O Governo de Timor-Leste vai enviar na próxima semana para Portugal mais 50 estudantes timorenses para estudar Direito no âmbito de um acordo assinado em 2024 com cinco universidades portuguesas para formar quadros naquela área.
“Vão
todos os dias lembrar-se de que estão lá para voltar mais capacitados para
servir”, disse o primeiro-ministro timorense, Xanana Gusmão, ao grupo de
estudantes, numa cerimónia, que decorreu no Palácio do Governo.
Do
grupo de 50 estudantes, 41 vão fazer licenciatura em Direito, seis mestrados e
três doutoramentos.
“Não é
uma ação de caridade do Governo, é uma prova de que o Governo está a ver o
problema que estamos a enfrentar”, afirmou Xanana Gusmão, que é bastante
crítico em relação ao trabalho dos tribunais no país.
“Não
se esqueçam deste compromisso: eu venho a Portugal para voltar e servir. Isto é
que tem de ir com a vossa cabeça e o vosso coração. Aprender para servir,
estudar para servir”, salientou o líder timorense.
Presente
na cerimónia esteve também o embaixador de Portugal, Duarte Bué Alves, que
destacou o empenho de Portugal na capacitação do capital humano de Timor-Leste.
“Educação,
formação é a prioridade número um de Portugal na nossa cooperação com
Timor-Leste”, afirmou o diplomata, insistindo na disponibilidade de Portugal
para a formação de timorenses, em particular, de juristas.
O
embaixador português destacou também o facto de um “número significativo” dos
50 alunos que vai para a semana para Portugal ser proveniente das Escolas CAFE
e da Escola Portuguesa de Díli.
“Isso
dá uma enorme alegria”, disse o embaixador, acrescentando que a aposta no setor
da educação, no âmbito da cooperação, “está a dar frutos”.
O
projeto dos Centros de Aprendizagem e Formação Escolar ou as escolas CAFE,
iniciou-se em 2014, e está presente nos 14 municípios timorenses.
As
escolas CAFE, onde as aulas são dadas por professores portugueses e timorenses,
são frequentadas por milhares de alunos.
Em
2024, o Governo de Timor-Leste assinou um acordo com as faculdades de Direito
da Universidade Católica, Universidade do Minho, Universidade de Lisboa,
Universidade do Porto e Universidade Nova de Lisboa para formar entre 200 e 300
timorenses.
A
iniciativa é promovida pelo Grupo de Trabalho para a Reforma do Setor da
Justiça, coordenado pela antiga ministra timorense Lúcia Lobato.
O
objetivo é reforçar as magistraturas e a Defensoria Pública timorenses, mas
também preparar quadros jurídicos para a administração pública do país.
O
projeto, com um investimento de cerca de 16 milhões de dólares (13,6 milhões de
euros), é financiado na totalidade pelo Governo timorense. In “Bom
dia Europa” - Luxemburgo

Sem comentários:
Enviar um comentário