Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)

segunda-feira, 5 de outubro de 2026

Suíça - Trabalho já não garante sair da pobreza

Mesmo com emprego, cerca de 360 mil pessoas na Suíça não ganham o suficiente para cobrir as despesas básicas do dia a dia

A organização Caritas alertou que a Suíça não está a fazer o suficiente para combater a pobreza entre pessoas que trabalham. Nas vésperas do anúncio de novos aumentos nos planos de saúde, a entidade pediu mais apoio para famílias de baixo rendimento.

Segundo a Caritas, cerca de 360 mil trabalhadores, o equivalente a 8,8% da população empregada, não conseguem cobrir as despesas regulares das suas famílias com o rendimento que recebem. Considerando também os familiares que vivem nesses lares, mais de 820 mil pessoas são afetadas.

A ONG afirma que o número de trabalhadores em risco de pobreza nunca foi tão alto desde o início da metodologia atual de medição, em 2014.

Famílias sem margem financeira

A Caritas apresentou o exemplo de um motorista que trabalha em tempo integral no cantão de Zurique. Mesmo empregado, ele mal consegue sustentar sozinho uma família de seis pessoas. Os custos da creche do filho mais novo já ultrapassam o orçamento doméstico.

Segundo a entidade, famílias de baixo rendimento gastam praticamente todos os seus recursos com despesas fixas e necessidades essenciais, restando pouca margem para absorver novos custos.

Pais solteiros estão entre os mais vulneráveis

A Caritas destaca que quase metade das pessoas em situação de pobreza apesar de terem trabalho vive com os filhos.

A falta de formação profissional após a escolaridade obrigatória também aumenta o risco de pobreza. Muitos trabalhadores ocupam empregos de baixa remuneração e horários irregulares, o que dificulta investir em qualificação.

Pais e mães solteiros estão entre os mais vulneráveis, pois precisam conciliar trabalho e cuidados com os filhos sem contar com uma segunda fonte de rendimento na família.

Caritas pede salário mínimo

A organização defende a criação de um salário mínimo nacional, além de horários de trabalho mais previsíveis e maior apoio financeiro para as famílias.

A entidade também propõe ampliar benefícios complementares e bolsas que permitam aos trabalhadores investir em formação profissional sem perder rendimento ou acesso a serviços de cuidado infantil. Fernando Hirschy – Suíça in “Swissinfo”


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