Não
me lembro bem onde li, mas o autor, criticando a fuga do ex-candidato quase
presidente do Brasil, Flávio Bolsonaro, ironizava o fato do 01 ter saído na
surdina, escondido como um bandido, disfarçado em guarda-chuva. Realmente, sair
do Brasil às escondidas não foi um ato de coragem mas de pura covardia,
definindo seu caráter de um poltrão e medroso.
Fugiu
só com o susto da Polícia Federal lhe ter pedido o passaporte, sem ter sequer
começado um processo, mas temendo o fim de sua imunidade parlamentar ao
terminar seu mandato de senador.
Felizmente,
o criador da programada dinastia, o pai Jair, além de bronco e inculto, é nota
zero em termos de articulação, previsão e programação política. Se tivesse
entregado as rédeas da família ao presidente do PL, Valdemar Costa Neto, talvez
o bolsonarismo não estaria hoje no necrotério. O raposão tinha dois outros
candidatos, recusados por Jair, atraído pela ideia de criar no Brasil uma
Dinastia Bolsonaro, capaz de ficar no poder por algumas dezenas de anos.
Felizmente
para a democracia brasileira, a proposta de Valdemar do PL foi rejeitada. A
dobradinha seria Tarcísio de Freitas, formação militar, entreguista e também
golpista, com Michelle Bolsonaro como vice, a evangélica anti-feminista, que
falava línguas estranhas na posse do terrivelmente evangélico André Mendonça, o
vaidoso que encobriu sua calvície prematura com implante de cabelos, segurou o
quanto pôde as investigações sobre as ligações de Flávio Bolsonaro (ou melhor
Rachadinha) com o banqueiro Daniel Vorcaro.
Seria
difícil uma vitória de Lula sobre Tarcísio-Michelle. E a história seria outra:
a do Brasil virar uma republiqueta, cujo primeiro ato seria o de libertar Jair
e os depredadores do 8 de janeiro de 2023.
Valdemar, que já reconheceu a
vitória de Lula, Michelle eleita senadora e Tarcísio reeleito e já pensando em
2030 sem compromisso com Jair, devem estar rindo. Jair, ao contrário, deve
estar se mordendo, ao ver desmoronado seu ambicioso projeto de Dinastia e desfeita
sua esperança de recuperar a liberdade em janeiro, subindo a rampa do Planalto
com seu primogênito.
A ilusão de Flávio
Todos
se lembram da ilusão e da vaidade de Flávio, julgando-se já eleito presidente
com os resultados do Primeiro Turno. O molecão mimado, amigo de milicianos,
mestre na arte da mentira e corrupção, já nomeava ministros e dizia -
imagina-se com o apoio do ministro Nunes Marques - vou subir a rampa com meu
pai. Seria uma reatualização de uma velha frase de Getúlio Vargas, que fez
época e inspirou gerações de políticos: "a lei, ora a lei".
Mas
nunca se deve contar com o ovo ainda na galinha! Para estragar o sonho
bolsonarista, os idosos, cadeirantes, indecisos se mobilizaram no Exército de Lula, do André Janones
e foram votar, derrotando o miliciano.
Disso,
Flávio vai sempre se lembrar, sentado numa cadeira de preguiça numa praia
protegida e privatizada de Miami, já naturalizado cidadão norte-americano logo
depois de seu irmão Eduardo. Exceto, exceto se, depois do governo catastrófico
de Trump, os democratas retornarem ao poder e retirarem os vistos de
permanência dos Bolsonaros nos EUA, antes de se terem naturalizado
norte-americanos!
Moraes e Dino esperando
Neste
caso, repatriados os dois irmãos serão recebidos com foguetes e festas pelos
ministros Alexandre de Moraes e Flávio Dino, para cumprirem as penas já
pronunciadas em suas ausências. Talvez Tarcísio, se eleito em 2030, os liberte,
inclusive o pai, mas sabe-se lá... Sem Tarcísio, em prisão especial ou
domiciliar, serão esquecidos e se transformarão numa daquelas curiosidades da
nossa história. Rui Martins – Suíça
______________
Rui Martins é
jornalista, escritor, ex-CBN e ex-Estadão, exilado durante a ditadura. Criador
do primeiro movimento internacional dos emigrantes, Brasileirinhos Apátridas,
que levou à recuperação da nacionalidade brasileira nata dos filhos dos
emigrantes com a Emenda Constitucional 54/07. Escreveu Dinheiro sujo da
corrupção, sobre as contas suíças de Maluf, e o primeiro livro sobre Roberto
Carlos, A rebelião romântica da Jovem Guarda, em 1966. Foi colaborador do
Pasquim. Estudou no IRFED, l’Institut International de Recherche et de
Formation Éducation et Développement, fez mestrado no Institut Français de
Presse, em Paris, e Direito na USP. Vive na Suíça, correspondente do Expresso
de Lisboa, Correio do Brasil e RFI.

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