Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)

terça-feira, 6 de outubro de 2026

Internacional - Cientistas da Universidade do Porto lideram estudo sobre novas terapias contra a tuberculose

Estudo internacional reúne contributos de 24 investigadores de 13 países e analisa abordagens inovadoras que poderão contribuir para tratamentos mais curtos, seguros e eficazes


Investigadoras do Instituto de Investigação e Inovação em Saúde (i3S) da Universidade do Porto, do Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar (ICBAS), da REQUIMTE (Rede de Química e Tecnologia) e da Faculdade de Farmácia da U.Porto (FFUP) lideraram uma revisão internacional que reúne algumas das estratégias terapêuticas mais promissoras para o combate à tuberculose e a outras infeções causadas por micobactérias. O artigo foi publicado na revista Medicinal Research Reviews e envolveu 24 autores de 13 países.

Apesar dos avanços alcançados nas últimas décadas, a tuberculose continua a representar um importante desafio global de saúde pública. “O aumento dos casos de tuberculose multirresistente e a crescente incidência de infeções causadas por micobactérias não tuberculosas reforçam a necessidade de desenvolver tratamentos mais eficazes e capazes de ultrapassar os mecanismos de resistência aos medicamentos atualmente disponíveis”, afirma Tânia Silva, investigadora do grupo Host Targets of Infection do i3S e primeira autora do estudo.

Neste contexto, o estudo analisa diferentes abordagens terapêuticas emergentes. “Entre elas encontram-se pequenas moléculas dirigidas a alvos bacterianos essenciais, incluindo compostos concebidos para contornar fenómenos de resistência, bem como produtos naturais e fitoquímicos com potencial antimicrobiano”, explica Mafalda Sarraguça, investigadora da REQUIMTE na FFUP e última autora do artigo. A revisão científica explora ainda estratégias não convencionais, como os péptidos antimicrobianos e o uso de bacteriófagos (vírus que infectam bactérias).

Os autores dedicam também especial atenção às chamadas terapias dirigidas ao hospedeiro, uma abordagem inovadora que procura modular a resposta imunitária do organismo para promover uma eliminação mais eficaz das micobactérias e reduzir os danos causados pela infeção.

De acordo com os investigadores, o futuro do tratamento destas doenças passará, provavelmente, pela combinação de diferentes estratégias terapêuticas. “A integração de novos compostos antimicrobianos com terapias dirigidas ao hospedeiro e sistemas mais eficientes de administração de fármacos poderá contribuir para tratamentos mais curtos, seguros e eficazes”, esclarece Mafalda Sarraguça.

Rede europeia contra a tuberculose

Além da relevância científica do trabalho, a publicação constitui um dos resultados da COST Action ADVANCE-TB, uma rede europeia criada em 2022 para promover a colaboração entre investigadores, clínicos, indústria e organizações ligadas à investigação em tuberculose.

A iniciativa, financiada pela COST (European Cooperation in Science and Technology), tem impulsionado colaborações internacionais, missões científicas, atividades de formação, workshops e a participação em congressos, com especial enfoque no apoio a investigadores em início de carreira.

A participação portuguesa nesta rede tem sido particularmente expressiva, contando com vários investigadores em posições de liderança. Entre eles, Tânia Silva, que desempenha as funções de Vice-Chair da ADVANCE-TB. Esta presença tem contribuído para reforçar a projeção internacional da investigação desenvolvida em Portugal e para integrar equipas nacionais em redes científicas e consórcios europeus.

Com o término da ADVANCE-TB previsto para o final de setembro de 2026, Tânia Silva acredita que as colaborações estabelecidas ao longo dos últimos anos continuarão a traduzir-se em novos projetos, publicações e candidaturas conjuntas a financiamento. “O artigo agora publicado demonstra o impacto que estas redes internacionais podem ter na produção de conhecimento e no desenvolvimento de novas soluções para combater uma das doenças infecciosas mais persistentes à escala global”, conclui a Professora Auxiliar Convidada no ICBAS.

A COST (European Cooperation in Science and Technology) é uma agência de financiamento de redes de investigação e inovação que ajuda a interligar iniciativas de investigação em toda a Europa e permite que os cientistas desenvolvam as suas ideias, partilhando-as com os seus pares. Isto impulsiona a sua investigação, carreira e inovação. Universidade do Porto - Portugal


Sem comentários:

Enviar um comentário