Ser pobre é muito mais do que apenas não ter dinheiro, é também estar afastado de direitos fundamentais, como a educação, a saúde ou o saneamento básico e electricidade. Em Angola, as privações são tão profundas que um terço da população está privada de uma vida digna. Forte crescimento populacional também não ajuda. Melhorar a educação e a economia é a resposta. Índice Global de Pobreza Multidimensional 2026 avalia 108 países
Quase
um terço (29,6%) da população angolana enfrenta pobreza multidimensional grave,
com restrições de várias ordens, desde monetárias ao acesso a ensino, saúde e
serviços básicos como água potável ou electricidade, de acordo com o Índice Global de Pobreza Multidimensional
de 2026 do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), que
avaliou 108 países em regiões em desenvolvimento. Ainda assim, há uma ligeira
melhoria face aos 32,5% registados no relatório de 2025, o que fez com que o
País saísse do 15.º pior lugar para o 17.º no que diz respeito à pobreza
multidimensional grave, de acordo com cálculos do Expansão.
A
pobreza multidimensional ocorre quando uma pessoa ou agregado familiar sofre
com uma acumulação extrema de privações ao mesmo tempo, ultrapassando
significativamente o limite padrão da pobreza. Enquanto uma pessoa é
classificada em situação de pobreza multidimensional quando está privada em
pelo menos um terço (33,3%) dos indicadores analisados, a pobreza
multidimensional grave é efectiva quando a pontuação de privação atinge 50% ou
mais desses indicadores.
Contas feitas, tendo em conta que, de acordo com o Instituto Nacional de Estatística (INE), a população angolana é actualmente de 38.778.554, então 29,6% em pobreza multidimensional grave equivalem a 11.478.452 de pessoas.
Em
relação a "apenas" à pobreza multidimensional (sem ser a grave),
49,3% da população angolana sofre desta condição. E 14,8% da população é
vulnerável à pobreza multidimensional, ou seja, não são pessoas consideradas
oficialmente pobres no momento, mas enfrentam privações significativas e correm
sério risco de cair na pobreza. Joaquim Reis – Angola in “Expansão”

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