Cidade da Praia – O livro Feitiçaria e Mobilidade na África Ocidental: uma etnografia da circulação de kórda, méstris e korderus, de Eufémia Rocha, pretende contribuir para o conhecimento da matriz cultural cabo-verdiana, disse hoje o apresentador do livro Arlindo Mendes.
Em
declarações à Inforpress, Arlindo Mendes considerou que o trabalho se reveste
de “uma grande importância para se conhecer melhor aquilo que faz parte da
matriz cultural cabo-verdiana”, através do estudo de práticas tradicionais e
das suas redes de circulação.
“Ou
seja, é um trabalho que mostra que, para além da parte visível da nossa matriz
cultural, há muitos outros aspectos subjacentes que não aparecem publicamente,
mas que acabam por influenciar a quotidianidade das pessoas”, afirmou.
Arlindo
Mendes considerou que o estudo aborda práticas que, embora nem sempre sejam
discutidas abertamente, continuam a influenciar o quotidiano das pessoas e
mantêm redes de circulação dentro e fora do país.
Conforme
afirmou, esta prática tem uma rede extensa em Cabo Verde e uma rede que até
extravasa as fronteiras nacionais, indicando que os contactos entre praticantes
se estendem à Guiné-Bissau, ao Senegal, à Europa e à América.
“E há
uma forte tendência para se pensar que esta prática está mais ligada às pessoas
ignorantes, às pessoas menos escolarizadas, mas a experiência mostra o
contrário. É que há muito boa gente saída das melhores universidades europeias
que ainda continua a consultar os mestres e a seguir os conselhos e as
orientações”, concretizou.
Para o
apresentador, a publicação poderá também estimular o debate sobre tradições
culturais frequentemente consideradas marginais e contribuir para colmatar a
escassez de literatura sobre a matéria.
“Há
muito pouca literatura neste domínio e, por conseguinte, as pessoas têm um
défice de conhecimento a seu respeito”, sublinhou.
Arlindo
Mendes apelou à leitura da obra já que ela permite aprofundar o conhecimento da
identidade cabo-verdiana e compreender melhor as particularidades da sociedade.
“Comprem
este livro, leiam e releiam, porque seguramente vão descobrir muitas coisas
importantes que nos ajudam a compreender a nossa identidade e, por
consequência, a nossa idiossincrasia”, apelou.
Segundo
o académico, a obra resulta de uma tese de doutoramento defendida pela autora
na Universidade de Cabo Verde (Uni-CV), cujo júri presidiu, tendo sido
posteriormente convidado para escrever o prefácio e agora a sua apresentação.
O
livro Feitiçaria e Mobilidade na África Ocidental: uma etnografia da
circulação de kórda, méstris e korderus, de Eufémia Rocha, será apresentado
na sexta-feira, 16, às 18:00, na cidade da Praia. In “Inforpress” – Cabo Verde

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