Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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sábado, 5 de novembro de 2016

Galiza - Por um novo consenso para o galego

O poder do imaginário coletivo é imenso. Dele tira o imaginário individual suas crenças mais firmes. Controla esse imaginário colectivo, é lavoura do verdadeiro poder. O poder gestor se adapta a esse imaginário coletivo.

A geração nós foi capaz de inserir no imaginário colectivo, uma ideia de galeguismo da que hoje todos e todas bebemos. Anteriormente o ressurgimento e os Padres Feijó e Sarmento, fizeram seu bom trabalho.

O inícios do reintegracionismo devem muito a trabalhos de gente honesta como Carvalho Calero, Guerra da Cal, e muitos outros e outras. Académicos hoje ainda vivos como Isaac Estraviz ou Carlos Durão (por mencionar somente dous casos) sabem desse trabalho em condições tão difíceis. Graças a isso a Galiza conseguiu voltar a por em pé as duas colunas -raiz sobre a que se sustenta a nação: celtismo e reintegracionismo (ambas decepadas pelo franquismo).

Hoje já ninguém de nós pode duvidar (ainda que socialmente isto, pelo de agora não seja visível) que a espiral reintegracionista está em expansão, enquanto a isolacionista em contração. Mas o poder segue ao lado do isolacionismo.

Nenhum poder é suicida. E em tempos de paz, sem quebra institucional, todo novo poder surge e dimana, ascendendo pela espiral em contração do velho poder. O velho poder então precisa dum tempo para adaptar-se a nova situação. Mudando o discurso devagar, ate atingir a espiral ascendente que lhe permita seguir no comando.

Os que não tem o poder podem acelerar os ritmos e os tempos, para que a mudança chegue quanto antes (Isto significa muito esforço e trabalho na base piramidal).

Faz-se necessário mais que nunca que as verdadeiras redes galeguistas, voltem a inserir no imaginário colectivo a necessidade de as duas normativas linguísticas serem de livre utilização na administração pública e nas empresas privadas.

Isso aceleraria o processo de reintegração.

Faz-se necessário que o verdadeiro galeguismo, construa uma rede, que impulso a mudança desde abaixo: Criando uma rede cultural galega.

Se for possível este trabalho. A aceleração estaria já em marcha.
Afinal o velho poder convida a parte do novo a sua mesa, no topo da pirâmide (alguns filtram e trepam a esse poder por ai, outros permanecem fieis na base). Mas ambos movimentos são necessários para a mudança.

Não sabemos quando isto acontecerá, mas o final está já escrito. Galiza, sem a gente de pé aperceber-se (a não ser que uma crise sistémica abale o poder na Espanha e na Europa) acorda um dia sabendo que galego e português são a mesma língua. Pensa: claro sempre foi assim. Nem lembra que há apenas um decénio pensava de outra forma.

O bom dos povos é que não tem memória.
Fim dos discursos. Artur Alonso – Galiza in “Portal Galego da Língua”

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Artur Alonso Novelhe - Galego, mas nascido no México, é diplomado pela Escola Pericial de Comércio de Ourense. Exerce como funcionário do Serviço Galego de Saúde do Governo da Galiza. Publicou várias obras de poesia e colabora habitualmente com diferentes publicações, entre as quais o PGL. É sócio da Associaçom Galega da Língua (AGAL) desde os meados dos anos 80 e académico da AGLP.

domingo, 1 de novembro de 2015

Galiza - A unidade do reintegracionismo

Todos temos, nalgum momento, reparado nessa linha do horizonte; num dia muito tranquilo, olhando a pé de praia, ali onde o mar se funde com as nuvens baixas… Para alguns, essa linha significa o começo da divisão entre esse mar e as nuvens à sua frente; para outros, simplesmente é o símbolo da sua unidade: início da fusão.

Alguns olham e deixam-se embalar. Alguns ainda tentam averiguar qual é essa essência única, que une ou separa — à vontade própria— céu e oceano. Há quem chama essa origem do Incognoscível, outras pessoas preferem mencioná-lo como Deus; alguém nomeia-o de Vacuidade, outras, outros, preferem chamá-lo Campo Unificado. Ainda há quem precise dizer-lhe O Inexistente… Na mesma, sem saber, eles estão a referir-se à mesma natureza virginal: aquela força que tem a capacidade de unificar ou dividir, dentro si própria (dentro da mesma essência).

No entanto, o ser humano não gosta da Unicidade — isso é mesmo bom—. O problema é quando confundimos unicidade com unidade. Este ser dotado de grande inteligência acha que para quebrar essa unicidade — que ele confunde com unidade— tem de elevar a diferenciação ate um conceito divergente.

Essa divergência tem um lado positivo ao criar polaridade e sublinhar os diferentes aspetos de uma mesma questão. Mas também tem um lado negativo ao gerar um contínuo multiplicar de tendências, que constroem uma inércia perpétua de separação, dentro da unidade. E apesar das múltiplas cisões, impossível resulta despegar as diversas visões da primogénita raiz, donde todas surgiram.

O reintegracionismo, durante anos quis transitar dentro dessa polaridade; desse lógico percorrer, necessário para aprendizagem dentro da experiência humana. Reivindicando, no entanto, ambos os caminhos o mesmo berço: idêntica fonte. Porém, nas dinâmicas de guerra impostas nas nossas sociedades — talvez, como afirmava Mircea Eliade, desde a sublimação paleolítica da figura do “caçador”—, a concorrência pela supremacia torna-se uma lógica muito ligada ao princípio da sobrevivência, portanto, ao medo. O medo a ficar marginalizado por quem detém o poder temporário. O medo à imposição pela força. O medo a desaparecer.

Por outro lado, a tendência natural humana à identificação e ao apego, complica ainda mais a capacidade de consenso. Ao identificarmos a nossa psique com nosso pensamento — o «penso, logo existo», de Descartes— ficamos emocionalmente atrelados às nossas construções mentais, que sempre são subjetivas. Desapegar-se dessa dinâmica também facilita um trânsito, a prol de um novo modo de olhar muito mais flexível, mais amplo, mais abrangente e mais em concordância com a continuada mudança — que se verifica por toda a rede natural da vida.

Dentro da velha compreensão de apego ao pensamento, ao se verificar uma mudança grupal sentimos um ataque à nossa integridade — se estivermos fora da posição maioritária—, criando uma certa tensão psicológica que vai em aumento — segundo a perceção da ameaça for sentida com maior intensidade.

Curiosamente, o verdadeiro motivo da mudança muitas vezes é proporcionar o material psicológico necessário para a aceitação da nova realidade. Fora da dinâmica de guerra, essa aceitação verifica-se com naturalidade e confiança, permitindo uma confluência das diversas visões e perceções… Ajudando à assimilação por parte de todo grupo, somando a diversas perceções ao todo; evitando cisões e confrontos. Ao retirarmos os condicionantes de medo, podemos observar com claridade o movimento contínuo — interior e exterior— que impele essa mudança.

A unidade, pois cimenta-se na confluência de diversos caminhos e diversas caminhadas, num clima de paz e compreensão mútua; mas aberto à necessidade de mudança.

O pequeno e muito ativo movimento de vanguarda que se tornou o reintegracionismo, tem pela frente importantes desafios de futuro que só serão possíveis realizar com coesão, flexibilidade, integração e unidade — dentro do respeito a diversidade—. Com confiança e sem medo.

No nível geoestratégico, muita pouca gente se tem apercebido da importância futura que o galego português, como língua, vai ter a nível global.

Utopicamente falando, vemos uma alternativa certa a construir no nível planetário. O Império Ocidental, em franca decadência não tem nada que oferecer à nova humanidade — além do grande avanço cientifico-tecnológico de que foi grande impulsor.— A Rússia e a China continuam atreladas também às velhas dinâmicas de guerra e concorrência hegemónica. Ocidente representa o velho esquema de domínio mercantilista dentro das dinâmicas de guerra. China e Rússia, o velho organograma de controlo estatal, receoso da autonomia individual e coletiva. Ambos só podem oferecer confronto e sofrimento; dominação mais subtil ou mais bruta, repressão do saber alternativo e da universalidade do pensamento — que é enfrentada como ameaça—. Uma nova humanidade precisa dum novo centro, nascido dum novo paradigma de paz, que só será possível modificando a visão de luta dentro da polaridade.

Uma nova visão de confraternização e unidade dos contrários, pela analogia, será precisa. Chegado o momento do ser humano ficar saciada da guerra, dor e sofrimento — sempre em contínuo aumento dentro desta tendência.

A humanidade terá que compreender que as correntes que atrelam ao oprimido também atam o opressor. O oprimido sofre imensamente lutando pela libertação momentânea — até se tornar opressor e sofrer o processo contrário; única opção dentro das dinâmicas de guerra, polarizadas—. O opressor desenvolve paranóia e tensão patogénica por medo a perder a sua posse; sofrendo imensamente numa experiência de aparência material abundante. Mas em ambas as dinâmicas se verifica escassez ou material ou de bem-estar psíquico.

Um novo paradigma precisa de um novo centro de irradiação, que não poderá ser nem o Império Ocidental, nem a Rússia ou a China. Acreditamos, pois que a deslocação hegemónica, no tempo, se verificará do Atlântico Norte ao Atlântico Sul… E não podemos esquecer que no hemisfério Sul a língua mais extensa é o galego-português. Galiza, pois, terá um certo papel de relevância nessa transação cultural devido à sua ligação com o mundo lusófono e à América do Sul. No tempo, as mudanças contínuas trarão a mudança linguística no território galego também. O reintegracionismo não pode evitar a perda alarmante de falantes, mas quando se detêm os planos, podem-se voltar a construir as cidades. Devemos também lembrar que o poder da unidade transcende ao da soma das suas partes.

A força do reintegracionismo está precisamente nessa unidade. Para mantê-la, precisamos mudar para um novo paradigma de paz e comunhão… Com aceitação e respeito à diversidade, que é riqueza; mas também com compreensão da fonte comum e da necessidade vital da constante mudança… Trabalhar esse caminho é nosso grande reto. Artur Alonso – Galiza in “Portal Galego da Língua”


Artur Alonso Novelhe - Galego, mas nascido no México, é diplomado pela Escola Pericial de Comércio de Ourense. Exerce como funcionário do Serviço Galego de Saúde do Governo da Galiza. Publicou várias obras de poesia e colabora habitualmente com diferentes publicações, entre as quais o PGL. É sócio da Associaçom Galega da Língua (AGAL) desde os meados dos anos 80 e académico da AGLP.

segunda-feira, 4 de novembro de 2013

A língua que ninguém fala

"Se sofres particularmente por não estares a fazer algo que te parece certo, por que não ages, em vez de te lamentares?"
                                  Marco Aurélio

Não é muito arriscado para um escritor – precisamente por não ser um linguista – afirmar, que hoje em dia na Galiza, a realidade da língua chamada galega passa por uma perceção concreta de que o seu uso não só está a diminuir, como que nem sequer possamos dizer que esteja precisamente dele a fazer-se um "correto uso", ou a ser usada quanto menos tal como deveu ser previsto pelas autoridades, que no seu dia levaram à frente a implementação das "Normas Ortográficas e Morfológicas do Idioma Galego", através do Decreto "Filgueira" de 1982, desenvolvido desde as achegas da RAG e o ILG. Ou talvez sim. Talvez essas autoridades já previram isto: o abandono coletivo da língua de menor prestígio social (o galego) face à língua de maior prestígio e peso social (o castelhano); tentado precisamente com este decreto travar esse futuro, hoje feito presente. Mas se isso foi previsto e a normativa não cumpriu seu fim, só resta o paliativo da correção do diagnóstico e a mudança do tratamento.

Acontece que nesta altura a absorção da língua galega pelo castelhano se faz tão evidente, que a normativa atual só pode ser implementada a nível escolar ou académico. A realidade social caminha por outros vieiros.

Três são as falas que hoje e dia subsistem ao nível de rua, e mesmo em certos casos até compartilham espaços na atual Comunidade Autónoma da Galiza.

O castelhano: língua em ascensão que possibilita melhor a comunicação a todos os níveis. É a língua que prevalece na maior parte do tecido urbano, dominante ou quase única nos meios de comunicação social. Nela desenvolvem-se a maioria das trocas comerciais, efetuadas através de e por todo o país; assim como a maior parte de todo o tipo de relatórios legais ou privados... Mesmo da correspondência comercial ou privada (incluído a de suporte eletrónico) realizada por escrito. É a língua de charme, mas também a língua da classe operária. A língua de referente também no nível de ócio ou da arte, incluindo a musica... Inclusive na maior parte das canções utilizadas nas assim chamadas "festas populares" (onde quase todo o repertório das Orquestras se faz nesse idioma)...

O galego-castelhano (diluindo-se devagarzinho no processo de absorção que agora estamos presenciando). Esta é uma fala que continua recluída ao âmbito familiar e das relações de amizade. Língua hibrida desprestigiada (consciente ou inconscientemente) pelos próprios utentes, que reduzem o seu uso ao âmbito coloquial da comunicação mais privada.

Cada vez menos empregue graficamente, cada vez menos utilizada para expressar os pensamentos ou sentimentos mais íntimos da maioria das pessoas. Ou bem muito limitada para o uso das relações que consideramos serias como: criar os filhos, dirigir-se a alguma instituição ou simplesmente recorrer a algum tipo de serviço necessário para manter a nossa "coesão" social (levar o carro à oficina, ir cortar o cabelo, jantar num restaurante...). Quer dizer, faz-se mais dificultoso fazer uma vida normal nela.

O galego-castelhano (na falta de estatísticas sérias) ocupa um lugar ainda visível no mundo rural, ou das pequenas vilas, mas já não no citadino urbano ou no das vilas que aspiram em breve a ostentar o título de cidade (onde a mudança para o castelhano ocorre de modo "natural" e sem confronto, ao ter a língua de prestígio um atrativo social irrefreável)

O galego-português. Fala dum pequeno grupo conscientizado, no que com o tempo se deu em chamar movimento "Lusista ou Reintegracionista". Fala que não corre perigo de extinção como o galego-castelhano, o qual sofre a introdução invasiva contínua de léxico da língua A para a língua B, estando em caminho de transitar a uma espécie de gíria da língua castelhana. Não podendo já neste presente sobreviver sem as ferramentas que esta lhe presta.

O galego-português, pelo contrário, goza de muito boa saúde tanto no reduzido número de falantes que mantém na Galiza, como dentro duma ampla comunidade internacional (290 milhões a nível mundial) onde cada vez o seu prestígio tem mais reconhecimento. Embora moderadamente, a sua tendência na Galiza mantém-se em expansão desde que a princípios dos anos oitenta a AGAL (Associação Galega da Língua) iniciasse a sua andaina em favor duma normativa mais em sintonia com os preceitos do galeguismo clássico, desde os Padres Sarmiento e Feijó até a Geração Nós. Carvalho Calero e Guerra da Cal foram as figuras mais em destaque, que na época do franquismo fizeram (dentro e fora do país) as achegas e apostas mais interessantes a este movimento reintegrador.

Daí inferimos que o crescimento contínuo experimentado pelo galego-português na Galiza tem a sua causa, entre outras cousas, no amor e cuidado com que os utentes que usufruem desta alternativa estão a agarimar a sua fala; mas também nas ferramentas que estes usuários possuem, muito superiores àquelas a que podem recorrer os falantes de galego-castelhano (de dicionários, material pedagógico ou didático até à net, livros, filmes, jornais, música...)

Assim como também no nascimento e criação de redes já estáveis que vão da base popular até ao mundo académico – como o demonstra a recente criação da AGLP (Academia Galega da Língua Portuguesa) com o apoio das outras Academias irmãs. Além das relações a todo o nível – académico, cultural, sindical... – que se estão a desenvolver entre a Galiza e o resto da lusofonia.

Estamos, pois, numa tessitura onde o galego ILG – RAG já não tem mais emprego que a escrita oficial – dos documentos oficiais, manuais escolares das disciplinas veiculadas em galego, livros de diversa divulgação editados nesta normativa e pouco mais. Mesmo nem é utilizada, na sua fala diária, pelos funcionários ou professores, que redigem ou ministram estes documentos ou matérias do currículo escolar.

Apontamento Politico. Com a implementação da Lei Wert, a presença do castelhano ainda será mais firme e a sua expansão e assentamento mais evidente, ao perder o galego-castelhano, ou ver muito enfraquecido, o seu último reduto de apoio e sonhos: a sua presença constante no ensino.

Apontamento pessoal. Da minha visão, cada vez se faz mais impossível viver em galego-castelhano, o qual aumenta o isolamento destes falantes perante a falta de comunidade real de fala. Mas será que é possível viver em galego português hoje na Galiza? Acho que sim, porque a relativa pequenez da comunidade de falantes desta opção pode ser compensada com a ampla rede de falantes a nível global e de ferramentas efetivas e imediatas, que esta variante tem (a maiores dos centros sociais, diversificados por todo o país ou projetos coletivos de muita alta dignidade: como a Escola Semente)... Factos que, sem dúvida, diminuem a sensação de isolamento. Além disso, o trabalho continuado de rua, feito pelo lusismo ou reintegracionismo de base tem aberto muitas mentes, e cada vez é menos estranha a situação, na qual as pessoas que olham para escritos em galego-português sejam capazes de ler e compreender mensagens com grafias, antes alheias, como NH ou LH.

Olhando as cousas sob este prisma, a não mudança já não é questão de teimosia mas de imobilismo. Artur Alonso – Galiza in “Portal Galego da Língua”


"A única coisa que temos de respeitar, porque ela nos une, é a língua."
                                                                                                        Frank Kafka

segunda-feira, 7 de outubro de 2013

Catalunya e Europa

As palavras do comissário Joaquin Almunia sobre a impossibilidade do encaixe duma Catalunha soberana dentro da Europa vem de trazer à tona a clareza duma posição de força que desenha no continente a abertura dum novo “modus operandi”, ainda que condizente no fundo e variante na forma, com os realizados no passado. Isto é: o da clareza de saber que a União Europeia só atua nos casos de soberania por interesses económicos ou condicionantes geopolíticos. Além de comprovar que o poder dos Estados segue a ser o grande entrave da consolidação dessa suposta União.

As cadeias que agora a Europa tece junto com a Espanha sobre o entusiasmo catalão têm a sua correspondente correlação na comprovação prática da já famosa visão de Gandhi, de serem as cadeias que se cerram sobre o oprimido as mesmas que afogam o opressor.

Catalunha tem demonstrado uma muito correta aposta democrática na sua encenação da chamada “via Catalã”. Factos são factos; visões são visões: Catalunha tem nome de mulher, no novo paradigma, do novo milénio. O fim do patriarcado traz consigo um ressurgir dos caracteres associados ao feminino, entre eles o sentimento fundo de pertença à terra; unidos a valores masculinos tão primordiais como a clareza (a clareza da Europa da força, a clareza da determinação catalã). Na construção desse novo paradigma que, onda a onda, vai deslocando a velha matriz construída através da visão racionalista – herdada de Descartes e Newton – a física quântica tem mostrado um vigor inquestionável. Sem as achegas da física quântica hoje não poderíamos falar de modernidade: Internet, a revolução das telecomunicações, entre outras descobertas não teriam sentido sem o sustento da raiz quântica. Dentro desta mudança a realidade deixa de ser linear e construída por fatores externos e passa a ser multidimensional e construída desde a consciência. E tudo parece indicar que a consciência catalã está muito enraizada na terra.

Aconteça o que acontecer, se os catalães e catalãs decidem que eles vivenciam já dentro da sua alma a independência como um facto real, isso se traduz – segundo a filosofia quântica – em uma realidade imutável. O resto serão passos necessários e provações inerentes que vão avaliar, no tempo, a firmeza e flexibilidade desta sociedade. Surgirão muitos entraves e pedras de grande tamanho e peso, mas como diz o refrão romeno: “o caminho também é feito de pedras”. Se o povo catalão resguardar a sua independência no fundo do seu coração ninguém lha poderá roubar (podem roubar-nos a casa, o carro... bens materiais, mas ninguém pode roubar-nos aquilo que resguardamos no centro da alma). Sendo que esta jóia a cada dia se tornará mais formosa.

Pelo caminho surgirão múltiplas dificuldades: negociações abertas, negociações encobertas, encontros, desencontros, ilusões, desilusões, frustrações, ressentimentos... Muitos abandonarão a luta por cansaço ou pressão (o qual não deixa de ser humanamente compreensível), no entanto o processo avançará e afinal trará consigo a ansiada liberdade, o de menos é a sua concretização material no tempo; cada processo tem o seu tempo – e a ansiedade pode converter-se numa força muito destrutiva, ao invés de avançar costuma adiar os resultados práticos. Mas se a vontade dos catalães prevalecer e tudo aponta a que a tendência será de fortalecer essa persistência, mais ou menos num futuro próximo teremos uma nação catalã já não só para efeitos práticos, que hoje por vontade maioritária já o é... Como também à luz das formalidades.

Esse Estado será constituído dentro da Europa, e ele regerá relativamente os seus recursos próprios, conforme ao encaixe atual de cessão de soberania em prol da criação de realidades regionais maiores; que paradoxalmente os atuais estados nação da Europa impedem de avançar e no entanto é o único caminho – marcado pelo passo imparável da globalização mundial. Aquela cujo ritmo foi imposto pelas mesmas financeiras elites ocidentais que agora tentam exercitar a sua coação sobre a sociedade catalã.

Que seja esta viagem uma maravilhosa viagem em face da sua liberdade. Aguardamos que no caminho o povo catalão possa trazer um novo ar fresco com o qual contagiar esta nova e velha Europa rumada desde há séculos para os simples e prósperos negócios, e que hoje mais que nunca essa triste realidade se fez evidente. Artur Alonso – Galiza in “Portal Galego da Língua”

sexta-feira, 14 de setembro de 2012

Comunicação

“A Necessidade de uma Mídia Lusófona Global”

“Recentemente dois artigos no Jornal eletrônico galego “Portal galego da Língua” chamaram minha atenção sobre o caso de como é valorizado o galego – português no mundo. E dizer a cultura lusófona ou luso – galaica. Um dos artigos focava sua advertência sobre a grande injustiça que tem sofrido o Brasil – eu acrescentaria toda a Lusofonia – a respeito dos prêmios Nobel.

Em outras ocasiões diários como “El país” (de Espanha) na sua edição especial dos domingos dedicada a negócios tem incluído ao Brasil com um membro mais da cena Latino-americana, comparando o gigante sul Americano e 5ª potência econômica mundial, com países como o Uruguai, a Argentina ou o México... nos dias de hoje com muito menos poder regional e global.

Mesmo alguns autores têm falado abertamente dum Brasil onde espanhol e português vão da mão, quase que em um idílio próprio de um país bilíngue, esquecendo a crescente demanda do português na América do Sul, e no mundo... ou casos como os do Uruguai ou a Guiné Equatorial, onde o português tem categoria de língua oficial.

Porque então se estão a dar estes agravos?

Simplesmente porque ao invés do inglês ou, em menor medida do caso do espanhol, que já são línguas com poder global e presença a nível internacional; o português não está usufruindo do grande poder regional e global que países emergentes como o Brasil ou Angola, estão tendo no cenário atual.

Daí que falemos da necessária criação – para já – duma mídia global lusófona.

Parece mentira que Brasil ou Angola, mesmo Portugal, não tenham pesquisado já esta oportunidade. Uma mídia global lusofonia ofereceria imediatamente um aumento da presença e do poder global da cultura lusófona em todo o mundo.

Facilitaria o relacionamento entre países lusófonos e falantes desta área com o resto do mundo. Implementaria o acréscimo de valor nos PIB de cada país respectivo, subindo a percentagem percebida por receitas derivadas deste labor em empresas, direta ou indiretamente, relacionadas com a cultura e a língua.

Criaria a nível planetário uma marca de cultura no campo da música, literatura, arte, ciência e tecnologia, que proporcionaria mais desenvolvimento, maior número de parcerias e progressivo sucesso em todos estes campos do saber.

Relacionaria ao português com resto as línguas globais em pé de igualdade o qual ampliaria a demanda deste no mundo. Traria também novos insumos no labiríntico universo das tecnologias em rede, ajudando a criar relacionamentos muito interessantes, dentro e fora da lusofonia.

Em fim, muitos mais aspetos que em este artigo não daria espaço para especificar. Mas o mais importante faria dos países lusófonos e do campo lusófono um espaço aberto ao mundo, o qual daria a este espaço lusófono mais capacidade intervenção, relacionamento, criação de pensamento e pelo tanto influência a nível global.

Nada mais a acrescentar.

Aguardo agora potencias como Brasil, Portugal e Angola, darem esse passo decisivo para definitivamente colocar o poder global lusófono no lugar que lhe corresponde pelo peso específico que hoje já tem no mundo.” Artur Alonso – Galiza     in “Portal Galego da Língua”