A Organização Internacional para as Migrações alerta sobre os maiores perigos nas viagens, o fluxo migratório desloca-se para o sul com o aumento do controlo no norte da África Ocidental. O novo trajeto adiciona 650 km à viagem, e a agência pede mais cooperação transfronteiriça para salvar vidas
A
agência das Nações Unidas alerta para o aumento de riscos e perigos em rotas de
migração para a Europa que saem da África.
O
aumento de fiscalizações ao longo da costa noroeste da África não conteve a
tentativa de milhares de pessoas de reconstruir as suas vidas na Europa, mas
empurrou o perigo ainda mais para o sul. E neste novo cenário, um país de
língua portuguesa passou a integrar a lista de trânsito de traficantes de seres
humanos: a Guiné-Bissau.
Redução numérica oculta
realidade
Num
alerta sobre a nova configuração das rotas migratórias, a Organização
Internacional para Migrações, OIM, revela que a travessia pelo Atlântico tornou-se
bem mais longa, incerta e letal.
Embora
as chegadas de migrantes saídos de quatro importantes países de origem da
África Ocidental tenham caído 59% no semestre anterior em comparação com o
mesmo período do ano passado, a redução numérica esconde uma realidade
preocupante.
A
agência revela que as pressões socioeconômicas e de segurança que impulsionam o
deslocamento humano seguem intactas.
O
bloqueio de pontos tradicionais de embarque em Marrocos, na Mauritânia e no
Senegal não interrompeu as viagens, mas sim migrou o fluxo para territórios
mais ao sul, como Gâmbia, Guiné-Conacri e Guiné-Bissau.
Com a
alteração geográfica, o custo humano não tem precedentes. Ao partir de posições
mais a sul, a rota alternativa acresce 650 km a um trajeto já desgastante,
fazendo com que a travessia oceânica alcance 2,2 mil quilómetros.
Embarcações precárias e riscos
iminentes
Com
isso, os migrantes ficam expostos por períodos longos ao alto-mar, partindo de
litorais isolados em embarcações precárias e enfrentando riscos iminentes de
naufrágio, desidratação extrema e desaparecimento nas águas do Atlântico.
Como
destaca a diretora-geral da OIM, Amy Pope, a diminuição de registos numa
determinada praia não reflete o fim da urgência migratória, mas sim o seu encobrimento
e o deslocamento da tragédia.
Perigos mortais da travessia
A Rota
Atlântica Ocidental permanece como a principal via de acesso, reunindo a grande
maioria dos desembarques registados na Europa no início do ano, enquanto as
vias pelo Mediterrâneo Ocidental e Central voltam a indicar aumentos
proporcionais preocupantes.
No
meio a um cenário em que a repressão nas fronteiras apenas amplia os perigos
mortais da travessia, a OIM reforça que a única resposta sustentável está na
cooperação transfronteiriça integrada.
Para a
agência, salvar vidas no mar exige unir a proteção imediata aos direitos
humanos ao investimento real em oportunidades para a juventude e ao
fortalecimento das comunidades de origem e trânsito ao longo de toda a região. ONU
News – Nações Unidas

Sem comentários:
Enviar um comentário