Empresários chineses afirmaram ontem querer utilizar “Macau como trampolim” para promover os seus produtos nos mercados de língua portuguesa e espanhola
“O
objectivo de escolher Macau é aproveitar Macau como trampolim”, disse Liu
Yusha, presidente do conselho de administração da empresa Guangdong
Yidaominglei Health Industry Investment Group, no segundo dia da 31.ª edição da
Feira Internacional de Macau (MIF).
A
companhia chinesa fundada em 2020 dedica-se à investigação e desenvolvimento
biotecnológico, produtos de saúde e equipamentos inteligentes de saúde.
A
China designou Macau como plataforma para o reforço da cooperação económica e
comercial com o mundo lusófono em 2003, ano em que criou o Fórum para a
Cooperação Económica e Comercial entre a China e os Países de Língua
Portuguesa. Mais de duas décadas depois, o desígnio foi alargado aos países de
língua espanhola. “Através desta plataforma, esperamos que os nossos produtos
possam circular por todo o mundo”, afirmou Liu, descrevendo a intenção da sua
própria empresa.
Liu
apontou que, no setor da saúde, o desenvolvimento interno enfrenta “muitos
estrangulamentos políticos”, enquanto Macau e Hengqin (Ilha Montanha) oferecem
agora “um forte apoio político” como base da indústria da saúde da Grande Baía.
O
empresário mencionou também um evento organizado no ano passado pelo Instituto
de Promoção do Comércio e do Investimento de Macau (IPIM), que apresentou o seu
grupo à Nam Yue Group, uma empresa estatal chinesa sediada em Macau. “A nossa
empresa estabeleceu uma ligação com a medicina natural e temos agora uma
cooperação profunda”, afirmou, referindo também uma colaboração com uma equipa
de investigação biotecnológica da Universidade de Macau, que, afirmou, está a
“ajudar a melhorar o desenvolvimento de produtos e a modernizar a medicina
tradicional chinesa”. Liu elogiou ainda o Governo de Macau por proporcionar
apoio financeiro e subsídios para a investigação e desenvolvimento, além de “um
apoio político muito bom”.
Por
seu lado, He Haiming, presidente do conselho de administração do Macau Expo
Group, também presente na conferência, disse que a indústria de exposições do
território pode servir de “ponte interna e externa”, ligando a região da Grande
Baía ao mundo.
“A
vantagem de Macau é o seu posicionamento em relação aos países de língua
portuguesa”, afirmou He, acrescentando que a plataforma está a ser alargada aos
países de língua espanhola, nove países lusófonos e 21 países hispanófonos. “A
edição anterior foi muito boa e fomos muito ativos. Desta vez inscrevi-me mais
cedo, por isso também fui selecionado como orador convidado para um fórum
paralelo, porque esta edição construiu uma plataforma muito boa”, disse.
He
destacou também o papel de ponte de Macau através das suas comunidades chinesas
no estrangeiro. “Este ano, o chefe do executivo visitou o Sudeste Asiático.
Muitos residentes de Macau são chineses no estrangeiro, e utilizamos esta rede
de chineses no estrangeiro como ponte para sair. Neste evento, houve muitas
visitas de retorno de Singapura, Indonésia e Malásia”, concluiu. In “Ponto
Final” – Macau com “Lusa”

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