde humana, mas a sua acumulação a longo prazo pode ter efeitos prejudiciais.

Este estudo, liderado por Filipe Costa, do Centro de Ecologia Funcional da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC), avaliou a fração de mercúrio bioacessível em peixes e mariscos presentes na dieta mediterrânica, designadamente peixe-espada-preto, atum, espadarte, tubarão azul, salmão e tainha; mexilhão e amêijoa.

A escolha das espécies foi baseada nos principais peixes e mariscos consumidos no sul da Europa e incluiu espécies capturadas no oceano (peixe-espada-preto, atum, espadarte e tubarão azul), espécies de aquacultura (salmão e mexilhões) e espécies estuarinas (tainha e amêijoas). Para avaliar o nível de bioacessibilidade das espécies em estudo, a equipa, que integra também Pedro Coelho e Cláudia Mieiro, da Universidade de Aveiro (UA), recorreu a três formas distintas de extração in vitro, que «simulam em laboratório o efeito da saliva, suco gástrico e da bílis durante o processo de digestão», explica Filipe Costa, referindo que, no caso do peixe-espada-preto, foram ainda utilizados três diferentes métodos de confeção: cozer, fritar e grelhar, para avaliar o impacto dos processos culinários na bioacessibilidade do mercúrio.

O estudo conclui que a estimativa da bioacessibilidade do mercúrio no peixe e marisco depende do método aplicado, já que cada método de extração apresentou resultados diferentes, o que, para o investigador da FCTUC, «salienta a falta de uma metodologia universal para estimar a bioacessibilidade do mercúrio (Hg) nessas matrizes. As frações de Hg bioacessíveis variavam entre 10% e quase 90% do mercúrio total (T-Hg) e aumentaram nas espécies consideradas predadoras (espadarte, tubarão azul e atum). Entre os três métodos de extração testados, o Método Unificado de Bioacessibilidade (UBM) forneceu a estimativa mais elevada de bioacessibilidade de Hg para os consumidores».

No que respeita aos métodos de confeção utilizados, «todos eles reduziram consideravelmente a fração de Hg bioacessível», ou seja, observou-se uma «diminuição no teor deste contaminante», avança Filipe Costa, esclarecendo que, de uma forma geral, os resultados do estudo indicam que o «Hg bioacessível encontrado nestas espécies de peixe e marisco, especialmente após a confeção, está muito abaixo dos níveis estabelecidos pela legislação atual de avaliação de risco de segurança. Estes resultados destacam a importância da integração de medidas de bioacessibilidade na legislação de segurança alimentar».

A legislação de segurança alimentar atual apenas considera a concentração total de contaminantes em peixes e mariscos, não tendo em conta a bioacessibilidade contaminante durante o processo de digestão nem o efeito dos modos de confeção na solubilização digestiva do contaminante. Universidade de Coimbra - Portugal


segunda-feira, 12 de setembro de 2022

Portugal - Instituto Português do Mar e da Atmosfera acaba de publicar em formato digital o livro "Os peixes na rota de Magalhães - Proposta de nomenclatura portuguesa"

A obra é da autoria dos investigadores do IPMA, Miguel Carneiro, Rogélia Martins, Dina Silva, Ivânia Quaresma e Irineu Batista e insere-se no âmbito das Comemorações do V Centenário da Primeira Viagem de Circum-Navegação (1519-1522), realizada por Fernão de Magalhães e concluída por Juan Sebastián Elcano.

Durante a sua vida, Fernão de Magalhães navegou por mares e oceanos e parte dessas áreas geográficas percorridas estão agora incluídas em 47 zonas económicas exclusivas sob jurisdição dos atuais “países” que as administram. Nestas regiões ocorrem cerca de 9500 espécies de peixes. Para além destas, incluem-se outras espécies não diretamente relacionadas com as rotas de Fernão de Magalhães, mas que importa acrescentar.

O objetivo principal deste trabalho foi estabelecer um único nome vulgar português (europeu) para cada uma das 16767 espécies listadas, propondo-o como denominação “oficial” portuguesa.

Como refere o Presidente do IPMA, Miguel Miranda, no prefácio "A viagem de Magalhães (...) mostrou definitivamente que o oceano une e não divide, que promove o contacto entre culturas, e que pode ser o principal veículo de humanidade. Para que isso seja possível temos que construir formas comuns de linguagem e de comunicação e que juntar a tradição, que é local, com a ciência que é universal. Este trabalho é um pequeno contributo nesse sentido." IPMA - Portugal

 

sábado, 2 de janeiro de 2021

Austrália - Cientistas desenvolvem nova tecnologia que permite aos peixes passarem pelas barragens

 


O “tubo de passagem para peixes” permite que os peixes deslizem pelas paredes das barragens, açudes ou outras barreiras existentes nos rios.

Uma equipa de engenheiros e cientistas da UNSW Sydney desenvolveu uma forma de ajudar os peixes a passarem pelas paredes das barragens. Estas barreiras são altamente prejudiciais nas migrações dos peixes de rio um pouco por todo o mundo, sendo que este desenvolvimento se focou nos rios australianos.

Esta tecnologia, denominada “tubo de passagem para peixes” é uma instalação relativamente barata e que consome pouca energia, operando de uma forma simples: bombeia os peixes a alta velocidade – protegidos por uma almofada de água – através de um tubo que passa sobre a barreira de obstrução, como a parede da barragem, para entregá-los com segurança na água do outro lado.

Após uma demonstração bem-sucedida de um protótipo no Laboratório de Investigação de Água da UNSW em Manly Vale, o grupo está em conversações com a Câmara Municipal de Parramatta em Sydney sobre a possibilidade de instalar um no Marsden St Weir.

Estes tubos têm o potencial de reconetar as populações de peixes em toda a Austrália – e potencialmente no mundo – onde barreiras como barragens e açudes em rios estão associadas a um declínio maciço dos peixes de água doce no último meio século.

O professor Richard Kingsford, diretor do Centro de Ciência do Ecossistema da Escola de Ciências Biológicas, Terrestres e Ambientais da UNSW, afirmou que as barragens, açudes e outras barreiras fluviais interromperam os ciclos de reprodução dos peixes em todo o mundo, já que muitos peixes do rio são impedidos de migrar para desovar.

“Apenas nos rios Murray-Darling Basin, existem 10.000 barreiras de todos os tipos em todo o sistema fluvial que contribuíram para o declínio do número de peixes nativos em 90 por cento. Se pudéssemos reconetar os nossos rios e dar aos peixes a capacidade de navegar nos nossos rios com segurança, veríamos mais reprodução e populações de peixes nativos mais saudáveis ​​nos nossos rios.”

Equipas de engenheiros e cientistas na Austrália lutaram com o problema por mais de um século e construíram muitos tipos diferentes de passagens para peixes, ajudando os peixes a ultrapassar as barreiras. Mas estes são caros para instalar e manter, sendo que a maioria deixa de ser eficaz em pouco tempo.

Com isso em mente, os cientistas e engenheiros da UNSW uniram-se para chegar a uma solução relativamente barata, facilmente adaptável ao ambiente local e deixando apenas uma pequena pegada de carbono.

Numa encosta acidentada atrás do prédio do campus, dois grandes tanques foram conectados por dois canos que bombeavam água de um lado para outro. No tanque na parte inferior da encosta, um pequeno peixe robalo australiano foi persuadido a entrar numa câmara antes de ser impelido em alta velocidade através de um tubo de Perspex para um tanque mais acima na encosta, cerca de oito metros mais alto.

“Uma questão importante é atrair peixes para o tubo, de modo que possamos movê-los encosta acima com a nova passagem para peixes”, afirmou o professor Peirson.

“O Dr. Harris mostrou que, com geometrias adequadas, os peixes podem ser atraídos de forma confiável para a câmara. A beleza do design é que ele usa a energia disponível no reservatório acima para, então, levantar os peixes. ”

Num ambiente comercial, as instalações da passagem para peixes do tubo utilizariam tubos de conexão consideravelmente maiores do que o de 90 mm usado no protótipo.

“O nosso trabalho de modelagem numérica mostra que este sistema funcionará de forma confiável para tubos de pelo menos um metro de diâmetro, levantando peixes a mais de 100m na ​​vertical. Isto é, potencialmente, um novo capítulo na gestão ecológica de grandes barragens”, indicou o professor Peirson.

O grupo procura agora oportunidades para implementar a passagem para peixes numa instalação comercial e está atualmente está em negociações com a Câmara Municipal de Parramatta.

Alguns dos desafios que o grupo enfrenta ao passar do laboratório para o campo incluem garantir que a função da estrutura original do rio não é diminuída ao mesmo tempo que promove a saúde dos peixes que utilizam esses cursos de água. In “Green Savers Sapo” - Portugal