Estudo internacional reúne contributos de 24 investigadores de 13 países e analisa abordagens inovadoras que poderão contribuir para tratamentos mais curtos, seguros e eficazes
Investigadoras
do Instituto de Investigação e Inovação em Saúde (i3S) da Universidade do
Porto, do Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar (ICBAS), da REQUIMTE
(Rede de Química e Tecnologia) e da Faculdade de Farmácia da U.Porto (FFUP)
lideraram uma revisão internacional que reúne algumas das estratégias
terapêuticas mais promissoras para o combate à tuberculose e a outras infeções
causadas por micobactérias. O artigo foi publicado na revista Medicinal Research Reviews e
envolveu 24 autores de 13 países.
Apesar
dos avanços alcançados nas últimas décadas, a tuberculose continua a
representar um importante desafio global de saúde pública. “O aumento dos casos
de tuberculose multirresistente e a crescente incidência de infeções causadas
por micobactérias não tuberculosas reforçam a necessidade de desenvolver
tratamentos mais eficazes e capazes de ultrapassar os mecanismos de resistência
aos medicamentos atualmente disponíveis”, afirma Tânia Silva, investigadora do
grupo Host Targets of Infection do i3S e primeira autora do estudo.
Neste
contexto, o estudo analisa diferentes abordagens terapêuticas emergentes.
“Entre elas encontram-se pequenas moléculas dirigidas a alvos bacterianos
essenciais, incluindo compostos concebidos para contornar fenómenos de
resistência, bem como produtos naturais e fitoquímicos com potencial
antimicrobiano”, explica Mafalda Sarraguça, investigadora da REQUIMTE na FFUP e
última autora do artigo. A revisão científica explora ainda estratégias não
convencionais, como os péptidos antimicrobianos e o uso de bacteriófagos (vírus
que infectam bactérias).
Os
autores dedicam também especial atenção às chamadas terapias dirigidas ao
hospedeiro, uma abordagem inovadora que procura modular a resposta imunitária
do organismo para promover uma eliminação mais eficaz das micobactérias e
reduzir os danos causados pela infeção.
De
acordo com os investigadores, o futuro do tratamento destas doenças passará,
provavelmente, pela combinação de diferentes estratégias terapêuticas. “A
integração de novos compostos antimicrobianos com terapias dirigidas ao
hospedeiro e sistemas mais eficientes de administração de fármacos poderá
contribuir para tratamentos mais curtos, seguros e eficazes”, esclarece Mafalda
Sarraguça.
Rede europeia contra a
tuberculose
Além
da relevância científica do trabalho, a publicação constitui um dos resultados
da COST Action ADVANCE-TB, uma rede europeia criada em 2022 para promover a
colaboração entre investigadores, clínicos, indústria e organizações ligadas à
investigação em tuberculose.
A
iniciativa, financiada pela COST
(European Cooperation in Science and Technology), tem impulsionado colaborações
internacionais, missões científicas, atividades de formação, workshops e
a participação em congressos, com especial enfoque no apoio a investigadores em
início de carreira.
A
participação portuguesa nesta rede tem sido particularmente expressiva,
contando com vários investigadores em posições de liderança. Entre eles, Tânia
Silva, que desempenha as funções de Vice-Chair da ADVANCE-TB. Esta presença tem
contribuído para reforçar a projeção internacional da investigação desenvolvida
em Portugal e para integrar equipas nacionais em redes científicas e consórcios
europeus.
Com o
término da ADVANCE-TB previsto para o final de setembro de 2026, Tânia Silva
acredita que as colaborações estabelecidas ao longo dos últimos anos
continuarão a traduzir-se em novos projetos, publicações e candidaturas
conjuntas a financiamento. “O artigo agora publicado demonstra o impacto que
estas redes internacionais podem ter na produção de conhecimento e no
desenvolvimento de novas soluções para combater uma das doenças infecciosas
mais persistentes à escala global”, conclui a Professora Auxiliar Convidada no
ICBAS.
A COST
(European Cooperation in Science and Technology) é uma agência de financiamento
de redes de investigação e inovação que ajuda a interligar iniciativas de
investigação em toda a Europa e permite que os cientistas desenvolvam as suas
ideias, partilhando-as com os seus pares. Isto impulsiona a sua investigação,
carreira e inovação. Universidade do Porto - Portugal

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